Notas iniciais
Um pouco de ação,afinal...

— O que é você? Como me conhece? — questionou confuso. — Solte a princesa Crystal, se sou seu soberano isso é uma ordem! — a lua negra em sua testa materializou-se em um olho dourado, Diamante estava furioso.

Não deve se preocupar com essa garota, príncipe. Ela é só uma pedra em seu sapato! Que importância ela tem?

— Eu disse para soltá-la, já! — ele abriu a mão, na palma uma esfera de energia começou a se concentrar.

Ataque-me e matará a princesa e as outras pessoas que estão dentro de mim!

O príncipe rangeu os dentes e fechou os punhos pensando no que fazer.

Haunted Hands! — um grito ecoou, repentinamente, mãos magras com os ossos transparecendo desceram dos céus e agarraram a criatura negra e Diamante.

— Mas, o que é isso? — atordoado, caiu de joelhos sentindo aqueles membros drenarem-lhe as forças.

No telhado de uma casa a mulher surgiu vestindo trajes de marinheiro denunciando-a como guerreira. As golas e a saia, além de ligeiramente rasgadas eram negras, o laço no peito, roxo. Um robusto crucifixo dourado reluzia na gargantilha. À sua volta, seres sem forma flutuavam e luzes de postes faiscavam. Os cabelos escuros como vinho tinto voavam, os fios ao alto, como se levassem choques.

— Quem é você? — Diamante a encarou.

— Sou a paranormal, Sailor Phantom!

— O inimigo está ali! — ele apontou para a coisa — Deixe-me ir!

— Que eu saiba ele está aqui por sua causa! — a Sailor saltou do telhado e caiu de pé em frente ao monstro que se contorcia. A medusa, talvez por conta das mãos que a agarraram terem causado alguma reação, cuspiu cinco das pessoas que engolira, entretanto, entre elas Crystal não se encontrava.

— Faça aquilo de novo! Funcionou! — Diamante ordenou, enquanto se livrava das mãos que o agarravam.

— Almas atormentadas, vagantes seculares... — ela fechou os olhos e lançou as mãos para o alto —Abandonem seus túmulos, rasguem a terra, eu as invoco! — conforme enunciava o que parecia um feitiço, rachaduras se formavam no piso e de suas profundezas lamúrias podiam ser ouvidas, fumaça púrpura subia dos buracos provocados que pareciam abismos. — Ghost Dance! — o próprio corpo da jovem pareceu incorporar os espíritos que surgiram e atravessaram o ser negro, quando cada um deles transpassava, uma pessoa era libertada e caía desacordada ao chão.

Pensa que é tão fácil assim, tolinha? — os olhos alaranjados brilharam como dois raios de sol e a carga de energia despejada por eles foi encaminhada à Sailor Phantom, a guerreira dos mortos rolou pelo chão tentando desviar, porém, sua coxa foi atingida.

— Droga! — tocou o ferimento e sujou a mão de sangue.

“Papai, me ajude!” — Helios sonhou com Crystal presa em um lugar escuro, acordou assustado.

— Querido, o que foi? — Rini tocou-lhe o ombro, preocupada. O grito repentino de seu marido também a despertou.

— Há algo de errado com nossa filha, posso sentir! — levantou apressado, sem dar muitas explicações correu até o quarto da menina, não vê-la na cama assegurou-o de estar certo.

— Querido, o que é isso? — Rini foi atrás dele.

— Chame as meninas, mande-as procurar por toda a cidade e as alerte de estarem com seus broches! Crystal sumiu!

A rainha recrutou as garotas, e desconfiada, aos largos passos foi ao quarto de Diamante e o encontrou vazio.

— Eu sabia! — bateu com força as mãos na porta, irada.

Todas as mulheres do palácio ao receberem o chamado se transformaram em Sailors, combinaram de as três mais jovens, Acqua, Nature e Fire irem para um lado e Wind, Ocean e Saturno para outro. Sailor Fire, antes de acompanhar as outras teve um pressentimento, entrou no quarto de Crystal e como temia o broche com o cristal de prata jazia na mesa de cabeceira. Agarrou-o com as duas mãos e levou-o junto ao peito às pressas.

“Crystal, minha amiga, espere por nós!”

— Vocês três ficam aqui! Alguém deve nos ajudar a proteger o palácio! — o rei se dirigia a seus fiéis súditos, o Trio Amazonas. — Você, venha aqui, por favor! — se referiu a Saphiro, que observava tudo por de trás de uma pilastra de cristal.

O jovem Black Moon, temeroso, foi até o governante. Estremeceu quando as mãos do regente tocaram seus ombros.

— Saphiro, se souber o que está acontecendo, suplico que me diga! A minha filha corre perigo!

— Majestade, eu juro, estou tão confuso quanto todos!

— É mesmo? Já foi procurar seu irmão? — Rini surgiu como um tornado pela grande porta.

— Não tive tempo... — tentaria começar se explicar.

— Ele não está! Sumiu com a minha filha! Você entende a gravidade disso? — Apertou a farda do rapaz com as duas mãos — Se alguma coisa acontecer com a minha menina, você tem a minha palavra de que a morte será um alívio perto do castigo que vos aplicarei! — gritou, completamente fora de si, aterrorizando o nemesiano mais novo.

— Querida, não! — Helios a puxou — Saphiro, peço que vá para o seu quarto. Lamento, mas precisará ser vigiado por meus amigos...

— Eu compreendo. — ainda assustado com o comportamento da rainha foi escoltado por Olho de Tigre, Olho de Águia e Olho de Peixe até seus aposentos. — “Meu irmão, o que você fez?” — pensou temeroso.

Escuro... Insuportavelmente quente, mais um pouco e iria derreter. Melado, gosmento, como uma goma mascada. Crystal abriu primeiro um olho e depois outro, estava espremida entre diversas pessoas, pareciam um amontoado de lixo dentro de uma enorme caixa escura. Aos poucos foi se lembrando do que aconteceu.

— Príncipe Diamante! O que será que aconteceu a ele? — tentou afastar aquelas pessoas de si para ver se entre elas ele também se encontrava, porém, estavam tão coladas umas as outras que era muito difícil separá-las. Ouviu gritos do lado de fora, não somente de Diamante, mas de uma moça, pareciam golpear o lugar onde ela estava enclausurada e receber de volta cada ataque. — Príncipe! — começou a gritar na esperança de ser ouvida. — Príncipe! — conforme se esforçava para falar e se soltar, a lua em sua testa brilhava.

— Meninas, o broche da princesa começou a cintilar! — Sailor Fire o mostrou para as companheiras — Parece que quando o aponto para a direção norte a luz se intensifica! — o erguia para a região enquanto corria com as outras pela cidade.

— Com certeza é um sinal! É para lá que vamos! — Sailor Acqua, atlética, correu na frente, rápida como um jaguar.

Mais veloz do que Marine foi Sailor Wind. Autônoma, separou-se das que foram designadas a acompanhá-la e encontrou príncipe Diamante e Sailor Phantom primeiro. O homem estava preso no chão por tentáculos, a guerreira fantasmagórica aos poucos era sugada para dentro do corpo gelatinoso.

Silver Hurricane! — Wind abriu os braços e girou tão rápido que seu próprio corpo transformou-se em tornado e acertou o gigante. Conseguiu desvencilhar a outra marinheira a tempo. — Você? — ajudou-a a erguer-se. — Rumores disseram que estava morta.

— De certa forma... — Sailor Phantom limpou resquícios de gosma em seu corpo.

— Eu sabia que havia dedo seu nisso. — a mulher dos cabelos prateados encarou o príncipe da lua negra.

— Não acho que ele seja o líder dessa ação. — a outra também o encarou.

— Finalmente alguém sensato! — o príncipe, irritado, “comemorou”.

O que vocês podem fazer além de brincar comigo o resto do dia? Se me atacarem com seus grandes poderes, matam a pobre princesa! Que tal uma troca? O meu príncipe pela sua princesa? — uma gargalhada macabra seguiu as palavras de acordo. As duas guerreiras olharam Diamante ao mesmo tempo, e ele sabia que elas o entregariam sem titubear.

— Não! Não! — Crystal gritou de dentro do negrume e bateu suas mãos nas paredes que modelavam seus dedos conforme as estapeava. — Não o entreguem, por favor, não façam isso!

Drowning Waterfalls ! — correntes gélidas de água envolveram o monstro e mais uma vez, seu corpo foi atravessado. Sailor Acqua controlava aquelas correntes com as mãos e movia-as como bem desejava.

— O que é isso? — Crystal se desesperou com a água entrando por todos os cantos — Vai nos afogar! — olhou para baixo e notou os corpos das pessoas se desgrudando, tremeu de medo e frio.

— O broche da princesa está brilhando intensamente! — Sailor Fire mostrou para as outras.

— A princesa está dentro dessa coisa! — Diamante alertou.

— Tive uma ideia! — a guerreira das chamas disse enquanto a enorme medusa livrava-se da água que havia “engolido”. — Sailor Nature, ataque-o com chicotes de cipó!

— Mãe natureza, receba o meu chamado! Mother Earth Whips! — imediatamente, a guerreira dos bosques acatou. Invocou seus chicotes espessos de raízes e cipós, que atravessaram como estacas o corpo flácido e gigante, só não tão profundamente a ponto de machucar as pessoas lá dentro.

A marinheira ruiva aproveitou um dos rombos que se abriram na criatura e lançou o broche, mirou-o como lançadora exímia. Incrivelmente, se tratando da sua recente melhor amiga a insegurança sumia e ela se tornava forte como um incêndio.

— Funcionou! — Gritou ao ver o pequeno objeto caindo nas profundezas desconhecidas.

Crystal o viu quicar sobre as pessoas e rodopiar à sua frente — o seu broche em formato de coração com a pedra sagrada no centro. Ao tê-lo em mãos, seu corpo inteiro envolveu-se por uma aura esbranquiçada e flutuou.

— Mas o que é isso? — Onyx caiu para trás e arrancou os óculos, temendo ficar cego pela luz ebúrnea.

Em segundos, o uniforme de Sailor adornou a silhueta de Crystal. Ainda não sabia o que fazer para sair da estranha prisão, aplicou golpes como chutes, murros, mas a gosma negra a envolvia e ela não conseguia perfurar a massa asquerosa de muco, já regenerada do ataque de Sailor Nature.

— O que eu faço? — segurou o broche, tentando entender como usou o poder do cristal de prata da outra vez — Vovó, me ajude, eu lhe peço!

“A tiara...” — a voz familiar ecoou nas profundezas da mente da princesa. — “Use a tiara”!

Crystal passou os dedos pela peça dourada sobre a testa e a pedra rosada do acessório reluziu, então, ela entendeu o que precisava ser feito.

Moon Tiara Action! — todos puderam ouvir a sua voz, mesmo abafada. Seguido de seu grito, a tiara cortou ao meio o corpo do ser bizarro, era como um bumerangue afiadíssimo. Com a queda de uma parte do corpo mucoso, Sailor Love e as pessoas que estavam presas caíram no piso cristalizado.

Para o Black Moon presente, a cena pareceu ocorrer em câmera lenta. Os orbes violetas fixaram-se na imagem da guerreira pairando sobre o chão, sublime heroína. Os tentáculos que o prendiam se dissiparam pelos ares de modo que ele pôde se levantar. Ela estava lá, parada, sorrindo aliviada em vê-lo a salvo.

O ser não fora derrotado, as gosmas que se separaram transformaram-se em duas medusas de estatura humana. O tamanho era bem menor, de fato, mas sendo uma dupla, as quantidades de tentáculos a saírem de suas cabeças era consideravelmente maior.

Golden Flames Burn! — Sailor Fire teve a sua vez para exibir suas habilidades. Emanou fortes labaredas das pontas de seus dedos e encurralou os dois seres em um círculo de fogo. As chamas fizeram com que encolhessem ligeiramente, entretanto, não eram o suficiente para detê-los.

Antes que tentassem atacar como das outras vezes, uma voz, suave como a brisa marinha e arrebatadora como um maremoto os entorpeceu. Sailor Ocean cantava a melodia oceânica sentada em um muro não tão distante. No instante em que os seres já pareciam completamente hipnotizados, ela mostrou seu verdadeiro poder:

- Siren Spell! – uniu as mãos à frente e delas sondas circulares, translúcidas se formaram e se direcionaram as bocarras das medusas, elas se contorceram como se sofressem afogamento, no entanto, não foram eliminadas. A charmosa marinheira fitou a portadora do cristal sagrado. — Sailor Love, só você pode findar essa batalha! Use o cristal!

— O quê? — Todos ali a olharam cheios de expectativa. Crystal apalpou o broche com as duas mãos, amedrontada. — E como eu faço? — perguntou desesperada.

— Como você não sabe, sua tonta? Já o usou uma vez! — Sailor Acqua se exaltou.

— Não grite comigo! — Os olhos grandes e azuis da princesinha inundaram-se, chorou como uma criancinha assustada.

— Princesa, não é hora para isso! Seja mais madura! — Sailor Wind passou-lhe o sermão.

“E agora, como faço? Daquela vez fiquei desesperada e... Sim, pensei em tudo o que me faz feliz!” — olhou para o homem a quem estimava e notou-o tão apreensivo quanto as suas companheiras. Fechou os olhos e tentou se concentrar — “É verdade, tenho que buscar a minha essência, a minha essência! — apertava o broche fortemente como se fosse ajudar de alguma forma — “ Só que a minha essência nesse exato momento é o medo!” — tencionou as pernas.

— Princesa! — só ouviu o grito e sentiu-se ser carregada. Por muito pouco, raios enviados dos olhos laranjas daquelas coisas não a atingiram. Estava no colo dele, sã e salva. — Você deve ser mais cuidadosa! Que postura é essa durante uma batalha? — estava irritado, e aparentava assustado, mais pálido do que de costume.

As guerreiras observaram o movimento de Diamante e nenhuma disse uma palavra, se não fosse a agilidade do Black Moon, Sailor Love poderia ter se ferido gravemente. Até Sailor Wind, de orgulho apunhalado, deveria admitir.

— Agora que não há mais reféns, não devo sentir culpa em fazer isso! — com Crystal ainda envolvida por um de seus braços, ergueu a mão livre e dela uma esfera de energia partiu endereçada às duas aberrações. Não satisfeito em lançar apenas uma, atirou diversas, vezes seguidas, incansável. Inútil, os seres se separavam em vários pedaços e se formavam em novos monstros, antes eram dois, agora cinco. — Inferno! — Diamante bradou, o olho em sua testa abriu-se arregalado e cintilando ódio. — Eu aniquilarei quem quer que esteja causando isso, é um aviso!

Ao invés de se opor, deveria estar do nosso lado! Os de nosso clã não são bem-vindos nesse planeta, não percebe? Diga-me com sinceridade que a rainha o recebeu de braços abertos! Duvido que possa! — Onyx, recuperado, falou e sua voz ecoou através de cada uma de suas criações à frente do nemesiano e das Sailors.

— Eu sei que sou bem vindo. — olhou para a menina que estava em seus cuidados — Esse seu jogo não funcionará!

Até quando pretende enganar a si mesmo? Olhe à sua volta e repare se existe algum outro habitante de Nêmesis amparado por essas pessoas além de você e seu irmão, veja como eles os olham. Onde estão os olhares amistosos?

Príncipe Diamante olhou para cada uma daquelas guerreiras em grande parte sérias ou confusas, não ouviu discursos contrários das bocas delas. Somente de uma:

— Você não é só bem vindo como crucial nesse lugar, príncipe... — Sailor Love tocou-lhe a mão — Por favor, não dê ouvidos à pessoa por trás desses monstros, ela não pode querer o bem de ninguém dizendo coisas tão amargas...

Aquelas palavras bastaram para que ele não se sentisse um estranho no ninho, embora o discurso ouvido tivesse o posto em alerta. As criaturas investiriam mais uma vez, entretanto, uma foice decepou duas das cabeças e perfurou seus olhos feitos de pedra ônix.

— Precisamos do poder do cristal de prata, ou nossos esforços serão em vão! — Sailor Saturno avisou — Estamos apenas nos cansando à toa, Sailor Love! Agora é com você, mostre-nos do que é capaz e orgulhe o seu reino!

Crystal olhou em volta e viu não só suas amigas e seu querido, havia pessoas assustadas olhando-a de janelas de residências e prédios comerciais, caídas nas calçadas, todos dependiam dela.

— Você pode, Sailor Love. — duas mãos apertaram-lhe os ombros e a impulsionaram para frente, eram dele.

Ela respirou fundo e fincou os pés no chão, decidida. Pelos habitantes de Tóquio de Cristal, pelas amigas e a desconhecida que lutaram arduamente para protegê-la, e principalmente, por Diamante, que acabara de depositar tanta confiança nela, Sailor Love mostraria a sua força interior.

“Isso! Agora você está pronta!” — a voz familiar soou outra vez, uma aura cálida a envolveu e fez com que seus braços se movessem por si mesmos, esticando-se para frente com as palmas das mãos abertas para cima.

— Mas é... — Sailor Phantom, sensitiva, enxergou um espectro atravessando Crystal, poderia confundi-lo com um anjo pela cor dourada dos cabelos e as asas brancas brilhando como pedras preciosas.

A lua crescente brilhou por debaixo da tiara, o cristal prateado abandonou o broche e flutuou entre as mãos da menina, emanando a sua luz e só isso já bastava para aos poucos, derreter as criações de Onyx.

Silver Moon Crystal — ela abriu os olhos num súbito, estavam tão iluminados que suas íris sequer podiam ser vistas, mesmo a guardiã da joia parecia cega por seu brilho. – Purify! – apontou a pedra e seu brilho refletiu em cada monstro, transformando-os em pó instantaneamente. Suas cinzas se dissiparam com o vento. Todavia, a luz intensa não cessou, ela permaneceu até que cada pessoa atacada estivesse curada, que cada rachadura no piso fosse desfeita. A esquina nem parecia a mesma de minutos atrás, era como se nada ocorrera ali.

— É ela... — a guerreira paranormal e o príncipe da lua das trevas disseram juntos olhando para Crystal, por um milésimo de segundo foi possível enxergar através da herdeira do reino a lendária Sailor que lutou pelo amor e a justiça. Para Sailor Phantom a aparição sorriu, e por fim, abandonou o corpo da garota portadora do cristal brilhante. Sem demora, Sailor Love caiu de joelhos, arfando. Diamante a amparou.

— Crystal! — Sailor Fire ajoelhou-se do outro lado e a sacudiu os ombros.

— Ela está fraca... Não é uma missão fácil ser portadora de tamanho poder, por sorte ela teve alguma ajuda. — A marinheira paranormal se aproximou.

— Quem é você? — Sailor Acqua pôs-se à frente.

— Valkyria... — Sailor Saturno conteve a guerreira aquática — Estou feliz que esteja bem... — sorriu. — Resolveu não ignorar mais seus poderes e lutar ao nosso lado?

— Isso nunca foi uma questão de escolha. — a resposta soou melancólica — A princesa está bem, meu trabalho acabou por enquanto. — o espectro esbranquiçado que a guiou para a batalha repousou em seu ombro, simulou acariciá-lo. — Até algum outro dia...

— Venha ao baile! Nossos governantes gostariam de ver como você está... — Hotaru disse enquanto a solitária guerreira partia. Não foi respondida.

— O que era aquilo no ombro dela? Que arrepiante! — Sailor Nature indagou assustada.

— Um espírito, com toda a certeza... — Sailor Wind afirmou.

— Fantasma! — Sailor Fire empalideceu de medo.

—Onde? — Sailor Love rapidamente se recuperou e segurou-se no braço de Diamante.

— Aquilo no ombro de Valkyria é alguém que ela estima muito... — Sailor Saturno disse, séria. — Agora que está tudo bem devemos voltar ao palácio. A rainha e o rei estão muito preocupados.

— Você está fraca. — Diamante constatou ao ver Sailor Love cambalear tentando se levantar. Sem cerimônia a ergueu nos braços e a carregou, cuidadoso. Sailor Ocean, observadora e experiente, percebeu como os dois se olhavam e sorriu.

Assim, foram a caminho do palácio, as guerreiras escoltando príncipe e princesa. Sailor Wind atrás do príncipe, desconfiada como de costume, as outras jovens à frente.

...

Os óculos de Onyx, quando o cristal prateado se manifestou, espatifaram-se e por pouco não o cegaram, entretanto, fizeram-lhe um corte em uma maça do rosto. O seu pêndulo caiu e rolou sobre o piso negro.

— Maldição, aquela princesa é um grande estorvo! — praguejou.

— Sim, certa vez ela também me atingiu com o poder do cristal sagrado. — Ametista constatou — Quartzy, por favor ajude-o, ele está ferido.

— Ela enfeitiçou o seu estimado príncipe, senhorita. Por muito pouco eu não consegui trazê-lo para o nosso lado! — dizia irritado, enquanto Quartzy curava o corte em seu rosto com mais uma de suas poções. — O que fará agora?

— Talvez seja melhor desistir desse inútil, já foi um grande erro trazê-lo de volta desde o princípio! Não percebe, senhorita? — Topázio manteve firme o seu ponto de vista.

— A semente já está plantada. — a soberana disse — Ele pode até não ter se rendido, mas deve estar confuso, e com a primeira gafe da princesa, o que com certeza acontecerá, o príncipe cairá em si.

— E até quando ficaremos à mercê disso? — o cavaleiro dourado questionou.

— Ponha-se em seu lugar! — Jade intercedeu por sua mestra.

— Eu posso mandar mais criaturas, escondê-las em becos, a energia vital de humanos alimenta o poder do cristal negro, isso também ajudará na construção de novos arsenais para uma possível batalha quando o seu príncipe estiver aqui. O que acha, princesa Ametista? — Onyx propôs.

— Quanta bobagem! — Topázio bufou.

— Não é má ideia. Acho que você não é tão maluco quanto aparenta, cientista. — a adoentada concordou. — Mas, que da próxima vez, suas crias sejam mais discretas, controle sua agressividade.

— Se não é agressividade o que deseja, posso reproduzir mais partículas de cristal negro a partir daquele que está nos confins do solo de Tóquio de Cristal. Aplicar um em cada ponto da cidade causaria doenças nas plantas e nas pessoas, suas energias viriam direto para cá — pegou o pêndulo de volta e balançou-o.

— Perfeito. — a soberana do planeta negro assentiu. — Trabalharemos essa ideia.

“Isso não me agrada em nada...” — Quartzy lamentou.

...

— O tempo não passa... — Saphiro constatou afoito.

— Se estiverem tramando algo, não ficarão impunes, meu jovem. — Olho de Tigre o alertou — Vimos como a rainha o tratou ainda a pouco...

— Tigre, ele é como nós, arrependeu-se do passado e quer viver uma nova vida! — Olho de Peixe tomou partido de Saphiro, provavelmente por alimentar uma paixão por ele.

— Olha, até que o que ele fala faz sentido... — Olho de Águia assentiu, encostado em uma parede, pensativo. — Só não consigo entender o que a princesa e o seu irmão faziam fora do palácio. Você poderia responder isso?

— Tudo o que posso dizer é que meu irmão está mudado, ele não a sequestrou e tampouco deseja fazer-lhe o mal. — embora intimidado, resistiu à pressão.

O mais delicado dentre os rapazes presentes mostrou-se apreensivo, ele sabia do romance entre o Black Moon e a princesa da Lua Branca. Coçou o canto do rosto com suas unhas pontiagudas e suspirou.

— O que houve, Peixe? Sabe de alguma coisa? — O mais alto e galante fitou-o, desconfiado.

— Eu? Claro que não, seu bocó! O que eu poderia saber? — esbanjou nervosismo no timbre agudo.

— Peixe, não me enrole! — o louro tentou intimidá-lo.

— Essa minha boca é um túmulo! — cruzou os braços e empinou o nariz.

— Escute aqui, maricas... — Tigre o puxou pelos ombros e começou a sacudi-lo, o joguinho de implicâncias começaria e se alongarias por horas.

— Esperem, eles estão de volta! — Saphiro avistou o grupo retornando através da janela. — Parecem estar bem.

— Maravilha! Já podemos tirá-lo do castigo! — Peixe aproveitou da ocasião para desvencilhar-se de Tigre.

— Vamos todos descer, a discussão no salão real será longa. — o integrante do trio de cabelos rosados e revoltados foi à frente. O tecido amarelo que adornava seu pescoço afrouxou ligeiramente, deixando um hematoma deveras chamativo à mostra.

— Águia... Bem... — sem jeito, Olho de Tigre gesticulou com as mãos no pescoço, o outro logo entendeu e, envergonhado, ajeitou o acessório excêntrico.

“ Esses sujeitos são bem peculiares...” — Saphiro concluiu, seguindo-os.

— Crystal, minha filha! — Rini correu ao encontro de sua menina, acolhida nos braços daquele a quem a rainha depositou seus piores pensamentos até um minuto atrás.

— Ela está a salvo. — Diamante colocou-a de pé no piso, pronta para ser abraçada pelos pais desesperados.

— Estou vendo. — A mãe, ainda furiosa, incinerou-o com os olhos rubros. — O que ainda não está claro para mim é o que ela fazia fora do palácio, a sós, com você.

— Levei-a para um passeio.

— De madrugada? — a mulher permanecia em fúria, só ela sabia o esforço que fazia para manter-se civilizada. — Sozinhos? O que pretendia?

— Ele me ensinou a dançar, mamãe! Precisa ver como estou habilidosa! — Sailor Love se meteu em favor do príncipe como sempre.

— Minha filha, por que está transformada em guerreira? — Helios aproximou-se. Mesmo ele, pacífico e ponderado, olhava Diamante suspeitoso.

— Isso? É que... — ela se enrolou.

— Majestades, quando os encontrei, a princesa fora engolida por um ser de gosma escura e esse homem estava lá, frente a frente com o monstro, que por sinal, parecia conhecê-lo perfeitamente bem. — Sailor Wind iniciou a narrativa. — A desaparecida Sailor Phantom estava lá, batalhando, tentando salvar não só a princesa, mas também as pessoas também tragadas pelo corpo estranho.

— Eu não faço ideia do que era aquilo. — o príncipe manteve-se calmo.

— Lembro-me perfeitamente da criatura propor príncipe Diamante em troca da princesa. — a filha do vento persistiu.

Conforme os fatos eram contados, a expressão de Rini figurava-se cada vez mais indignada, encarava o regente da lua negra como se ele fosse uma besta perigosa demais para ficar solta e Diamante não era tolo, notava todo pequeno traço de rispidez e insegurança na mulher. Reparou a fisionomia do pai de Crystal e percebeu nele desconforto com sua presença também. Duro admitir, parte do que fora falado pela aberração era a pura verdade: ele e seu irmão não eram bem vindos naquele lugar.

— Majestades, há algo que não pode ser ignorado! — Sailor Ocean se intrometeu — O príncipe Diamante salvou a filha de vocês de um ataque que poderia ter sido fatal! Ele não titubeou em protegê-la. Não sejamos injustos!

O apelo de Mizumi fora surpreendente para todos, ela fez exatamente o que Crystal estava pronta para fazer. A gratidão da princesinha foi tamanha que derramou-se em um sorriso emocionado. O casal de pais apreensivos a encararam confusos.

— Isso é verdade, todas presenciamos. — Sailor Saturno confirmou.

— Viram, mamãe e papai? Quando esse clima de suspeita cessará? Estamos cansados, lutamos bravamente, todos sem exceção, inclusive o príncipe!

— Obrigada por tê-la protegido, príncipe Diamante. No entanto, isso ainda não explica o que fazia com ela fora do palácio na matina. Isso foi imprudente, e creio que saiba disso. — Helios o repreendeu. — Somos tolerantes até certo ponto, compreende? É com nossa filha que está lidando, uma adolescente de quinze anos. Ponha-se em nosso lugar.

— Compreendo e peço perdão por isso. Não acontecerá novamente, tem a minha palavra.

— Não acontecerá. — Rini afirmou — Pois, se acontecer, teremos que mandar você e seu irmão de volta para seu planeta de origem. — foi enfática em cada palavra.

— Como quiser, majestade. — reverenciou-a, segurando a respiração para não cometer uma blasfêmia e manda-la para o quinto dos infernos. Sem mais nada a dizer, em passos firmes se afastou, sequer olhou para trás. Seu irmão mais novo e a jovem que o adorava acompanharam-no partir com os olhos, ambos amedrontados, preocupados e inseguros.

Naquele momento não queria ser perturbado por ninguém, necessitava apreciar a solidão para refletir. Mal sabia que o ócio é um perigo para aqueles que guardam em si qualquer sentimento negativo. Quanto mais pensava no que vivia, nas pessoas que o rodeavam, mais ficava angustiado, e consequentemente, a escuridão que um dia possuíra seu coração mostrava-se viva, apenas perdida nas profundezas com rancores de uma época remota. O que o impedia de no exato momento surtar e cometer atrocidades era saber que ao menos uma pessoa o queria, justo a possível reencarnação de sua antiga amada, a princesa que há algumas horas atrás surrupiara-lhe risos e proporcionara sensações inéditas de conforto, abrigo. Somente ela era capaz de conter a fera adormecida dentro dele. A pergunta era: Até quando?

A semente fora plantada.

Continua...