A Morte E A Sonhadora
17 Capítulo 17 - Esquecer
Notas iniciais
Boa leitura!!
Náthan
Não sei o que mais me perturbava: Terem encontrado o corpo de Alana, mas ele ter muito veneno de cobra sendo possível que vá para o hospital, ou que o espírito da Alana estivesse desaparecido. Por que eu fui arranjar uma prometida tão desobediente? Eu falei pra ela ficar aqui e que não saísse daqui!
_Quer parar de ficar rondando em círculos? Uma hora ela aparece seu doente!_ Diamiro decidiu me ajudar, já que, sendo um elfo poderia muito bem rastrear espíritos.
_Se fosse a sua ninfa perdida por aí pronta pra virar um lápis de marca eu não duvido que também estaria histérico _ Diamiro me olhou ameaçador e continuou seguindo o cheiro, parando em um parque de diversões.
_A morta da sua prometida_ Tenho certeza que ele falou pra me deixar irritado_ Está por aqui. Procura pra lá e eu procuro pra cá.
Decidi deixar que o meu lado de bruxo da Morte entrasse em cena, já que por muitos anos eu tentava me controlar pra não matar ninguém desnecessariamente. Não podia contar isso pra Alana, ela pensaria que eu sou um assassino (se é que já não pensa isso). Ouvi um choro de criança muito baixo atrás de um brinquedo. Rapidamente me disfarcei de sombra, já que era de noite, e fiquei observando a situação que seguia.
_Eu perdi..._ Soluçava uma menina pra um garoto um pouco mais velho_ A minha_ Outro soluço_ Boneca.
_Está tudo bem, vamos encontra-la!_ Mantinha um sorriso enorme no rosto, a alma deles estava amarela_ Vem, onde você a perdeu?
Foi quando vi um espectro parado pertinho dos dois, observando assim como eu fazia. Sentada em cima do muro ela observava calmamente o desenrolar da cena. Fiquei um pouco perturbado em saber que o que atraia o espírito de Alana era a amizade. Esgueirei-me para perto dela e sussurrei ao pé de seu ouvido.
_Não deveria ter saído de casa, tem que voltar imediatamente_ Quando ela iria virar seu rosto para me olhar, voltei para onde estava.
Tenho que me lembrar que se eu tocar nela tudo vai pelos ares. Ela iria ter que realmente morrer, ir para o caminho e nunca mais voltar. Estremeci só de pensar nisso. Logo ela já viajava de volta para o seu apartamento em um redemoinho transparente. Todos os espíritos tinham esse redemoinho, ele os levava para o local onde morreram. Corri o mais rápido que pude e achei Diamiro com a tal boneca na mão, rindo que se acabava enquanto ouvia ao longe o choro estridente da menina.
_Que vergonha!_ Dei um tapa na cabeça dele, mas como estava praticando maldade não parou de rir_ Conto para a sua ninfa que está torturando menininhas roubando a boneca delas.
_O que?_ O sorriso dele morreu e vi o desespero tomar conta de seu olhar, jogou a boneca no caminho da menininha e me olhou zangado_ Maldade, denunciar os amigos. É como se eu fosse dizer pra Alana que você pode matar quem quiser caso se descontrole, havendo novamente aquela onda de mortes e acidentes.
_Mas eu não contei.
_Melhor assim.
Isso que dá ser amigo de um elfo, eles sabem chantagear e sabem como dar a volta por cima. Se bem que, devo admitir, eles são muito necessários e até mesmo leais.
MordeOssos
A gata se debatia de raiva, não queria ficar com a coleira nem morta. Sophia gritava muito na cabeça da coitada, queria voltar lá com o Guilherme dela. Além disso, o corpo de Alana precisava rápido de um espírito ou então morreria de uma vez. Se eu não tivesse mandado tanto veneno talvez ela não precisasse perder a memória, mas Náthan não precisa saber disso. Por enquanto, ele pensa que ela somente ficará doente.
_Atenas_ Um murmúrio baixo e fantasmagórico ecoo pelo cômodo, Alana havia chegado e, mesmo não aparentando, estava preocupada com a gata.
_Ela ficará bem, entre no seu corpo!_ Disse ainda perseguindo a gata, tentando tirar a coleira amaldiçoada de seu pescoço.
Náthan
Enquanto corríamos até o apartamento de Alana comecei a me sentir mal, ainda estava longe. Caí de joelhos em frente à biblioteca que já estava funcionando. Sentia que meu coração havia parado ou então que estava sendo perfurado, fiquei com os olhos vidrados no nada apenas ouvindo o elfo me chamando. Alana estava morrendo e dessa vez seria irreversível.
MordeOssos
_Mas... Por que ela está assim?_ Mesmo se movendo lentamente até o seu corpo, continuou insistindo.
_Te conto quando acordar, mas entra logo no seu corpo!_ Sério, estava começando a me desesperar quando vi a vida escorrendo dos lábios do corpo de Alana.
_Me conte agora!_ Exigiu ficando irritada.
_Entre agora, se não entrar talvez fique como espírito para sempre.
_Mas eu gosto assim_ Ela comentou se afastando do corpo_ Eu me sinto mais viva, mais feliz. Eu não quero voltar.
Náthan
_Ei, seus olhos estão cheios de sangue!_ Diamiro me fitava preocupado_ Vem, vamos mais devagar.
O elfo colocou boa parte do meu peso sobre os ombros e andou normalmente. Talvez estivesse me ajudando por já ter passado algo parecido, não sabia dizer. Na verdade, estava tentando aguentar firme. Minha visão estava literalmente vermelha, eu não conseguia andar direito sem tropeçar nos meus próprios pés e apenas ouvia o grito silencioso de MordeOssos: “Ela se recusa a viver”.
MordeOssos
_Você se sente assim por que tudo o que você viu não é seu. É o que você queria para você, são vidas de outras pessoas. Se você entrar, Náthan te ajudará a conseguir tudo o que viu, o que não viveu_ Tentei deixar claro que ela estava fazendo uma maluquice, mas ela parecia decidida.
_Eu não quero voltar!_ Eu compreendia isso, por que ela não era ela sem o seu corpo, não sabia raciocinar direito sem ele por isso falava tantas... Besteiras.
_Se não voltar agora não poderá nunca mais voltar. Estou falando sério_ Tive que me jogar do outro lado da sala, a gata tinha me arranhado e começava a doer_ Irá morrer e nem Náthan nem ninguém poderá te salvar do vazio eterno_ Mentira, não era um vazio eterno, mas também não sabia o que era.
_Então está bem_ Ela mergulhou dentro da própria boca assim que a porta se escancarou.
Náthan caiu no chão respirando com dificuldade. Se ela morre, ele adoece e se for resistente desfalece, se for fraco se suicida. Olhou pra mim quase perguntando se estava tudo bem, se sua prometida não tinha mais problemas para enfrentar, mas eu não saberia dizer, talvez ainda tivesse que ir para o hospital por causa do veneno, ou talvez tenha apenas perdido a memória.
Náthan
Sentia meus ossos sendo quebrados, minha pele se tornando vulnerável, meus olhos se enchendo de sangue e muita dor no coração, e todos sabem que essa é a pior dor do mundo. MordeOssos não me respondia, ou talvez não sabia responder se Alana ficaria bem ou não. Diamiro e MordeOssos tentaram me ajudar, mesmo que quem tenha me segurado por inteiro tenha sido Diamiro. Quando botei os meus olhos em Alana a minha parte ainda humana que eu tanto prezava praticamente morreu.
Agora eu não era mais responsável pelos meus atos, ver minha prometida daquele jeito tinha acabado comigo. Ergui-me lentamente indo em sua direção e só pude ouvir Diamiro correndo por medo de ser o primeiro alvo. MordeOssos se ocupou com Atena que estava com um colar amaldiçoado e eu apenas senti o que estava levando Alana a morte definitiva. Odeio o meu trabalho e odeio as vozes, mas no momento não estava ligando muito para isso.
“Veneno... Afetou seu cérebro”
As vozes são pura imaginação, eram os meus instintos de bruxo me dizendo exatamente a causa de sua morte. Sorri sarcástico e a peguei no colo. Sentindo toda a corrente de tristeza e doença, entrei em um dos redemoinhos azuis e negros indo em direção ao hospital. Pude senti-la respirando com dificuldade, mas não me liguei muito nisso.
Aterrissei em um dos corredores do hospital e a medida que eu andava um passo podia sentir todas as vidas ali. Todas as respirações fracas, os barulhos das máquinas e os choros incontáveis de seus familiares e amigos. Odiava vir em hospitais por esse motivo, saber que todos que estavam ali poderiam estar tendo uma vida. Lendo, brincando, sorrindo, chorando... Mas tendo suas vidas.
Coloquei ela em uma das macas e ativei alguns alarmes do quarto, enfermeiras correram na direção do quarto já que eu havia ativado vários, inclusive o de emergência. Elas não me viram, já estava encolhido em um canto apenas observando, sendo apenas a sombra do lugar. Os médicos entraram apressados e eu tive que entrar na memória deles, alterando, fazendo com que Alana seja uma velha paciente deles que tinha algum tumor no cérebro. Infelizmente, dando os diagnósticos, eu já sabia de uma coisa: Alana se esqueceria de mim para sempre.
Notas finais
Mas espero que tenham gostado e, se tiverem alguma ideia para o capítulo bônus podem pedir ; ) Obrigada por lerem!
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