A Minha Salvação
6 Capitulo Seis.
Notas iniciais
Capitulo seis.
Quando o filme acabou, Gaara olhava para o nada, pensativo e distante.
– Esta tudo bem? – Perguntei.
Ele suspirou.
– Acho que vou confiar em você.
Arqueei uma sobrancelha. Ele ainda não confia em mim?
– Vamos a um lugar comigo? – Pediu.
Olhei no relógio. 22h30min.
– Ok, só vou trocar de roupa. – Disse e levantei do sofá, indo para o meu quarto.
Vesti uma calça jeans e uma blusa de frio, calcei uma sapatilha e peguei o sobretudo de Gaara no guarda-roupa, descendo logo em seguida.
– Sabia que ainda ia precisar dele. – Falei lhe entregando o casaco e ele sorriu, o vestindo.
Saímos do prédio e andamos tranquilamente pela calçada, ate que Gaara deu a volta em um carro, um Porsche vermelho para ser mais exata, e abriu a porta do motorista.
– Gaara?
– Entra. – Ele disse.
Meio receosa, abri a porta e entrei.
– De quem é esse carro? – Perguntei enquanto ele dava partida.
– Meu. – Respondeu.
O olhei surpresa.
– Não sabia que você sabe dirigir. – Comentei.
Ele deu um sorriso de canto.
– Você não sabe muitas coisas sobre mim.
Fiquei pensando nisso. Eu não sabia quase nada sobre o Gaara, apenas coisas muito básicas. Nome e idade.
Fiquei pensando nisso e nem reparei no caminho, apenas quando Gaara parou o carro. Olhei pela janela e vi que estávamos em um cemitério.
Olhei no relógio do painel, 23h00min, e um arrepio subiu pelo meu corpo. Cemitério à noite, legal, hein?
– Você ta fazendo uma cara estranha, — ele sorriu de canto – não está com medo, não é?
– Medo? É claro que não. – Forcei um sorriso.
Ele saiu do carro e eu também, não sei por que, o cemitério ainda estava aberto. Ele foi andando na frente e eu o segui, ate que ouvi um barulho perto de mim.
Soltei um gritinho e agarrei o braço de Gaara, o fazendo parar de andar e olhar para mim.
– O que foi? – Perguntou.
Olhei em volta e depois para o rosto de Gaara.
– Tá, eu admito, eu to com medo. – Falei e ele sorriu.
Ele soltou seu braço e segurou na minha mão, entrelaçando nossos dedos e voltando a nadar, me puxando. Corei.
Andamos mais um pouco e paramos de frente a uma lapide, nela estava escrito o nome Sabaku No Karura, e na do lado dela, em outra lapide, Sabaku No Kankurou.
– Quem são eles? – Perguntei.
Olhei para Gaara quando ele apetou minha mão um pouco.
– Minha mãe e meu irmão. – Respondeu.
Ele tinha lagrimas nos olhos novamente.
– De que morreram? – Sussurrei.
Ele ficou calado e as lagrimas escorreram pelo rosto dele.
– Se eu falar, você vai soltar minha mão e sair correndo desse cemitério, vai ficar com medo e fugir de mim pelo resto da sua vida.
Eu jamais fugiria dele. Doía-me o coração só de pensar em ficar longe dele.
– Eu não vou. – Enxuguei suas lagrimas com minha outra mão.
– Outro dia te conto sobre isso, uma coisa de cada vez, sim? — Ele disse e eu assenti. – Hoje faz nove anos que eles morreram.
Quando eu ia perguntar se era por isso que ele tinha chorado mais cedo, o celular dele tocou. Ele olhou na tela e fez uma careta.
– Não vai atender? – Perguntei.
– É a Temari.
Estendi a mão para ele.
– Me deixa falar com ela? – Pedi.
Ele me entregou o celular e eu atendi, mas antes de falar alguma coisa, a voz da Temari me parou.
– Eu não sei onde você esta e nem quero saber. Shikamaru vai dormir aqui, então, não venha para cá, durma em qualquer lugar.
A voz dela estava fria e irritada e eu me irritei por ela falar assim com Gaara.
– Oi Temari, aqui é a Ino, seu irmão esta bem sim, obrigada por perguntar, eu já cuidei dele já que a irmã dele não faz isso. E não precisa se preocupar, Gaara vai morar comigo a partir de hoje.
Vi Gaara me olhar surpreso e ouvi a voz de Temari.
– Ino? O que esta fazendo com ele? E como assim morar com você?
– Não importa, apenas não tranque sua casa ainda, estamos indo ai pegar as coisas dele. – Respondi e desliguei, entregando o celular para Gaara. – Vamos logo.
Tentei andar, mas Gaara ainda me segurava pela mão e me puxou, me fazendo esbarrar no corpo dele, ficando colado um no outro.
– Como assim morar com você?
– Só não quero que seja mal tratado pela Temari. – Respondi sem olhar para ele.
Ele delicadamente virou meu rosto, me fazendo olhar para ele.
– Porque faz isso? Você é amiga dela há muito mais tempo, devia ficar contra mim e não contra ela, não acha?
Suspirei.
– Eu sempre quis ter um irmão. Quando eu tinha treze anos, minha mãe engravidou de novo e eu fiquei super feliz, mas quando o bebê nasceu, ele não tinha vida. Me irrito com Temari por ela te tratar assim, se meu irmão não tivesse morrido, não importa o que ele tivesse feito, eu sempre ficaria do lado dele.
Ele ficou me olhando por alguns instantes.
– Você me vê como um irmão? – Perguntou.
Corei. Eu podia vê-lo de todas as maneiras, menos como um irmão.
– Não. – Respondi.
Ele se aproximou de mim, ficando com os lábios em meu ouvido.
– Que bom, — sussurrou – se não estivéssemos em um cemitério, eu te beijaria e com toda certeza, não pediria desculpa depois.
Senti um frio no estômago e meu rosto pegando fogo depois.
– Vamos logo para a casa da Temari. – Tentei mudar de assunto quando ele se afastou e me olhou com um sorriso malicioso.
Começamos a andar para a saída.
– Não vai ter problemas eu morar com você? – Perguntou.
– Não.
– Sou praticamente um estranho, não acha isso perigoso? – Perguntou de novo.
Ele estava bem falante hoje.
– Você não é um estranho. É o garoto que estuda comigo, que é irmão da minha amiga e me salvou de uma tentativa de estupro. Você não é perigoso. – Eu acho, completei em pensamentos.
– E se eu te atacar? – Perguntou quando chegamos ao carro.
Eu sorri para ele.
– Você não vai me machucar.
Ele abriu a porta para mim.
– E como tem certeza disso? – Perguntou.
E antes de entrar, eu respondi.
– Por eu sou sua amiga. Amigos não machucam uns aos outros. .
Vi um sorriso brotar em seu rosto.
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Paramos de frente a casa de Temari e antes de descer, ele olhou para mim.
– Me prometa duas coisas. – Pediu.
– Depende do que é. – Respondi.
– Prometa ou não vou morar com você.
Suspirei.
– Tudo bem.
– Primeiro: não importa o que a Temari disser para você quando entrarmos, não acredite. Há algumas coisas do meu passado que, mesmo sendo minha irmã, Temari não sabe. Ela tem a versão dela e eu tenho a minha. Promete-me isso?
– Prometo. – Falei.
– Segundo: hoje mais cedo, você viu meus olhos amarelos, não viu? – Assenti. – Toda vez que me ver de olhos amarelos, fuja. Não importa o que nós estejamos fazendo, onde, quando, fuja. Corra para o mais longe que conseguir de mim. Promete que vai fazer isso?
– Por quê? – Perguntei.
Ele suspirou.
– Não posso te falar ainda, uma coisa de cada vez, lembra? Apenas me prometa isso, por favor.
Suspirei.
– Tudo bem, eu prometo.
Ele sorriu e saímos do carro. Ele abriu o portão e porta com a chave que ele tinha e quando entramos, Temari veio correndo em nossa direção.
– Ele não pode morar com você. – Ela disse, com lagrimas nos olhos.
– E porque não? – Perguntei.
Ela se afastou um pouco e olhou para baixo.
– Simplesmente porque não pode. – Respondeu.
– Bela desculpa. – Eu disse.
Ela olhou para Gaara.
– Você vai mata-la. – Disse friamente.
Arregalei os olhos olhando para Temari. Ela estava ficando louca?
– Temari, pare. – Disse Shikamaru aparecendo na sala.
Gaara pegou minha mão e saiu me puxando para a escada.
– Vai mata-la, me ouviu? – Gritou Temari.
Nós subimos as escadas e entramos em um quarto e Gaara fechou a porta depois de entrarmos. Ele tirou o sobretudo e me entregou.
– É seu, eu disse que não o queria mais. – Disse e eu peguei, o vestindo sentindo o cheiro do Gaara.
– O que Temari quis dizer com aquilo?
Ele olhou para mim.
– Te pedi para não acreditar. – Disse.
– E eu não acreditei.
Ele pegou uma mala e rapidamente arrumou todas as suas coisas. Logo estávamos descendo as escadas de novo.
– Você esta cometendo um erro, Ino. Estou avisando. – Disse Temari.
– Eu sei me cuidar, Temari. – Eu disse e puxei Gaara para fora da casa.
Ele guardou a mala no banco de trás do carro e depois entramos nele, indo para o meu apartamento.
– Obrigado por me tirar daquela casa. – Falou.
Sorri.
– Percebeu o quanto você mudou comigo essa noite? Esta conversando, não me mandou mais me afastar de você e ainda vai morar comigo. – Falei.
Tive a impressão de ver ele corado, mas estava escuro então não tenho certeza.
– Mudei nada. – Falou fazendo bico e eu ri.
– Pode colocar seu carro no estacionamento do prédio, ta? Eu tenho o controle do portão na minha chave e a minha vaga é livre lá. – Falei mudando de assunto.
Ele assentiu e logo chegamos ao prédio. Ele estacionou e subimos para o apartamento.
– Vou tomar outro banho, fique a vontade, a casa é sua. – Sorri e fui para o meu quarto.
Peguei um pijama comportado no guarda-roupa e fui para o banheiro. Mesmo não tenho ficado muito tempo, passei em um cemitério e ia tomar banho antes de dormir, sim.
Entrei debaixo da agua quente e me lembrei do que Gaara falou. Se não tivéssemos rodeados de lapides, ele me beijaria?
Terminei de tomar meu banho e vesti meu pijama. Quando sai do quarto, me assustei ao ver Gaara sentado na minha cama.
Ele já estava com as roupas dele, na verdade, ele estava sem camisa e reparei que ele tinha um físico muito bom.
Ele sorriu e veio ate mim, passando o braço pela minha cintura e me empurrando ate chegar à parede. Novamente ele sussurrou no meu ouvido.
– Não estamos mais em um cemitério.
Ao terminar de falar, colou seus lábios nos meus e eu automaticamente passei os braços ao redor do pescoço dele, correspondendo seu beijo.
Seu beijo era calmo e delicioso, e aos poucos, foi se tornando selvagem e exigente, a língua deve invadiu minha boca e logo me deixou sem ar. Nos afastamos e ele sorriu para mim.
– Boa noite. – Me deu mais um selinho e saiu do quarto.
Continuei encostada na parede e suspirei.
Minhas pernas estavam bambas e eu estava ofegante.
Meu deus, que homem é esse?
Ter Gaara morando comigo, seria extremamente bom. Muito bom.
Continua.
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