A Missão
2 A Guerra
Notas iniciais
Acordei com uma forte dor de cabeça que logo foi anestesiada pelo torpor que os analgésicos me causavam. Não devia ter bebido tanto ontem.
Desde que a Guerra da Honra começou, os países estão em completo caos. Não só os Estados Unidos e a Rússia, mas todos os seus aliados! Pais como o meu são levados de suas famílias, e jovens como eu são trazidos para suas casas em simples caixões de madeira com o mesmo discurso de sempre: "Ele morreu com honra". Mas, de que vale a honra se estivermos mortos?
Ultimamente com a falta de alistamento dos homens, pois é claro estão matando todos, muitas mulheres estão tendo que se alistar. Hoje é a minha vez.
Tomei o simples café da manhã que consistia em apenas um pão duro com queijo e o meu café preto de sempre e saí de meu apartamento. Não para me alistar é claro, para isso não tenho nenhuma pressa, mas para cumprir pelo menos uma única vez o que me recomendaram: ir a uma psicóloga. Sempre acharam que a razão de eu ter me tornado tão fechada e fria era a saudade de minha família. Eles estão errados.
Peguei um caminho por uma rua estreita perto de um beco e parei, olhei o endereço em meu bolso e comecei a procurar pelo local indicado. O encontrei a alguns metros dali. Uma casa pequena, quase aconchegante, com um formato que mais parecia uma cabana na floresta. Gostei disso. Toquei a campainha e uma mulher de mais ou menos trinta e cinco anos me atendeu. Ela tinha olhos verdes e um cabelo loiro acinzentado, era alguns centímetros maior do que eu e seu rosto dava uma impressão de paz e tranquilidade. Nunca serei igual ela.
Entrei num cômodo que se parecia com uma sala principal e me deitei em uma cadeira que me lembrava as dos dentistas, apesar de não ter nenhuma broca gigante ao meu lado. O lugar tinha duas janelas que davam para as ruas sujas que agora possuíamos, as cortinas assim como todo o resto do apartamento pareciam mais do período monarca e clássico. Tudo parecia muito limpo e organizado, ri ao comparar aquela casa ao meu apartamento.
– Você se lembra de algo depois disso? — Perguntou-me ela. O leve aroma de hortelã circundava o ambiente, isso me relaxou por alguns instantes.
– Não — Respondi. — Apenas das sirenes, explosões e chamas. Não consigo me lembra deles. Apenas do fogo.
Aquele borrão iria me perseguir até o fim de minha vida. O ataque aos bairros menores foi uma forma dos texanos mostrarem que queriam o fim da guerra, mas como sempre, isso apenas a inflamou. Casas destruídas, famílias carbonizadas, esperanças despedaçadas. Foi isso que nos trouxeram. Morte.
– Srta. Adler, já faz três anos desde que isso aconteceu, por que apenas agora resolveu pedir ajuda? — Ela me perguntou tirando-me de meu devaneio.
– Porque só agora eu vou ficar realmente cara a cara com a morte — Respondi.
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