Estes versos
Tão tortos, tão crus
Eu dedico à Senhora Morte
Deusa Poderosa, senhora da vida e da morte

Não me entenda mal
Não sou nenhum tipo de maluco insano
Venerador da morte e do sangue
Amo a Vida, por isso admiro a Morte

O que é a morte, se não um fim?
E o que a vida, se não um meio?
Todo meio chega a um fim, cedo ou tarde

Oh Morte,
Se eles odeiam tanto o Fim,
Por que veneram tanto o Meio?
E se temem tanto o Fim,
Por que começam?

Diga, Senhora Morte
Por que inspiras tanto medo?
Por que inspiras tanto ódio?
Por que deixas chamarem-te injusta, se é a mais justa das criaturas?

Julga na justiça dos deuses e não na dos mortais
Não julga pelos poderes ou pelas riquezas
Tão pouco pelo caráter ou integridade
Julga pelo tempo, julga pelo julgamento
Julga pelas leis que desconhecemos.

A Senhora, Morte, é deusa poderosa
Detentora da vida e da morte,
Protege aqueles que vivem
E leva aqueles morrem.

Não confunda jamais a nobre Senhora com seus pútridos súditos.
Não culpe a Morte pelo sangue,
Não culpe a Morte pelas guerras,
Não culpe a Morte pela morte.

Morte, nossa barqueira
Atravessa conosco nosso rio vívido
E por fim cobra seu preço
Por sua vigia e por seu serviço
Cobra-nos o preço
De nossa própria Vida.

Notas finais
Bem, aqui explicarei o por que dos Versos Livres. Bem, o próprio tema me obriga a usá-los, de certa forma. Como posso tratar de um tema tão variável, tão flexível e tão abstrato quanto a Morte, com versos metrados e com rimas presas? Ao meu ver, prender o poema sob as eventuais regras tiraria de si a sua essência disforme e solta, a própria essência da Morte.
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