A Modern Myth
1 Capítulo 1 – I’m screwed.
Notas iniciais
Estou muito empolgada de postar essa história!
Já tenho trabalhado nela há um tempinho... Mas foi graças à Rocker que eu criei coragem pra postar essa história!
Boa leitura!
Escuridão. Uma dor em meus braços. Quem está me apertando? Tento me libertar das mãos, mas não consigo me concentrar em meus poderes. Então um feixe de luz é o suficiente para ver aqueles olhos negros. Um grito é ouvido, mas esse não saiu das minhas cordas vocais. Minhas pálpebras pesam e não consigo me aguentar em pé. Então perco meus sentidos.
Acordei assustada, molhada de suor. Os braços de meu pai estavam em volta dos meus ombros. Um calafrio percorreu minha coluna. Lágrimas escorreram por minhas bochechas. Um medo se apossou de mim.
— Mel! Melinda fique calma. – Papai sussurrava. – Foi apenas um pesadelo. Não precisa ficar assim. Eu estou aqui.
Soluços saiam da minha garganta e eu mal conseguia respirar. Como um sonho pode parecer tão real? E que olhos eram aqueles? Tão raivosos e assustadores.
— Papai! Estou com medo! – chorei em seu colo. – Foi tão real!
— Não se preocupe princesa. Eu estou aqui contigo e sempre vou estar. Nada de ruim vai acontecer com você. Eu nunca vou deixar alguém te machucar. – Me consolava enquanto fazia carinho nos meus cabelos. – Tente voltar a dormir. Vou ficar aqui até você cair no sono, tudo bem?
— Pai, me conta como você e a mamãe se conheceram? Só pra eu me acalmar. – pedi ainda abalada pelo pesadelo.
— Claro! Essa é sua história preferida, né? – sabia que ele sorria mesmo sem olhar seu rosto. – Já te contei sobre aqueles dias milhares de vezes.
— É como eu me sinto mais perto da pessoa que me deu a vida. E parece mais real do que contos de fadas. – tentei sorrir também.
— Ok. Vamos começar. – Ele se ajeitou na cama e eu deitei a cabeça em sua perna. – Era um dia chuvoso quando conheci a mulher mais linda desse mundo. Eu tinha 22 anos e já estava cursando Direito na faculdade. Cansado de tanto estudar para as provas finais do semestre, eu saí do alojamento e fui até uma cafeteria. Quando ia abrir a porta do estabelecimento eu senti alguém batendo contra minhas costas, me virei e deparei com cabelos ruivos e olhos muito verdes. Ajudei aquela mulher a se levantar e entramos. Paguei um café para ela em forma de desculpas. Depois que fui embora que consegui perceber que não sabia nem o nome daquele ser ruivo e pequeno. Durante o próximo dia não parei de pensar naquela mulher de olhos verdes-esmeraldas. Então voltei até a cafeteria para ver se a encontrava novamente. Mas tive azar. Então, durante a semana seguinte, eu fui todos os dias na tal cafeteria no mesmo horário. Até que na próxima quinta-feira eu passava na rua, em frente ao mesmo local, e os cabelos ruivos da sua mãe apareceram pela primeira vez em uma semana. Eu corri até onde ela estava e quase fui atropelado por uma bicicleta, mas ok. Ela sorriu quando me viu e eu sorri de volta. “- Qual o seu nome?” – perguntamos ao mesmo tempo. “- Kiera.” – Ela respondeu com um sorriso doce. “- Desculpa. Eu sou Leonard. Prazer em conhecê-la. Você quer tomar um café?” – Eu falei tudo em um fôlego só. E mesmo com meu jeito atrapalhado, ela disse sim gentilmente. Aquele foi o nosso primeiro encontro.
“Depois de alguns meses de namoro, a notícia de que ela estava grávida nos chocou. Não estávamos preparados para sermos pais. Eu estava estudando e mal conseguia me sustentar, Kiera trabalhava meio período na mesma cafeteria que nos encontramos. Quando não vi outra saída a não ser contar para meus pais e pedir ajuda, viajamos até New Jersey* no feriado de ação de graças. Claro que o Senhor e a Senhora Shelley enlouqueceram num primeiro momento, até pensaram em aborto*. Mas com o passar do fim de semana, os meus queridíssimos pais decidiram bancar as despesas da gravidez e dos seus primeiros aninhos, até eu conseguir um emprego melhor e me formar.
“Durante os nove meses de gestação foram apenas alegrias. No dia do seu nascimento, eu e Kiera explodimos de felicidade. E os oito meses que vivemos nós três juntos, foram os mais perfeitos da minha vida. Mas como nem tudo que é bom dura para sempre, a sua mãe teve que voltar para sua terra natal. Sua avó enviou uma carta implorando para que Kiera voltasse para casa, porque o seu avô estava morto e Lilith estava depressiva. Só sua mãe podia resolver os problemas da casa, já que a irmã mais velha também havia morrido durante o parto.
“Kiera foi, mas as lembranças do tempo que vivemos juntos ainda estão dentro do meu coração. Ela nunca prometeu que iria voltar para nós. Acho que se ela pudesse te levar, ela teria levado. Não pense nunca que ela te abandonou, querida. Sua mãe te ama mais que tudo. Ela está bem em algum lugar e com certeza está pensando em você. Mel, eu vivi um conto de fadas. Kiera foi a primeira e única mulher que eu amei de corpo e alma. Você também encontrará alguém assim.
E foi ouvindo essas palavras que eu adormeci novamente e tive belos sonhos com estrelas e olhos cinza.
~*~
Minha vida é a típica vida de uma pessoa que vive em Nova York. A correria, o estresse, a multidão... Metrôs, ônibus, táxis. Pessoas, muitas pessoas aglomeradas. A vida em Manhattan não é moleza. De um lado as patricinhas do East Side e do outro os malucos da West Side. Sorte a minha que lidar com os malucos é mais fácil do que lidar com as filhinhas de mamãe.
Neste momento, tem um cara suspeito olhando para a mulher de terninho (um tanto apertado) do meu lado. Um vovôzinho tarando uma senhora com um saco de papel no colo. E eu no meu mundinho, ouvindo meu rock tranquilamente nos fones. Observar as pessoas é um dos meus hobbies. A melhor parte é quando eu tenho a minha câmera fotográfica e posso capturar os momentos mais engraçados ou os mais românticos. Fazer o quê se estou no grupo de fotografia da escola?
A estação em que devo descer já está chegando. Vou me espremendo entre as pessoas do metrô até chegar perto da porta. Não quero ser esmagada por uma multidão de desconhecidos. Assim que a grande máquina para, eu saio correndo para não ser esmagada por saltos altos. Nessa selva chamada New York só os mais espertos sobrevivem.
Ando pelas calçadas evitando ternos e pastas executivas. Atravesso a rua correndo para não ser atirada longe por nenhum apressadinho. Desvio de uma bicicleta quando já estou no portão do colégio. E quando penso que vou sair ilesa do tumulto, um ser chamado Katherine Duncan aparece para acabar com a minha calmaria.
— Mel! Mel! – finjo que não ouço os berros da minha melhor amiga. – Melanie Shelley, é melhor parar aí agora mesmo! – como a voz dessa garota consegue ultrapassar o grito de Axel Rose em Sweet Child O’Mine no volume máximo e ainda os murmúrios dos outros alunos? Não sei por que ainda fico surpresa.
— O que você quer Duncan? – pergunto com o meu mau humor de quando eu não durmo bem.
— Logo hoje você não teve uma boa noite de sono? Fala sério! – ela reclamou.
— E o que hoje tem de especial? Eu não me lembro de nada específico. – pensei por um segundo. Hoje era uma quarta-feira comum.
— É porque não era pra acontecer nada de especial, mas inesperadamente, temos um aluno que se transferiu para nossa excelentíssima escola. – ela exibia um sorriso enorme. – E a melhor parte, ele é um gato!
— Kath, para você o cara só precisa ter um pouco de músculos e um sorriso aceitável que você já acha ele um gato. Poupe-me dos seus comentários, por favor. – pedi sem paciência.
— Tudo bem. Só não adianta querer ele depois. Até a idiota da Emma está babando por ele. – ela deu de ombros e ficou em silêncio.
Caminhamos até o meu armário para buscar meu livro de matemática. Kath só abriu a boca pra me perguntar qual foi o pesadelo da vez e eu resumi rapidamente. Quando chegamos à sala, fui direto para meu lugar bem no meio da classe. Logo o sinal tocou e o professor carrasco chegou. O senhor Mills, de legal não tinha nada. Era o velho mais mal amado e rabugento de todos. Felizmente eu era boa na matéria e não tinha problemas com ele.
Ao notar a bagunça no fundo da classe, o Sr. Mills bateu o apagador no quadro para chamar a atenção de todos. Então a voz grave do cara que já estava na hora de aposentar ressoou no ambiente:
— Posso saber o motivo dessa fuzarca aí atrás?
A classe inteira começou a rir do jeito que ele falava. E parecendo confuso, se dirigiu apenas ao aluno mais próximo dele. Depois de parecer compreender o motivo das risadas, ele nota o novato lá atrás e o chama até a frente para se apresentar.
— Olá, eu sou Jason Howard, tenho 18 anos e vou estudar com vocês até o final desse ano. – até ouvir o sotaque dele eu não tinha nem sequer olhado pra ele. Aquela voz soava familiar, mas eu tinha certeza de nunca ter ouvido.
Enquanto fui subindo meus olhos pelo corpo daquele ser na minha frente, fui me surpreendendo com os sentimentos de familiaridade e desconhecimento misturados. Aqueles coturnos, os jeans escuros, a camisa branca por baixo da camisa xadrez. O queixo quadrado, o sorriso sarcástico perfeito e os olhos. Olhos cinza tempestuosos. A testa franzida e o cabelo preto totalmente bagunçado.
Eu só podia estar louca. Eu tinha certeza de nunca ter visto esse tal Jason. Mas algo lá no fundo da minha cabeça martelava. Uma sensação de reconhecimento e descoberta misturados. E então meu coração acelera. Olhei de novo para os olhos cinzentos que dessa vez encontraram com os meus e pareciam sorrir.
Estou completamente ferrada.
Notas finais
Beijos da Lua!
Até mais!
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