A Morte E A Sonhadora

20 Capítulo 20 - A toca do Dragão


Notas iniciais
Ultimo capítulo Y-Y Vou sentir saudades de vocês, mas prometo que volto com o bônus... Quer saber? Vai ser capítulo 21 mesmo, decidido! Esse é o penúltimo capítulo e espero que vocês gostem bastante, tentei deixá-lo farto e caprichar bastante. Boa leitura!

Aquele homem de incríveis olhos vermelhos-castanhos me observava desde que botou os olhos de mim, eu nem preciso olhar pra ele para saber disso. Tentei comer calmamente e sem nenhuma consciência de que um cara com olhar sádico me observava, mas estava difícil. Eu sei comer educadamente, de boca fechada e devagar... Quando estou calma. Eu estava tremendo de medo ou sei lá por que, talvez um dos próximos desastres venha a acontecer comigo. Talvez ele queira me matar e só estava fazendo hora. De qualquer forma, eu não conseguia me acalmar e isso fazia com que eu comesse alguma coisa em menos de um minuto.

Suspirei quando terminei, não deveria ter saído por aí com esses desastres acontecendo, minha mãe estava certa quando disse que essas tragédias sempre afetam aqueles que acreditam estar imune. Ia me levantar e seguir normalmente, mas antes disso fui cometer a burrice de olhar nos olhos vermelhos-castanhos. Um barulho ensurdecedor foi ouvido e todos tomaram um susto, alguns até se jogaram debaixo da mesa e eu apenas arregalei os olhos. Todos se levantaram para ver o que estava acontecendo, mas quando estava saindo do estabelecimento senti uma mão segurando o meu braço.

Eu congelei, não conseguia nem falar. O aperto era forte e seus olhos relaxados e sádicos faziam com que eu tivesse muitos motivos para ter medo dele. O homem me puxou para um canto e saímos pelos fundos, o que eu achei estranho já que a porta estava trancada. Ele andava na frente com a cabeça baixa, os olhos fechados e as mãos no bolso do casaco. Eu estava atrás meio que cogitando a ideia de fugir e nunca mais sair de casa. Será que estou sendo sequestrada e não sei? Tentei não fazer muito barulho enquanto diminuía o passo e entrava dentro de um beco. Assim que entrei comecei a correr como louca.

Não acredito que quase fui sequestrada! Parei pra respirar em frente a biblioteca e a frase da Dorothy continua na minha cabeça “Não há lugar melhor do que a nossa casa biblioteca”. Comecei a rir e abri as portas vendo a diferença. Realmente, estava linda e parecia ter sido feita para mim. Cada centímetro parecia ter sido planejado para me agradar e dar a impressão de ser aconchegante. Adentrei o local e entrei em um dos corredores, ela parecia ter sido ampliada e por isso estava muito maior. Fui adentrando aquele local vazio e solitário... Por que está vazio e solitário? A biblioteca está demais! Como ninguém está aqui?

_Por que com todas essas mortes as pessoas decidiram não sair mais de casa, apenas para coisas essenciais. Mas tem aqueles que acham que estão protegidos... Como você_ Uma voz masculina (linda, devo dizer) ecoo por toda a biblioteca e eu juro que quase derrubei uma das estantes.

_Mas o que..._ Fiquei meio besta com a minha sorte, esbarrei em uma prateleira diferente das outras_ Ah, meu Deus!

Essa é velha e de madeira, com livros mofados e empoeirados. Havia cupins e outros bichos que eu não sei dizer de qual espécie são. Encostado nessa prateleira estava o homem que ia, ou vai me sequestrar, me olhando com aquele olhar sádico e assustador que me fez tremer. Ao me afastar um pouco da prateleira pude ver o número dela, um enorme número onze. Então se você olhasse de frente poderia ver uns livros rasgados e um buraco na prateleira, onde o bicho que ninguém sabe o que é mora.

_Tentando fugir de mim, isso é muito feio sabia? Além de desnecessário_ O homem caminhava na minha direção lentamente e a cada passo dado por ele eu recuava um_ Você está diferente desde a ultima vez que te vi.

_Nós nos conhecemos?_ Parei de andar de ré, como a minha professora de matemática dizia, e fiquei tentada a descobrir mais.

_Sim, nós nos conhecemos sim. Você não reconhece os meus olhos?_ Aqueles olhos castanhos-vermelhos são familiares, mas eu não sei dizer onde vi e o que ele foi pra mim.

_Desculpa, mas não faço ideia de quem você é_ Vamos ver, o que eu sei sobre lutar?

_Tem certeza?_ Sei que não tenho chance contra ele, mas ele tem contra mim por que está me encurralando na parede como se eu fosse um gato assustado.

_Sim, eu não me lembro de você_ Quase desmaiei de susto pelo estrondo que aconteceu lá fora, iria verificar o que tinha acontecido, mas ele não permitiu que eu saísse.

_Não antes de se lembrar_ Deu um sorriso macabro e me puxou para que eu ficasse de frente para a prateleira onze_ Lembra de um certo bichinho que vive nessa prateleira, pelo menos?

_Sim_ O meu apartamento eu quero deixar pra Julia, os meus livros eu quero deixar pra Julia, os meus móveis eu quero deixar pra Julia, as minhas roupas eu quero doar pra quem quiser... Mas dá pra fazer testamento pela mente Alana? Tem que ser no papel sua anta!

_Não se ofenda!_ Ele pareceu falou completamente sério e eu comecei a ficar com medo, é a segunda vez que ele faz isso de ler a minha mente e isso é assustador!_ Só me diga: O que sabe sobre os dragões?

_Dragões?_ Gelei. Dragões são os seres fictícios que eu menos estudo_ Eles... Estão em muitos livros e filmes_ Que droga foi essa que eu falei?

_Relaxa_ Ele começou a massagear as minhas costas e, ao contrário do que se possa imaginar, meu medo aumentou_ Vou repetir a pergunta: O que sabe sobre os dragões?

Dragões, o que eu sei sobre os dragões? Que podem voar? Que é possível terem existido a milhares de anos? Que eles são escamosos? Que soltam fogo pelas ventas? Que...

_Dragões normalmente cuidam de algum tesouro ou lugar_ Veio lá do fundo da minha memória, alguém já me disse isso antes.

_Certo, certo... Sabe o que esse bichinho inofensivo é?_ Bichinho inofensivo? Aquele que quase arrancou a minha mão quando fui tentar limpar essa maldita prateleira?

_Um dragão?_ Falei ironicamente, já estava esperando uns tapas na minha cara quando ele me surpreendeu.

_Exato_ Ele colocou a mão naquele buraco cheio de papel, capas de livros, marcadores e insetos mortos tirando de lá uma pequena criatura fofinha negra e escamosa, com olhos amarelos e um par de asas, tinha o tamanho de um cachorrinho pequeno_ É um bebê ainda, por isso tentava se defender.

_Quem é você?_ Ia começar a me afastar quando ele começou a acariciar o dragão, mas ele me puxou de volta.

_Náthan Mayan Lamouke, o bruxo da morte_ Ele passou uma de suas mãos pela minha cintura e me deu um abraço com o dragão ainda no colo_ Senti sua falta.

_Eu..._ Fiquei sem fala, o que eu digo? Que senti saudades também?

_Está tudo bem, você perdeu a memória mesmo_ Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e me puxou pra mais perto da toca do dragão_ Normalmente eles guardam um tesouro, não é? Pegue, é seu.

_O que?_ Quase derrubei a prateleira dez, mas ele não parecia feliz pela minha recusa_ Tem insetos aí. E coisas mortas em decomposição. Eu não vou por a mão aí.

_Se não colocar..._ Ele suspirou pesadamente como se aquilo fosse um sacrifício_ Terei que deixar o dragão na sua mão.

_Não!_ Olhei pra toca e estava tudo escuro_ Posso não fazer nada? Ficar quietinha? Eu prometo que não conto pra ninguém, mas não me obriga a fazer essas coisas!_ Estava me sentindo o Rabicho, mas estava tão apavorada que nem liguei.

_Está desencorajada? O que aconteceu com a corajosa Alana que preferia vagar por aí como um espírito do que voltar pro corpo e ter uma vida melhor? Sabia que você me deu problemas?

_Do que você está falando?_ Deveria ter pego seja lá o que tivesse ali e pronto, mas não! Eu tinha que abrir a boca e ser fresca.

_Que por sua causa eu fui torturado por uns meses, digamos assim. E, durante esses meses, acabei caindo em depressão por não poder mais chegar perto de você por um tempo. E que todas essas mortes são causadas pelos meus surtos de raiva_ Será que ele fugiu de um hospício?

_Desculpa, mas eu não faço ideia do que você está falando...

_Se eu fosse você, pegava logo o maldito tesouro que esse dragão está protegendo.

_Tem razão!_ Sério, eu não tenho corajem de fazer isso.

_Talvez um encorajamento.

Ele colocou o dragão dentro de uma mochila que eu não tinha notado que estava ali antes. Náthan me encurralou na prateleira dez e olhou profundamente nos meus olhos. Aqueles belos olhos vermelhos-castanhos que agora pareciam mais calmos e menos sádicos, talvez até um pouco carinhosos. Sua mão direita se mantinha na minha cintura para que eu não fugisse e a esquerda segurava o meu queixo com certa força. Náthan se aproximou de mim como se fosse me beijar, nossas respirações batiam uma na outra e eu sentia que meu coração estava sapateando em algum lugar dentro de mim. Foi então que senti os lábios dele tocarem os meus e iniciarem um beijo doce e cheio de memórias.

“_Qual seu nome?_ Sussurrei de modo suave e fraco. Fiquei na ponta da cama para que ele se aconchegasse_ Senta.

Ele se sentou do meu lado, mas não parou a carícia hipnotizadora que fazia em mim. Juro que estava tão bom que meus olhos estavam fechados por si só. Talvez não fosse tão ruim ter que ficar cega e esquecer de trancar a porta, estando apenas de toalha no seu próprio quarto. Sozinha.

_Náthan. Como nomeia-te?_ Sua voz estava baixa e calma. Sorri, não tinha mais forças para rir.

_Alana.

_Vá para os braços de Morfeu querida Alana”.

Minhas mãos voaram para o cabelo do meu bruxo da morte e comecei a corresponder o beijo com todo o amor que eu poderia sentir. Seus cabelos negros e lisos se enrolavam nos meus dedos, suas mãos agora estavam em volta da minha cintura me puxando para mais perto e eu estava adorando as memórias que vinham na minha mente.

“_Passa-te bem?_ Sua voz é doce, calma, preocupada e me arrepiava.

Náthan, sem dúvidas é ele. Posso descobrir tanto pela voz quanto pela linguagem. Seu rosto parecia divertido e seus olhos me analisavam cautelosamente. Mas eu jurava que seus olhos tinham um toque de vermelho, ou era todo vermelho. Só que logo depois assumia um tom castanho madeira que me deixava doida! Odeio ter incerteza das coisas... Ah!

_Sim, estou melhor... Minha visão voltou_ Dei um meio sorriso envergonhado.

Ele se abaixou e pegou as fotos. Analisou-as e deu um pequeno sorriso.

_Tão pequenina_ Entregou as fotos na minha mão depois de analisá-las_ És tu?

Peguei as fotos da sua mão e fiquei vermelha ao ver que era de mim, quando bebê, tomando banho. Pensei em dizer que não, que era uma sobrinha, irmã, até mesmo a minha vizinha. Mas eu não consegui mentir para aqueles olhos vermelhos-castanhos madeira.

_Sim_ Sorri e tive certeza que estava corada_ Eu vou mandar pra minha mãe. Ela precisa disso.

_Logicamente, também adoraria possuir fotos de uma infante tão delicada”.

Viva. É assim que eu me sinto enquanto beijava Náthan, uma ótima sensação de ter vida e pura paz. É uma sensação completamente reconfortante e emocionante. Meus olhos começaram a marejar e eu nem me importei se iria começar a chorar na frente dele, pelo menos tinha ele de volta na minha memória.

“_Que te chateia?_ Seus olhos pareciam compreensíveis.

Ele se aconchegou do meu lado e começou a brincar com o meu cabelo. Senti-me anestesiada por um momento, deitei minha cabeça em seu ombro e relaxei. Eu acho estranho que tenha me acomodado a ele, não fiz isso nem com a minha mãe! Ele simplesmente chega e eu simplesmente adoro isso. Posso considera-lo meu amigo?

_Posso considera-lo meu amigo?_ Perguntei para ele da mesma forma que perguntei a mim.

_Ininterruptamente_ Olhei para ele com a sobrancelha levantada_ Sim”.

Como eu pude me esquecer desses momentos? Ele, tão cuidadoso e carinhoso comigo. Aquele que não se sentia muito bem me vendo triste, aquele que é o bruxo mais ciumento que já conheci, aquele que tinha uma paixão por Joanna d’Arc que fazia com que eu me corroesse de ciúmes. Minha bochecha já está encharcada com as minhas lágrimas.

“_Você não disse onde morava_ Me lembrei e rapidamente me afastei dele_ Onde você mora?_ Dei um passo para trás_ Por que essa fala tão estranha? Como conseguiu sair do meu apartamento e deixar a chave dentro?_ Ponderei melhor minhas perguntas e falei pausadamente_ Quem é você?

_Alana, isso é caricato..._ Ele revirou os olhos e eu me senti louca por um momento.

_Fale algo que eu entenda! Não quero saber de frases vagas, coisas arcaicas, não quero mistério. Eu quero saber! Diga de uma vez as respostas para todas essas perguntas ou então suma da minha vida_ Falei de uma vez só, estava completamente irritada e me sentia sem ar.

_Isso é inexequível_ Seus olhos pareciam amargurados e eu tinha certeza que ele lutava contra algo dentro de si, mas algo em seu rosto parecia que ele não sentia absolutamente nada sobre isso”.

Como eu era idiota. Tinha as piores brigas com ele por pouca causa. Fazia um estardalhaço por não saber de alguma coisa, a errada da relação sou eu e admito isso, mesmo tendo vergonha. A mão direita de Náthan subiu para o meu pescoço e começou a acaricia-lo de uma maneira muito gostosa. E eu chorava que nem um bebê.

“_Por que eu?_ Estava indignada, ele estava coberto com o próprio sangue e queria ficar escolhendo quem iria curá-lo.

_Por que você é a minha prometida. Eu sou NML. Eu sou o verdadeiro dono do diário. Eu sou o bruxo da Morte. Eu sou Náthan Mayan Lamouke. A coisa que te atacou no elevador é uma cobra. É o MordeOssos. Eu te explico tudo, mas por favor me leva para o seu apartamento e me ajuda, caso contrário eu morro!_ Seus olhos eram suplicantes e pareciam a beira da morte”.

Eu coloquei minhas mãos em sua nuca e fiz leves carícias com a ponta das minhas unhas. Abri os olhos por um momento e mesmo com as lágrimas atrapalhando a minha visão pude ver seus olhos abertos transbordando amor, aquele belo par de olhos castanhos-vermelhos.

“Suspirei e peguei o diário para começar a ler, fazia um bom tempo que eu não lia. Então por que não? Agora eu sei que é invasão de privacidade, já que o dono do diário realmente existe e é um bruxo da morte e pode fazer coisas muito ruins comigo e fazer com que eu me arrependa de tê-lo conhecido. Mas ele é o Náthan, eu sou a prometida dele e eu posso fazer isso! Apenas eu tenho esse direito e ninguém mais!Nem mesmo Joanna d’Arc!

_Não pense nisso!_ Ele reclamou e, já que estava tudo quietinho e silencioso, eu me assustei e chutei de leve a bacia com a água e o antídoto, sorte que só respingou um pouco.

_Não posso mais ler esse diário?_ Perguntei com indignação.

_Quando desejar, somente não pense em absolutamente nada conexo a ciúmes. Minha cabeça pesa”.

Pude senti-lo sorrir durante o beijo. Nossa mente voltou a ter uma espécie de conexão, voltamos a ser bruxo e prometida e isso é o melhor presente que alguém poderia me dar! Talvez não aqueles momentos em que eu fui idiota com ele, mas sim a chance de concertar tudo e voltar a ama-lo de uma maneira melhor.

“_Oh, por Hera! O que eu arranjei na minha vida?_ E, me assustando, ele me puxou para o seu colo e encheu minhas bochechas de beijos_ Como você é bisbilhoteira!”.

_Náthan, eu senti sua falta!_ Eu chorava desesperadamente no ombro dele que acariciava o meu cabelo com carinho.

_Pensei que não se lembrava de mim_ O rosto dele estava banhado pelas minhas lágrimas e havia um sorriso brincalhão em seus lábios.

_Eu te amo Náthan_ Continuei com a cabeça deitada em seu ombro.

_Eu também te amo querida Alana_ Ele deu mais um beijo no topo da minha cabeça e depois se afastou um pouco de mim_ É melhor você pegar logo o tesouro, não concorda?_ Ele enxugava as minhas lágrimas enquanto beijava a minha bochecha.

_Sim, você está certo_ Dane-se os insetos mortos e em decomposição, ele foi torturado por minha causa e isso é o mínimo que eu poderia fazer em troca.

Fiquei meio acanhada quando enfiei minha mão na toca que aquele dragãosinho morava, mas fiquei surpresa em achar uma coisa macia e fofinha. Ao retirar de lá quase desmaiei de felicidade, minhas lágrimas voltaram com força total e pelo mesmo motivo: Felicidade e satisfação. Comecei a rir que nem uma doida, mas sei que Náthan compreendeu que eu estava feliz e que não estava menosprezando o tesouro que estava ali.

_Alana Rapsakiá_ Ele pegou a caixinha de veludo que estava em minhas mãos e se ajoelhou na minha frente_ Aceita se casar comigo?

Notas finais
Obrigada por acompanharem a fic até aqui, só não agradeço melhor por que esse é o penúltimo capítulo e tals...
Até o capítulo 21, obrigada por lerem!!