A Minha Vida Em Mystic Falls - Season 2
15 Capítulo 15
Capítulo 15
POV Demi Gilbert
Estava no antigo cemitério. Os jazigos, as lápides e a relva por cortar diziam isso. Andei até encontrar o jazigo de Honoria Fell. Era horripilante, com heras a subir pelo jazigo acima, a porta com os vidros partidos e empoeirados, a má iluminação da parte de dentro e o caixão de pedra onde ela descansava com o seu marido. Eternamente.
Entrei. Olhei em redor e só encontrei teias de aranha, algumas centopeias e outros bichos que preferia não ter visto. Corri o caixão de pedra com a mão, olhando para aqueles dois rostos esculpidos na mesma pedra que a tampa, a descansar eternamente, com semblantes tristes. Ambos tinham as mãos sobre o peito e Honoria tinha o cabelo comprido, até ao cotovelo.
Afastei-me e preparei-me para sair dali. Mas então, um ruído irrompeu, como algo muito pesado a arrastar-se pelo chão e olhei para trás. A tampa tinha-se movido para o lado, o suficiente para se espreitar lá para dentro. Aproximei-me cautelosamente, com medo e espreitei lá para dentro. Não via nada, apenas os primeiros quatro degraus que dariam para um piso inferior. Uma aragem irrompeu de lá de dentro para cima e Honoria Fell olhou para mim lá de baixo. Gritei.
POV Damon Salvatore
Demi gritou, o que me fez acordar instantaneamente.
-Demi! – exclamei e segurei os braços dela, que se mexiam, como se lutassem contra algo. – Demi! É só um sonho!
Ela abriu os olhos. Estava em pânico e ofegante.
-Damon?
-Foi só um sonho. Calma, eu estou aqui.
Ela não sorriu, nem fez nada de que estivesse à espera. Apenas ficou ali, a olhar para mim, em pânico, como se não me conhecesse. Mas então percebi: ela não estava ali, quero dizer, a mente dela não, só o corpo.
-Stefan! – gritei.
POV Stefan Salvatore
Damon gritou e eu levantei-me logo. Algo não estava bem, eu sabia disso. Demi tinha gritado, mas como ouvi Damon a acalmá-la, pensei que estava tudo bem. Mas não estava.
-O que aconteceu? – perguntei, entrando no quarto dele de rompante.
-Ela teve um sonho ou lá o que foi, e agora não está cá.
-Damon, ela está aqui.
-Olha para os olhos dela! – exclamou ele e eu aproximei-me. Realmente, Demi não estava ali, estava nalgum outro lugar. Os olhos estavam vidrados em pânico como se tivesse morrido depois de ter assistido a algo chocante, mas o coração dela batia. Freneticamente, mas batia.
-Temos que chamar a Melinda.
-E a Bonnie – completou ele. – Ela deve de saber algum feitiço para a trazer de volta.
POV Demi Adams
Fui arrastada lá para dentro por Honoria. Eu não queria. Era um lugar escuro e húmido, com ruídos estranhos e sentia que estava a ser arrastada para o Inferno.
-Não! – gritei e tentei debater-me.
-Não tens escolha – disse ela, mas já não era mais a voz dela, era de outra pessoa. Uma voz masculina.
-Quem és tu?
-Acho que me conheces como Giuseppe Salvatore.
Encolhi-me. Era o pai de Damon e Stefan. O que estava ele a fazer?
Encostou-me contra uma parede e raízes de árvores prenderam-me os membros, deixando-me imóvel.
-Isto é muito simples. És uma ninfa, e as ninfas têm um poder muito especial, segundo sei. Conheci uma e sei do que vocês são capazes de fazer. Ainda por cima, foste marcada por um animal muito especial. Por isso, a tua tarefa é muito simples – disse ele, sem medo e apenas determinação. – Damon e Stefan têm que morrer. Os dois.
-Nunca farei isso.
-Acho que não queres ir para o Inferno, pois não?
Sons de vozes, sequiosas de sangue, do meu sangue, sibilaram e eu arregalei os olhos.
-Ou os matas, ou vais parar ao Inferno.
-Prefiro morrer aqui e agora do que matá-los.
-Segundo sei, vampiros matam humanos, família das ninfas e outros seres que abundam neste planeta para o proteger. E tu, tens essa tarefa. Para além disso, os meus filhos já viveram demasiado e causaram demasiados estragos. Eles deviam de ter morrido em 1864.
-Não – falei, com a raiva e algo molhado rodeou-me os tornozelos.
-Então, vais morrer – disse ele, triunfante e raivoso.
Debati-me e a água começou a subir. Em segundos chegava-me aos joelhos e continuou a subir.
-Damon! – gritei, enquanto me tentava debater contra as raízes. Eu sou uma ninfa, não posso morrer, pensei.
Os meus poderes, constatei. Foquei-me, abstrair-me de tudo e apenas livrar-me daquelas raízes que me prendiam.
-Demi! – exclamou Bonnie, aparecendo subitamente à minha frente, com Melinda ao lado.
-Bonnie! – disse com alívio. A água já estava pelos meus ombros. – Depressa, preciso de me livrar disto!
Bonnie fechou os olhos, assim como Melinda. A água chegou-me aos lábios e eu comecei a entrar em pânico. Bonnie abriu de repente os olhos, também em pânico. Ela era mais baixinha do que eu e a água chegava-lhe aos olhos.
-Bonnie, não! – disse, mas arrependi-me. A água tinha entrado através da minha boca e entrei em pânico, debatendo-me mais do que nunca. Bonnie desapareceu da minha vista, assim como Melinda, que não podia fazer nada.
Damon. Damon, Damon, Damon. Era tudo o que eu pensava. Eu tinha que o avisar que o pai dele o queria matar, mas eu ia morrer, e depois ia parar ao Inferno. E eu não queria isso. Eu queria livrar-me daquelas correntes que as raízes estavam a fazer, queria lutar, respirar, lutar contra a maré, contra aquela inundação que me iria matar.
A água estava a começar a entrar-me nos pulmões, tornando-se difícil respirar. Mas eu não podia parar de lutar. Então, como que por magia, as raízes recuaram e eu pude nadar até á superfície, que já não era muito. Nadei na direção das escadas, com o ar quase a desaparecer dos meus pulmões, mas eu não podia desistir. Eu tinha que chegar até às escadas, subir aquilo tudo e sair daquele cemitério.
Comecei a nadar até ao cimo das escadas e quando saí de lá, estava encharcada e com frio. A porta do jazigo fechou-se, mas com toda a minha força eu abri-a, cortando as palmas das minhas mãos por causa dos vidros incrustados nas janelas. Apesar da dor e do frio, eu só pensava em sobreviver.
Corri o mais que podia, mas não estava fácil, porque o vento tinha-se levantado e tentava fazer-me recuar. As folhas das árvores corriam até mim e puxavam-me para trás, mas o mais assustador eram as palavras proferidas dos espíritos inquietos, daqueles que tinham ido parar ao Inferno ou estavam presos naquele local por causa de assuntos inacabados. Eram palavras que não percebia, nem tentava por as perceber, mas causavam-me arrepios e os pelos dos meus braços eriçavam-se.
Tenho que atravessar a ponte, pensei e foquei-me nesse objetivo. A água não estava com muito bom aspeto e parecia que tinha ganho vida, mas mesmo assim corri para ponte. Quando lá cheguei, uma onda ultrapassou a altura da ponte e caiu sobre mim, fazendo-me cair e escorregar. Segurei-me ao corrimão o mais que podia e continuei a rastejar até ao fim da ponte. Não foi fácil e pareceu uma eternidade. As ondas eram grandes e ferozes, fazendo-me temer o pior. A única coisa que eu sabia era que aquilo era obra do Inferno e Giuseppe, que queria que eu matasse os seus filhos. Os seus filhos! Nunca faria isso, porque Stefan era um amigo e Damon era quem eu amava.
Por fim, cheguei ao fim da ponte e toquei em solo seguro, longe do velho cemitério e longe daquela amostra do Inferno. E então, tudo parou e eu voltei á realidade.
POV Bonnie Bennett
Encostei-me á parede, sem parar de chorar, quando vi os cortes nas mãos dela. Eu não a tinha conseguido salvar, e ela ia morrer num sonho, afogada, a lutar pela própria vida e o pior de tudo era que tanto eu, como Melinda não podíamos fazer nada. Entrar no sonho dela foi doloroso para nós as duas e tirou-nos quase todas as energias. Quando me tentei focar em a tirar dali, o pânico tomou conta de mim, e Melinda estava naquele sonho ligada a mim, não a Demi. O pior de tudo, era que só ela é que podia lutar, porque não se podia fazer nada. Podia amenizar a sua dor, mas não podia interferir. Ainda tentei várias vezes, mas algo sombrio tomava conta da mente dela, deixando-me incapaz de tentar o que quer que fosse.
Ela começou a tossir. Damon chorava, enraivecido e impotente face ao que lhe estava a acontecer. Stefan assistia a aquilo tudo, segurando o braço de Damon com força e com pena e sofrimento nos olhos. Melinda estava ao lado dela e murmurava coisas ao ouvido dela, na esperança de que isso lhe desse forças para continuar.
De repente, tudo parou. Os olhos de Damon pararam de chorar, vidrados em Demi, Melinda olhou para Damon em pânico e tristeza e Stefan começou a chorar.
-Não! – exclamei e corri até ao corpo dela. – O que lhe aconteceu?
-Acabou – proferiu finalmente Stefan, num murmúrio.
POV Damon Salvatore
Procurou por ar, com os olhos arregalados e sentou-se de rompante.
Amparei-a, sem realmente a ver, devido às lágrimas que corriam nos meus olhos.
-Demi! – exclamei e tomei-lhe o cotovelo. – Estás aqui!
Ela tossiu e olhou para todos nós.
-O que aconteceu? – perguntou Stefan.
-O vosso pai e Honoria Fell. Os dois entraram no meu sonho e… — ela olhou para as mãos, cheias de sangue, com cortes. – OMG, isto não foi um sonho, pois não?
Melinda negou com a cabeça.
-Ainda tentámos ir buscar-te, mas não conseguimos – falou ela.
-Eu… eu só pensava em ti – disse Demi olhando para mim. – Não podia ir para o Inferno sem te contar o que ele me disse.
-O que ele te disse? – perguntei abraçando-a.
-Ele quer que vocês os dois morram.
Olhei para Stefan. O nosso pai era tão previsível, mas naquele momento eu estava com raiva dele. Ele usou a pessoa que mais amava neste mundo para transmitir essa mensagem, era tão cobarde que nem conseguia dar-nos essa mensagem pessoalmente.
-Não é novidade – falei em voz alta.
-Não, é pior. Ele quer que seja eu a matar-vos.
-E o que disseste? – perguntei, expectante. Se ela tivesse dito que sim, eu compreenderia, e entregar-lhe-ia a estaca com todo o orgulho, mas algo me dizia que aquela não tinha sido a resposta dela.
-Disse que não. Que preferia ir para o Inferno do que matar-vos. E então… ele causou isto.
-Onde foi o teu sonho? – perguntou Stefan. – Bonnie só disse que tinha sido a uma grande profundidade.
Demi estremeceu, e não percebi se foi de frio devido ao facto de estar encharcada como se tivesse apanhado chuva, ou devido ao medo.
-O jazigo de Honoria Fell. A campa deles era uma entrada subterrânea. Honoria arrastou-me lá para dentro e… — ela não terminou a frase, nem era necessário.
-Como é que conseguiste sair? – perguntou Melinda.
-Não sei. Eu estava a pensar nas raízes e de repente elas desprenderam-me. Consegui sair e atravessar a ponte Wickery.
Olhei para Stefan e ele acenou. Estava na hora de fazermos uma visitinha aos jazigos de Honoria Fell e Giuseppe Salvatore.
-Fizeste bem. Foste muito corajosa – disse Melinda. – Estou muito orgulhosa de ti.
Notas finais
Tenho duas novas fanfics:
Uma com Elijah:http://fanfiction.com.br/historia/241411/Love_Doesnt_Exist..._Does_It/
Outra com Klaus:http://fanfiction.com.br/historia/246940/My_Lover/
Espero ver-vos lá! XOXO
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