A Morte Das Areias do Saara

152 Investigações de um Crime no Deserto


Notas iniciais
olá! desculpa a demora e feliz ano novo super atrasado mta coisa aconteceu mas, pra compensar, esse cap tá bem grandinho! divirtam-se e me falem por favor o q tão achando pq essa pegada meio Agatha Christie ou Arthur Conan Doyle é novidade pra mim na imagem de hoje, uma das pirâmides, no meio do deserto e logo ao lado de algumas tamareiras, começando a ser engolida por uma tempestade de areia

Então o infeliz chefe de Khatti enviou e prestou homenagem ao meu nome como o de Rá, dizendo 'Tu és Sutekh, Ba'al em pessoa. O pavor de ti é uma marca na terra de Khatti.' Então ele fez vir seu enviado trazendo em suas mãos uma carta em nome de Minha Majestade, da Residência de Rá-Harakhati O-Touro Forte-amado-da-Verdade, soberano que protege seu exército, poderoso por conta de seu braço forte, um muro para seus soldados no dia da luta, o Rei do Alto e Baixo Egito Usimare`re`-setpenre`, o Filho de Rá, senhor leão do braço forte Ramsés, deu vida eternamente.

~ Fragmento de “Registro egípcio oficial da Batalha de Kadesh, Poema do Pentauro”

Equilibrado na ponta da pirâmide do falecido Khufu, sem imaginar que era a tumba do pai daquele que tinha começado toda aquela confusão, Anúbis olhava para o deserto. O vento misturado com areia bagunçava seus cabelos e deixava um pouco de areia por lá enquanto uma tempestade de areia se formava.

Ele e os outros deuses já tinham vasculhado a região por mais tempo do que gostariam atrás de pistas de quem era o responsável pelo roubo do Livro de Thoth. Haviam encontrado um cavalo cor de areia abandonado nas margens do Nilo, o que era estranho, mas nada mais além disso. Assim, quando a areia o engoliu e escondeu qualquer parte da incrível vista que se tinha do deserto e de Mênfis do topo da pirâmide, Anúbis deixou o lugar para trás e foi para o Salão do Julgamento.

Quando lá chegou, foi imediatamente recebido por Anput e Kebechet. Apesar de não terem ido para a tumba de Minkhaf, era claro que alguém havia atualizado elas do que estava acontecendo.

— Encontrou algo? — perguntou Anput imediatamente — Hathor me contou o que aconteceu.

— Não. — respondeu Anúbis — Mas Thoth ficou tentando questionar Minkhaf… o que não acho que vai dar em alguma coisa. A mente dele já está muito perdida.

— E agora? — perguntou Kebechet — Isso é ruim né?

— Sim… — admitiu Anúbis — Vamos ver o que Hórus sugere e que novas ideias conseguimos ter. Mas acho que vai ser questão agora de tentar entender quem pode ter tanto roubado o Livro de Thoth, como ter feito tantas artimanhas para nos deixar ocupados.

— Hathor me contou o que fizeram com o sarcófago de Hatshepsut… — disse Anput delicadamente, colocando a mão no ombro dele — Você está bem?

— Com vontade de jogar o desgraçado que planejou tudo isso no meio do deserto pra virar comida de cobra e escorpião… — disse Anúbis com raiva, rangendo os dentes e apertando o punho com força — Não… ainda é pouco….

Sem falar nada, Kebechet se aproximou e abraçou o pai, claramente tentando o acalmar. Teria feito cafuné na cabeça dele se não fosse o fato de que não a alcançava direito sem deixar o abraço estranho. Mas não importava, aquele abraço tinha sido o suficiente para amolecer o coração de Anúbis, que a abraçou de volta, bagunçou seus cabelos e trocou um sorriso com Anput.

No instante seguinte, outra pessoa irritada chegou no salão do Julgamento, esse foi Hórus, que estava acompanhado de Thoth.

— EU FALEI QUE ESSE LIVRO IDIOTA NOS TRARIA MAIS PROBLEMAS! — esbravejava Hórus.

— S-sim… — disse Thoth.

— Não vou entrar NOVAMENTE nos motivos de o ter escrito…. — disse Hórus massageando as têmporas em puro estresse — Mas precisava ter pedido pra deixar assim na tumba de Minkhaf?

— Era um aprendizado! — defendeu-se Thoth — Tanto para Minkhaf como para os que ficassem tentados pelo livro. Verem o que podia acontecer com a pessoa e sua família usando Minkhaf de exemplo.

— VOCÊ NÃO PRECISA TRANSFORMAR TUDO NUMA OPORTUNIDADE PARA APRENDIZADO!! — esbravejou Hórus.

— Hórus. — disse Isis firmemente — Chega. Respeite Thoth.

A contragosto, Hórus parou de gritar com Thoth, obedientemente obedecendo sua mãe. Enquanto isso, Osíris soltou um suspiro cansado.

— O que está feito, está feito. — disse Osíris — Mas isso nos dá uma pista também.

— Qual seria ela? — perguntou Hórus.

— Por centenas de anos a situação de Minkhaf amedrontou todos que entraram na tumba. — disse Isis — Seja lá quem for o ladrão, não tem tanta consideração por si e pela família… ou talvez tenha auto-confiança de sobra para achar que conseguirá ganhar de nós até o final.

— Não tem tantas pessoas que podem ter roubado o livro. — disse Anúbis com a mão ainda no ombro de Kebechet enquanto ela ainda o abraçava com apenas um braço e apoiava a cabeça nele — Afinal, pelo o que os malditos que pegaram Hatshepsut disseram, é também alguém rico e que nunca, ou raramente, usou as mãos para algum serviço mais pesado.

— O que retira totalmente as chances de serem algum artesão ou agricultor… — disse Anput com cara de quem pensava profundamente no assunto — Isso já retira boa parte do Egito. É alguém então dá nobreza, ou sacerdote. Acho que dá pra tirar os soldados da lista também né? Também é alguém que sabe ler, obviamente.

— Talvez alguns escribas podem ser incluídos na lista também. — disse Anúbis.

— Vocês esquecem de uma coisa. — disse Thoth — Pode ter mais de uma pessoa envolvida. A pessoa que entrou em contato com quem roubou Hatshepsut, queimou meu templo, mandou tentarem matar os filhos de Ramsés e assassinou o Touro Apis pode ser só alguém sob as ordens de alguém maior… ou vários alguéns.

— Ainda assim, precisa-se de ouro pra pagar tanta gente pra fazer o que quer. — respondeu Anúbis — Ainda mais em tantos lugares diferentes.

— As coisas para nos distrair podem ter acontecido em vários lugares diferentes pelo Egito… — disse Thoth lentamente — Mas quem entrou na tumba de Minkhaf só pode estar em Mênfis ou nas vilas ao redor. Na pior das hipóteses em algum grupo andarilho de Berbers ou Beduínos… ou incluindo eles também … Mas, ainda assim, nos arredores da tumba de Minkhaf. Não tem como terem ido muito longe em tão pouco tempo. Mesmo considerando que o tempo aqui no submundo passa mais devagar.

— Temos que aproveitar essa chance então e ter certeza de onde cada suspeito está agora. — disse Isis.

— Mas quem são os suspeitos? — perguntou Anput — Vamos visitar todo nobre, sacerdote, escriba ou sei lá de Mênfis ou que tiver perto de Mênfis?

Os deuses ali se olharam ao notar que claramente não tinham uma ideia melhor do que aquilo para o momento.

— Thoth, fique aqui com meu pai e pense no que mais podemos fazer e se chega a alguma outra conclusão. Vamos nos organizar para ir checar cada um. — disse Hórus — Seria bom ter mais gente também… afinal são mortais demais para checarmos.

— Kebechet… — disse Anput gentilmente — Você consegue chamar mais deuses para nos ajudar? Tipo…. Hapi, Seshat, Sopdet, Nefertem, Sobek… por exemplo.

— Vou chamar o máximo que conseguir! — disse Kebechet já empolgada para ajudar.

Kebechet imediatamente deixou o salão do Julgamento para trás em busca de mais deuses para checar o álibi de cada um que pudesse ser suspeito. Enquanto isso, um verdadeiro caos começava no Salão do Julgamento enquanto eles tentavam recuperar os nomes de cada sacerdote e nobre que residia em Mênfis. Conforme os deuses chegavam atendendo os chamados de Kebechet, eles eram informados da situação e recebiam o nome de um mortal para fazer uma visita discreta.

Num simples piscar de olhos, Anúbis chegou naquele que foi-lhe incumbido. Dadas suas funções normais, não foi muito surpreendente que recebeu os próprios sacerdotes e embalsamadores de Mênfis e arredores. Conhecia cada um daqueles homens de nome. Ainda assim, observou como cada um aproveitava o tempo com a família, ou descansava num momento de paz, ou almoçava, ou, o que foi mais comum, trabalhava na mumificação de alguém ou algum outro rito funerário. O que mais lhe interessava, contudo, era seu próprio sumo sacerdote, afinal, ninguém em toda Mênfis saberia mais sobre morte.

-Amenemhat… — disse Anúbis aparecendo repentinamente na frente do sumo-sacerdote, interrompendo seu processo de trabalhar numa múmia de uma mulher idosa.

— Lorde Anúbis… — disse o homem, já de meia idade e uma lustrosa careca, se prostrando imediatamente no chão ao reconhecer o deus depois de um breve susto — é uma honra ter sua visita.

— E recebeu a visita de mais alguém? — perguntou Anúbis andando tranquilamente pela sala, onde corpos parcialmente mumificados estavam sobre mesas de pedra, percorrendo o olhar por tudo ali.

— S-Senhor? — perguntou o sacerdote, confuso.

— Uma visita… recebeu alguém fora do normal recentemente? — perguntou Anúbis — Talvez interessado demais em tumbas e no pós-vida?

— Nada fora do normal, senhor. — respondeu o sacerdote, de cabeça abaixada — Apenas os sacerdotes mais novos e aprendizes com suas perguntas de sempre.

— A quanto tempo está aqui cuidando das múmias? — continuou Anúbis seu interrogatório enquanto mexia com falsa curiosidade parcial em um pequeno monte de papiros largados numa mesa — Está aqui desde manhã, por exemplo, ou acabou de chegar?

— Estou aqui desde manhã. — disse o sacerdote — A esposa do vizir de Mênfis morreu a pouco tempo, como imagino que saiba… e o vizir não deve durar mais tempo pelo o que sei de sua saúde. Então tenho estado bem ocupado com ele e sua família.

— Hmmm… — resmungou Anúbis olhando, dessa vez, para o homem — Esteve na margem ocidental hoje?

— Não. — respondeu o homem — como disse, estou aqui desde de manhã. Devo ir para a margem ocidental no final do dia, no entanto.

— Algum trabalho ainda nos arredores da tumba de Minkhaf? — perguntou Anúbis, jogando uma pequena isca.

— Ah não não. — respondeu o homem ficando com o corpo rígido — Não sou louco de sepultar alguém tão perto da família real.

— Sabe então onde fica a tumba de Minkhaf, filho de Khufu. — concluiu Anúbis e o sacerdote mordeu o lábio inferior.

— S-Sei… — admitiu o homem — Há vários rumores sobre ela.

— Alguém veio lhe questionar sobre tais rumores? — perguntou Anúbis.

— Ao menos uma vez por ano algum sacerdote jovem curioso vem… m-mas nunca falei nada. — disse o homem.

— Vou confirmar tudo que diz. — falou Anúbis.

Deixando o sumo-sacerdote repentinamente para trás, Anúbis foi confirmar o que o homem havia dito e confirmar também que nenhum outro sacerdote estava envolvido. Contudo, no meio disso, ouviu alguns sacerdotes mencionarem o sumo-sacerdote conversando com alguém que nenhum dos outros sacerdotes conhecia, quase um mês atrás. Ninguém sabia qual o conteúdo da conversa, só sabem que eles saíram para beber. Certamente era algo para confirmar melhor quando tivesse mais tempo.

De toda forma, fez algumas perguntas para algumas testemunhas amedrontadas com sua presença, que confirmaram que ninguém tinha deixado a margem leste do Nilo em direção às tumbas à oeste naquele dia. Isso é, ninguém com exceção de um sacerdote, que, no final de alguma leve investigação, provou-se que estava cumprindo seus deveres normais bem longe da tumba de Minkhaf.

Quem recebeu uma lista mais azarada foi o pobre Nefertem, que chegou no Salão do Julgamento quando estavam lembrando quem poderia estar apenas visitando Mênfis. Assim, Nefertem se viu invadindo a sessão de massagem de Setne para confirmar que ele nada fazia de anormal.

— Que cheiro bom… — resmungou Nefertem para si mesmo quando o cheiro de perfumes e incensos lhe invadiu as narinas.

Diante de si, Sente continuava sua massagem sem ver ou ouvir a presença do deus. Deitado com a cabeça sobre os braços cruzados e com olhos entreabertos, Setne parecia totalmente relaxado, se não fosse o leve movimento de suas sobrancelhas quando a fumaça leve que o incenso exalava fez um leve movimento fora de seu padrão, como se uma pequena brisa tivesse entrado no recinto repetidamente seguida de outra numa direção oposta.

Nefertem andou em círculos ao redor da mesa de pedra, como se esperasse encontrar algo fora do normal ali. Contudo, tirando uma brisa de suor misturada com o resto dos doces aromas, ele nada notou de estranho. Mesmo o suor descartou como algo anormal, afinal, era pleno meio dia e pouco, o sol brilhava com toda sua força. Estranho seria encontrar um mortal que não estivesse suado naquela hora.

Querendo se manter completamente escondido, Nefertem foi então para o lado de fora do recinto e, tal como ele mesmo esperava, encontrou um guarda protegendo a entrada. Com tremenda facilidade, ele fez sua presença ser notada pelo homem, que parecia que imediatamente iria gritar de susto diante a súbita aparição do deus. Sabendo que isso aconteceria, Nefertem já surgiu amordaçado a boca do guarda exalando um forte aroma de uma flor asiática que acabou conhecendo por acaso no século passado.

O aroma da Gardênia Jasminoides atingiu o nariz do guarda e ele imediatamente ficou sonolento e lento com a intensidade do cheiro.

— Me desculpe a falta de tato. — disse Nefertem — Diga-me, o príncipe está fazendo massagem a muito tempo? Não grite, vou ser legal e soltar sua boca se não gritar e poderemos seguir isso de forma civilizada, que tal?

O deus e o guarda trocaram um longo olhar, e lentamente Nefertem tirou a mão da boca do guarda. Hesitante diante do olhar sonolento do guarda, Nefertem esperou qualquer resposta ou sinal de grito, felizmente, o guarda respondeu com voz lenta:

— Sim, muito tempo. — respondeu ele.

— O que ele veio fazer em Mênfis? — perguntou Nefertem.

— Conhecer a cidade e arrumar as coisas… já que vai se mudar pra cá no ano que vem. — respondeu o guarda — O vizir atual vai se aposentar.

— Ele saiu muito do palácio no tempo que esteve aqui? — perguntou Nefertem.

— Só uma vez. — respondeu o guarda

— Pra onde ele foi? Alguém foi com ele?

— Na Casa da Vida.

— Sabe o que ele foi fazer lá? — perguntou Nefertem, continuando o interrogatório.

— Conversar com o líder da Casa da Vida daqui, até onde eu sei… — resmungou o guarda — Eu sou só um guarda, não me contam tantos detalhes assim.

— Hm… — resmungou Nefertem.

Parecia tudo em ordem ali, pensou Nefertem. Ele fez mais algumas perguntas para o guarda e outros guardas pelo palácio, mas não descobriu nada que fosse digno de preocupação. E assim, voltou para o Salão do Julgamento, onde os deuses estavam todos se reunindo ao redor de Thoth e Hórus, que conversavam seriamente com um pedaço de papiro na mão.

— Vê, está tudo escrito direitinho… — dizia Thoth apontado para o papiro nas mãos de Hórus — Até tem o selo de Ramsés II.

— Do que eles estão falando? — cochichou Nefertem se aproximando de Anput, Anúbis e Kebechet para entender quais eram as novidades do dia.

— Thoth conseguiu a mensagem que enviaram para o templo dele pedindo por um papiro específico bem quando o templo pegou fogo… — explicou Anput.

— E eu estou dizendo que Ramsés II nunca pediria algo assim sob pena de matar ou sabe se lá mais o que se desobedecerem… — disse Hórus.

— Não estou dizendo que ele faria isso, mas é o que está escrito… — explicou Thoth.

— Vamos falar com Ramsés II… — declarou Hórus repentinamente, já nas últimas gotas de sua paciência, sumindo dali junto com Thoth.

— Isso ainda vai dar cada problema… — disse Nefertem, suspirando pesadamente.

— Eu também acho… — concordou Anúbis — Algo estranho com Setne?

— Não… — respondeu Nefertem — Acho que deveríamos tentar diminuir a lista de suspeitos.

— Lady Ísis está trabalhando nisso com Lorde Osíris e Hathor… e Thoth quando Hórus não tá puxando ele pra cima e pra baixo. — explicou Anput.

— Assim parece que estamos desesperados sem saber o que fazer… — disse Nefertem.

— E estamos mesmo… — disse Anúbis e Anput segurou uma risada que não lhe pareceu apropriada.

— Vamos ver a que conclusões estão chegando… — sugeriu Anput indicando o grupo de Ísis, Osíris e Hathor com a cabeça.

— Se deixarem… Sobek não está deixando ninguém chegar muito perto pra não criar uma confusão. — disse Anúbis.

Movidos por pura curiosidade, os quatro se aproximaram lentamente de Sobek, que com peito cheio e braços cruzados, afastava quem tentava se intrometer nas discussões mais detalhadas de Ísis, Osíris e Hathor. Era um trabalho difícil considerando que poucas vezes o Salão do Julgamento esteve tão cheio.

— Conseguiram novidades dos nomes que foram checar? — perguntou Sobek — Ainda não temos novos mortais para checar.

— Nada de estranho com Setne. — disse Nefertem.

— Certo… — disse Sobek tirando um papiro meio amassado que estava escondido entre seus braços cruzados e um pedaço de carvão que segurava na mão, e marcando o nome do Setne como checado.

— Podemos participar das discussões ali? — perguntou Kebechet inocentemente apontando para Ísis, Osíris e Hathor.

— Não dá. — respondeu Sobek, sem rodeios — Eles precisam de tranquilidade ali e tá o caos de todo mundo querendo saber sobre o que estão falando.

Kebechet até tentou fazer um biquinho, tentando tocar o coração de Sobek, mas o rosto dele de seriedade não mudou nem um pouco. Contudo, Osíris acabou ouvindo a conversa que acontecia ali, e com um breve gesto da mão, chamou eles para se juntar às discussões. Kebechet abriu um sorriso radiante para Sobek e saiu correndo em direção à Osíris, seguida pelos pais, enquanto Nefertem apenas negou com a cabeça quando Anúbis e Anput olharam para eles.

— Acho que o convite não me incluía… — explicou Nefertem — Depois vocês me atualizam.

— Pode deixar… — disse Anput, logo dando as costas para Nefertem e andando em direção à Osíris.

— Bem que poderíamos descobrir mais sobre Metjen e Bunakhtef… — dizia Hathor.

— São os dois que encontraram mortos dentro da tumba. — explicou Osíris, sabendo que os recém-chegados poderiam ficar perdidos por chegar assim na conversa.

— O que sabemos é que claramente não foram eles que planejaram. — disse Ísis — Não eram nem alfabetizados, até onde sabemos, e a forma que eles morreram… Uma terceira pessoa tentou fazer parecer que um matou o outro… e então pegaram fogo… mas não caímos nessa. Foi tudo muito bem planejado para nem conseguirmos julgar a alma deles e descobrir algo mais.

— Mortes por incêndios não são tão comuns assim… especialmente com madeira sendo um recurso tão raro… só se forem bibliotecas, já que papiro queima bem... — opinou Hathor — Quão provável é se molharem de algo como álcool para incendiarem como fizeram parecer que aconteceu? Os incêndios mais comuns, e olhe lá, são provavelmente de quando está muito seco e talvez alguma plantação pegue fogo… ou quem sabe ferreiros, que estão sempre tão perto do fogo…

— Quais as causas de morte mais comuns? — perguntou Ísis, olhando imediatamente para Anúbis.

— Doença… mais especificamente a que Heka classificou como Tuberculose. — respondeu Anúbis.

— Os mortais não sabem suficiente ainda das doenças para entender tanto assim… — disse Hathor, também bem entendida no assunto por sua fusão com Sekhmet, que também era uma deusa da medicina — Infecções… O bolor no pão não é um remédio forte o suficiente para combatê-las e o entendimento ainda é bem limitado, apesar da nossa medicina ser a melhor de todo o Mar Mediterrâneo.

— Muitas coisas são bem mais comuns que morte por incêndio. — concluiu Anúbis.

— Mais certeza ainda de que foi tudo planejado para que não consigamos julgar a alma… — concluiu Osíris — É mais do que alguém que nunca trabalhou muito com as mãos, é alguém inteligente.

— E pegar o ouro da tumba pode ser pra tentar despistar a gente ou pra simplesmente arranjar mais ouro para continuar os planos. — opinou Hathor.

— Acham que seria uma boa ideia ver quais mortes por incêndio aconteceram nos últimos tempos e foram estranhas? — perguntou Anúbis.

— Talvez… — concordou Ísis — Onde Hórus e Thoth foram dessa vez?

— Acho que falar com Ramsés II… — disse Anput.

— Vamos ver o que eles descobrem então. — disse Ísis — Não sabendo nem com quem o livro está, não sabemos os perigos que podem aparecer por usarem o conhecimento do livro…

— EU ACHEI ALGO! — exclamou Hapi repentinamente, atraindo olhares para si enquanto corria até Sobek balançando um pano preto ensopado na mão.

— O que é isso? — perguntou Osíris enquanto Sobek deixava Hapi passar.

— Estava largado no fundo do Nilo… é linho preto… — explicou Hapi enquanto Ísis se aproximava e pegava o pano, olhando-o minuciosamente.

— Um manto preto… só eu que estou pensando num simples feitiço de invisibilidade? — disse Ísis enquanto todos os olhares se concentravam nela.

— Que não seria exatamente “simples” para um mortal… — lembrou Hathor.

— Achou algo mais interessante no Nilo? — perguntou Ísis, olhando para Hapi, mas entregando o manto para Anúbis.

— Ainda não, mas continuarei olhando… — garantiu Hapi.

— Deve ter sido assim que fugiu… — acrescentou Hathor — Procure um barco abandonado também, Hapi. Se ele largou o cavalo e o manto, não duvido ter largado um barco também.

— O que é abandonado e o que é só estacionado é que vai ser o problema… — lembrou Hapi — Isso se não for roubado até eu achar também…

— O cavalo deu sorte de estar no lado ocidental do Nilo… — lembrou Anúbis — Menos gente para roubar. O barco provavelmente está do lado oriental, do lado da cidade… Ele não vai ter tanta sorte.

— Nada impede de quem fez isso ter passado nadando… Mas vou procurar imediatamente! — disse Hapi logo sumindo dali, sem esperar alguém o mandar em busca de um barco sem dono.

Enquanto isso, em Abu Simbel, Ramsés II se afastara dos filhos e dos outros que haviam lhe acompanhado naquela longa viagem. No cantinho, bem perto das margens do Nilo, Ramsés II fitava com cara fechada o papiro, assinado sob o seu nome, exigindo dos sacerdotes de Thoth um papiro do qual ele nunca ouviu falar.

— Eu não escrevi isso… — disse o faraó.

— Tem o símbolo do seu anel. — respondeu Hórus.

— Vejo isso… — disse Ramsés II encarando o papiro com seriedade — Mas não escrevi isso nem pedi para nenhum escriba fazer isso… Tal como não coloquei meu nome aqui.

— Talvez perdeu o anel de vista alguma vez? — sugeriu Thoth — Ou quem sabe perdeu algum e teve que fazer outro?

— Não… é o mesmo desde sempre. Ao mesmo com esse nome… Esse é o escrito Usermaet-rá Setepenrá — disse Ramsés II indicando o anel que estava no próprio dedo, o pré-nome que escolheu como faraó — Mas tem outro em Pi-Ramsés escrito Ramsés Meiamun… que tenho desde quando ainda era príncipe. E claro… o com o nome em Hórus… Kanakht Merimaat. Mas eles não vêm ao caso agora, já que está claramente escrito Usermaet-rá Setepenrá no papel e é o que uso para assinar as coisas oficiais do governo. Por isso nunca tiro do dedo.

— Não pode ter assinado por acidente? — perguntou Thoth.

— Leio tudo que assino… Não sou irresponsável assim. — respondeu Ramsés II calmamente, claramente pensando em outra coisa enquanto encarava sua própria assinatura com muita atenção — Tem algo estranho nessa assinatura.

— Algo estranho na assinatura? — repetiu Hórus, já ficando mais atento.

— Devo marcar meu nome em dezenas de papiros todo mês… Acho que conheço até bem demais como meu nome deveria estar num papiro desses. — disse Ramsés II olhando não para os deuses, mas para seus homens e seus filhos, às sobras de Abu Simbel

— Quer um papiro? — perguntou Thoth já entendendo o que Ramsés II parecia querer.

O deus invocou um pedaço de papiro já com uma prancheta de madeira acompanhada de um pequeno potinho de tinta preta que fazia parte dela.

— Sim…Obrigado… — respondeu Ramsés II pegando o kit flutuando no ar.

Ficar de pé não era exatamente a melhor opção para tentar escrever algo numa prancheta, mas foi a escolha que o faraó tinha dada a falta de mesa e o fato de que não estava afim de sentar no chão como uma criança na frente de dois deuses, seus servos e seus filhos. Assim, ele tirou o anel do dedo e apoiou a prancheta como pôde no seu braço. Depois de devolver o papiro com a mensagem suspeita para Hórus, para ficar com as mãos livres, com calma, Ramsés II mergulhou levemente o anel com o nome em alto relevo em contato com a tinta e então o prensou sobre o papel, como um carimbo.

Com muita tinta e sem uma almofadinha ou algo do tipo para tirar o excesso, a primeira impressão não passou de uma mancha negra no papiro. Assim, ele carimbou o papiro novamente e repetiu o processo outras vezes, com o seu próprio nome ficando cada vez mais legível, com o símbolo do sol representando sol e o deus Rá, a cabeça de um animal numa estaca representando a força e o poder, seguido de uma mulher sentada segurando a Ankh, representando a justiça. Então, um sobre o outro, o sol novamente, uma enxada trabalhando num bloco de madeira um zig-zag horizontal.

O faraó colocou o papiro com a tinta fresca ao lado daquele que lhe trouxeram com tantas perguntas. Os três então olharam para o selo do faraó no final do papiro que Ramsés II não assumia como seu e os vários carimbos que ele tinha acabado de fazer. Era sutil, e inclusive demorou um tempo para os deuses perceberem, mas se recusaram a perguntar para Ramsés II o que ele, que conhecia bem até demais o próprio anel, via de diferente.

Repentinamente, eles perceberam que a distância entre os hieróglifos era levemente diferente, tão sutil que Hórus e Thoth ficaram em dúvida se estavam vendo certo. Além disso, na tinta fresca, a longa estaca que segurava a cabeça do animal para representar o poder do faraó, era perfeitamente reta e alinhada com os demais hieróglifos, como se uma régua tivesse sido usada para esculpi-la, no papiro suspeito, por outro lado, este mesmo hieróglifo estava um pouco torto, pendendo muito levemente para longe da mulher, como se um dia ela na verdade estivesse segurando a haste, ao invés de deixar a haste flutuando sozinha no meio do retângulo de pontas arredondadas que protegia o nome por completo.

— São anéis diferentes. — disse Hórus.

— Tem um maldito se passando por mim… — falou Ramsés II, com o rosto fechado — Me digam qual foi o templo que encontraram isso, que vou investigar e ir atrás do maldito para fazê-lo pagar…

— Não. — respondeu Hórus — Só quando tivermos total certeza que não está envolvido nisso.

— Porquê estaria? — perguntou ele — Nem sei o que aconteceu para estarem visivelmente preocupados. Não deve ser algo simples para virem até aqui por causa de um papiro desses. O que eu poderia estar tramando para mandarem procurar um papiro que nunca ouvi falar? Ainda mais com tais ameaças… Para que eu faria algo do tipo?

— Para ter algo fora do alcance. — sugeriu Hórus.

— Tenho o trono, tenho o Egito… — listou Ramsés II — A Batalha de Kadesh pode não ter saído como eu planejava, mas temos um acordo de paz com os hititas. Tirando empate de Kadesh… que admito que vou pintar como uma vitória nos muros de Karnak e daqui também, não tenho nenhuma derrota. Nossos inimigos nos temem, meu nome é conhecido tão longe quanto possível, mais um pouco e superarei o recorde de construções de Hatshepsut, o Egito está estável e rico… o que eu poderia querer?

— Coisas que nenhum mortal deveria ter. — sugeriu Hórus.

Hórus, claramente de mau humor desde que o Livro de Thoth sumiu, logo foi embora. Thoth, por outro lado, pegou, sem graça, o papiro na prancheta que ainda estava nas mãos de Ramsés II, deixando o faraó com seu anel, e então sumiu dali, deixando Ramsés II com mais perguntas do que respostas.

Quando Thoth voltou para o Salão do Julgamento, o caos já estava instaurado. Não duvidaria nada se todos os deuses do Egito estivessem ali… A gritaria não deixava nem ele ouvir os próprios pensamentos e o próprio desespero diante da situação que ele se sentia tão responsável por.

Thoth abriu caminho no meio da multidão, imaginando que Hórus e os demais estariam ao redor do trono de Osíris, e acertou. Sobek e Sekhmet tentavam criar uma área calma, afastando os deuses cheios de perguntas, de onde Anúbis, Anput, Kebechet, Ísis, Osíris e Hórus tentavam discutir tudo.

— Alguém clonou o anel de Ramsés II — dizia Hórus, enquanto os papiros com as duas versões do carimbo estavam com Osíris.

— Alguém deve ter feito o anel. — disse Ísis — Um joalheiro. Pra ser diferente, não foi nenhuma magia de cópia.

— Que joalheiro teria coragem de tão descaradamente clonar o anel do faraó? — perguntou Hórus, horrorizado.

— Ele pode ter achado que era para o faraó… — sugeriu Anput, mas logo mudou de ideia — Não… se não, quase só pode ser o joalheiro que Ramsés II sempre usa.

— Se for alguém fingindo ser Ramsés II de novo… tal como a mensagem do templo… — disse Thoth, deixando a frase no ar por alguns segundos.

— Um joalheiro de Mênfis morreu três anos atrás por causa de um incêndio… — disse Anúbis repentinamente depois de um tempo em silêncio tentando averiguar em sua memória justamente esse fato.

— Três anos atrás? E de incêndio? — perguntou Hórus levemente surpreso — Não deve ser mera coincidência. Mas se realmente não for…

— Então estão planejando tudo isso que acontece a algum tempo… — concluiu Ísis.

Os deuses se entreolharam, preocupados e depois de algumas conversas finais, Osíris se colocou na frente de todos os outros deuses, que olharam para ele com alta expectativa e curiosidade. Queriam tanto ouvir Osíris que ninguém ousou abrir a boca.

— Chegamos a algumas conclusões… — disse Osíris — Pode ser que tenha só uma pessoa envolvida no roubo do Livro de Thoth, ou mais de uma. Mas, uma coisa é certa, a pessoa que executou o roubo em si, sabe magia. Além disso, ela, ou alguma outra envolvida, possui riqueza suficiente para bancar capangas com ofertas muito altas de ouro; E também, tem que existir alguém inteligente e entendedor de morte.

Osíris percorreu o olhar pelos deuses, analisando as expressões da multidão, e um ou outro que fofocava aos sussurros.

— Espero que entendam que, por hora, vamos restringir as informações a apenas alguns deuses. — disse Osíris em auto e bom tom — Não por falta de confiança em vocês, mas sim porque claramente parece algo muito bem planejado e que os envolvidos planejam já a anos. Assim, para certificar que medidas apressadas não sejam tomadas e para que nenhuma informação vaze… Gostaria de pedir que todos, com exceção dos nomes que irei falar, deixam o Salão do Julgamento, por favor, mas levando consigo o agradecimento por terem ajudado na conferência dos álibis dos mortais que listamos.

— Não vamos ficar sabendo nada mesmo? — reclamou uma voz na multidão.

— Irão saber mais conforme acharmos seguro. — disse Osíris — Por hora, saibam que temos alguns fatos e alguns suspeitos. E, felizmente, nenhum sinal de que o Livro de Thoth foi de fato usado. Vamos aos nomes…

Antes mesmo de Osíris começar a listar os nomes, alguns deuses não muito famosos deixaram o Salão do Julgamento para trás. Quando os nomes daqueles que poderiam ficar foram ditos, apenas quase vinte deuses continuaram no Salão do Julgamento. Não só Anúbis continuou, e Anput e Kebechet também, mas também outros como Ptah, Néftis, Ísis, Hórus, Sobek, Hathor, Thoth, Shu e Tefnut. Set, por outro lado, não foi incluído e isso não passou despercebido e, obviamente, ele não gostou.

Por uns minutos, Osíris relatou os fatos que sabiam. A morte forjada dos dois homens dentro da tumba de Minkhaf, o pano preto encontrado no fundo do Nilo, o cavalo cor de areia na margem ocidental, a duplicata do anel de Ramsés II usada para assinar a carta intimidadora enviada ao templo de Thoth em Quemum, que foi vítima de um incêndio, o sequestro de Hatshepsut no Vale dos Reis, em Tebas, a morte do touro Apis em Mênfis e a tentativa de assassinato à filhos de Ramsés II em Mênfis.

Em seguida, Osíris foi para as teorias.

— Considerando que é bem provável que o suspeito ou more em Mênfis, ou frequentemente esteja em Mênfis, levantamos alguns rostos suspeitos iniciais. — continuou Osíris — Nem todos têm justificativas tão boas mas… por hora, não queremos influenciar o julgamento de vocês nesse primeiro momento. Só não façam nada drástico.

Com um simples gesto de mão no ar, cinco imagens douradas e semi-transparentes apareceram flutuando logo atrás de Osíris. Uma delas, Ramsés II, outra era, Setne, outras duas, dois homens de idade e a quarta, uma mulher de cerca de 40 anos.

— Ramsés II, conhecem bem… — disse Hórus, apontando para a imagem do faraó — Não sabemos que informação potencialmente sigilosa ele pode ter ouvido de Amon-Rá, que, como todos sabem… não está nada bem da cabeça. Tem claramente recursos praticamente infinitos para fazer o que bem entender, frequentemente passa em Mênfis, é muito inteligente e excelente estrategista, tem muitos contatos por todo o Egito… poderoso, claro, exatamente por isso, as únicas coisas que não poderia obter, poderia tentar com Livro de Thoth. Por exemplo, a imortalidade ou salvar a vida de alguém… e a saúde da esposa favorita dele está começando a definhar, enquanto ele não. Pode ter tentando nos despistar das pistas… ou não… De toda forma, no momento está em Abu Simbel, muito longe, então quem entrou na tumba de Minkhaf não tem como ter sido ele. Mas passou praticamente por todo o Nilo para chegar até Abu Simbel saindo de Pi-Ramsés, tendo assim chances de planejar algo por Mênfis, Quemum e Tebas.

— Setne, um dos meio mundo de filho do Ramsés II. — disse Ísis — Tem tudo para estar em conluio com o pai, ou outra pessoa, ou trabalhando sozinho. Versado em magia e inteligente, tem acesso facilmente a recursos, embora o bolso de Ramsés II seja muito maior. Tem estado nos últimos anos preocupantemente estudando tumbas. Está em Mênfis no momento, onde irá ocupar um cargo no próximo ano. Não é fora de sua rotina visitar a cidade a mando do pai. Tem muitos irmãos para competir com o trono então não seria surpreendente ter algum plano para se livrar da competição. Teoricamente tem um álibi, mas como talvez usaram feitiço de invisibilidade, teremos que revisar o álibi de todos. Nessa viagem que o faraó fez, ele o deixou em Tebas e Setne foi até Mênfis sozinho, passando por boa parte do Egito, incluindo Quemum.

— Panehesy, sumo-sacerdote líder da Casa da Vida de Mênfis. — disse Thoth apontando para o mais idoso entre o grupo que mesmo com a imagem feita unicamente da cor dourada, era fácil identificar os traços negróides — Inteligente e muito bem versado em magia. É provavelmente o que mais sabe de magia dentre os cinco. Já está idoso, mas suficientemente saudável. É de origem núbia, então pode guardar ressentimentos quanto ao Egito. Mora em Mênfis, obviamente. Tem recursos e contatos suficientes, embora não tão grandes quanto Setne ou Ramsés II. Mas também não se descarta não estar trabalhando sozinho. Assim como Setne, terá que ter seu álibi revalidado.

— Amenemhat, meu sumo-sacerdote em Mênfis… — disse Anúbis olhando para a imagem do quarto homem e suspirando lentamente — Se estiver envolvido, dificilmente está sozinho, tem bastante recursos, mas é o que tem menos dentre esses. Contudo, tem muitos contatos e tem o conhecimento fúnebre, de tumbas e mágico para fazer parte disso, sem falar que os sacerdotes em geral não gostam tanto assim do tanto que Mênfis perdeu a importância para Tebas e agora para Pi-Ramsés também… o que deixa os sacerdotes mais suspeitos. Então algum grupo de sacerdotes irritados que Ramsés II não conseguiu agradar tanto assim apesar dos esforços, querendo destronar ele de algum jeito apesar do poder absurdo que ele juntou, não seria tão surpreendente assim… Também teve algum encontro misterioso com alguém um tempo atrás e sabe onde fica a tumba de Minkhaf.

— Amenirdiset… minha sumo-sacerdotisa em Mênfis… — disse Hathor apontando para a única mulher da lista, de olhos inteligentes e cabelo que caía em ondas até os ombros — Tal como os demais sacerdotes listados, tem recursos, conhecimento e contatos, embora não tanto quanto o príncipe e o faraó. Além da possibilidade de um grupo de sacerdotes de Mênfis irritados, não conseguimos confirmar o álibi de Amenirdiset… mesmo considerando que os álibis devam ser re-checados agora com a possibilidade de terem usado um feitiço de invisibilidade, ainda é um mal sinal não conseguirmos o dela já que conseguimos os dos demais. É uma das que tem maior contato com o touro Apis, que não conseguimos descobrir nada sobre o assassinato e, para completar, esteve alguns meses atrás em Quemum, onde o templo de Thoth foi queimado. Foi para resolver assuntos entre os meus templos mas… não podemos ter certeza que não fez algo a mais.

— Devem estar notando a falta de Set entre nós… — completou Osíris repentinamente — Não podemos ter certeza que ele também não está envolvido.

— Mas ele está magicamente compelido a te servir… — lembrou Shu.

— Exatamente. — concordou Osíris — E isso lhe dá o motivo perfeito de tentar achar uma solução para esse exato problema no Livro de Thoth. Contudo, talvez até ele ache o conteúdo do livro perigoso demais se cair em mãos erradas… Não descarto a possibilidade de que, se ele quisesse roubar o livro, já teria o feito. Mas prefiro ser cauteloso no momento.

Notas finais
*** UM POUCO DE VIDA REAL *** Apesar da versão meio fdp de Crônica dos Kane do Setne, ele é considerado como o primeiro egiptólogo da história já q ficava aí entrando em tumba, pesquisando as coisas n só em tumbas, mas tbm em templos e tal. como só coloco as referências de link e só as vezes as de livro no final do cap, decidi colocar na descrição da história as de livro tbm já q tem gente reclamando sem saber falando q n tem referências. mas, só pra lembrar, aqui as de livro tbm. só vou colocar nesse cap já q tão na descrição agora. **** REFERÊNCIAS **** — Viagens ao Egito guiadas por historiadores egipcios (não é livro kk é eu indo lá mesmo) — Grandes Civilizações da História: Egito de Alberto Silliotti — Egito Antigo de Sophie Desplancques — History: from the dawn of civilization to the present days, de Adam Hart-Davis — Filosofia Africana de Thiago Tamosauskas — Voyage en Égypte Ancienne de Jean-Claude Golvin — O Livro da Mitologia de vários autores — Uma Breve História da Humanidade de Yuval Noah Harari — World History: From the ancient world to the information age de Phillip Parker — História Ilustrada do Mundo Antigo d e Dominic Rathbone — Tudo o que precisamos saber, mas nunca aprendemos, sobre mitologia, de Kenneth C. Davis — A História da Mitologia pra quem tem pressa de Mark Daniels — A História do Mundo pra quem tem pressa de Emma Marriott — Lives of Ancient EGyptians de Toby Wilkinson — Sunken Cities, Egypt's lost worlds de Frank Goddio — The Rosetta Stone, de Richard Parkinson — um milhão de anos em um dia, de Greg Jenner — Ancient Egyptian Grammar, de Alan Gardiner Poema do Pentauro - https://www.worldhistory.org/article/147/the-battle-of-kadesh--the-poem-of-pentaur/ Poema do Pentauro - https://www.jstor.org/stable/528771?seq=2 Abu Simbel - https://pt.wikipedia.org/wiki/Abul-Simbel Leahy, Anthony. "Death by fire in ancient Egypt." Journal of the Economic and Social History of the Orient/Journal de l'histoire economique et sociale de l'Orient (1984): 199-206. Tuberculose no Egito Antigo - https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18216748/ Livro de Amduat - https://hrcak.srce.hr/file/312810 Nomes do Ramsés II - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramess%C3%A9s_II Nomes do Ramsés II 2 - https://pharaoh.se/pharaoh/Ramesses-II Ramsés II https://medium.com/@said.elmasry85/the-warrior-pharaohs-king-ramses-ii-made-egypt-the-land-of-glory-and-victories-60fc362f8fdb