A Morte E A Sonhadora

11 Capítulo 11 - Cuidado com ciúmes


Notas iniciais
Desculpe a demora, eu verdadeiramente demorei pra arranjar tudo. Mas não pensem que eu não fiquei refletindo sobre isso, por que eu fiquei sim e até sonhei com o livro! Espero que gostem, e que desculpem a minha demora exagerada.

Consegui levar ele para o meu apartamento, não me pergunte como por que: nem mesmo eu sei. Atena ficou meio rígida ao olhar o sangue de Náthan, mas logo deu as costas e foi para o quarto de hóspedes. Deitei-o no meu sofá e fui correndo buscar qualquer coisa que tivesse no meu apartamento que parecia com primeiros-socorros, já que eu não tenho primeiros-socorros desde que eu saí da casa da minha mãe. Achei alguns curativos, remédios para amenizar a dor, antibacteriano, e algumas coisas que eu nem sei a função por que comprei por ordem de Jenny.

Corri procurando algum pano para limpar o sangue e achei no quarto de hóspedes. Peguei uma bacia e deixei encher no banheiro enquanto deixava os segundos-socorros na sala, já que não eram legitimamente primeiros. Nem consegui olhar pra ele, minha cabeça estava a mil por hora e estava mais preocupada em limpar aquele sangue todo do que ficar batendo papo, mesmo que eu realmente precise falar com ele (e preciso muito mesmo).

Sem querer, na pressa, derrubei o diário no chão e ele se abriu de modo que foi impossível não lê-lo. Havia várias anotações sobre curas e remédios, inclusive havia algo, parecia ser um frasco, no meio das páginas. Estava escrito em uma perfeita caligrafia masculina, que agora eu facilmente poderia saber que era de Náthan, sobre o que era aquele frasquinho e o que tinha dentro.

“Trata de quaisquer lesões(usado apenas por prometidas)

Contém sementes de Romã trituradas, arnica pura, babosa, flavonoide e gotas do rio Estige. Usado somente por prometidas, caso contrário os ferimentos largueiam. Uso preferencial”.

_Náthan_ Corri para a sala e o vi, fraco, com os olhos fechados, repetindo palavras que parecia latim_ O que seria uso preferencial?

_Do que se trata?_ Seus olhos se abriram e revelaram um castanho avermelhado enferrujado, nada normal em seus olhos.

_Você colocou aqui no seu diário: “Uso preferencial”_ Dava até dó vê-lo falando com uma voz arrastada, nada comum nele.

_Talvez se refira que pode ser usado do jeito que preferir. Ingerir, banhar..._Antes dele terminar a frase, eu já estava indo pegar a bacia com água.

Joguei todo o conteúdo que havia dentro do frasco na bacia e vi, para o meu alívio, a água ficar vermelha. Se a água continuasse sendo transparente ou então mudasse para outra cor tenho certeza que eu iria conseguir ver o sangue dele e ficaria muito, mas muito mais nervosa do que eu já estou. É por isso que eu estou começando a gostar desse negócio todo de bruxos e prometidas, eles sempre pensam em uma maneira para amenizar as coisas.

Chamem-me de louca, idiota e até ridícula se quiserem, eu aceito tudo isso e mais. Mas eu não posso negar que ele estava sem camisa e, mesmo todo machucado parecia tão... Lindo! Seus olhos me observavam com curiosidade já que eu havia parado do nada só para observa-lo. Mas, falando sério, quem não resiste ao homem amado pedindo exclusivamente a sua ajuda?

Mergulhei o pano na bacia e retirei o excesso de água. Segurei levemente o seu queixo e fiz com que ele olhasse para cima. Passei primeiramente no seu rosto, me concentrando nas feridas mais abertas. A medida que eu passava esse antídoto pelos seus cortes, pude ver que eles já começavam a cicatrizar. Ele estava com os olhos fechados e continuava murmurando coisas que eu não conseguia decifrar.

_O que você está falando?_ Estava tentando, miseravelmente, amenizar a situação.

Passei para o pescoço e vi que alguns ferimentos do rosto já estavam curados. Parecia até magia... Ah, deixa pra lá.

_Hum?_ Ele não ousou abrir os olhos, pelo contrário. Continuou murmurando com os olhos fechados.

_O que você tanto sussurra? Eu estou curiosa...

_Encantamentos de cura_ E nisso pareceu que ele havia finalizado a conversa.

_E por que você não fala alto?

_Pois é arriscado.

Eu não entendi o motivo dele disser isso, mas continuei retirando o excesso de sangue e via as feridas se fechando lentamente, mas mesmo assim era nítido que fazia efeito. Quando estava terminando sua cintura, pude ver que seu rosto já estava totalmente cicatrizado. Você deve pensar que eu já estou acostumada com essas coisas, certo? Ué, eu tive um diário que tinha vida própria e que agia como um celular, já tentei limpar a estante 11, fui estrangulada no elevador por alguma coisa que julgo ser uma serpente(se tudo isso for verdade mesmo), já me arrependi disso, sou a prometida de um bruxo, estou ajudando na cicatrização de um bruxo... É, eu deveria estar muito acostumada com essas coisas e deveria até querer aprender mais.

Mas, de alguma maneira, eu não quero aprender mais, e eu não me acostumei nada com isso. Ainda é muito estranho largar a sua vida pacata e normal por algo estilo Harry Potter. Eu gosto da saga, já quis ir pra Hogwarts, mas nunca pensei que fosse ser assim... Tão... Assustador. Parece mais legal quando se está lendo, ou vendo o filme, mas vivendo? Agora sei por que o Harry ficou feliz por tudo ter acabado, até eu ficaria.

Você deve estar acostumado com protagonistas que namoram monstros ou criaturas sobrenaturais e o aceitam como são, lutam por ele, visitam sua família nada-normal, correm grande perigo, mas mesmo assim não se importa inteiramente com tudo isso. Mesmo que o namorado delas avise que é muito fácil mata-las, que sua natureza deseja ela morta e tudo mais. Sem medo, sem remorso, apenas amor e respeito pelo sobrenatural.

_Náthan, você está se sentindo melhor?_ Perguntei quando terminei de passar por todo o seu corpo.

Devo dizer que a parte que estava mais destroçada eram seus pés, completamente encharcados de sangue. Me sentei ao seu lado e comecei a acariciar sua nuca, um leve carinho que, pelo menos na intenção, era relaxante. Ele deitou sobre as minhas pernas e seus olhos começaram a pesar, e dessa vez não era por causa de nenhum encantamento ou algo do gênero.

_Hum?_ Ele forçava seus olhos e tentava os manter abertos.

_Estou perguntando se você ainda sente alguma dor... Se está melhor..._ Ele ficou quieto e não respondeu mais nada, nem se mexeu. Sua respiração ficou mais suave e mais relaxada, e eu pude ver que seus olhos não tentavam mais se manterem abertos.

Suspirei e peguei o diário para começar a ler, fazia um bom tempo que eu não lia. Então por que não? Agora eu sei que é invasão de privacidade, já que o dono do diário realmente existe e é um bruxo da morte e pode fazer coisas muito ruins comigo e fazer com que eu me arrependa de tê-lo conhecido. Mas ele é o Náthan, eu sou a prometida dele e eu posso fazer isso! Apenas eu tenho esse direito e ninguém mais! Nem mesmo Joanna d’Arc!

_Não pense nisso!_ Ele reclamou e, já que estava tudo quietinho e silencioso, eu me assustei e chutei de leve a bacia com a água e o antídoto, sorte que só respingou um pouco.

_Não posso mais ler esse diário?_ Perguntei com indignação.

_Quando desejar, somente não pense em absolutamente nada conexo a ciúmes. Minha cabeça pesa.

E eu nunca senti o meu rosto mais quente que naquele momento.

Notas finais
Obrigada por lerem!