A Missão

53 Capítulo 35


Notas iniciais
Prometi que ia postar mais um hoje e aqui estou eu, antes da meia-noite postando. Desculpem postar tão tarde, mas antes estava envolvida com meu trabalho de conclusão de curso técnico. Mais aí está: esse capítulo reserva fortes emoções. No início é bem engraçado e no fim bem dramático. Vamos ver o que vocês acham

Comecei meu dia recebendo muitas broncas por não ter ido trabalhar. E nem adiantava tentar argumentar e contar o que havia acontecido, ninguém queria saber. Era inadmissível que eu deixasse a governante desamparada. Vários soldados lá dentro do palácio me criticaram, e quando fui para a sala dos militares, também recebi uma bela mijada.

Eu já não estava muito bem, ainda me recuperava de ter passado 24 horas na floresta. E tinha passado quase a noite inteira sem dormir, refletindo sobre Júlio e Danilo. Chorei um pouco aquela noite, e acabei dormindo por exaustão, quando quase estava na hora de levantar.

A pior de todas as broncas, com certeza, foi a de Margareth. Eu sempre começo meu turno as seis da manhã. Tenho a obrigação de ficar a vigiando enquanto dorme. Naquele dia, quando acordou nem pareceu notar a minha presença. Levantou, se lavou, se trocou, se arrumou e foi tomar café, sem dar uma mínima olhada para mim. Mesmo eu estando sempre como sua sombra. Foi quando fomos para seu escritório que ela começou com os sermões:

– Soldado Deboch, você poderia fazer a honra de largar seu posto e se colocar diante de mim para que possamos conversar? — Margareth nem olhou pra mim ao falar, apenas sentou-se em sua poltrona e se fez de indiferente.

– Sim, excelentíssima? — fui para a frente dela, permanecendo de pé.

– Não fiquei minimamente satisfeita com sua ausência no dia de ontem. Deve-se sempre lembrar das suas obrigações. Não me importo se quer se envolver com um soldado ou com vários e sair com eles. Mas peço-lhe que isso não interfira no seu desempenho como guarda – o que ela estava querendo dizer? Que eu e o Júlio tínhamos dado uma escapadinha romântica? E como assim eu podia me envolver com vários, ela tava me chamando de puta? Mesmo com raiva, eu sabia manter minha expressão séria e ela prosseguiu – Sei que a senhorita aprecia muito sua tarefa aqui. Que se sente lisonjeada por poder conviver comigo, então não desperdice essa nova chance que estou lhe dando. A próxima vez você estará dispensada.

– Não haverá próxima vez. — surpreendi a mim mesma falando com seriedade e profissionalismo. Eu havia aprendido muito ali no quartel e estava ficando parecida com os outros militares.

– É o que espero. — Margareth olhou pra mim dos pés a cabeça. Eu permanecia de pé, como uma verdadeira militar. Com meus braços para trás a escutando. — Sente-se quero lhe dar um conselho de amiga – apontou pra cadeira.

Sentei-me ainda rígida e fiquei esperando para escutar esse conselho de "amiga" que ela queria me dar.

– Você tem uma grande beleza e um corpo magnífico soldado. Use esses atributos que Deus lhe deu. Aproveite, passe uma noite com cada um dos militares do quartel. Faça com que eles enlouqueçam por você, que façam as suas vontades. Eu conheço como os militares são, não aguentam ver uma mulher bonita. Você pode os ter na mão se quiser, e aconselho que faça isso. Os use. E nunca tenha nada sério com eles, cada dia fique com um e depois o esnobe. É isso que tem que fazer. Mas não se esqueça daqui. Passe a noite inteira fazendo festa, mas no dia seguinte acorde na cama deles e venha para cá cumprir sua obrigação. Você terá futuro se agir desse modo.

Eu só a olhava perplexa. Era uma surpresa que eu não estivesse de boca aberta. O que ela tinha acabado de me dizer? Tinha me aconselhado a dormir com todos os militares do quartel? Usá-los e depois jogá-los fora? Ou seu conselho era pra que não importa o que acontecesse eu viesse no outro dia trabalhar? Ou era ambas as coisas? E o que significava que se eu agisse assim teria futuro? Os homens com quem transasse iam me colocar no poder? Isso era absurdo!

Chegava quase a ser engraçado de tão absurdo! Ridículo um conselho daqueles. Nem me preocupei mais com isso ou com qualquer coisa, as palavras dela acabaram entrando por um ouvido e saindo por outro.

– Ok. — foi a única palavra adequada que achei para dizer. Nunca iria nem pensar num conselho daqueles. Mas achei que era justo que eu defendesse o porque não tinha ido ontem – Sobre não ter vindo trabalhar ontem, se me permite esclarecer excelentíssima. — a educação e o respeito que eu tinha que demonstrar pelos governantes já saiam automaticamente. — No dia de descanso o sargento Júlio, que é meu amigo, — frisei bem a palavra amigo, pra ela não entender outra coisa – me convidou para andar de avião com ele. Aceitei e fomos. Mas o avião acabou caindo. Os detalhes sobre a queda e o problema que o avião apresentou eu não sei direito. Só sei que ficamos perdidos na floresta e tentamos ao máximo voltar para o quartel. E tudo foi somente um acidente. Eu nunca faltaria a um dia de trabalho se não fosse por uma razão como essa.

Margareth me escutou calada, sem olhar pra mim. Tinha momentos que eu nem tinha certeza se ela estava me escutando. Mas quando terminei de falar ela deu de ombros:

– Tudo bem. Imaginei mesmo que seu cargo fosse muito importante pra você e que não faltaria sem um motivo concreto. Mas agora me diga uma outra coisa, senhorita. O seu "amigo" — ela disse a palavra amigo de uma forma como se tivesse certeza que era alguma coisa a mais para mim — , o Sargento Júlio, você acha que ele é tão gostoso quanto aparenta ser? — opa, eu quase dei um pulo da cadeira. Margareth que sempre foi tão sofisticada, com um vocabulário rico, perguntando se eu achava Júlio gostoso. O que havia acontecido com ela hoje? Vendo a minha confusão ela tentou se explicar – Estou querendo experimentar um militar, variar um pouco. Acho que ele é um homem de verdade. Não esses que se dizem homem mas na cama mostram-se que não são mais do que moleques. Você acha que ele daria conta?

Eu quase gargalhei alto. O Júlio ficando com Margareth. Isso era uma piada. Só podia. Não conseguia imaginar ele beijando ela como havia me beijado. Os dois não combinavam nem um pouco. Mas não precisavam combinar, ela só queria dormir com ele. Usá-lo e jogá-lo fora, como havia dito que eu deveria fazer. Júlio nunca aceitaria uma coisa dessas. Ele não era esse tipo de cara. Não era do tipo que ficava com uma mulher por só uma noite. E além do mais eu não queria ele com ela.

Margareth me olhava atenta, talvez aquilo tudo tivesse sido um teste pra ver qual o grau de envolvimento entre mim e Júlio. E minha reação diria tudo. Não poderia deixar transparecer que sentia um certo ciúmes dele.

– Não saberia lhe dizer o que está pedindo. — eu estava ficando cada vez melhor em manter o tom de soldado indiferente.

Mais uma olhada pra mim, me analisando firmemente e Margareth encerrou a conversa:

– Certo. Quando vê-lo, peça para vir falar comigo imediatamente. E agora pode voltar para sua função.

Agradecida voltei para trás dela, vigiando cada canto da sala e tentando entender o que se tinha passado. Um: Ela tinha me dito para virar uma vadia. Dois: ela tinha me tratado como amiga. Três: tinha falado de igual para igual comigo, sem usar seu vocabulário rebuscado. Quatro: ela queria dar uns pegas em Júlio.

Voltando para o quartel já de noite, passei no meu quarto para trocar aquele uniforme preto e colado, antes que mais alguém me achasse com cara de vadia, antes de ir treinar. Havia colocado minha farda antiga e já estava saindo de volta, quando Danilo entrou batendo a porta, claramente irritado.

Virando-se e me vendo, começou a me acusar, gritando:

– Porque você não me contou? Foi por isso que me deu aquele fora ontem? Você deveria ter me contado, e eu não teria feito papel de bobo. — olhando bem para ele percebi que não estava somente irritado, seus olhos mostravam que estava magoado também.

– O que você tá dizendo? — gritei de volta. Não gostava de ser acusada injustamente por uma coisa que nem sabia o que era.

– De você e o Júlio – ele soltou as palavras como veneno.

– O quê? — comecei a entender o sentido daquilo. O que eu temia estava se tornando realidade. Danilo havia descoberto que estávamos eu, ele e Júlio num complicado jogo de sentimentos.

– Vai negar que vocês dois estão juntos? -ele apontou o dedo na minha cara.

– Da onde você tirou essa ideia? Nós não estamos juntos. — era verdade. Eu não sabia muito bem o que tinha significado aqueles beijos na floresta, mas não estávamos juntos como namorados.

– Não adianta negar. Vocês são a fofoca de hoje no quartel. Todo mundo tá falando do rolo de vocês. E eu mesmo vi. Na hora não percebi: quando os encontramos vocês estavam de mãos dadas, ou vai dizer que não estavam também?

– Sim estávamos – fui sincera, pra que negar? Sempre achei a verdade o melhor caminho.

– Não precisa dizer mais nada. Tudo bem. Felicidade ao casal perfeição. – ele gritou e saiu do quarto, batendo os pés e a porta.

Eu queria sair correndo atrás dele, tentar explicar que era tudo uma confusão. Mas como poderia fazer isso, se estaria mentindo? Era uma confusão sim. Mas uma confusão de sentimentos. Havia alguma coisa mesmo entre eu e Júlio e eu não poderia negar isso.

Achei melhor deixá-lo ir e acalmar a cabeça. Mais tarde eu pensaria em como resolver isso. Por hora o que me restava era ir soquear alguns sacos de pancada.

Passei um bom tempo na base de treinamento, não saindo nem pra jantar. Havia perdido a fome. Mas tinha aliviado toda a tensão do meu corpo. Estava muito cansada, toda suada, escabelada e amassada, mas, pelo menos, meu coração estava um pouco melhor. O exercício tinha ocupado minha cabeça e o meu corpo.

Voltava para meu quarto, esperando não encontrar Danilo ainda, quando dei de cara com Júlio no final de um corredor.

– Boa noite soldado. — ele disse sério, mas me parecia que tinha um brilho no olhar.

– Boa noite sargento. — respondi soando cansada. Não queria que ele tivesse me visto daquele jeito, toda desarrumada.

– Como está?

Fisicamente ou emocionalmente? Fisicamente estou um caco e emocionalmente tô um pouco pior. Mas isso não interessa:

– Bem e você? — me lembrei dos seus machucados – Como está o pé? — rapidamente olhei pro seu pé e não consegui enxergar nada por causa do coturno que estava usando. Mas seu machucado na testa já parecia bem melhor.

– Está bem. Foi só uma entorse. Irá melhorar totalmente em alguns dias. — ele deu de ombros. — Mas você tem certeza que está bem? Não parece.

Eu gostava de vê-lo preocupado e atencioso comigo. Mas aquilo complicava ainda mais as coisas. E não estava a fim de lhe contar tudo que tinha acontecido. Só que era meu dever contar. Ele estava envolvido na história com Danilo e na história com Margareth:

– É eu sei que não pareço bem – respondi parecendo até um pouco hostil – Aconteceram algumas coisas chatas hoje que você deveria saber.

– Pode contar.

– Agora pouco quando cheguei do palácio encontrei Danilo no quarto. Ele... — me lembrei que Júlio não sabia da declaração de amor de Danilo e não entenderia a acusação dele. — Ontem a noite... — como eu poderia contar aquilo?

– Pode falar sem medo Liss – Júlio tinha percebido minha hesitação.

– O Danilo se declarou pra mim. Disse que tava apaixonado. — Júlio permaneceu impassível, sem um único movimento, mas seus olhos o entregaram. Ele não tinha mais aquele brilho no olhar, estava com um olhar profundo e triste. — E hoje chegou gritando comigo, me acusando por ter um caso com você. Disse que todo mundo no quartel estava falando que estávamos juntos, e que eu devia ter contado isso pra ele ontem a noite. Teria o impedido de fazer papel de bobo.

Júlio suspirou e fechou os olhos por um milésimo de segundos. Pelo que o conhecia estava mantendo o controle e pensando no que fazer.

– Vou falar com ele – Júlio disse firme. — Vamos esclarecer tudo. Não se preocupe.

Ele já estava saindo, provavelmente pra procurar por Danilo, quando o impedi:

– Tem mais uma coisa.

– Sim? — ele voltou e me olhou incrédulo.

– Margareth. Ela quer que você passe lá para conversar com ela. — soltei.

Júlio perdeu a compostura. Sua expressão mostrou a descrença nas minhas palavras:

– Margareth quer falar comigo, você tem certeza?

– Tenho.

– Sobre o que ela quer falar, você tem alguma ideia? -ele continuava não acreditando que a governante queria falar com ele.

Fiquei na dúvida se contava ou não. Podia dizer simplesmente que não sabia. Essa opção me pouparia de um enorme desconforto. Mas como eu sempre fui a favor da verdade:

– Ela está interessada em você.

Júlio se perdeu de novo. Não existia mais o sargento, tava ali o cara de 22 anos que era meu amigo:

– Como assim?

– Você quer mesmo saber os detalhes? É muito constrangedor. — eu não sei se conseguiria falar que Margareth queria usar seu corpo e nada mais.

– Quero. Eu não estou entendendo.

Como eu começava? O que deveria falar? Tomei coragem e engolindo em seco, sem olhar pra ele, contei:

– Ela tá afim de um militar. Nas palavras dela: queria um homem de verdade e variar um pouco. Ela quer dormir contigo e te chamou de gostoso. — corei. Minhas bochechas queimaram demais. Não sei como tinha conseguido falar aquilo pra ele.

Achei que Júlio fosse xingar, que ficasse revoltado e saísse correndo pro palácio pra tirar satisfação. Mas ao contrário ele apenas riu. Uma risada gostosa como a que havia dado enquanto conversávamos a noite na floresta.

– Você tá brincando! — ele conseguiu dizer entre as gargalhadas.

– Não. Não tô. — já estava ficando irritada por ele não acreditar em mim. Como eu poderia inventar uma coisa daquelas? — Eu to falando sério. Ela perguntou o que eu achava. Se você atenderia as suas expectativas. Eu disse que não sabia e ela me pediu que então falasse pra você ir lá falar com ela.

Júlio conseguiu parar de rir. E olhando pra mim, que ainda sentia minhas bochechas queimando, percebeu que eu falava a verdade.

– Ok. Ok. Vou ver o que posso fazer quanto a isso. Mais alguma coisa?

– Não. Mas vê se vai lá falar com ela. Se não ela pode pensar que eu não te avisei. Porque ela também tá desconfiada de alguma coisa entre nós, e acho que isso pode ter sido um teste pra tentar descobrir.

– Não posso lhe prometer que irei lá. Mas farei o possível. Agora vou procurar Danilo. Com licença – ele acenou com a cabeça e partiu.

No quarto de novo, encontrei Eric que queria saber o que tinha acontecido comigo e porque eu estava naquele estado. Contei-lhe que tinha tido um dia difícil e ele quis saber detalhes.

– To precisando de alguém pra desabafar mesmo. Vou te contar tudo, desde o começo. Mas você tem que me prometer que vai guardar segredo. — falei.

– Claro Liss, eu sou seu amigo. Pode desabafar comigo, não vou contar pra ninguém. — Eric concordou, esperando ansioso pela história.

E eu contei. Contei sobre os dois beijos entre mim e Júlio, contei sobre Danilo me falando que estava apaixonado por mim, contei sobre o que Margareth tinha dito, contei sobre o que estavam falando no quartel e as acusações de Danilo. Também falei como me sentia culpada por toda aquela situação entre os irmãos. Não queria causar confusão entre eles. Queria muito que tudo ficasse bem. Como era antes. Eu gostava do Danilo, mas como amigo e em relação a Júlio eu não sabia muito bem o que sentia, mas sabia que não podíamos ficar juntos.

– Liss não é culpa sua isso. Na verdade não é culpa de ninguém e tudo vai ser esclarecido – Eric tentava me confortar. Durante o final da narrativa eu havia começado a chorar e agora chorava ainda mais. — E se você gosta do Júlio e ele gosta de você não tem o porquê de não ficarem juntos. O Dani vai ter que entender.

– Mas eu não posso. — tentei dizer entre soluços, secando as lágrimas que desciam no rosto — Se isso acontecer, o Danilo vai ficar bravo com o Júlio e eu não quero que eles briguem. É melhor deixar tudo assim. Prefiro ver os dois como amigos, do que eu ficar com Júlio.

– Vamos encontrar uma solução pra isso. — Eric me puxou para uma abraço – Júlio vai conversar com o Danilo e eles vão se acertar.

Eric nem tinha terminado de dizer a última palavra, entrou Danilo batendo a porta novamente e vindo pra minha direção. Soltei Eric e me virei para ele, esperando um pedido de desculpas ou alguma coisa assim, mas ele soltou irado:

– Não precisava ter mandado seu namoradinho falar comigo. Por mim tá tudo bem vocês dois. Só acho que fiz papel de trouxa e que vocês me enganaram. O Júlio já tinha percebido que eu tava afim de você, e mesmo assim....

– Cala a boca Danilo. — foi Eric quem se levantou e encarou o amigo. Nunca o tinha visto tão bravo – Eles não estão juntos. E ninguém te enganou.

– Enganaram sim. O Júlio admitiu que os dois se beijaram. Isso pra mim já basta.

– Sai daqui Danilo. Não vê que a Liss tá sofrendo tanto quanto você? — Eric começou a empurrar Danilo pra fora e os dois saíram.

Fiquei sozinha e deitei na cama, me cobrindo inteira, tentando fugir do mundo. Não era possível que eu perdesse meu melhor amigo. Eu queria que o Danilo entendesse. Queria que soubesse que eu estava arrependida por tudo. Por ter beijado Júlio. Por ter levado a situação e os flertes de Danilo tão longe. Logo no começo eu já devia ter esclarecido as coisas. Teria sido muito mais fácil agora.

Quando Danilo e Eric voltaram, eu me cobri inteira fingindo que estava dormindo. Não queria olhar pra Danilo. Não queria as palavras de apoio de Eric. Queria apenas ficar sozinha, tentando achar uma solução pra tudo aquilo.

Então acabei dormindo daquele jeito mesmo, vestida com a minha farda suja e amassada. Estava com o suor do treinamento no corpo que se juntava com as lágrimas que continuavam a cair.

Notas finais
Liss tá exagerando em ficar tão deprimida ou ela tem razão? E quanto a Margareth ela quer mesmo o Júlio??