Notas iniciais
AVISO: Cenas quentes nesse capítulo!

A Minha Queda Será Por Você

Capítulo 9 – Saudades do príncipe.

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Crystal saiu do enorme salão com suas amigas, enfim. Vinham comentando como foi a experiência de cada uma, a princesa sentia-se desconfortável para falar da sua, até porque não lembrava de boa parte, como por exemplo do rosto de Ametista, o único momento que recordava nitidamente, e que não lhe saía dos pensamentos, era sua avó atrás do espelho, tocando o seu rosto e dizendo: "Eu faço parte de você, e você faz parte de mim".

Pensativa, vinha caminhando com as outras. Passavam pelo jardim, onde Saphiro estava, encostado em uma árvore. O Black Moon, que até o momento divagava sobre a vida passada, seu clã, planeta e último dia de vida, cessou as memórias melancólicas ao avistar Hina, vestida como uma heroína. A menina notou que ele a fitava com os olhos arregalados, não só ela, mas as outras três, inclusive Crystal que também abandonara os devaneios. O rosto da ruiva imediatamente corou, como de costume, por lembrar-se da última vez em que esteve com o rapaz, e também, pelo comprimento da saia que vestia.

Em um impulso desajeitado, ela segurou as barras da saia por trás, tentando alongá-la, e saiu correndo como uma criança em pânico, deixando rastros de fumaça. As amigas que ficaram, principalmente Reiko, não contiveram gargalhadas extrovertidas, enquanto Saphiro sorria mais discreto.

— Essa Hina... — o rapaz suspirou, tornando a encostar as costas no tronco.

Uma hora se passou, os habitantes do palácio retomaram seus afazeres diários. Fizeram a refeição todos unidos, depois disso as jovens do palácio foram para as aulas com Sailor Saturno, Wind e Ocean. Estudavam não só os conteúdos de ensino médio como as garotas normais em colégios, mas práticas em artes, culinária, etiqueta... É claro, Crystal, como sempre desastrada e distraída, ia mal às aulas de ciências exatas, todos os bolos que tentava fazer nas de culinária murchavam, suas pinturas em artes pareciam desenhos infantis, e nesses últimos dias conseguira adquirir uma piora visível.

— Princesa, aonde pensa que vai chegar com essa conta? — Sailor Wind analisou um problema de matemática que Crystal "resolvera" — Pode ir à lua, mas não ao resultado com isso. Faça de novo!

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— E então, como se conjuga o verbo to bring no passado? Princesa, está me escutando? — Sailor Saturno dava uma batida na carteira de vidro onde Crystal estava sentada, olhando para o nada, e esbanjando um sorriso bobo.

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— Princesa! — Sailor Ocean fez Hina parar de tocar o piano do salão de música do palácio e ela mesma bateu forte em duas notas dissonantes para chamar a atenção — Quantas vezes terei que lembrá-la a hora que sua voz entra na música? Se quer impressionar seus pais no baile, leve isso mais a sério!

Foi assim por toda a manhã e início de tarde, enquanto as aulas perduraram. Era "princesa" para cá e para lá, todos lhe chamando a atenção, e não era para menos. Não conseguia se concentrar em nada que não fosse sobre a saudade que estava sentindo do príncipe que há mais de um dia não via. Tudo a fazia lembrar dos cabelos claros, olhos púrpuras, capa escura, roupas brancas, voz serena. O brilho em seu olhar era claro, todas as suas tutoras e amigas comentavam.

— Reiko, notou como Crystal está esquisita? — Marine falava, com a mão sobre o queixo, como se quisesse desvendar um enigma.

— Aquela luz nos olhos dela, não sei não... — a morena sorria — Para mim, isso é paixão.

— Mas por quem? — a loura arqueou uma das sobrancelhas — Será que é pelo tal Saphiro o qual ela encarou esquisito naquele dia?

— Não! — Hina, que estava quieta até pouco tempo, como sempre, falou subitamente, e em seguida corou — Quer dizer...

— Opa! — Reiko começou a rir — Acho que errou de pessoa, Marine! Por esse aí já tem outro alguém interessado... — mirou os olhos travessos na ruiva.

— Não é isso! É que, bem, não... Ah, com licença! — Hina levantou-se, e saiu apressada do cômodo onde as três estavam reunidas.

Na correria, sentindo que o rosto iria pegar fogo pelo comentário malicioso de Reiko, esbarrou com tamanha força em alguém que doeu o ombro.

— Você está bem? — maravilha, o cerco havia se formado. Era ele, o comentado na conversa. A jovenzinha arregalou os olhos e em seguida cobriu o rosto. — Aonde vai com tanta pressa? — Saphiro perguntou, calmo.

— E-eu... — fitou o chão, ainda alterada, mas menos histérica.

— Não quer me fazer um pouco de companhia? — o rapaz sorriu — Vamos ao jardim...

Hina não negou, nem era capaz. Bastou vê-lo sorrir para sentir-se totalmente desarmada, todavia não o encarou momento algum, não conseguia, não após o que aconteceu à fonte, não parava de pensar em suas mãos tocando a face de Saphiro, e também do jeito como ele a tratara, como falara. Perguntava-se se em algum momento seu coração aceleraria a ponto de parar subitamente e seu corpo cair duro ao chão.

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Mizumi suspirou, sentou-se em um enorme sofá revestido em veludo azul claro, após momentos estressantes tentando fazer Crystal entender como tinha de interpretar a música, em que tom havia de cantar e o momento de entrada, finalmente relaxava. Fechou os olhos, amoleceu o corpo, suspendeu o rosto a sentir o vento entrar pela enorme janela. Ficou assim até sentir um ar quente tocar-lhe a face, diferente da outra brisa. Abriu os olhos e viu, primeiramente turvo, os olhos faiscantes da ave de rapina.

Ele estava de pé, do outro lado do sofá, com as mãos apoiadas em sua cabeceira dourada, com a face inclinada para baixo, próxima a da guerreira, esbanjando um sorriso galante. A bela guerreira dos mares não estava tão diferente do encontro no lago, seu corpo era coberto por um roupão de fina seda que delineava todas as suas curvas. Há pouco saíra do banho, seu perfume de jasmim e brisa marinha exalava forte como um entorpecente a adentrar as narinas do homem.

— O que faz em meus aposentos, Olho de Águia? — perguntou suave, enquanto abria um pequeno sorriso. Não saiu da posição em que estava no sofá, continuou lá propositalmente, talvez para provocá-lo mais do que já fazia.

— Senti a sua falta... — ele disse, por fim deu a volta no sofá, ficando de frente para ela, e numa atitude ousada, ajoelhou-se diante Mizumi e repousou uma mão sobre sua coxa, descoberta pelo roupão. — E também de seus encantos de sereia — sorriu, malicioso.

Mizumi apenas o observou tocá-la, passou os olhos pela mão dele e depois fitou-o outra vez, nem um pouco intimidada com aquela atitude, na verdade divertia-se como se estivesse em um jogo.

— É mesmo? Então porque não senta ao meu lado? — passou a mão no assento do sofá, bem ao seu lado. — Estava mesmo me sentindo sozinha.

Olhou desacreditado e ao mesmo tempo com satisfação. Ela parecia corresponder ao seu cortejo, imaginava como ficaria Olho de Tigre ao saber que ele obtivera êxito. Não fez cerimônia, sentou-se ao lado da mulher e, nada discreto, passou o braço por trás dela no sofá, tocando seu ombro em um semi-abraço.

"Tolinho" — Ela pensou, deixando escapar um breve riso que o confundiu.

— A sua beleza me estonteia, Sailor Ocean... — disse, tentando não demonstrar falta de jeito. Passou uma das mãos pelo próprio cabelo e os jogou para trás, galante.

A mulher colocou uma das mãos sobre os lábios, em seguida libertou uma gargalhada.

— Do que ri? — Águia perguntou, meio irritado.

— Você é uma graça, passarinho! — passou uma de suas mãos pelo queixo dele, afagando-o como se acariciasse um animal de estimação. Em seguida levantou-se do sofá, esticando os braços para cima.

O integrante do trio amazonas ficou completamente desorientado. Seu rosto corou imediatamente, duas gotas de suor escorreram por sua testa por timidez, nervosismo e também irritação. Levantou-se subitamente, pronto para falar alguma grosseria pelo modo como fora tratado, mas ao olhá-la com mais atenção e notar a transparência da seda que a cobria ao ser refletida à luz do sol, ficou totalmente desconsertado, podia ver quase claramente o corpo desnudo, com detalhes, de costas para ele.

— Quer que eu lhe mostre como realmente cativar uma mulher como eu, passarinho? — virou o rosto e fitou-o com o canto do olho, seu timbre soara quase grave, e o semblante brincalhão mudou para sério, desafiador.

— ... Por que não? — Águia tentou parecer natural, mas o sorriso torto o entregava, assim como o suor que acabava por iluminar sua pele.

Mizumi, em silêncio e calmamente, girou o corpo de frente para ele. Os olhos dela eram como os da Medusa ele pensava, pareciam desejar transformá-lo em pedra de tão diretos, sedutores e desacanhados que eram. Em passos lentos ela foi se aproximando, e ele, como um moleque assustado, ia andando para trás e engolia a seco. O sorriso dela se fechou por completo, passou pelo lado dele ainda encarando-o, foi até a porta enorme do quarto e lentamente a fechou, Águia, ainda de costas, ouviu o som da tranca.

"Isso é sério?" — abriu um sorriso malicioso, embora o coração batesse como uma bomba. Virou o rosto para a sua Sailor Ocean e a viu gesticular com o dedo indicador para que fosse até ela. Emitiu uma baixa risada e foi ao seu destino, também em silêncio, e quando ia abrir a boca para talvez esbanjar mais uma cantada, ela o cortou.

— Nada de palavras, aja.

— Como assim? — arqueou uma das sobrancelhas.

Foi Mizumi dessa vez quem riu, breve e em ameno tom, em seguida o pegou pela gola da farda dada de presente pelo rei, e com a força que tinha o atirou contra a porta, encurralando-o. Antes que pudesse sequer protestar, foi completamente dominado por um súbito beijo que arrancou-lhe o fôlego. Sequer conseguira fechar os olhos de imediato ou retribuir, ficou como uma estátua encostada à porta, com os braços duros sem saber como reagir, mas logo esse estado de timidez se foi, e rendido ao instinto que o tornava homem ele a envolveu nos braços, atando os corpos, sua língua desesperada dominou a dela em um ritmo frenético. Podia jurar que os grunhidos que ela emitia dentro à aquele ato insano eram risos. E daí? Assim, ele a apertava ainda mais pela cintura e acabava por induzir a faixa do roupão a afrouxar. Mizumi não parecia se importar, uma vez que o abraçava com uma das pernas, dando à outra mão de Águia acesso à sua coxa outra vez, em resposta a provocação ele a apertou, chegando a deixá-la marcada e ia subindo em direção a uma bochecha de suas nádegas. Quando o pobre protetor de Ilusão já estava quase para enlouquecer e rasgar-lhe a roupa, a jovem de longos cabelos verde-água, discretamente destrancou a porta e a empurrou, ao mesmo em tempo que ela se abriu, o corpo de Olho de Águia foi para trás e quase se desequilibrou.

— Assim... — Ela respondeu a pergunta que até ele esqueceu que fizera. Aquele sorriso natural nos lábios rosados e umedecidos o confundiam, mais uma vez não sabia decifrá-la. — Bem... — Ela suspirou ao passar a língua pelo lábio inferior — Isso foi bom, não acha? — Águia abriu a boca, mas não disse nada, ainda atônito — Outra hora fazemos de novo, até mais, passarinho! — Mizumi deu um bocejo e fechou a porta.

— Espere! — o rapaz sacudiu a cabeça, voltando a raciocinar. Tentou girar a maçaneta e percebeu que rápida como uma onda, ela havia se trancado. Deu um murro na porta, frustrado pelo ato ter sido interrompido justo quando estava tão bom — Você me paga, Sailor Ocean! — gritou.

Ela, do outro lado, encostada na mesma porta que ele socara, riu baixinho, cobriu a boca com as duas mãos para ter certeza de que ele não ouviria.

— Se divertiram? — Uma voz feminina, porém grave, soou pelas costas de Águia, quando virou para ver quem era, deparou-se com Sailor Wind.

— Não é da sua conta! — saiu em passos rápidos, atormentado por sensações difusas entre prazer, vergonha e insatisfação.

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Rini estava de pé ao lado da enorme janela do salão real, tocava a mão no vidro. De onde estava, enxergava Crystal balançando-se no balanço da árvore que ela também ficava quando criança, ao longe no jardim. Os olhos vermelhos reflexivos atentavam-se a expressão distante de sua filha.

"Está tão estranha ultimamente..." — pensava, preocupada. — "Não estou gostando disso..."

— Querida? — a voz, unida aos braços que a envolveram pelas costas, chamaram sua atenção.

— Helios... — passou as mãos pelos braços dele, enquanto sentia o queixo de seu amado apoiar-se em seu ombro, e os lábios depositarem um beijo em seu pescoço. — Vê como Crystal está? Isolada das outras, mais distraída do que o normal... Meu coração está tão apertado! — virou-se de frente para o marido e o abraçou, recostou a cabeça em seu peito como se pedisse colo.

Olhando-a daquele jeito, era como se tivesse um dejavu de anos atrás, quando sua esposa era apenas uma menina. Inevitavelmente, lembrava-se do abraço que ela lhe dera no dia que tiveram de se despedir. Abriu um sorriso melancólico, pensando em como daria a notícia para a sua rainha de que teria que voltar para Ilusão, precisava estudar o que acontecia em seu mundo já que seus subordinados, sem o cristal dourado, não davam conta.

Que pecado, justo em um momento em que ela estava tão vulnerável, dilacerava o coração de Helios a ponto de querer adiar o máximo que pudesse a notícia.

— Sinto-me inválida em relação à Crystal. — disse, entristecida — Somos mãe e filha, deveríamos ser mais amigas! Ela não me conta nada sobre sua vida, e provavelmente me vê como uma carrasca! Sou tão dura assim, querido? — fitou o marido.

— Inválida? Não diga isso, Rini! — passou a mão pelo rosto dela — Talvez você tenha que ser um pouco mais doce com Crystal, ela tem um temperamento muito semelhante ao de sua mãe. Tenho certeza de que, se for um pouco mais compreensiva e acolhedora, Crystal confiará muito mais em você.

— Tem razão, Crystal e minha mãe são tão parecidas... É isso o que me faz ter certeza de que a alma das duas é a mesma... — abriu um pequeno sorriso .

— Falando nisso, recebi notícias do príncipe que tanto esperamos. Chegará por volta de dez dias, pois antes vai resolver algumas coisas. — afagou os cabelos dela.

— Verdade? — o tom de voz de Rini soou mais alegre — Enfim, uma boa notícia! Certamente, Crystal e ele hão de se apaixonar assim que cruzarem olhares — deu um risinho — Será um sonho realizado, Helios!

— Sim, querida...

O sorriso de Rini expandiu-se, após um suspiro aliviado, ela envolveu a nuca do rei com os dois braços.

— Sinto-me melhor com a notícia, querido. Muito obrigada, você me faz tão bem...

Helios sorriu um pouco sem jeito, aquele olhar de Rini era irresistível, assim como seu sorriso. Mais uma vez, adiou as más notícias que guardava para não estragar tão belo semblante de sua esposa. Abraçou-a pela cintura, lentamente aproximou o rosto ao dela, e para deixá-la ainda mais alegre e afastar pensamentos tristes, brindou-a com um beijo suave, carinhoso, o qual foi prolongado e aprofundado por ela.

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— Sabe, você estava bonita como Sailor... — Saphiro comentou, enquanto caminhava lado a lado com Hina por um caminho entre vastos campos de flores coloridas, fitava cada uma admirando-a.

Hina corou completamente, fitou o caminho de pedrinhas e não disse nada, sequer conseguiu agradecer, uniu as mãos, apertando a saia do uniforme de estudos ( o mesmo que Reiko e Marine usavam antes de ir para o treinamento). Saphiro olhou-a de lado, notou que a desconsertara outra vez e por isso, resolveu mudar de assunto.

— Esse lugar é realmente belo... Principalmente as flores. — parou diante de uma azul que encontrou e ajoelhou-se diante a ela.

A jovenzinha parou também, mas permaneceu de pé. Olhava o jovem Black Moon curiosa, e percebia em seu semblante um traço de tristeza, assim como em seu gesto de tocar as pétalas da flor com cuidado.

—...O que você tem? — aproximou-se um pouco mais, quase lhe tocou o ombro, mas recolheu a mão.

— Quando éramos crianças, eu e meu irmão encontramos uma parecida com essa em nosso planeta uma vez... O solo de Nemesis é árido demais para crescer alguma planta, é quase um milagre encontrar flores por lá. Naquela época, éramos tão unidos... — abriu um pequeno sorriso — Soube que meu irmão deu a vida para salvar a de Sailor Moon, ele realmente a amava. — suspirou, como se por um momento contivesse resquício de emoção, ou mesmo cativasse uma lágrima solitária.

—... Sente muita falta dele, não é? — tomou coragem, encarou a timidez e ajoelhou-se ao lado dele, fitando a flor.

— Ele era a única pessoa que eu tinha. — os olhos de safiras preciosas adquiriam certo brilho por estarem umedecidos.

O coração de Hina apertou, Crystal contara a ela sobre príncipe Diamante. Era uma judiação esconder de Saphiro que justo o único parente que tinha também estava vivo, todavia a princesa pedira segredo. Até perceber, por baixo dos fios azulados da franja de Saphiro uma fina lágrima cair, se continha para não contar, mas aquela pequena gota não a deixaria resistir.

— Saphiro? — ficou tão comovida, que ela mesma sentiu vontade de chorar.

— Eu sinto muito. — enxugou os olhos, agora era ele quem estava envergonhado — Acho que preciso ficar um pouco sozinho. — ia levantar-se, mas sentiu algo impedi-lo e surpreendeu-se. Hina enfrentara as conturbações de seu temperamento, e o abraçara de lado, encaixando a cabeça em seu ombro.

Fitou-a de lado, notava-a de olhos cerrados e bochechas rosadas, trêmula, talvez na dúvida se depois daquele abraço sairia correndo.

— Me desculpe princesa, me desculpe! — Ouvia-a sussurrar.

— O que está dizendo, Hina? Está pedindo desculpas para a princesa por quê? — virou-se de frente para ela, apartando o abraço.

— Porque revelarei um segredo! — baixou a cabeça e uniu as mãos aos joelhos, respirou fundo, buscando forças.

— Segredo, que segredo? — ergueu o rosto da menina com as mãos, forçando-a a olhá-lo — Do que está falando, Hina?

— Seu irmão está vivo! — pela primeira vez, olhou-o diretamente nos olhos, suas mãos alcançaram as dele — Você não está sozinho, ele está vivo! Por isso, não precisa ficar triste! — abriu um pequeno sorriso.

— Impossível... — arregalou os olhos, espantado. As mãos dele deslizaram pelo rosto da jovenzinha e caíram inertes, sem reação, as dela, trêmulas e inseguras, as seguraram de novo, com mais firmeza para não as deixar cair mais uma vez.

— Não é não! Você não está vivo? Por que ele não poderia estar?

— Hina, não precisa falar isso para tentar me animar, a sua companhia já me faz sentir melhor, obrigado assim mesmo... — Saphiro suspirou, abrindo um pequeno sorriso.

— É com ele que a princesa se encontra toda a vez que sai do palácio! — denunciou de súbito, apertando mais as mãos dele — Ela me contou hoje de manhã, pediu que eu guardasse segredo, mas... Mas...

Foi o quanto aguentara ser firme, após isso, a insegurança e timidez a dominaram mais uma vez e se viu forçada a fechar os olhos e baixar a cabeça. Perguntava-se se o Black Moon a julgaria por ter escondido, e a amiga por ter contado. Soltou as mãos dele e cobriu o rosto.

— Me desculpe! — disse alto e tremido.

— Obrigado, Hina! — o sorriso dele se expandiu nitidamente, tocou os dois ombros da menina e a puxou de encontro a si, abraçando-a — Obrigado por me contar isso!

A garota abriu os dedos e por entre eles seus olhos se mostravam, surpresos e ao mesmo tempo assustados. Seu coração, mais uma vez apitou como um trem de partida, uma bomba relógio acelerada, uma granada prestes a explodir e suas pernas ficaram dormentes. Sentia a respiração de Saphiro entre seus fios de cabelo e pescoço, e Saphiro sentia o corpo de Hina esquentando gradativamente, quando ia cessar o abraço, ela finalmente o retribuiu, trêmula e desajeitada.

— Eu não quero mais... — ela respirou antes de prosseguir — Te ver triste!

— Não irá — ele sorriu, ergueu o rosto para olhá-la.

Aquelas safiras mais uma vez, a guerreira do fogo sentia-se sugada por elas quando as encarava, não sabia definir se o que sentia era bom ou ruim, já que não lidava somente com o lado emocional, mas era expelido pelo seu corpo, em tremedeiras, taquicardias e falta de ar. Viu o rosto dele aproximar-se lentamente, sentiu uma leve vertigem e por segundos, o tempo pareceu parar, nem o som dos pássaros a cantar ela ouvia, ensurdecera para o mundo. Fechou os olhos, acreditando que cairia ali mesmo e não mais levantaria, sentiu o pano suave das luvas em seu rosto, e por fim, um beijo na testa. Abriu os olhos lentamente quando o beijo cessou. Aquela era a prova de respeito e admiração que Saphiro sentia por ela. Levantaram-se juntos, ele teve de ajudá-la pois uma tontura repentina quase a fez cair de volta aonde estava, e também juntos retornaram ao palácio, Saphiro atentar-se-ia aos movimentos de Crystal, já que somente ela sabia o paradeiro de seu irmão.

"Não acredito que Hina esteja mentindo, ela é boa demais para isso."

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O sol alaranjado crepuscular despedia-se por trás das montanhas, Crystal passara toda a tarde pensando em como sair do palácio, principalmente depois de ter sumido uma noite. Estranhava sua mãe não ter lhe dado um castigo, não tê-la prendido no palácio, escoltada por alguma outra guerreira. Era sempre Sailor Wind ou Saturno que averiguavam se ela estava cumprindo as punições aplicadas pela rainha.

Temia que Diamante partisse, cansasse de esperá-la. Preocupava-se também com seu bem estar, já que não sabia como o homem alimentar-se-ia sem que ela levasse suprimentos. Era primavera, ao menos muitas frutas ele encontraria no bosque, esse era o seu alívio. Enquanto divagava, sem que percebesse, de longe, Yumi a sondava.

"Até agora, nada de estranho, além do comportamento difuso e do isolamento." — a guerreira do vento analisava-a.

De outro lado, também longe, por entre algumas árvores, havia outra pessoa a sondá-la.

"Faz um ou dois dias que ela não sai, será que não irá mais?" — Saphiro se perguntava, afoito para que Crystal saísse.

— Eu não aguento mais! — Crystal disse, em uma crise de ansiedade e correu em direção ao arbusto onde escondia a capa que usava como disfarce para sair do palácio.

Duas sombras rápidas a seguiam, velozes demais para serem notadas, e nem entre elas se percebiam, cada uma vinha de um lado oposto. A princesa olhou para os lados, não percebeu presença alguma, vestiu a capa, e também em passos largos, ia passando de árvore em árvore, por belas fontes, chafarizes, roseiras e campos, até passar pelos portões. Atrás dela, iam os dois, por atalhos diferentes, sempre com os olhos sobre ela. Sailor Wind por terra, e Saphiro com seus poderes telepáticos, flutuando.

O caminho era longo, o céu escurecia enquanto, tentando ser rápida ela corria, pegava o trem de sempre, até a última estação, e embrenhava-se no bosque. Wind a seguia por trás, Saphiro, como sobrevoava, tinha uma visão panorâmica da paisagem, mais a frente avistava uma espécie de cabana. Estreitou os olhos para ver se enxergava melhor, optou por transportar-se para mais perto, escondeu-se em meio a arbustos, esperando algum movimento.

Ao chegar perto do galpão, Crystal, já ofegante, e esbanjando um nítido sorriso, baixava o capuz da capa e clamava:

— Príncipe, sou eu! Estou de volta!

Por de trás de outros arbustos, em outra direção, os olhos prateados observavam atentos.

"Príncipe?" — Sailor Wind indagava, curiosa.

Continua...

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Notas finais
Ufa, dá um trabalho ter que reformatar todo o texto aqui no Nyah que sinceramente, às vezes dá até preguiça! Mas vale à pena no fim das contas... Eu adorei escrever esse capítulo,de verdade! Espero que tenham gostado, e que o final os tenha instigado à continuar a leitura! Gostaria muito de agradecer à Salieri e Cat-chan por estarem acompanhando e me dando apoio, obrigada de verdade, meninas! Finalizando o capítulo, uma ilustração de Mizumi, a galanteadora Sailor Ocean. Até a próxima, povo!