A Minha Queda Será Por Você

33 Os sentimentos de Quartzy


Notas iniciais
Pessoal, o grande trecho em itálico, como vocês já sabem, remete às memórias da personagem. Resolvi fazer uma adorno nesse capítulo, a imagem de capa é uma ilustração que fiz das personagens Quartzy e Ametista. Lembram-se que no início eu postava ilustrações no final de cada capítulo? Parei porque percebi que não haveria desenhos o suficiente. E, também, me deu vergonha. XD Se qualquer coisa ficou confusa nesse capítulo, peço para que me alertem, sim? Boa leitura!

A Minha Queda Será por Você
Capítulo 33 – Os sentimentos de Quartzy


A pobre garotinha desviava e desviava, no entanto, era impossível fugir de todas as pedras atiradas. As crianças ao seu redor riam e faziam comentários ferinos, do tipo:

Com quantas pedras a gente consegue matar ela esfolada?

Não vai chorar, fracote?

Grite por sua mãe!

E ela gritaria... Se tivesse uma. Todavia, a pequena Quartzy só podia contar consigo mesma. Seus pais foram militantes durante as guerras civis na Terra, ambos morreram em combate enquanto ela era criada por uma tia em Nemesis. Contudo, a parente que tinha a sua guarda a abandonou tão logo seus geradores pereceram, afinal, não receberia mais nada em troca. "Meiga demais para o meu gosto" – foi o argumento da mulher ao abandoná-la em uma esquina qualquer. Naquele tempo, o povo que era indócil estava pior ainda. Sem regentes, as revoltas eram mais comuns, uns invadiam as casas de outros, roubavam pertences, alimentos, por sobrevivência, diriam, mas no fundo os conflitos possuíam um motivo maior: ganância.
Em Nemesis, o natural aos nativos era aspirar por serem os melhores, por vencerem, e os meios para se chegar ao topo não importavam. Humildes e compassivos não tinham vez naquela selva, e por que seria diferente com Quartzy? As crianças a agrediam pelo simples fato de ela não reagir. E, por mais que a menininha se contivesse, as lágrimas jorravam de seus olhos e ela tremia, imunda de poeira, fraca de fome.

Um dos meninos a acertou na nuca, a dor foi latente. Ela passou a mão pelos cabelos róseos e os sentiu grudentos. Trouxe os dedinhos aos olhos e viu-os carmesim, em seguida, talvez pelo nervosismo ou mesmo pela perda de sangue, a vista nevoou e seu corpo franzino tombou para frente, a face afundou-se na terra negra e áspera. Antes de apagar por completo ouviu uma voz ao longe gritar com a meninada:

Afastem-se, é a filha de Alexandrita e Garnet!

Você está bem? a pequenina dos fartos cabelos de ametista sacudiu-lhe os ombros, obteve um suspiro exaurido como resposta, a pobrezinha desmaiou...

Horas depois, Quartzy despertou espantada. Não saberia dizer a última vez em que se deitou em uma superfície tão macia, até estranhava. Sentou-se subitamente e remexeu-se no colchão fofo, parou ao sentir a cabeça latejar, tateou-a e notou-se enfaixada. À sua frente, a outra menina estava sentada e encarava-a cheia de expectativas.

Que sorte a sua eu estar passando naquela hora! levantou-se e caminhou até a ferida Nossa, há quanto tempo você não toma um banho? puxou-lhe uma madeixa emaranhada Alguma vez já penteou o cabelo?

Por favor, não puxe! encolheu-se assustada Quem é você?

Antes que a menina respondesse, uma bela mulher entrou no quarto. Seu corpo esguio era adornado por um nobre vestido de cetim branco bordado em prata e púrpura, parecia feito de nebulosas confusas. Os cabelos, lisos e longos, eram arroxeados da raiz até o meio, em suave degrade passavam do roxo para o azulado e escureciam-se nas pontas esparramadas pelo piso negro. A pele, perfeitamente pálida, era colorida pela maquiagem: um leve sombreado prateado sobre os olhos celestiais, e um toque da sensualidade do vinho nos finos lábios.

Que linda... Quartzy soltou o elogio espontaneamente.

Pequenina, diga-me, qual seu nome? a criatura mais sublime que ela vira na vida pousou a mão sobre sua cabeça e ajoelhou-se à sua frente.

Quartzy. inebriada, respondeu em um sopro.

Ela pode ficar, mamãe? a outra criança puxou uma mecha dos cabelos que arrastavam-se pelo chão. Por favor, por favor!

Esperemos seu pai chegar, vejamos o que ele vai dizer. beijou o topo da cabeça da filha. Seja educada e apresente-se para a menina. orientou-a num gesto.

Sou senhorita Ametista, filha do general Garnet e a da médium Alexandrita. curvou-se em reverência.

Senhorita! Quartzy jogou-se da cama e ajoelhou-se aos pés das duas Vocês são nobres, muito nobres! Perdoem-me por estar tão suja diante de seus olhos!

Pequenina, a bela Alexandrita abaixou-se e a acolheu nos braços não somos como a maioria, não precisa ter medo de nós ou nos tratar com tanta cerimônia. Agora, que tal um banho? Prepararei a banheira para você. serena, levantou-se e caminhou até o banheiro da luxuosa suíte.

Além de linda, é tão bondosa! a pobre órfã refletiu em voz alta, a outra suspirou pesarosa O que você tem?

Não parece, mas mamãe está muito doente... olhou ao longe Ela é muito poderosa, mas esse poder tem um custo... Enfraquece o coração dela. Ouvi dizer que a mãe dela morreu muito jovem, dizem que seu coração explodiu e por isso, jorrou sangue pelas orelhas, pelos olhos e pela boca. Não quero que minha mãe morra assim! os olhinhos estremeceram, ela os cobriu com as mãos.

Que doença é essa? encolheu-se, apavorada.

Ninguém sabe dizer, é uma doença específica de nossa linhagem, assim como nossos poderes. Podemos passear pelos sonhos das pessoas, podemos conversar com pessoas que já partiram e, no último dos casos, podemos até trazer alguém de volta à vida...

Então você também tem esses poderes?! empolgou-se.

... E a doença. suspirou.

As duas calaram-se e se olharam, a mais alta e menos apresentável tremelicou os lábios, pensativa. Antes que pudesse formular uma frase de conforto, Alexandrita retornou do banheiro e a chamou. Envergonhada, relutou para se desfazer dos trapos que a vestiam, de nada adiantou, pois a belíssima criatura não desistiria fácil, e na incomum doçura e serenidade a despiu, e mais: banhou-a com todo o cuidado, enfaixou-lhe a cabeça com novas bandagens, penteou-lhe pacientemente os cabelos cor-de-rosa e, por fim, arrumou-lhe um lindo vestido lilás emprestado de Ametista.
Em Nemesis não havia sol. Sabia-se quando era dia e quando era noite pelos ponteiros do relógio e pelo soar de seus sinos graves e estridentes – ao ressonarem onze vezes os empregados anunciaram a chegada do general a casa. Garnet era a imagem de um homem disciplinado: farda negra clareada por medalhas doiradas, cabelos cor de sangue estancado ajeitados para trás, aparados à nuca, postura imponente, olhos cor de avelã e sorriso confiante. Quartzy o observou pela fresta da porta, ao vê-lo aproximar-se sentiu as pernas cambalearem. Ele a expulsaria? Ele a esbofetearia? As indagações foram interrompidas no instante em que o pai de Ametista a chamou ao gesticular com a mão, a ela coube obedecer. De cabeça baixa foi até o homem e curvou-se, trêmula. Notou uma sombra recair sobre si – era Garnet de cócoras à sua frente, ambos compartilhavam a mesma altura para olharem-se olho a olho.

Então você é a menina que minha filha quis trazer para casa, muito bem! analisou-a.

Me desculpe, senhor, não quis incomodá-lo! preparou-se para levar uma surra.

Seja bem-vinda ao seu novo lar! segurou-lhe as pequeninas mãos.

Pensou que fosse desmaiar, jamais esperara hospitalidade de ninguém, tampouco de uma família de renome. Uma lágrima escapou do orbe lilás, desesperada, ela tentou disfarçá-la. Roçou as mãos nos olhos violentamente, antes que os intumescesse o general tomou-lhe as mãozinhas e as segurou firme.

Posso parecer um rei, minha pequena, no entanto, sei o que é passar necessidade, sei também o que é ser injustiçado, escorraçado por outras pessoas que se dizem superiores. Eu vim de baixo, assim como você. ergueu-lhe o queixo Houve momentos em que achei ser impossível subir na vida, e aqui estou eu hoje, no posto de general, lutando pelo bem de meu planeta, minha terra, nossa terra. Seu nome é Quartzy, não é isso? ela assentiu com a cabeça Quartzy, escute-me com atenção e jamais esqueça o que direi agora: de hoje em diante, você nunca mais se sentirá inferior a ninguém. Tenha em mente que quem se faz capaz ou incapaz é você mesma. O seu limite é você e mais ninguém, portanto, se você confiar em si e no futuro, nada a impedirá de crescer e de fazer o seu melhor.

Os olhos brilharam diante do discurso e do sorriso confiante daquele sujeito. Cada palavra o tornou um herói no imaginário da criança, ela chorou outra vez, porém foi de profundo júbilo – sensação inédita em sua vida. A partir daquele dia, Quartzy foi acolhida como membro da família, em meses passou de raquítica a saudável.
Com a convivência, percebeu que ela e Ametista tinham mais em comum do que poderia imaginar: embora fosse filha do casal mais popular do reino, por ser doente, Ametista era segregada pelas outras crianças. Não podia correr, pular, ou fazer qualquer esforço físico em demasia. Atinha-se aos estudos, às leituras, e a toda atividade pacata. Quartzy, por nutrir forte gratidão a ela não saía de seu lado, de fato isso lhe rendeu bons frutos: Ametista ensinou-a a ler e escrever, fora rápido como um sopro. Quanto mais aprendia, mais a pequena Quartzy ansiava por saber. Quando não estavam estudando em dupla, as meninas sentavam com Garnet e ouviam-no contar estórias sobre Nemesis, e sobre o Grande Príncipe Diamante e seu plano de reconstruir a história do Universo. O general, por mais bondoso que fosse, não conseguia perdoar os terrestres por terem exilado seu povo não só uma, mas duas vezes. Ele e a esposa sonhavam em um dia trazer o antigo regente de volta para pôr tudo em ordem. Preocupava não só ao casal, mas a toda a população o fato de que não havia um governante para ajeitar o caos em que o planeta se tornara.
Com muito esforço, Garnet formou um exército de pessoas interessadas em dar um basta nos conflitos por terra e bens, juntos detiveram os mais gananciosos, os das piores espécies tiveram de ser exilados. Por serem um movimento organizado, eram regidos pelo pai de Ametista e mais quatro – um deles era o poderoso
Aurum, cujos cabelos e olhos dourados doíam na vista de tão reluzentes.
Aurum era um homem extremamente forte, graças a ele o exército reconquistou boa parte do planeta que se perdera em disputas fúteis. A sua força foi a responsável pela disciplina, a ele todos temiam e respeitavam, alguns acreditavam que ele seria o perfeito líder para Nemesis. No entanto, por mais bravo que fosse, a ele faltava uma característica primordial. Esta, Garnet esbanjava: carisma. Ao lado de Alexandrita, Garnet discursava para as grandes massas sobre a sua visão de futuro para o décimo planeta. Garnet, também, era o único polido o suficiente para manter contato com Rainha Serena e receber os suprimentos. O povo o amava, e era a ele que clamavam no dia em que, finalmente, todos resolveram votar e escolher um novo regente.
O exército, até então bem organizado e unido, dissipou-se em dois grupos quando Garnet venceu as eleições e mudou-se para o palácio com a família. Aurum e seus simpatizantes afastaram-se. O cavaleiro dourado não se conformou com a escolha da maioria, em sua opinião Garnet era fraco por ser benevolente, e quem poderia culpá-lo por pensar dessa forma? Era tradição nemesiana considerar bondade como fraqueza. No entanto, a tradição era movediça, Garnet tinha como objetivo provar que senso de justiça era força, se provou forte sendo o favorito da maioria.
Quartzy assistiu a história de seu povo sendo feita pelas mãos dos pais adotivos através de holografias. Ela e Ametista esperavam pelas imagens todos os dias, juntas torciam pelos amados adultos, juntas faziam tudo. Foi um tempo feliz, as meninas não precisavam de nada além da companhia uma da outra, e assim como Ametista tinha seus dons especiais, Quartzy descobriu o seu certa vez, quando ao brincarem a mais velha caiu e ralou o joelho. Com as mãozinhas tão indefesas, a adotada massageou o ferimento, ao roçar as palmas nele uma luz se fez, e assim que se apagou a pequena ferida desapareceu. A habilidade, fraca e recém-descoberta, nutriu esperanças não só nas irmãs, mas no pai. Talvez aquele poder fosse a chave para a cura da doença hereditária de Alexandrita e Ametista.
Não o era... Antes de Ametista completar nove anos de idade, sua mãe, ao voltar de uma missão onde ela precisou reviver três dos generais aliados de Garnet, entrou em colapso.

Mamãe! nenhuma das amas conseguiu segurar a menina dos longos cabelos lilases, a pobrezinha correu frenética até o aposento onde diversos médicos rodeavam sua geradora. Quartzy, fiel companheira a seguiu. Mamãe! gritou aos prantos, a mais nova a abraçou tentando contê-la.

Alexandrita! Garnet entrou ainda mais afoito.

Perdoe-nos, senhor! Não há mais nada que possamos fazer! o líder da equipe de médicos fez uma fúnebre reverência.

Garnet aproximou-se da esposa e viu sua beleza transfigurar-se em vermelho. O sangue escorreu pelos lábios, pelas orelhas, pelas narinas, pelos olhos e as veias estouraram-se uma a uma. Ele a tomou nos braços em um abraço violento, como se naquele gesto tentasse conter os tremores compulsivos. De nada adiantou, Ametista e Quartzy tiveram a visão das pernas da mãe a tremelicarem, os dedos dos pés contraíam-se e o sangue esparramava-se pelo colchão, respingava sobre o chão. Quartzy tampou os olhos de Ametista com força, foi a única reação que teve.

Me solte! Ametista exigiu relutante, porém, seus olhos continuaram no escuro.

O corpo de Alexandrita se estrebuchou por uma longa hora até ela não aguentar mais lutar contra a morte e partir, Quartzy assistiu a cena em detalhes.

Por que você foi fazer isso? Você sabia que estava além de seus limites... Garnet sussurrou, o rosto afundara-se em pranto e sangue.

Papai... Quartzy, apática, o encarava.

Quartzy, tire Ametista daqui. seco, ele respondeu.

Tudo o que pôde fazer foi obedecer. Carregou a querida irmã de criação nos braços, ainda vedando-lhe os olhos com uma das mãos, ao chegar ao quarto, depositou-a na cama, a pequenina tremia e chorava apavorada.

Quartzy, mamãe morreu! inconsolável, abraçou-a fortemente Mamãe morreu! soluçou Ela estava bem, poderia ter vivido mais! Por que, Quartzy? Por quê?!

Ela gastou todas as forças porque precisou reviver três homens... a voz saiu fraca. Embora também estivesse em pânico, afagava os cabelos da outra numa tentativa desajeitada de consolá-la.

Odeio esses homens! gritou Queria que eles morressem para a mamãe voltar a viver!

As coisas não são assim, você sabe... Não se deve desejar a morte das pessoas, senhorita.mesmo num estado de tristeza profunda, Quartzy não conseguia desejar o mal a ninguém.

Por que você tem que ser tão boazinha até numa hora dessas, Quartzy?! indignada, apertava-lhe o cetim do vestido.

Se eu não for, quem será? constatou melancólica.

Um dia eu vou morrer do mesmo jeito, igualzinho! tremeu ainda mais.

Não vai! finalmente, a apatia findou-se e ela falou firmemente. Eu não vou deixar! apertou-a contra si.

Como não vai? É impossível mudar esse destino horrível!

Eu vou mudar, você vai ver! Não vou deixar você sofrer, eu prometo! segurou-lhe os ombros e olhou-a no fundo dos olhos Eu vou descobrir um remédio para isso! Você não vai sentir dores no peito todos os dias como a mamãe sentia, você não vai desmaiar frequentemente, você não vai sofrer! Nem que eu morra tentando, senhorita Ametista, vou te proteger! ajoelhou-se diante dela.

Por que você me chama de senhorita, Quartzy? Somos irmãs... emocionada, esforçou-se e sorriu singela.

Você é a pessoa que mais amo no mundo... acariciou-lhe a face encharcada Por isso, a trato com todo o respeito que tenho.

Boba! abraçou-a novamente.

Desde aquele fatídico dia, ao recordar-se das palavras de Garnet sobre limites e perseverança, Quartzy, mais do que nunca, buscou pelo saber. Estudou todos os livros que pôde, criou para si um laboratório e nele fazia diversas misturas, até que uma delas resultou numa poção, não curadora, mas analgésica. Levou alguns anos até que ela fizesse a descoberta, até lá, o pai de Ametista confinou-se num quarto e a mocinha precisou tomar as rédeas da regência. Desde sempre, fora influenciada pelas ideias do pai sobre a grandiosidade do antigo príncipe. Ela sonhava e suspirava pelo retorno de Diamante, e Quartzy ansiava para que fosse apenas um sonho que ela não pretendesse realizar. Contudo,naqueles anos, o tratado de amizade entre Terra e Nemesis se desfez, Rini era rainha. Os recursos, pouco a pouco deixaram de chegar a Nemesis, e assim que eles cessaram, a remota esperança de um dia poder dividir a Terra com os terráqueos morreu.
Garnet, amargurado pela morte de Alexandrita, lentamente ensandeceu e acabou por adoecer. Quartzy tratou-o com tudo de si, mas seus esforços frustraram-se, não havia como curar alguém que não desejava mais viver. Certo dia, a vida do general e regente expirou pacificamente, ao menos não sofreu como Alexandrita.
Quartzy e Ametista só tinham uma a outra, juntas torciam para que Aurum não aproveitasse para conspirar com seu grupo e assim tentar subir ao trono. Para a sorte das adolescentes, Aurum morreram em combate anos atrás, ninguém jamais soube como se sucedera. E seu filho, Topázio, alistara-se às tropas palacianas, portanto era um aliado.
A alegria familiar pereceu, mas como Quartzy prometera – ela cuidava de Ametista minuciosamente, estava sempre ao seu lado, como uma sombra. Iam às comitivas, ela auxiliava nos discursos da protegida, e aliviava-se ao ver que o povo a apoiava, por seus poderes, e por ser filha de quem era.
O clima no grande palácio tornou-se mais ameno quando uma nova inquilina chegou. Ela era robusta como os mais exímios soldados.

Majestade, treinei durante muitos anos para finalmente chegar aqui, à sua frente, e oferecer meus préstimos. a mulher dos cabelos esverdeados e pele morena ajoelhou-se frente ao trono.

Você é? Ametista perguntou.

Jade, sua fiel serva. recostou a lança no piso. Por favor, deixe-me fazer parte de seu exército.

Não deveria pedir isso ao líder da tropa? foi a vez de Quartzy perguntar.

Ele disse não aceitar mulheres, mas posso provar que meu gênero não me desqualifica, senhorita. rangeu os dentes, irritada. Como pode ter me treinado para no fim não querer me alistar?!

Aceita. a soberana não quis sequer pensar sobre o assunto. Você é, oficialmente, uma amazona do exército real de Nemesis.

Quartzy sorriu orgulhosa, admirava a nobreza e o senso de justiça de Ametista. Faziam-na lembrar do falecido pai adotivo, e também da mãe tão generosa. Eram pérolas naquele planeta repleto de pessoas amargas e intenções maliciosas. Ametista era a perfeita regente, portava-se com classe e jamais maltratava alguém, insistia em dar chances a todos, evitava ao máximo qualquer tipo de conflito, aprendera com o pai. Embora magoada com o povo da Terra, dedicava-se a tentar entrar em contato, mesmo sem nunca obter retorno. Quartzy a viu chorar secretamente muitas noites antes de dormir, e quase sempre a ouvia fazer a mesma prece:

Que eu seja maior do que meu rancor, que eu possa perdoá-los por terem nos abandonado, que antes de morrer eu tenha a oportunidade de sentir o cheiro da terra molhada e o calor do sol ao menos uma vez.

Perdoar... Para Quartzy, uma arte. Perdoar era o que havia de mais sublime. Perdoar era libertador, trazia certa paz e calor ao coração... Quartzy jamais odiara alguém, nem mesmo a tia que a abandonou quando os pais morreram, e quando via Ametista esforçando-se para fazer o mesmo, alegrava-se.
Se Ametista arduamente tentava perdoar os terrestres, o motivo era Quartzy. Era um sacrifício inimaginável esperar uma resposta que nunca chegava, havia dias em que ela desejava torcer o pescoço da maldita rainha de Tóquio de Cristal por sua negligência, no entanto, Quartzy sentava ao seu lado, a abraçava e sempre dizia que tudo ficaria bem.

Um dia, todos poderemos viver juntos. Quartzy dizia, otimista Você não precisará declarar guerra a ninguém, senhorita, vai ver!

Espero que esteja certa, Quartzy. Você sabe bem qual é minha última opção...

Tremia só de ouvi-la anunciar. Se Ametista não conseguisse entrar em acordo com Rini, planejava usar todas as suas forças para ressuscitar os antigos príncipes. A poção de Quartzy prolongava a sua vida e amenizava o sofrimento, mas nem mesmo a poção seria o suficiente para abrandar a doença caso ela usasse seus poderes para trazer a vida de volta. Do contrário, teria revivido os pais.

Prometa-me que só usará seus poderes em último caso! todos os dias, Quartzy insistia.

Por algum tempo, conseguiu conter o rancor da soberana... Até que, numa data qualquer, Ametista retornou transtornada de uma reunião. O que é isso? perguntou ao vê-la entrar no salão quebrando os objetos de valor que encontrava pelo caminho.

Aquela maldita rainha finalmente deu as caras! jogou-se ao trono, cravou as unhas nos braços esverdeados E sabe o que ela me disse?! Que não tem responsabilidade alguma para com o nosso povo, que a nossa situação é problema nosso e que ela não se envolverá! E, para completar, nos proibiu de pisar na Terra! urrou de raiva Tanto tempo tentando entrar em contato para isso! cobriu o rosto com as mãos, desarrumou a franja Sabe o que é pior, Quartzy? Graças ao Topázio, líder de nossas tropas, ninguém no exército tem respeito por mim! Pensam que sou tola, mas sei bem o que pretendem! Por mais que sua poção me mantenha viva por mais tempo, ainda assim a minha estimativa de vida não é promissora! Topázio pensa que sou ingênua, mas sei o que ele planeja, ele quer o trono!

Não, isso não! Jade, encostada na parede, vociferou.

Eu não tenho escolha! Ametista afirmou.

Senhorita, não diga isso! Quartzy ajoelhou-se a sua frente e apertou-lhe os joelhos Eu imploro, não faça o que estou pensando que vai fazer!

Quartzy, não posso permitir que Topázio suba ao trono! Ele é vaidoso, violento e inescrupuloso! Você, infelizmente, não é minha irmã de sangue, jamais permitiriam que você me sucedesse! Não entende?

Que façam outra votação, eu não me importo! disse impulsiva.

Não tenho sangue real, esse trono jamais pertenceu a mim, estou aqui por uma medida de emergência, como foi meu pai! levantou-se decidida Não nasci com meu dom à toa! fitou as próprias mãos Eu preciso fazer isso, Quartzy, sinto muito!

Não! agarrou-se às pernas dela, no ato derradeiro do desespero.

É meu sonho, Quartzy! bradou É meu sonho, sempre foi! enfatizou Desde pequena, quando meu pai narrava o reinado do príncipe e me contava sobre suas aspirações, fantasio com isso! A grande falha dele foi ter se apaixonado por Sailor Moon, só que ela está morta, não será mais empecilho! sorriu repentinamente Se eu trouxer Diamante de volta, teremos um regente... E, se eu trouxer Saphiro, um dos melhores alquimistas que Nemesis já possuiu, completo um perfeito reinado! segurou as mãos de sua protetora e as afastou Sinto muito! Jade, avise Topázio e suas servidoras, quero todos reunidos para o ritual amanhã! assim que deu o veredicto rumou ao quarto e bateu as portas.

A fiel devota sentou-se à frente da entrada e acomodou as costas no negrume cristalizado, não ouvia nada além de silêncio do outro lado. Imaginava a sua senhorita a deitar e preparar-se para dormir. Conhecia-lhe bem, sabia que não voltaria atrás. Quartzy considerou aquela noite uma das mais agonizantes em toda a vida. Não saberia dizer se um Deus existia, ninguém naquele planeta se firmava em ideias religiosas, contudo, ela uniu as mãos e orou para qualquer divindade que pudesse escutá-la, repetiu a prece diversas vezes para se certificar de que a ouviriam, de que a atenderiam:

Proteja a senhorita Ametista de tudo e de todos, inclusive dela mesma!

O pedido por proteção anulou-se no dia seguinte, nas chamas dos olhos da pequenina protegida. Ela acordara alegre, narrando sobre um passeio que fizera ao mundo dos sonhos. A euforia não disfarçava seu estado enfermo, justamente por ter perambulado em Elysium – e pior, ter marcado o lago místico com a presença de um caco de cristal negro – estava fraca, para manter-se de pé precisava se apoiar por onde pudesse. Como fora indicado, os súditos mais importantes a aguardavam no grande salão, inclusive Topázio, o mais faltoso às reuniões.
Ali, Ametista indicou a Quartzy o que fazer: arrumar o tatame no centro, de modo que houvesse algum conforto para a soberana se sentar. Por precaução, Quartzy trouxe uma maleta contendo diversos potes de sua poção. Sentou-se por trás da irmã de criação e observou atenta ao ritual que marcaria a vida de ambas, e a morte da segunda.
Primeiro, Ametista cruzou as pernas como se fosse Buda, as mãos viraram-se de modo que as palmas apontassem para cima, os dedos relaxaram. Inspirou e expirou profundamente, os olhos selaram-se estremecidos, a Lua Negra cintilou sobre a testa e abriu-se em um olho púrpura, similar ao de Diamante.

O que é isso? Jade perguntou apreensiva.

O Olho da Necromante, ela herdou da mãe. Topázio explicou tranquilo Meu pai me contou sobre ele. sorriu discreto.

Um círculo se formou no piso, à frente da mulher de baixa estatura. Flutuando sobre ele, um pêndulo negro se fez presente e irradiou lume tão violeta quanto os olhos do homem cujo nome era chamado:

Desperta, ó, grande príncipe do passado, do presente e do futuro! Príncipe Diamante, eu o invoco! ondas se formaram dentro do círculo, delas imagens traçaram-se: os últimos minutos de vida do príncipe ebúrneo. Nas palmas das mãos de Ametista, pontos luminosos surgiram e ao apagarem-se tomaram a forma de duas joias transparentes, muito caras: diamantes. Acorda e teu desejo será realizado! os olhos dela abriram-se esbranquiçados, os preciosos diamantes cravaram-se em suas mãos e foram banhados em seu sangue. Por fim, o círculo transformou-se em um farol de luz negra, todos os expectadores fecharam os olhos e temeram o forte vendaval. O corpo de Ametista sobrevoou o salão, os cabelos arrepiaram-se para o alto e, por segundos, a alma escapou-lhe para vislumbrar um ser cair ao longe como se fosse uma estrela cadente. Longe, tão longe de Nemesis... O ser se perdeu no verde da Terra, pois era esse seu desejo em vida. Enfim, Ametista caiu desacordada sobre o tatame, foi amparada por Quartzy.

Jade, me dê a maleta! pediu desesperada, tocou o peito da senhorita e sentiu-lhe o coração apressado. Assim que teve as poções em mãos, empurrou-as uma a uma goela abaixo de Ametista. De tão nervosa, quase a engasgou, precisou sentá-la e estapear suas costas. Sem as poções, certamente a jovenzinha teria morrido ali e naquela hora. O sorriso de Topázio se fechou ao perceber que Quartzy conseguira salvar a temporária princesa.

Ele está vivo! disse ainda presa entre o sono e o despertar Eu consegui, eu o vi, ele está vivo!

Como ela sabe disso? Jade questionou.

É o seu poder, ela deve saber... ajeitou-a nos braços, levantou-se dificultosa, antes de tentar levar a líder ao quarto, Jade tomou a pequenina e a acomodou sobre o ombro.

Deixe comigo, eu a levo!

Quartzy esperou que depois do esforço Ametista seria sensata e ponderaria sobre os próximos atos. Novamente, a moça trajada de bailarina orou para o que quer que fosse, pediu aos céus a vislumbrar através da grande janela a negritude do Universo, para que a sua única família se poupasse. A fé foi vã, os sonhos o foram, e mesmo os argumentos. O mesmo ritual se cumpriu novamente, o Olho da Necromante abriu-se pela segunda e vez e foi em nome de Saphiro. Depois de trazer mais um morto de volta ao mundo dos vivos, metade da vitalidade de Ametista foi sugada. Foi uma noite de intensa crise, lágrimas vermelhas rolaram dos olhos celestes, Quartzy esteve ao seu lado à noite toda, gastando todas as energias possíveis para mantê-la viva.

Não se preocupe, não morrerei assim! trêmula e curvada por consequência das dores e das pontadas no peito, afirmou sofrida Não me permitirei morrer, não antes de trazer os príncipes de volta ao nosso planeta! segurou-lhe a mão, apertou-a com a pouca força que tinha.

Você tem noção do que fez, senhorita?! Poderia ter chegado à velhice, talvez! Eu me esforçaria para que isso acontecesse, mas agora... É impossível!

Estou ciente de meus atos e de suas consequências, e estou feliz. sorriu Me faça um favor, não questione, não julgue, apenas... deslizou os dedos sobre os da outra num carinho apático Me apoie.

...

Não pude salvá-la, desde o princípio... Eu a amo tanto, isso dói na alma! sussurrou, abraçada ao corpo compacto e gélido. Seu silêncio me faz perder o ar... pousou a mão na face petrificada pela morte Por tanto tempo tentei protegê-la do mundo... As bochechas ardiam, marcadas pelo líquido salubre Que belo fracasso eu fui, me perdoe! tremeu de cima a baixo Me perdoe! soluçou freneticamente Minha querida e única irmã, amiga, família!

Uma mão lhe tocou o ombro, em reflexo ela se encolheu. Temeu ser castigada pela demonstração de fraqueza, escondeu-se ao afundar olhos e nariz no ombro da falecida princesa.

— Você não precisa se envergonhar, chore o quanto precisar. a voz masculina era suave.

Ela, vagarosamente virou-se para olhá-lo e reparar suas nuances: os olhos azuis fitavam-na pesarosos, havia algo neles que faltava em todos os outros companheiros do clã, esse "quê" nas safiras a fez lembrar-se dos olhares dos pais adotivos, e então ela compreendeu a tal luz rara ali refletida: compaixão. A boca tremeu incontida, se ela intentou falar algo, a palavra ou frase confundiu-se em gemidos. Num impulso de vulnerabilidade ela o abraçou, matéria e plasma tremiam juntos, ali, naquele momento, Quartzy era a criança órfã e indigente outra vez. O pranto urrado encharcou a farda azul-marinho de Saphiro, e ele ficou lá, parado, encarando a morta sobre o leito, sorridente como se partilhasse de um sonho alegre, naquele sonho se perderia para sempre. Sem saber o que fazer, ou mesmo o que falar para confortar a jovem atormentada, acomodou os dedos no topo de sua cabeça e suspirou.

Dói tanto, tanto! O que vai ser de mim agora? vomitou desabafos Não sei como suportar isso, não sou forte ou firme como os outros! Não sei lidar com isso, não sei!

— Ponha tudo para fora, não se contenha. aconselhou-a, e assim foi feito.

Ficaram horas naquele abraço fúnebre onde Quartzy se perdeu em lamentos, anseios e temores. Saphiro nada disse, deixou-a expressar-se até onde fosse necessário, até que os olhos secassem e o coração se conformasse. Quando os soluços se findaram, ela se recompôs sonolenta e a tristeza transmutou-se em apatia. O príncipe azul a ajudou a se levantar, e caminhou ao seu lado para fora do quarto, a donzela de porcelana escondeu o rosto em seu ombro, apavorada com os olhares ferinos de quem estava a espera.

Se divertiram? Onyx foi ácido, era previsível. É hora de dar cabo do corpo antes que comece a feder.

— Se acha engraçado, não é? Diamante levantou-se do trono e num piscar de olhos surgiu diante do cientista. De hoje em diante esse tipo de brincadeira não será tolerado, está entendendo? entre as sobrancelhas arqueadas a lua negra figurou-se no orbe dourado, o corpo do sádico e doentio gênio quase entrou em colapso.

— Não deveria ser tão mal-humorado, talvez por isso já tenha nascido com cabelos grisalhos! a ironia era mais forte do que o bom senso. Por sua insolência foi atirado longe sem sequer ser tocado pelas mãos do príncipe, o poder telepático de Diamante se provou impetuoso.

Releve, Topázio interveio a genialidade o enlouqueceu.

— Irmão, algo precisa ser feito por Ametista. Saphiro, calmo, aconselhou enquanto amparava Quartzy.

— Eu preparo tudo. Jade tomou a frente.

— Onde estão aquelas duas meninas? Saphiro perguntou.

— Que meninas? Diamante se mostrou confuso.

— Nos meus aposentos, vou buscá-las, Topázio conseguiu o motivo que tanto queria para se retirar, mesmo que momentaneamente.

...

A robusta amazona nemesiana aproximou-se do leito, recente sepulcro da líder que tanto respeitara. Ela era firme, diferente de Quartzy. Os olhos nem mesmo cintilaram o prenúncio da tristeza, talvez não fosse o que sentisse. No lábio retorcido, indignação, nos olhos inconformidade. Seus sentimentos eram pesados, violentos, negros como a terra natal. Disciplinada, enrolou a pequenina rija num lençol e a pegou nos braços, em passos pesados marchou ao salão trazendo-a. Diamante, perturbado com os últimos acontecimentos não se pronunciou, ficou a observar. As gêmeas Agatha, já presentes, abraçavam-se aflitas, Topázio demonstrava-se imparcial, Onyx destoava do clima ao sorrir tranquilamente, Saphiro tentava apaziguar Quartzy.

No planeta negro não havia cemitérios, a terra era escassa para ser gasta com defuntos. O ritual era simples, sem discursos, não havia céu e nem inferno: da escuridão nasciam, na escuridão viviam e, ao morrerem, pela mesma escuridão eram engolidos. A existência resumia-se em existir e deixar de existir.
Jade removeu os brincos lapidados em cristal negro que Ametista utilizava, fechou as mãos apertando-os, uma aura rubra as envolveu, ao abri-las as peças tornaram-se uma única pedra triangular, cuja ponta ela apontou para o corpo desencarnado. Um único raio envolveu todo o cadáver e o enegreceu, criou nele uma carapaça feita do mesmo material dos brincos. Diamante atentou-se às rachaduras que, sutilmente, formaram-se uma a uma, de cada fresta aberta a luz escapou, orbes violetas se formaram no ar e bailaram ao alto, até desaparecerem no teto de breu. Em alguns instantes, a carapaça se rompeu em cacos, e os cacos transmutaram-se em infinitas luzes, por baixo deles nada mais havia, o corpo desaparecera ou tornara-se cristal negro, matéria-prima abundante e que, de certa forma, figurava a essência de cada indivíduo do clã.
E assim se foi Ametista, fugaz como uma estrela cadente, perdeu-se no eterno labirinto que possui uma entrada, nenhuma saída. Tão logo o "velório" se acabou, as pernas de Quartzy falharam e ela perdeu a consciência, Saphiro impediu-lhe a queda e, quieto, levou-a ao primeiro quarto disponível.

— E agora? natural, Topázio perguntou.

— Sobre a vingança? Diamante pigarreou e respirou fundo, embora por dentro o nervosismo o assombrasse, por fora se mostrava são e sereno.

— Você é o príncipe, você dá as coordenadas. Havia discreta petulância no tom grave do cavaleiro dourado.

— Em momento algum me mostrei a favor desse plano. afirmou.

— Então Ametista morreu em vão? Topázio questionou desafiador. Jade, em rara vez, aprovou-o.

— Antes de qualquer coisa, quero me contem como foram últimos anos, quero saber tudo sobre cada um de vocês. tornou ao trono e sentou-se Quanto à Terra, não será preciso declarar guerra se temos outra opção.

— E que opção seria essa? Onyx intrometeu-se.

Terra e Nemesis podem se unir de maneira muito simples, basta que eu me case com a herdeira do trono e do Cristal de Prata.

— Essa é sua brilhante ideia? o cientista não se conteve, a boca expandiu-se do nariz ao queixo, os dentes brilhantes exibiram-se numa crise de gargalhadas. O riso ensandecido ecoou por todos os corredores. Antes que Diamante o lançasse longe novamente, Topázio incrementou:

Suas intenções provam que você não aprendeu com seus erros, portanto não é o indicado a governar esse planeta. nas mãos do soldado d'ouro um fogaréu resplandeceu e tomou forma de uma espada. Prove-se digno do trono em que senta, desafio a me derrotar!

— Mestre! as meninas que o serviam gritaram em coro, apavoradas.

Diamante levantou-se calmamente, sem pressa desfez-se da capa e abriu meio sorriso, surpreendeu a todos, inclusive Topázio. Saphiro chegou a tempo de encontrá-los frente a frente. O príncipe Black Moon, parado, abriu os braços, provocativo, o dourado, irritado, correu em sua direção a apontar-lhe o fio da espada incandescente.

...

Crystal sentiu um aperto tão intenso no peito que se contorceu, deitada na cama. À porta, Rini batia insistentemente.

— Crystal, já é fim de tarde, você não comeu nada hoje!

"Diamante, o que estará acontecendo com você?" apertou a peça de cristal negro em mãos e cerrou fortemente os olhos. Algo em seu coração insistia que uma coisa ruim estava por acontecer, ela só não fazia ideia do quê.

Continua...

Notas finais
Cruel, né? Confesso que quase chorei ao escrever esse... É, quase... Amo a Quartzy, de paixão, é fato. E amo a Ametista, mesmo tendo matado a coitada! XD Sei que todo mundo deve querer matar o Onyx, talvez eu seja tão doente quanto o personagem, vai saber, só sei que quando ele fez aqueles comentários malvados eu ri. XD Ah, pra descontrair o clima fúnebre, povo! Deem um crédito pro cara... Tá, parei. Perceberam que houve uma fala de Quartzy que surgiu em "negrito" e "itálico" (logo depois das memórias, quando ela estava chorando sobre o corpo inanimado)? São trechos de uma música, "Forgiven", da banda linda de metal sinfônico "Within Temptation". Sempre que escuto essa música me lembro das duas... Aguardo ansiosamente por comentários, esse capítulo foi outro daqueles super importantes! Notas importantes: Alexandrita (Alexandrite) é uma pedra roxa, mas de um tom diferente da ametista, Garnet (Granada) pode ser vermelho bem escuro, quase vinho, foi nessa cor que me inspirei para o personagem pai de Ametista. Final de capítulo para manter a curiosidade para o próximo, como sempre. ;) É isso, espero que tenham gostado e que nada tenha ficado confuso... Agora, o próximo sabe-se lá quando terei tempo de escrever, fim do ano viajarei e aí ficará mais complicado, mas fiquem cientes: JAMAIS desistirei dessa fanfic! Kissuuus e muito obrigada a todos que acompanham!