Depois de tomar a decisão de como agiria daqui para frente voltei para a sala de aula, sentindo os olhares dos meus colegas em mim. Eles estavam curiosos por saber em qual função fui colocada e para onde seria enviada, mas ainda estávamos na aula de matemática e a professora não iria aceitar conversas paralelas.

Logo que bateu o sinal e a professora saiu todos vieram em volta da minha carteira, perguntar como tinha sido a conversa com a diretora e o que ela havia dito.

Tentei manter meu tom mais simpático, tentando parece o mais contente possível, ao contar para eles:

– Fui designada para o exército e terei que ir para a capital treinar.

Quando disse aquelas palavras, todos olharam para mim espantados. Inclusive uns que não estavam prestando muita atenção na conversa. Assim como eu, eles não deveriam ter visto muito jovens com essa designação.

– Ah! Que legal! Sempre sonhei em ir para lá! — um de meus colegas comentou depois de alguns segundos de choque.

Alguns outros colegas ficaram tão surpresos com aquilo que também não conseguiram entender aquela escolha:

– Você para o exército? Mas você nem é forte. — uma menina esnobe, das que eu menos gostava na sala de aula, declarou.

– É também não entendi. — respondi, tentando manter meu tom alegre — Não acho que combine muito comigo, mas a diretora disse que se foi essa a escolha do governo, eles devem ter algum propósito, pois nunca erram. — Minhas últimas palavras saíram com nojo, porque eu não acreditava nelas. Como pode alguém nunca errar?

O papo continuou até que o próximo professor entrou na sala e conseguiu acalmar a turma. Todos voltaram a prestar atenção na aula, mas logo que o sinal bateu para irmos embora, todos estavam do meu lado, me abraçando e desejando boa sorte na nova fase da minha vida.

Tentei não pensar muito em como provavelmente seria a última vez que veria a maioria deles. Mantive um sorriso no rosto e abracei todos, sentindo intensamente cada abraço e retirando força deles para aguentar firme o próximo dia e todos os seguintes.

Cheguei em casa e fiquei por lá, tentando não pensar em nada, me distraindo lendo ou assistindo televisão. Quando estava começando a escurecer comecei a guardar minhas coisas na mala, organizando tudo.

Meus pais chegaram e eu continuei no quarto dobrando e guardando roupas e pertences. Na hora do jantar, eles foram me chamar e quando desci para a sala, não acreditei no que estava vendo: todos os meus amigos e familiares estavam lá, olhando para a minha cara de surpresa. Minha mãe explicou que eles haviam organizado uma festinha de despedida pra mim, e eu fiquei, de repente feliz, entusiasmada e um pouco nostálgica com tudo aquilo.

Feliz e entusiasmada porque seria bom ter um momento como esse, aproveitando cada segundo. E nostálgica porque eu me lembrava de tudo o quanto eu havia vivido com aquelas pessoas que estavam lá comigo, tantos momentos bons, e isso acabaria. Não as veria mais e até mesmo a festa de hoje seria apenas mais uma lembrança que me faria ter saudades de casa.

A festa correu divertida e alegre até a meia-noite, após isso os convidados foram se retirando um a um, vindo se despedir de mim, me dando palavras amigas e vários conselhos. Dessa vez eu estava tão cansada que nem consegui pensar em nada, apenas aceitava as palavras deles e respondia.

Quando fui para a cama, a alegria da festa ainda estava em mim, juntamente com outras lembranças de momentos felizes. Com isso meu último pensamento antes de adormecer foi: essa minha vida foi maravilhosa, aproveitei tudo e fui realmente feliz, espero que a vida nova que me espera também seja assim.

Notas finais
A partir do próximo capítulo a história começa de verdade