Notas iniciais
Gente, peço MIL perdões!! Administrar a mesma fanfic em três sites diferentes uma hora ia fazer confusão na minha cabeça!! Deixem-me explicar: Eu PULEI um capítulo aqui! Eu consegui fazer essa proeza! Por isso, deletei os últimos que postei e estou postando do jeito que deveria ser. QUASE que não percebo isso! Estou estranhando a falta de reviews, e tcharam! Olha o que eu fiz!! MIL PERDÕES! Então, deixa eu postar do jeito que DEVERIA ESTAR. Até agora estou tentando entender como consegui fazer isso.. Boa leitura!

A Minha Queda Será por Você
Capítulo 38 — Treinamento

Crystal sentiu a luz tocar os olhos como se lhes beijasse amigavelmente. Abriu-os, estreitou-os para acostumarem-se com a claridade, e então se viu sentada debaixo de uma árvore robusta. Sem compreender o modo repentino como foi parar ali, desencostou-se do largo tronco e olhou para cada lado tentando reconhecer o local.

... Como poderia esquecer? Era aquela árvore. Ali encontrara o príncipe trazido de volta à vida. A lembrança a fez suspirar saudosa. Seus pés descalços tatearam grama e terra úmidas, buscaram equilíbrio e, assim que se encaixaram perfeitamente no solo fofo, a princesa se ergueu. Vagou pelos campos à procura... Do que? Não. De quem? Era tão óbvio...

As pernas a levaram por vontade própria ao campo aberto cuja relva alta ela acariciou com as pontas dos dedos, os raios amenos de um sol amanhecido transpassaram-lhe as largas ondas e fizeram com que seus olhos, arregalados, parecessem mais claros e seus dentes à mostra reluzissem.

— Diamante! — Exclamou ao vê-lo de costas, perdido no verde sem fim. Correu ao seu encontro e abraçou-o, deslizou a face pela longa capa, apertou-o e sentiu-o, macio, a exalar o mesmo aroma místico, irresistível, exatamente como antes.

É um sonho. — não a olhou, a voz soou triste e distante. A face dele era um enigma encoberto pelos cabelos ao vento.

Eu sei... — selou as pálpebras úmidas, intensificou o abraço. — Mas é tão bom estar perto de você, mesmo que não seja de verdade... — as mãos, carentes, subiram pelos braços dele até pousarem em seus ombros — Olha pra mim. — pediu.

Lentamente, o Príncipe Branco se virou, os olhos fundos se revelaram, assim como os lábios ressecados, não sorriu ou lamentou, era a perfeita visão da apatia.

Estou perdendo você, Crystal. — as mãos balançavam-se lentas, atônitas. — Estou me perdendo... — fechou os olhos, respirou fundo e, num repente, uma mancha vermelha começou a se formar no abdome.

Está ferido! — deu-lhe apoio vendo-o prestes a cair. — Diamante, quem fez isso com você?

Um riso, apenas. Depois, um olhar incoerente de tão terno. A mão pálida e gélida percorreu o rosto morno e jovial da menina.

Você tão viva, eu tão morto... — um filete de sangue escorreu pelo canto dos lábios — Não, você não me pertence.

— Pertenço sim, você sabe disso! — agarrou-o, caíram de joelhos, juntos — Você não está morto, Diamante! Você reviveu, lembra? — as lágrimas dela derramaram-se no ombro dele. — Você foi revivido!

... Por quê? — o par de violetas opacas semicerrou-se.

— A sua vida dá razão à minha, por mim, você deve viver! — apertou-lhe as costas — Eu te amo!

— Não! — um espectro lilás se formou adiante, encarando-a inquisitório — Não foi por você! — uma força invisível separou o casal, parecia uma enorme mão a meter-se entre ambos. — Príncipe, você está vivo para cumprir um propósito! O nosso propósito, lembra-se?

Vingar Nemesis... — uma aura arroxeada formou-se ao redor do corpo cobrindo todos os seus contornos, a lua negra abriu-se em um olho dourado. — Nemesis... meu povo...

— Diamante, olhe para mim! Eu estou aqui! — Crystal gritou, imobilizada, esticou o braço tentando alcançá-lo. Ele, por pouco, conseguiu ouvi-la e tornou a olhá-la, porém sem demonstrar nada, os olhos pareciam de vidro. — Não se deixe levar, fique comigo! Volte para mim!

O espectro tomou forma e abraçou-se ao príncipe, era uma garota pequena, seus cabelos intocados pela gravidade tinham a cor de uma pedra preciosa: ametista.

Não importa o que diga ou faça, princesa. O caminho a ser traçado é apenas um, o destino já está seguindo a rota certa.

Por quê?! — a lua dourada na testa tremeluziu — Por que não podemos viver todos juntos? Por que insiste nessa vingança?! Eu conheço você, já te vi antes, não sei o que aconteceu para que nos odeie tanto, mas me deixe tentar acertar os erros do passado, eu peço! — com esforço, deu passos à frente, empurrando a força que a mantinha presa — Deixe Diamante ser feliz! — uma energia cálida e branca abraçou-a, talvez fosse também um espectro, alguém a guardando.

— É tarde, não há o que você possa fazer por mim. — os olhos claros e transparecidos recaíram reprovativos sobre Crystal — A minha vontade, no entanto, permanece, e enquanto eu a tiver, não me darei por vencida. Não só por mim, mas por meus conterrâneos, pelo meu sangue, pela minha raça. O clã Black Moon deve sobreviver e prosperar! — a mão pequenina apontou seus dedos para a princesa do reino de cristal, na palma uma bola negra se formou e de lá escapou veloz, intencionada a acertar seu alvo. — Não permitirei que você mine os pensamentos do príncipe através dos sonhos dele!

— Diamante, por favor, me escute! — insistiu sem se esforçar em desviar do ataque, tudo o que conseguia fazer era apelar por ele, e ele, como um sonâmbulo, não se focava, não a escutava, era como uma marionete. Quando a pequena bola quase lhe acertava o peito, algo a elevou aos céus, salvando-a. Ela ouviu o ruflar das asas e viu-se sobre uma criatura lendária — um pégaso.

Acorde! a voz de Helios ecoou em cada canto do consciente e do inconsciente de Crystal.

Num súbito, sentou-se à cama, a marca de sua silhueta desenhara-se no colchão por conta do suor.

Mas o que foi isso? enxugou os olhos encharcados, sentiu a insígnia arder na testa. Ofegante, viu diante de si, a flutuar, a pérola mística, a joia que em si continha todas as cores possíveis de serem enxergadas pelo ser humano. Quando quase tocava a preciosidade, ela se apartou em duas pedras novamente, a dourada voou como estrela cadente de volta ao seu destino, o cristal prateado retornou ao broche em formato de coração. Penas brancas caíram pelo quarto, Crystal não tinha ideia de por onde elas vieram ou a que pertenciam, certamente não aos travesseiros, pois estavam intactos.

Na suíte real, Helios também ofegava. Rini acordou assustada, temendo que o marido estivesse doente.

Querido, o que houve? Um pesadelo? afagou-lhe o braço.

— Olho de Peixe e Diana precisam ir a Elysium o mais rápido possível. a luz da lua madrigal embranquecia os cabelos do rei e cintilava em seu olhar preocupado.

O que está acontecendo, Helios? a esposa se sentou, alarmada.

A garota dos cabelos cor de ametista... passou a mão pela testa, enxugando o suor ela ainda pode estar lá... E Crystal...

— O que tem Crystal?

— Rini... sentou-se ao lado dela Pode ser que nossa filha esteja desenvolvendo a habilidade de vagar por dentro dos sonhos, assim como eu fazia no passado. tocou-lhe os ombros.

O quê?!

...

Príncipe, acalme-se! Jade segurou Diamante, tentando conter os seus espasmos.

— O que foi?! acordou em um pulo, arfando, o corpo inteiro tremia em taquicardia. O que aconteceu?! sentou-se no chão da gruta, o olho dourado fechou-se na testa e retomou o formato de lua. Ouviu barulho de ossos quebrando, eram os restos de esqueletos caindo sobre o piso negro. Mas que diabos... ele ia perguntar, irritado.

— Foi você! Jade adiantou-se na resposta. Não sei que espécie de pesadelo teve, só sei que fez quase tudo aqui dentro voar, sorte a minha não ter olhado diretamente no seu... Olho!

Foi um pesadelo então... passou a mão pela barriga, a farda estava intacta, no entanto, a pele ardia como se ainda rasgada estivesse, talvez fosse apenas a lembrança da dor e mais nada, entretanto, a voz de Ametista soava-lhe nos ouvidos: "Vingança"...

...

Crystal desceu as escadas, correu pelos corredores, chegou a derrapar no piso antes de chegar a seu destino: a sala de comunicações. Luna e Artemis permaneciam em frente aos computadores, enquanto um dormia o outro pesquisava uma forma de entrar em contato, depois trocavam de turno e assim se sucedia. No momento em que a princesa entrou, Luna era quem estava acordada, Artemis dormia sono profundo, o rosto apoiava-se nos braços, e os braços tinham como sustentação o teclado envidraçado cujos botões eram pedras preciosas.

— Princesa, o que faz aqui?! Luna assustou-se.

Estou com um pressentimento horrível, preciso muito falar com Diamante! correu para frente da máquina, apertou os botões aleatoriamente, desesperada.

— É o que temos tentado durante todo esse tempo, infelizmente não captamos sinal algum... tocou-lhe os ombros Você precisa se acalmar!

— Por que não respondem?! Eu não entendo! esmurrou as teclas Será que ele não sente a minha falta? cobriu os olhos com as mãos.

— Querida, enlaçou os dedos nas madeixas soltas, penteando-as algo deve ter acontecido. Eu prometo que continuaremos tentando, sua mãe nos pediu para fazermos isso por você, portanto, deixe comigo e com Artemis. Você precisa descansar, amanhã terá um longo dia. Lembra-se? Precisará treinar. cativou-lhe o rosto, fê-la descobri-lo, e sorriu, saudosa Como vocês são parecidas... suspirou depois de ajeitar a franja castanha arrepiada Mal posso esperar para saber como você se sairá na escola.

— Engraçado, mais calma, atentou-se melhor à mulher à frente Nós já nos conhecemos antes?

É provável que sim! apertou-lhe o nariz, tratando-a como uma criança Vá já para o quarto dormir, princesa! Amanhã seu dia será longo, terá que estar disposta para treinar!

Você promete que não vai desistir de entrar em contato com eles? pediu quando já estava à porta.

É claro que sim, princesa. dócil, respondeu. Crystal agradeceu com um sorriso e se retirou Ai, Serena... Luna suspirou e voltou a fazer seu trabalho no computador.

Hmm, o que foi? Artemis limpou a saliva no canto dos lábios e bocejou manhoso Já é minha vez?

Não, seu gato preguiçoso! Pode voltar a dormir! cruzou os braços e implicou Sabia que você ronrona enquanto dorme?

Ah, Luna, até parece! discutiria mais se não estivesse com tanto sono, os olhos teimosos fecharam-se novamente e tão logo ele adormeceu, comprovou que Luna estava certa: sim, Artemis ronronava enquanto dormia. Gato é sempre gato, não importa a forma que assuma.

Crystal iria retornar ao quarto, mas ao passar pela porta da suíte real ela parou de supetão. Lembrou-se de ouvir a voz do pai no sonho, alisou os contornos da porta e a empurrou de leve, viu-se diante de seus progenitores, abraçados um ao outro, adormecidos. Sorriu, admirando o quanto eles se amavam e desejando que num futuro não tão distante ela pudesse viver o mesmo com o seu Diamante.
"Talvez não seja para mim"... sacudiu a cabeça de leve tentando espantar o pensamento daninho. Puxou a maçaneta, preparando-se para fechar a porta, entretanto, o coração apertou-se, assustado. Estava com medo de ficar sozinha, de dormir sozinha. Empurrou a porta outra vez e, nas pontas dos pés, entrou no quarto de Rini e Helios. Sorrateira, foi até à cama, sentou-se ao lado do pai, envergonhada. Havia um pequeno espaço ali, grande o suficiente para ela se aninhar e adormecer, antes que pudesse se acomodar, ouviu:

— Não tem problema, minha princesinha. de olhos fechados, ele sussurrou sereno. Pode dormir aqui essa noite. sorriu e abriu os orbes dourados.

— Desculpe... deitou-se e, encolhida e envergonhada, acomodou a face ao ombro dele papai.

Aqui estará segura, eu a protegerei. afagou-lhe os cabelos Bons sonhos! Não vamos acordar sua mãe. piscou. Mal sabiam que Rini, virada para o outro lado, continha uma risada.

... E assim a noite se passou. Esposa e filha, cada uma encontrou abrigo em um dos ombros gentis do rei. Helios dormiu satisfeito, lembrando-se de que, durante a infância, Crystal acolheu-se em seu ombro várias vezes por medo de pesadelos, de trovões e do escuro. Rini reclamava, todavia, no fim aceitava e a punha no meio, aconchegada. Há tempos não se viam tão próximos como naquela noite estiveram, próximos o suficiente para refrescarem a memória do quão importantes são os laços familiares.
O sol, enfim, nasceu dourado e caloroso, com ele veio Sailor Wind de quarto em quarto, como sempre. Os regentes, a princesa, o príncipe e as guerreiras acompanharam-na até a mesa de café da manhã. Alimentados (pelo menos a maioria), fizeram a segunda parte do percurso: seguiram ao salão real, onde Neherenia, Olho de Águia e Olho de Tigre se encontravam a postos.

Onde está Olho de Peixe? Crystal o procurou.

Olho de Peixe partiu com Diana para Nemesis, ele disse que seria melhor ir sem despedidas, não teria paciência para dar tchau para todos. Águia deu de ombros, conformado.

— Ele não precisava ser tão sorrateiro... Helios suspirou.

— Poxa vida... a princesa baixou o olhar, entristecida de repente, todos resolveram partir?

Olho de Peixe tem uma missão, princesa, assim como você também tem uma, muito importante, por sinal. Neherenia aproximou-se, altiva. Logo atrás, jazia um enorme espelho emoldurado em prata e pedras preciosas, ela o apontou. Entre.

— Quê?! Eu? Por quê?

— Você, suas amigas, apontou Marine, Reiko e Hina e vocês. apontou Yumi, Mizumi e Hotaru. Entrem todas.

Que seja. Sailor Wind, destemida, foi a primeira a atravessar o vidro místico, seu corpo esguio o atravessou como se fosse feito de água e desapareceu na negritude. O espelho refletia escuridão apenas, e mais nada. Sailor Ocean, temerosa, saltou atrás da estimada guerreira dos ventos, Neherenia sorriu satisfeita e encarou as outras, arredias.

Está bem. Marine transformou-se em Sailor Acqua e estufou o peito. Estou indo! fazendo-se de destemida, foi-se. Reiko seguiu o seu exemplo e fez o mesmo, apertou o broche contra o peito, fez-se guerreira e adentrou o espelho misterioso.

— Sailor Saturno? a bela rainha pálida arqueou-lhe uma sobrancelha, desafiadora.

Não há perigo. Olhe de Águia tentou transmitir-lhe confiança com um sorriso.

— Certo. apertou a foice em mão, por breve segundo olhou para trás como se procurasse por alguém e... não estava lá. Hotaru conformou-se e, uma vez mais, uma marinheira sumiu do outro lado do vidro escuro.

Sobraram Crystal e Hina, com certeza as mais infantis e medrosas das guardiãs. Olharam-se, ambas abatidas, por afinidade sorriram, como se em um sorriso pudessem compartilhar as mais profundas confidências. Os broches adornavam-lhes os bustos, cada um cintilou na sua cor: vermelho e rosa. Os vestidos nobres transformaram-se em roupas de marinheira. Damien pegou-se admirando a princesa de seus olhos mais uma das inúmeras vezes.

— Juntas? Sailor Love estendeu a mão à Sailor Fire. A ruivinha tímida acatou num meneio de cabeça, deram-se as mãos e entraram lado a lado.

— Neherenia, eu quero entrar. Rini, apreensiva, deu um passo à frente e Helios a reteve. O que é? Qual é o problema de eu assistir? indignou-se.

Confie, querida. o rei pediu, calmo.

Obrigada, majestade. Neherenia reverenciou-o, lisonjeada por seu voto de confiança. Não se preocupe, rainha Rini, se não confia em mim, confiará em meus ajudantes... virou-se de frente para seus antigos súditos. Podem ir. Olho de Peixe e Olho de Águia assentiram e, esbanjando os dotes artísticos em acrobacias perfeitas, atravessaram o "portal". E agora, eu vou. a bela regente desfilou até seu enorme acessório, penteou as longas madeixas negras e transpassou-o elegantemente. Num repente, o espelho tornou-se comum, Rini ao ver-se refletida nele, aproximou-se e tocou-o, sua mão não o atravessou como os corpos dos outros antes fizeram, ela forçou passagem e ainda assim, nada feito. Fitou o marido e ele se mantinha calmo, portanto, nada de ruim deveria estar acontecendo... ao menos teoricamente.

O espaço era todo espelhado, como uma casa de espelhos de um circo qualquer. As guerreiras viam-se gordas, magras, altas, baixas e deformadas por todos os lados. Sailor Nature, galhofeira, começou a gesticular e a fazer diferentes caretas, depois esticou-se e encolheu-se, às gargalhadas, até um cascudo a interromper.

— Acha que viemos treinar para sermos comediantes? Sailor Acqua bufou, irritada.

— Credo! Que falta de senso de humor! passou a mão pelo topo da cabeça calejada. Ei, elas chegaram! apontou o indicador para Hina e Crystal, duas desorientadas.

Meninas! a princesa correu ao encontro das amigas, a guardiã das chamas veio logo atrás. Onde estão as outras?

— Não fazemos ideia, isso aqui parece um labirinto. Marine analisou o local incomum Com certeza é tudo uma ilusão.

— Ok, tá bom, mas o que uma sala de espelhos teria a ver com um treinamento físico? Isso aqui deveria ser um ringue pelo menos! Sailor Nature fez bico e cruzou os braços.

Acho ringues deselegantes da escuridão ela saiu, magnífica como o era. Acompanhando-a vieram Olho de Águia, Olho de Tigre, Sailor Ocean e Sailor Wind.

— Sailor Acqua, eu serei sua adversária. Mizumi jogou os cabelos para trás e pousou a mão à cintura.

— Quê?! a outra guerreira aquática enrijeceu toda Espera, vamos lutar um contra o outro, vai ser assim? empalideceu.

Querida, não vamos nos matar, vamos treinar. Quem melhor do que eu para ensiná-la a ser mais forte?

— Exato. Neherenia prosseguiu Olho de Águia, sua vez. deu-lhe passagem.

— Sailor Fire. lançou-lhe um sorriso faceiro Será que é páreo para mim? Hina só faltou se desmontar de pavor.

Mas eu nunca briguei com ninguém na vida! vermelha, protestou E ele... ele é um homem! cobriu o rosto com as duas mãos.

— Acha que só lutará contra mulheres ou monstrinhos se um dia houver um conflito em Tóquio de Cristal? Neherenia encarou-a inquisitória.

— Ande logo, não seja frouxa! Marine repreendeu-a de longe, encontrava-se ao lado de Mizumi.

— Está tudo bem, Hina. Ele não vai te machucar. Crystal, embora apreensiva, tocou-lhe o ombro. Sailor Fire conformou-se e foi até o rapaz.

— E eu? Com quem vou lutar?! Sailor Nature, afoita, bateu o pé no piso. Sailor Wind, ou...? os orbes púrpuros cintilaram ao encará-lo, mais galante do que o normal Ai, ai! suspirou.

— Olho de Tigre, vá. Neherenia realizou as fantasias de Reiko, no entanto, as expressões de Tigre, embora sempre sedutoras, eram sérias.

— Sailor Nature, não me subestime. ergueu-lhe a mão Não só sou um rostinho bonito, quando a teve próxima, sussurrou-lhe: se não ficar esperta, pode levar uma boa surra.

— Ora, Tigrinho! soltou um riso nervoso.

— A última coisa que sou nesse momento é um "tigrinho". fechou o sorriso.

Com isso, temos outra dupla de adversárias. Neherenia convidou Crystal com um gesto e Yumi com outro.

— Ah não, não brinca! Sailor Love quase ficou roxa, o sangue pareceu congelar nas veias. À frente, olhando-a de cima, soberba, estava o zéfiro do reino, a mulher fria e cortante como a mais cruel ventania. Sailor Wind não demonstrava emoção sequer, os olhos prateados fincaram-se como adagas na imagem da princesa. E Sailor Saturno, cadê? Por que não posso treinar com ela?

— Porque não é para ser fácil. a mentora daquele treinamento cruel respondeu ácida.

— Mas eu sobrei, não é mesmo? a guerreira do silêncio surgiu, finalmente.

— Está enganada. a voz conhecida ecoou, a mulher dos cabelos de vinho refletiu-se em cada espelho.

— Valkyria... sussurrou-lhe o nome Como veio parar aqui?

— Sailor Phantom foi convocada mais cedo, e já a esperava aqui dentro. os olhos azuis esbranquiçados fecharam-se. Agora, sigamos ao passo seguinte. todos fitaram-na atentos. Os braços longos esticaram-se e os dedos se retorceram, nas pontas raios prateados formaram-se e partiram, arrastaram-se pelo piso e envolveram cada oponente.

— O que é isso?! Sailor Saturno indagou ao vislumbrar círculos formarem-se no piso, ao redor de cada dupla. Primeiro Sailor Ocean e Sailor Acqua desapareceram numa bolha, a seguir foi a vez de Sailor Fire e Olho de Águia, na ordem sumiram Olho de Tigre e Sailor Nature, depois Sailor Wind e uma Sailor Love desesperada, gritando por socorro. Por último, Sailor Saturno se viu desvanecer junto com Sailor Phantom.

— Agora sim, é hora de armar os palcos. os orbes abriram-se, tranquilos, as pupilas douradas resplandeceram. Em diferentes espelhos, como se fossem transmissores, cada par se refletiu: Sailor Ocean e Sailor Acqua em um cenário aquático, Olho de Águia e Sailor Fire no topo de um vulcão, Olho de Tigre e Sailor Nature perdidos em um pântano lamacento, Sailor Wind e Sailor Love em um nevoeiro cinzento e, Sailor Saturno e Sailor Phantom, num cemitério noturno e outonal. Comecem!

— Wind, o que eu faço? Crystal, agoniada, perguntou. Ali era tão frio que o vapor escapava da boca.

— Defenda-se. das palavras à investida, apenas um sopro. Um derradeiro sopro, e Sailor Wind que antes estava a metros de distância surgiu em frente à Sailor Love, acertando-lhe um murro na boca do estômago.

Os olhos reviraram-se, turvos, e ela caiu longe, o corpo levou consigo enorme quantidade de fumaça branca e gelada.

— Wind... desacreditada, cobriu o abdome com as mãos, encolhida no chão, buscando por oxigênio.

— Levante-se e lute, vamos! a silhueta atravessava o nevoeiro, assim que ela se aproximasse, Crystal sabia que lhe acertaria outro golpe sem misericórdia, pois assim era a marinheira do vento, impetuosa. Hoje você aprenderá que lágrimas não servem de escudo contra o mundo, pirralha. — Ah, sim, naquele adjetivo pejorativo havia boa pitada de amargura.

Os olhos azuis da princesa arregalaram-se, ainda incrédulos, e antes que ela tivesse tempo de proferir qualquer protesto, o salto fino da bota cinzenta de sua oponente espetou-lhe os braços, a cintura e os ombros em chutes impiedosos. Ela rolou, desesperada, levantou-se dolorida e correu, ingenuamente.

— Não pode se esconder. Sailor Wind poderia alcançá-la num piscar de olhos se quisesse. No entanto, por algum motivo desconhecido, resolveu caminhar despreocupadamente. Dessa vez, não pode fugir.

Fugir? Ela estancou. Não, estava cansada de fugir. Fechou os punhos com força, de costas para a outra.

— Tem razão. virou-se, trêmula Mas Yumi, não vou bater em você. sorriu. A outra encarou-a em silêncio e respirou fundo. Crystal aliviou-se por crer que o espetáculo de horrores teria seu fim. Doce engano. A face esquentou quando a mão pesada de Sailor Wind espalmou-a.

— Tola!

Crystal fechou os olhos e virou o rosto, cujo lado ainda estava intacto.

— Não vou bater em você, Yumi. o sorriso persistia. Não vou bater em ninguém.

— Que assim seja! a outra mão estapeou-lhe a outra face, mais violenta do que no primeiro tapa. Sailor Love cambaleou, mas não caiu. Estava decidida a resistir até que o corpo não aguentasse. Se não reagir, apanhará até desmaiar!

No cenário aquático, a disputa era acirrada. Tanto Sailor Acqua quanto Sailor Ocean eram velozes, ambas investiram em golpes, mas toda vez que uma tentava esmurrar a outra, a adversária defendia-se ou desviava da investida com se dançasse. Os saltos de Sailor Acqua eram tão ou mais altos dos que os elegantes pulos de Sailor Ocean.

— Você é incrível, Marine! Devo admitir! sorridente e animada, Mizumi confessou.

A jovem dos cabelos dourados, buscou apoio na parede, todavia fracassou e escorregou. Estavam dentro de uma espécie de bolha d'água, as extremidades eram lisas e escorregadias, se não saltassem o tempo todo, não conseguiriam se manter de pé. Um único momento de fragilidade e Acqua foi acertada pela primeira vez, a guardiã marinha deu-lhe uma cotovelada nas costelas que a fez ver estrelas piscarem ao redor. Mesmo desatinada em dor, teve forças para acertar as pernas da rival com um chute rasteiro, fazendo-a cair de joelhos. Mizumi não deixaria por menos, tratou de puxar as longas mechas de ouro e trazê-la junto. Rolaram pela bolha, atracadas uma à outra. Sailor Acqua tentou acertar o rosto de Sailor Ocean, mas seu punho foi quase esmigalhado entre os dedos da rival.

— Aí não, querida! sussurrou e empurrou-a longe. Ágil, levantou-se e saltou, os pés conseguiram impulso no topo da bolha e, rápida, ela estava por cair sobre Marine novamente. Sailor Acqua, esperta, dobrou as pernas e mirou os pés na direção de Mizumi, assim como as paredes de água, as solas impulsionaram a sereia e jogaram-na longe, completamente desgovernada.

No grande vulcão, o calor escaldava. Sailor Fire não estava incomodada, já Olho de Águia transpirava tanto que seu corpo parecia lustrado de tão oleoso. O desconforto o fazia violento, entretanto, quando sua mão fechada acertou um ombro de Hina, o calor foi tão intenso que se não tivesse uma luva protegendo-a, teria esturricado.

— Ei, nada de poderes! É um treinamento físico! reclamou, apertando a própria mão.

Eu não fiz nada, eu juro! acuada, abraçou-se, febril. Não faça isso! implorou ao vê-lo arrancar uma rocha da grande montanha e ameaçar arremessá-la.

...E ele fez. Atirou a rocha, desajeitado. Sailor Fire, ao tentar desviar, torceu o tornozelo e escorregou, por pouco não caiu e se desmanchou em lava nas profundezas escaldantes da grande montanha, ficou pendurada.

— E agora? Como vai sair daí? Águia parou, de pé, em frente à ela. Do modo como estavam, o rapaz esbelto parecia uma entidade superior, alto e supremo.

— Me ajude! suplicou, sentindo dificuldade de se segurar, os dedos cravaram-se como puderam na pedra arenosa, no entanto, os braços pareciam pesar toneladas, e lá em baixo, o fogo faiscava. A jovenzinha olhou para baixo e no verde de seus olhos o magma dourado se confundiu.

Dê o seu jeito! continuou do jeito em que estava, cruzou os braços à espera.

Num ato desesperado, Hina largou uma das mãos para agarrar o tornozelo de Olho de Águia.

— Ótima ideia! riu e balançou a perna, ainda assim ela não o soltou. Mas que garra! caiu sentado. Hina tomou seu outro tornozelo e cravou os pés à pedra Então é isso, vai me levar junto?

— Não! gritou, vermelha de tanto fazer força Porque eu não vou cair, você vai me ajudar! grunhiu, enquanto com as pernas tentava escalar e tornar ao topo do vulcão.

Águia gargalhou, até que o riso foi interrompido pela ardência. As mãos da menina, mesmo enluvadas, escaldavam como o fogo. Num reflexo para não se queimar, ele deu uma cambalhota para trás e esticou as pernas para o alto, atirando-a para fora do vulcão, Sailor Fire rolou ladeira abaixo, o uniforme ficou encardido de cinzas e terra. Ralada e suada, levantou-se com dificuldade e encarou-o, os punhos fechados puseram-se à frente do rosto, em uma atitude defensiva.

— Vamos, ataque! chamou-a com as mãos Você não pode ter medo de machucar o inimigo!

Não somos inimigos! respondeu.

...

Sailor Nature, imunda de lama até o pescoço, abraçou-se à raiz alta de uma árvore. Ofegante, contemplou Olho de Tigre intacto, a farda branca brilhava em contraste às cores escuras do cenário e os pirilampos o rodeavam, verdes, cintilantes.

— Vamos, Sailor Nature! Não seja tão mole! da grama, chamou-a. Não encostaria na lama.

Tigrinho, essa brincadeira perdeu a graça! resmungou e sentou-se sobre a raiz.

Brincadeira? as expressões se fecharam, tensas. O guardião onírico deu a volta no lago de lama pelas beiradas, equilibrado como um digno trapezista. De frente a ela, segurou-lhe o queixo e limpou-lhe a face. Reiko fitou-o confusa. Em seguida, os dedos tigrinos rolaram pelas madeixas negras e oleosas, desembaraçando-lhe os nós. Ela suspirou, ele sorriu e, agarrou-a pelos cabelos com força, forçando-a a empinar a cabeça para trás e surrupiando-lhe um grito. Isso não é uma brincadeira, boneca. arremessou-a para fora da lama, fios esverdeados de grama grudaram-se ao corpo da marinheira, assim como alguns carrapichos espinhosos que lhe causaram tremendo desconforto.

Irada de raiva, levantou-se e atirou-se contra ele, dando-lhe murros sobre os ombros e peito, finalmente manchando-lhe tecido branco. Olho de Tigre, tranquilo, conteve as mãos pequeninas e raivosas com as dele, apertando-as firme.

— É tudo o que pode fazer? desafiou-a. Duvido que Marine fosse tão bobalhona!

Como? Comparou-a com Marine? Sim. Os olhos púrpuros ferveram. O joelho em cólera subiu certeiro entre as pernas de Tigre. Para a sorte do homem, suas pernas cruzaram-se antes e o golpe acertou-lhe a coxa. Doeu como o inferno mesmo assim, afinal de contas, a filha da Mãe Natureza tinha força quando a raiva lhe subia a cabeça. Vendo que seu ataque falhara, tratou de cravar o salto da bota esverdeada no pé de sua vítima. Ele rosnou e empurrou-a, a marinheira segurou-lhe a gola e o trouxe junto. Caíram sobre a relva alta, e num repente ele se viu adornado por fios verdes também, e por cima, uma cortina negra vedava sua visão, eram os cabelos de Reiko que o cercavam.

— Marine, Marine, Marine! histérica, vociferou Sempre Marine! cativou-lhe o pescoço com as duas mãos descontroladas e grunhiu.

— Você tem garra! esbanjou um sorriso satisfeito, ela apertou-lhe a garganta Ei, assim vai me sufocar! tomou-lhe os braços e tentou livrar-se deles. Solte! agarrou-lhe o pescoço também, obviamente muito mais intenso e forte do que ela. Sailor Nature liberou-se em lágrimas e desfez o nó, largando-o. Os braços penderam, olhos fecharam-se. Já desistiu? a voz grave insistiu na provocação.

— Isso é cruel! Por que temos que passar por isso?! jogou-se sobre ele, abraçando-o. Eu sei que você gosta da Marine, por que usa isso contra mim? É um treinamento físico e não uma tortura! o corpo chacoalhou-se, soluçante. Eu gosto de você, Olho de Tigre! declarou-se. As mãos felinas soltaram-lhe o pescoço e acarinharam-lhe a nuca.

— Vocês precisam se fortalecer em todos os sentidos, Reiko... sussurrou ao ouvido da guerreira. Numa batalha, não se perde somente sangue, nunca se esqueça. massageou-lhe os ombros e segurou-a por eles, girou-se sobre ela, deitando-a na grama. Pare de chorar. retomou a seriedade e a postura, levantou-se e afastou-se alguns passos. Ataque. ordenou e esperou-a.

Sailor Nature tossiu, depois respirou fundo até recuperar o fôlego. Enterrou os dedos na terra marrom e, ao levantar-se a trouxe consigo. Correu na direção dele, e quando estavam bem próximos, atirou-lhe os grãos diretamente nos olhos. O guardião, atordoado, esticou os braços e as mãos abertas tatearam o nada. A navegante mordeu o lábio inferior e, estremecida, buscou sorrir.

"É para atacar? Pois bem..." saltou em cima dele, pronta para feri-lo se assim teria que ser.

...

— Estou entendendo... Sailor Saturno, apoiando-se em um túmulo de pedra, secou o suor da testa. Do outro lado, Sailor Phantom a aguardava de pé, uma cascata de sangue escorria pelo canto do rosto e pingava sobre o ombro. Neherenia não queria testar apenas nossas forças físicas, mas também a nossa força interior, não é verdade?

— De certo modo.

— Ela sabe pelo que poderemos passar no futuro... suspirou pesarosa Chega, foi o suficiente para mim, ao menos por hoje. levantou-se e largou a foice sobre o piso coberto de folhas secas e douradas.

— Ainda não acabou, Saturno. Sailor Phantom pôs-se em pose de ataque.

— Valkyria, eu não quero feri-la ainda mais, pare com isso! alertou.

— Está brava porque eu sabia e você não?

— Sobre as intenções de Neherenia? Sim, estou. Como você soube?

— Ela me procurou de madrugada, na verdade uma de suas sombras... Deve ter sido o mesmo com os outros selecionados... Olho de Águia, Olho de Tigre, Sailor Wind e Sailor Ocean.

— Isso é loucura, quase uma brincadeira de mau gosto.

— Não, Saturno, isso é coerente. desfez-se da hostilidade e sentou-se sobre um túmulo próximo ao que a marinheira do Silêncio estava sentada Se tivermos forças para enfrentar pessoas queridas, teremos forças para enfrentar qualquer outra coisa. Não se trata de matar entes queridos a sangue frio, mas de fazer o que for preciso para proteger o que é mais importante.

— E o que seria mais importante do que o amor de uma mãe por sua filha? Hotaru encarou-a, deprimida.

— Esse reino foi construído diante do sacrifício de muitos, a nossa missão é mantê-lo, não é? baixou o olhar. Somos suas protetoras. Guardá-lo é o que nos resta, enquanto vivermos.

— Pensei que você não se importasse com o reino, ou com os deveres de uma guerreira.

— Não querer fazer algo não significa não se importar... Mãe. fitou-a.

— Faz tempo que não ouço isso... Sailor Saturno sorriu terna e emocionada Muito tempo! enxugou os olhos. Seu pai ficaria orgulhoso de você, Valkyria.

Eu duvido muito. uma folha caiu sobre suas pernas, ela a pegou e girou, depois despedaçou-a e admirou os pedaços d'ouro voarem para longe junto com a brisa fúnebre.

"Por hoje, foi o suficiente!" A voz de Neherenia ecoou por cada diferente paisagem, tão logo o decreto fora dado, os cenários se desfizeram e todos retornaram ao salão espelhado. Crystal caiu de joelhos, cheia de hematomas e arranhões, Sailor Fire, aos trapos, acolheu-a. Sailor Acqua, enxarcada, deu apoio à Sailor Nature e ajudou-a a livrar-se dos carrapichos. Olho de Águia contava as queimaduras, Olho de Tigre coçava os olhos inchados e Sailor Ocean limpava o canto dos lábios, ensanguentado. Sailor Wind, por sua vez, estava intacta. Sailor Saturno e Sailor Phantom feriram-se, mas eram resistentes, ambas encaravam a Rainha das Trevas, na expectativa.

— Falharam. eis o julgamento, ríspido e direto. Boa parte de vocês, pelo menos. rolou os olhos sobre cada um. Daqui a dois dias quero um resultado diferente, portanto, fortaleçam-se como puderem nesse tempo. estalou os dedos, e como num passe de mágica, cada ferida em cada um dos aprendizes desapareceu, ainda que a exaustão permanecesse. A passagem abriu-se outra vez, do lado onde estavam ela piscava branca e alumiada. Vão! Cada um atravessou-a, até restar apenas Crystal daquele lado. Espere. Neherenia segurou-lhe o braço. Princesa, por que não revidou os golpes de Sailor Wind? olhou-a no fundo dos olhos, e foi pega de surpresa pelo sorriso amigável.

— Porque eu a amo, assim como amo a todos com quem convivo desde que nasci, assim como amo cada ser vivo que habita esse Universo. Posso me machucar de todas as maneiras possíveis, mas jamais machucarei aqueles que eu amo, nem que eu tenha que dar a minha vida por isso! os oceanos azuis transbordaram uma luz antiga e conhecida. Os dedos de Neherenia escorregaram pela pele macia e penderam, e a bela rainha da Lua Nova perdeu-se naquele sorriso puro, ainda que nele se escondesse forte pitada de tristeza e saudade.

— Não quero que sofra, princesa. confessou Mas o Universo que você tanto ama é cruel e pode não correspondê-la à altura. Portanto, sinto-me no dever de prepará-la para isso, pensou: — "prometi que o faria... a alguém, há muito tempo".

— Eu agradeço. assim, a conversa teve fim e as duas passaram para o outro lado, retornaram juntas ao salão real, onde Crystal foi recebida pelos abraços da mãe e do pai.

...

"Hina..." Saphiro traçava-a na memória, recordava-se perfeitamente do gosto adocicado dos beijos que trocaram, do calor dos toques e do conforto dos abraços. Sozinho em seu quarto, atirado sobre os lençóis, os olhos vagavam pelo teto, pelas paredes e pelas pilastras, procurando no negro uma nuance do alaranjado, do fogo. "Eu devo esquecê-la". reprimiu-se descontente "Eu tenho que esquecê-la!" insistiu e fechou os olhos "Porque em breve seremos inimigos" as mãos fecharam-se agarradas à seda "e eu terei que matá-la, se for preciso". abriu os orbes de novo, sérios e melancólicos. Levantou-se, abandonou o cômodo, atravessou os corredores e parou na grande sala do trono, onde uma jovem bailarina se encontrava sozinha e pensativa. Ao ouvir os passos de Saphiro, ela se virou delicada e direcionou-lhe um sorriso, ele retribuiu.

As horas passaram e, finalmente, chegou o momento da soneca de Viridis Abyss. Diamante e Jade deixaram a montanha depressa, sem olhar para trás. Quando chegaram ao óvni, a bagunça se instalara, Akai parecia pular amarelinha pelo piso da nave, escalava as pilastras e inventava todo o tipo de brincadeira besta para matar o tempo. Ao vê-los, gritou eufórica e irritada ao mesmo tempo:

Pensei que não voltariam mais, que tinham sido tostados ou sei lá o quê! O que aconteceu?! Nunca mais façam isso! Da próxima vez parto sem vocês!

— Moleca, você está falando com o príncipe, lembra-se disso? Jade puxou-lhe a orelha.

— Como partiria sem nós se não sabe pilotar a nave? Diamante, tranquilo, direcionou-se ao painel de controle.

— Ih! Akai coçou a nuca, pega de surpresa, sem respostinhas na ponta da língua.

— Sorte a sua ele levar na brincadeira! a amazona sussurrou.

— Não conte sempre com a sorte, no entanto. que ouvidos! De costas a elas, não deixaria de dar a palavra final.

A nave decolou, deixando para trás poeira e escuridão. O príncipe olhava pelas janelas, desesperançado, uma mão pousava sobre a barriga e a massageava, às costas sentia um abraço, como no sonho, e os ouvidos ainda ouviam a voz doce, chamando-o, dizendo-lhe que sua vida era a razão da dela.

Vingue-nos... um sussurro interferiu, e ele viu-se diante de duas garotas, como se fossem dois caminhos – em um ele se deleitaria nos braços do amor verdadeiro, em outro cumpriria com suas responsabilidades e traria ao seu povo prosperidade. Antes ele sabia muito bem o que queria, e como queria que fosse feito. No presente, o coração apontava-lhe uma direção e a razão outra completamente oposta: seria amor ou vingança, não poderia ter os dois.

Continua...

Notas finais
Essa palhaçada de pular capítulo só aconteceu no Nyah, fui averiguar no AnimeSpirit e estava tudo certo. Com certeza, na hora de confirmar se o capítulo estava ok eu devo ter me esquecido e deixado passar em branco, é a segunda vez que acontece. Daí jurei que estava postado, mais uma vez peço desculpas e espero não ter causado confusão na cabeça de ninguém! Aff! Sou tão nova para estar caduca, mas é a vida. Enfim, estou com saudades das reviews... Onde está todo mundo? x.x