Notas iniciais
e chega mais um capítulo antes que o normal pelo simples motivo q eu estou muito triste e estou tentando fugir da realidade. o texto inicial do capítulo é um trecho de um poema que eu achei duas partes. a parte 2 dele vai vir no prox capítulo divirtam-se :3

Minha única, minha alma sem par,

Mais linda que tudo!

Subindo como a estrela da manhã

No começo de um ano feliz.

Brilhante, clara de pele,

Linda a aparência de seus olhos

Doce a fala de seus lábios,

Ela não fala muito.

Pescoço ereto, peito brilhante,

Cabelo como verdadeiro lápis-lazúli;

Braços superando ouro,

Dedos como botões de lótus.

Coxas pesadas, cintura estreita

Suas pernas desfilam sua beleza;

Com passo gracioso ela pisa o chão,

Captura meu coração por seus movimentos.

Ela faz com que os pescoços de todos os homens

Se virem para vê-la;

Alegria tem aquele quem ela abraça,

Ele é como o primeiro dos homens!

Quando ela sai, parece que o sol!

~ Irmã sem par

Levando o copo aos lábios, Qebui deixava o doce vinho escorrer por sua garganta. De uma vez só tomou todo o conteúdo do copo de cerâmica adornado de pequenos detalhes para incrementar sua beleza e preço. O jovem olhou desapontado novamente para o copo que mais uma vez se encontrava vazio e então não pensou duas vezes antes de cortar caminho entre os deuses ali presentes e pegar um jarro novinho cheio de vinho. Com tantos jarros de vinho chegando a cada momento, ninguém realmente ligou quando Qebui pegou o jarro e o abraçou.

Com passos um tanto trôpegos, ele se afastou dos outros deuses que comemoravam de várias formas, dos músicos e dos dançarinos e voltou lentamente para onde havia deixado os amigos. Contudo, o olhar de estranhamento passou pelo seu rosto, pois não viu nenhum dos amigos mais ali. Aliás, nem o sofá estava ali. Tudo o que restou foram os copos, a mesinha de centro e a cesta de pães.

Estranhando o desaparecimento dos amigos, ele largou o jarro de vinho sobre a mesinha de centro e olhou ao redor como se esperasse encontrar alguma pista do paradeiro de Anúbis e Anput. Entretanto, não viu nada de sequer minimamente interessante. Decidido a encontrar os dois amigos, Qebui se afastou do lugar onde antes conversavam, e foi para o batente de onde poderia ver todos os deuses que estavam no térreo. De lá, viu Ísis com o pequeno Hórus no colo sendo paparicado por Tawaret e Hathor, viu Ptah e Bastet se beijando atrás de uma pilastra, viu também Khnum, Thoth e Seshat discutindo sobre algo escrito em um pedaço de papiro e a deusa Satis aproveitando a música balançando a cabeça calmamente de um lado para o outro.

Ele deu as costas para a festa e seguiu procurando qualquer sinal dos amigos. Em sua busca, foi entrando cada vez mais profundamente no palácio se afastando assim do som da música. Bêbado e andando meio torto, Qebui seguiu procurando. Eventualmente ouviu o que pareciam ser leves risadas de um homem e uma mulher que andavam saindo de um corredor escuro. Contudo, para sua parcial decepção, se deparou com Nefertem e Sodpet sendo que essa última arrumava o cabelo e o vestido bagunçados.

— Ora, Qebui, o que faz por aqui tão longe da festa? — perguntou Nefertem dando um sorriso para Sodpet que se distanciava andando elegantemente.

— Procurando Anúbis e Anput… — disse Qebui olhando para Nefertem e Sodpet notando os olhares que tinham acontecido — Não sabia que estava cortejando a Sodpet.

— Não estou. Por mais que possa parecer isso. — disse Nefertem rindo de leve.

— Sério? — perguntou Qebui confuso soltando um soluço que fez subir o gosto de vinho em sua garganta — Ela também não está te cortejando?

— Não. Não está. Estamos apenas nos divertindo. — disse Nefertem dando de ombros com um sorriso — Nenhum mal nisso.

— Apenas se divertindo? — perguntou Qebui.

— É. Ora… acho que não preciso entrar em mais detalhes né? — disse Nefertem rindo — Mas não vá achando que também é com qualquer um. Até eu tenho meus padrões. Por mais que sexo com fortes sentimentos envolvidos seja com certeza mais especial, enquanto não acho ninguém para me casar… nada me impede de aproveitar um pouco mais a vida. Especialmente quando essa vida dura vários séculos.

— Justo… — disse Qebui pensativo — Aliás… vi seu pai com a Bastet agora a pouco.

— Ah sim...imaginei que fosse chegar nisso eventualmente. Basta saber se ele vai casar com Bastet também ou se vai pedir divórcio da minha mãe.

— Hum...

— Mas, procurando Anúbis e Anput né? — disse Nefertem passando o braço ao redor dos ombros de Qebui — Vamos, ajudarei-te a procurá-los.

Adquirindo assim alguma companhia para a sua solitária busca, Qebui voltou a procurar pelos amigos enquanto conversa assuntos levianos e sem importância com Nefertem que gostava de dar atenção ao jovem. Depois de alguns minutos andando, estava claro que não havia mais muito do palácio para ver. Tudo o que faltava era um portal esquecido e escuro no final de um longo corredor que tinha algumas escadas que levavam para o teto do palácio que praticamente funcionava como uma grande e exuberante laje adornada com jarros de pequenas palmeiras.

O céu noturno se erguia sobre as cabeças de Qebui e Nefertem. A lua brilhava poderosa no céu acompanhada das estrelas enquanto Nefertem e Qebui subiam para o teto. Ali havia um cômodo separado de tudo mais e que era extremamente enfeitado com almofadas e panos de linho que caíam elegantes do teto tal como um véu.

Não tendo mais onde olhar, foi óbvia a escolha de andar pelo andar e ir em direção ao singelo cômodo. Entretanto, o pequeno caminho até o cômodo não foi percorrido completamente, pois um gemido meloso e feminino cortou o ar que fez Nefertem paralisar e segurar Qebui para impedir que ele continuasse a andar.

— Isso…. isso parece a voz da Anput… — refletiu Qebui.

— Pois é… porque não voltamos lá para baixo eim? — disse Nefertem fazendo Qebui dar meia volta para voltar em direção ao portal pela qual eles passaram.

— Oh… — disse Qebui corando rapidamente enquanto girava para o portal com passos desengonçados — Eles estão se divertindo também… né?

— Com certeza estão… por isso, não vamos atrapalhar. — disse Nefertem com uma piscadela enquanto andavam.

— Humm… — resmungou Qebui sentindo a cabeça balançar — É… acho que nosso trio virou uma dupla…

— Está com ciúme, Qebui? — perguntou Nefertem.

— Não… não sei… — disse Qebui — Só que… às vezes me sinto meio deixado de lado.

— Entendo…. — disse Nefertem soltando um suspiro.

— Vai ver… Eu também queria ter alguém para ter… isso… que eles tem. Não sei. — disse Qebui dando de ombros.

— Bem… não posso prometer esse sentimento, mas se quiser matar o tédio e a solidão de uma noite, é só falar. — ofertou Nefertem dando de ombros.

Já de volta dentro do palácio. Qebui olhou para Nefertem com um misto de curiosidade e estranhamento ao ouvir a oferta que lhe era feita. Sua boca se abriu formulando uma pergunta lentamente e calmamente Nefertem a esperou.

—Mas… — começou Qebui — Você é um homem, eu sou um homem…. Então onde que?... Você sabe.

Nefertem abriu um sorriso segurando um pouco a risada ante a inocência do amigo. Estava tranquilo o suficiente com a oferta para não temer julgamentos por coisas banais como alguém julgar sexo antes de casamento como impuro ou achar dois homens se deitando como errado. Afinal de contas, tais pensamentos ainda precisavam de muitos séculos e de duas religiões ainda não existentes para chegarem até o Egito. Duas mudanças que apenas um vidente poderia ver.

—Ahh Qebui… — disse Nefertem dando dois tapinhas sobre o ombro do garoto — Como és inocente.

— Tem como?! — exclamou Qebui surpreso enquanto Nefertem se sentava em um banco que ficou ali esquecido relativamente longe da festa e de todos.

— Claro que tem. — disse Nefertem enquanto Qebui se sentava quase caindo ao seu lado — Mas, apesar da curiosidade em seu olhar, recomendo deixar o vinho baixar. Não irá querer despertar sóbrio amanhã e se arrepender de suas escolhas de hoje.

Com uma piscadela que deixou Qebui confuso, Nefertem deixou o assunto escapar. Não demorou muito para Qebui apoiar a cabeça na parede mesmo e começar a dormir em uma posição no mínimo um tanto desconfortável. Nefertem se levantou em seguida e, com o banco todo para Qebui, foi fácil colocar ele deitando sobre toda a superfície de madeira. Uma rápida olhada para o jovem deus adormecido foi o suficiente antes de Nefertem dar as costas e voltar para a festa.

Com Nefertem na festa, Qebui dormindo e Anúbis e Anput se divertindo, as horas se passaram enquanto a lua, que até então dominava o céu exuberante, inexplicavelmente desaparecia do céu magicamente anunciando os acontecimentos que viriam. Naquele singelo cômodo no topo do palácio separado de todo o resto da festa e da construção em si, dois corpos se entrelaçavam usando o espaço disponível do sofá para se abraçarem. Um sofá não oferecia muito espaço, verdade, por isso que Anput estava com a cabeça sobre o braço esquerdo de Anúbis enquanto o direito lhe envolvia a cintura.

Delicadamente, ela tocava-lhe o rosto beijando-o longa e docemente aproveitando aquele mero toque dos lábios como um mero doce descanso depois que seus corpos haviam se entrelaçado de maneiras tão mais profundas até alguns minutos antes daquilo.

Lentamente eles se separaram do beijo até que ficaram apenas se olhando com os narizes se roçando e um doce sorriso nos lábios. Empatados no quesito primeira vez, ambos acharam que mereciam alguns minutos para relaxar antes de simplesmente voltarem para festa ou para o lar.

Separando o olhar com muita dificuldade, Anput se levantou e se espreguiçou. Os vestígios da aventura estavam bem mais do que no fato de as roupas estarem aos pés do sofá, estavam também no cabelo bagunçado da garota cujas trancinhas estavam ou retorcidas ou começando a se desfazer. Uma aventura que havia começado meio desengonçada, afinal, era a primeira vez, mas eventualmente conseguiram pegar o jeito.

— Olha o que fez com meu cabelo. — disse Anput com uma leve risada mostrando para ele meia dúzia de trancinhas que se soltaram do prendedor dourado que as seguravam.

— Desculpe — disse Anúbis com um sorriso torto.

— Tudo bem. — disse Anput começando a desfazer as trancinhas mas parando o ato para dar em Anúbis um beijo na testa.

Não estando muito afim de levantar ainda, Anúbis simplesmente observou Anput calmamente desfazendo cada uma das trancinhas que adornavam seu cabelo. Ver a garota de cabelos soltos era algo extremamente raro, assim, o rapaz aproveitou cada segundo que tinha para observar o cabelo negro, volumoso e cacheado de Anput.

— O que está olhando? — perguntou Anput com uma risada notando o olhar dele.

— Nada. — disse ele fechando os olhos relaxadamente.

Estando com o cabelo completamente solto, Anput passou os dedos levianamente por ele ajeitando-o delicadamente. O sorriso calmo e tranquilo da jovem era a prova da serenidade que habitava seu coração. Contudo, ela se sobressaltou levemente quando Anúbis sentou-se de vez no sofá.

— O que foi?! — perguntou Anput assustada.

— Ouviu isso? — perguntou Anúbis.

Eles ficaram em silêncio prestando atenção no menor ruído que fosse. Fosse ele o leve som do vento batendo nas palmeiras ou da festa que acontecia metros abaixo. Dentre todos os ruídos possíveis de serem ouvidos, eles não estavam preparados para o rugido de um leão, o sibilar de cobras, o tinir de espadas e o impacto de algo pesado batendo contra uma parede que ouviram.

Com um pulo, eles se levantaram do sofá e apressadamente vestiram as roupas que estavam largadas no chão. Um mero gesto de mão foi o suficiente para Anput se armar com sua kopesh. Com um breve trocar de olhares e um aceno de cabeça de ambas as partes, eles deixaram a névoa negra os envolver e então os levar para a entrada do palácio.

Eles estavam já preparados para qualquer ataque surpresa de Set, tanto é que por isso não tinham saído do palácio, mas realmente não estavam preparados para o olhar de ira que Set exibia em seu rosto enquanto travava uma ágil luta de espadas contra Bastet e, a lado de Bastet, jogado no chão se levantando lentamente depois de ter aparentemente batido contra a parede, estava Bes que parecia ter acabado de levar um golpe de Sekhmet que rugia. Com uma cobra enrolada no pescoço e de coluna ereta de maneira elegante, Naunet olhava para Khnum, o deus de aparência séria, pele fortemente bronzeada e olhos vermelhos tinha um olhar tão sério e arrepiante em sua cabeça de bode de longuíssimos e pontiagudos chifres, que ele poderia estar facilmente do lado de Set se fosse julgado pela aparência.

— CADÊ A MINHA ESPADA? — esbravejava Set golpeando contra Bastet com força.

Provavelmente indo em defesa de Bastet, Ptah se aproximou irradiando poder que fazia com que seus olhos irradiassem uma luz puramente branca. Tudo o que o poderoso deus precisou fazer, foi dizer as palavras certas e uma horda de ratos começou a escalar o corpo de Set atrapalhando completamente a luta, pois, além de bicar a pele do deus incansávelmente, eles também obstruiam-lhe a visão do combate contra Bastet.

— Vou ajudar Bes — disse Anúbis.

Tudo o que Anput teve tempo de fazer foi afirmar com a cabeça, pois olhou para o combate que se iniciava entre Khnum e Naunet, e notou que o deus provavelmente não precisaria de ajuda. Não por enquanto pelo menos. Sabia que Naunet podia ser forte. Sendo assim, segurou sua espada firmemente já se preparando para lutar contra a deusa, mas foi distraída quando os pelos de sua nuca se arrepiaram avisando-lhe que não estava sozinha.

Foi no último segundo que Anput conseguiu desviar da espada que tentava acerta-lhe a cabeça. O tempo congelou no exato segundo que ela desviou, um mero segundo que foi o suficiente para ela ver seu atacante que a olhava na mais pura diversão, Khonsu. O sorriso um tanto psicopata no rosto de Khonsu se abriu mais ao reverter o tempo lentamente fazendo todo o movimento de Anput lentamente se desfazer. Entretanto, a espada de Khonsu não estava seguindo o fluxo reverso em câmera lenta do tempo, pois rapidamente ele a movimentou atingindo o braço de Anput.

Dentro do poder de controle do tempo de Khonsu, tudo o que a garota pode fazer foi evitar que o ferimento ficasse pior. Um olhar preocupado para a espada comprovou que não era do mesmo tipo que havia fatiado Osíris. Afinal, depois de terem roubado a espada, ela pode sentir e ver de perto como ela parecia gritar e irradiar o mais puro caos. Como se fosse um objeto que não fosse digno de existir.

— Realmente acharam que poderiam dar uma festinha sem convidar a gente? — perguntou Khonsu.

— Não poderiam arrumar algo mais para fazer? — perguntou Anput de volta — Eu estava realmente gostando da festa, sabe?

— Eu sinceramente iria preferir ficar na minha… mas Set insistiu… — disse Khonsu suspirando.

— É… — disse Anput dando um olhar rápido para o céu — Notei que a lua não está no céu mais.

— Uma pena né? Sou realmente o charme do céu noturno. — disse Khonsu colocando as mãos atrás das costas e olhando para o céu pensativo.

— Com um ego desse tamanho, faz sentido a diferença de tamanho com as estrelas. — disse Anput enquanto, com certa dor no coração, rasgava a lateral da saia do vestido até o chão dando-lhe o precioso espaço para mover as pernas em uma batalha.

— Pronta agora? — perguntou Khonsu com um sorriso de arrepiar.

— Pronta — respondeu Anput sorrindo de volta para ele entrando em posição de batalha.

Notas finais
## REFERÊNCIAS Poema Irmã sem par - https://www.perankhgroup.com/Ancient%20Egyptian%20Love%20poetry.htm copo - http://www.materialworldblog.com/2006/11/two-drinking-cups-egypt-1550-bc/ copos - https://www.google.com/search?q=ancient+egypt+cup&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR821BR821&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=LS1aQ_J1dwTzHM%253A%252Ce1YoDaxpl4JpsM%252C_&usg=AI4_-kT8qgOBNmytLtJclfRbSq15J5btmQ&sa=X&ved=2ahUKEwja3-e-sNrgAhWurVkKHYlSDjkQ9QEwAHoECAUQBA&biw=1186&bih=1170#imgrc=_ Khnum - https://en.wikipedia.org/wiki/Khnum Seshat - https://en.wikipedia.org/wiki/Thoth Satis - https://en.wikipedia.org/wiki/Satis_(goddess) Amor - https://www.ancient.eu/article/934/love-sex-and-marriage-in-ancient-egypt/ Homossexualidade - https://www.them.us/story/themstory-ancient-egypt Homossexualidade 2 - https://raseef22.com/en/culture/2017/04/12/many-faces-homosexuality-ancient-egypt/ Sexo - https://www.ranker.com/list/sex-in-ancient-egypt/donn-saylor Divórcio - http://www.egypttoday.com/Article/4/25686/Love-marriage-and-divorce-in-Ancient-Egypt Naunet - https://www.ancientegyptonline.co.uk/naunet.html Ptah - https://riordan.fandom.com/wiki/Ptah BÔNUS: COM ESSE CAPÍTULO DESCOBRI Q OS EGÍPCIOS TEM O REGISTRO MAIS VELHO DA HISTÓRIA DE UM BOQUETE KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Tô falando… o povo superestima demais a taradice dos gregos. ps: eu nunca disse que o Nefertem era hétero kkk apesar de nos capítulos anteriores parecer