A Morte E A Sonhadora
14 Capítulo 14 - Avisos ou Ameaças?
Notas iniciais
_O que? Como assim a Sophia morreu atropelada ontem?_ Meu nervos gelaram e eu não consegui acreditar nisso.
Estava tentando fazer um almoço digno, pela primeira vez abri um livro de culinária decente. Tenho que aprender a não ser apenas uma prometida, ou uma garota insegura e qualquer que necessita de ajuda para cozinhar. Quero mostrar que, por ser mulher, tenho que ser melhor. No momento, estava ainda picando alho com o telefone na orelha.
_Infelizmente é verdade. E o pior é que ela foi atropelada pela garota que aquele estudante que ela gostava, acho que Guilherme, estava saindo_ Fred não era tão próximo a Sophia e por isso estava despreocupado, na verdade todo mundo só tinha pena dela e apenas eu que a aguentava.
_Quando será o enterro?
_Não sei, ainda não foi marcado. Ninguém compreende direito o que aconteceu e todos estão muito abalados com isso... Mas você está bem? Desapareceu, ninguém sabe nada sobre você a dias!_ Ele realmente parecia sentir minha falta, e é nisso que eu gosto de Fred.
_É, a biblioteca está em reformas_ Disse aquilo como se fosse óbvio.
_Sim, mas nós continuamos nos encontrando. Vamos a vários lugares e contamos experiências de livros que lemos, damos críticas... Julia não te contou?
_Não, ela definitivamente não me contou isso_ Será que ela tinha ficado com raiva por causa da bicicleta?_ Ai!_ Me cortei com a faca, droga! Como isso dói.
_Estranho. Ela disse que mandou mensagens para o seu celular, tentou te ligar, enviou e-mails e até tentou ir na sua casa. Julia disse que ficou até preocupada, que achou que você tinha viajado e tentava dar um tempo na própria vida.
_Ah, eu vou ver isso_ Um vento forte bateu nos meus cabelos e eu já sabia quem estava atrás de mim mesmo antes de me virar_ Tenho que desligar Fred, até mais!
_Até breve_ Fred praticamente me corrigiu.
Quando me virei, vi Náthan com os olhos vermelhos escarlates e até pude notar umas sombras em seus olhos. Ele se aproximou de mim, acariciou meus cabelos e, mesmo com um ciúme muito notável, digamos assim, beijou o meu dedo e logo em seguida ele não estava mais cortado. Bruxos... Quando irei me acostumar com isso? Não sei como as personagens dos livros conseguem se acostumar tão rápido, como se telepatia fosse algo normal ou até mesmo teletransporte.
_Você deveria parar de me perturbar dessa maneira. Não sabe o quão perigoso posso ser com raiva_ Ele me puxou pro lado e, quando olhei pro alho o coitado já tinha sido vítima do ódio mortal de Náthan.
_Não deu nem tempo de eu praticar minhas habilidades culinárias. Sabe a quanto tempo estou tentando fazer algo que preste?_ Reclamei e peguei outro alho.
_Chega de alhos e facas por hoje, quero fazer as pazes contigo_ Ele me abraçou por trás e distribuiu beijos pelo meu pescoço, me fazendo fechar os olhos por um minuto.
Quando voltei a abrir os meus olhos, assustadoramente, o alho já estava picadinho em quadrados perfeitos e a faca estava fincada na tábua de cortar-sei-lá-o-que, só sei que era boa pra cortar. Lembrei-me vagamente de que estava com raiva dele, que ele praticamente matou minha amiga, que MordeOssos quase me matou por causa da raiva dele que sentia raiva da minha raiva (Isso não teve sentido, eu sei), ocultou a parte que ele era o dono da biblioteca e tem ataques de ciúmes sem coerência.
_Náthan, preciso aprender coisas! Eu quero aprender a cozinhar, coisa que não fiz por que era a atividade favorita da minha irmã. Então, se você me amasse iria com certeza me ensinar a cozinhar_ “Se é que você sabe”, completei em pensamento_ Ou então me deixar aprender sozinha.
_Então veja isso.
Eu me senti tonta com a quantidade de informação que recebi. Fiquei atônita e perdi os sentidos com todas aquelas receitas e experiências que invadiram o meu cérebro. Eu via pudins, tortas, bolos, sopas, cortes de carnes, pizzas... Tudo! E quando finalmente voltei a mim não consegui distinguir muito bem as coisas. Fiquei vendo uns borrões e umas luzes até que finalmente consegui ver melhor. Eu estava agarrada no Náthan e ele me segurava de modo que meus pés não tocavam o chão.
_E então? Podemos fazer as pazes agora?_ Olhei pra ele meio tonta e me assustei com o que vi em cima da mesa.
_Agora você morre!_ Peguei a faca e parti pra cima da serpente.
Do nada, Atena apareceu e fez o mesmo que eu. A cobra começou a rastejar o mais rápido que podia para fugir da gente. Acertei um abajur, Atena acertou o meu Notebook e ele caiu no chão, acertei a porta da sala e ficou uma enorme rachadura, Atena acertou a televisão e assim foi. A cobra fugindo da gente e a gente quebrando o meu apartamento. Por fim, a cobra se enroscou no pescoço do Náthan e quanto Atena se preparava para pular nele e eu preparava a minha faca, fomos despertadas pela voz de Náthan.
_O que vocês duas pensam que estão fazendo?_ Senti todos os meus membros ficarem duros e juro que pensei ter levado algo como “Petrificus Totalus!”_ Não Alana. Eu não sou Harry Potter.
Fiquei vermelha de vergonha pelo meu pensamento. Acho que os bruxos não gostam de serem comparados a personagens fictícios. Do mesmo jeito que os humanos não gostam de ser comparados a animais, mesmo eles sendo melhores que eles e... Espera, eu sou humana também!
_Não, não é_ A serpente sibilou_ Você é uma prometida sonhadora, o que te faz não ser exatamente uma humana_ Senti meus músculos relaxando e vi Atena se lambendo do meu lado... Credo.
_Sonhadora?_ Consegui dizer depois que destravei meu maxilar.
Fiquei tão relaxada que acabei soltando a faca que estava na minha mão e ela quase caiu no meu pé. Isso se o Náthan não tivesse me puxado, iria ser um grande jato de sangue.
_Existem duas categorias de prometidas: As acordadas e as sonhadoras. As acordadas são aquelas que ficarão para sempre humanas e consequentemente farão seu bruxo humano e no final eles morrem. As sonhadoras são aquelas que se tornarão bruxas e viverão para sempre.
_Mas... Como você sabe disso?_ Ainda estava intrigada em falar com uma cobra.
_É algo que todos os protetores têm. Uma sensibilidade muito grande em relação aos prometidos ou bruxos a quem protegem_ Náthan quem respondeu.
_Vim trazer uma coisa_ A cobra...
“MordeOssos”
Assustei-me com a voz de Náthan na minha cabeça.
“O que?”
“O nome dele é MordeOssos”
_Que coisa?_ Fiquei com Atena no colo caso ele decidisse pular no meu pescoço novamente.
_Uma carta_ Então ele cuspiu (Que nojo!) uma carta na mão de Náthan.
Náthan abriu na hora e começou a ler em voz alta (Mesmo que não lesse em voz alta, eu saberia).
“Bruxo da Morte Náthan,
Soubemos que localizaste tua Prometida e que, com isso, deslembrou-se de seus afazeres. Foram relatadas mais de cinco mil almas perdidas e isso é uma desgraça. Terá apenas cinco meses para reparar o que causou, ou então será ajuizado e condenado à perda de Prometida e tormento eterno.
Conselho Internacional de Bruxos e Prometidas”
_O que isso significa?_ Perda de Prometida? Será que eles querem me matar?
_Significa que se eu não recolher todas essas almas perdidas... Serei castigado_ Ele parecia estar perdido em pensamentos_ Vão te tirar de mim, apagar sua memória e nos desconectar.
_Mas... Eles não podem fazer isso?_ Soou mais como uma pergunta que como uma afirmação.
_Podem se eu não exerci mais a minha função por sua causa. Fiquei tanto tempo contigo que me esqueci das minhas obrigações...
_Mas não é possível que tenha morrido tanta gente assim em... O que? Dois dias?_ Dei de ombros, toda cheia de razão.
_Ficamos uma semana inteira juntos Alana. Sei que não parece, mas quando ficamos juntos perdemos a noção de tempo e até mesmo de espaço. É algo natural nos importarmos somente com uma pessoa e ignorarmos o mundo a nossa volta... Isso se chama amor_ Ele olhou de novo para a carta e depois para mim_ Vou precisar viajar uma longa distância para conseguir juntar todos eles.
_E se eu for contigo Náth...an?
Por um momento, iria o chamar de Náth. Sorte minha que ele estava tão concentrado que nem ouviu minha mente absurda. Tenho certeza que vou deixar esse apelido escapar alguma hora...
_Não é tão simples quanto parece amor. Precisamos primeiro pegar alguns utensílios que eu irei usar para capturar as almas, por que eles nunca querem vir por vontade própria.
_O que seriam esses utensílios?_ Não acho que eu queira ficar sozinha de novo... É desconfortável.
_Pra que quer saber Alana?_ Ele me olhou nos olhos quase que me recriminando por eu cogitar a ideia de ir com ele.
_Por que estou querendo calcular o tempo que você vai ficar fora para eu passar uns dias com o Fred_ Cutuquei a onça com vara curta e agora ele era obrigado a me levar.
_Manipuladora_ Ele disse com um olhar irritado e então pegou o seu diário e tirou de lá uma pena negra que não estava lá antes e começou a escrever_ Precisamos de Ametrino...
_O que?
_Bolivianita, Ametrino... Não conhece?_ Ele me olhou incrédulo.
_Por favor, não descarregue seu conhecimento em mim. Prefiro ouvir_ Disse já me lembrando da tontura que senti.
_É uma pedra muito rara e que ajuda aqueles que procuram direção no sentido da vida e da existência_ Como ele sabe dessas coisas?_ Continuando: Ametrino, Alecrim, Hortelã, sangue de uma Sonhadora, pelo de gato, veneno de serpente e... Ta faltando alguma coisa..._ O que ele está falando?_ Ah, sim! Água benzida.
_O que você está falando?
_É uma espécie de ritual para reuni-los e fazer com que eles tenham um súbito desejo de irem para o caminho_ Náthan suspirou e começou a olhar para o nada_ Onde vou arranjar Ametrino? Só tem na Bolívia, mas lógico que será impossível pegar coisas dos humanos.
_Por que?
_É considerado furto. Tenho que ir para o centro do mundo, lá tem de tudo_ Ele deu de ombros e voltou a olhar para a lista_ Alecrim e Hortelã é fácil, é só comprar. Então você me dá o seu sangue e o pelo de Atena que eu vejo o Ametrino e o veneno de serpente_ O ultimo item ele falou olhando fixamente para MordeOssos, que parecia querer se jogar da janela.
_Mas eu odeio tirar sangue!_ Instintivamente coloquei minha mão sobre meu braço.
_Não irá doer, eu prometo. Vem cá.
Em um instante, já havia um frasco em sua mão para coletar o meu sangue. Sentei-me lentamente ao lado dele, esse sustentava um olhar amoroso e compreensivo. Pegou minha mão carinhosamente e colocou um dos meus dedos dentro de sua boca e logo depois tirou. Nem senti o corte, mas estava cortado e agora mesmo ele espirrava sangue para dentro do frasco. Colocou meu dedo em sua boca novamente e pronto! Coleta de sangue feita em menos de um minuto!
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