A Minha Vida Mudou novamente

24 Capítulo 8 : Preparação.


Notas iniciais
Boa leitura.

[...] Eu ainda não sabia por que eu tinha tanto ciúmes com relação a ele, eu me sentia carente, meu pai quase não tinha mais tempo para mim, mas também não era só isso, eu me sentia estranha... Como se antes e depois desse casamento, muitas coisas mudariam.

(Narrador observador)

Capítulo Oito: Preparação.

Afinal, o que chorar vai te trazer?

Nada além de soluços.

A grande mansão à margem da floresta agora parecia sem vida; os barulhos de dias atrás já não existiam, as coisas voltaram novamente ao seu curso. E seria sempre assim, era um ciclo, assim como a vida, pessoas iam e vinham; mudavam-se, sorriam, choravam, e depois novamente riam.

Ah, as pessoas, tão previsíveis, tão... Humanas, tão... Normais. Tantas pessoas que seguiam seu curso mudando-se de país, cidade, continente a cada novo instante, tantas que eram obrigadas a fazer isso, tantas que só de pensar em aviões já tremiam.

E era por isso que o aeroporto Sta. Merci encontrava-se cheio aquele sábado.

Os passageiros estavam ansiosos e um tanto estressados. O vôo 422 – com destino ao Canadá estava extremamente atrasado devido ao mal tempo.

As famílias Cullen e Swan já estavam acomodados em dois grandes sofás pretos lustrosos, uma família de frente para a outra. Carlisle e Esme – os responsáveis legais por eles, e pais – encontravam-se em pé, ao lado de cada sofá. Tinham os rostos tensos e enigmáticos e isso fez com que todos ficassem calados.

Isabella por sua vez, já sabia muito bem o que aconteceria a seguir, o pai contara a ela nesse mesmo dia, só que mais cedo. Sua expressão era a única serena, a não ser que estava inquieta para chegar logo ao lugar frio e confortador.

Canadá seria um bom lugar para se conhecer, além do clima frio e reconfortante a fazia lembrar muito de Forks, onde de nunca gostaria de ter saído.

O mais velho, por sua vez, começou em alto e bom som.

- Bem, parece que nosso vôo demorará, então teremos tempo de anunciar algumas coisas bem importantes.

- Exatamente, temos que ter uma conversa que está sendo adiada há muito tempo! – Esme falou gesticulando com as mãos.

Edward e Bella se olharam, ele parecia assustado, e ficou surpreso quando viu que a garota não tinha proferido nenhuma reação, isso não era normal dela. Ela já devia estar gritando, chorando, ou feito qualquer outra coisa.

Quando saíram hoje de manhã para virem ao aeroporto, não trocaram nenhuma palavra praticamente, só apenas bom dia, o que foi bem estranho para todos os outros da família.

Emmett até riu, dizendo o quanto eles pareciam ter sido abduzidos noite anterior, e Rose completou a piada alegando que fora a bebida.

Jacob acordou com dores pelo corpo todo sem saber onde se encontrava, e quando situou-se, acabou por cair no chão da sala batendo a cabeça já dolorida. E agora ele usava um boné e óculos de sol muito pretos, preferiu ficar quieto e deixar que as coisas rolassem com calma hoje, lembrou-se também das brigas com as duas Swan e ignorou o fato de Nessie ter passado por ele enquanto o mesmo subia ao seu quarto tomar um banho gelado.

Renesmee também estava muito quieta, nada disse pela manhã e já estava com seus óculos escuros em mãos. Já Alice, essa ficara a manhã todo sem dizer quase nada, o que era bem raro, e estava totalmente morrendo de sono, juntamente com Jasper.

Rebecca e Ricardo, os únicos sãos da casa estavam todos de abraçinhos prá lá e prá cá, Isabella nem mais sabia quantas vezes vira o pai revirar os olhos ao olhar para os dois.

- Nós vamos marcar o casamento – Esme falou alegremente a todos, mas só o que recebeu foram pequenos múrmuros cansados e nada entusiasmados de parabéns. – e vai ser pra agora, não demorará muito para acontecer. – continuou como se nada tivesse acontecido, mas Carlisle notou o quanto ela ficara magoada, esses adolescentes de hoje em dia!

Alguém bufou alto, e todos já previam que seria Bella, o que fez todos os olhares voltarem para ela.

- Dessa vez não fui eu! – ela jogou as mãos para o ar, em rendição. – foi o bobão aí, estou quieta hoje! – riu alto, enquanto apontava o dedo mindinho na direção de Edward – que bufou novamente;

- Cale a boca pirralha!

E o que Bella fez surpreendeu a todos.

- Ah, cale a boca você – falou gargalhando, sendo acompanhada por ele.

Ninguém sequer moveu-se, eles estavam estranhos.

- Porra, que estranhos os dois estão! – Jacob lançou um olhar a Swan, que ainda ria, secando as lágrimas que caiam de seus olhos.

Ela ria para não chorar, não chorar de tudo que estava acontecendo, era certo que Edward também sabia que ela só tentava esconder o quão triste encontrava-se. E por um momento, ele ficou tentado a descobrir mais sobre a vida dela, porque afinal, ele sabia bem pouco.

Edward POV;

Certo, era bem errado eu ficar aqui fazendo piadinhas com a garota que eu estava ficando, mas era tão hilário vê-la toda irritadinha que eu não me contive, apesar de que, além de deixá-la mais feliz, eu descontraí o ambiente.

Com certeza muitos da minha família ficaram chocados com a notícia escandalosa que Esme e Carlisle iam se casar, porque poxa, eles não podiam esperar mais um pouquinho não?

- e... – começou Carlisle – eu estava me esquecendo... As aulas de vocês começam daqui a dois meses, o tempo exato de irmos ao Canadá e voltarmos.

- Ótimo — Bella disse levantando-se – preciso ir ao Starbucks.

- Sozinha? – Rebecca perguntou de repente agitada.

- Sim, qual o problema?

— Não se irrite, mas você não acha que é meio perigoso ir sozinha? Sei lá!

- Rebecca, eu já não sou mais criança, por acaso tenho cara de bebê? – Emm riu alto, jogando a cabeça preta para traz.

- Na verdade... – falou ele – tem sim!- era só o que me faltava!

- Seu filho da pu... Mãe! – ela lançou um olhar afetivo a Esme. Minha mãe apenas sorriu amarelo não gostando nada dessa história.

- É Bella, Becca tem razão, não vá sozinha, leve alguém. – seu pai murmurou.

- Leve seu cachorro – brinquei também, ela fechou a cara, mas apenas por segundos, depois mostrou-me a língua rosada.

- É só levar o Jacob se for esse o caso.

- Vá tomar no seu... – Jacob parou, enquanto era a vez de Carlisle lançar um olhar maligno pra ele – orifício, Renesmee.

— Isso não me atinge, Black. – rebateu orgulhosa, jogando os cabelos grandes para trás.

- Certo! – A voz de minha mãe subiu uma oitava acima, — que droga, vocês nem parecem adultos. Parecem aquelas criançinhas do infantil que correm pra lá e prá cá gritando e fazendo piadinhas ruins!

- Uou, essa doeu mãe!

- É pra doer Alice. – parou olhando cada um de nós – Vamos, todos, acordem!

De repente a louca começou a bater palmas, sério, minha mãe precisava urgente do seu psicólogo, também, com todas essas pessoas pra dar conta, qualquer um ficaria louco.

— Carlisle, diga a sua mulher para parar com o escândalo! – fora a vez de Rebecca reclamar, e olha que ela sempre fora a mais educada dos Swan.

- Rebecca, cale você também a boca! – eita, não é que o velho “tava” todo, todo.

- Sério, eu preciso de um café – Bella reclamou – e pare de fazer escândalo – levantou-se com a expressão brava.

- Você não vai sozinha.

- Eu já disse que não sou mais criança pai! – bateu o pé igual uma criança birrenta, e depois ainda se dizia adulta!

- Se quiser eu posso ir.

E aqui, ao invés de me afogar em lágrimas, escrevo para me sentir melhor. É como um remédio sem gosto ruim, um desabafo entre palavras.

Ofereci-me, apesar dos olhares que recebi, eu estava feliz por ter me oferecido.

- Sério, eu posso levar a encrenqueira – falei num tom de pai protetor apontando para a delinqüente linda que me fazia bico e tinha seu dedo do meio levantado. – Afinal, eu tenho que pegar um café bem forte para mim também.

Todos ainda me fitavam como se eu estivesse louco. Sim a minha insanidade tinha nome e belos pares de olhos na cor mais linda que eu já vira.

- Você fumou? – Alice perguntou com uma cara estranha. – Sério, Edward, porque eu tenho certeza que isso é amor reprimido, um dia vocês tão se matando, e no outro até falam bom dia! BOM DIA!

Eu ri devagar olhando para o nada.

- Nada a ver, Allie – resmunguei não querendo assumir, claro que ficou aquele silêncio de “eu sei que é verdade.”

— Eu vou lá sozinha! – Bella reclamou pela milésima vez em pé.

- Ok, ok nervosinha – Carlisle falou – Vá com ela Edward e traga-me um cappuccino.

Eu quase ri, virei empregado agora é?

- Isso ai empregadinho, me trás uns cupcakes vai. – Ness pediu, pediu não, mandou.

- Certo – resmunguei.

Levantei-me seguindo Bella até o mais próximo Starbucks do local, ela entrou na fila ainda sem falar nada e eu resolvi não quebrar o clima, né?

- Não sou criança – a ouvi reclamar mais uma vez enquanto a fila quase nem tinha andado – Aff, como se eu não soubesse me cuidar.

Olhei para trás e tentei achar alguém conhecido, mas nada vi. Então virei-me para ela, que estava a minha frente e enlacei sua cintura puxando seu corpo para o meu.

— Pare de reclamar, estamos sozinhos – sorri aproximando minha boca de sua orelha. Senti os pêlos de sua nuca arrepiar e eu sorri com aquilo.

- Alguém poderá nos ver, Edward – resmungou ainda manhosa.

- Pare de ser tão chata e careta! Eu não ligo e se alguém nos visse assim, seria até melhor.

- Alice já desconfia – ela sussurrou virando de frente para mim. Éramos praticamente os últimos, deviam ter umas dez pessoas na nossa frente ainda, daria para aproveitar um pouquinho.

Sorri aproximando meus lábios do dela, Bella fechou os olhos esperando por mim, que fui – como um bobo apaixonado – e juntei nossos lábios delicadamente.

O beijo foi calmo e apaixonado, eu tinha minhas mãos em suas costas e as mãos dela passavam livremente peles meus cabelos. Sua língua procurou ávida pela minha, e assim que elas se chocaram começamos uma dança calma, ao sentir o ar apertar, eu mordisquei seu lábio inferior e depois lhe dei um selinho molhado. Ela sorriu abertamente para mim, o sorriso mais lindo do dia.

Bella encostou sua cabeça em meu peito e eu a abracei ainda mais.

- O que você acha do casamento? – perguntei quando andamos um pouco.

- Você já sabe o que eu penso – murmurou me encarando – E aliás eu notei quando você bufou lá na sala, e como sempre todo mundo pensou que fui eu.

- Sabe como é! Sou perfeito demais pra fazer coisas erradas, ninguém desconfia! – pisquei e recebi um tapa ardido em meu braço esquerdo.

- Pouco convencido, né garanhão?

- Sempre docinho – falei enquanto beijava seu cabelo.

- Mas, digo – andamos um pouco – sei lá, sobre ser tão cedo. – gesticulei com as mãos.

- Acho que tem alguém com ciúmes da mamãe! – Bella brincou novamente, deixando o clima mais alegre.

- é... — resmunguei – talvez!

- Olá – uma voz surgiu até nós de repente – em que posso ajudá-los? – deixei meus olhos caírem para uma simpática mulher com seus trinta e poucos anos, pele morena e cabelos pretos presos em um coque atrás do balcão. Olhei em seu crachá e percebi que seu nome era Zafrina.

- Oi – falei – vamos querer três cappuccinos e cinco cupcakes.

- Só um momento. – ela pediu enquanto sorria para Bella.

- Eu acho que vai ser um saco toda a arrumação, sabe como Alice é com essas coisas.

- Eu bem sei – passei a mão pelo cabelo, mas logo peguei a mão dela e enlacei nossos dedos.

- E claro que terá toda aquela decoração e blá, blá. – ela resmungou e nós ouvimos Zafrina rir baixinho – Vestidos, bolo. E vários presentes!

- É, será o casamento do século – falei meio desanimado.

- Ei, garoto – Zafrina disse de repente – era pra estar feliz!

- o que? – perguntei sem entender puxando Bella para mais perto – como assim?

- O casamento, me desculpe não pude deixar de ouvir. Mas você deveria ficar contente em casar-se com essa adorável mulher. – ela apontou para minha Bella, que já estava vermelha.

- Oh – sorri – é claro que estou contentíssimo em casar-me com ela! O problema é toda a confusão que minha irmã irá fazer, vai tentar planejar a festa do ano! – menti, entrando na merda da brincadeira que eu sabia que não chegaria a lugar algum.

Ela riu e minha pequena a acompanhou.

- É, mas no fundo ele não está nem um pouco a fim de deixar a vida de solteiro – falou colocando a pequena mão em meu rosto, também entrando no meu joguinho de “nós vamos nos casar e seremos felizes para sempre.”

Lanchei-lhe um olhar mortal, como assim?

— estou tremendamente feliz em fazer-te minha por completo! Você sabe que quero mostrar ao mundo o quanto te amo. – a minha explicação foi com um tom bravo.

- Uou! – Zafrina exclamou com a mão no peito – Que declaração!

Bella ofegou, e por um momento pensei que ela cairia morta no chão.

- Obrigada Zafri. – agradeci enquanto pagava tudo e saia carregando uma Bella toda branca. Ela acenou para a atendente que sorria abertamente ainda olhando para nós.

- Espera, espera – pediu por fim parando do nada.

- O que foi? – sussurrei passando a mão pelo rosto dela.

- Você... você disse... disse que me... ama?

É verdade que os relacionamentos são muito mais complicados do que as regras, mas as regras nunca vão lhe dar as repostas para as questões profundas do coração. E nunca irão amar você. (a cabana)

Tremi, eu tinha falado demais! Chutei-me por dentro, eu era capaz de me enfiar num buraco por tanta vergonha, senti minhas bochechas queimarem e virei o rosto.

Meu coração deu um salto e minha boca secou, era a primeira vez que eu me deparava com uma verdade tão grande. Eu a amava, e queria que ela fosse minha, somente e inteiramente minha.

O que eu falaria? Oh droga! Eu e minha boca de caçapa.

Tudo bem, — pensei comigo – falar ou não a verdade? A verdade implicaria com tantas coisas, a verdade traria mais e mais sentimentos abordo e meu navio já estava cheio demais, se é que me entendem.

- Passageiros do vôo 422/ Canadá, compareçam ao portão de embarque. – a voz irritante chamou de um alto falante. E... salvo pela MILAGROSA VOZ!

- Vamos, se não perderemos o vôo. – puxei a pequena pela mão, que tentava em vão, soltar-se. Ela resmungou algo e fechou a cara, eu a ignorei, enquanto andava por entre os passageiros apressados, aqueles que tinham tanta pressa em chegar a um determinado ponto, que talvez, não enxergassem mais as coisas bonitas da vida.

Continuei seguindo por entre as pessoas até entrar no grande saguão, então, algo me fez parar.

Eu não podia fazer nada, não agora, com os olhares de nossa família lançados para nossas mãos entrelaçadas.

- Oh merda! – Bella disse ao bater com tudo seu testa em meu ombro. – Seu idiota! – resmungou com a mão no local, ela ainda não tinha percebido a presença da nossa família, e não tinha se dado conta de que nossas mãos ainda estavam ligadas. – Oh Shit!

- Belo casal – Renesmee anunciou tirando todos do transe, ela bateu palmas – sarcasticamente — como Alice, e me perguntei o porquê de minha irmã ter começado com essa coisa de palmas e blá, blá; — Agora, cadê meus cupcakes? – estendeu a pequena mão a nós.

Devagar, tirei meus dedos dos de Bella, que pareceu finalmente ter entendido tudo e estendi a sacola com os três bolinhos, a doida o pegou, abrindo com tudo a sacola e olhando o que tinha dentro.

- Bom mesmo terem trazido tudo;

- Última chamada para o vôo 422 com destino ao Canadá. – e depois de ouvirmos o alto falante, saímos correndo em direção ao check-up.

Bella POV.

Já estávamos todos acomodados no grande avião, minha família era tão grande, que eu pensei que teríamos uma ala só nossa. Mas enganei-me, nós só tínhamos ocupado 80% da classe alta;

E agora eu estava aqui, sentada com um Ricardo um tanto... Zonzo e enjoado. Na verdade eu nem sabia o porquê de ter ficado com ele, afinal, havia tantos outros com quem eu pudesse me sentar. Mas Carlisle insistiu que era tudo para nossa “segurança” e que Becca e Ricardo estavam passando dos limites.

Não protestei, porque eu já tinha tido aquela merecida cena na frente de todo mundo, minha mão na de Edward e a família toda olhando,tudo bem que assim que a última chamada para o vôo foi anunciado, todos esqueceram o incidente, mas eu sabia que esse assunto viria à tona assim que pousássemos. Certo, porra, eu já disse que não quero contar ainda que eu e Edward estamos nos pegando? Além de que, não temos nada sólido.

Mas... Que merda foi aquela no Starbucks? E porque ele dissera tudo aquilo? Ele estava realmente entrando no personagem? Ou só estava brincando? Ou só... Ok. Eu parei de tentar entender aquele orelhudo!

O vôo já tinha começado há alguns minutos, e Rebecca e Edward encontravam-se na nossa frente. Ricardo e ela pareciam querer o tempo todo estar juntos, falando por entre o buraco que tinha no meio dos dois bancos, e toda hora tentavam agarrar a mão um do outro.

- Certo, vocês podem parar agora – Pedi novamente, era a décima vez, ou mais, que Becca passava a mão para trás para tentar encostar em Ricardo, estaria tudo bem, a não ser que a mão dela pegava meu joelho e como eu estava desprevenida e as cosquinhas eram uma coisa de louco naquela região, eu acaba gritando. Duas comissárias já tinham vindo até nós perguntar se estava tudo bem.

— Ah, Bells – Ricardo reclamou, pela primeira vez. – deixa a Becca sentar aqui? – sussurrou.

Eu virei-me para fitar o garoto do meu lado. Seus olhos azuis e cabelos arrepiados louros e pele branca faziam com que o moleque tivesse um certo charme, e quando ele sorriu, eu vi uma covinha em cada lado de sua bochecha que me lembrou imediatamente Emmett.

- Mais meu pai vai reclamar! – resmunguei olhando por sobre o ombro. Carlisle e Esme tinham ficado numa parte reservada, lá pelos fundos, Deus sabe o quão caro deve ter saído.

- Ele nem vai ver Bells – Becca intrometeu-se na conversa.

- É – Edward sorriu, também fazendo parte.

- Não chamei nenhum dos dois na conversa, e nem sei por que está tão feliz, Cullen. Estou por aqui – coloquei a mão na testa – com você.

— Ah, — seu sorriso murchou – desculpe, mas eu não poderia responder àquela hora – revirei os olhos, o imbecil além de lerdo falava as coisas sem pensar. – mas agora podemos conversar.

- Não – fui firme e fiz careta olhando para o lado, onde Alice nos encarava, desviei os olhos e percebi que Edward e Becca estavam empoleirados na poltrona, fitando a mim e Ricardo.

- Certo, certo, certo – uma nova comissária chegou – Os senhores tem que ficar certinho na poltrona. – a desgraça da mulher olhou para Edward descaradamente! E saiu, não antes de piscar.

- MAIS QUE POUCA VERGONHA – gritei, dando um tapa na testa de Edward. – Eu vi você olhando! – resmunguei. À merda que eu ia deixar meu “paquera” olhando pra outra doida por ai.

- Qual o problema? – Becca perguntou olhando. Edward sorriu para mim, seus olhos ficaram um pouquinho mais escuros.

- É Bella. Qual o problema? – o idiota perguntou.

- Vamos logo Rebecca, troque de lugar comigo! – ordenei enquanto me levantava rapidamente e ignorava a pergunta imbecil dos dois. Ela pareceu esquecer, enquanto passava por mim e afundava-se no meu antigo assento.

- Agora somos só eu e você. – Edward sussurrou em meu ouvido quando eu já estava devidamente sentada. Oh God!

Eu irei seguir em frente, respirar fundo, recomeçar, porque não adianta ficar teimando em uma coisa que eu sei que não irá dar certo.

— Seu pervertido! – eu disse perto da boca dele, mas a dura realidade me acordou quando nossos lábios iam se tocar, uma pequena mão puxou delicadamente – uma ova, porque foi forte- meu cabelo. – Seu filho da PU... — gritei e antes que eu pudesse terminar a frase educativa, percebi quem era.

— Oi, Alice – corei forte e Edward riu. Riu não, o desgraçado gargalhou; Dei um tapa forte em seu braço, e ele resmungou alisando o local.

- Qual é, Bella!

— Edward não reclame, você mereceu.

- Obrigada, Alice. Até que enfim alguém concorda comigo! – ela riu, enquanto sentava-se no meio de nós dois. E não é que a doida coube lá?

- Eu já sei o que está acontecendo. – Anunciou em bom som. Fiquei até pensando que talvez ela estivesse brincando, mas não. Ela estava séria.

- Sabe do que Alice? – perguntei.

- Que vocês dois estão juntos. – cruzou os braços sobre o peito.

- Nós... não, Allie, eu e o pangaré aqui? Não, nunca. Afin- — ele me cortou.

- Sim, Alice.

- Sim? – perguntamos juntas, Allie quicou em seu lugar e eu senti meu rosto ficar branco.

- Sim, eu e Bella estávamos namorando, não há porque esconder de você, Allie. – ele sussurrou pegando na pequena mão dela.

- Ah, Edd, Bells! – jogou os braços ao meu redor e me apertou, senti suas lágrimas caindo em mim.

- Por que está chorando? – minha voz saiu fina e arrastada, eu estava em choque e preferi não olhar para Ele.

— Por que... Porque todo mundo tá junto! — revirei os olhos e sequei uma lágrima dela.

- Mas é segredo, por enquanto. – resmunguei sentindo os olhos de Edward perfurando minha pele.

— Não por muito tempo – Ele rebateu do outro lado.

- Pelo tempo que eu quiser! – virei-me para ele e vi que Edward encontrava-se vermelho. De raiva.

- Merda, porque Isabella? – perguntou, Alice tentou desesperadamente sair dali, mas eu a segurei.

- Porque eu não quero, Cullen!

— Oh, não, não briguem! – ela pediu um tanto nervosa.

- Shiiu! – eu e ele fizemos juntos.

Ele fazia a cagada e agora eu era errada? Ninguém mandou contar para Alice! – foi então que eu senti que já estávamos sozinhos, a irmã dele conseguiu escapar assim que virei à cabeça na direção da janela.

- Vamos parar com essa palhaçada! – virei meus olhos imediatamente para ele, quando anunciou tempos depois que Alice se fora – Ou contamos, ou acabamos tudo aqui e agora. – What?

Não desanime por causa dos problemas que você está enfrentando hoje. Saiba que o mundo dá voltas e, com certeza, chegará o dia em que as coisas vão melhorar. Você só precisa ser forte até que este dia chegue.

- O-o q-que? – perguntei com a voz rouca e com a bile subindo em minha garganta, meus olhos encheram-se de lágrimas e eu as impeli de sair. Eu não podia chorar, não agora.

- Foi o que você ouviu, Isabella! –calmo demais para meu gosto, ele anunciou, voltando seu olhar para mim.

Como assim ele queria acabar com tudo, sendo que nem tínhamos assumido esse... Relacionamento? Sinceramente eu não entendia Edward Cullen, com toda aquela sua beleza ele bem que podia ser mais... Adulto.

- Pare de criancices, Edward. – com desgosto eu me pronunciei. Merda eu tinha que por ordem na bagaça!

- Eu não estou brincando, Swan – é isso que dá se envolver com alguém que você mal conhece, e ainda por cima filho da sua madrasta. Eu, como sempre fui burra, caio nas piores armadilhas.

- Certo, então... O que você quer que eu faça? Alice já sabe, não é? – agora eu estava ficando com raiva. Com muita raiva.

- Só Alice não basta. – ele não me olhou novamente, como eu pensei que faria.

Eu só queria que ele me puxasse para seu peito, me dissesse que estaria tudo bem que nós ficássemos assim por mais tempo. Mas tudo o que eu consegui foi um suspiro de indignação vindo dele.

Ou eu o perdia, ou contava a verdade. E eu decidi a coisa mais insana do mundo.

- Assim que cegarmos no Canadá, eu conto.

- tanto faz. – ele resmungou e por um momento eu vi um pequeno sorriso brotando em seus lábios vermelhos.

- Para Edward – pedi, colocando uma mão em seu joelho, ele me olhou e seus olhos estavam mais iluminados.

- Eu... eu... adoro você. – sussurrou colocando a mão em cima da minha. E mesmo que ele não tenha dito um eu te amo, aquilo significava muito para mim.

- eu também, Edward. Eu também.

(...) Foi uma euforia total quando anunciaram que nosso destino estava chegando. Eu já podia sentir o clima mais frio e com isso enrosquei-me ainda mais em Edward, que fazia um carinho gostoso em meus cabelos. O fato é que adormeci durante quase todas as horas do vôo. E eu estive pensando mesmo, que era melhor contar que eu e Edward estávamos tenho algo... mais... sério. Sei lá, é estranho pensar que todos saberiam que eu e ele nos... pegávamos.

Mas, eu ainda não sabia como seria a reação de Carlisle, porque a última vez, quando contei que estava namorando Rodrigo – que até foi muito impensado da minha parte – fez com que ele ficasse uma jararaca e agora imagina, Edward e eu... Juntos... e na mesma casa!

Nunca meu pai aceitaria alguma coisa parecida. Mas ele até que aceitou Rebecca com Ricardo... Pensando bem... acho que é porque são mais jovens, e ainda pensam no futuro com mais... cabeça; Sei lá. Carlisle é louco, assim como eu.

- Está pensativa, Bella – Jazz disse colocando uma mão em meu ombro, nós estávamos à espera de nossa bagagem perto de uma esteira rolante.

- Não, eu... só estou cansada. – murmurei suspirando, Jazz era bom com essas coisas, era um cara super observador. E deve ter percebido também quando a mão de Edward pousou delicadamente em minhas costas.

- Não fique amargurada – ele sussurrou perto demais – vai ficar tudo bem.

- Meu pai vai pirar, Edward... – eu murmurei, virando meu rosto em direção a ele.

— Eu sei, eu sei, amor – ele balançou a cabeça – mas nós daremos um jeito.

Eu assenti, já sentido meus olhos umedecerem, Edward percebeu, pois limpou uma lágrima fujona.

- Sem medo, é pior assim.

E a única coisa que eu não sabia naquele momento, era que eu estava sacrificando tantas coisas – inclusive minha família – por uma coisa que eu não tinha certeza que valeria tanto a pena. Eu só não queria me arrepender num futuro muito próximo.

"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas." (Caio Fernando Abreu)

JAKE POV.

Nós já havíamos pousado no Canadá e eu tive que passar a merda inteira da viagem com a pirralha da Nessie, que insistia em ficar batendo a merda do pé dela no assento da frente, onde sentava um cara muito musculoso, até mais do que eu.

Ele virou-se algumas vezes para trás com uma carranca e tudo o que a pirralha fazia era sorrir de volta como se nada tivesse acontecido. Claro que eu fiquei puto da vida.

E eu tentei ignorar quando a cabeça dela pendeu para o lado, enquanto dormia e pousava em meu pescoço, sua respiração batendo ali tão lentamente, que eu era capaz de ficar horas sentindo sua respiração.

E então eu parei, percebendo a bobagem que eu tinha pensado. Afinal, ela era só uma garotinha mimada, que se tornara parte dos Swan. Eu tinha plena certeza de que quando voltássemos à Forks, nós nos veríamos regularmente.

Eu não sabia da onde vinha toda essa implicância sobre ela, simplesmente ela me irritava quando me olhava sobre os cílios pretos e os olhos claros.

Ou quando suas mãos se fechavam em punho quando discutíamos. E todo o resto.

Eu era um louco, psicopata, que por ironia do destino amava mulheres loucas e irritadas.

O que? Amava? Jacob Black não ama ninguém. Sim, eu tentava a todo o momento me convencer disso, e eu tinha apenas uma certeza:

Que, se por um momento eu me envolvesse com ela,nunca mais teria volta.

Bella POV.

Todos nós já estávamos no estacionamento, segundo as respectivas bagagens. O frio estava começando a apertar e para ajudar nossos carros não estavam ali.

Carlisle, o anfitrião estava falando ao telefone nos berros, e o restante estava em uma rodinha apertadinha para nos esquentarmos. Edward, como sempre ao meu lado, passou o braço em volta de meus ombros e eu pude ver quando Alice abriu um largo sorriso.

- Fiquem calmos! – meu pai pediu assim que entrou na rodinha também. – Os carros estão a caminho, é que houve um acidente aqui perto e teve um engarrafamento e etc...

- Entendemos, amor – Esme murmurou passando a mão sobre a bochecha rosada de Carlisle, eu quase vomitei ali mesmo, mas tudo o que consegui fazer foi revirar meus olhos.

- Nós vamos morrer aqui, de frio, fome, passando as noites em claro – e se você disse que foi Emmett quem disse isso, acertou.

- Pare de ser tão dramático – eu disse fazendo careta para ele.

- Oh, Bella, pare de ser tão má! – gruniu Emm. Cheguei perto dele e apertei sua bochecha bem forte.

- Garota! – gritou quando eu me afastei, e foi quando ele começou a correr atrás de mim, pronto para apertar minhas bochechas assim como fiz com ele.

Nós dois corríamos enquanto gargalhávamos alto em meio ao frio, nossa família toda olhava e também ria conosco. Após minutos correndo eu parei, colocando a mão em meus joelhos. Emm também tinha parado e me olhava como se tivesse se rendido.

- Chega, — eu anunciei e viu o sorriso dele crescer.

Mas então tudo mudou, e as últimas coisas que eu vi, foram: Emmett correndo em minha direção, Edward e Carlisle gritando e depois a escuridão.

(...)

O cheiro forte de álcool adentrou minhas narinas me despertando, e por um momento eu me perguntei onde estávamos, tentei lembrar o que tinha acontecido, mas eu tinha aquela chata sensação de que perdi alguma coisa.

- Ela está acordando – ouvi ao longe. Novamente o cheiro forte de hospital me deu náuseas, essa já não era a primeira vez que eu vinha parar num desses.

- Querida? – alguém perguntou por perto tocando em minha testa – querida você está bem?

- Mãe? – perguntei manhosa, ela sempre passava a mão em minha testa para eu acordar – Mãe, está cedo, ainda não tem escola.

- Sou eu, Esme – sussurrou tocando minha bochecha. Foi quando me toquei que era a bruxa da Esme e não minha mãe, me afastei, abrindo os olhos para a luz amarela fraquinha que tinha acima de minha cabeça. Ela por sua vez, recolheu a mão, como se eu a tivesse eletrocutado.

Uma fisgada abaixo a minha cabeça chamou minha atenção. Doía forte e eu pude sentir um líquido molhando minha blusa de frio. Sangue, deduzi.

- Onde estamos? – perguntei colocando a mão um pouco acima da nuca, onde tinha um galo feio e alto, eu gemi, quando apertei o local e senti o sangue escorrer um pouco mais.

- No carro, indo até nossa nova casa. – Rebecca disse segurando minha mão e apertando.

- E o que aconteceu? – sussurrei com a garganta rouca.

- Emmett se jogou em cima de você e você bateu com a cabeça no chão. – Carlisle já está cuidando disso – apontou Edward para minha cabeça – e você provavelmente terá que levar pontos. – eu estremeci com o pensamento.

- Desculpa, Bells – pediu o grandão enquanto eu desviava o olhar de um Edward um tanto... Preocupado e vermelho de raiva. – Edward e todo mundo já deu um jeito em mim, prometo parar de brincar assim com você.

Abri um largo sorriso para ele.

- Não se preocupe, grandão. Não foi nada. Eu sempre caio sozinha mesmo, e não foi culpa sua. – Emmett sorriu feito criança, levantando o braço gigante para bater sua palma da mão na minha.

- Espero que tenha sido cuidadoso dessa vez, Emm – ouvimos Carlisle entrando no carro, ainda parado. Todos riram, menos eu, que senti minhas bochechas corarem. – Como está se sentindo? – perguntou me dando um analgésico e um copo de água. Depois foi atrás de mim, para verificar minha cabeça, onde ele apertou o local e eu gruni de dor.

— Estou bem – insisti enquanto eu sentia que ele preparava uma agulha.

- Você terá que levar pontos, então agüente firme essas agulhadinhas, não vai doer. – olhei para Edward, a minha frente e ele estendeu a mão branca para que eu pegasse. De bom grado, aceitei, seu polegar fez círculos gostosinhos em minha pele fazendo com que eu me acalmasse.

Ele era um homem maravilhoso, gentil e ainda por cima educado. Edward era tudo o que uma mulher podia sonhar e eu aqui, desperdiçando meu tempo, só por conta de minha família. Afinal, ele era Edward Cullen e podia me dispensar a qualquer momento.

Eu que não podia desperdiçar nenhum momento ao lado dele, porque quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar, quando isso se chega ao fim.

‘’Pare de se lamentar ou tentar entender o que significa amor, não importa o que as pessoas digam, eu sempre estarei ao seu lado’’.

(V. V.)

Eu sabia que aquele momento seria perfeito para contar a toda minha família que nós estávamos juntos, mas eu não o fiz. E Edward, por sua vez, não insistiu.

Eu só esperava que tudo continuasse dando certo, e mais cedo ou mais tarde eu me sentiria pronta. Para tudo.

- e... Prontinho! – Carlisle disse amarrando o último ponto, delicadamente ele beijou minha testa sorrindo – Está tudo bem? – perguntou, e aquele fora a décima vez.

- Pai, você perguntou isso umas mil vezes. – reclamei sorrindo.

- Oh, querida, como você exagera.

Nós nos fitamos por um longo momento, meu pai entendeu imediatamente que eu queria lhe dizer alguma coisa, mas nada falou, esperando que eu me pronunciasse.

- Pai... – comecei, percebendo que todos nos olhavam, inclusive Edward, que ainda tinha a mão sobre a minha e massageava-a. – Eu quero contar-lhes uma coisa.

É claro que todos agora prestavam atenção em tudo e eu não podia deixar de notar que Edward e eu tínhamos uma ligação, tudo bem que foram poucos beijos, mas eu sentia que não podíamos mais esconder.

- Edward e eu... nós – ouvi um risinho de Alice, e olhei para ela, que sorria feito criança em dia de natal. – estamos juntos – Edward apertou meus dedos, dando-me conforto.

Mas então, toda aquela áurea colorida de família unida se dissipou, vi alguns em choque, outros em sorrisos, e por fim um Jake bem carrancudo, que saiu do carro sem nada dizer.

- Por favor, até você, Isabella! Digam-me que é mentira. – pediu visivelmente nervoso.

Fiz que não com a cabeça, seguida por Edward, que levou minhas mãos ao seus lábios e beijou-me.

- Carlisle, eu e Bella estamos nos conhecendo melhor, e queríamos que vocês soubessem.

- Edward! – Esme disse – Você não pode!

- Por que não, mãe? Não tenho compromisso algum com ninguém e Bella é maravilhosa.

- Edward... é... complicado. – tentou se explicar mais não conseguiu. Eu sabia por que ela estava tão preocupada e estranha. Ela me odiava, nunca queria que Carlisle tivesse um pacote inteiro que incluía filhos, filhos problemáticos.

— Não, eu não quero isso! – Carlisle em fim se pronunciou, dizendo aquilo que todos nós sabíamos que ele falaria.

- Eu não me importo com o que você quer Carlisle. – falei, revirando meus olhos e senti que a dor em minha cabeça voltava.

- Isabella, não comece com seus momentos revoltados! – ordenou, apontando o maldito dedo para mim.

- Não estou me revoltando – deixei minha cabeça no pescoço de Edward, que sorriu, passando os dedos finos em meus cabelos – estou apenas comunicando isso.

- Não vou aceitar! Não em minha casa! – gritou, agora revoltado.

- Qual é, Carlisle! – todos que estão aqui namoram! Tirando Nessie e Jake! Mas o resto... – apontei para todos os casais, inclusive minha irmã mais nova – NAMORAM! Qual o problema? Não sou o suficiente para seu filhinho, Esme, querida? – com sarcasmo perguntei, me dirigindo a ela, e botando-a no meio da conversa.

- Talvez, Isabella, você não seja tão normal assim, a ponto de dividir uma vida com alguém. Provavelmente vai acontecer como aconteceu com Rodrigo.

Gruni, tentando me levantar, mas fui impedida por Edward, que me segurou pelos ombros.

- Chega, mãe! Você não tem o direito de dizer com quem eu devo ou não ficar.

— Eu tenho porque sou sua MÃE! – Esme gritou, já passando dos limites.

- CHEGA! – eu pedi, antes de mais uma fisgada, a dor me levar para a escuridão.

Merda, eu sempre apagava nas melhores horas.

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

(Clarice Lispector)

Ao ser acordada novamente com o cheiro forte de álcool e perceber que todos ainda me encaravam eu lutei contra as lágrimas. Primeiro por ver meu pai com o rosto vermelho de raiva provavelmente odiando tudo isso, depois, por Esme, a qual tinha a cara de poucos amigos à minha frente, terceiro por Jake, que ainda não tinha voltado ao carro e a chuva já começava a cair mais forte e quarto, pelo olhar que Edward me lançava, desacreditando em tudo e quase, eu digo quase desistindo mesmo.

Eu daria tudo só para trancar-me sozinha e pensar na besteira que fiz aquilo só faria que meu pai ficasse cada vez mais furioso comigo.

- Isabella, nós conversamos em casa, certo? – ele suspirou – conversaremos civilizadamente.

- Como se isso fosse possível, Carlisle. – resmunguei.

- Eu não vou mais discutir com você hoje, só amanha, quando os ânimos estiverem melhores e vocês dois sóbrios.

Bufei de novo, percebendo que essa era a dura realidade, mas eu sabia que meu pai não cederia tão cedo, ou que nos deixaria em paz tão cedo.

Ele já não ligava mais para nada, nada que envolvesse a mim. E eu? Ah, eu já nem acreditava que aquilo pudesse mudar.

Sabe quando você precisa de um tempo? Um tempo para esquecer tudo e não ter nenhum pensamento? Um tempo para depois pensar em todas as cagadas que você fez? Ou pensar que você poderia ter ido melhor?

Um tempo para visitar pessoas antigas e ver filmes para se emocionar? Um tempo para ter chances e conquistar algo.

Um tempo para dar um tempo de toda essa confusão e emoções; então você pensa:

Adolescentes só pensam as mesmas coisas, estão sempre cansados de tudo.

Mas eu tenho certeza, que se você estivesse no meu lugar, você não agüentaria.

Forte, sim, isso eu era. E isso eu tinha orgulho de encher a boca para falar que eu era.

Forte. Palavra que sempre fora usada por minha mãe.

Falando nela, eu daria tudo para estar e Forks agora, meu lar e eu pudesse ir visitar o túmulo dela, deixar flores e cuidar da pequena lápide onde continha uma foto sua.

Carlisle ainda falava, mas eu já nem escutava, deixaria que ele falasse até cansar.

Senti que Edward havia chegado mais perto, o carro tinha bastante espaço e a parte de trás do porta-malas estava aberta, possibilitando o nosso movimento dentro do carro.

- Vai ficar tudo bem – seu toque gélido em minha mão quase fez com que minhas lágrimas derramassem, porém, fui forte.

- Não tenha tanta certeza. – murmurei afastando em seguida minha mão de seus dedos quando percebi que Carlisle olhava tudo com indignação.

Notas finais
Se ficou alguma coisa confusa, estranha, tem erros de ortografia, é só me avisar, que eu reviso. Beijos, e beijos.