A Morte Das Areias do Saara

2 Pegadas na lama do Nilo


Notas iniciais
Foi mal pela demora em sair o cap 2 :v prometo que o cap 3 não vai demorar tanto. sem mais delongas, vamos aproveitar o mini Anúbis ♥ * as imagens do começo do capítulo são screenshots do jogo Assassin's Creed Origins, pela Ubisoft. Os créditos pela maravilha das fotos e desse jogo, vão para eles. jogue! é muito bom! ♥ Muitas das referências e estudos dessa fic vem desse jogo. as imagens estão presentes para ajudar a imaginar tudo. no entanto, o jogo se passa na época de Cleópatra. Ou seja, lá pra 50 a.C. essa história começa lá pra 3100 a.C kk então tem uma diferença grande.

"Venho diariamente, venho diariamente. Eu encontrei uma maneira. Eu avanço sobre o que foi criado por Inpu (Anúbis). Eu sou o Senhor da Coroa de Urrt. Eu Sou o possuidor do conhecimento das palavras do poder mágico, eu sou o vingador de acordo com a lei, tenho vingado o prejuízo para o seu Olho. Eu defendi Osíris. Eu realizei a minha viagem. O Osíris Ani avança com você com a palavra que é verdade.”

~Fragmento do Livro dos Mortos

Ísis se sentava no muro da varanda de seu luxuoso palácio enquanto pensava. Para qualquer um que passava, a bela mulher poderia estar só admirando o sol que se punha entre as dunas do deserto, mas não, ela pensava sobre a conversa que havia tido algumas horas antes com a irmã Néftis. Estava preocupada com a irmã, sabia que Set não era exatamente um homem muito compreensível e carinhoso. Depois que Néftis saiu, Ísis achou que ela talvez precisasse de algum tempo para organizar os pensamentos e, por isso, não foi atrás da irmã. Algum tempo depois, quando decidiu ir até o palácio de Néftis, descobriu que ela não estava lá e isso a deixou preocupada. Ísis suspirou e se levantou para ir mais uma vez até o palácio da irmã na esperança de que ela tivesse voltado.

Enquanto a deusa andava para o palácio próximo, apesar da preocupação que enchia seu coração, ela permanecia andando de forma elegante e decidida, assim como era esperado daquela que um dia seria a rainha quando Osíris herdasse o trono. Havia alguma especulação quanto a quem deveria ter o trono, Osíris ou Set, a maioria parecia concordar que Geb provavelmente escolheria Osíris.

Ao chegar ao palácio, Ísis encontrou Néftis sob a sobra de uma das palmeiras que havia sido plantada ao lado da piscina que havia no cento do pátio de entrada do palácio. Chamar de “piscina” seria demais ao se considerar o entendimento de piscina atual, o buraco quadricular repleto de água não tinha mais do que dois palmos de profundidade.

Era difícil ler o olhar de Néftis, ele parecia estar vazio e ao mesmo tempo pensativo.

— Néftis? – perguntou Ísis ao se aproximar da irmã e lhe tocar o ombro. Com as duas juntas daquele jeito, ambas com o olhar de preocupação, era mais fácil ver a semelhança que as duas tinham, especialmente quando se considerava que ambas se vestiam de forma elegante com o mais fino tecido e se enfeitavam de joias nos cabelos e no corpo. As maiores diferenças, no entanto, estavam na vida mais triste que Néftis levava e também na lama que cobria a barra de sua saia de quando ela passou perto das margens do Nilo.

— Irmã... Está feito. – disse Néftis sem desviar os olhos da água – Não me convença a desfazer o que fiz.

— O que exatamente você fez? – perguntou Ísis sentindo a preocupação crescendo dentro de seu coração.

— Deixei-o no deserto – tais foram as palavras de Néftis que imediatamente fizeram Ísis soltar o ombro da irmã e a olhar com surpresa e incredulidade – O deserto decidirá o destino daquela criança.

— Você enlouqueceu!? De todas as decisões que você poderia ter tomado... – disse Ísis.

— Não! Não enlouqueci! – disse Néftis encarando a irmã – Não ouse julgar minhas ações! Não sabe como é estar em meu lugar!

— M-Mas... Seu próprio filho! – implorou Ísis.

— Filho dele! Filho de Set! – rebateu Néftis – Pra você é fácil falar, tendo Osíris como marido! Não deixarei que esse mesmo erro se repita. Não engravidarei novamente dele!

— Onde deixou o bebê? – perguntou Ísis de forma firme ignorando os ataques de raiva da irmã.

— No deserto, perto de umas pedras e não muito longe do Nilo. Nada mais posso dar de referência a você, não o quero por perto, mas também admito que tenho certo receio da decisão que tomei – disse Néftis – Faça o que achar melhor com essa informação.

Sem esperar mais, Ísis saiu correndo do palácio. Não poderia nunca procurar por todo o deserto ao longo da extensão do Nilo, seria impossível. Mas mesmo assim, tentou. Sabia que sua missão não seria fácil, mas seguiu a procurar não ligando de sujar o elegante vestido que caia sobre seu esbelto corpo se sujasse com lama ou ficasse cheio de areia. Ela não sabia explicar como ou porque, mas sentia que algo a guiava. Poderia chamar de magia se quisesse tudo o que sabia naquele momento, era que seu coração parecia ter uma ideia de para onde ir. E assim, quando o céu já estava completamente tomado pela escuridão, Ísis achou uma pequena criatura, um bebê. Um bebê que apesar de um começo de vida já bem turbulento e triste, agora dormia calmamente junto a uma família de chacais. Ísis estranhou a cena e enquanto ela avaliava, um dos chacais se levantou o rosnou para ela, impedindo que ela se aproximasse.

Ela não sabia se era macho ou fêmea, mas estendeu a mão em sinal de paz enquanto se ajoelhava para ficar mais perto da altura do animal.

— Calma... Calma... Não venho visando fazer mal algum – disse Ísis enquanto o rosnado do animal acordava o bebê.

A deusa olhou para aquela pequena criatura indefesa, o choro da mesma partindo-lhe o coração.

— Vim pelo pequenino – disse Ísis esperando que o chacal a entendesse – Não para lhe fazer algum mal, mas sim para lhe dar um lar para chamar de seu. Dar o amor e carinho que lhe foi negado.

O raivoso se aproximou mais calmo e lhe cheirou a mão enquanto um segundo permanecia ao lado do bebê, lambendo-lhe os finos cabelos negros. O chacal cheirou a mão de Ísis e a rodeou ainda a cheirando. Ela nem se mexeu. O animal fez, à sua forma, uma análise minuciosa na deusa e então parou na sua frente novamente, apenas a olhando. Ísis tentou se aproximar mais do bebê e, notando que o chacal não parecia mais tentar impedir-lhe, pegou-o no colo gentilmente. O bebê resmungou, mas logo se aconchegou. A doçura e graça que aquela pequena criatura emanava atraiu o olhar materno de Ísis e, quando ela voltou a olhar para os chacais, viu que eles não estavam mais lá.

Desde desse dia, alguns poucos anos se passaram, tempo o suficiente para agora as margens lamacentas do Nilo em frente ao palácio de Ísis e Osíris estarem marcadas por um par de pequenos pezinhos. O dono desses pezinhos pegava com suas pequenas mãos um amontoado de lama e levava até uma parte de solo mais firme onde ele e mais duas crianças usavam a lama para fazer cercados, obstáculos e casinhas para pequenos animais de brinquedos feitos de madeira.

Dentre essas crianças, dois eram meninos e um era uma menina.

Um dos meninos era bem branco e tinha cabelos bem pretos que eram curtos, mas estavam bem desgrenhados. Seus olhos em tom de chocolate parecia transmitir calma ou indicar que estava perdido em pensamento. Ele era magro e um pouco alto para seus míseros quatro anos. Era o filho que Néftis não tinha aceitado e todos, incluindo ele, sabiam disso. As roupas de linho eram bem simples, um mero saiote branco e os pés descalços, causavam um grande contraste com os braceletes de ouro que estavam em cada um dos pulsos da criança. Seu nome era Anúbis.

O segundo menino tinha pele mais morena e cabelos igualmente pretos só que longos o suficiente para prender em um rabo de cavalo que estava preso na lateral seguindo a moda infantil da época. O sorriso travesso indicava que não era uma criança que gostava de ficar quieta e os pés ligeiros completavam o pacote de uma criança bem levada, mas de bom coração. Seu nome era Qebui.

A menina, de sorriso doce, tinha a pele ainda mais escura e seus cabelos, também pretos, estavam presos em diversas trancinhas bem finas. Além disso, graciosas sardas enchiam suas bochechas. As sardinhas quase pareciam brilhar de dourado quando o sol forte batia contra o delicado rosto da criança. Suas roupas, assim como a dos dois meninos, não passava de um saiote curto que não chegava até o joelho. No entanto, ela ainda portava uma ou outra jóia, sendo essas os braceletes em cada pulso e um par de brincos delicado e pequeno, perfeito para uma criança, feito de ouro e lápis lazuli. Seu nome era Anput.

— Olha o estado que vocês estão... – disse uma quarta pessoa suspirando ao ver os três. Era um adulto de cabelo loiro e roupas de linho simples – Como vão ter aula nesse estado? Cheios de lama! – ralhou ele.

As três crianças se entreolharam como se notassem agora o estado em que estavam e tentaram mostrar um olhar de culpa enquanto seguravam um sorriso travesso. Thoth era professor deles, estava dando aula para eles a pouco tempo. Como agora os três tinham quatro anos, a tradição egípcia dizia que deviam ser devidamente educados. Sendo as três crianças deusas, embora só Qebui soubesse do que, ninguém melhor que o deus da sabedoria para passar sabedoria aos três pequenos.

— Nos perdoe Senhor Thoth. Tínhamos esquecido que estava tão perto da aula – respondeu a garota se levantando e limpando as mãos sujas de lama na saia que vestia.

— Aceito suas desculpas Anput – disse o adulto, Thoth – Agora vá se lavar. Vocês tem algo a dizer também? Anúbis e Qebui?

— Também pedimos desculpas – disse Anúbis se levantando também.

— É. – disse Qebui usando o braço sujo de lama para coçar o nariz e então acabando por sujar o nariz de lama.

— Certo. Agora vão se lavar para que possamos começar a aula – disse Thoth se dirigindo de volta para a construção ali perto, um templo, enquanto as três crianças saíram correndo para se lavar.

Notas finais
espero que estejam gostando até agora! to me divertindo fazendo essa fic. não só pq adoro o Egito e sempre quis fazer uma fic ambientada nele, mas também pelas coisas que acho quando vou pesquisando pra ela e tbm pq o Anúbis é um fofo ♥ até o prox cap e por favor, comentem XD