Notas iniciais
Quando redigi esse capítulo, estava ouvindo direto Evanescence e Stream of Passion. Acho que nem preciso falar muito mais, né? Bem, espero que gostem, pois amei escrevê-lo! Boa leitura!

A minha queda será por você

Capítulo 28 – Princesa desaparecida

A tempestade caía cada vez mais violenta, os céus ardiam em pranto como se fossem cúmplices de um sofrimento sublime. Os ventos cortantes quase levavam os que se atreviam a andar pelas ruas, naquele início de noite grande parte dos civis recolheram-se por conta do mau tempo.

Os que saíram do palácio à frente dos outros decidiram separarem-se em grupos, cada grupo procurava a princesinha por uma extremidade da cidade. As Starlights revezaram-se pelos parques não tão distantes, Sailor Wind e Ocean corriam velozes pela praia, Sailor Fire conseguia manter uma pequena chama mágica acesa em mãos, acompanhada de Saphiro, tentava adentrar o bosque, pois sabia que era lá o refúgio da princesa, no entanto, a densa névoa unida à tormenta desabando sobre terra tornava-se obstáculo para enxergar qualquer coisa, os pés afundavam na lama, o que era bosque tornara-se um pântano pegajoso. Sailor Acqua e Sailor Nature averiguavam cada lanchonete e doceria pelas quais passavam, procuravam não alarmar as pessoas, nada comentavam sobre o drama da família real.

Sailor Saturno, solitária, ofegante chegou ao cemitério. A espessa névoa baixa que se formara rodeando as esculturas cristalinas possuía um ar soturno, cemitérios em si causam essa sensação na maioria das pessoas, menos em:

— Valkyria! — Hotaru a chamou, não se atreveu a entrar no mausoléu.

As portas da construção esférica abriram-se sozinhas, uma fraca luz azulada vinha de dentro. Hotaru sabia o que era, a luz veio em sua direção e pairou em suas mãos.

— Ele sente a sua falta. — a guerreira do submundo saiu calmamente, descendo os três degraus depois de sair pela porta.

— A princesa está perdida por algum lugar da cidade, Valkyria. — disse enquanto vidrava os olhos no espectro em mãos.

— Veio me pedir ajuda. — a dona dos longos cabelos de vinho suspirou, desanimada.

— Você é sensitiva... Não consegue imaginar onde ela pode estar? Algo muito ruim aconteceu a ela ainda hoje, está fraca, está triste...

— E a tendência é piorar. — Sailor Phantom completou.

— Por favor, Valkyria... — os olhos púrpuros estremeceram, eles por si só eram uma súplica.

— Só há um cemitério em todo o reino. — conformada, caminhou à frente, contemplando as esculturas de anjos lapidadas em cristal — Sabe por quê?

— Porque poucas pessoas morrem aqui, graças ao poder do Cristal de Prata de dar longevidade à vida. — acompanhou-a lado a lado.

— Ainda que poucas, pessoas morrem. A maioria dessa minoria morreu não por fatalidade, mas porque assim escolheu. O fim é essencial.

— Onde quer chegar?

— O direito de desistir, de se entregar...

— É isso o que você deseja? Desapegar-se do mundo? — tocou-lhe o ombro — Não diga bobagens!

— Só acho que ninguém deveria tirar o direito de desistência de alguém. Os limites, todos eles, devem ser respeitados. Todos, um dia, precisarão de descanso...

Havia um pesar em cada palavra dita, a marinheira do silêncio sabia. Entretanto, só o que podia fazer era observá-la adiante: os cabelos longos arrastados pela ventania, o olhar perdido em alguma memória, em alguma culpa... Como consolá-la? Como libertá-la daquele fardo? Baixou a cabeça, inconformada. Fez menção de dizer algo, antes que sua voz soasse, Sailor Phantom correu. Seguiu-a, julgou que a intuição de Valkyria fosse forte o suficiente para encontrarem Crystal.

No palácio, os integrantes do Trio Amazonas procuravam por Crystal nos jardins, no ginásio e em toda parte. Por algum motivo, acreditavam que ela pudesse estar escondida por perto. Damien não conhecia nada por lá, estava deslocado e sem reação, não fazia ideia de por onde começar a procurar, Rini o consolava tentando consolar a si, ao seu lado estavam Neherenia, Galáxia e Kakyuu, no mesmo cômodo Luna e Artêmis utilizavam-se de suas habilidades cibernéticas e, através de computadores captavam imagens da cidade, procurando por cada canto daqueles um sinal, Luna aproveitou e, através de um pequeno microfone branco, comunicou-se por rádio com os moradores do reino, sua voz ecoou nas casas. Em seguida, Artêmis gravou-se em vídeo e a imagem passou em televisões e mesmo em outdoors e hologramas. Ele dizia:

— Cidadãos de Tóquio, os regentes pedem humildemente por sua cooperação. Há algumas horas a princesa saiu do palácio e até o momento não retornou. Estamos todos preocupados, pois a chuva não cessa, e a filha do reino adoeceu recentemente. Já iniciamos as buscas. Contamos com vocês para nos ajudar a trazer a princesa de volta para casa sã e salva. Aqueles que colaborarem serão muito bem recompensados!

Os cidadãos do reino eram muito apegados e gratos à família real, Rini confiava que jamais um deles tentaria machucar Crystal, e, de fato, aqueles que receberam a mensagem de Luna ou viram a imagem de Artêmis referindo-se ao desaparecimento da herdeira do trono ficaram apreensivos e moveram-se para ajudar. Grupos de pessoas a segurarem lanternas andaram por vários perímetros chamando o nome da desaparecida, alguns oravam para a Lua e para Serena mantê-la a salvo.

As horas passavam... Nem sinal de Crystal. Qualquer milimétrica marca de seu sangue no piso das calçadas, das ruas, ou quaisquer fios de cabelo perdidos foram arrastados pela água impiedosa. A noite caiu fria, a mesma chuva que escondia a princesa foi responsável por um apagão, primeiro em vários trechos do reino, depois nele todo. Antes de os geradores serem acionados, Diamante contemplou a escuridão total, num relance comparou a Terra a Nemesis, um amargor desceu pela garganta. Quando as luzes tornaram a colorir a cidade, o príncipe branco pousou os pés em frente à cabana onde Crystal o hospedou, tinha esperanças de encontrá-la lá.

Apenas a solidão habitava o humilde casebre...

Voltou-se para fora, olhou ao redor sem nada enxergar, era apenas névoa e ele confundindo-se no cinza. A água intensa finalmente o abraçara, fazendo os claros cabelos grudarem-se ao rosto e a capa pesar.

— Crystal, Crystal! — a voz de Hina misturou-se aos relâmpagos retumbantes.

— Princesa Crystal! — Diamante reconheceu a voz de Saphiro, o jovenzinho e a ruivinha aproximavam-se, fracamente a flama de Hina reluzia.

Chegaram à frente da cabana e encontraram Diamante. Sailor Fire sorriu esperançosa, mas um meneio negativo da cabeça do Black Moon a frustrou. Ele estava só, tão desorientado quanto qualquer outro envolvido na busca.

Saphiro aproximar-se-ia mais, no entanto, bem à sua frente um raio caiu dos céus. No susto, o nemesiano mais novo jogou-se para trás e abraçou Hina, tentando protegê-la. Diamante teletransportou-se para dentro do antigo refúgio por instinto. Quando a luz que quase os cegou se dissipou, ele correu para fora e gritou pelo irmão. Suspirou de alívio ao vê-lo abraçado à menina, protegidos por um campo de energia.

— Entrem logo aqui! — ordenou — Perdi meu irmão uma vez e uma vez basta! — desabafou, o casal atendeu-o.

— E agora, como fazemos? — Saphiro perguntou, apartando-se de Hina. — Olhem lá fora! — apontou para a janela.

Uma infinidade de raios caía dos céus, espetáculo bonito de se ver, embora preocupante. Caíam perto da cabana, caíam aleatórios pela cidade. Não só Saphiro, Diamante e Hina precisaram se refugiar, mas toda a multidão que procurava pela princesa. A natureza provava-se sombria e soberana, contra ela nem mesmo o Cristal de Prata em presente momento podia.

...

— Majestade, sentimos muito! — o trio de homens encharcados entrou no salão onde Rini estava.

— A chuva está forte demais, e está perigoso ficar lá fora! — Olho de Peixe ajoelhou-se diante da rainha — Esperamos que todos estejam abrigados e aguardando amenizar esse temporal, está impossível!

— Sim, principalmente pelos raios... — Olho de Tigre explicou-se.

— Eu compreendo... — ela esboçou um meio sorriso, afinal, não era uma tirana. — Espero que os outros estejam a salvo... Espero também que Crystal esteja em um lugar seguro.

— Eu vou procurá-la! Não me importo com os raios, não me importo com a chuva! — Damien tomou a frente.

— Príncipe, isso é uma loucura! Por mais forte que sua armadura seja, ela por acaso resiste a raios? — Olho de Peixe se pôs à porta, impedindo a passagem.

Ficariam discutindo lá ferozmente o que fazer, Rini estava sem forças para isso. Devagar e silenciosa, abandonou o cômodo. Luna e Artêmis, compenetrados em revirar todos os mapas da cidade não notaram. Os homens debatiam fervorosos, os antigos integrantes do Circo da Lua da Morte seguravam o sedniano e convenciam-no a sentar-se, expunham todos os perigos e ainda assim o outro não se aquietava. Neherenia e Sailor Galáxia foram as únicas que prestaram atenção na retirada da rainha, a dos cabelos dourados indubitavelmente iria atrás, foi detida pela de cabelos negros.

— Deixe por minha conta. — sussurrou, em seguida deixou o salão com a classe costumeira. No corredor, Rini caminhava a comprimir as mãos. — Rainha Rini — Neherenia, logo atrás, chamou-lhe a atenção. — Onde está o rei?

Rini parou de súbito, calada.

— Não responderá?

Silêncio... A soberana sacudiu os ombros duas vezes, parou, abraçou a si mesma, e então os ombros pareceram dançar, subiam e desciam freneticamente acompanhados de soluços e gemidos lamuriosos. Surpresa, a outra rainha chegou-se devagar. Aproximou temerosamente os dedos pálidos aos ombros inquietos, recolheu-se por um instante, fechou-os para abri-los outra vez e repousá-los na chorosa regente.

— Vai me contar o que está havendo ou acha melhor guardar esse desespero para si? — disse entre suspiros.

Surpreendendo a mais bela mulher do universo, Rini virou-se bruscamente a atirou-se em seus braços, aninhou-se em Neherenia como faz uma criança com a mãe. Os orbes azuis esbranquiçados dilataram-se, Neherenia não esboçou reação. Estática, temeu que a mulher que a abraçava fosse se quebrar como uma boneca de porcelana.

— Vamos ao seu quarto, lá você me conta. — depois de um longo respirar, sugeriu. — Dê-me o braço.

Rini acatou, indefesa. Andaram de braços dados enquanto a tão firme rainha de Tóquio de Cristal se dissolvia.

...

— Traga-me outra poção daquela prateleira, rápido! — Quartzy gritou a Jade.

— Tome, tome! — a mulher robusta em uma corrida trouxe o que lhe foi pedido.

— Ela está tendo uma convulsão! — Quartzy estremeceu, apavorada. Abriu a boca da desacordada líder e despejou toda a quantidade de líquido esverdeado contida em um pequeno frasco negro. — Droga, parece que essa coisa não faz mais efeito! — passou a mão pelo rosto suado, sem saber o que fazer a seguir.

— Ela tem que resistir! Ela vai resistir! — a guerreira sacudiu a outra pelos ombros com tamanha força que chegou a machucá-la.

— Não há garantia de que dure uma noite, sequer alguns dias! — a jovem vestida como bailarina perdeu o equilíbrio e caiu no chão.

— Merda! — Jade vociferou, descontava a raiva quebrando frascos vazios, chutando os poucos móveis do recinto, trincando o salto no piso de cristal negro — Ela sabia que isso aconteceria e se sujeitou àquilo! Não satisfeita, está gastando as suas últimas energias lá!

— Senhorita, seja forte, por favor, seja forte! — Quartzy ajoelhou-se ao lado da cama e apertou os lençóis, afundou o rosto neles, abafando um possível choro. — "Voltou para aquele mundo só para se certificar de que o unicórnio não se libertaria do cristal... Senhorita Ametista, o desejo de vingança não vale mais do que sua vida"!

Do lado de fora, Onyx e Topázio ouviam-nas e mantinham-se na expectativa. Enquanto o formoso cavaleiro dourado era reservado e guardava a sensação de satisfação para si, o cientista esbanjava um sorriso sádico e, inconvenientemente, ria baixo por vezes. Eles se encaravam, no entanto não trocavam palavras. Nas profundezas escuras do vasto corredor, Akai e Aoi estavam de pé, encostadas na parede como duas crianças de castigo. Pobrezinhas, não entendiam nada do que acontecia.

...

Rini... Rini... Rini! Não consigo alcançá-la!

E não irá, não enquanto eu estiver aqui para impedi-lo.

Você é a garota daquela vez não é? A garota que se comunicou com o príncipe através de um fragmento de cristal negro... Sua voz está diferente, está fraca... Você não está bem...

Quem não está nada bem é você. E, garanto, piorará.

O corpo já estava cativo em um pedaço de cristal submerso, e agora a consciência dele começava a falhar, tudo o que via era escuridão, e depois da promessa de piora, tudo o que ouviu foi silêncio. Do lado de fora, Ametista abraçava a pedra onde ele estava contido, ela própria era enredada pela escuridão, como uma aura, ou melhor, como um carma.

As trevas, finalmente, fizeram Helios dormir.

— Posso até ir, mas ao menos você levarei comigo. — ela disse, fechando os olhos.

...

— Senhorita Ametista, não... — a voz de Quartzy soou fraca. Sua mão gentil tocou a face pálida da soberana, depois pousou sobre o seu nariz, não sentiu o ar sair. Amedrontada, repousou a cabeça no peito da líder e não ouviu batimento algum. Levantou-se e correu para fora do quarto.

Jade estranhou o comportamento abrupto da companheira, ela mesma resolveu escutar o coração da princesa. Não ouvir nada a fez gritar, quase rugir. O alarmante som emitido por ela chamou a atenção dos homens à porta, ambos entraram no quarto, tranquilos. Empurrando-os, entrou Quartzy trazendo em mãos duas pedras verde-escuro, nelas pequenos raios se formavam e ressoavam um zumbido metálico.

— Interessante! — Onyx exclamou, observando-a sentar sobre o corpo de Ametista e, num ato desesperado, unir as duas pedras ao peito da Senhorita provocando um clarão.

Uma vez não foi suficiente, Quartzy ergueu as pedras ao alto e mergulhou-as outra vez no peito da mulher. Numa última tentativa desesperada, com tudo de si, pela terceira vez ela repetiu o processo e o corpo de Ametista deu um salto.

— Deu certo! — Jade abriu um extenso sorriso enquanto Quartzy repousava a face no peito da princesa e chorava de júbilo.

Ofegante, Ametista despertou, o órgão vital pulsava tão fortemente que o corpo inteiro tremia. No entanto, a expressão nos olhos turvos não era de contentamento.

— O que estou fazendo aqui? — esbaforida, questionou, a voz quase não saiu.

— A senhorita teve uma parada cardíaca! — Quartzy explicou, sentando-se ao seu lado. — Teria morrido se eu não fizesse o que fiz! Ainda está mal, mas tem mais tempo!

— Onyx, ataque Tóquio de Cristal, dê um jeito! — Ametista ordenou.

— Senhorita, apenas um pedaço de cristal negro restou. Você gastou suas últimas forças para manter o pégaso preso e conseguiu, mas não pode me ajudar a fazer brotar mais pedaços da pedra pela cidade, e se perdermos a que temos, perderemos também qualquer contato com a Terra. — o cientista explicou.

— Faça como da outra vez, oras! Crie outros, espalhe-os pela cidade, ramifique o que temos!

— Garanto que dessa vez o último que sobrar será descoberto, é burrice subestimar a inteligência da família da Lua Branca. — Onyx riu — A senhorita está sendo impulsiva e ingênua!

— Agora é você quem está me subestimando... — ela se apoiou no ombro de Quartzy e se sentou — sei muito bem o que estou fazendo, não importa se destruirão todos os cristais, quero apenas chamar-lhes a atenção!

— Como assim, senhorita? — Jade mostrou-se curiosa.

— Agora que sei o que se passa no coração da princesa Crystal e no do príncipe Diamante, torna-se mais fácil para mim formular um argumento... — pausou por sentir falta de ar, encostou a cabeça no ombro da fiel amiga. — Dessa vez, eles voltam para Nemesis, eu sei.

— Dê-me um tempo. — Onyx pediu — Se o que deseja é se comunicar, prepararei algo, meu discurso não falhará.

...

— O que faremos, Nature? — Sailor Acqua, dentro de um restaurante, tocou o vidro da vitrine. — Veja aqueles raios... Nos arriscamos e vamos atrás dela assim mesmo? Já se passaram três horas e estamos aqui, olhando o tempo lá fora.

— Não dá para enxergar quase nada por causa da chuva e da névoa, ainda corremos o risco de um raio nos tostar. Vamos, você é a mais inteligente, pense! — a dona dos longos fios negros bufou — Que coisa! Ela precisava dar uma de rebelde num dia como hoje?

— Fale baixo! — Marine a repreendeu, notando as outras pessoas lá dentro fitando-as com ares de preocupação.

Sailor Ocean e Sailor Wind abrigavam-se em um quiosque na praia, estavam sentadas lado a lado, Ocean encolhia-se, fazendo-se de friorenta, Wind a olhava em quietude suprema, como ela própria sempre foi. O braço da marinheira oceânica colou-se ao seu, tremelicando, ansiava por um calor que o vento não poderia proporcionar. Um forte raio atingiu o telhado de cristal do quiosque, fazendo-o reluzir por fora. Num salto veloz, Yumi pegou Mizumi nos braços e a tirou de lá. Ainda a saltar alto e rápido, carregando-a afastava-as da praia. Sailor Saturno e Sailor Phantom pararam em uma esquina qualquer, Valkyria fitava o piso vagamente.

— O que foi? — Hotaru lhe perguntou.

— Há algo aqui. — Sailor Phantom apontou para o chão. — E não é algo bom. — sutil, um ponto de luz negra reluzia lá do fundo e só ela o enxergava.

— Vamos, não há tempo a perder! — Sailor Saturno a puxou pelo braço. — Temos que procurar a princesa!

— Espere, olhe ali! — Valkyria estancou, apontou para o piso novamente, um objeto pontiagudo e negro começava a crescer numa velocidade absurda. — Eu não disse?

— Essa não! — a marinheira de saturno ergueu o olhar vendo aquela coisa transformar-se em um pilar e atingir a altura de um prédio médio. — Não poderiam ter escolhido pior hora para atacar!

— Talvez seja a hora propícia! — Sailor Phantom posicionou-se para o ataque, Saturno entendeu bem o que ela quis dizer. Sem tardar as duas senshi conjuravam seus ataques místicos contra o monumento e eles refletiam sobre elas, arremessando-as para longe. Através dos comunicadores nos pulsos, elas avisaram às outras sobre o fenômeno.

— Tóquio está sendo atacada novamente! — Hina alarmou-se, recebeu o recado das companheiras, os príncipes ouviram junto a ela o apelo de Sailor Saturno. — Preciso ir até lá e ajudar a combater o inimigo!

— Saphiro, você deve ir com ela. — Diamante sugeriu — Pode aproveitar e comunicar-se novamente com alguém de nosso planeta.

— Novamente? — Sailor Fire olhou confusa para o seu companheiro, ele mostrava-se ligeiramente constrangido e inseguro.

— Sim, tem razão meu irmão. — o rapaz se levantou e estendeu a mão para a guardiã do fogo. — Vamos, Hina. — desconversou, nem havia tempo para explicar a ela qualquer coisa.

...

— Oh, não, Rini! — Neherenia tapou os lábios vermelhos com as mãos, estava a par da partida de Helios e dos estranhos acontecimentos em Elysium. Ela também sentiu uma estocada no coração, afinal, tinha sentimentos pelo rei. — Ele está correndo perigo lá! — arfou — Temos que fazer alguma coisa!

— Só quem pode ir até lá são Olho de Tigre, Olho de Peixe e Olho de Águia, os guardiões de Elysium... Nós não temos o Cristal Dourado, não podemos fazer nada.

— Majestade! — Diana entrou sem cerimônias, Sailor Saturno avisou que a família Black Moon está atacando-nos outra vez!

Abatida, a poderosa filha de Sailor Moon viu o quarto girar por instantes. Não reagiu, não esbravejou, não demonstrou absolutamente nada, estava apática. Levantou-se, foi até a varanda do quarto luxuoso e de lá avistou o alto e negro pilar, a energia maligna criava ao seu redor uma fumaça arroxeada que subia e descia em espiral, os raios tempestuosos atraíam-se por aquela construção, caíam por perto dela iluminando-a. Já possuía mais altura do que os prédios comerciais, chegou aonde Onyx queria. A partir dali, sua voz soou como em alto falante, ecoando pelas redondezas.

Vocês têm três dias para nos enviarem os príncipes de volta.

— Ou o quê? — Sailor Saturno, caída no piso indagou. Ali por perto, também ao chão, estavam Sailor Nature e Sailor Acqua, Sailor Phantom apoiava-se em um poste, buscando forças para se levantar depois de receber todos os seus ataques de volta.

O rei de vocês morre! — Onyx completou a ameaça prazerosamente.

— Rini! — Diana correu atrás de sua protegida pelo corredor, ainda que com falhas, as palavras de Onyx foram ouvidas do palácio.

Nova Rainha Serena II entrou no quarto da filha como um furacão, encontrou jogado sobre a cama o broche que guardava em si o cristal sagrado. Pegou-o e, correndo ainda, saiu do cômodo agoniada, Diana a segurou.

— Não pode ir até lá, é muito perigoso!

— Esquece que sou filha da lendária guerreira, Diana? Antes de rainha, sou uma Sailor!

— Não mais! Você já transmitiu esse cargo para sua filha! — segurou-a pelos ombros.

— Eu também sou guardiã do cristal de prata! — ergueu-o ao alto, fazendo-o brilhar assim como a lua em sua testa. Disse as palavras mágicas, e eis que em suas mãos o antigo báculo de Nova Rainha Serena I se materializou.

Diana observou-a quieta, conformou-se de que não conseguiria impedi-la de sair e lutar em nome de seu amor, aquela era sua natureza. Saíram do quarto juntas, no caminho encontraram Damien, firme e decidido.

— Majestade, eu a acompanho! — ele disse, ela o respondeu com um sorriso agradecido.

Finalmente todas as guerreiras que se separaram para procurar por Crystal estavam reunidas e juntas atacavam aquele cristal gigantesco. A última a chegar foi Hina, ao seu lado vinha Saphiro.

— Esperem! — ele se impôs, vindo à frente. Elas o olharam desconfiadas — Deixem-me tentar falar com quem quer que seja o responsável por isso! — veio andando, passando por cada uma das mulheres. — Quem está por trás disso? — parou diante do monumento — Pare já com o ataque e traga de volta o rei e a princesa!

Ora, vejam só se não é o nosso amiguinho Saphiro? — a voz masculina, conhecida pelo ataque do ser de gosma, ecoou em tom brincalhão — Resolveu voltar e bater um papo conosco outra vez?

— O que isso quer dizer? — Sailor Wind puxou-o pelo braço, virando-o de frente para ela.

Ah, então ele não contou a vocês? Que coisa feia, Saphiro! — Onyx ria-se em Nemesis, enquanto balançava por um fio um pêndulo de cristal negro, sentado no tatame de Ametista — O príncipe manteve contato conosco, não sabem? Ele conhece a situação de Nemesis melhor do que qualquer um aí na Terra, e sabia há muito tempo desse ataque! Como o Black Moon que é, foi leal e manteve o segredo!

— Isso é mentira! — Saphiro esbravejou, a garganta quase se fechou quando ele se deparou com olhos verdes desapontados, Hina, de longe, pregava-lhe os orbes, desacreditada. — É mentira! — ele enfatizou, trêmulo, em rapidez admirável foi até a criatura que tanto estimava e segurou-lhe os braços — Eu juro, eu não sabia, Hina! Acredite em mim!

Negará que veio até aqui, que conhecia a existência desse último pedaço de cristal negro? Negará que poderia ter avisado aos reis sobre o cristal, mas decidiu não fazê-lo?

Rini chegou acompanhada de Damien naquele momento. Todos os olhares recaíram sobre o nemesiano mais novo. Intimidado ele quase se recolhia. Nem mesmo o olhar incinerador da rainha era pior do que as tristes e desapontadas preciosas esmeraldas.

— Saphiro? — a menina sussurrou, chorosa, esperando uma resposta.

Negue se puder!

— Eu não posso... — as mãos dele escorreram pelos braços de Hina, junto com o seu escorregar, a chuva enfraqueceu levemente. A franja azulada lhe cobria os olhos — Sinto muito. — afastou-se — Antes de qualquer coisa, pertenço à família Black Moon e devo lealdade ao meu clã... Sinto muito, Hina.

Um vento rasgou-lhe o ombro como uma lâmina, deixando nele um corte fundo. A dor aguda o fez cair de joelhos em frente à ela. Aos soluços, a reação da pobrezinha foi ampará-lo em seus braços, surpreendendo-o.

— Não! Não o machuque! — suplicou à mulher de olhos e cabelos prateados logo adiante, de pé, pronta para desferir um golpe mortal.

— Ele é um traidor. — seca, Sailor Wind o sentenciou — Não merece piedade!

— Sailor Wind, chega! — inesperadamente, Rini se impôs. — Onde está meu marido? — aproximou-se do monumento.

Envie-nos os príncipes e seu marido retornará aos seus braços.

— É mesmo? Que garantia tenho disso? — séria, mantinha a compostura, embora ardesse por dentro. — Como saberei que não é uma armadilha?

— Envie-me primeiro! — Saphiro teve a ideia — Envie-me, e em troca, eles lhe devolvem o rei. — fitou a grande pedra. — Se eu for, meu irmão irá atrás, não me deixará sozinho lá! E, quando eu chegar, eles terão que libertar o rei!

Proposta inteligente e interessante...

— Como posso confiar em você depois de tudo, Saphiro? — encarou-o nos braços de Hina, analisou-os, soltou um riso irônico. — Até vocês dois... — disse mais para si do que para eles.

— Tudo o que posso oferecer é minha palavra, majestade... Deixe-me compensá-la por meu errôneo silêncio. — fechou os olhos, envergonhado.

— Onde está Diamante? — ela perguntou.

— Procurando por sua filha. — Saphiro respondeu. Damien demonstrou certo desconforto.

— Muito bem, o príncipe mais novo será enviado ainda pela manhã! — a regente decretou — Para selarmos esse acordo, exijo que, quem quer que seja, desfaça esse pilar agora mesmo!

Está certo, mas lembre-se, se príncipe Saphiro não estiver aqui no dia de amanhã, vocês jamais verão seu rei outra vez!

No ecoar da última palavra a pedra se espatifou, os cacos reluziram ao cair junto com a chuva, Rini fechou os olhos e abriu os braços, sentindo a água apoderar-se de toda ela. O báculo em uma de suas mãos cintilou, ela o ergueu e proferiu:

Moon Princess Halation! —a cálida luz resplandeceu e espalhou-se por todo o perímetro. Os cacos que caíam viraram pó e desapareceram, o mesmo ocorreu com a pequena pedra por debaixo do piso, enfim.

...

— Eu avisei. — Onyx guardou o pêndulo e ajeitou os óculos no rosto – Perdemos completamente o contato com a Terra.

— Devemos contar à princesa, de qualquer forma um deles retornará para nós. — Topázio levantou-se, ajeitou a capa jogando-a para trás e caminhou até o corredor.

— Mestre! — as meninas, ainda "de castigo" encostadas à parede, saltaram animadas ao vê-lo.

— Podem vir. — ele deu o aval, agarraram-se nos seus braços, entraram juntos no quarto.

— E então? — Ametista recebia-os cheia de expectativa.

— Perdemos o contato com a Terra, mas Onyx conseguiu persuadir príncipe Saphiro a vir para cá. Chegará pela manhã.

— E príncipe Diamante? — ela se mostrou desapontada.

— Se não vier pelo irmão, vem pela rainha. O retorno deles é fatídico. — Onyx entrou sem cerimônia, sorria satisfeito — Já pode me gratificar!

— O que quer de recompensa, Onyx? — Ametista perguntou.

— Ela. —apontou Quartzy, deixando-a sem graça e indignada.

— Senhorita! — a jovem dos cabelos rosados apelou à superior — Isso é um disparate!

— Vocês não tem senso de humor? — o gênio insano riu, divertindo-se — Estou muito bem por enquanto, anistiado dos crimes passados. A minha recompensa virá quando finalmente atacarmos a Terra, quero um bom pedaço do reino para mim. Estamos combinados?

— Assinarei o documento para você. — A líder afirmou num suspiro.

— O quê? — Topázio se sobressaltou.

— Mas, senhorita... — Quartzy argumentaria contra.

— Deixem-me a sós, preciso descansar. — ela ordenou.

...

O dia logo clarearia, Diamante andava perdido pela relva onde certa vez ele e a princesa caíram. A lembrança trouxe-lhe um sorriso saudoso, nem fazia tanto tempo assim, mas pareciam anos de distância ao dia de hoje. Os últimos pingos d'água caíram e o pranto celestial teve fim, a névoa se dissipou devagar, dando visão à pequena gruta que por trás dela estava escondida. Ao vê-la, ele se lembrou:

Adoro vir aqui depois da chuva, olhar os pequenos arco-íris... Eles são como pequenas esperanças que se formam...

A mente se acendeu em um disparo, era tão óbvio e ele não percebera! Teletransportou-se à entrada e imediatamente a viu. Estava deitada junto à fonte de água, o nobre vestido branco já encardira, a barra estava marrom de terra e toda esfolada, os longos cabelos castanhos lhe cobriam metade da face apática, os odangos bagunçados despejavam alguns fios arrepiados, a lua outrora dourada na testa era fosca, assim como os olhos semiabertos abatidos, no entanto, ao vê-lo na entrada, contra a luz do fraco sol nascendo, um certo brilho neles se formou, e um vulnerável sorriso ela abriu.

— Crystal! — correu até ela, acalentando-a nos braços — Está ardendo! — tocou-lhe a testa, fê-la tremer. Apalpou seus cabelos, estranhando o penteado assim como estranhava o vestido, dolorosamente conhecido. — Por que isso tudo? O que estava pensando?

— Gostou? É para você... — tocou-lhe o rosto desacreditado. — É tudo por você.

— Sua tola! — repreendeu-a, apertando-a num abraço.

— A chuva o devolveu para mim, como eu pedi... — ela sussurrou letárgica. — Eu te amo...

Diamante ergueu o rosto e fitou-a, os olhos violetas estremeceram. Ela sorria, mas os olhos choravam.

"Me ama?" — pensou, quase sem ar, duvidando da própria audição.

— Eu te amo! — repetiu com mais força — Por isso, posso ser quem você quiser que eu seja!

— Crystal, eu...

— A luz em mim precisa da escuridão que há em você. — segurou o rosto dele em mãos, afastou-lhe os cabelos úmidos do rosto, contornou a lua negra com o polegar, sorrindo, trouxe-o para perto. Aquele sorriso melancólico apunhalava-o cruelmente.

Beijaram-se. Enquanto entregavam-se naquele gesto, ele calmamente desfazia os rolinhos nos cabelos dela, soltando-os. Algo doía nele, doía profundamente. Desconhecia onde a dor se iniciava e onde ela findava, era imensa, latejante. Cessou o beijo e encarou-a intensamente, os olhos fundos de tanto chorar, finalmente notou o pulso enfaixado por uma toalha, dantes vermelha, agora seca e quase marrom, escurecida.

— O que é isso? — ele lhe segurou o braço, desfez o nó e tirou a toalha, deparou-se com o corte — O que você fez?! — repreendeu-a

— Eu não aguentei me olhar no espelho... — sussurrou, quase desfalecendo. — Não aguentei mais ver os dois, juntos, sem espaço para mim... Sempre vejo isso, sempre... — fechou os olhos, o corpo teve um espasmo — Nos sonhos, no espelho, no piso, em mim, vocês... Você e ela... Aqueles cabelos dourados, os olhos que são meus e também não são, sou ela, sou espectadora, sou eu, sou ninguém, sou uma sombra... sou o desejo de ser e não sou, não é... — outro espasmo — sou...

— Está delirando de febre! — acomodou-a melhor e levantou-se com ela nos braços — A levarei para o palácio.

— Não! — ela apertou-lhe o colarinho — Não, por favor, por favor! — ofegante, teimando em manter-se acordada, urrou em pranto — Vamos embora, vamos fugir! Vamos a um lugar onde sejamos só eu e você, sim, sim! — sorriu destoante, numa alegria incoerente — Jamais seremos felizes aqui... — os espasmos repetiram-se, os olhos dela finalmente se fecharam de vez.

— Isso tudo por minha causa, Crystal? — lamentou, recordando-se de ter sido chamado de egoísta pela mãe da menina. Tristemente haveria de concordar com a ofensa. Fora egoísta até ali, no entanto mudaria o cenário. O certo era levá-la de volta ao lar para receber cuidados adequados. Diamante ouviu a voz da razão e usou-se do poder de teletransporte outra vez, levou-os para o palácio.

Apareceram no salão, onde Rini, coincidentemente, acabara de chegar. Encararam-se aflitos, a mãe correu até a filha.

— Eu a encontrei... — abatido, foi tudo o que disse.

— Sailor Wind, leve-a para o quarto! Luna, Artêmis, acionem os médicos do palácio! — pediu a segurar o braço ferido da filha. — Ela perdeu muito sangue!

— Avisarei às outras que a princesa já foi encontrada! — Sailor Ocean se prontificou.

Yumi tomou dos braços de Diamante a princesa, às pressas levou-a embora. O príncipe ficou onde estava, inerte, parecia petrificado. As mãos penderam como se fosse um boneco inanimado. Estava em choque? Por breves segundos não ouviu nada ao seu redor e viu tudo acontecer em câmera lenta no palácio: Yumi se afastando, Rini correndo atrás dela, Artêmis passando à sua frente a falar com uma espécie de comunicador no pulso, Galáxia e Neherenia encarando-o com ares de espanto, alguns empregados espalhados pelo salão, cochichavam. Ele era o centro das atenções.

Logo os que estavam na cidade chegavam afoitos, perguntando como Crystal fora encontrada. Souberam que foi Diamante o sortudo que a achou, Damien não gostou nada, mas, humildemente foi até o príncipe, e o toque firme de sua mão no ombro o trouxe de volta do transe.

— Obrigado por trazê-la de volta para casa. — o cavaleiro de cristal disse honrosamente.

— Onde ela está? — Sailor Star Fighter perguntou, ansiosa. — Ela está bem?

— Está recebendo cuidados médicos. — Sailor Wind retornou do quarto — No momento está desacordada.

— O que aconteceu? Por que ela fugiu desse jeito? — Damien perguntou.

— Pergunte para quem sabe. — Wind encarou Diamante.

— Príncipe? — Sailor Star Fighter pôs-se diante ele, de braços cruzados.

— Deixem-me em paz! — deu as costas, ia embora.

— Diamante, — Rini voltou ao salão — precisamos conversar, venha. — chamou-o, indicando para que a seguisse e ele não poderia negar.

Andaram lado a lado até chegarem ao quarto da rainha. Ela entrou na frente, desconfiado, ele entrou devagar.

— Meu marido está sob a custódia dos seus. — de costas a ele, foi bem direta. — Me pergunto como ficará Crystal quando souber que o pai dela pode ser morto a qualquer momento.

— O quê? — gelou por dentro, engoliu a seco.

— Diamante, — virou-se de frente para ele, em dois passos, pôs-se bem próxima, revelando seus traços preocupados e entristecidos, fragilizada — sei que, depois de meu ato impensado e ofensivo, não tenho o direito de fazer pedidos a você, sei também que mesmo pedindo perdão, não conquistarei a sua simpatia tão facilmente, no entanto, se você realmente ama a minha filha, deve ir a Nemesis e exigir que seu pai seja libertado! Seu irmão vai à frente, isso já foi acordado, assim ganhamos tempo. Mas, você deve ir logo depois. Essa situação está insustentável! Nem quero imaginar como terei que contar sobre o rapto de Helios a Crystal, quando ela acordar, temo que ela piore de estado!

Ele baixou o olhar e franziu o cenho, pensando em algo. Por mais sagaz que fosse, não encontrava alternativa que o mantivesse no reino. A consciência pesada sequer o permitia sobrepor o sentimento de raiva pela rainha ao de dever para com a estimada princesa.

— O povo desse reino comenta fervorosamente sobre os últimos ataques, ainda mais agora que todos sabem do sumiço de Crystal essa noite. — ela retomou o discurso, andando pelo quarto — Já contatei-me com Sailor Chronus, a guardiã da Porta do Tempo, Saphiro está se preparando para partir essa manhã, daqui a poucas horas...

— Você deve estar muito satisfeita com isso, não é?

— Escute, se minha filha o amar de verdade ela pode muito bem esperar você resolver qualquer problema em Nemesis para retornar à Terra! — parou em frente a ele novamente, olhou-o firme nos olhos — Não obrigarei Crystal a nada, se o que ela sente por você é verdadeiro, Damien não lhe representa ameaça alguma! Entretanto, você foi o primeiro homem a quem ela conheceu, Crystal tem apenas 15 anos e nenhuma maturidade, se você é honesto deve lhe dar a chance de escolher! Vá a Nemesis, resolva isso, se durante esse tempo nenhum sentimento de Crystal aflorar por Damien, eis a prova de que o coração dela pertence a você! Todavia, se Crystal inclinar-se a Damien, saberemos que o que vocês dois viveram foi uma doce paixão e você poderá guardá-la em sua memória, e, no fim das contas, se provará decente! — tocou-lhe os ombros, numa súplica — Eu prometo, Diamante, sinceramente, que se quando você retornar, Crystal mantiver a vontade de ficar com você, lhes darei a minha benção!

Encarou-a por instantes, respirou fundo, pensativo. Cada feição de Rini indicava que ela era sincera, e estava desesperada. Houve uma época em que ele a afastaria e não daria importância à suas palavras, mas no tempo presente ele era um homem amadurecido, e carregava consigo a lição de que amor que se preze é amor correspondido. Ele sentia, em seu íntimo, que era retribuído, sentia até que o sentimento de Crystal era mais intenso que o seu próprio. Ela sofrera tanto, merecia descanso, e merecia dele uma prova de sua devoção, para equiparar-se à dela. Era sua, dera a sua palavra a ele de que não o trocaria, e se havia algo em que ele acreditava era na sinceridade daquela menina, pois possuía os mesmos olhos de Sailor Moon – olhos que não mentem. Diamante sorriu, terno. Rini o estranhou, jamais o vira tão sereno e, aparentemente, gentil.

— Está bem. — respondeu-a.

— Quando Helios nos for devolvido em segurança, será a sua vez de ir... — suspirou aliviada.

— Eu irei, e quando retornar, resolverei os problemas entre Terra e Nemesis da forma mais simples.

— Que forma?

— Casando-me com sua filha. — afirmou, crente. — Estamos combinados assim. — saiu do quarto, triunfante.

— Como o destino preferir... — dando-se por vencida, Rini sentou-se na cama. Por enquanto, só podia esperar Saphiro terminar de se arrumar para conduzi-lo ao seu planeta natal. — Que ele seja bondoso com minha filha...

Continua...

Notas finais
Quanto drama, né? Desde que comecei a escrever a fanfic, já imaginava a cena em que Diamante encontra Crystal na gruta, e também a cena do capítulo anterior em que Crystal faz o penteado de Serena na frente do espelho (confesso que "Breath No More" da banda Evanescence me inspirou muito), por isso, estou muito ansiosa por opiniões... Estamos chegando aos momentos críticos que desencadearão a segunda fase da fanfic. Eu os avisarei quando for a hora! Kissus e, perdão pelo tamanho do capítulo, não tinha como ser diferente.