Capítulo 13

POV Demi Gilbert

-Elena, eu não estou nada a perceber isto – falei, apontando com o lápis para o livro de Matemática que Elena espreitava ocasionalmente enquanto fazia os trabalhos que os professores mandaram.

Ela suspirou. Elena era mil vezes mais inteligente do que eu, e percebia a matéria perfeitamente, mas eu nem por isso. Quero dizer, eu era boa aluna, mas noutros tempos tinha tido um explicador fantástico, o meu irmão Kellan. Sim, porque ele sempre seria o meu irmão.

Elena lá me explicou mais uma vez a matéria e eu acenei com a cabeça, percebendo agora a fórmula cheia de x e y que não entendia. Fiz os trabalhos de casa, assim como Elena fez os dela.

-Olá, meninas – disse a voz mais sexy deste planeta. Levantei os olhos dos exercícios de Geometria.

-O que queres? – perguntou Elena.

-Então é aqui que vocês passam as vossas vidas enquanto não estão preocupadas em salvar o mundo dos malvados.

Semicerrei os olhos. Onde ele queria chegar com aquilo? Ele estava irritado com Elena, Elena irritada com Damon. Isto não ia dar bom resultado, por isso decidi intervir.

-O que estás aqui a fazer?

O seu olhar amansou e sorriu para mim. Uma rapariga que trabalhava no Grill apareceu vinda do nada com uma encomenda.

-Perfeito! Obrigado! – exclamou ele.

-O que é isso? – perguntou Elena e eu suspendi a respiração.

-Tarte de fruta para o barbecue da Jenna.

-O quê? Damon, tu não vais.

-Oh, vou sim. Sou o convidado de honra, assim como Mason.

-Não me contaste que o Mason ia – disse e senti o sangue a fugir-me da cara.

-Não é noite de lua cheia, não te preocupes – falou ele, pegando na minha mão. – Para além disso, ele não vai sobreviver para ver outro dia.

-Nem pensar, Damon. Jenna não é propriamente tua fã e não vais fazer um escândalo para matar o Mason.

Damon revirou os olhos e virou-se para mim.

-Vens comigo ou com a tua meia irmã nada divertida?

Respirei fundo, tentando não me passar com aquela discussão infantil.

-Contigo.

Elena bufou e eu olhei para ela:

-Vá, diz tudo o que tens a dizer.

Negou com a cabeça, pegou nas coisas dela e foi-se embora. Coloquei a minha cabeça entre as minhas mãos. Às vezes aquilo era insuportável. Eu e Elena podíamo-nos dar bem, mas assim que Damon chegava, ficava tudo estragado.

-Isto passa-lhe – disse Damon, tentando alegrar-me.

-Espero que sim, porque não a quero perder.

-Laços de sangue são inquebráveis – falou ele e eu olhei-o séria. Ele estava a referir-se a mim e a Elena ou a ele e Stefan?

-Olá outra vez.

Virei-me de repente e fui apanhada por um par de olhos azuis. Não eram os olhos de Damon, eram um azul mais escuro, mas lindos na mesma. Então reconheci: eu já o tinha conhecido, no funeral do Mayor Lockwood. Ele era o irmão de Riley.

-Olá – cumprimentei educadamente. – Tudo bem?

-Sim, tudo.

-O Riley, está bem?

Eu sabia a consequência daquela pergunta, mas fi-la à mesma. E afinal, eu tinha razão: eles tinham mesmo um atrito, porque o sorriso convencido dele desapareceu logo.

-Acho que sim. Foi bom ver-te.

-Ah, espera, tenho um pessoa para te apresentar – falei, esclarecendo logo as coisas. Apontei para Damon: — Damon Salvatore, o meu namorado.

Apertaram as mãos e trocaram palavras educadas. Depois, ele foi-se embora.

-O irmão do Riley está cá? – perguntou Damon, chocado.

-Sim. Porquê?

-Nada – disse ele, mas eu sabia que havia ali qualquer coisa. – Vamos andando?

-Sim, vamos.

Fomos no carro dele até casa da Jenna. Alaric abriu-nos a porta.

-Pronto para o plano? – perguntou Damon baixinho.

-Que plano? – perguntei.

-Provar que Mason é um lobisomem. Deixamos tudo em pratos limpos – respondeu Damon.

-E qual é a minha parte neste plano diabólico?

-Nenhuma – respondeu Alaric olhando para a cozinha. Resolvi ignorá-lo.

-Acho que vou apelar-lhe ao coração.

-Não... – disse Damon, mas eu já estava na direção da cozinha.

-Jenna! – exclamei e abracei-a. – Há quanto tempo!

-Até parece! – disse ela, sorrindo amigavelmente para mim. – Convidei a tua tia, espero que não te importes.

-De maneira nenhuma.

-E tenho uma pessoa para te apresentar – falou ela e virou-me para Mason. – Demi, este é o Mason, irmão do Mayor Lockwood e meu amigo.

-Olá Mason. Sou sobrinha da Melinda, melhor amiga da Jenna.

Ele empalideceu.

-A sério? – perguntou ele, tentando disfarçar.

-Sim.

-Cheguei e trouxe esta maravilhosa tarte – falou Damon aparecendo e entregando a tarte a Jenna. – Espero que esteja ótima.

-Oh, coisas caras! Já gosto de ti! – exclamou Alaric, vindo da porta do jardim e sorrindo para Mason.

-Só estou feliz por ter sido convidado – respondeu ele, ainda tentando disfarçar.

-Agradece ao Rick. Este barbecue foi ideia dele – falou Jenna.

-A sério?

-É, pensei que fosse engraçado conhecer alguns dos amigos do secundário da Jenna. Aprofundar os podres.

-Tenho um passado bastante sujo – falou Mason enchendo os copos para os shots. – Bebes, Demi?

Tocaram à campainha.

-Claro que não! – exclamou Damon, afastando-me de Mason. – A campainha está a tocar, talvez seja a tua tia.

Semicerrei os olhos.

-É verdade, a campainha está a tocar, mas vou ter com a Elena – disse e virei-lhes as costas.

-Meu, tens ali uma miúda com um caráter bastante aprofundado – falou Mason quando pensou que eu já não os ouvia.

-É por isso que ela é minha namorada – ainda ouvi Damon dizer.

Resolvi ir abrir a porta.

-Caroline! – exclamei e atirei-me ao pescoço dela. – Não sabia que vinhas! O Matt também vem?

-Não – disse ela afetada. – Tive que acabar com ele por causa daquilo que sou agora.

-Oh, compreendo perfeitamente. Mas não te preocupes, isso vai passar. Daqui a uns tempos vais controlar-te tão bem como o Damon.

Ela sorriu fraco.

-Até me posso aprender a controlar, mas a necessidade estará sempre lá.

Tocaram outra vez á campainha e eu abri a porta. Choquei.

-Olá – disse Melinda.

-Olá.

-Jenna disse-me que havia a possibilidade de não vires, e eu pensei mesmo que isso seria possível.

-Tudo bem.

Virei-lhes as costas e Elena apareceu, descendo as escadas.

-Caroline! – exclamou ela. – Fico tão feliz por teres conseguido vir! Entra!

-É, eu também – disse ela e fomos as três para a cozinha.

-Melinda apareceu – informei Jenna. – Não sei onde é que ela está.

Jenna bebeu mais um shot e entregou-me o copo.

-Fica com o meu. Hoje podem beber, porque estão na companhia de adultos irresponsáveis.

Aproximei-me de Damon, que estava prestes a atirar-se a Mason.

-Vês? Posso beber.

Entreguei o copo a Mason e ele ainda olhou para Damon na dúvida, mas ele parecia estar a comunicar com Rick telepaticamente.

-Muito bem, então.

-Eu também quero – disse Caroline.

-Eu passo. Vou ver o que está a dar na TV – falou Elena.

O almoço estava a compor-se. Primeiro de tudo, Jenna não simpatizava com Damon, Damon não simpatizava com Mason, assim como Alaric. Eu e Elena estávamos chateadas uma com a outra, e eu não queria aturar a minha mãe que me abandonou aos cuidados da tia. Caroline estava triste porque tinha acabado com Matt porque agora era uma vampira e as emoções dela ainda por cima, intensificavam-se pelo que ela era agora.

Melinda apareceu na cozinha e ela e Jenna começaram a colocar a mesa. Caroline desapareceu lá para fora com uma taça de batatas fritas e eu comecei a sentir-se deslocada daquele mundo de adultos irresponsáveis.

Por fim, sentámo-nos todos á mesa e o almoço começou oficialmente. Jenna esteve a recordar os tempos de secundário com Melinda e Mason, enquanto Rick, Elena e Damon gargalhavam alegremente. Eu e Elena por vezes cruzávamos os olhares, mas éramos incapazes de falar uma com a outra.

-E o que se passa com vocês, meninas? – perguntou Jenna. – Estão caladas desde que nos sentámos á mesa.

-É a Elena.

-É a Demi – dissemos as duas ao mesmo tempo e eu fulminei-a com o olhar.

-Oh, isto parece-me discussão séria. O que aconteceu?

-É a Elena que não percebe que eu gosto realmente do Damon, independentemente das coisas que ele faz aos outros – disparei, nem piscando os olhos para Elena.

-É a Demi que não compreende que eu só me preocupo com ela, porque Damon é egoísta, mimado, arrogante e só a está a usar.

-Eu não admito que fales assim dele! – gritei levantando-me do lugar.

-E eu não admito que sejas tão cega!

-Demi, baixa o tom de voz – pediu Melinda.

-Lá porque me disseste toda a verdade, isso não invalida o facto de seres minha tia e não minha mãe!

Larguei a bomba e tudo parou.

-Demi, o que aconteceu? – perguntou Rick.

-Estão á procura dos podres do passado, não é? Então talvez devessem perguntar o que realmente aconteceu entre a Melinda e John Gilbert ou entre o Mason e a minha verdadeira mãe.

O silêncio permaneceu e eu larguei tudo e fui-me embora para apanhar ar. Andei pelas ruas, com lágrimas a escorrerem-me pelos olhos, sem pararem. Por fim, fui-me recolher junto à cave do Mystic Grill, enrolando-me numa bola e deixando-me despedaçar por dentro.

Eu juro que pensei que tinha isto tudo resolvido dentro de mim, mas pelos vistos estava enganada. Ainda estava tudo á tona de água, com a panela a ferver, prestes a explodir.

-Eu estou aqui – murmurou Damon ao meu lado. – Queres falar?

Neguei com a cabeça.

-Só quero que me abraces – disse num fio de voz, mas que ele ouviu porque rodeou-me com os seus braços reconfortantes.

Notas finais
Oh, Damon é tãaaao fofi, não é?
Demi largou A bomba...
Espero que tenham gostado!
Bjs