A Morte É Para Todos
1 Capitulo Único
Notas iniciais
Tomara que gostem, foi baseado numa história real, que eu chorei muito depois de ouvir. Daria para fazer uma long com o assunto, porem eu acabei de começar outra, e tenho varias em andamento. Além de nunca ter tempo para posta-las direito.
Mas enfim, o capitulo foi betado pela CowardMontblanc, Obrigada.
“Quando eu crescer eu quero ser como uma linda borboleta”
Quando pequena eu falava isso o tempo todo. Hoje em dia me contento apenas em pensar, enquanto gasto o meu tempo tentando realizar esse sonho e minhas palavras uso com sabedoria.
“Eu cresci e descobri que não posso me tornar uma linda borboleta.”
– Por que uma borboleta? Há animais mais fortes, mais bonitos, mais espertos e mais valiosos. Então, porque borboletas?
– Porque mesmo sendo pequenas e frágeis, são elegantes e livres. Isso sem perder a ternura que a natureza lhe garantiu. Elas vivem pouco e bem, não fazem nada de desnecessário durante a vida. Então, porque não uma borboleta?
“Eu ainda quero ser uma borboleta. Mas não da mesma maneira.”
Agora eu estou me casando, da maneira que sempre sonhei. Um coque trançando meus cabelos finos, cheios e cacheados. Um buquê de lírios brancos em mãos. E um vestido livre, como as borboletas, corpo liso e firme, diferente do saiote, todo rodado. Camadas e camadas de um tecido finíssimo, cortado como asas de borboletas prestes a voar. Por mais que eu quisesse entrar na igreja sem maquiagem alguma no rosto, me disseram que seria um insulto. Então eu coloquei algo leve como algodões doces.
"Hoje eu vou me tornar uma borboleta."
O anel foi colocado em meu dedo devagar, e diante dele eu vi toda a minha vida passar, sendo guiada pelo passado, seguida pelo presente e carregando muitos prováveis futuros.
O passado é calmo e sério, como uma águia, tem tudo planejado e sabe exatamente o que vai acontecer, é o melhor líder a se seguir, pois é o mais experiente e confiável.
O presente é tímido e desengonçado, como um cervo que acabou de nascer, está sempre com medo de tentar por isso está sendo guiado pelo passado. Seus passos são suaves e cautelosos, mas quando a situação pede, é extremamente certeiro e rápido. Faz tudo velozmente, sem esperar que ninguém lhe ensine a dar os primeiros passos.
O futuro está sempre em grupo, não anda nunca sozinho. É como um grupo de borboletas brancas. Voam para lados distintos, em diferentes alturas e velocidades. Sempre esperando o presente alcançar algumas delas. Várias partes de um todo.
O fino anel de ouro reluziu, se destacando em minha pele alva. Pude jurar que dei o melhor sorriso da minha vida. Levantei a cabeça para olhar aquele homem que me deu a chance de vivenciar tal coisa.
Ele sorria daquele jeito assim, meio leviano, mas com toda a felicidade. Seus cabelos loiros continuavam espetados e bagunçados, ele jura que tentou arrumar, mas isso não importa agora. Seus olhos intensamente azuis me fitavam com ternura. Segurou firme em minhas mãos de maneira protetora, e eu soube que não importa quanto tempo eu tenha vivido ou possa viver, esse sorriso tão acolhedor ficaria aceso no meu corpo para sempre.
– Eu vos declaro marido e mulher.
Ele parou de sorrir daquele jeito bobo e desconfortável, pairou seu olhar sobre meu rosto de maneira terna e carinhosa.
– Já pode beijar a noiva — Não esperou nenhum segundo, nossos lábios já estavam selados, eu apenas fechei meus olhos. De todos os beijos que nós demos nos últimos três anos, esse foi um dos poucos que me fez sentir realmente viva.
E de repente, uma borboleta branca passou pela minha mente, ela voava em um lugar escuro, comecei a segui-la, passamos horas e horas voando no nada. O tempo estava estranho, eu estava cansada, minha mente estava zonza, não sei como meu corpo ainda não havia reclamado.
Olhei para minhas pernas, e me desesperei. Não havia pernas, não havia braços, não havia corpo algum. Tentei gritar, mas não saia voz alguma. Tentei chorar, espernear, fazer qualquer coisa.
Mas eu não tinha corpo.
A única coisa que eu conseguia fazer era seguir a borboleta branca que continuava voando em uma direção que eu não conhecia. Mas que era tão normal para ela que me deixava agoniada.
Seguimos por horas, semanas, anos!
E quando o tempo finalmente não parecia ter mais fim, a borboleta desapareceu. Não sei quando ela havia sumido, parei de prestar atenção nela há um tempo. Meu corpo, inexistente, se movia por conta própria. Não adiantava fazer mais nada, apenas esperar.
Uma voz, um sinal, qualquer coisa.
E enquanto eu esperava, me lembrei de uma coisa, uma coisa não, uma frase. A frase que me mudou — um dia, eu vou atrás desse ódio dentro de você — Naquele dia, meu noivo, agora marido, Naruto, estava cansado e com sérios problemas. Mesmo assim, ele pegou alguns segundos do seu tempo tão precioso e me mudou completamente.
Não sei como aquele anjo conseguiu viver todo aquele tempo ao meu lado, sempre sorrindo independente da situação, é impressionante o quão perfeito ele era, e mesmo assim, se casou com alguém tão nojenta como eu.
Uma pessoa demoníaca e praticamente sem coração, que se vê feliz com o sofrimento alheio e que possui um sonho ridículo. Pobre Naruto, se apaixona, me muda completamente, e mesmo assim, eu sei que meu tempo não é longo o suficiente para pagar a ele tudo o que me fez.
“Afinal, eu posso morrer a qualquer instante.”
Prefiro pensar que sou especial em relação aos outros, afinal, eu nasci com a vida contada, quando estava começando a escola descobri que tinha leucemia, é um milagre eu estar viva até agora. E pensar que até mesmo eu podia amar.
E de repente a resposta da minha espera batucou minha mente, eu estou morta.
Então essa era a sensação de estar morta. Não doeu e eu nem fui avisada, ela veio calmamente e me levou para um lugar desconhecido em que não se tem um corpo.
Dizem que as borboletas são sinal de que a morte está perto. Isso é mentira. As borboletas são a própria morte. As borboletas são o futuro.
Em algum momento, eu vi uma luz, ela era azul e amarela, como ele. Ela sumiu com a mesma velocidade em que apareceu, e eu segui em meio ao breu.
Segui pelo breu durante o mesmo tempo em que segui a borboleta. Foi como se anos estivessem passando, mas dessa vez eu controlava meu próprio tempo.
Minha mente doía e meu corpo gritava de cansaço. Não sei quanto tempo demorei para alcançá-la, mas a sensação foi tão terrível que preferia continuar no meio da escuridão. A luz era extremamente branca e ofuscante, eu sentia como se fosse ser queimada viva, mesmo sem olhos nesse momento. Bem, talvez nem tão viva assim.
Quando me acostumei com a claridade pude observar com mais atenção o local. Um bosque florido sendo cortado pela nascente de um rio. Árvores sendo balançadas por uma brisa fresca e úmida. Não havia nenhum animal, apenas plantas.
Segui até a margem do riacho, meus pés não tocavam o chão, mas eu sentia a grama incomodando-os. A água era tão pura e límpida, como o começo de uma nova vida. Cheguei mais perto, de modo que conseguia observar meu reflexo nas águas.
Eu via um corpo, o meu corpo. Cabelos ruivos no ombro, olhos oblíquos, como de cigana dissimulada. De um avelã intenso como fogo, minha pele continuava branca como se nunca tivesse tomado sol. Isso tudo dentro dum vestido fino, leve e azul. Parecia livre e feliz, como as borboletas.
A imagem começou a se mover, ela sorriu e rodopiou. Encarou-me intensamente e estendeu uma de suas mãos. Senti-me confiante o suficiente para aceitar, de alguma maneira foi como se tivesse de mãos dadas comigo mesma.
– Venha comigo.
Tinha milhares de perguntas para lhe fazer, mas minha voz simplesmente não saia. Ela sorriu novamente de maneira gentil e meiga. De repente saímos do bosque, tudo a nossa volta ficou branco. Era a mesma sensação daquele breu escuro, sendo desta vez o contrário.
A imagem apontou para o nada, segui-a com o olhar. Como se algo me puxasse com muita força, fui levada pelo vento. Podia sentir a pressão do vento contra meu rosto e ficava cada vez mais intenso. Uma parada brusca foi feita e algo azul e amarelo começou a se mover, como uma bolinha de luz.
Cautelosamente a toquei e vi Naruto se materializar na minha frente. Seus olhos brilhavam mais do que nunca. Vi tudo que vivenciamos sendo transmitido naquele céu azul. Alguns dias foram mais tristes outros tão felizes que era impossível de descrever. Ele me trouxe momentos tão incríveis que nem mesmo a morte me faria esquecer.
– Me desculpe, eu não pude cumprir a nossa promessa.
Sua voz rouca e firme se manteve acesa em minha mente, repetindo varias e varias vezes suas ultimas palavras, como um mantra. Quando finalmente consegui assimilar o que tudo aquilo significava cerrei meus olhos com força. Minha garganta deu um nó e eu queria chorar, como nunca antes, a coisa que eu mais queria era chorar.
Eu sentia tudo aquilo e não podia me manifestar. Doía muito, então eu simplesmente me permiti chorar mentalmente. Sabe-se lá quanto tempo eu fiquei assim, deixando as lágrimas correrem pela minha alma.
Eu senti um par de braços me abraçarem firme. Envolvida naquele jeito não conseguia mais chorar. Olhei-o de relance, ele dava seu típico sorriso calmante. Beijou meus olhos secando as lágrimas, funguei tentando conter o choro. Ele me soltou e caminhou na direção de um espelho, que apareceu em algum momento que eu não percebi.
– Adeus, Kurama.
Corri para alcançá-lo, minhas pernas não se moviam. O desespero era imenso. Estiquei meus braços o máximo que eu pude. Meus dedos estavam quase o alcançando, faltavam centímetros. Ele sorriu, eu vi em câmera lenta. Seu corpo foi sugado pelo espelho rapidamente.
Meus pés foram soltos e cai de cara no chão. A dor da queda foi tão insignificante que simplesmente a ignorei. Corri pra perto do espelho e ficamos nós. Ele, eu e a morte, nessa ordem.
O espelho refletia a mim, refletia uma borboleta.
“Meu sonho estava realizando. Eu me tornei uma borboleta”.
Notas finais
Bom espero suas opiniões.
Com amor tia Mizuno~
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