A Morte E A Sonhadora

12 Capítulo 12 - Perguntas e Mais Perguntas


Notas iniciais
Não demorei tanto, não é? Bom, eu prometi um capítulo maior que o anterior e também um capítulo que fosse hoje. Acho que está legal, espero que vocês gostem. Boa leitura!

Náthan já estava melhor, e o que mais me assustava é que não havia nem uma cicatriz, nem um arranhão. Eu ainda me arrepio quando lembro de seus cortes se cicatrizando, era rápido é ao mesmo tempo devagar. Náthan, nesse momento, acariciava Atena que ronronava como se fossem velhos amigos. Vai saber, do jeito que está a minha vida hoje em dia eu não iria estranhar se Atena falasse.

_Todos os animais articulam... Apenas os seres pensantes que não os compreendem. Isso por que buscam em tão alto grau o saber que se deslembram da pura ingenuidade de uma mariposa, do nado pacífico de uma arraia e dos ruídos mais incompreendidos de um roedor_ Não entendi por que Náthan disse aquilo, não me lembro de ter comentado isso em voz alta_ Deslembrou-se que nos encontramos com pensamentos atrelados?_ Ele estava rindo com vontade da minha desgraça.

Pelo menos os seus olhos não eram mais vermelho-castanho enferrujado. Agora voltaram a ser um vermelho-castanho lindo... Como sempre devem ser. Pensando melhor nessa conexão, eu não sei quase nada sobre ela! Até agora sei que ele pode ler meu pensamento e eu posso... Ajudar na sua cicatrização, digamos assim. Mas eu ainda nem compreendo o que eu sei...

_Você me deve algumas respostas sobre isso!_ O acusei e me sentei do seu lado_ Eu não entendo nada sobre isso... Prometidas e bruxos.

_Que queres saber?_ Me olhou com olhos curiosos e passou um dos braços pelos meus ombros, me puxando para mais perto.

_Serve tudo?_ Dei um grande sorriso já imaginando como seria não ter mais nenhum mistério.

_Como desejar_ Ele segurou a minha mão e começou a brincar com ela_ Vou arriscar articular em uma linguagem que você compreenda_ E então ficou quieto, acho que pensando o que dizer e como dizer em uma linguagem que eu entenda.

Uma coisa que ele disse atrapalhou um pouco o meu emocional. Acho que o fato de ele falar uma linguagem mais informal, sendo que não é o que eu estou acostumada, me fez ficar incomodada.

_Não precisa! Eu até que gosto quando você fala desse jeito..._ Dei um risinho sem graça.

Fiquei super envergonhada depois que disse isso, mas, incrivelmente, eu não corei. E isso foi o melhor prêmio que recebi desde que o médico cortou a barriga da minha mãe para que eu viesse ao mundo. Mas, olhando melhor, o seu olhar transmitia um amor tão grande que logo não estava mais tão envergonhada pelo o que eu havia dito. Na verdade, esse olhar é o melhor prêmio da minha vida.

_Mesmo assim, prefiro que você entenda_ Ele acariciou o meu cabelo, ficou quieto por um tempo e depois voltou a falar_ As prometidas, como o próprio título já expõe, são prometidas aos bruxos. Portanto, quando surge um bruxo, ele tem que aguardar a sua prometida nascer e aguardar mais alguns anos até ela atingir a maioridade...

_E por que o senhor demorou tanto?_ O olhei com raiva e pensei em todos os momentos em que poderia ter me dado bem tendo um namorado.

Ele se assustou com o meu modo de abordagem, digamos assim. Primeiro ele ficou assustado, mas logo um brilho, que eu não reconheci direito qual era, passou por seus olhos e logo depois um sorriso brincou nos seus lábios. Tenho certeza que ele leu minha mente, mas preferiu não comentar.

_Por que a senhorita demorou tanto?_ Ele frisou o “senhorita”, como se a culpa fosse minha!_Completamente sua. Quem adiou o seu amadurecimento foi a senhorita.

_Que amadurecimento?_ Fiquei irritadíssima com o que ele disse e juro que podia sentir fogo saindo dos meus olhos. Me levantei, me sentindo desafiada e o encarei com toda a raiva que havia em mim_ Você está mentindo! Eu tenho vinte e quatro anos e faz quase sete anos que eu atingi a maioridade. Está querendo me fazer ter raiva de você ou algo do gênero? Está dizendo que eu sou infantil? Que eu só amadureci agora? Que a culpa da SUA demora foi MINHA?

_Exato_ E, com essa resposta, eu explodi.

Tomara que ele tenha lido a minha mente e visto o quanto eu desejava que ele fosse embora daqui! Idiota, eu quebrei algum espelho pra esperar sete anos, por acaso? Por que eu fico chutando o coitado do Fred mesmo? Acho que uma chance para ele não seria nada mal, seria até legal sair com pessoas diferentes que não são bruxos da morte ou diários suicidas que vão te levar lentamente a loucura.

E, do nada, Atena começou a ficar arrisca e arranhou a mão de Náthan. Ela deu um salto e saiu de perto dele, mas deu pra ver que ela queria mais. A mão de Náthan estava com um enorme arranhão, que, na verdade, vinha do braço dele até o pulso. E... Eu não entendi o que aconteceu. Sabe, Atena é um doce! E se ela não é um doce, ela te ignora... Mas arranhar?

_Você está..._ Não consegui terminar a frase, não consegui perguntar se ele estava bem, ou qualquer coisa do gênero.

E o mais estranho é que eu sentia que não fora Atena que fizera isso, e sim eu!

_Por que fez isso?_ Ele sussurrou.

O olhar dele era magoado, como uma criança desiludida. A sua mão, a que estava intacta, apertava com força a que tinha um enorme arranhão que mais parecia um corte.

_Eu não fiz nada!_ Tentei me defender, mas até eu sentia que a culpa era minha.

_Não negue, até você sabe que o pretexto de Atena me ferir foi a sua ira contra mim_ Ele abaixou a cabeça e retirou a mão de cima do seu corte, uma mão agora ensanguentada_ Desculpe-me se te magoei com o que eu disse.

Eu não prestei atenção a nenhuma palavra, absolutamente nenhuma, depois que ele me acusou de provocar aquele arranhão nele juro que não me senti mais tão amável, controlada ou até mesmo apaixonada.

_Eu não mandei Atena fazer nada! Ela te arranhou por que quis, ela não é de fazer isso... Ela nem me obedece!

_Ela te cuida! Ela é pra você o que Mordeossos pra mim. No dia que Mordeossos te atacou, ele não fez isso por livre e espontânea vontade. Eu fiquei com raiva por que você estava com raiva de mim só por que eu ia voltar a administrar aquela biblioteca que eu comprei em 1800 e...

_O que?_ Dei um pulo, talvez igual ao de Atena, e caí no chão (odeio quando escorrego desse jeito)_ Ai! Você é o cara que vai substituir a Jennifer na biblioteca e nunca me contou? Como você pode?

Náthan, mesmo com o braço machucado, se assustou com o meu jeito de me assustar e, ao contrário de mim e meu jeito todo desajeitado, ele já estava do meu lado, me pegando no colo e me colocando deitada no sofá. Ele se ajoelhou do meu lado, inclinou a cabeça um pouco para o lado e deu um sorrisinho sonso.

_Eu queria fazer surpresa_ Ele piscou pra mim e segurou minha mão, voltando a brincar com ela_ Muito bem, onde eu estava?

_A sua demora.

_Ah, sim. Eu e você temos uma espécie de conexão, nossas almas são interligadas. Tudo o que eu penso vai pra você do mesmo jeito que tudo o que você pensa vem pra mim. Só que a diferença é que eu sou mais velho, mais experiente e por isso sei controlar os meus pensamentos. Mas se você fizer uma forcinha, até que consegue atravessar a barreira que eu coloquei no meu pensamento.

_Me ensina?_Me sentei no sofá e o puxei para que se sentasse junto.

_Por que eu faria isso?

E eu fiz a única coisa que pensei. Agarrei o pescoço dele e tasquei um beijo em sua bochecha.

_Por favor! Eu serei eternamente grata!_ Além disso, Crepúsculo não é minha estória favorita.

_Está bem, se concentra em mim e apenas em mim nada mais que os meus pensamentos.

Eu fiz o que ele mandou, pensei até na barreira do pensamento dele sendo quebrada. Imagina só invadir a privacidade e ver os pensamentos mais profundos daquela pessoa que você ama. E então, como um flash, vi tudo o que eu queria ver desde que descobri que ele podia ler a minha mente.

“Não arruíne os meus cadeados intelectuais. Eu desejo sustentar o meu silêncio”.

“Por que eu possuo uma prometida tão bisbilhoteira?”.

“Não necessitaria ter indicado que ela apresentava essa capacidade”.

Eu queria ser o mais formal possível em relação a isso, queria ter agido como uma garota madura e forte. Eu poderia, mas pensei descaradamente: “HAHA, nem tente esconder coisas de mim, não vai adiantar nada querido!”.

_Oh, por Hera! O que eu arranjei na minha vida?_ E, me assustando, ele me puxou para o seu colo e encheu minhas bochechas de beijos_ Como você é bisbilhoteira!

Notas finais
Ei, eu tive uma ideia. Vocês podem mandar perguntas para mim (quantas quiserem) e no próximo capítulo eu respondo tudo! Obrigada por lerem.