Notas iniciais
Olha eu aqui, galerinha bonitinha da minha vida!! Enrolando com a minha fic pra trazer mais uma one-short pra vocês! Hehe brincadeira, viu? Leitores de Pestinhas a Bordo, não me matem ^^" Essa one foi meio que feita às pressas (e mesmo assim tá atrasada -.-) para o Dia das Mães, mas eu gostei muitíssimo do resultado dela. Há tempos queria escrever uma cena assim *-* Espero que gostem também. Aproveitem e boa leitura ^-^

Dor.

Era tudo que o que Robin sentia naquele momento.

Bom, talvez não tudo, vai? Uns noventa e oito por cento seriam mais precisos.

Mas essa precisão não diminuía em nada as pontadas cada vez mais fortes que recebia em seu baixo ventre e que pareciam se estender por todo o seu corpo, muito menos amenizava o cansaço que sentia desde que aquela tortura começara há oito horas.

Essas sensações horríveis eram as que ocupavam os ditos noventa e oito por cento.

Um por cento era ocupado de pura raiva e instinto assassino, que era destinado ao Espadachim do outro lado da porta. Como ele ousava botá-la naquela situação?! Nunca pensou que fosse querer tanto matar alguém como queria fazer com Zoro naquele momento — e acreditem, se ela não estivesse precisando de atenção total no que fazia, os poderes de sua Akuma no Mi já teriam agido!

E o último um por cento que compunha seu mar de sensações era (por incrível que pareça) o que mais incomodava Robin naquele momento: pois estava cheio de medo.

A dor não era nada demais, ela já suportara muitas outras piores ao longo da vida — físicas e psicológicas. Tanto que até aprendera a não sentir medo e quando sentia, em disfarça-lo.

Foi o que fizera nos últimos nove meses, desde que descobriu a grande novidade. Nenhum dos seus companheiros notou nada, apenas Nami e Zoro (pra variar), mas mesmo esses dois não a pressionaram e apenas disseram algumas palavras de incentivo uma vez ou outra; a navegadora também tinha tentado leva-la às compras algumas vezes para relaxar.

Mas nada dava certo, e os medos e incertezas de Robin apenas aumentavam.

Um choro alto e estridente ecoou de repente pela enfermaria, ao paço que Robin sentia aquela dor agonizante finalmente acabar.

Porém, não pensem que acabou por aqui, pois agora que não tinha mais a dor e a vontade de estrangular Zoro ia diminuindo, tudo o que sobrava era o medo.

Foi quando ouviu, por entre o choro e seu torpor de cansaço, as vozes emocionadas de Chopper e Nami declararem:

— É uma menina!

E o medo que sentiu naquele momento chegou a apertar o coração da arqueóloga.

Céus... Ela era mãe.

Ela, Nico Robin, era mãe de uma menina!

Como ela poderia ser mãe?!

Principalmente sendo do jeito que era: Sádica, perfeccionista, algumas vezes fria e que raramente demonstrava seus verdadeiros sentimentos. Dava pra criar um filho com uma personalidade dessas?

Sem contar o fato mais importante naquela história toda: Robin nunca teve uma mãe.

A sua biológica a deixou para trás quando tinha dois anos; sua tia não só não a considerava como uma filha, como também não lhe dava a mínima mostra de carinho e a tratava como uma empregada; e por ser um “monstro”, conhecer outro adulto que ocupasse esse cargo estava fora de questão (embora ela tivesse considerado Clover-sensei como um pai).

Resumindo, Robin não tinha a mínima experiência para ser uma mãe, nunca recebeu o tão falado e sonhado amor materno. Como poderia dar o que nunca recebeu?

Ela estava assustada, com medo e preocupada. Será que, mesmo sem ter tido um exemplo e sendo do jeito que era, ela conseguiria ser uma boa mãe para aquela criança? Duvidava muito...

— Robin. – A voz de Nami a tirou de seus pensamentos. Girou como conseguia a cabeça e viu a navegadora, de pé ao seu lado, com um sorriso e segurando algo envolto por uma manta rosa. – Tem alguém aqui que quer te conhecer.

A arqueóloga não conseguiu responder, sequer podia se mexer, e não era apenas pelo cansaço. O pequeno sorriso que esboçou foi quase um reflexo.

Vendo que a amiga ainda estava exausta, Nami sorriu uma última vez para o bebê que tinha nos braços antes de ajeitá-lo na cama ao lado de Robin, de um modo que ele não caísse e nem ficasse desconfortável também.

E de um modo que Robin pôde ver sua filha perfeitamente, pela primeira vez.

Foi nesse momento que tudo deixou de existir para Robin. Dor, medo, receio... o mundo inteiro.

Nada mais existia, nada mais importava além daquele pequeno ser gorduchinho de olhinhos fechados, que fazia leves barulhinhos com a boca, todo encolhido na manta e que não contava com nada mais que uma leve camada de fios de cabelo verde escuros para proteger sua cabecinha do frio da madrugada.

O coração de Robin acelerou, um sorriso verdadeiro e enorme nasceu em sua face e, por um momento, sentiu vontade de chorar. Estava tão feliz. Não se sentia assim desde que viu que Luffy e os outros tinham ido até Ennies Lobby só para resgatá-la.

Não, era maior, muito maior. Uma felicidade do tamanho do universo, juntamente com outra sensação que ela não sabia qual era, mas que já havia sentido antes: Quando a menininha que estava agora ao seu lado, deu o primeiro chute em seu ventre.

E foi aí que ela se tocou: Seria esse o amor de mãe? Um amor incondicional, inexplicável, que simplesmente existia e não poderia ser quebrado por nada no mundo?

Pois era assim que Robin se sentia.

Céus, ela mal conhecia aquela criança; uma criança que não fazia nada além depender de alguém (depender dela), um ser que nem poderia ser considerado em todo um ser humano ainda. E Robin a amava mais que sua própria vida!

Com os olhos cheios de lágrimas por cair e sem deixar de sorrir, Robin esticou os braços e aproximou sua filha de si, até envolvê-la em um abraço fraco, porém caloroso. Ela também fechou os olhos para aproveitar aquele calor, que só recordava em ter sentido algo parecido nos primórdios de sua vida.

Sem dúvidas, aquilo que sentia era amor de mãe.

— Ohana.

Anunciou pela primeira vez o nome da menina.

Ela e Zoro não tinham comentado muito sobre isso, mas como o espadachim só escolhia nomes para meninos, eles decidiram que ele não poderia reclamar do nome que ela escolhesse caso fosse menina. E claro que a tripulação tinha dado seus palpites e ideias também (algumas tão malucas que a faziam rir até hoje), porém, infelizmente, nenhum dos belos nomes femininos sugeridos por Sanji, Nami e Chopper foi escolhido.

Ohana é o nome perfeito, foi o que Robin pensou quando o escolheu, meses atrás, e esse pensamento só se afirmou mil vezes agora que tinha em braços a portadora do nome. Não só era uma variação de Ohara, a terra onde nasceu e cresceu, como também significava família. Qualquer tipo de família, sem importar laços sanguíneos, raça, religião ou o tipo de pessoa que fazia parte dela, desde que houvesse amor entre eles.

E era exatamente o que todos os membros do Thousand Sunny eram. E Ohana era a primeira integrante a nascer no bando, no verdadeiro exemplo de ohana que era a tripulação dos Chapéus de Palha.

A partir de hoje, ela cresceria naquele navio, tendo os familiares mais estranhos que se podia encontrar por esses mares, nunca sentindo falta de nada material e muito menos de carinho ou amor.

Porque todos ajudariam a cuidar dela, vê-la-iam crescer e ficariam felizes por cada nova façanha realizada por ela. Porque todos do bando teriam um carinho especial para com Ohana.

Luffy e os outros com seu amor brincalhão de tios; Zoro com seu amor duro, porém preocupado, de pai; e principalmente Robin.

Com seu incondicional amor de mãe.

Notas finais
E esse é o fim, galerinha. Eu sinceramente amo a Ohana e gostei muito de aprofundar esse lado maternal da Robin com ela :3 Quem também tiver gostado bota lá nos favoritos e deixa um comentariozinho bonitinho pra eu saber como fui :) Quem não gostou, comenta também pra eu saber onde posso melhorar. Beijos de morango, feliz Dia das Mães e até a próxima, minna! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!