A Missão
22 Conseguindo algo...
Notas iniciais
No capítulo anterior:
– Edward. — respirei fundo — Eu... Eu estou grávida.
Jurei o ouvir engolindo em seco nesse momento.
[...]
-Grávida Bella? – perguntou ele com a voz em um fio.
-Sim...
-Você não tem noção do como eu queria estar livre agora, para te abraçar, beijar tua barriga assim como fiz quando você ficou grávida de Nessie, queria dizer que essa é a melhor hora para esse bebê chegar, mas não é, agora, mais do que nunca quero sair daqui Bella...
-Edward, me desculpe-me por só falar agora, mas... Eu estava com raiva de você...
-Eu sei que fui um estúpido, burro e tudo mais, mas isso é por que eu amo muito Nessie e você... eu sofri muito quando pensei que você estivesse morta, eu pensei que eu não conseguiria viver sem você, só me mantive firme por Nessie, ah a Nessie... Bella, você não sabe como foi difícil ter que explicar para ela que você não acordaria mais, você não voltaria, sinto ainda aquela dor...
Eu podia sentir sua respiração acelerada junto de meu corpo, ele falava choroso, saia que Edward estava chorando, e de meus olhos também escorriam lágrimas.
-Eu sinto muito Edward, mas eu não tive escolha... Quando acordei do coma, Ernesto me contou tudo, fiquei desesperada, queria ver você, minha filha... Mas não podia... E quando eu soube que você estava com a Tanya, fiquei com muita raiva eu... Eu não aceitava estar perdendo você pra outro alguém... Porque... Porque eu te amo Edward...
-Quanta declaração de amor... Fiquei até emocionada agora – Falou uma loira desgraçada que chegou seguida por dois homens, um dos quais nos amarrou ali.
-Tanya, sua...
-Calminha aí, Edward... Vocês estão em desvantagem agora...
-O que você fez com minha filha sua desgraçada? – perguntei entre dentes, tentando me livrar das cordas grossas, mas inutilmente.
-Aquela pirralha só me traz problemas, sabia? Mas um cliente ficou muito interessado nela, disse que ela tem futuro como...
-Cale a sua boca... Não ouse fazer nada de mau sobre nossa filha! – Falei tremendo o corpo todo, queria pular nela, mata-la ali mesmo, mas não conseguia me mover.
-Vocês são muito tolos em me subestimar não é mesmo? Caíram direitinho...
Ela andava em volta de nós, com sua bota de salto fazendo barulho ao pisar, como eu queria a derrubar ali...
James, Clark, levem eles para a outra sala, logo mais vão ocupar a casa ao lado e não quero correr o risco desses dois serem ouvidos, vamos, levem logo seus idiotas! – Os dois se apressaram em pegar Edward primeiro, enquanto levavam-no amarrado, o outro me segurou, forçando meus braços para trás naquela corda que já estava me cortando.
-Até mais, lindo casal... – Falou a insuportável enquanto saíamos do quarto.
Começamos a andar por um corredor e saímos na parte principal do galpão, onde entramos, pude ver três homens lá, e umas três crianças de uns sete e oito anos chorando em um canto.
-Mande-os pararem de chorar, isso está me dando nos nervos – Gritou Tanya por trás de nós.
Procurei por minha Nessie mas foi inútil, as crianças estavam com medo, com fome provavelmente, como eles poderiam fazer isso? Como uma pessoa pode ter tanta maldade no coração? Fiquei pensando o que teria acontecido com minha Nessie, e desviei o olhar das crianças, então tive uma ideia.
-Você tem que acalmá-las, se não, duvido que as pessoas não queiram saber o porquê das crianças tanto chorarem aqui dentro.
-O que você está querendo insinuar hein? – perguntou ela confusa, fazendo-nos parar de andar e vindo a minha frente especulativa.
-Que essas crianças precisam de atenção e alguém que faça-as pararem de chorar, se eu pudesse...
-Ah, entendi seu jogo... Mas não, deixe-as chorarem aí... ninguém vai ouvir...
-Ninguém, até os vizinhos denunciarem, mas tudo bem...Eles só vão chamar a polícia e o FBI vai nos encontrar rapidinho...
Vi terror passar por seus olhos, então ela enxugou uma gota de suor e disse:
-Soltem ela, mas fiquem por perto, não a deixem escapar estão ouvindo? – disse.
O cara assentiu enquanto soltava a corda de meus braços e deixava-a só em meus pulsos.
-Você pode conversar com as criaturas chorosas com as mãos amarradas! – Falou ela seguindo com Edward e mais dois caras para uma porta nos fundos do galpão.
O cara me levou a empurrões até a criança que chorava mais alto.
Me jogou ao lado dessa que chorou mais ainda ao olhar para ele.
-Se você ficar olhando-as com essa cara horrível, elas não irão parar de chorar mesmo! – O alertei com raiva.
Fiquei ali, sentada ao lado da menina com as mãos nas costas, encostada na parede. Até que percebi que tinha que fazer algo.
-Não chore criança, como é seu nome? – perguntei calmamente.
Ela tirou as mãos do rosto e disse:
-Julia, mas minha mãe me chama de Juju... Eu quero minha mãe, tia... Quero minha mãe...
-Shi... Calma, logo você terá sua mamãe junto de você...
Olhei para o cara que prestava atenção em nós de longe, se eu tivesse uma faca, ou um estilete, até uma coisa com ponta e que pudesse perfurar sua jugular, seria perfeito.
- Passa pra tia bem rápido, para as costas da tia, a chupeta...
-Por que? – perguntou ela secando as lágrimas.
-Passa pra tia, mas sem o tio ali ver... – Sussurrei...
Ela colocou a chupeta de plástico da boneca que tinha no colo, atrás de mim, tentei achar com meus dedos, mas não achava, tateei um pouco mais e então senti que meus dedos tocavam um objeto de tamanho médio e pontiagudo. Era um metal frio. Agarrei e logo notei que era um canivete. Fiquei surpresa e num sussurro, notei que alguém havia o deixado ali. Era um pouco difícil manusear o objeto, afinal, qualquer coisa poderia acontecer, menos eu me cortar.
-Fale pra tia... qual é a sua idade? – perguntei.
- Tenho oito anos... Vou fazer nove daqui três meses!
-Hum... e como que sua mãe é?
-Ela é linda tia, deve achar que eu sumi... Ela vai ficar brava comigo. – A menina começou a chorar mais um pouco, e então segui manuseando a parte de trás do canivete.
-Não chora bebê, se não sua mamãe vai ficar triste se vê-la chorando.
Mas para minha desgraça, o único homem presente ali naquela parte do galpão vinha em minha direção.
-O que você está escondendo aí atrás? – perguntou cada vez mais perto.
-Nada... o que eu poderia esconder? Uma bomba? – perguntei irônica.
-Chega de brincadeiras sem graça, vamos, chega de momento “amor de mãe”...
Ele me pegou por um braço, indo comigo até a porta onde Edward entrou, mas antes de entrarmos, em um golpe veloz, livrei minhas mãos e cravei o canivete em seu pescoço, ele gritou e se jogou no chão, o sangue escorria por seu pescoço e ele me xingava, enquanto eu corria para a porta de entrada.
Fale com o autor