A Mulher Que Vestia Rosa
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
Espero sinceramente que seja do agrado de vocês.
Kissus&BalasDeCocaComSal para todos ^^"
Devia ainda ser uma criança, mas lembro-me bem da moça de rosa, chegava misteriosa durante grandes eventos, participava das festas e dançava com vários homens diferentes e então, no final dos grandes festejos, lá se ia a moça, na carruagem flamejante tingida de ébano. Os longos cabelos cor de fogo, a pele branquinha e o sorriso ameno, tudo tão perfeito, parecia até ser obra de algum pintor renomado.
Eu crescia e a todas as festas buscava com os olhos a bela mulher, por anos busquei vê-la sem nunca obter sucesso, frustração era o que eu sentia após fazer dezenove anos e ainda assim buscar pelo rosto da jovem que agora já deveria beirar os trinta, obcecado confesso que estava e para quem prestasse atenção aquilo seria evidente, sorte minha ninguém ter notado, nem mesmo a noiva que me arranjada fora parecia notar meu descontentamento em todo baile que ia a sua presença que por mais agradável que fosse jamais se igualaria a da bela mulher que vestia rosa e povoava meus sonhos e pensamentos.
Um dia jurei tê-la visto, segui então a mulher que parecia-se tanto com minha obsessão de infância apenas para que no fim visse ser ela ninguém mais ninguém menos que a prima de minha futura esposa.
Desisti então de ver tão bela dama outra vez, criando em minha mente insana pelo desejo a história de que ela, em um dos tantos bailes que ia acabou por apaixonar-se por homem nobre de terras distantes e casou-se com o mesmo, morando agora em lugar tão longe que meus olhos jamais poderiam apreciar tal beleza outra vez.
Devia ser meados de setembro, as folhas todas secando aos poucos, o equinócio de outono se aproximava e com ele viria a grande festa de comemoração do mesmo, e lá se ia para os ares toda a minha bem bolada história levando consigo minhas noites de sono bem dormidas, era só um festival grande se aproximar que minha insana mente começava a buscar por motivos para encontrar a bela mulher novamente, minha obsessão voltava a toda sempre que isso acontecia, passava os dias a imagina-la, como estaria, se estaria casada, tão bela quanto da ultima vez que a vira e por vezes, deixava-me levar e acabava por criar cenas em minha mente nas quais ela aparecia linda como me permitia lembrar e beijava-me como se o mundo fosse acabar.
Com a falta de o que fazer quando isso acontecia acabava por passar noites pintando a luz do luar, sempre as mesmas imagens, bailes elegantes nos quais ela aparecia, sua carruagem partindo ao longe pela estrada que ia até onde a vista podia ver ou apenas seu belo sorriso enquanto olhava com ternura para uma criança de 9 anos que se escondia sobre a barra do vestido da mãe.
Os dias foram passando e o equinócio seria dali a dois dias, muitos dos convidados já se encontravam alojados em nosso castelo, mas sempre haviam os mais ocupados que chegariam apenas na noite da grande festa.
Preparava-me para ir buscar minha noiva, começava a gostar de sua companhia, era a única que nos últimos dias conseguia acalmar minha insanidade, tudo ao seu redor era diferente e quanto mais convivíamos mais ela me lembrava da mulher de meus devaneios, estava no momento a comparar seus sorrisos, que pelo que lembrava-me e vivia a recriar, eram gêmeos.
Saí pela porta do quarto andando pelo corredor um tanto quanto apressado, não queria atrasar-me para buscar Nikita e tão pouco chegar banhado pelo suor nos estábulos. Praticamente corria pelos corredores vazios na tentativa de chegar mais rápido a meu local de destino quando esbarro em miniatura de gente fazendo com que a mesma caia sentada.
Meio atordoado ajudei a criança a levantar-se antes de notar ser essa filha de uma das criadas de Nikita, Aurelina, a criança num rubror só tentava inutilmente colocar os pensamentos no lugar.
-Quê faz por aqui criança? Nikita esquecera-se de que eu iria ter com ela esta tarde? –perguntei em um misto de curiosidade e preocupação que até mesmo eu estranhei.
-Mamãe disse pra que eu viesse correndo entregar esta carta da Srta.Nikita para seu noivo. Você é o noivo da Nik né? –respondeu/perguntou ela se repreendendo logo em seguida por ter tratado a patroa com tamanha intimidade.
-Sim, sou eu sim. –disse eu meio atordoado. –aconteceu algo com Nik?
Ela parecia escolher bem as palavras que usaria, com medo de que eu descobrisse algo que não deveria e por fim acabou por não dizer nada, apenas estender-me um pequeno envelope branco, peguei-o e com as letras garrafais de Nikita eu li escrito:
“Para meu querido noivo Nikolai”
Abri o envelope retirando do mesmo a carta que comecei a ler em voz alta:
“Querido Nikolai, se lê esta carta é porque não mais aqui estou, desculpa-me se fiz-te sofrer e não dei-te o que meus pais prometeram, mas passara a hora de minha ida, nem mais um momento posso ficar a ver-te aficionado por essa mulher misteriosa que em teus quadros ganha a vida que a muito deixou de ter, quando em outono de outrora morrera de doença degenerativa.
Peço também que perdoe-me por não ser como minha irmã mais velha e não poder preencher o lugar que ela deixou em sua vida, tentei a todo custo faze-lo mas não obtendo sucesso decido por partir.
Espero, de todo modo, que encontre alguém capaz de fazer-te esquecer aquela que eu não fui capaz de substituir.
Com amor, Nikita”
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