A Minha Queda Será Por Você

18 Um beijo que sufoca, uma noite que convida


— Eu quero um modelo desse jeito, entende? Verde, com um decote aberto daqui até ali! Quero que minhas curvas sejam bem aproveitadas, que meu corpo pareça maduro e sensual! — Reiko falava como uma matraca com a costureira, a pobre senhora mal conseguia se concentrar.

— Calma, Reiko! Deixa a mulher respirar! — Marine, aos risos, puxou a outra.

Olho de Peixe não agia tão diferente da jovem de cabelos negros, dirigia-se a outra senhora como uma madame exigente, chegou a agir de maneira tão irritante que levou uma espetada de agulha no bumbum propositalmente.

— Ai! Que atrevimento! Isso será descontado de seus honorários!

A situação era cômica, o rapaz ajeitava os bojos, esperançoso de que pareceria ter seios fartos e em belo estado. Enquanto isso uma senhora fazia ajustes no vestido de gala que ele escolhera. Reiko olhava tecidos e fazia uma boa bagunça, Marine aceitava sugestões de outra costureira sobre o que lhe cairia bem, Hina, por sua vez, não fazia ideia do que poderia vestir na noite especial e se enclausurava na própria timidez.

— Qual o problema? — Mizumi perguntou à jovem ruiva, isolada das outras, encostada em uma parede.

— É que... Não sei o que vestir, não sou muito boa nisso. — Hina fitou o piso, rubra.

— Você é uma garota muito bonita — a mais velha segurou o queixo da ruivinha, deixando-a ainda mais desajeitada — Não sei por que faz tanta questão de esconder o que há de bom em você. Se ao menos notasse a chama que queima dentro desse seu corpo tímido... Venha! Sei o que pode vestir! — a puxou pela mão.

— Ei, e eu? — Olho de Peixe gritou indignado.

— Peixinho, faz assim com o decote, olha só! — Reiko foi ajudá-lo, empolgada.

— Vejamos... — Mizumi girou vagarosamente o corpo de Hina, que vestia apenas as roupas íntimas. As duas já estavam em um lugar mais reservado, um largo provador. — Pare de se esconder, preciso vê-la para poder dizer o que ficará bem em você! — fez com que a menina tirasse os braços do busto e reparou que ali havia um bom volume. — Embora jovem, seu corpo já é bem amadurecido, sabia? Muitos homens poderiam cair por você, Hina!

— Eu... Eu... — a pobrezinha estava quase da cor do próprio cabelo — Não tenho talento para isso!

— Você é quem pensa... — A guerreira dos mares riu e buscou um distinto vestido — Vista-o. — saiu do provador para que a outra ficasse à vontade.

Após deixar Hina sozinha, andou pelo corredor de provadores e se deparou com uma cortina entreaberta, curiosa, espiou. Viu a mulher de cabelos prateados despir-se do traje costumeiro. Admirou as costas esbeltas e pálidas da companheira, as pernas longas e sentiu-se atiçada a ver o resto.

— O que você quer? Não estava ajudando a menina? — Os olhos prateados caíram sobre ela, rígidos.

— Você pode ser muito feminina se quiser... — Sorriu e fechou a cortina. Ao se afastar de Yumi manteve o pensamento próximo, e mesmo que esbanjasse mais um de seus lindos sorrisos de sereia, tênue melancolia se afirmava nas profundezas dele. — Yumi... — suspirou. Voltou ao normal quando viu Hina, completamente sem jeito, deixar o provador trajando a roupa de gala.

— Minha nossa! — Reiko gritou esganiçada ao ver a amiga, Marine, embora discreta, arregalou os olhos admirada.

— Eu não disse? — Mizumi falou orgulhosa.

— Hina, você está deslumbrante! — Hotaru pôs uma mão sobre o rosto, emocionada.

A menina dos cabelos cor de fogo tinha o corpo adornado por um vestido que lhe valorizava os seios arredondados, era rosa claro com as bordas do decote negras e não possuía mangas. Era longo, justo até um pouco abaixo da cintura, quando caía por sobre as pernas parecia uma cortina, e para completar o ar de charme, luvas negras subiam de suas mãos até um pouco acima dos cotovelos, parecia uma mulher adulta.

— Sei de algo que fará a diferença para o seu visual. — Mizumi fechou as mãos e quando as abriu, uma grande concha dourada e fechada surgiu, ela a abriu para Hina e mostrou, dentro dela, uma gargantilha de três fileiras de pérolas brancas e reluzentes. — Direto de minha terra natal para você, aceite esse presente!

— Oh, obrigada! — pegou a joia com cuidado, o rosto aqueceu — Por que está fazendo tudo isso por mim, senhorita Mizumi?

— Não gosto de ver uma beleza como a sua sem ser aproveitada.

— Mizumi, isso não é justo! — Reiko e Olho de Peixe gritaram em coro. — Nós também queremos ficar deslumbrantes!

— Um de cada vez! — a galante Sailor Ocean abriu os braços para receber qualquer um que aceitasse seus conselhos.

E enquanto as meninas se distraíam no centro comercial de Tóquio de Cristal, mãe e filha reuniam-se no salão real.

— Crystal, estou tão orgulhosa de você... — Rini passou os dedos pelo tecido branco e sedoso que ia até o chão, o vestido da princesa. Passou-os também pelo cabelo preso nas marias-chiquinhas de sempre, com pequenos cristais adornando-as. O vestido não era tão diferente do de princesa Serena, exceto por seus detalhes serem prateados ao invés de dourados. A rainha andou até um móvel encostado em uma das paredes, e de dentro da gaveta tirou uma tiara de cristal. — Um presente para você. — com ela nas mãos, andou até Crystal, e com delicadeza a pôs sobre a cabeça da menina. — Minha princesinha... — afagou o rosto da filha. — Está linda! — a abraçou.

— Mamãe... — Crystal fechou os olhos. Ultimamente, ela e a mãe estavam sempre em conflito, sentia saudades de gestos carinhosos como o daquele momento. Contudo, ao mesmo tempo em que se sentia confortada, sentia um peso na alma. Sabia que Rini não ficaria orgulhosa quando soubesse por quem ela estava apaixonada.

— Eu sinto muito por ter sido dura com você esses dias, sei que meus ânimos andam turbulentos, querida. — Rini disse a acariciar os cabelos de sua menina. — Eu ando preocupada com os recentes acontecimentos, não sei bem como me portar com nossos visitantes, se devo confiar neles... Sabe que se eles estão aqui, é por você, não é?

— Eu sei mamãe. Obrigada por acatar o meu pedido e me dar um voto de confiança. Príncipe Diamante e Saphiro são amigos...

— Essa é a minha filhinha? — Helios entrou no salão, surpreso tanto com a aparência de Crystal como com a cena afetuosa, e logo demonstrou sua satisfação em sorriso e olhar serenos. — A princesa mais bela de todo o universo! Não deve haver maior beleza nem em dimensões paralelas! — abraçou as duas.

— Ah, papai! Que exagero! — Crystal riu sem jeito.

— Mal posso esperar para ver a reação das pessoas quando virem a nossa filha descendo as escadas do salão de baile. Não é, querida? — o rei piscou.

— Claro, querido! Creio que muitos pretendentes surgirão, mas a nossa princesinha escolherá aquele para quem ela nasceu. Estou certa de que nessa comemoração Crystal encontrará o amor de sua vida, o homem que a fará feliz para todo sempre!

— Mamãe, papai, desculpem, mas preciso ir... Sabe, eu ainda não me sinto segura para bailar e há alguém me ajudando com isso... — Quis cortar o assunto imediatamente, não se sentia confortável com todas aquelas expectativas dos pais, e sem saber por que, algo a desagradava muito naquele tom de certeza da mãe ao falar que ela encontraria o amor de sua vida no baile. Não era verdade, acreditava com todas as forças que já o havia encontrado.

— Ah, o Olho de Tigre! Ele é bom professor? — Helios perguntou.

— Ele é um desastre! — a menina se precipitou — Digo, não me identifiquei com ele!

— Ué, então quem está ensinando os passos? — Rini arqueou uma das sobrancelhas, curiosa.

— O príncipe Diamante! — Crystal sorriu — Ele é bom professor!

— Como é? — a reação de indignação materna foi imediata.

— Se ele é bom e está a fazendo progredir, isso que importa! — O rei sorriu e pôs a mão sobre o ombro da esposa, contendo-a para não haver discussões.

— Sim... — Rini respirou fundo para manter a serenidade — Isso que importa, isso que importa! — tentava convencer a si mesma.

— Obrigada, papai e mamãe, agora tenho que ir! Vou trocar de roupa! — afastou-se aos saltos e quase tropeçou na barra do vestido ainda intacto por nunca ter sido usado.

— Crystal, cuidado com o vestido! — Rini pôs uma mão sobre a testa — Santa deusa Selene, essa menina não toma jeito!

O esposo da governante riu, divertindo-se com a situação familiar e a abraçou, satisfeito por ter compartilhado de um momento tão pacífico com as duas pessoas que lhe eram mais preciosas na vida.

As horas passaram e quando quase anoitecia, sob o véu alaranjado de fim de tarde e o imponente sol dourado a se esconder por trás das colinas, as garotas retornaram do passeio à cidade. Cada uma com seu embrulho, alegres, rindo e jogando conversa fora. Crystal as observou da janela do quarto e recostou a mão no queixo, apoiada na sacada. Muitas vezes se imaginava entre elas como uma menina quase normal, sem obrigatoriamente fazer parte da realeza. O título a afastava tanto do resto das pessoas, refletia. Suspirou e afastou-se de seu espelho para o mundo, mirou o olhar em rosas azuis meio manchadas num vaso sobre a penteadeira. Aproveitara o resto do dia para resgatá-las do ateliê antes que alguém as visse, passou o dedo indicador em algumas pétalas para ter certeza de que secaram e se lembrou da aula de dança que tivera mais cedo. Instantaneamente, sorriu e seus olhos brilharam. Passou as mãos em volta das flores e as abraçou de leve, de olhos fechados, as imaginou como o príncipe de seus sonhos.

“Papai, mamãe... Eu já o encontrei.”

— E então, garotas? Encontraram belas peças para vestir na noite especial? — Rainha Rini, sentada em seu trono, as recebeu calorosamente.

— Majestade, estamos muito felizes! Obrigada por me permitir acompanhá-las! — Olho de Peixe a reverenciou e foi olhado com ar jocoso pelos companheiros no canto do salão.

— Esteja à vontade, Olho de Peixe! — Rini riu, divertindo-se com seus súditos. Olhou para o lado oposto, viu Diamante e Saphiro um pouco isolados — Príncipe Diamante, aproxime-se, por favor.

— Sim, majestade. — Ligeiramente desconfiado, ele andou até estar perto do trono. Saphiro o observou, preocupado. — Deseja algo de mim?

— Sei que a nossa relação é difícil, sei também que não tenho sido muito agradável com você e seu irmão. Crystal contou que a está ensinando a valsar.

— Se isso a incomoda... — começaria a se desculpar.

— Obrigada. Por favor, ajude a minha filha a fazer bonito nesse baile, lhe serei muito grata. Digamos que essa é nossa trégua, o que acha? — tentou ser o mais agradável que podia, Helios percebia isso sentado ao lado dela e se orgulhava por sua postura.

— Claro, majestade. — o líder da Lua Negra segurou a capa com uma das mãos e a levantou para não arrastá-la no chão ao fazer outra reverência. Embora surpreso com o repentino tratamento amistoso, agiu naturalmente. — A sua filha não a decepcionará.

— Não me oporei à amizade de vocês. — a rainha disse — Que este seja o símbolo de união entre nossas famílias, príncipe Diamante.

— Ficamos muito satisfeitos em tê-los como nossos aliados e também em recebê-los. — o rei complementou. — Que essa amizade perdure por todos os milênios que vierem.

Embora o discurso fosse ameno, Diamante sentia-se intranquilo e apenas seu irmão notava. A palavra “amizade” jamais soara tão mórbida.

— Sim, majestades, esse também é o nosso desejo. — o nemesiano mais velho assentiu e retornou a seu posto, ao lado do irmão que lhe tocou o ombro tentando acalmá-lo.

— Está tudo bem, Saphiro... — falou baixo. — Já viu quem está ali? — apontou Hina com o olhar — Por que não tenta se aproximar dela?

— O quê? — o irmão mais novo quase enrubesceu.

— Ela está indo embora. — Diamante a seguiu com os olhos. Ia quieta, deixando o salão com o embrulho em mãos. — Pare de pensar em mim e pense um pouco em si mesmo! — com uma mão nas costas de Saphiro deu-lhe um impulso. — Vá! Vá!

Saphiro se afastou envergonhado, saiu do salão, mas não com o intuito de seguir Hina, até porque a jovem já havia sumido pelos largos corredores e ele não fazia ideia de para que lado a menina ira. Por ironia do destino ou não, caminhando distraído, fitando o nada e difundindo pensamentos, encontrou uma porta entreaberta com um feixe de luz a escapar e refletir no piso cristalizado. Curioso como sempre fora, aproximou-se sorrateiro como um felino e com um olho espiou além da porta. Jamais seu coração batera tão rápido e intensamente como naquele segundo. A menina tímida que tocava doces melodias para ele estava nua em frente a um grande espelho de parede abraçando um vestido cor de rosa, luvas negras estavam esparramadas sobre a cama. Ele quase perdeu o fôlego, precisou encostar a testa na madeira da porta para respirar e se acalmar. Olhou para uma das mãos e a viu tremer, não fazia ideia de que reação era aquela, estava envergonhado não por tê-la visto naquele estado, mas pelo que desejou quando a viu e ainda desejava. Engoliu a seco, retornou a seu posto, olhando pela fresta. Hina já havia vestido a peça e se contemplava com ela, tímida. Arrepiava-se com o vento que soprava nas costas nuas, tentava cobrir o decote no busto com as mãos e mesmo que o ajeitasse, ainda era chamativo. Deixou a concha dourada aberta com a gargantilha de pérolas sobre uma cadeira ao seu lado, virou-se para pegá-la, segurou-a com as duas mãos e quando se virou para voltar ao espelho levou um susto tão grande que deixou a joia cair e fazer barulho ao tocar o piso. Saphiro petrificou ao ser notado na posição em que estava , bisbilhotando. Afastou-se da porta em um pulo, cerrou os punhos, pronto para ir para longe e fugir do constrangimento, mas algo muito mais forte que ele o estimulou a entrar no quarto da ruivinha sem pedir licença.

— Você está... — não completou a frase, pois se desconcentrou ao admirá-la. A parede de vidro espelhava as costas despidas, brancas, sem uma marca sequer, parecia porcelana. Ele olhou o acessório jazido no chão, abaixou-se diante ela e o pegou. Enquanto isso, Hina permanecia estática, assustada e muito envergonhada, apertando as próprias mãos. — Eu posso? — Segurando a gargantilha a esticou, intuindo colocá-la naquele pescoço tão delicado.

Hina em silêncio, se virou de frente para o espelho novamente, fez de tudo para não olhar nem o próprio reflexo nem Saphiro. O coração disparado gritava dentro do peito, pronto para rasgá-lo. A pele eriçou quando o tecido suave da luva dele entrou em contato com sua nuca, os dedos afastaram os cabelos flamejantes e descobriram o pescoço, em seguida, as pérolas os adornaram e quando ela pensou que aquela deliciosa tortura findara, as luvas desceram do pescoço para seus ombros e neles estagnaram. Um sopro entre seus cabelos a arrepiou ainda mais e lhe forçou um suspiro assustado.

— Eu gostaria de... — ele disse, trêmulo, quase afundando o nariz nas madeixas vermelhas. Discretamente tirou uma das luvas que o impossibilitava de sentir a textura da pele de Hina e a deixou cair sobre o chão. — Sentir... — primeiro, as pontas de seus dedos percorreram suavemente as costas mornas e macias como um pêssego, Hina pensou que a morte a abraçaria, pois o ar quase a abandonou por completo juntamente à um gemido tímido e o doce som de sua voz foi apenas outro estímulo para que além dos dedos de Saphiro, a palma repousasse sobre a pele febril. — O seu calor, mais uma vez. — tardou, porém, completou a frase em um sussurro. — Hina... — reproduziu o nome em tom de súplica, ainda alimentando desejos pela menina como no momento em que a viu sem panos a cobri-la. Assim como ela, sua mão gélida também tremia. Eram como fogo e gelo, ele continha-a de fervilhar e explodir, e ela o derretia. O choque entre calor e frio provocava sensações em ambos, Hina comprimia os olhos e apertava as pernas, tentando conter aquela coisa esquisita, diferentemente dela, Saphiro se entregava e cada vez aproximava-se mais, até que um lado de sua face se colasse à dela. Os dedos dele já apertavam-lhe a pele e deixavam marcas rosadas.

— Não... — ela falou baixo e com dificuldade — “não consigo respirar!” — completou em pensamentos, desesperada.

— Não faça isso, não fuja de mim... — pediu pacientemente, enquanto a envolvia com um braço, firme. — Deixe-me ficar assim...

— Saphiro... — quanto mais próximo ele ficava, mais ela sentia que o oxigênio se extinguiria, o corpo tremia e esquentava gradativamente. — Por favor...

— Olhe para mim, só um pouco... Desculpe-me se a intimido tanto... — a mão livre da luva percorreu o rosto rubro e tímido, induziu-o a virar-se de encontro ao dele.

Não conseguia acreditar no que estava acontecendo, desejara tanto estar perto dele, queria tanto viver um momento como aquele e seu corpo falhava! Quanto mais tentava manter-se firme, mais sua alma parecia escapar. Cerrou os olhos com força, desesperada .

— Hina, me olhe... Não lhe farei mal algum. — Insistia, com o rosto cada vez mais próximo ao dela, a ponto de a menina sentir seu nariz tocar o dela e os ares misturarem-se, o que a sufocava ainda mais. — Não tenha medo de mim...

“Eu não tenho, mas...” — abriu os olhos lentamente e assustou-se com os dele, tão diretos, sem desviarem um momento que fosse. Assim que se deparou com as duas esmeraldas, Saphiro sorriu. Entreabriu os lábios, e ainda dominado por impulsos, tomou coragem e roçou-os no de Hina, abraçando-a por trás. Aquele foi o último ato para que o desespero de Hina a sufocasse. Uma forte vertigem a impediu de prosseguir, seus braços penderam e seu corpo pareceu pesar nos braços de Saphiro.

— Hina? — o rapaz arregalou os olhos, assustado — Hina, fale comigo! — ajeitou-a em seus braços, apertou-lhe as mãos, apalpou-lhe a face, ela não reagia. — Hina! O que eu fiz? — sentiu-se culpado. Às pressas levou-a a cama e a deitou ali. Correu até o banheiro do quarto da menina, molhou uma toalha de rosto e passou nas bochechas quentes da ruiva, nada mudava. Até mesmo respiração boca a boca tentou, os lábios dela ferviam como chamas, ela tinha febre, era o que acusava que estava viva. Saphiro correu até a porta, viu Reiko passar. — Você! Ajude-me aqui!

— Ei, o que você está fazendo no quarto da Hina? — pôs as mãos na cintura e lançou um sorriso sapeca.

— Agora não é hora para isso! Hina passou mal!

— Ai meu Deus! — ela correu até o quarto e se deparou com o estado da amiga — Seu maníaco, você abusou da coitadinha! — disse em tom indignado.

— Eu não fiz nada disso! — Saphiro se desesperou e quase morreu de vergonha.

Em pouco tempo o alvoroço tornou-se maior, quase todos entraram naquele quarto como se fosse a cena de um crime, Saphiro não teve coragem de dizer o que ocasionou o desmaio de Hina e isso fazia com que todos ficassem ainda mais perturbados.

— Eu já disse, não fiz nada de mais! Ela ficou nervosa e desfaleceu nos meus braços!

— E o que você fazia no quarto dela? — Sailor Wind o segurou pela gola da farda — Vai dizer que essa menina, envergonhada como é, o convidou?

— Ei, você! — Diamante puxou o braço da guerreira do vento, em defesa do irmão.

— Saphiro, por que sua luva está no chão? — Rini questionou, pegando a peça nas mãos.

— Gente, deve haver uma explicação para isso tudo! Parem de bombardear o menino! — Crystal intercedeu.

— Isso é culpa minha. — Diamante afirmou — Eu o incentivei.

— Como assim? — A voz da rainha soou alta e desconfiada.

— Não, meu irmão, fiz porque quis!

— Então você gosta da Hina? — Crystal abriu um sorriso de orelha a orelha e deixou Saphiro ainda mais constrangido.

— Chega disso! — pela primeira vez, o rei falou com uma firmeza de arrepiar os ânimos. — Esperemos Hina acordar, e então, ela explicará! Saphiro, aconselho que deixe o quarto para que ela fique mais à vontade. Tudo bem?

Saphiro acatou o pedido do soberano e, completamente envergonhado e de cabeça baixa, saiu. Ao passar pela porta, uma mão segurou seu braço.

— Ei! — era Olho de Tigre em um cantinho escuro, sussurrando. — Me ensina aí o seu truque!

— Que abuso! — Saphiro se soltou bruscamente e afastou-se.

Quando a lua já não se escondia por trás de nuvens brancas, os olhos de Hina abriram-se devagar. Sentada a seu lado estava apenas Crystal, o resto havia se dispersado.

— Princesa? — confusa, olhou para os lados, procurando Saphiro. — O que aconteceu?

— Eu que pergunto, Hina. O que aconteceu? Encontramos você e Saphiro sozinhos aqui, ele disse que você ficou nervosa e caiu dura nos braços dele! Você nos assustou...

— Essa não... O que ele deve estar pensando de mim à uma hora dessas? — soou cabisbaixa.

— Pedi para ficar sozinha com você, disse para mamãe e papai que na frente deles você ficaria constrangida. Pode me contar o que aconteceu, juro que ficará entre nós, afinal, temos nossos segredinhos! — sorriu, brincalhona.

— Estou com tanta raiva... — desabafou.

— Poxa, o que ele fez para você se sentir assim?

— Não dele, de mim... — suspirou — princesa, Saphiro me beijou. Por isso, desmaiei. — os olhos verdes marejaram. — Não sei por que, mas quando ele se aproxima, meu corpo parece que vai se desmontar! O meu coração acelera e então eu fervo, como um vulcão prestes a entrar em erupção... Dói, sufoca, inebria, é como se eu fosse um fantoche, e eu não consigo controlar... Quando me deparo com aquelas duas safiras brilhando, a minha alma me abandona, como se fosse dele! — respirou fundo, buscando força — Você tinha razão, estou apaixonada, e estou tanto a ponto de não possuir mais o meu próprio corpo. O que é essa coisa horrível e ao mesmo tempo irresistível, princesa?

— É amor...

— Eu não sabia que ele sentia a mesma vontade que eu de estar perto, de tocar... Só eu sei o quanto desejei cada toque dele, e quando finalmente obtenho isso... Meu corpo entra em curto circuito! Estou com raiva porque ele deve estar pensando que o rejeitei e nunca mais desejará se aproximar de mim! Estou com raiva por que estraguei tudo! — agoniada, Hina sentou na cama e cobriu os olhos com as mãos, em instantes estava soluçando. — Gosto tanto do Saphiro, isso dói, princesa! O que eu faço?

— Hina... — Crystal a abraçou — Não me chama mais de princesa, ta? A partir de hoje sou só a Crystal, sua amiga. Você não percebe como é simples a situação? Ele gosta de você, e você dele, o que pode ser melhor do que isso? Para desfazer esse mal entendido de hoje, declare-se para ele! Não será fácil, pois você é muito travada, mas se o ama precisa ser forte e superar todos os seus limites! O amor exige sacrifícios!

— Mas como eu vou fazer isso? Sempre que ele está por perto, passo mal!

— Isso tudo é de fundo nervoso, conscientize-se disso, lembre-se que você é feita das chamas!

— Sim... — repentinamente, as palavras da princesa transmitiram-lhe tanta confiança que ela até acreditou ser capaz de superar a si mesma — é verdade, se nem o fogo pode me queimar, meu corpo não pode ser tão frágil...

— A sua cura é a fé em si mesma! — Crystal falou empolgada.

— Sim, eu vou acreditar que sou capaz. — enfim, um sorriso — Obrigada, prin... Crystal! — as bochechas rosaram.

— E você ficou linda com esse vestido, Hina. Dá para entender porque o Saphiro quis te agarrar! — brincou.

Apesar de quase morrer de vergonha, a outra riu e enxugou os olhos, incrivelmente Crystal a animou rápido.

— Você também deve acreditar em si mesma... — a ruivinha disse — O príncipe gosta de você.

— Ele gosta da lembrança que vê em mim... — Crystal suspirou — Tudo bem assim mesmo, pelo menos o tenho por perto e o faço sorrir às vezes! Bem, direi que você acordou e que estava apenas conversando com Saphiro, teve um mal estar e desmaiou. Está bom assim?

— Obrigada, você é a melhor amiga que tenho, Crystal.

A princesa se preencheu de alegria com aquela declaração, pela primeira vez sentia-se verdadeiramente próxima de alguém naquele castelo. Estava feliz por encontrar uma pessoa que a trataria como igual. Apertou a mão de Hina com as duas.

-—Você poderá contar comigo sempre, somos cúmplices, é um pacto!

— E você comigo... — Hina pôs outra mão sobre a da sua companheira de segredos.

E assim Crystal encontrou todos no salão e contou a versão que combinara com Hina. Saphiro ficou surpreso e aliviado, tal como Diamante. As outras pessoas desconfiaram no início, mas depois aceitaram a história e cada uma delas foi para seu canto. Quando o jantar foi servido, os habitantes do palácio já agiam normalmente, exceto Hina, que de tão envergonhada preferiu não comparecer, Saphiro preocupou-se e sentiu culpa, contudo, transpareceu calma, era disciplinado como o irmão mais velho. Com o término da refeição, a princesa em seus passos saltitantes, foi ao quarto e, cuidadosamente, pegou as flores que deixou em um vaso. Ao passar do dia pareceu que a cor azul se fixou melhor nas pétalas brancas, estava orgulhosa da arte que fizera. Com o buquê para trás de seu tronco, Crystal foi aos aposentos de Diamante em pequenos pulos. Não era tão tarde, ele devia estar acordado. Ansiosa, bateu na porta algumas vezes, até que se abriu sozinha.

— Príncipe? — espontânea, entrou sem pedir licença e se deparou com a janela aberta e quarto vazio. A claridade da lua era a luz que iluminava o quarto. — Ele não está... — concluiu, desapontada. Sentou sobre os lençóis e repousou as flores no colo. Balançava as pernas, ansiosa. Notou uma luminosidade fraca por debaixo da porta do banheiro do espaçoso quarto, som de água caindo como chuva soava de lá. O príncipe estava tomando banho. Suspirou e corou só em imaginá-lo na grande banheira, e como em outros momentos, um calor estranho subiu entre as pernas. Andou até a porta e encostou as costas nela, abraçando as rosas azuis.

— Quem está aí? — o príncipe perguntou. Vira sombras de pés por baixo da fresta.

Crystal entrou em pânico, não soube o que fazer ou dizer, largou o buquê sobre o travesseiro e saiu às pressas. Foi até o próprio quarto como uma maratonista, tão veloz que por onde passou fez subir poeira. Bateu a porta com força, se jogou sobre a cama e se cobriu, ofegante.

- “ Que vergonha, que vergonha!” — parecia um tijolo recém pintado de vermelho. — “E agora? Crystal, a pervertida, assim ele me julgará? Parabéns, Crystal! Tenta ajeitar as coisas e as estraga de vez!”.

Depois de alguns minutos praguejando consigo mesma, ela resolveu se arrumar para dormir, convenceu-se de ser o melhor a fazer depois de um quase vexame. Pena não poder saber se ele gostara do presente, só queria vê-lo feliz... Parou de pensar um pouco, separou uma camisola branca de renda com delicados bordados em lilás – suas cores mais queridas. Soltou suas largas e longas ondas castanhas, sentou-se à cama, puxou o lençol para se cobrir e...

— A cor azul combinou com as rosas. — ele estava sentado sobre a sacada da janela, de pernas cruzadas, bem à vontade. Sua capa balançava juntamente às cortinas graças à brisa noturna.

— Príncipe! — gritou, esganiçada. Pôs as mãos na boca, com medo de que alguém de fora a ouvisse. — Fico feliz que tenha gostado... Eu sei que gosta de flores azuis, mas havia poucas na estufa, por isso pintei as rosas...- conteve o volume da voz, mas não a empolgação. – O que faz aqui? Poderia ter esperado até amanhã, é arriscado...

— Eu não quis. — Diamante pôs os pés no chão e ficou de pé — Eu não quero mais esperar.

O que ele queria dizer com não querer mais esperar? Crystal não compreendeu. Viu-o erguer a mão, não pensou, somente se levantou da cama e foi até ele como um cordeiro indefeso.

— Cortou suas mãos nos espinhos das flores, não foi? — analisou a mão pequenina que segurava — Por quê fez isso, princesa?

— Eu... — ela corou e baixou o olhar — Só queria te fazer sorrir de novo. Não gosto de vê-lo zangado, sinto que o irritei tanto da última vez que estivemos juntos... Me desculpe.

— Tola... — repousou uma mão no queixo da menina e ergueu seu rosto — Eu a tratei mal e você me pede desculpas. Como alguém como você pode existir?

-—Não ligo se foi duro comigo, você está aqui agora e é só o que importa... — sorriu, serena, e pôs uma mão sobre a dele em seu rosto.

— Suba em meus pés e feche os olhos — pediu e Crystal imediatamente acatou. — Só abra-os quando eu disser.

— Está bem... — com a cabeça acomodada no peito de Diamante, permitiu-se ser guiada pelos passos lentos, para um lado e para outro. A leveza com que ele se movia parecia mágica, a sensação que tinha era de estar flutuando. Conforme a dança se desenvolvia, um vento forte a envolveu fazendo sua pele arrepiar, ela se encolheu um pouco e foi abraçada mais forte pela cintura, o sorriso em sua face se expandiu, e embora as pálpebras estivesse abaixadas, percebia luzes passando. Afundou ainda mais a bochecha no peito dele e confortou-se nas batidas calmas do coração.

— Pode abri-los.

— Minha nossa! — arregalou os olhos assim que os abriu e segurou-se em Diamante com firmeza. Estavam sobrevoando o centro da cidade, a vista era a imensa torre de Tóquio e as luzes reluzentes dos prédios de cristal. A lua imensa e pálida os contornava. — Como viemos parar aqui? — indagou, confusa.

— Não é lindo? É um presente para você, não gosta? — a virou de frente para a paisagem, era possível até enxergar o mar refletindo os pontos coloridos de luzes da cidade.

— Por favor, me segure! — estava inebriada com a exuberância, entretanto, amedrontada.

— Confie em mim, nada lhe acontecerá enquanto estiver comigo. — segurava os ombros da princesa e só, queria que ela gozasse da sensação de sobrevoar. – Você não cairá.

O timbre dele era tão convicto, cada palavra que entrava pelos ouvidos de Crystal a convenciam e toda essa confiança que tinha nele era indestrutível. Seus músculos, pouco a pouco relaxaram, ela ergueu o rosto e fechou os olhos, sentindo a ventania. Os braços iam para trás junto ao vento e seus cabelos esbarravam em Diamante, quase o abraçavam. Então, o príncipe girou o corpo da menina de frente para si, como um passo de dança e a induziu a seguir seus passos, sem precisar subir em seus pés. Daquele jeito era tão fácil de acompanhar que ela até se surpreendeu, sem tardar o casal girava nos ares e a filha de Rini ria como uma criança divertindo-se na montanha-russa. O riso era tão contagiante a ponto de fazer o soberano da Lua Negra rir junto.

— Você nasceu para isso. — ele afirmou, jogando-a para o alto e trazendo-a de volta para si. Puxou-a firmemente para seu colo.

— Eu nasci para muitas coisas... — ela sussurrou, olhando-o nos olhos, com os cabelos caindo como cortinas sobre os ombros do príncipe. O seu olhar fora tão penetrante que o intimidou e o fez ficar em silêncio, fitando-a. — Que tal passearmos pela cidade já que estamos aqui? Nunca tivemos essa oportunidade! — brincalhona, sugeriu.

— Vamos. — segurou a mão dela e desceram dos céus pairando como duas plumas, flutuaram sobre o lago do parque de diversões, caminharam sobre a água até alcançarem terra firme. Era madrugada, o casal estava a sós para aproveitar cada lugar que quisesse visitar.

Primeiro, Crystal mostrou os brinquedos mais amenos como o carrossel, o bate-bate. Sozinhos, ligaram todos e aproveitaram. Diamante a princípio estranhou aquele tipo de lazer, a sua real diversão era observar as reações da princesinha, e a melhor parte foi quando dividiram a primeira fileira do carrinho da montanha russa. Acalmaram-se na roda gigante, mas o brinquedo nem possuía mais tanta graça depois de terem visto a cidade de cima das nuvens. Saíram de lá e andaram de mãos dadas até onde se conheceram, chegaram em frente à árvore por coincidência, aproveitaram e foram até a cabana que refugiou o príncipe. Sentaram sobre o feno e relembraram tudo, riram juntos como duas pessoas normais, grandes amigos.

— Vamos à gruta? — Crystal sugeriu, animada. Puxou Diamante pelo braço, induzindo-o a ir consigo. Ao chegarem no antigo refúgio da princesa, mesmo escuro como estava, um pequenino arco-íris se formava bem na entrada, sustentado pela luz lunar.

— Aí está... Encontrou seu pote de ouro? — observou-a ajoelhar diante as cores e transpassar os dedos nelas.

— Há algum tempo! — fitou o príncipe, sorrindo.

— E onde ele está? — ajoelhou-se junto à ela, observando o colorido arco-íris.

— Ao meu lado... — apoiou a cabeça no ombro de Diamante.

— Cuidado com o que fala. — a alertou sério, todavia não a afastou. — Não poderá se arrepender de palavra alguma depois.

— Não irei. — olhou-o. — Confie em mim como confio em você.

— Escute, princesa... — virou-a bruscamente de frente para ele e fitou-a diretamente nos olhos – Se quer mesmo fazer isso, saiba que não aceitarei ser rejeitado ou trocado por outro depois.

— Por que você cisma com isso? Eu só quero você! — segurou a face dele com as duas mãos – Se você me quisesse...

— Eu a quero. E a partir do momento em que for minha, não poderá mudar de ideia.

— Eu sou sua! Sou sua desde que o encontrei... — afagou as pálidas maçãs do rosto dele.

— Sua avó possuía uma alma gêmea...

— Que não é a mesma que a minha! — cortou-o.

— Ouça bem, princesa Crystal da famíla da Lua Branca — apertou as mãos dela sobre seu rosto — Jamais brinque comigo, posso ter me arrependido de meus erros passados, porém, ainda sou o príncipe Diamante, regente de Nêmesis, a bondade que cresceu em mim não sufocou completamente as minhas outras características.

— Eu o quero do jeito que é, meu príncipe. Não importa o que diga ou faça, não o temo. Não há nada que destrua essa confiança que tenho em você. — jogou o corpo sobre o dele num abraço, surpreendendo-o.

— Você é minha... — sussurrou, passando a mão pela nuca dela. De uma vez por todas apagou Endymion como ameaça. O elo estava selado. Puxou-a violentamente e a deitou no chão, ela não resistiu. Engoliu-a em um único beijo, despido de arrependimentos ou confusões, não pensou em reencarnações, em impossibilidades, em nada. Havia algo despertando nele aos poucos, podia sentir, algo que poderia não ser bom, mas era irresistível...

E não muito longe dali, com o nascer do sol, em uma esquina esquecida, uma gosma negra surgia empurrando a tampa de um bueiro prateado, sua pequenez não convinha com a força que tinha, lançou a tampa aos céus e escapou como uma bola de ping-pong a saltar, e finalmente na firmeza do chão, seu corpo começava a se moldar, primeiro braços longos, mãos largas e dedos finos, por fim o resto que imitava perfeitamente um corpo feminino, o último apetrecho foram os cabelos, grossos, cada fio um tentáculo. Era uma medusa de Ônyx.

— O que é isso? — pessoas que passavam, indo rumo ao trabalho, gritavam assustadas. Algumas eram agarradas pela criatura e puxadas para dentro dela, conforme engolia seres humanos, a coisa crescia.

“Sinto a escuridão despertar para encobrir essa terra e transformar sonhos em desgraça” —uma jovem de cabelos lisos arrastados pelo piso de mármore de um enorme mausoléu despertou. Os olhos verdes azulados abriram-se como duas pedras preciosas a brilhar, por trás dela um túmulo de pedra abriu-se devagar, um espectro esbranquiçado escapou de dentro dele e abriu a porta do jazigo, a mulher se levantou e o seguiu. — Guie-me, espírito de outro mundo!

— Príncipe, está ouvindo esses gritos? — Crystal perguntou, assustada, fazendo-o parar de beijá-la.

— Vem da cidade! — Diamante olhou para fora da gruta, imediatamente saiu de cima do corpo da princesa e a ajudou a se levantar. — Dê-me a mão, será mais rápido!

Crystal assim fez, com o breve tocar de dedos o cenário à sua volta se desfez, foi transportada pelo nemesiano até o estranho evento. Ambos depararam-se com o monstro, já do tamanho de uma casa. A herdeira do reino lunar cobriu a boca com uma mão e estremeceu, era o caos! Príncipe Diamante a abraçou junto a si, surpreso da mesma forma. O monstro focou seus enormes olhos alaranjados no homem de cabelos claros e abriu uma bocarra, de dentro dela via-se as inúmeras pessoas que foram engolidas.

Príncipe Diamante, soberano de Nêmesis, o décimo planeta, você é convocado a retomar o trono. Volte para Nêmesis!

— Quem é você? — Diamante pôs-se a frente de Crystal e gritou. Pessoas desesperadas o encaravam e ele não sabia definir que tipo de sentimento elas carregavam por ele. — Princesa Crystal, fuja imediatamente! — ele ordenou.

— Princesa? — Onyx alargou um enorme sorriso de onde estava, no salão do imponente palácio de Nêmesis, acompanhado por Ametista, Quartzy, Jade, Topázio e as gêmeas Agatha. Com um pêndulo de cristal negro se comunicava com o caco que residia na Terra, por ele também enviou a criatura. Por um par de óculos esculpidos em cristal negro via tudo o que acontecia onde a sua criação se materializara, e a energia vital de cada ser humano engolido, lentamente era sugada pelo seu pêndulo. Focou-se na testa da menina que acompanhava Diamante e sem esforços avistou a lua crescente. — Maravilha! — riu insanamente.

A princesa da lua e da Terra deve ser eliminada! — um dos largos tentáculos, rápido como um raio, enrolou-se no corpo de Crystal e a puxou. — A sua energia vital deve valer mais do que a de cem humanos normais!

O grito de Crystal ecoou por todo o quarteirão, Diamante tentou alcançá-la e embora fosse rápido, não foi o suficiente para impedir que ela fosse engolida como o resto.

— Princesa! — gritou desesperado.

Continua...