Notas iniciais
Boa leitura! Este capítulo não está nada de especial, mas o próximo promete! (resumo lá em baixo)

Capítulo 5

POV Demi Gilbert

Acordei sozinha na cama de Elena e o sol já se fazia ver mas não passava para o quarto devido às cortinas grossas. Não me posso esquecer de ir comprar uma daquelas para poder dormir até às tantas.

A porta abriu-se e Jeremy entrou.

-Oh, bom dia Demi – disse ele, um pouco envergonhado.

-Bom dia, Jeremy – falei eu um pouco ensonada. – A Elena?

-Está lá em baixo. Pediu-me para ver se estavas a dormir mas pelos vistos já acordaste. Não te acordei, pois não?

Neguei com a cabeça e voltei a deitar a cabeça na almofada.

- Isso é que foi, han? Conversaram assim tanto? — disse Jeremy rindo de mim.

-Não, Jeremy, na verdade fomos logo dormir.

Puxei os cobertores para o fundo da cama e levantei-me. Jeremy riu.

-O que foi? – perguntei enquanto me levantava.

-Tu e a Elena parecem iguais aos sábados.

Enrijeci. Eu e Elena éramos meias irmãs, e, parecendo incrível, eu era uma Gilbert. Ou seja, Jeremy era meu primo, mas de alguma forma pareceu-me incorreto dizer-lhe isso.

-O teu tio já foi embora? – perguntei.

-Sim – respondeu ele e pareceu confuso. – Porquê?

-Por nada – menti, mas a verdade era que me sentia aliviada por ele já não estar em Mystic Falls. – Vamos comer, Jer?

-Claro – disse ele e saímos do quarto juntos.

Tocaram à campainha enquanto eu e Jeremy descíamos as escadas.

-Eu atendo – disse Jeremy e saltou os dois últimos degraus, abrindo a porta de repente. – Bom dia, Damon.

Parei e virei-me para trás.

-Damon – disse e corri para os seus braços. De alguma forma, precisava do seu abraço da manhã, ele era o único que me fazia sentir realmente Demi, não Demi Gilbert e com tudo o que disso viria. Ele apertou-me contra si com força, sendo difícil para mim respirar, mas eu não me importei com isso, eu só o queria ali comigo e sentir os seus braços musculosos rodearem-me e tirarem-me daquele mundo cruel.

-Bom dia – sussurrou ele ao meu ouvido e passando a sua mão pelos meus cabelos.

-Bom dia – sussurrei contra o seu ombro e desci do seu colo. – Entra.

Ele entrou e fechou a porta. Jeremy entretanto tinha desaparecido para a cozinha e ouvia Elena a gargalhar de algo.

-Já lhes contaste? – perguntou ele.

-Só a Elena. E Bonnie também já sabe – informei, e imagens de Caroline ontem à noite, quase ser morta apareceram-me à mente e arrepiaram-me. – Depois temos que falar.

-Sobre o quê? – perguntou ele, fingindo-se desentendido.

-Caroline – resumi tudo numa palavra e peguei-lhe na mão. – Promete que não voltarás a tentar matar Caroline.

Ele pareceu entediado.

-Demi, se ela fizer alguma coisa, claro que a vou matar.

Acenei com a cabeça.

-Mesmo assim, Damon. Tenho a certeza que nestes anos tu não tens sido o vampiro perfeito.

-Eu sou diferente.

Suspirei, começando a perder a paciência.

-Não importa. Ela tem o direito a viver. Tal como tu e Stefan. E Lexi.

-Lexi já não está viva – disse ele e eu arregalei os olhos.

-O que aconteceu?

Desta vez, foi ele que suspirou.

-Depois explico-te. Não te preocupes agora da Caroline, é o novo trabalho do Stefan.

Ele dirigiu-se à cozinha e dois segundos depois eu comecei a segui-lo. Elena não gostou de o ver ali, e não mostrou nenhum esforço em fazer-se de simpática.

-O que queres Damon?

-Que tu e Demi se vistam e venham ter a minha casa. Já chamei o Alaric.

-Não vou – disse Elena mal ele acabou a frase.

-Elena, sei que estás furiosa comigo, assim como a Demi pelo que aconteceu a noite passada, mas acredita em mim que quando eu venho aqui de propósito pedir-te para virem as duas a minha casa, é porque é mesmo importante.

Elena olhou para mim e voltou a fixar-se no café.

-Tu vais?

-Vou – respondi, decidida.

-Podem ir andando. Eu vou só vestir-me e depois vou.

Damo acenou.

-OK.

-Vou só buscar as minhas coisas – disse e virei-me para Jenna. – Obrigada por me ter deixado ficar aqui esta noite.

-De nada, querida – disse ela e abraçou-me. – Vem sempre que quiseres.

-Obrigada – agradeci e depois subi para ir buscar as minhas coisas. Vesti as roupas da noite anterior e saí com Damon.

A viagem de carro foi breve e sem conversação. Entrei em casa e Stefan apareceu vindo da cozinha com uma caneca de café quente na mão.

-Bom dia, Demi.

-Bom dia, Stefan – disse a Stefan e dirigi-me ás escadas. – Vou só mudar de roupa.

Subi as escadas e entrei no quarto onde estavam as minhas roupas. Eram poucas, mas eram suficientes para quando ás vezes passava lá uma noite. Escolhi umas jeans azuis escuras simples, uma blusa de alças preta, um casaco roxo claro, saltos altos com atacadores, um eyeliner e rímel preto, um batom para dar um pouco de cor aos lábios, uns brincos em forma de gota, umas pulseiras da cor do ouro misturadas com prata e um colar com um mocho.

Look da Demi: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=43865861

Desci as escadas e Damon entregou-me uma caneca com café bem quente.

-Acabado de fazer.

-Obrigada – disse e peguei na caneca, sorvendo um pouco do café. Fui para a sala e Stefan estava lá, lendo o jornal. – Alguma novidade, Stef?

-Não – disse ele. – Apenas a morte do Mayor Lockwood, que ainda agita a vida de muitas pessoas.

Ele e Damon trocaram um olhar de irmãos que eu não compreendi e sentei-me ao lado de Stefan.

-Tem jogos de sudoku? – perguntei-lhe e ele pareceu surpreendido.

-Tu gostas de sudoku?

-Quem é que não gosta? É a única coisa na matemática que eu gosto: a invenção dos números.

Ele sorriu e entregou-me o jornal.

-Tenta. Vou buscar-te uma caneta.

Saiu e cinco segundos depois voltou com uma caneta.

-Obrigada. Ajudas-me?

-Claro – disse ele e sentou-se ao meu lado, e jogámos um joguinho de sudoku, até Elena chegar. Depois, claro, as atenções dele foram para Elena.

Damon sentou-se ao meu lado e ficou a olhar para mim enquanto fazia o puzzle de números.

-O que foi? – perguntei-lhe não desviando o meu olhar do jogo.

-Depois de todos estes meses, ainda me surpreendes. Quem diria que uma ninfa gostaria de jogos de sudoku?

Gargalhei.

-O Stefan é vampiro, e pelo que vi, ele passa muito tempo a fazê-los.

-Ah, mas Stefan é um vampiro que deseja ser um humano.

-Demi, podemos falar? – perguntou Elena aparecendo na ombreira da sala.

-Claro que sim – disse logo e entreguei a Damon o jornal e a caneta. Fomos as duas para a biblioteca e ela virou-se para mim.

-Demi, eu realmente lamento muito por saberes quem são os teus pais verdadeiros – disse ela e pegou-me nas mãos. – Agora que eu também já tive tempo de digerir a notícia e como já não me apetece matar tanto o John – gargalhámos as duas — , acho que nos podíamos tornar mais próximas. É claro, sem forçar nada! Mas acho que agora podíamos dizer que somos irmãs, não achas?

-Elena, eu tenho que admitir que estou muito chocada com tudo isto – comecei. – Há cinco meses atrás eu tinha perdido toda a minha família, e agora fiquei a saber que afinal tenho os meus pais verdadeiros vivos e com um bónus, que és tu. E é claro que eu também ficaria muito feliz em poder chamar-te de irmã. Contudo, acho que isto tudo ainda é muito recente, eu ainda preciso de algumas respostas, que infelizmente ainda não tenho, e é isso mesmo que eu vou fazer hoje. Espero que não te importes Elena, mas eu preciso de saber primeiro tudo antes de tomar um passo destes.

Elena acenou.

-Claro que sim. Mas é que… eu estou tão feliz por ter uma irmã! – exclamou ela quase gritando e abraçando-me. – Eu já tinha o Jeremy, mas ter uma irmã para poder conversar de vernizes e roupa, ainda por cima da minha idade, é demais!

Retribuí o abraço e acabámos por cair as duas na gargalhada.

POV Damon Salvatore

-Quem diria, han, irmãozinho?! Apaixonarmo-nos por duas Gilbert? Saiu-nos a sorte grande!

Stefan olhou para mim, não acreditando que eu tinha dito aquilo.

-A Demi continua a ser uma ninfa e a Elena uma doppelganger.

-E doppelganger – acrescentei. – Não te esqueças da Lilliane.

-Por falar nisso, já tens alguma notícia delas?

-Claro, claro. Eu telefonei-lhes a perguntar qual era o plano maquiavélico delas, mas a mensagem foi parar ao voicemail – falei irónico, olhando para o que Demi tinha feito no jogo de sudoku. Ela realmente era perfeita, estava tudo certo.

Tocaram à campainha e Stefan abriu a porta. Era Rick.

-Rick! Meu amigo! – exclamei e convidei-o a sentar-se. Elena e Demi apareceram e sentaram-se no sofá ao meu lado.

-Obrigado por teres vindo. Rick – disse Stefan e sentou-se ao lado de Elena.

-Queres alguma coisa para beber? Café? Bourbon? Café com bourbon?

-Stefan disse que precisavam da minha ajuda – disse ele enquanto se sentava.

-É. Nós esperamos que tu nos possas ajudar a dar algumas luzes sobre a família Lockwood.

-E porque eu saberia alguma coisa sobre os Lockwood? – perguntou ele.

-Bem, tu não. Mas tua morta… não morta esposa vampira saberia.

-A pesquisa da Isobel – disse Elena -, de quando vocês os dois estavam juntos.

-Disseste que ela passou anos a investigar a cidade.

-A investigação da Isobel aqui em Mystic Falls foi construída em folclore e lendas. Naquele tempo pensei que maior parte dela fosse… ficção.

-Como aquela fantástica história de vampiros – disse-lhe.

-Para além dos vampiros, que mais? – perguntou Elena.

POV Demi Gilbert

-Licantropos – disse Alaric.

-Queres dizer, lobisomens? – quis verificar.

-Nem pensar. Impossível – disse Damon enquanto se recostava no sofá e colocava um braço por trás da minha cabeça. – Já passa bastante dos limites!

-É mesmo? – perguntou-lhe Stefan e eu não estava a compreender nada.

-Estou neste planeta à 160 e tal anos e nunca me cruzei com nenhum – disse Damon. – Se lobisomens existem, onde raios estão eles?

-Porque suspeitas dos Lockwood? – perguntei-lhe.

-Porque no dia do Fundador verbena não afetou o Mayor, mas o dispositivo sim, e afetou o filho dele, Tyler.

-E no festival da escola, o tio dele mostrou um comportamento fora do humano normal quando lutou com um dos trabalhadores – completou Stefan. – Isso sugere uma espécie de comportamento sobrenatural.

-Nós esperamos que a pesquisa da Isobel nos ajude a descobrir o que é – falou Elena.

-Bem, muitas das coisas dela ainda estão em Duke – informou Alaric. – Quero dizer, o escritório dela é lá. Tecnicamente, ela ainda está desaparecida.

-Então, podemos ter acesso à pesquisa? – perguntou Damon.

Alaric pareceu pensar.

-Rick, precisamos de saber com o que é que estamos a lidar – persuadiu Damon, olhando-o fixamente e não desviando o olhar. – Se esta coisa do homem lobo é verdadeira já vi filmes suficientes para saber que não é bom. Significa que Mason Lockwood é um verdadeiro monstro, e que aquele Tyler deve de ser provavelmente o seu monstro júnior. Significa que o vampiro, que significa eu, está totalmente lixado.

Olhei para ele, surpreendida pela frontalidade dele.

-Está bem – concordou Alaric. – Elena, queres vir comigo?

-Claro que sim. Quando podemos ir? – perguntou ela.

-Ainda hoje.

-Está bem. Vou só a casa buscar algumas coisas.

-Eu também vou – ofereceu-se Damon.

-Eu prefiro ficar – disse Stefan. – Temos a Caroline para ajudar.

Acenei com a cabeça e sorri, agradecida por ele ajudar a minha amiga.

-Eu também fico por aqui – disse-lhes. – Tenho alguns problemas familiares que preciso de tratar.

Damon acenou e colocou uma madeixa atrás da minha orelha.

-Queres que eu fique?

Neguei com a cabeça.

-É algo entre mim e a minha tia… m-m-ma…

-Não precisas de dizer a palavra – disse Damon numa voz doce. – Para todos os efeitos, a tua verdadeira tia era a tua mãe.

Forcei um sorriso e só depois percebi que Alaric me olhava com um grande ponto de interrogação no olhar.

-Como eu disse: problemas familiares.

Levantei-me e todos me seguiram.

-Levo-te a casa – prontificou-se Damon e eu virei-me para Elena e Alaric.

-Façam boa viagem.

Elena acenou e sorriu, fazendo covinhas nos cantos da boca.

-Depois contas-me?

Acenei com a cabeça e sorri.

-Claro que sim. Assim que voltares.

Despedi-me de Stefan e Alaric, e Damon levou-me até casa. Parámos à porta e eu olhei para a casa, que naquele momento não tinha um ar tão convidativo.

-Queres mesmo ficar?

Olhei para ele e tinha rugas na testa e olhinhos de gato de Shrek. Sorri e colei a minha testa à sua.

-A minha casa agora és tu – disse e só depois notei o verdadeiro sentido daquela frase. De uma forma, surpreendeu-me e separei-me de repente dele.

-Ei, não fujas – disse ele e tocou-me na face. – Eu sei o que estás a sentir agora.

Acenei com a cabeça e voltei a olhar para a casa, que estava imaculadamente silenciosa.

-Estás a três horas de viagem de carro – disse em voz alta.

-Meros minutos para um vampiro com os seus super poderes – falou ele, muito sério. Fitei-o e beijei-o. A sua língua brincou com a minha, o que me deixou mais relaxada. Damon era sem dúvida a minha casa. Apesar de muitos dramas e alguns ciúmes entre nós, ele era em quem eu mais confiava.

Separámo-nos e eu beijei-lhe na face.

-Eu depois vou ter a tua casa, está bem? – disse e esperei pela sua resposta. Ele sorriu e acenou.

-Claro. Até logo – disse ele e eu abri a porta e saí. – Demi.

Virei-me e baixei-me para o encarar.

-Se precisares de alguma coisa, telefona-me.

Aquela última frase dele, descansou-me completamente. Ele estava ali, a apoiar a minha decisão e pronto a vir resgatar-me do meu futuro inferno. Acenei com a cabeça e fechei a porta. Vi-o ir-se embora e a virar a esquina, em direção a casa de Elena.

Virei-me para a casa e respirei fundo. Estava na hora de saber toda a verdade.

Notas finais
Next Tuesday...
A história começa...
-Tudo começou quando eu tinha dezassete anos.
Com um fim inesperado...
-Mason sabe?
-Não respondi e ela olhou-me espantada. O que esperavas? A carreira de surfista dele iria pelos ares!
Será que algum deles aguenta a verdade?
-Apesar de tudo o que tem acontecido, fico feliz por me teres ligado disse e apoiei o meu queixo no topo da cabeça dela.
-Fico feliz por ainda te considerar meu amigo, Riley proferiu ela e retribuiu o abraço.