A Minha Queda Será Por Você

7 Sensações e revelações


Notas iniciais
Finalmente a história aqui no Nyah já alcançou o mesmo patamar do FFnet! Mas que trabalho! Ai gente, gostei tanto desse capítulo, quando lerem entenderão o porquê!! No finalzinho dele, postarei uma imagem das outras meninas, Marine, Reiko e Hina com Crystal( é antiga, mas está valendo). Espero que gostem!!! Digam-me o que estão achando, por favor!!

A Minha Queda Será Por Você

Capítulo 7 — Sensações e revelações.

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- Veja, Marine! Finalmente, as cerejeiras estão desabrochando! – Reiko, entusiasmada como sempre, apontava as árvores ao longe para a amiga loura, que estava ao seu lado na grande sacada revestida de cristal e mármore de um tom branco que quase brilhava.

- Evidente que sim, já que é primavera, sua tonta! – Marine riu, o gênio engraçado de sua amiga sempre a divertia – Bem que nossa princesa Crystal poderia já ter despertado para assistir o desabrochar de uma simples flor com as amigas...

- E também Hina! – Reiko riu.

- Hina? Esta já está bem acordada, não vê? – Marine apontou para o lado esquerdo do jardim, sentados em uma fonte de pedra com a imagem de rainha Serena talhada em pedra preciosa em seu centro estava a ruiva ao lado de Saphiro.

- Ora, veja só, quem diria? A mais tímida e quieta de todas nós já se arranjou, e com um rapaz muito bem apessoado! – Reiko se debruçou para ver com mais nitidez, até ser puxada pelo ombro.

- Deixe-a, ela não precisou se atirar nos braços do estrangeiro para conseguir alguma coisa. Por que não segue seu exemplo?

- Hina não tem rival. Acha que é fácil para mim, Marine? O homem por quem me interesso só quer saber de você! – A morena cruzou os braços, emburrada.

- Aquele felino no cio é a quem se refere? – riu – Pois é todo seu! Eu preferiria me tornar freira a ter algo com um casa nova tão clichê!

- Ah, ao menos admita que ele é bem bonito! – os olhos púrpuras brilharam.

- Beleza é apenas uma capa, tire-a e procure a qualidade de seu interior. É como um belo embrulho de presente sem nada dentro – bufou –Bem, é bom nos vestirmos adequadamente, Sailor Saturno nos quer presentes no salão vazio da última ala do palácio.

Marine se foi, Reiko permaneceu mais um tempo na sacada a respirar o ar puro da manhã, sentia-se extremamente confortável em meio a tanta riqueza natural embelezando aquela arquitetura nobre toda lapidada em mármore, cristal e diversas outras pedras preciosas.

E lá em baixo, à fonte que até instantes atrás a morena expionara, a jovem tímida e ruiva acomodara-se ao lado do Black Moon com quem, ultimamente, dividira alguns momentos e canções.

- Estranho a princesa tê-lo olhado daquela forma, é certo que já haviamos ouvido falar de seu clã e planeta, mas nada de certo alarmante...

- Acredita que alguma experiência que a mãe dela viveu no passado possa tê-la afetado? – Olhando ao longe, ele perguntou enquanto refletia.

- Bem, tudo o que viveram foi há tanto tempo... O que sabemos é que quando Rainha Serena e nossa atual rainha usaram os poderes dos cristais prateados do futuro e presente, extinguiram definitivamente o Fantasma da Morte e seu poder maligno, consequentemente o cristal negro.

- Não. – ele afirmou com veemencia, ainda olhando para o nada.

- ... Como assim? – fitou-o, insegura.

- Certamente ele não está por aqui, mas sinto o seu poder... – Saphiro suspirou – mesmo que seja apenas um resquício, ele ainda existe. Lembro-me que o grande cristal negro veio conosco de Nemesis, mas não era o único, Hina... Em meu planeta, o que restou dele ainda deve existir.

- ... O que pensa que isso significa? – amedrontada, a menina apertou a saia do vestido por sobre os joelhos.

- Eu não sei. – fitou-a, de perfil para ele – Mas prometo que nada tenho a ver com isso – Cuidadosamente, repousou uma de suas mãos por sobre a dela – Acredita em mim, Hina? – seu timbre soou ligeiramente inseguro.

Hina, que até o presente mantinha o olhar baixo, ao ser tocada, lentamente ergueu o rosto, como sempre ruborizado, e fitou o jovem ao seu lado, cuja mão apertava levemente a sua. Ainda que fosse quase um sacrifício fitá-lo nos olhos, já que tudo nele a intimidava, não por transmitir hostilidade, mas por considerar sua beleza e quietude desconsertante, permaneceu a olhá-lo, talvez tentando buscar um traço que motivasse desconfiança, todavia só via por trás das duas safiras uma retida melancolia, traços de remorso e solidão, jamais maldade ou tênue sombra de vingança. Engoliu seco, tentando não ceder a outra crise de timidez. Embora trêmula, sua mão livre se pôs sobre a dele que segurava sua outra, passou-a por cima do pano macio da luva que ele usava, e já que era difícil falar sem entregar-se a gagueira, abriu um pequeno sorriso que pudesse transmitir algum conforto a Saphiro, jurava que não conseguiria expressar aquele pequeno gesto sem que seu coração explodisse.

- Você tem sido tão boa comigo ... – ele disse, surpreso pelo gesto tão afetuoso vindo de quem até o dia anterior fugia dele com frequencia – Obrigado, Hina, pela frequente companhia. – podia sentir o calor suave daquela mão delicada, mesmo que o tocasse por cima do pano de uma luva e era a primeira vez que experimentava tal sensação.

Calor... Carinho – sim, aquilo era carinho. Fechou rapidamente os olhos e abriu um pequeno sorriso. Hina, aproveitando que ele escondera justo o que mais a intimidava (os olhos), calmamente tirou a mão por sobre a dele, já que havia virado a outra de forma que se encontrassem de qualquer jeito, e enfim a que estava livre, ainda que por nervosismo ou pelo esforço de fazer algo que ia contra seu jeito recatado, trêmula aproximava-se do rosto dele. Ao encostar sutilmente as pontas dos dedos na pele das maçãs pálidas e frias, os belos orbes azuis abriram-se espantados.

- Desculpe-me, eu não devia! – com o rubor tomando conta de toda a sua face, preparar-se-ia para levantar, e mais uma vez, fugir e esconder-se.

- Por favor. – Saphiro falou baixo, segurando-a por aquela mão que quase o afagou – Fique comigo, Hina.

As esmeraldas cintilantes brilharam mais ainda ao arregalarem-se, suas mãos esquentaram assim como sua face. Como uma boneca, acatou aquele pedido e sentou-se, cambaleante, quase caindo dentro da água que estava por trás, mas por sorte o Black Moon a conteve, abraçando-a de lado, Hina acreditou que fosse desfalecer ao sentir aquele braço envolvê-la.

Como um cão pedinte, o jovem rapaz pegou a mesma mão que antes quase o tocara e a depositou no próprio rosto. Fitava a menina com ar de quem pedia para que ela não a tirasse dali.

- Quente... – sussurrou, fitando-a.

- O-o quê? – a voz soou doce e ao mesmo tempo tremida.

- É quente, isto deve ser o tal "calor humano", não é mesmo? É bom... – a forma como expressava aquela sensação, parecia um menino inexperiente e carente, era comovente.

Ligeiramente ofegante por conta do nervosismo, Hina respirou fundo, porém não conseguia conter a tremedeira. Seus pés imploravam para que se levantasse e fugisse, que se isolasse em um lugar calmo o qual aquela sensação não a assombraria. Suas mãos, em divergência, pediam para sentir aquela pele e acatar o tão puro desejo de Saphiro. Imaginava o quão triste deveria ser viver sem saber como era a sensação de sentir sequer um abraço, e acabava por se dar conta de que ela mesma não sabia direito. Seria bom sentir o calor do corpo de uma pessoa querida?

Permitiu que sua outra mão saísse do repouso do colo e encontrasse o outro lado da face do rapaz, em movimentos suaves deslizava pela pele que em reação ao toque aquecia, e as bochechas que durante anos viveram empalidecidas, rosaram.

- Queria ter conhecido essa sensação antes. – disse, fitando-a em ar de serenidade.

Hina sorriu, o rosto ainda enrusbecido, os olhos verdes preciosos tão ternos, uma beleza singular que fora ainda mais notada por Saphiro quando singelos raios do sol da manhã refletiram sobre ela, principalmente nos cabelos avermelhados que brilharam como chamas encandecentes.

- Fique assim. – pediu, olhando-a naquele ângulo tão perfeito, enquanto com alguns dedos obteve em mão um dos belos cachos da menina – Não fuja mais de mim.

Eram muitos sentimentos para quem nunca os confrontara, embora a situação fosse parecida para ambos, a jovem parecia saber lidar menos do que o rapaz. Sentia-se tão quente a ponto de pensar que tinha febre, e seu corpo era dominado por leves tremores, a voz sumira, a respiração quase. Céus, o que era aquela bomba relógio em seu peito? Era estranho demais para desejar que continuasse, era quase uma sensação de morte. Se continuasse daquele jeito...

- Sailor Saturno mandou que todas as jovens do palácio se reunissem no grande ginásio que fica atrás do palácio. – uma voz andrógena a trouxe de volta a vida real e amenizou ao menos um pouco aquele turbilhão de turvas emoções.

O casal direcionou olhares para o sujeito da interrupção, era Olho de Peixe, especialmente naquela manhã trajando roupas femininas, um belo vestido branco com decote em "v", cujo era preenchido visivelmente por falsos enchimentos, apesar da cintura ser naturalmente delicada. Saphiro arqueou uma das sobrancelhas ao notar a piscadela do outro para si. Que diabos era aquilo?

Hina, de imediato, levantou-se ereta como um soldado. Só havia uma coisa que a deixava mais sem jeito do que toda aquela proximidade com Saphiro: alguém assistí-la. Mal sabia a jovem que de uma sacada, a amiga morena esteve observando de camarote. Mal se despediu do rapaz com quem estava, em passos largos, em mais uma fuga, afastou-se, dessa vez indo à um lugar por ordem. Olho de Peixe, aproveitando-se de que livrara-se do "obstáculo", sentou exatamente onde a menina estava e cruzou as pernas, em uma tentativa frustrada de jogar um charme feminino. Saphiro bufou, levantou-se bruscamente, incomodado com aquele assédio tão discarado, e tão brusca foi a sua forma de levantar, que o outro perdeu o equilíbrio e caiu para trás, inevitavelmente se enxarcando nas águas daquela fonte.

Enquanto o Black Moon, em passos largos se afastava, dois outros homens aproximavam-se a dar gargalhadas.

- Bem vindo ao clube! – o louro disse, em claro tom de triunfo e deboche.

- Seríamos então o trio dos fracassados? – o outro, dos cabelos rebeldes, completou.

- Ora seus... Ao invés de me amolarem, bem que poderiam me dar uma ajuda, não? – ergueu as mãos como quem pedisse para ser puxado para fora, e logo fora atendido.

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- Ai! – Hina se manifestou, ao sentir ser puxada pelo braço para trás de uma coluna no corredor em direção a ala a qual deveria ir. Quando virou o rosto para ver o responsável por aquele ato deparou-se com quem menos esperava – Princesa Crystal, mas o que é isso?

- Hina, me diz... Quem é ele? – perguntou afoita.

- Ele quem? – a ruiva piscou os olhos confusos.

- Aquele que estava sentado ao seu lado na hora do jantar! Quem é? – levantou o tom de voz.

- Ah, bem... O nome dele é Saphiro, em um dia de chuva forte ele surgiu quando eu tocava piano... Parece que, por algum motivo desconhecido, acordou do sono eterno e voltou à vida...

- Ai Deus...- Crystal soltou o braço da amiga para por a mão sobre os lábios, imediatamente lembrou-se de tudo o que lera sobre a família Black Moon, e ao recordar de todas as descrições de cada membro do clã, não houve dúvida – É o irmão dele!

- Irmão de quem, princesa? – Hina arregalou os olhos, confusa.

Crystal olhou para cada lado que pôde, apenas quando notou que não havia quem as espionasse (pois naquela manhã, excepcionalmente, Wind estava no salão real) puxou Hina até um cômodo onde só as duas ficassem.

- Princesa, explique-me, o que há? – a ruiva ruborizava de nervosismo.

- Hina, senta... O que falarei não pode sair daqui, e só você saberá!

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- Aqui estão. – A rainha expôs sobre a mesa broches de diferentes cores, mas mesmo formato de coração. Eram quatro: um azul, um verde, um rosa e o último vermelho. Todos com emblemas de luas douradas em seu centro.

- Serão entregues as respectivas donas. Mas quem é dona de qual? – Sailor Wind perguntou.

- O broche escolherá a sua dona, Wind. – o rei disse, aproximando-se da mesa.

- Como assim? – a guerreira indagou, fitando cada objeto.

- Cada broche depende de um respectivo cristal sagrado para que seu poder desperte. A guerreira que provar a sua vocação para dominar tal poder será aquela cujo corpo, em suas profundezas, guardar a pedra. – Rini começou a explicar – Nossas meninas já nasceram com essas pedras, elas se encontram seguras no coração de cada uma, todavia seus poderes até hoje mantiveram-se adormecidos.

- Nós todas, com excessão da princesa, nascemos das sementes estelares de outras guerreiras, não foi isso? – Wind perguntou.

- Sim, quando as guerreiras anteriores decidiram que era hora de alcançar o descanso eterno, antes de partir deixaram suas sementes estelares, que conosco ficaram guardadas... – o rei, dessa vez, narrou – Ao longo dos anos, essas sementes, por proteção, criaram envoltórios. Todas foram revestidas por diferentes pedras preciosas, as quais guardam seus poderes.

- Todas as meninas, assim como suas antecessoras, herdarão os mesmos poderes? – mais uma vez, a guerreira de cabelos prateados perguntou.

- Não necessariamente, Sailor Wind. No seu caso, por coincidência, herdou parte da personalidade e habilidade de sua antecessora, Sailor Urano, assim como Sailor Ocean de Sailor Netuno. Seus elementos continuam ar e água, porque o temperamento das duas permitiu que assim o fosse, na verdade, para ser mais exato, esses elementos as escolheram porque ambas tinham consigo o dom para dominá-los. – Helios tentou ser o mais prático que pôde.

- ... Apesar de nascidas das antigas guerreiras, vocês são diferentes. A guerreira que surgir da semente estelar de Sailor Jupiter não necessariamente herdará os poderes do trovão, assim como a de Vênus o poder do amor e da luz, vocês fazem parde de uma nova geração, o poder que cada uma dominar será aquele que a definirá. No treinamento que aplicaremos agora, nossas aprendizes encontrarão em si as respostas para que poder hão de ganhar. – Rini prosseguiu.

- E a princesa? – Wind fez sua última pergunta.

- Crystal, assim como eu e todas as rainhas antecessoras há de aprender a controlar o poder do cristal de prata, é a sua missão, e também, seu destino.

- Não há dúvidas de que conseguirá. Afinal, Crystal é uma descendente da família do reino lunar. – Helios disse.

- Bem, agora vamos ao mais importante, o treinamento deve começar... – Rini prolongou um suspiro – Querido. – fitou seu marido.

Helios assentiu, compreendendo o que sua esposa queria dizer. Em sua testa um brilho dourado surgiu, formando um chifre de unicórnio, imediatamente os broches sumiram de sobre a mesa, haviam sido enviados para um lugar paralelo. Sailor Wind observou não somente o desaparecimento dos broches mas também o do rei, sabia bem o que aquilo significava.

- O treinamento das garotas será em Ilusão, como o meu, não é majestade?

- Sim.

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No ginásio, onde já estavam Marine e Reiko, ambas trajando um uniforme semelhante ao de colegiais, com as golas e saias de marinheiro da cor lilás e o laço que adornava as blusas brancas da cor prateada, Sailor Saturno e Sailor Ocean com seus respectivos uniformes, um portal se abriu para o mundo de onde o rei viera há alguns anos.

- Faltam Crystal e Hina, sempre atrasadas! – Sailor Saturno suspirou, passando uma das mãos pela nuca.

- Vou procurá-las antes que a rainha se aborreça! – Sailor Ocean piscou, em passos largos saiu em busca das atrasadas.

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- Crystal, está me dizendo que o irmão de Saphiro também regressou? O temido príncipe Diamante que quase destruiu o nosso reino há mais de não sei quantos séculos? – Hina deu um pulo para trás.

-... E que morreu por dar a vida em troca da de minha vó, ele não era esse monstro narrado em livros, muito me admira não terem contado com tamanha ênfase o ato de nobreza dele como contam seus atos perversos! – a princesa disse, indgnada.

- Todas essas vezes que você fugiu, foi para encontrá-lo... Não é?

- Sim... – a princesa abriu um pequeno sorriso, seus olhos brilharam desapercebidos – Sim, Hina!

- Oh não... Não me diga que... – em passos cautelosos, a ruiva se aproximou da outra.

- Sim, Hina... Se ainda existe alguma dúvida, é como a poeira que no ar se dissipa... – Crystal pôs as mãos sobre o coração, como se a ele perguntasse e dele viesse a resposta.

- Está apaixonada por um espectro...

- E você também! – antes de ser julgada, fitou a outra, apontando-a – Ou pensa que não sei que anda para cima e para baixo com o irmão do príncipe?

- Ah, não! Não é nada disso que está pensando! É só que ele não tem ninguém, e eu ...

- Diga que não sente nada! Vamos, diga que a presença dele não a perturba, que seu coração não lhe prega peças, diga! – Crystal segurou Hina pelos ombros, falando com entusiasmo – Diga que os olhos dele não a fazem sentir como se o chão se abrisse, como se flutuasse, ou fosse cair! Diga que não desejaria que ele a aparasse em seus braços, e que sua voz não é como a canção tocada pelos anjos, diga se for capaz! – riu, por fim, identificando-se em cada palavra que dizia.

"Diga que não desejaria que ele a aparasse em seus braços" – Essa frase, em particular, resgatou na memória recente de Hina o momento em que ela quase caíra na água da fonte, mas Saphiro impediu. Sua face, imediatamente adquiriu um tom rosado, a pele em mais uma de muitas vezes esquentou como uma caldeira, à ponto de fazer a jovenzinha tocá-la com as duas mãos e curvar-se, para que os cabelos escondessem sua vergonha e nervosismo.

- Não vê, Hina? Estamos apaixonadas! Por acaso o seu querido parece um fantasma, um ser sem vida?

Hina se calou, fitou as mãos que há pouco experimentaram a maciez da pele de Saphiro, aquele rosto limpo e tão belo...

- Não, Saphiro parece tão vivo, e tão carente de ternura... –sussurrou.

- Então, dê ao seu Saphiro a ternura que ele precisa. – Crystal sorriu – E que esse seja o nosso segredo, por favor me ajude, Hina!

A ruiva ponderou, mas em muito pouco tempo rendeu-se à comoção. Afinal, se Saphiro não parecia ofertar perigo, Diamante talvez não fosse diferente.

- Princesa, se Saphiro pode viver pacificamente no palácio conosco, por que seu príncipe não poderia? Acho que deve conversar com sua mãe sobre isso.

- Sim, é verdade... Só que príncipe Diamante fez coisas que não sei se minha mãe realmente conseguiu perdoar ao longo dos anos... Sei que foi um grande trauma de infância para ela ter que abandonar o reino tão nova e viajar para o passado procurando ajuda... Ás vezes penso que ainda há marcas desse trauma em minha mãe até hoje, vejo o desconforto nela quando qualquer pessoa toca no assunto do ataque dos Black Moon, por isso, prefiro dar um tempo...

- Converse com ela, princesa. Tente fazê-la ver que o homem que ela temia, hoje, como você diz, já não oferece perigo.

- Definitivamente, Hina. Ele é tão pacato... – Crystal suspirou.

- Ahá, aí estão as duas desperdiçando uma manhã tão importante com fofoquinhas! – Sailor Ocean finalmente as alcançou – Vamos, só faltam vocês para o treino começar!

- Desculpe, Sailor Ocean! – as duas meninas, assustadas por quase terem sido pegas na conversa, disseram em coro.

A guerreira dos mares trouxe cada uma pelas mãos, como se fossem crianças a atravessar a rua. Em questão de alguns minutos, já que o corredor era extenso, chegaram à um ginásio lapidado em cristal do piso ao teto, as paredes eram tão bem lustradas que refletiam como espelhos todos os que ali estavam. Sailor Saturno apertava a foice já impaciente, mas se fosse para medir impaciência por impaciência, Marine levava a medalha. Reiko enrolava uma madeixa de seus cabelos negros nos dedos, entediada, enquanto Sailor Ocean dava-se por satisfeita de ter conseguido finalmente unir as quatro. Hina e Crystal repararam que no centro daquele salão espelhado, um portal fora aberto na parede central, do outro lado era possível ver um belo bosque adornado por árvores, cristais coloridos e águas límpidas, no centro dele, à espera de todas, um lindo alazão branco de chifre dourado na cabeça e asas fechadas. Crystal, ao fitá-lo nos olhos, abriu um sorriso e estreitou o olhar:

- Papai!

- Minhas futuras guerreiras, esse será o cenário de seu treinamento. Por favor, sigam até aqui. – Pégasus, em seu timbre sereno, disse.

As quatro meninas compreenderam a mensagem, e lado a lado foram de encontro a aquele pequeno paraíso que se extendia além daquela parede que mais parecia um espelho, assim que a última deu seu passo a dentro, o portal se fechou, as guerreiras que ficaram de fora permaneceram como estavam, de frente à parede, agora vendo apenas os próprios reflexos.

- Enfim, o dia chegou. – Sailor Saturno disse, só não se sabia se em tom de alegria ou pesar.

Passos eram emitidos pelo piso de cristal por onde passavam. Sailor Ocean virou o rosto e deparou-se com a rainha, Sailor Wind ao seu lado, e logo atrás o trio amazonas. Primeiro fitou a guerreira do vento, cujos olhos da cor da prata sequer a notaram, em seguida direcionou o olhar para o homem à esquerda, a ave que a rondara naquele dia perto do rio e que, de forma nada surpreendente, no exato momento a paquerava indiscarademente. Participou do jogo de sedução e lhe sorriu além de piscar, alimentando esperanças fantasiosas na cabeça do pobre. Tigre e Peixe não contiveram um pequeno riso.

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Diamante lera todos os livros que a jovem Crystal lhe trouxera, sugou cada palavra de cada página, e mesmo alguns momentos do enredo leu mais de uma vez, tudo para matar o tédio da solidão ou para compreender melhor cada indivíduo daquele planeta, ou talvez, simplesmente para compreendê-la.

- Ela disse que voltará... – Refletiu em alta voz, a apoiar os braços sobre a janela daquele velho balcão.

Não somente disse que voltaria, pensou. Declarou também afeto por ele. Sorriu, lembrando-se daquele exato momento em que antes de partir, ela deu meia volta apenas para abraçá-lo e dizer "gosto de você".

Afinal, o que significaria aquelas pequenas coisas que viveram? Aquela brincadeira na relva, a ida à gruta dos pequenos arco-íris... Queria muito poder fazer tudo aquilo novamente, por mais tolo que parecesse. Queria ela ali, não importava o que fossem fazer.

"Crystal..." – Durante toda a noite e manhã, enquanto não lia, pensava nela, em cada sorriso, cada olhar, e em cada fio castanho de cabelo.

- Estou sentindo a sua falta. – concluiu, abrindo um pequeno sorriso, enquanto repousava a mão sobre o abdome que nem sequer doía mais.

Continua...

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Notas finais
E aí, gente? Agora só falta atualizar no animespirit, mas já chegamos ao ponto em que parei, falta apenas um capítulo que está pronto, os próximos não sei se virão tão rápido pois semana que vem minhas aulas começam... O desenho está engraçadinho, ne? É antigo (como grande parte dos outros), tenho alguns mais atuais, mas não tenho scanner para passá-los para cá, estou postando os que estão em minha conta no DeviantArt... Bem, espero ansiosamente por reviews e agradeço muito a todos que estiverem lendo, em especial à Cat-chan!!