A Minha Queda Será Por Você
10 Reencontro
Notas iniciais
Pessoal, estava ansiosa para postar esse capítulo aqui, gostaria de que os que acompanham a história pudessem enviar alguma opinião, ficarei muito feliz em saber o que estão achando da fic!
A Minha Queda Será por Você
Capítulo 10 — Reencontro
...
Ao chegar perto do galpão, Crystal, já ofegante, e esbanjando um nítido sorriso, baixava o capuz da capa e clamava:
— Príncipe, sou eu! Estou de volta!
Por de trás de outros arbustos, em uma outra direção, os olhos prateados observavam atentos.
"Príncipe?" – Sailor Wind indagava, curiosa.
...
Como se fosse em câmera lenta, por entre diferentes arbustos, Saphiro e Sailor Wind avistaram o sujeito saindo do galpão em passos calmos. Os cabelos, assim como a nobre capa, bailavam ao vento frio de anoitecer. Em sua face um discreto sorriso de boas vindas, em seus olhos serenidade. Semblante distinto ao de anos atrás.
"...Irmão!" — Saphiro arregalou os olhos, pasmo. Era verdade, ele estava vivo!
"Um Black Moon?" — Wind, arredia, embrenhou-se mais ainda em meio as folhas, observando e arquitetando um modo de surgir e resgatar a princesa.
Crystal, ao avistar Diamante no mesmo lugar de sempre, cumprindo a palavra de que a esperaria, abriu um enorme sorriso de contentamento, os olhos azuis da princesa brilharam como duas estrelas. Em passos largos foi até ele, parou quando já estava bem próxima, contendo a vontade de abraçá-lo, como fizera da última vez.
— Temi que não o visse mais! — disse afoita, ofegante pela pequena corrida.
Fitou-a, absorvendo os detalhes de sua face, os traços de alegria e ternura daquele olhar e daquele sorriso em lábios tão belos. Pensou muito nela durante o curto tempo de espera que parecera tão longo quanto anos. Em silêncio, passou a mão por uma maçã do rosto dela, acariciando-a suavemente com o polegar. Ficara repassando em memórias o momento em que Crystal disse "Eu gosto de você!", e acabou percebendo que sentia o mesmo, havia enfim se afeiçoado, só não sabia o quanto. Olhou-a fechar os olhos ao sentir o carinho, e mais, tocar sua mão como se pedisse para que ali ficasse. Era tão estranho e ao mesmo tempo gratificante percebê-la apreciar seu toque, sorriu satisfeito e aproximou-se mais um pouco.
— Disse que ia esperá-la. Enquanto esteve longe, li e reli os livros que me trouxe, a vi em cada página.
— Mas eles contam a história de minha avó, não a minha...
— Foi a você que vi. — passou a outra mão pelo rosto da princesa, encarando-a sem piscar.
O rosto de Crystal enrubesceu, entreabriu a boca, contudo não sabia o que falar. Estava confusa, e por certo, feliz ao ouvi-lo dizer aquilo. Será que enfim alguém a via sem ser como sua avó? Ou via como as duas coisas? O que seria aquilo? Será que ele também gostava dela como ela gostava dele? Enquanto se fazia essas perguntas em mente, o rosto do príncipe ia aproximando-se ao seu, consequentemente os lábios. Os olhos dela pesaram, quase cerraram-se e o coração tremeu dentro do peito. Seria como no sonho, mas definitivamente não era um!
— Afaste-se da princesa! — Sailor Wind, notando a proximidade que o homem tomara de sua protegida, sentiu-se em obrigação de agir, não daria tempo para retornar e chamar as outras.
— Sailor Wind? — Crystal virou o rosto e arregalou os olhos fitando a mulher esguia em posição de ataque.
— Meu irmão! — Saphiro, assim como Sailor Wind, mostrou-se também em um salto, indo para o lado de seu parente — Está vivo! — não conseguiu conter um enorme sorriso.
— ... Saphiro? — Diamante arregalou os olhos, desacreditado. Podia lembrar como se fosse ontem o irmão mais novo morto em seus braços.
Yumi puxou Crystal pelo braço e a pôs por trás de si. Havia se dado conta de quem era o Black Moon afinal, era simplesmente o príncipe que regera, há mais de meio século, o terrível ataque a Tóquio de Cristal, o qual era lembrado com terror até os dias atuais.
— Princesa, o que faz aqui com esse homem? Por acaso sabe quem ele é? — Wind disse, ríspida, encarando o príncipe.
Saphiro, notando a hostilidade da guerreira, preparou-se para enfrentá-la ao lado de Diamante se fosse preciso, mas antes que tomasse alguma atitude, o regente de seu planeta colocou o braço a sua frente, impedindo-o.
— Escute, não quero criar conflitos, não sou o mesmo homem de anos atrás. — Diamante disse, sério.
— Wind! — Crystal tocou-lhe o ombro — Deixe-o em paz!
— Princesa, está louca? Não faz idéia do que ele fez e pode fazer, temos que zelar pela paz desse reino!
— Sei sim! — Crystal gritou ainda mais alto que Yumi, pela primeira vez mostrando-se realmente zangada — E sei também como ele morreu, salvando a vida de minha avó! Não o julgue injustamente, não condiz com a atitude de uma Sailor! — pôs-se no meio de Diamante e Sailor Wind.
Silêncio... Todos se surpreenderam com o tom firme que a menina utilizara, ela mesma assustou-se depois, foi inesperado.
— E como ele voltou à vida, sabe? — a guerreira perguntou séria, já recomposta.
— Não, ela não sabe. Nem mesmo eu sei o porquê. — Diamante respondeu antes de Crystal.
— Oh, é mesmo? E me diga, por que deveríamos acreditar em você? — a mulher de olhos prateados arqueou uma das sobrancelhas, desconfiada.
— Entendo o rancor que sentem, assim como sentia em relação à Terra, espero que com o tempo consigam superar isso. Sinto muito, mas não posso dar provas de minha inocência além de minha palavra, cabe a vocês acreditarem ou não. Compreenderei se optarem pela desconfiança. — disse firme, e ao mesmo tempo, incrivelmente sereno.
— Irmão... — Saphiro admirou como de forma tão singular, Diamante amadurecera.
— Eu acredito em você! — Crystal disse, fitando-o e abrindo um pequeno sorriso. Em seguida, olhou Sailor Wind novamente — E eu sou a princesa, portanto, sou eu quem deve julgar!
— Sinto muito princesa, mas quem deve julgá-lo não é você nem mesmo eu, mas sua mãe.
— Não, Wind, pelo amor de Deus, não! — o pavor ficou claro nas palavras da menina — Não faça isso!
— Que seja. — Diamante respondeu destemido, encarando os olhos cor de prata — Leve-me até a rainha.
— Mas, príncipe! — Crystal virou-se para ele, amedrontada.
— Princesa... — tocou a mão da jovem de cabelos castanhos e depositou um beijo nela, sem prestar atenção no olhar de reprovação da guerreira que o encarava — Se sou inocente, não tenho o que temer. Não é mesmo?
— Irmão, todo esse tempo eu estava no palácio, acolhido pela família real. É fato que a rainha não apreciou de início, e até deve desconfiar das minhas intenções, mas o rei é justo e pacífico. — Saphiro, finalmente se manifestou.
A princesa deu um suspiro, quase esquecera o pai que tinha, abriu um pequeno sorriso otimista. Seu pai deveria abrandar a fúria de sua mãe e não deixá-la cometer um erro, assim pensou.
— Então, o que espera? Leve-me ao palácio. — Diamante retomou.
— Se você tentar alguma coisa... — Wind começara a ameaçar.
— Não seja hostil, Sailor Wind! — novamente, foi controlada pela princesa.
Os minutos adiante, quando o quarteto andava rumo ao belo palácio de cristal, foram de um silêncio dilacerante. Crystal fitava todos ao seu redor, analisava suas expressões faciais... Wind parecia um tufão em fúria, Saphiro mostrava-se preocupado, mas feliz ao mesmo tempo e Diamante ela não sabia decifrar. Tal era a seriedade em seus olhos e também no risco dos lábios que temia Yumi tê-lo enraivecido a ponto de acender a vontade de partir. E se sua mãe o ordenasse voltar para Nemesis? A princesa pôs uma mão na boca e respirou fundo, tentando afastar aqueles pensamentos daninhos. Deu um passo ao lado e ficou mais próxima a ele, aproveitou que Wind fora mais a frente e, discretamente, segurou-lhe a mão.
O príncipe, ao sentir o toque gentil e quente, olhou-a e consentiu com o gesto, segurando-a também, mas por pouco tempo, não desejava ser ainda mais detestado por aquela Sailor dura como uma rocha que o açoitava com os olhos. Embora a vilã de seus pensamentos não tivesse notado, o irmão vira o gesto trocado pelo casal. Saphiro encarou Crystal, perguntando-se se aquele carinho fora meramente inocente, ou se nessa vida seu irmão fora brindado pelo amor que tanto desejara, preferiria que fosse a segunda opção, pois se aquela menina rejeitasse a pessoa por quem ele tinha mais estima como fez sua avó uma vez, jamais a perdoaria.
Ambos os príncipes, embora tensos, apreciaram a bela paisagem que os cercava durante o percurso. Mesmo em meio urbano, os grandes arquitetos daquele reino souberam usar a natureza para deixá-lo unicamente belo, era um misto de prédios, casas, ruas cristalizadas que refletiam as luzes coloridas da cidade, com praças arborizadas, belas roseiras adornando as grades prateadas e douradas, automóveis ecológicos, pessoas andando em conjunto, rindo, divertindo-se, casais apaixonados espalhados pelas belas pontes, rios de água cristalina cortavam algumas ruas, era tudo aquilo o que eles sempre sonharam para a família Black Moon.
Saphiro recordou-se do que Petzait, no último dia em que esteve vivo, lhe disse sobre os terrestres e o calor terno que transmitiam. Em Nemesis, todos eram frios e distantes, e mesmo um afago geralmente vinha por trás de algum interesse. O clima mórbido nemesiano parecia afetar até mesmo a temperatura do corpo de seus habitantes, eram frios, secos... Ao longo do tempo perderam quase toda a humanidade que lhes restara...
Sentiu-se, então, aliviado por ainda possuir alguma sombra dessa humanidade salva dentro de si, que despertava sempre que tinha a companhia da jovem ruiva. Sorriu em meio às preocupações, pois tinha ao menos algum motivo para alegrar-se. Não, tinha razões realmente grandes agora que sabia que seu irmão estava lá também! Príncipe Diamante, apesar de não demonstrar externamente, também se sentia feliz e mais leve. Ao ver seu único irmão vivo e saudável uma boa parcela da culpa que carregava se fora, afinal, no passado, Saphiro morrera por conta de sua crendice cega nas palavras do Sábio que não muito depois o traíra.
...
— As estrelas estão brilhando mais do que nunca essa noite — Olho de Tigre disse, tentando puxar assunto.
— Aff — Marine bufou, virando o rosto para outro lado — O que você quer?
Ela estava quieta na sacada onde de manhã jogava conversa fora com Reiko, pensava sobre o treinamento, sobre como se sentiu poderosa controlando um redemoinho de água, fitava o céu e baixava o olhar para o broche azul em sua mão, até que Tigre interrompeu seus pensamentos.
— Não posso lhe fazer um pouco de companhia? — abriu um pequeno sorriso e foi andando em direção à jovem, até ficar ao seu lado naquela sacada, onde sentou sobre o parapeito e cruzou as pernas, fitando-a — Sei que começamos com o pé errado, boneca...
— Escute, não quero a sua companhia, e também, pare de me chamar de boneca. — disse séria — Se o seu desejo é cortejar alguma garota, fique com Reiko, ela está afim de você.
— Então o problema é esse, a sua amiga? Admito que ela também seja muito linda, mas quem eu quero é você, desde o momento que a vi quando cheguei aqui.
— Ai minha paciência... — a loura abaixou a cabeça e colocou a mão sobre a testa, tentando manter a calma, suspirou, abriu um sorriso forçado, querendo ser simpática — É, você é bonito, legal, eu admito, está bem? Mas isso não é o suficiente, você não me atrai, não sinto nada por você, e convenhamos, nem você por mim, isso é um simples jogo de conquista. Se Reiko está fácil demais para te animar, você tem várias opções! — começou a contar nos dedos — Bem, não acrescentarei a princesa, porque se tentar algo com ela a rainha te mata, mas tem a Hina, Hotaru, Mizumi,tem a Yumi... Ah sim, a Yumi! Veja só que desafio, tente com ela!
— Está mesmo debochando de mim? — Ele arqueou uma das sobrancelhas — O caso não é esse! O que preciso fazer para que você perceba que não estou de brincadeira? As outras são todas lindas, mas quem eu quero é você! O que faço para que sinta atração por mim? — puxou-a pela mão e ficou segurando-a, proferiu cada palavra em tom teatral, como o velho Tigre de anos atrás.
— O que faz para me atrair, sinceramente? Está bem... Vou dizer... Com todas as letras... — Marine respirou fundo — Nasça de novo! — falou alto e em bom som — De preferência, com algum conteúdo, não só essa... — olhou-o de cabo a rabo — embalagem robusta! — tentou soltar a mão, mas ele continuou a segurá-la, fez menção de socá-lo com a outra, mas foi segurada também — Solte-me!
— Embalagem robusta? Devo levar isso como um elogio, boneca? — fitou-a com um meio sorriso, depois observou o broche que caíra ao chão quando ela fechou a mão para agredi-lo — Sou cortês demais para feri-la, mas não permitirei mais que me bata e fique por isso mesmo. Esquece-se que também tenho força? Quer medi-la? — desceu da sacada, ainda segurando-a pelas mãos, virou-a, e a encostou sobre onde ele antes estava.
— Me solta, Olho de Tigre! Já ultrapassou do ridículo, é pura teimosia sua essa insistência doentia! Eu não quero nada com você e nem ninguém!
— Ah, por favor, não parta para aquela velha história do "não é você, sou eu", farei com que me queira... — ia tentar beijá-la, como da primeira vez.
— Eu vou te matar, escute o que estou dizendo! — ameaçou furiosa.
— Estou morrendo de medo, boneca. — riu, tocando seu nariz ao dela
— Não me chame de boneca! — gritou.
— Olho de Tigre, venha! Marine, você também! — Olho de Peixe interrompeu o amigo no ato, por pouco Marine se livrou do beijo do felino. Tigre já ia ter um ataque de raiva, mas Peixe não lhe deu tempo — Sailor Wind trouxe a princesa, junto com outro Black Moon! Parece que é o irmão daquele lindíssimo que está aqui conosco, ele é maravilhoso também... — claramente, o discurso perdeu a seriedade quando os olhos do rapaz brilharam — e tem um ar de soberano, que, minha nossa!
— O que estamos esperando, vamos lá! — a jovem aproveitou o momento de distração do belo homem louro para desvencilhar-se de suas mãos, pegar o broche que estava no chão, e correr para o salão real, onde provavelmente, o tal príncipe se apresentaria diante os reis.
— Muito obrigado, Olho de Peixe. — Tigre disse, em um tom fulminante, assim como o seu olhar.
— Ai, vamos logo! — o outro saiu saltitando na frente.
...
— Príncipe Diamante? — Rini levantou-se apressada do trono, fitando-o a sua frente — Não pode ser! — seus olhos rubros demonstravam claramente a surpresa e mesmo o horror.
— Acalme-se, querida! — Helios tocou-lhe o ombro, levantando-se também.
—... Desde quando? — Rini fitou a filha, ao lado do príncipe — Crystal, desde quando? Todas as vezes que esteve fora, foi para vê-lo? O que significa isso?
Diamante viu a princesa baixar a cabeça e cerrar os olhos, apavorada. As mãos pequeninas entrelaçavam-se, tremelicando. Voltou a olhar a nova soberana do reino, a imagem da mulher furiosa e assustada era perturbadora.
— Rainha Rini de Tóquio de Cristal, ela não tem culpa, interrogue a mim. — ele deu um passo à frente, tentando acalmar a menina que tanto estimava.
— Crystal, você não me respondeu! — a mulher praticamente gritou, evitando olhar para o ex-regente do décimo primeiro planeta.
Rini tremia de cima a baixo por nervosismo, raiva, medo e trauma. Jamais esquecera a imagem de óvnis negros surgindo em um dia fatídico naquele reino, assim como recordava nitidamente do olhar frio de Diamante sobre a destruição de tudo, o olhar ambicioso e obcecado direcionado à sua mãe, que fora envolvida em um cristal e posta para dormir por sua causa.
— Crystal! — dessa vez, nem mesmo o toque gentil de Helios a acalmara, estava aos nervos — Me responda já!
Todos os presentes no salão, as guerreiras, o trio Amazonas, e os irmãos da Lua Negra sentiram-se intimidados por aquela fúria, jamais pensaram que Rini seria capaz de chegar a tal extremo.
— ... Eu já visitava o bosque muito antes de conhecê-lo! – Crystal veio à frente, tomou fôlego e finalmente falou — Então, certo dia, depois da primeira noite de tempestade, fui passear por lá e o encontrei, adormecido à sombra de uma grande árvore!
— Foi como despertei da morte, rainha. — Diamante completou, mais firme do que Crystal.
— Eu não acredito... — Rini pôs uma das mãos sobre o rosto, a descarga de energia fora tanta que sentiu leve tontura e apoiou-se no braço do trono, Helios a segurou, em seguida fitou Diamante também, aflito.
—... Também encontrei Saphiro depois de uma forte tempestade, lembra-se, majestade? —Hina,tímida, em voz baixa e passiva, se manifestou.
— É verdade... — Helios recordou — Mas o que, ou melhor, quem os trouxe? — indagou.
Diamante foi até o os reis, e embora lhe doesse o orgulho, afinal, não deixara de ficar sentido pela atitude da rainha, a compreendia, reverenciou-os e de rosto baixo, corpo curvado, disse:
— Peço perdão por tudo que lhes fiz no passado e juro que realmente não sei o porquê ou quem nos trouxe de volta, mas não temos intenção alguma de causar o caos, se for de seu desejo, partiremos para Nemesis, assim não precisarão se preocupar ou incomodar com nossa presença.
— Talvez seja o melhor. — Rini disse, ainda alterada — Sim, arrumarei o transporte e vocês...
— Não! — Crystal a interrompeu e foi, também, até ela e seu pai. — Não, isso não é justo! Papai, mamãe, eles morreram redimidos com essa família e com esse mundo, se não fosse pelo príncipe Diamante vovó teria morrido muito antes de constituir esse reino ao lado do vovô! Mamãe, será que você não enxerga isso? — só em pensar na partida dele, os olhos dela se encheram de lágrimas, e certo como o nascer do sol em cada manhã, elas transbordaram por sua face. — Qual é o problema deles ficarem? Seria uma gratificação ao que o príncipe fez por nós! Sim, mamãe! Você deveria ser grata, aposto que vovó concordaria comigo! Onde está a sua compaixão?
Mais uma vez, o tom firme de Crystal surpreendeu a todos, principalmente Rini. Completamente sem palavras, apenas encarou a filha e não encontrou moral alguma para confrontá-la. Foi abatida por aquele olhar que refletia imensidão de amor e justiça, como os de Serena.
Compaixão... Sim, essa era uma das maiores virtudes da rainha que a antecedeu, assim como das guerreiras que partiram junto a ela. Rini sentiu-se envergonhada por suas ações, era verdade que sua mãe jamais os repeliria, um dos fortes traços de personalidade de Sailor Moon era confiar em todas as pessoas, mesmo nos inimigos.
— Crystal está certa. — concluiu, passando a mão pela testa, que até mesmo esquentara.
Mais uma surpresa para todos no salão, contudo, Helios, Crystal e Hina alegraram-se com a postura da rainha. Rini desceu do altar onde os tronos ficavam, degrau por degrau, recuperando a calma, até alcançar Diamante.
-— Você, seu irmão e sua família estão perdoados pelos males passados. — de pé, diante a ele, disse — E por ter salvado minha mãe de maneira tão nobre, poderá viver aqui com Saphiro, nesse palácio, como os nobres que são.
Crystal abriu um enorme sorriso e deu um pulo, tocando o rosto com as mãos, antes que os dois irmãos pudessem agradecer, ela se adiantou, correu até sua mãe e a abraçou, empolgada.
— Eu sabia mamãe, você é uma boa pessoa!
Saphiro foi até o irmão, lado a lado curvaram-se e agradeceram pela oportunidade. Hina, mesmo tímida, fitou o jovem de cabelos azuis escuros de longe, e esbanjou um pequeno sorriso alegre, que logo escondeu quando notou Reiko piscando do outro lado do salão.
— Também desejamos descobrir quem está por trás de nosso retorno. — Diamante disse, quando já estava novamente ereto. — Portanto, queremos participar da investigação.
— Amanhã de manhã conversamos sobre isso — Helios disse — Ainda não mencionei com todos os presentes, mas talvez eu tenha uma pista. — Rini olhou-o imediatamente, como se brigasse por não ter lhe contado nada. — Agora, vamos jantar enfim, acredito que todos estejamos com fome.
— Sim! — Crystal foi a primeira a se empolgar. Ao notar o silêncio dos outros, logo corou, causando risos divertidos em todos.
— Minha filha, estou orgulhosa de você! — Rini disse, abraçando-a de lado — Vamos! Diamante, Saphiro, venham também... — ainda estava sem jeito na presença deles, mas queria desfazer a imagem de antipática.
Diamante não deixou de perguntar-se em pensamentos se a rainha era bipolar, mas sentiu-se lisonjeado pelo convite, e seu irmão alegre por tê-lo junto à mesa.
"Nada pode estragar esse momento tão perfeito!" — a princesa pensava, feliz por finalmente sua mãe tê-la elogiado, pelos príncipes Nemesianos estarem unidos e por aquele de quem gostava agora estar mais perto e não mais precisar vê-lo as escondidas.
Quando o jantar terminou e todos foram para seus aposentos descansar, ela fez questão de mostrar ao príncipe o quarto em que ficaria, via-o admirar cada detalhe dos corredores, das portas, das pinturas e esculturas gravadas em teto e paredes, suspirava notando-o esbanjar aquela admiração no brilho de seus olhos violetas, como era lindo, pensava, e como estava próximo... Finalmente, quando chegaram ao quarto, ele abriu a porta, de costas para ela, iria entrar, mas parou, voltou-se à princesa e a fitou.
— Jamais saberei agradecer ao que fez por mim hoje. Você foi muito corajosa, mostrou a desenvoltura de uma verdadeira nobre, princesa.
— Ah, que isso! — corou e riu — Eu só fiquei nervosa e saí falando como uma louca!
— Como posso agradecê-la? — fitava-a incessantemente.
— Bem, deixe-me ver... — ela se mostrou pensativa por um instante, na verdade só para instigar dúvida nele, depois, em dois passos o alcançou, e abraçou-o — Viva aqui, conosco... E seja muito, muito feliz!
Mas que mania aquela menininha tinha de deixá-lo sem ação! Pensava, enquanto demorava um pouco a reagir àquela demonstração de afeto. Com o ato daquela noite, sem dúvida Crystal cativara o seu coração definitivamente.
A jovem desfez o abraço, despediram-se e enfim, cada um se preparou para dormir em seus respectivos quartos. Crystal aproximou-se da janela, abriu-a para sentir o vento beijar-lhe a face, sorriu a olhar a meia lua brilhando em meio às estrelas.
— Obrigada, lua, por atender meus pedidos... — disse, e em seguida notou algo distante no céu, movimentando-se, parecia uma estrela cadente vermelha, acreditou que aquele fosse mais um sinal de que sua felicidade seria totalmente concretizada.
...
Através de óculos especiais que o faziam enxergar à distância, o príncipe viajante, em sua nave que imitava a forma de caravelas antigas e que expelia pétalas vermelhas e perfume por onde passava, observava o que havia à sua frente, naquela galáxia. Mais um portal tempo-espaço surgia quando passava pelo planeta Saturno, assim que a nave adentrava um deles, adiantava-se bastante no percurso. Graças a esses portais ele conseguia sair de seu planeta e chegar à Terra em dez dias, pouco tempo para tamanha distância. O que não faz a tecnologia e o misticismo?
Cada vez que passava por um portal, mandava uma mensagem holográfica aos reis que o aguardavam fervorosamente. Combinaram de fazer o baile justo no dia de sua chegada. Em uma das mãos, segurava uma rosa de cristal fechada em botão, quando a apertava, abriam-se as pétalas e de dentro delas surgia uma imagem tridimensional da princesa de Tóquio de Cristal, os olhos azuis do viajante brilhavam ao observar.
— Eu sabia que desde que simplesmente visse a sua imagem, me apaixonaria perdidamente... É como se a conhecesse de outras vidas... — disse para si mesmo, abrindo um pequeno sorriso — Tenho certeza de que sentirá o mesmo por mim.
Continua...
...
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