A Minha Queda Será Por Você
8 Poderes que jazem no interior
Notas iniciais
A Minha Queda Será Por Você
Capítulo 8 — Poderes que jazem no interior
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Um paraíso, uma utopia – era a única forma cabível de descrever aquele lindo bosque. As quatro andaram cautelosamente até o unicórnio alado, por breves instantes pensaram que seus pés afundariam naquela água a qual o animal legendário flutuava sobre, mas logo notaram que seus pés passavam por ela como se fosse um piso de vidro. Crystal olhou para os lados e reparou que alguns dos cristais que adornavam a generosa e bela natureza às vezes mudavam de forma, e outras as árvores, por segundos pareciam esmorecer até que retornavam ao belo colorido verde azulado. Não só ela, mas as outras também notaram que aquela paisagem, por mais bela que fosse, era instável.
— Como podem ver, essa terra é Ilusão, o meu reino natal. Foi aqui, neste bosque, que conheci a rainha, sua mãe, Crystal, e também onde trocamos nosso primeiro beijo...
As meninas sorriram ao imaginar o romance tão jovem de Rini, era como um conto de fadas. Quem não desejaria viver um? Mesmo Marine, sempre tão objetiva e aparentemente indiferente a assuntos sentimentais demonstrou discreto brilho em seus olhos azuis.
— Este é o lugar onde os sonhos de todas as pessoas são guardados e protegidos por mim e meus auxiliares, Olho de Tigre, Peixe e Águia. Não há cenário melhor para vocês, minhas garotas, descobrirem suas essências e, por conseguinte, seus reais poderes. Agora, preciso que cada uma de vocês feche os olhos e se concentre naquilo o que mais deseja, vamos meninas.
Todas fecharam lentamente os olhos e juntas respiraram fundo, com toda a intensidade que podiam pensaram em diversas coisas, até chegarem a aquelas que tocavam as profundezas do âmago. Helios as deixou, conforme os pensamentos iam se diluindo em cada uma delas, eram enviadas para lugares diferentes, para cenários criados por suas mentes.
A primeira a abrir os olhos foi Marine, por sua audição notar o som suave de águas em movimento. Olhou em volta e se deparou em um enorme ginásio de natação, cuja piscina, além de larga e ocupar maior parte do cômodo, era extremamente profunda. Passou a mão pelo corpo e sentiu o tecido elástico de um maiô esportivo, era azul marinho como o que ela costumava usar. Marine sempre gostou de nadar, sonhara em ser medalhista em natação desde a infância. Abriu um sorriso confiante, uniu as mãos em posição de mergulho, e sem pensar duas vezes atirou-se às águas da piscina cujo fundo não podia enxergar.
Reiko, por sua vez, quando já enxergava, encontrava-se em um lindo bosque, porém sabia que não era o mesmo que antes estava, já que o tom das folhas era um verde bem mais vivo e os troncos das árvores, assim como suas raízes, muito mais espessos, cipós caíam de cada galho e bailavam ao vento. Como uma ninfa, seu corpo era coberto apenas por camadas de folhas que a adornavam como um vestido, pequenas flores brancas enfeitavam seus cabelos negros. Em passos cautelosos, seguia uma trilha que a levava até uma grande macieira. Para sua surpresa, em frente a aquela enorme árvore que provavelmente seria milenar, havia tudo aquilo o que mais desejara para si... Homens, lindos, viris, ali, somente para ela, trajados de forma semelhante, apenas com folhas como as dela cobrindo-lhes o pudor.
— Estou no paraíso! — Irracional, correu de encontro à árvore e às beldades.
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Os olhos verdes e tímidos abriram-se lentamente, de início enxergavam todo o ambiente turvo, somente percebiam que as paredes eram revestidas por um veludo vinho nobre e talhadas em ouro. Holofotes quase a cegaram, assim como a forte luz emanada de um grande lustre de cristal pendurado por correntes douradas em uma cúpula de vidro. Ouvia aplausos incessantes, via rosas serem jogadas aos seus pés. Finalmente a ruiva notou que o cenário onde estava era um teatro. Ao seu lado havia um maravilhoso piano negro de cauda, lustrado em verniz. Um grande sorriso se abriu em seu rosto quando finalmente deu-se conta: Era o seu concerto, em um enorme e rico teatro, como sempre sonhara, suas músicas, suas emoções enfim entregues ao mundo, e no camarote, quem a aplaudia com mais afinco foi o que mais a surpreendeu.
— Saphiro!
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Espelhos, milhares deles em um salão redondo, como aqueles de parques de diversão. A Princesa fitava cada um a olhar o próprio reflexo. Seus cabelos castanhos brilhavam em meio à escuridão da sala, não conseguia perceber qual o nexo daquilo. Trajava o vestido branco tradicional de sua família, usado por sua avó desde o Milênio de Prata. Seus pés descalços sentiram frio, para entender o porquê, Crystal baixou os olhos e se viu a pisar sobre um lago de água transparente. Notou que em seu fundo, algo negro brilhava em tons de roxo, parecia uma gota, um pequeno pingente.
— Mas o que será isso? — abaixou-se e tocou aquela água com as duas mãos, fazendo movimentos circulares sobre ela.
— É ela. — uma voz feminina falou de supetão, assim como abria os olhos como se despertasse de uma visão.
Era Ametista, sentada em seu círculo de visões, através dele via, distante, Crystal e seu olhar curioso.
— Ela quem? Ela quem? — uma garota, de olhos púrpuras e cabelos azuis, cujos fios findavam-se abaixo das orelhas, deu um pulo.
— Como ela viu senhorita Ametista? Será possível? — outra, de traços exatamente iguais, apenas cor de cabelos e olhos diferentes (os fios vermelhos como o fogo e os olhos alaranjados como o pôr do sol) deu outro pulo, aproximando-se de Ametista em sincronia com sua dupla.
— Aoi e Akai, venham já para cá. — a voz autoritária as fez dar meia volta e ir ao seu encontro. Era Topázio, o belo homem de cabelos e olhos dourados de outrora.
— Sim, mestre! — ambas, apesar de tratadas com rigidez, demonstravam enorme contentamento em ir para perto dele. Uma ficou de cada lado de seus ombros, protegidos por uma armadura talhada em ouro e topázio, a pedra que lhe dava o nome. Embora ríspido no tom, as abraçou e uniu-as a ele.
— Vejo a lua na testa dela, sem dúvida é a nova princesa. — a jovem de cabelos da cor de seu nome, ametista, disse, ao passar as mãos pelo círculo. — Parece que ela descobriu o pequeno caco de cristal que implantei nessa dimensão...
— O que espera, senhorita Ametista? — o homem indagou — Aproveite a chance para destruí-la! Não há forma melhor de iniciarmos a nossa vingança!
— Oh, Deus! Vão matá-la! — a jovem da cor azul pôs as mãos sobre o rosto, sensibilizada — Mestre, isso é maldade!
— Cale a boca, Aoi! — a outra, idêntica exceto pelas cores, lhe deu um cascudo — É bom que acabem logo com ela, será menos uma quando estivermos prontos para atacar a Terra!
— Irmãs Agatha, por favor, retirem-se, estão me desconcentrando — Ametista disse.
— Ouviram o que nossa princesa disse? Saiam. — Topázio desfez o abraço conjunto e as afastou de si.
Destrambelhadas, as duas garotas se afastaram e abandonaram o enorme salão real, uma resmungando para a outra. Topázio riu, divertindo-se com a rivalidade que as duas irmãs compartilhavam por ele.
— Deveria saber que não é certo brincar com os sentimentos dessas meninas, Topázio. — em tom sério, a jovem soberana disse — E também, devia lhes dar roupas um pouco mais decentes, aquelas saias curtas e espartilhos tão apertados...
— São minhas serviçais, senhorita — ele a interrompeu, arrogante — Gosto de vê-las nesses trajes, inspiram o pouco de humanidade que me restou de ancestrais.
— O lado luxurioso, você quer dizer. — Ametista o encarou.
— Que seja, não as forço a nada. Elas gostam disso.
— É por comportamento como esse que não desejei que herdasse o meu trono.
Não poderia vir nada após essa frase senão silêncio. Topázio quase rangeu os dentes, Ametista sabia que aquele era seu ponto fraco: a frustração de não ter sido o escolhido para governar Nemesis e Terra. Tenebroso era o desgosto de ter sido descartado a ponto de sua superior preferir ressuscitar um cadáver a nomeá-lo príncipe, eram esses os comentários que ele espalhava pelos corredores nobres do palácio negro.
O belo soldado de armadura dourada preferiu abandonar o cômodo e juntar-se as duas jovens que compunham seu harém, ficar ali na companhia da mulher que tanto odiava e que por vezes desejara matar para adquirir o poder acabaria resultando em algo grave e ele ainda poderia ser julgado por conta de atitudes impensadas.
Solitária em seu salão, Ametista recuperou a concentração necessária para rever a imagem refletida abaixo de si. Imediatamente, do outro lado daquelas águas, Crystal enxergou a silhueta da mulher pequenina de olhos turvos e cabelos lilases por trás do pequeno pedaço de pedra preciosa negra, ambas envoltas por uma aura sinistra. Desapercebida, permitiu que suas mãos afundassem naquela água até os pulsos, e quando deu-se conta, estava presa.
— Malditos sejam os terrestres! — ouviu o sussurro, e imediatamente foi puxada com violência em direção a aquela pedra negra, sem sequer haver tempo de gritar.
Em situação semelhante encontrava-se Marine, na piscina onde até pouco tempo nadava em paz, até que, da escuridão das águas fundas um tentáculo gigante enroscou-se em sua perna. A jovem loura debatia-se e, inutilmente com as duas mãos tentava soltar-se. Desespero maior era quando erguia o rosto e percebia o quão distante da superfície estava. Quanto mais para baixo era puxada, mais nítida era a imagem da criatura que a agarrara. Culta, já havia lido muitos livros na vida a ponto de poder afirmar o que aquilo era:
"Não é possível... um Kraken!" — arregalou os olhos ao ser sugada em direção a aquela enorme boca redonda cheia de dentes afiados.
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As mãos masculinas passavam por suas curvas, sobre as folhas que a vestiam, lábios macios a beijavam no rosto, pescoço, e ombros. Estavam todos ali por ela, como sempre desejara. Homens belos, fortes, perdidamente apaixonados por seu brilho e beleza. Proferiam palavras provocativas, românticas e servis, e enquanto mantinham esse ritual quase orgíaco, um deles aproximou-se de Reiko com uma maçã vermelha em mãos.
— Pode ficar aqui para sempre, conosco, pode se tornar a deusa de nosso bosque. — o homem disse — Para isso, basta dar uma mordida em nossa fruta sagrada.
Quando a maçã foi entregue em suas mãos, os belos rapazes afastaram-se e ficaram a sua volta em círculo, na expectativa da decisiva mordida. Reiko olhou para os lados, fitou cada belo homem que a serviria por toda a eternidade e não demorou a convencer-se a dar uma generosa mordida na fruta, sonhando com tudo o que seria seu. Mal podia esperar ela, que ao engolir o suculento fragmento doce, aqueles belos pedaços de mau caminho mudariam de forma, tornar-se- iam répteis cujas peles úmidas por uma gosma asquerosa enrolar-se-iam em si, como correntes. As línguas partidas experimentariam o gosto de sua carne, e presas mencionariam cravá-la.
— Mas o que é isso? Onde estão os homens bonitos que estavam me cortejando? Soltem-me! — Reiko gritou, enquanto debatia-se.
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Hina tornara a sentar-se ao piano, para tocar seu último bis. Enquanto seus dedos corriam pelas teclas e ela fechava os olhos para sentir a música adentrar nas profundezas de sua alma, acabava por distrair-se e não notar um grave curto circuito na eletricidade do lustre. O som da música era alto demais para que ela percebesse os ruídos de lâmpadas estourando e começando a pegar fogo, assim como os barulhos ásperos de rachaduras no vidro da cúpula que sustentava o belo lustre de cristal, que por algum motivo misterioso veio a baixo, caindo por sobre as nobres cadeiras da platéia. Foi o som dos gritos em dueto a cristais se partindo que fizeram a ruiva abrir seus olhos verdes em espanto. O fogo se espalhara em uma velocidade absurda! Pessoas corriam em desespero para as saídas de emergência, Hina levantou-se do banco e ficou estática, talvez pelo choque. Fitou o camarote, entrou em desespero. Saphiro estava encurralado pelas chamas, assim como ela começava a ficar.
— Não! — Gritou desesperada e moveu um dos braços em direção a ele.
"Meninas, concentrem-se!" — a voz do rei ecoou em todos os ouvidos, inclusive nos de Crystal que era sugada ao encontro da pedra negra e das mãos pálidas que desejavam arrancar-lhe a vida — "O poder de cada uma reside nas profundezas de suas almas, vocês são muito mais fortes do que imaginam e podem vencer qualquer desafio, desde que se permitam enxergar aquilo o que lhes dá a força, suas essências!"
Helios, já ao lado de Rini no salão, mentalizava as palavras de olhos fechados, o cristal dourado em seu chifre encarregava-se de transmitir a mensagem à todas as garotas que estavam do outro lado da parede. A rainha segurava sua mão, dessa forma, assim como ele, emanava a sua aura e a do cristal prateado, que flutuava por sobre sua outra mão e reluzia.
Crystal, que por pouco não se rendera, ao ouvir o som da voz de seu pai arregalou os olhos, era como um fio de esperança, ainda havia chances de se salvar.
"Minha força interior? Minha essência?" — Pensou, buscando dentro de si o que seria isso. Acreditava que a força provinha de tudo aquilo que a fazia feliz e plena. Partiu a pensar em sua família, amigos, reino, em tudo o que perderia se perdesse a vida naquela escuridão. E por último, inevitavelmente, relembrou dos últimos momentos que vivera, com o príncipe por quem se descobriu apaixonada. Imaginou o seu sorriso, e seu coração tremeu ao cogitar nunca mais poder vê-lo — "Essa escuridão não pode me consumir, eu sou a princesa de Tóquio de Cristal!" — Cerrou os olhos fortemente, e nesse instante a lua em sua testa brilhou como nunca antes, espalhando seu brilho dourado por toda aquela água.
— Não pode ser! — Ametista exclamou quando aquela luz provocou uma pequena rachadura no cristal que introduzira naquele lago. — Conheço esse poder, muito ouvi falar sobre ele! — de olhos arregalados, viu uma aura, na verdade, uma silhueta familiar abraçar Crystal, como se a protegesse, aos poucos foi tornando-se nítida, embora ainda transparente. Longos cabelos dourados presos em odangos, corpo despido, enormes asas de penas brancas abraçando a princesa. — É Sailor Moon!
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Marine quase perdia a consciência quando ouviu a voz do rei soar dentro de sua cabeça. Repreendeu-se por simplesmente pensar na idéia de desistir, entregar os pontos para o inimigo. Suas mãos que estavam estendidas para o alto, amolecidas, fecharam-se com tamanha força que os músculos dos dois braços enrijeceram.
"Não posso morrer justo no lugar onde mais me sinto à vontade!" — abriu os olhos, embora seu corpo já estivesse a quase palmos de distância da boca da criatura, não temeu, encarou-a nos olhos como se a desafiasse. — "Essa piscina é pequena demais para nós dois!" — Apontou-lhe as mãos, sentindo em suas palmas pequenos redemoinhos de água se formarem.
"Isso mesmo, Marine!" — outra voz, dessa vez feminina, ecoou em sua mente — "Sempre soube que tínhamos algo em comum!"
A loura sorriu, era Sailor Ocean quem falava e com aquele incentivo, sentiu-se ainda mais segura. Uma força intensa a envolvia, algo que vinha de dentro de seu corpo e pelos poros era emanado, permitiu que aquele poder a dominasse e em pouco tempo toda a água da piscina já estava sob seu controle. Seus trajes mudaram em sincronia com as correntes de água que a protegiam, e de seu corpo uma pedra saía, uma água marinha, quando a fitou foi como se despertasse, como se descobrisse as respostas para todas as dúvidas que no momento poderia ter.
"Agora sei qual o meu poder!" — Esticou os dedos, quando estava prestes a ser engolida pela criatura, surpreendeu-a. De suas mãos um tufão de água se formou, e toda essa forte corrente ela despejou na enorme lula. A profunda piscina secou no mesmo instante já que toda a água que nela continha fora atirada no monstro, que por conseqüência da força com a qual foi atingido, se estilhaçou em mil pedaços que voaram para todos os lados. Em um salto acrobático, Marine, em traje azul de marinheira, ficou de pé sobre a borda da piscina. — Sou a guardiã das águas, Sailor Acqua! — sorriu confiante, de braços cruzados.
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Reiko conseguia se desvencilhar de algumas cobras e atirá-las longe, porém outras eram difíceis de desenroscar, e já a estavam apertando a ponto de ferir. Olhou ao redor, viu-se cercada apenas por árvores, grama, urubus e gaviões, que pareciam apenas esperar que seu corpo caísse morto sobre a terra para devorar seus restos. As palavras do rei a deixaram confusa, não conseguia pensar em algo que lhe fosse a essência além de sua tara por homens bonitos. Foi pensando em sua vida, já que a via definhar e acreditava que seria mesmo o seu fim, que percebeu o quão superficial e fútil costumava ser.
"Minha força, que força eu tenho? Do que mais gosto além de me exibir para homens bonitos? Para que fui me meter nisso? Como não desconfiei?" — praguejava, enquanto chutava uma das cobras que tentava enrolar-se em seu corpo novamente.
Ao tentar correr ao mesmo tempo em que lutava contra aqueles répteis nojentos, acabou por tropeçar em uma grande raiz de árvore. Cravou os dedos na terra úmida, o cheiro adocicado adentrou suas narinas e ela suspirou. Ao menos seu túmulo seria uma linda paisagem, não um deserto, pensou. Enquanto uma das cobras aproximava-se de seu pescoço com as presas à mostra ela imaginava as grandes árvores e suas folhas a balançar com o vento, os cipós bailando em sincronia, o som do vento soprando em seu ouvido.
— Como eu amo isso... — sussurrou, quase entregue. — Não me importaria de morrer e permitir meu corpo fazer parte dela. — pensava na natureza, a coisa que, antes da beleza dos homens mais admirava.
Foi assim que ela abriu os olhos púrpuras, dando-se conta. O que estava em sua essência? O que a fazia sentir-se bem e plena? Em um reflexo astuto, segurou a cobra pela cabeça e a encarou com firmeza, por pouco aquelas presas não cravaram em seu pescoço.
Levantou-se devagar, ainda segurando o animal com uma mão, os outros que lhe apertavam, iam desenroscando-se como se estivessem intimidados por aquela atitude e fugiam para entre os arbustos. A cobra que estava em sua mão conseguiu deslizar e libertar-se, diferente das outras, não fugiu, apenas tomou distância, subiu em uma pedra adiante.
Reiko ficou parada, esperando para ver o que o animal faria. Estreitou os olhos, percebendo que o corpo do bicho tomava formas diferentes e começava a crescer, adquirir braços e pernas e por fim tomava a altura de uma árvore, quase dois metros mais alto do que a garota, contudo, isso já não seria o suficiente para intimidá-la.
Reiko abriu os braços e fechou os olhos, era como se ouvisse uma sinfonia de sons da floresta em seus ouvidos que iriam guiá-la. Uma aura cálida a envolveu, sentia cipós transcorrendo seu corpo e conforme o faziam, as folhas que a cobriam tornavam-se um uniforme de marinheira com golas e saia da cor dos troncos das árvores ancestrais, e o laço era como o verde vivo das enormes folhas penduradas nos galhos. Ao abrir os olhos, viu uma pedra em tom esverdeado metálico sobrevoando à sua frente, uma pirita, a segurou com uma das mãos e a ergueu, justo no instante que o réptil monstruoso a atacaria com sua enorme mão de unhas putrefatas e afiadas. Como se a jóia enviasse uma mensagem a todos os seres e plantas do bosque, os gaviões partiram em direção à criatura mutante e lhe arrancaram os olhos, os cipós das árvores, como chicotes, açoitavam as costas da aberração e enrolavam-se em seus pulsos, canelas e pescoço, forçando-o a cair. As árvores, por comando de Reiko, ganharam vontade própria, suas raízes funcionavam como pés que ao encontro do ser, iam e o pisoteavam, até esmagar-lhe os ossos. Para dar um fim ao sofrimento da criatura, Reiko aproximou-se, um redemoinho de folhas protegia seu corpo de um possível ataque. Apontou uma mão de longe, aberta. Antes da execução, fitou-o nos olhos firmemente, e então, fechou os dedos cravando-os na palma, com este gesto a terra se abriu e tragou o corpo mucoso já desfalecido. Quando o combate sofrível findou, todas as árvores, pedras e seres do bosque, em conjunto, dissiparam em direção à Reiko suas energias, oferecendo-as à guerreira.
"Nós a encarregamos de nos proteger, Sailor Nature!"
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Por fim, Hina, que ao gesticular com o braço em direção à Saphiro quase para ser engolido pelo fogo, inconscientemente afastou as chamas para o lado oposto.
"Como fiz isso?" — Fitou as próprias mãos, sentindo-as esquentar. Tamanho fora o medo de algo grave acontecer com o rapaz, que conseguira controlar o fogo somente com a força do pensamento! Ao mesmo tempo em que estava admirada, estava assustada.
O teto do teatro estava por desmoronar, a fumaça negra logo tornar-se-ia densa demais e respirar seria um enorme esforço. O corpo de Hina enrijeceu de medo e também, necessidade de proteger-se. Assim como suas mãos, seu coração parecia queimar a cada palpitada, logo seu corpo todo atingira uma temperatura elevada, o fogo já a contornava, mas parecia não conseguir tocar-lhe, apenas envolvê-la.
— O que é isso? — Olhou para os lados. Um pedaço do teto caiu ao seu lado assustando-lhe, fitou novamente o camarote, preocupada, não havia mais ninguém, era só ela e o fogo. Fitou a cúpula no teto, já sem nenhum vidro revestindo-a, parecia apenas uma enorme janela — Se ao menos o fogo pudesse sair por lá... — pensou em voz alta.
"Se consegui controlá-lo àquela hora, será que..." — pensou, colocando uma das mãos nos lábios. Lembrou-se do rei dizendo que seus reais poderes provinham da alma, e nesse momento, seu espírito parecia arder como se tivesse febre.
— Preciso tentar! — seu instinto de sobrevivência falara alto, para ser mais exato, gritara. A ruiva, como se em um balé, moveu primeiro um braço, afastando parte do fogo, depois o outro, levando a outra parte para o mesmo destino que a primeira, nessa dança, todo o seu corpo era envolvido por uma energia imensamente quente e acolhedora a ponto de fazer com que a menina se rendesse à ela. Hina fechou os olhos, enquanto girava o corpo sua roupa mudava de um vestido de gala para um traje de marinheira com golas e saia da cor vinho, laço vermelho quase alaranjado. Nesse impasse, todo o fogo espalhado ia unindo-se em um único turbilhão de chamas. A guerreira abaixou o corpo, quando o ergueu, de seu coração que ardia uma pedra saiu, uma ágata em brasa. Com o levantar do corpo, também o fez com os braços e mãos, jogando-os para o alto, e ao fazer esse movimento, o fogo em sincronia se foi pelo enorme vão da cúpula cujo vidro já havia se despedaçado. Todo o fogaréu se dissipou nos céus e foi apagado pelas nuvens que evaporaram em chuva.
Em meio a aplausos e mais flores jogadas aos seus pés, Hina ouviu vozes eufóricas clamando-a:
— Brava, Sailor Fire!
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Ametista foi lançada longe por aquela energia que parecia tentar purificá-la, ao mesmo tempo em que ela era atirada, os braços que protegiam Crystal a puxavam para longe do pingente negro.
Rini abriu os olhos subitamente, fitou sua mão que estava desatada a de Helios e assustou-se ao vê-la vazia.
A princesa uniu as mãos e quando as soltou, de dentro delas um cristal prateado surgiu.
— Não pode ser... — os olhos azuis arregalaram-se — É o cristal de prata! Mas... Como?
Mais uma rachadura surgiu no cristal negro que se encontrava no fundo do lago, o mundo de ilusão parecia todo iluminar-se pela aura da jóia em mãos da menina.
"Está vendo, princesa?" — uma voz doce chamou-lhe a atenção, falando ao seu ouvido — " Isso é apenas parte de seu poder"
Crystal virou o rosto e enxergou com detalhes quem lhe sussurrava, os olhos azuis tão ternos, o sorriso de um anjo.
—... Vovó!
"A sua força vem da pureza de seu coração, minha querida"
— Então, você que me protegeu? — enquanto dialogavam, seu corpo ia sendo trazido de volta à superfície.
"Não, você se protegeu." — Finalmente, estavam outra vez entre os espelhos, em alguns deles Crystal via o próprio reflexo, em outros via a imagem de Serena.
— Então é como dizem? Eu sou você em outra vida? — aproximava-se de um dos espelhos onde via a imagem da mulher que um dia fora uma grande rainha e tocava-a.
"Crystal, você possui um enorme coração, dele muitas coisas boas podem vir assim como grandes feitos... Tudo dependerá de suas escolhas"
— Eu sou você? — a voz tremida insistiu na pergunta.
As mãos de Serena saíram de dentro do espelho e tocaram o rosto da jovem princesa, afagando-o.
"Eu faço parte de você, e você faz parte de mim" — após a frase e um sorriso, a imagem da mulher, aos poucos se desvaneceu, os olhos de Crystal pesaram como se um sono muito forte a abatesse e em cerca de instantes todas as imagens que enxergava tornaram-se em um enorme vazio branco.
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— Princesa, princesa! — ouvia as vozes de longe, abriu os olhos devagar e viu todas as amigas à sua volta, vestindo uniformes de diferentes cores, assim como ela. Sentou-se devagar e apalpou o próprio corpo, notando que vestia uniforme semelhante ao de sua mãe quando era Sailor, de golas e saia cor de rosa, laço vermelho, e um broche rosado sobre o laço.
— Minha filha! — Rini se aproximou orgulhosa — É com muito prazer que a vejo tornar-se na Sailor cujo elemento é o mais belo...
— O amor. — disse Helios — Você é a nossa Sailor Love! — sorriu e ajoelhou-se, junto da esposa, um de cada lado da menina, e a abraçaram.
Todas as outras, Sailor Acqua, Nature e Fire, ficaram a fitar os broches que haviam recebido também. Quando cada uma regressou ao salão de cristal, os artefatos surgiram nos laços de suas roupas, e dentro deles as respectivas pedras foram guardadas. Marine ficou com o azul, Reiko com o verde e Hina com o vermelho.
Sailor Ocean aproximou-se de Marine e tocou-lhe o ombro, satisfeita. Ambas sorriram como se fossem mestra e discípula.
Sailor Saturno e Sailor Wind entreolharam-se, sabiam o que significava aquele treinamento mais do que ninguém, em dueto oravam para que as garotas não tivessem tão cedo que enfrentar uma batalha real, mas se tivessem, ao menos já estariam preparadas.
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— Senhorita Ametista, o que houve? — uma mulher de cabelos verdes escuros, mas em um tom bem vivo, presos em rabo de cavalo alto, olhos cor de mel, vestida em uma armadura negra, dourada e verde, como a de uma amazona, a aparava nos braços.
— Jade, quase fomos descobertos... — a jovem dizia, enfraquecida.
— A senhorita não devia expor-se tanto, sabe que não tem boa saúde — a mulher de porte atlético falava, enquanto ajudava a outra a levantar-se.
— Sabe que não tenho escolha e nem muito tempo, por isso precisamos que o príncipe retorne e governe Nemesis novamente, ele e seu irmão saberão nos guiar, e também vingar-se do povo da Terra!
— Senhorita, perdoe a intromissão, mas penso que príncipe Diamante não mais tem esse desejo, ou esqueceu-se como ele veio a morrer? — outra mulher, mais delicada, de lisos cabelos cor de rosa presos em um coque baixo de lado, olhos da cor do cabelo de Ametista, trajando roupas similares a de bailarinas também cor de rosa com branco, aproximou-se — Nosso antigo príncipe, no fundo, só queria viver junto aos terrestres.
— Ele há de mudar de idéia quando vir como se porta a nova rainha de Tóquio de Cristal! — Jade a interrompeu — Rainha Serena fez por merecer que perdoássemos os terrestres, mas sua filha é totalmente o contrário, nos tratou como se fossemos uma praga que deve ser afastada!
— Jade tem razão, Quartzy. — Ametista recompunha-se — Rainha Serena salvou nosso planeta do Fantasma da Morte, todavia sua filha nos impediu de ao menos visitar a Terra periodicamente, por plena falta de confiança e rancor. Foi a Rainha Rini que reacendeu a nossa sede de vingança!
Quartzy calou-se, há muito suas tentativas de convencer Ametista iam se tornando escassas.
"Príncipe Diamante, espero que não consinta com um novo banho de sangue" — orou mentalmente.
Enquanto isso, o príncipe tão popular na boca das três mulheres andava em meio a alta relva, aspirando o aroma árcade do reino, à espera de uma nova visita da princesa que Ametista tentara matar.
Continua...
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Notas finais
Bem, o desenho (da esquerda para a direita): Reiko como Sailor Nature, Hina como Sailor Fire, Crystal no meio como Sailor Love (o uniforme possui as cores do de Chibi Moon de propósito), a Marine como Sailor Acqua, a mais alta Yumi como Sailor Wind, a pequenina é uma personagem de uma outra fanfic minha, mas possivelmente pode aparecer por essa aqui também, é Sayu, a Sailor Chronus.
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