A Minha Queda Será Por Você

11 Uma visita ao mundo dos sonhos


Notas iniciais
Gente, há quanto tempo não posto capítulos dessa fic no Nyah! Confesso que em um outro site já postei vários, me senti um pouco desmotivada por aqui pois quase não recebi reviews... Então, quem curte a história, por favor me ajude! Bem, vamos ao capítulo!

A Lua, embora não estivesse cheia, iluminava aquela noite como nenhuma outra antes. Príncipe Diamante havia se despido da capa e da farda para poder dormir à vontade, usava apenas a sua calça de sempre, e uma camisa social cinza bem claro, abriu somente os dois primeiros botões da gola.

Andou calmamente até a janela, apoiou os braços no parapeito e apreciou a vista do palácio onde nunca pensou que viveria um dia, não de uma forma pacífica. Todavia, ainda existia certo desconforto, apesar de a rainha tê-los permitido morar naquele Éden, sabia que seria árduo convencê-la a confiar em suas intenções, reconhecia o mal que fizera. Enfim, afastou pensamentos turbulentos e prendeu-se em lembranças ternas, como a do último momento vivido ao lado da princesa, e também outros recentes.

Suspirou admirando aquela lua branca que resplandecia no céu como um fino sorriso. Ia beijar Crystal quando Sailor Wind surgiu, e ela parecia tão entregue... Sorriu discreto, apenas uma pequena curva expressou-se em seus lábios, misturava memórias antigas de Sailor Moon o repelindo e as novas com Crystal, exatamente o oposto da avó, mas os mesmos olhos. Ah, sim... Aqueles olhos!

Passou a mão pela nuca, em seguida pela testa, outra vez confuso. Era óbvio que não esquecera Sailor Moon, talvez jamais conseguisse, até porque, ninguém esquece um grande amor, ele fica guardado nas profundezas do coração e só se vai quando a vida cessa, porém, não esquecer não significa continuar a amá-lo como antes, o amor se esvai com os anos, o que fica são a lembrança, o aprendizado e o carinho. Sabia que gostava de Crystal agora, a pergunta era: Como? Crystal seria a concretização de seu sonho frustrado da outra vida ou uma nova paixão que o curaria?

Batidas na porta o impediram de chegar à solução de seu dilema. Abriu as maçanetas douradas e deparou-se com o irmão.

— Saphiro? — abriu um sorriso — Entre!

— Irmão, temos tanto para conversar! — embora discreto, o mais novo demonstrava pitada de entusiasmo ao entrar no quarto.

— É verdade, sequer tivemos tempo de fazer cumprimentos... — seguiu o irmão até a cama onde se sentaram.

Passaram horas conversando, primeiro falaram sobre suas mortes, se não fossem tão disciplinados provavelmente teriam transbordado suas emoções, depois começaram a contar como fora o retorno. Saphiro falou sobre sua recepção, sobre a doce Hina, ao mencionar seu nome o brilho nos olhos era explícito, Diamante até deu um riso um pouco descontraído deixando o caçula sem graça. Logo, o grande príncipe narrou a sua história, sobre Crystal tê-lo encontrado em baixo da árvore, os encontros, e também como se sentia em relação a tudo.

— Irmão, cuidado para não confundir o que sente... Essa princesa é parecida demais com Sailor Moon, acreditam que seja sua reencarnação, mas ainda assim, não é ela. — Saphiro falou, transpassando seriedade.

— Sim, eu sei, ela é muito parecida fisicamente, mas no modo de agir, ao menos comigo, é completamente diferente da avó. — Príncipe Diamante disse, levantando o olhar para o teto, pensando longe.

O irmão mais novo se calou para analisá-lo. Notava o semblante sereno do homem de cabelos claros, via luz refletindo-se nos olhos violetas que no passado refletiam as trevas da ambição, estava realmente diferente...

— Sailor Moon me ensinou que amor não se cativa à força. — o príncipe interrompeu a análise do outro — Saphiro, não faço nada que a princesa não queira, é ela quem se aproxima de mim. O que será que significa isso?

— Eu a vi tocar a sua mão.

— A questão é: Se ela é a reencarnação de Rainha Serena, onde estará Endymion?

— Entendo aonde quer chegar... — Saphiro tocou o próprio queixo e baixou o olhar — Acredita que, no momento que ela o encontrar, já que também deve ter regressado, o amará e esquecerá você. Não é mesmo?

— Acho que Crystal é muito boa e pura, talvez sinta um carinho muito grande por mim e vontade de ajudar, e por ser inocente, pode confundir-se e acreditar estar apaixonada... Mas e se Endymion surgir? Bem, a verdade é que me sinto deslocado, aqui não é meu tempo, nem mesmo sei explicar o que sou, ou o que somos, Saphiro. Acredita que ainda possuamos vida, ou somos apenas mortos- vivos?

— Eu me sinto vivo, irmão. Mais vivo do que na época em que vivi de verdade, antes de ser morto pelo Grande Sábio. — abriu um pequeno sorriso.

— Sinto-me em um sonho, Saphiro, o qual pode acabar a qualquer momento. Eu não sei, às vezes é tão bom e pacífico que parece irreal... Penso se esse não é o pequeno Céu que criei, se é tudo uma ilusão...

— Acho que deve parar de pensar e simplesmente viver. — o rapaz de cabelos e olhos azuis safira o interrompeu, tocando seu ombro.

Era estranho ouvi-lo falar daquele modo, logo ele, Saphiro, um dos mais racionais e céticos da família Black Moon. É, não só ele, mas o irmão mais novo também mudara. Dialogaram por mais algum tempo, até que o sono os abateu, Diamante foi deixado pelo irmão e adormeceu, estava tão cansado que sequer sonhara, sua mente, ao menos por aquela noite, fora preenchida pelo nada.

Diferentemente de Diamante, em outro quarto, a princesa em meio ao sono apertava a fronha do travesseiro a sonhar mais uma vez com ele, como da outra vez era tomada em seus braços possessivamente e mais um beijo lhe era roubado... E mais uma vez, Crystal via refletir no cristal negro espelhado não a si, mas a avó.

... Assim que o sol nasceu e entrou pela janela, Crystal despertou afoita, nunca acordara tão cedo em toda a sua vida. Deu uma penteada rápida no cabelo, sequer o prendeu, escovou bem os dentes, abriu devagar a porta do quarto, observou bastante pela pequena fresta até notar que não havia movimento, em pequenos saltos foi em rumo ao quarto do príncipe. Chegando lá, deu três batidas na porta, sem obter resposta, o chamou três vezes em tom bem baixinho, nada. Empurrou a porta de leve, não estava trancada. Entrou no quarto sorrateiramente, olhando para cada lado, até avistar quem procurava ainda a dormir.

"Lindo" — pensou, enquanto seus olhos azuis reluziam admiração e hipnotizavam-se por toda aquela beleza, as bochechas coravam. A camisa dele estava aberta até o início da barriga, expondo metade daquela pele branca de traços suaves e ao mesmo tempo delineados, a franja, assim como o resto dos cabelos, arrepiada, cobria parte de seu rosto e também a insígnia em sua testa. Respiração pesada, tranquila, semblante calmo, lábios entreabertos, parecia tão vulnerável, inofensivo e inocente... Simplesmente irresistível!

Ajoelhou-se diante a cama onde ele dormia, apoiou o queixo sobre seus braços cruzados em cima do colchão revestido em lençóis brancos de tecido nobre, ficou a olhá-lo. Parecia dormir tão profundamente, Crystal não resistiu à vontade de tocá-lo. Passou cautelosamente uma das mãos pela testa dele, afastando os cabelos, expondo a Lua Negra. Passou o dedo indicador pela imagem, abriu um pequeno sorriso e absteve-se tanto em passar os dedos pelo cabelo dele que nem notou os olhos violetas abrindo-se devagar.

— Princesa? — a voz soou rouca.

— Ai meu Deus! — no susto, ela caiu para trás e uniu as mãos fechadas abaixo do queixo.

Diamante sentou de súbito, arqueando uma das sobrancelhas. Fechou rapidamente os botões da camisa, e atentou-se em procurar a farda para vesti-la.

— Me desculpe, não quis acordá-lo, nem mesmo constrangê-lo! — dizia isso, mas parecia certamente muito mais constrangida do que ele, uma vez que seu rosto tomara a cor de uma pimenta malagueta e só faltava incandescer.

— O que faz aqui? — perguntou confuso.

— É que, eu só... Não consegui mais dormir, e aí... Ai! — cobriu o rosto com as mãos, morrendo de vergonha — Eu ia te chamar, para mais tarde... Dar uma volta comigo! É... Bem, só pra conhecer o palácio, sabe? Ah, mas que coisa!

Ele riu enquanto passava uma mão pelo cabelo, ajeitando-o. A risada foi um incentivo para deixar a menina ainda mais sem graça. Enquanto o príncipe não terminou de vestir a farda, a princesa não tirou as mãos do rosto, apenas afastava os dedos de um dos olhos em instantes que pensava que ele não a olhava, obviamente, Diamante pegou-a no ato, deixando-a ainda mais envergonhada e fazendo-a virar para o lado.

— Adorarei tê-la como guia, princesa. — disse enquanto levantava-se e, de costas para ela, vestia a capa, ultimo acessório de seu traje. — Já pode descobrir os olhos — não conteve outro riso, mas dessa vez mais discreto.

Tirou as mãos dos olhos, contudo permaneceu onde estava, de cabeça baixa com os longos cabelos caindo como uma grande cortina frente a face. Os orbes oceânicos fitavam o piso de cristal, completamente desajeitados. O Black Moon foi até ela, de pé, ergueu-lhe a mão. Ficava tão engraçadinha vestida naquele pijama cor de rosa com coelhos brancos estampados, pensava. Era só uma menina ainda, mas completamente cativante.

Ainda de cabeça baixa, deu a mão para ele e se levantou, só olhou-o novamente quando sentiu uma mão descobrir seu rosto dos cabelos e colocá-los para trás de sua orelha.

— Desculpe por acordá-lo desse jeito... — ia abaixar a cabeça outra vez, foi impedida. A mão dele segurou seu queixo, não permitindo-a esquivar de seu olhar.

— Não se preocupe, foi um despertador muito eficiente! — riu.

— E eu lá tenho cara de relógio? — fez um bico, emburrada, toda sem graça.

— Não princesa, não tem. – riu novamente — Agora é melhor voltar para o seu quarto. O que pensarão se souberem que está sozinha aqui comigo? — cessou o riso e mostrou seriedade só para intimidá-la, e para completar, curvou-se um pouco, aproximando o rosto ao dela.

— Ah! Está bem, melhor eu ir! — totalmente desajeitada, correu até a porta, olhou pela fechadura, ao ver que não havia ninguém no corredor acenou para ele — Até mais tarde, príncipe! — se foi aos pulos.

...

Rini, desde a noite passada, não conseguira tirar da cabeça o que o marido disse diante os Black Moon. Tinha uma pista da resposta de como os dois irmãos retornaram? Como, desde quando, e por que não lhe dissera nada? E, ainda por cima, a torturava ao insistir em comentar somente essa manhã. Mal dormira à noite pensando no que seria.

“Helios, como pôde ser tão cruel comigo?” — pensava, enquanto sentava à mesa do café da manhã com o esposo e todos os moradores do palácio.

Águia não tirava os olhos de Mizumi, Tigre de Marine enquanto Reiko olhava-o de canto, Peixe não sabia a quem admirar, se Saphiro ou Diamante, por sua vez, os irmãos eram discretos e tentavam não encarar muito Hina e Crystal, Hina não fitava qualquer outra coisa que não fosse seu prato de tão tímida que era, já a princesa continha-se para não perder-se na visão do príncipe sentado ao outro lado da mesa e acabar esquecendo de comer. Sailor Wind e Saturno entreolhavam-se, cada uma com uma gota no canto da testa, eram as únicas que notavam todo aquele clima que pairava, Helios, apesar de saber que sua esposa estava zangada, sorria, transmitindo a profunda calma de sempre.

Após o fim da refeição matinal, as três Sailors mais velhas levaram as jovens para o centro de estudos, ficaram no cômodo apenas os reis, trio Amazonas, e os dois irmãos nemesianos.

— Bem, os fiz esperar até hoje de manhã porque todos precisávamos de descanso. — Helios disse, mirou os olhos na esposa e sorriu — Perdão Rini, por não ter mencionado antes, não queria que se preocupasse...

— Que pista é essa, rei Helios? — Diamante perguntou.

— Bem, como podem ver, esses três homens são meus súditos — apresentou o trio — Olho de Águia, Olho de Tigre e Olho de Peixe. Assim como vocês, no passado, eram inimigos, até que em sua última batalha redimiram-se e protegeram o espelho dos sonhos de Serena Tsukino.

— Espelho dos sonhos? — Saphiro nunca ouvira falar, assim como Diamante.

— Bem, sigam-me e lhes explicarei tudo no caminho, Amazonas, Rini, venham também. — o rei deu início aos passos, todos foram atrás, Rini era a única que demonstrava traços de ansiedade, havia algo em seu coração que a fazia acreditar que algo de muito ruim estava para acontecer.

...

— Princesa... — Hina aproximou-se de cabeça baixa, acanhada.

— Ah, oi Hina! — Crystal sorriu, sentada na carteira de sempre. — O que houve?

— Queria pedir desculpas... É que acabei contando para o Saphiro que você se encontrava com o irmão dele! — corou completamente — Por favor, me desculpe!

— Ah, então era isso? — arregalou os olhos e os piscou rapidamente — Sabe que eu nem tinha parado para pensar em como o Saphiro tinha chegado lá? — riu desajeitada — Tudo bem, Hina. Entendo o que você fez, e o príncipe Diamante ficou muito feliz em tê-lo encontrado!

— Princesa, juro que só falei com Saphiro, não sei como Sailor Wind a descobriu.

— Isso, com certeza, foi coisa de minha mãe — coçou a nuca, desajeitada — Mas, tudo bem! Agora as coisas ficarão muito melhores com todos vivendo aqui!

— É verdade... — Hina falou baixinho, esbanjando um sorriso bobo.

— Meninas, bom dia! — Sailor Saturno entrou na sala — Peguem seus livros de História. Fizeram a lição que passei na última aula?

— Lição, que lição? — Crystal perguntou.

— Para variar... — Marine disse enquanto repousava o queixo sobre uma mão, bufando, Reiko prendeu um riso.

— Ai, princesa! — Sailor Saturno pôs a mão na cabeça — Bem, sem intervalo para você.

— Ah não, Hotaru, não seja má! — a princesa falou em tom choroso.

...

Enquanto desciam a escada espiral que levava até o porão onde os cristais sagrados ficavam guardados, Helios contava a história do Circo da Lua da Morte, do trio amazonas, do cristal dourado e do mundo de Ilusão, onde antigamente vivia, antes de casar-se com Rini.

—... Depois de alguns anos, quando Rini já estava crescida e que Sailor Moon derrotara o caos no combate contra Sailor Galáxia, percebi que Águia, Tigre e Peixe já estavam aptos a cuidar do mundo onde os sonhos das pessoas são guardados.

— Sim! — Olho de Peixe manifestou-se — Fomos bem treinados e adquirimos além de um espelho dos sonhos, alguns poderes, já que fomos designados os guardiões de Ilusão!

— Como tudo parecia pacífico e mantinha-se estável há alguns anos, senti que já era o momento de procurar a minha Rini, quem jamais esqueci. — Helios sorriu e olhou a esposa, que corou com seu comentário — E meus amigos foram muito gentis comigo ao encarregarem-se de proteger Ilusão em meu lugar para que eu pudesse ter uma vida como um homem, nesse mundo.

— É um prazer para nós, majestade, cuidar do mundo o qual apreciamos imensamente fazer parte! — Águia disse.

— Contudo, desde alguns dias atrás, coisas estranhas tem acontecido em Ilusão... — os olhos dourados do rei pareceram sérios. — Os cenários têm mudado de forma continuamente, por vezes tornam-se macabros, outras belos demais, como se alternasse de sonhos para pesadelos.

— Por que não me disse nada disso? — Rini se manifestou, indignada.

— Porque ainda não sabia do que se tratava, e não queria preocupá-la, querida. Bem, meus súditos notaram essas mudanças repentinas, e vieram me avisar, pois não sabiam o que poderia ser, nem mesmo eu.

— Onde nos encaixamos nessa história, rei? — Diamante perguntou.

— Quando fui à Ilusão averiguar a situação, encontrei no fundo do lago uma jóia negra que emanava energia negativa, era uma pedra semelhante à de seus brincos, príncipe — Helios fitou Diamante, que demonstrou surpresa, assim como Saphiro.

Em meio a aquele diálogo, finalmente chegaram à câmara onde os dois cristais ficavam resguardados. Helios foi até o dourado e o pegou em mãos, fechou os olhos e concentrou-se. Enquanto isso, Rini unia as mãos ao colo, angustiada. Estava muito preocupada, e também sentida por ter sido excluída de tantos acontecimentos. O que significaria aquilo? Virou os olhos rubros em direção aos dois irmãos da Lua Negra, imaginando se eram tão inocentes como se diziam... E mais uma vez, a pontada da desconfiança a assombrou.

A pedra brilhou nas mãos do governante, em segundos o cenário começou a mudar de um salão claro para um bosque místico, os príncipes olharam para todos os lados, admirados com a tamanha beleza e unicidade daquela paisagem. Surpreenderam-se também ao verem o trio mudar da forma humana para a natural, os animais que lhe davam os nomes. Parecia a mais pura fantasia.

— Aqui é Ilusão, o mundo onde todos os belos sonhos são guardados. — Helios foi à frente, abriu os braços em meio a toda aquela natureza, em seguida, seu corpo também começou a sofrer mutação.

Saphiro e Diamante observaram o surgimento das asas, e as formas humanas transformando-se em equinas. Por fim, o cristal dourado materializou-se em um chifre, ali estava Pégasus. Rini sorriu, foi até ele e o abraçou.

— Há quanto tempo não venho aqui... — a rainha disse, ainda a sorrir. — Esse lugar me trás lembranças tão bonitas!

Saphiro olhou ao redor, fitou a grama colorida e encontrou nela a mesma flor que vira certa vez em seu planeta, andou e agachou-se diante ela, ficou a olhá-la, nostálgico, enquanto isso era observado pelo irmão que também parecia perder-se em lembranças.

— Seus sonhos também devem estar guardados em algum lugar neste bosque, príncipes. — Pégasus falou.

— Se forem belos. — Rini comentou.

— Então certamente estão. — Diamante, por instinto, rebateu.

— Sigam-me, por favor — o rei alado disse, interrompendo o clima hostil que quase os abatera.

Andaram até o enorme lago, onde seus pés (e patas) pareciam flutuar sobre as águas, era como se pisassem em uma grande vidraça. Chegando bem ao centro, lá estava, bem no fundo, brilhando como um pequeno ponto, a gota de cristal negro.

—... Não pode ser! — Diamante e Saphiro falaram juntos, observando fixamente o objeto.

“Volte.”

— O quê? — o príncipe da Lua Negra arregalou os olhos, ouvindo uma voz suave ao ouvido, como uma brisa.

“Volte para Nemesis”

Pôs as mãos sobre a cabeça e curvou o corpo, sentindo a mente dar voltas, como ondas.

“Volte e cumpra o seu destino como nosso príncipe regente, vingue-nos!”

— Príncipe Diamante? — Helios perguntou, enquanto Rini encarou os dois homens ainda mais desconfiada do que o normal.

Em um reflexo, Diamante flutuou, afastando-se da água e também do brilho macabro que vinha de seu fundo, somente ele ouvia a voz, Saphiro permanecia como os outros, olhando-o confuso.

— Saphiro, não se aproxime disso! — alertou o parente.

— Vi por trás dessa pedra, uma menina que parecia ditar uma profecia... Temo que em relação a você, príncipe. — o cavalo alado voou em sua direção.

— Profecia? Que profecia? — perguntou confuso.

— Temo que quem o trouxe de volta, deseja que cumpra o que no passado não conseguiu.

— Eu não desejo isso! — disse em alto tom — Não mais, dou minha palavra! Só quero que eu e meu irmão possamos desfrutar de uma vida pacífica na Terra!

— Eu acredito em você. — Pégasus parecia enxergar através dos olhos violetas — Por isso, peço para que sejam nossos aliados caso algo de ruim aconteça.

— Sim, se alguma batalha ocorrer, certamente lutaremos ao seu lado. — Diamante retomou a compostura.

Rini estava confusa, eram muitas informações despejadas de uma só vez, e diferentemente do marido que confiava nos novos ideais de príncipe Diamante, ela temia que o Black Moon preparasse uma armadilha. Certamente, ficaria de olhos bem abertos e avisaria suas protetoras para também ficarem.

“Príncipe Diamante, redimido totalmente? Não... E mesmo que seja verdade, até quando? E se mudar de idéia?” – era astuta.

...

— Não posso estar enganada — Ametista, que até então meditava sobre o tatame no círculo, abriu os olhos subitamente, ofegante — o príncipe recebeu minha mensagem!

— Tem certeza, senhorita? — Topázio, de braços cruzados, encostado em uma das pilastras do enorme salão, acompanhado de suas fiéis súditas, não demonstrou empolgação alguma — Ótimo. E então?

— O príncipe retornará! — Aoi pulou, eufórica.

— Agora aqueles terrestres verão só! — Akai fechou as mãos e gesticulou como se socasse pessoas — Tomem, tomem, tomem!

— Menos, vocês duas. — a líder falou arfando, parecia cansada e ainda mais pálida do que o normal — A mensagem foi entregue, agora é uma questão de tempo o príncipe se convencer de que deve retornar e seguir o plano secular de vingança de nosso clã, Black Moon.

— Certamente. — o cavaleiro dourado deu um longo suspiro e desencostou-se de onde estava, em passos pesados por conta da armadura, andou até a enorme porta que dava saída daquele lugar, seguindo seu rastro foram as gêmeas Agatha. O louro foi em direção a seus aposentos, sentou-se na cama envolvida por uma enorme cortina de veludo vermelha. Aoi e Akai foram até ele, cada uma sentou de um lado, ambas apoiaram o rosto em seus ombros.

— Mestre, está zangado? — Aoi perguntou tristonha.

— Não fique assim, mestre! — Akai disse mais energética — O que podemos fazer para melhorar seu ânimo?

— Que tal começarem por tirar minha armadura? — Topázio abriu um meio sorriso malicioso.

— Sim, mestre! — as duas coraram e logo cumpriram a ordem.

...

Mais uma manhã e início de tarde repleta de puxões de orelhas. Por ter acordado muito cedo, inevitavelmente Crystal sentiu-se cansada, e justo na aula de física acabou não resistindo, caiu no sono quando Yumi explicava como resolver a equação de Ótica. Também em Educação Física, com a mesma professora, não estava dando conta sequer de correr pela quadra da ala de esportes e lazer do palácio. Era notável a falta de paciência de Sailor Wind em seu alto e firme tom de voz, e também nas punições, a ponto de deixar a pobrezinha sem lanche. Não era para menos, na aula de química, ao invés de anotar os elementos e metais que estavam no quadro para fazer a conta de MOL, desenhou flores e corações por toda a folha do caderno, no instante que Wind a pegou no flagra, chegou a acreditar que a guerreira ficaria careca de tão estressada. Ao menos o treino de canto com Mizumi fora mais ameno, já que era um momento em que ela se distraía e esquecia quase tudo, menos uma coisa, ou melhor, pessoa. Entregava-se aos vocalizes totalmente, Sailor Ocean notou como ela estava diferente naquele final de manhã, Hina também, nunca ouviram a voz da princesa transpassar tanta emoção como naquele dia e apenas em simples exercícios de canto.

Enfim, as aulas do dia terminaram, a princesa suspirou aliviada ao voltar para o palácio, principalmente ao sentir o cheiro de comida. Seu estômago pareceu ter aprendido a falar pela forma como roncava, em uma corrida maratonista (a qual deveria ter feito na aula de Yumi), foi até a enorme sala de jantar do palácio.

— Fome, fome, fome, fome! — passava a mão pela barriga enquanto dizia.

Chegando ao cômodo, encontrou os pais, o trio Amazonas, Saphiro e Diamante já sentados à mesa, todos olharam-na instantaneamente. Riu totalmente desajeitada e corou ao mesmo tempo. Em seguida, as outras vieram, logo o almoço foi servido e todos esbanjaram-se com o banquete.

Após certo tempo de findada ser a refeição, Crystal andou pelo palácio até encontrar o príncipe de sua estima. Estava sentado em um banco esculpido em cristal e prata no jardim, com o olhar distante.

“Volte” — Ele recordava a voz da estranha, e ao pensar muito podia até enxergar mentalmente alguns fios de cabelo roxo bem claro, fechou os olhos quase meditando sobre o assunto, eis que mãos gentis lhe tocaram os ombros. Virou o rosto e a viu, o mesmo sorriso meigo de toda vez, extremamente contagiante.

— Princesa... — abriu um pequeno sorriso, retribuindo o dela.

— Não pense que esqueci de nosso compromisso! — Ela disse, indo para o lado dele, ainda de pé — Lembra que serei a sua guia?

— É claro. — levantou calmamente. — e para onde me levará primeiro?

— Ah, tem tantos lugares, só no jardim tem vários campos de flores, roseiras, lagos, cachoeiras... — falava empolgada, enquanto abraçava o braço dele e o puxava — Vamos!

Surpreendeu-se ao braço dela atar-se ao seu, mas permitiu, e conforme andavam, atentava-se às explicações que ela dava sobre as esculturas em meio às belas plantas, ouvia as histórias de infância em cada canto daquele lugar, e assim seguiam por um caminho de pedras preciosas, indo para longe. Distraídos, não perceberam duas mulheres a observá-los de uma enorme janela em uma das torres daquele palácio tão grande.

— Não gosto nada disso, majestade. — Sailor Wind disse, de braços cruzados — Não engulo esse príncipe Diamante, de jeito nenhum!

— É, eu também não, Wind. — Rini disse, fitando Crystal desaparecer entre as árvores ao lado do antigo inimigo, preocupada.

Continua...

Notas finais
Pessoal, vocês devem ter notado que chamei o mundo de Helios de Ilusão, isso porque no anime dublado assim é chamado, e como estou usando os nomes dos personagens da versão BKS, estou fazendo o mesmo com os lugares (ex: Tóquio de Cristal), e, a menos que eu seja surda, é assim que Helios chama o mundo dele no episódio em que leva Rini para um passeio. Prontinho! Espero comentários!