A Morte E A Sonhadora
16 Capítulo 16 - Separados
Notas iniciais
Náthan
Não acredito que tive que viajar para o centro da Terra quando a minha prometida está enfrentando problemas desse nível. Se eu soubesse antes que aquela garota que matei por ódio iria se vingar desta forma, não teria nem me estressado. Agora estavam MordeOssos e Atena procurando aquele corpo e a culpa é toda minha, deveria ser eu a estar rondando o mundo em busca do corpo de Alana.
_Náthan!_ Uma voz atrapalhou os meus pensamentos e me virei para ver quem era_ Há quanto tempo!
Um garoto baixinho de mais ou menos 1,60 de altura que aparentava ter uns 17 anos me observava com um sorriso sarcástico. Os olhos dele são azuis e maldosos, tem cabelos espetados e negros, pele meio bronzeada e suas vestes sempre negras e grandes de forma que ele pudesse se passar por sombras. Não havia dúvidas de quem ele era, principalmente por suas orelhas pontudas
_Diamiro!_ O elfo deu uma gargalhada e deu um grande abraço de urso em mim_ Realmente, muito tempo... Uns seis séculos atrás, digamos assim.
_Finalmente deixou aquela sua linguagem arcaica ridícula?_ Não espere um elogio de um elfo se você não é uma ninfa_ Mas claro, ainda deve ser o mesmo metódico de sempre. Uma pena, você seria menos retardado se fosse como eu.
_Já conquistou sua ninfa?_ Se você não quer acabar se irritando, irrite o elfo.
_Ei, cara! Tá doido?_ Diamiro serrou o sorriso e me olhou como se eu tivesse fugido de um hospício_ Fica mudando de assunto desse jeito como se fosse meu íntimo.
_Estamos discutindo sobre o passado, isso seria passado.
_Tá, retardado. Conquistei sim, mas isso não é problema seu!_ Diamiro voltou a sorrir e me seguiu até a entrada do Centro da Terra_ E você? Achou sua prometida?
_Sim, encontrei sim_ Disse relaxado, não queria levantar suspeitas de que eu havia matado a minha prometida, por que, tecnicamente, a culpa era minha.
_E onde ela está?_ Diamiro deu uma volta enorme procurando por alguma garota que estivesse me seguindo, mas tenho certeza que ficou decepcionado.
_Na casa dela.
Diamiro deu um salto digno de um elfo e parou na minha frente, completamente indignado. Esqueci de comentar, mas os elfos são ótimos acrobatas, lutadores e esportistas, por isso não é bom ser inimigo declarado de um elfo, principalmente um como Diamiro que é um dos primeiros elfos.
_Como assim? Isso é possível? Uma prometida ficar longe do seu bruxo?
_Lógico, fica desconfortável, mas é suportável_ Mentira, estava me segurando para não voltar e ficar com Alana mesmo ela sendo um espírito_ E a sua ninfa?
Nisso um par de mãos delicadas e verdes (verdes quase brancas) tapou os olhos do elfo. Um sorriso bobo se formou no rosto de Diamiro e logo pude ver a dona das mãos. Para quem nunca viu uma ninfa, irei descrevê-la. Ninfas podem ser do tamanho que quiserem, mas essa queria ter 1,70 de altura. Cabelos roxos que se chegasse mais perto podia ver que eram pequenas flores, suas bochechas estavam coradas (só que no caso das ninfas, elas ficavam verdes), usava um vestido branco de flores silvestres e tinha uma aparência doce e pacífica.
_Quem é seu amigo, querido?_ Os pés da ninfa eram raízes e ficavam se agarrando aos pés do elfo.
_Ah, é o Náthan. Um velho amigo meu_ Ele ria de uma forma mais inocente e estava vermelho.
_Prazer em conhecê-lo Náth_ Se a Alana descobre isso...
_Digo o mesmo...
_Iúna_ Ela sorriu revelando seus dentes marrons de madeira.
_Bom, o Náthan está atarefado. Precisa ir logo, não é?
_Sim, claro. Foi um prazer conhecê-la
_Igualmente!
Elfos não aguentam ver suas ninfas simpatizando com qualquer outra pessoa, sendo macho ou fêmea. Entrei na parte de comércio do centro da Terra e procurei por minérios ou pedras preciosas. Achei animais, ingredientes para poções, bolsas de sangue, artigos para jardinagem, livrarias e finalmente, na parte mais afastada, achei o bendito Ametrino. Custou três gotas de sangue de bruxo da morte mais uma das minhas íris. Acredite se quiser, mas são ingredientes muito raros tudo que envolva bruxos.
Voltei para a estação de trem e tive que dar um pedaço da minha unha pra entrar na locomotiva. Acomodei-me no ultimo vagão do trem. Acredite se quiser, mas o melhor jeito de ir para o centro da Terra é de trem. O lugar é como uma enorme caverna em forma de bola, é possível ir para onde quiser e tem muitas variedades aqui embaixo. Frutas desconhecidas, insetos desconhecidos, animais desconhecidos. Aqui é o lugar feito para os rejeitados, os sobrenaturais. Quem não aguenta ficar lá em cima, como alguns vampiros, ficam aqui como se fosse a terra natal deles. Até eu queria trazer Alana pra cá.
MordeOssos
Merlin, por que fui caçar esse corpo com essa gata? Se pudesse já teria mordido ela e jogado em uma lata de lixo. Só sabe miar e aranhar, achava que os gatos eram mais inteligentes.
_Meow_ Atena havia parado de frente para a escola.
_O que? Acha que o corpo está aí?_ A gata começou a se lamber e eu fiquei petrificado enquanto observava a burrice em pessoa.
A gata ronronava e decidi puxar ela pelo rabo. Entramos na escola, ou sei lá o que era aquilo. Animadoras de torcida estavam super animadas no canto fazendo altas acrobacias e quando me viram deram um grande berro. Tive que me enrolar na gata pra ela correr até uma das salas em que o cheiro de Alana estava muito forte.
_Gui, eu te amo! Por favor, ela é uma assassina!_ Alana, quer dizer, Sophia berrava em direção um garoto que estava protegendo uma outra garota.
_Eu nem te conheço!
_Eu sou o amor da sua vida e ela me matou! Mas eu voltei, fiquei muito decepcionada que você não apareceu no meu enterro_ A doida continuava como se não estivesse ouvindo.
Rastejei para perto do pé da garota e finalmente mordi. O gosto era péssimo, corpos possuídos por espíritos que não eram legítimos apodreciam aos poucos e ficava... Nojento. Sophia saiu do corpo de Alana, que caiu desmaiado e Atena finalmente fez algo de inteligente. A gata deu um pulo e fez com que o espírito de Sophia entrasse em sua coleira.
Alana
Flutuava pelo cemitério vendo uma garota chorando em um túmulo, havia um garoto a confortando e mais algumas pessoas que julguei ser a família da pessoa morta. Quando cheguei mais perto tive a certeza de que era a mãe daquela garota que havia morrido. Logo não gostei de estar naquele ambiente por que estava triste e melancólico demais, havia muita luz azul ali.
Vi uma pequena faísca amarela e corri em sua direção, logo já estava sendo levada pela corrente de luz que eu adorava. Era uma bela brisa de calor e vida que faziam com que eu me sinta confortável. Aterrissei em um quarto feminino e a luz amarela incendiava, a garota tentava abafar o riso enquanto o menino sorria.
_Você é louco!_ Ela sussurrou_ Se meu pai te pega aqui me mata e aproveita e te mata junto.
_Eu sou louco por você!_ Ele a abraçou e ficaram rindo_ Mas sério, eu não aguento mais isso! Somos melhores amigos, não é possível que o seu pai não admita que fiquemos juntos.
_Mas ele tem seus motivos.
_Mas por que sempre desconfiam do homem? Se fosse você, uma mulher, continuariam a desconfiar de mim.
_Besteira, você só vem aqui pra desabafar.
Eles estavam na janela observando o céu. Como os casais gostam de observar o céu, acho que fica romântico ou sei lá. Mas eles emanavam apenas luz amarela, o que quer dizer que eles apenas eram amigos e isso era bonito.
_Vou ter que ir embora, seu pai vai vir te ver daqui a pouco_ Ele disse fazendo com que ela ficasse triste.
_Está bem_ A luz amarela começou a mudar, ficando completamente vermelha_ Volta logo, promete?
_Prometo_ O garoto sorriu e pulou a janela indo para um galho de uma árvore.
Pelo que eu entendi, a amizade deles é proibida e no fundo, bem no fundo eles se gostavam. Então ele vinha todas as noites para conversar com ela e ira embora em certo horário. Tomara que um dia eles sejam livres para se amarem e que sejam muito respeitados. Amor jovem é uma coisa um tanto irônica, é possível que seja para sempre e, as vezes, é apenas um amor jovem.
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