A Minha Queda Será Por Você
21 O dilema de Saphiro
— Argh! — gritou ao ter um braço agarrado, depois o outro, e então as pernas. Logo, um mar de pessoas naquele estado a cobriu. Gritou em agonia, a saliva quente de cada um deles a cobria, com as mãos tentava afastar alguns segurando seus rostos distorcidos. Estava perdida. Sem demora provavelmente se tornaria em um deles, pensava.
...
Gritava desesperadamente, o mais alto que podia, sentia que a garganta rasgaria pelo esforço, mas não parava. Chutava alguns para longe, com certo esforço conseguiu mover os braços e proteger o rosto, por sorte não havia sido mordida gravemente, mas estava preocupada, em breve seria. Ouviu o som de algo cortando o vento, como um golpe de espada, diversas e diversas vezes. Eram dardos, uma chuva deles caía do céu, atingia aquelas pessoas nos pescoços, nas costas, nos braços, nas pernas, nas testas, em todos os membros do corpo, todavia o mais curioso era: sempre uma vez, apenas. Quem teria tamanha pontaria?
Quando seu corpo estava livre de todo aquele peso, levantou-se e avistou, na sacada de um apartamento, a mesma mulher que lutara na última batalha, carregando uma espécie de metralhadora nos ombros.
— Você de novo? — arregalou os olhos. — O que você fez? — preocupou-se com todos os caídos.
— Não se preocupe — Sailor Phantom disse enquanto em um único salto desceu da varanda e pairou de joelhos, ainda com a arma sobre o ombro — Estão apenas dormindo, temos que sair daqui antes que acordem, princesa!
— Uma guerreira como nós... Por que não vive no palácio? — Era puxada pelo braço pela outra, corriam e se escondiam por trás de postes ou pilastras durante o percurso.
— Acho que esse não é o momento para jogar conversa fora. O que ele está fazendo aqui? — notou Saphiro a andar confuso no meio de uma praça repleta de pessoas contaminadas. — Não importa, deixemos que ele seja a isca.
— O quê? Está maluca? Não podemos fazer isso! — Crystal desvencilhou o braço — precisamos protegê-lo!
— Shh! — tampou a boca da princesa firmemente com a mão — Não fale alto! Chamará a atenção deles!
— hmm! — arrancou a mão de Sailor Phantom do rosto — Eu não vou deixá-lo desamparado! — num salto saiu do lado da Sailor misteriosa e correu até o nemesiano parado diante aqueles indivíduos, estranhamente, sem transparecer medo — Silver Moon Crystal Purify! — não titubeou em tentar purificar todos e terminar com a agonia. A luz branca cobriu todo o perímetro e quem estava ali por alguns segundos teve de cerrar os olhos para não ser cegado pelo brilho magnífico. Quando o cristal parou de brilhar, Sailor Love entrou em choque: as pessoas continuaram como estavam, nada pôde ser feito. — Impossível!
— Então o cristal de prata não funcionou... — Saphiro constatou. — notou o braço ser puxado por um deles, imediatamente utilizou de seu poder de teletransporte e surgiu por trás do homem que o segurou, acertou-lhe um golpe na nuca e o fez desmaiar. — Sailor Love, não adianta tentar purificá-los, você precisa encontrar o que está causando esse transtorno nas pessoas. Desconfio que eu saiba o que é.
— E o que seria? — Ela perguntou agoniada.
— Isso é obra do poder do cristal negro, posso senti-lo.
— Então nos leve até ele! — Sailor Phantom saiu de seu esconderijo, com a metralhadora de dardos recarregada, despejou as munições, atingindo as pessoas remanescentes na praça.
Saphiro assentiu e correu na frente, as duas o seguiram... E não tão longe dali, Sailor Acqua, Nature e Fire corriam e esquivavam como podiam de civis que surgiam por trás de postes, portarias de prédios e garagens.
— Acertem o estômago ou o queixo, assim eles desmaiam mais rápido! — Sailor Acqua aconselhou as outras duas enquanto mostrava como fazer, derrubou pelo menos cinco desse jeito — Sentirão dor quando acordarem, mas isso não os matará.
Sailor Fire ficou apreensiva, jamais tinha feito algo desse tipo, era delicada demais para agredir pessoas, sentiu-se inútil ao ver as duas companheiras fazendo com tanta facilidade o que ela quase morria para fazer. A sua sorte era que logo atrás vinha Sailor Saturno, espantando os sujeitos com a foice, mas sem cortá-los.
— Silver Hurricane! — Sailor Wind, pelo contrário, não se continha em atacar. Jogava-os longe com seu seus tornados.
— Wind, o que está fazendo?! Não podemos matar inocentes! — Sailor Saturno a advertiu — É contra a nossa lei!
— Acontece que essas pessoas já não são mais seres humanos, olhe para eles! — A guerreira do vento os apontou, bufando.
— Eu tenho uma ideia! — Sailor Ocean surgiu logo atrás de Sailor Wind — Eu posso distraí-los com o feitiço do meu canto, enquanto isso vocês avançam e procuram a princesa.
— E Saphiro! — Sailor Fire completou sem raciocinar direito, estava tão preocupada que mal se lembrava de ser tímida.
Assim foi feito, a Sailor dos oceanos, hábil, subiu no topo de um poste, abriu os lábios e soltou sua bela voz, conforme as notas soavam, as pessoas que ali estavam pareciam hipnotizadas por seu canto, agarravam o poste e chegavam a balançá-lo. As outras garotas correram na frente, Sailor Wind permaneceu fitando-a. Estaria ela preocupada? Ninguém poderia dizer... Sailor Ocean sorriu como se tudo fosse ficar bem, naquele sorriso a mulher dos cabelos prateados pareceu enxer gar a frase “está tudo bem, siga em frente”, suspirou e acompanhou as que estavam mais adiante.
— Vamos nos separar em grupos, assim ficará melhor! — Sailor Saturno propôs — Wind, vá com Sailor Acqua e Nature! Sailor Fire, você comigo! — puxou a garota pelo braço.
...
Enquanto Diamante estava sentado em uma enorme poltrona lapidada em cristal e estofada em veludo branco, Rini andava de um lado para o outro, aflita, Helios tentava contê-la mas parecia impossível, o Trio Amazonas permanecia atrás do Black Moon como três guarda-costas. Embora não houvesse algemas em seus punhos, sentia-se um prisioneiro, fato que o incomodava muito. Afinal, ainda era um príncipe! Que humilhação se sujeitar àquilo!
— Em vez de me manterem cativo nesse cômodo, poderiam permitir que os ajudasse com isso.
— Príncipe Diamante, entenda a nossa posição, estamos temerosos. — Helios disse calmo.
— Pensei que ao menos você confiasse em mim, rei. — as cerimônias cessaram por ali, estava cansado de se portar como um súdito.
— Eu dou a minha palavra de que tentei, mas diante as circunstâncias, se você fosse eu, confiaria? — Sentou-se na poltrona à frente, cruzou os dedos das mãos sobre os joelhos e encarou o príncipe da Lua Negra.
—... — Diamante mordeu o canto do lábio inferior e baixou o olhar. Suspirou. Não tinha argumento a seu favor. — E então, o que vem a seguir?
— Príncipe, não queremos conflitos. — o rei prosseguiu.
—... Mas? — O nemesiano se adiantou.
— Por enquanto não há “mas”, apenas queremos que a paz permaneça. — Helios falou brando como sempre.
— O que posso fazer para que acreditem em minha inocência?
— Fique aqui e espere conosco a confusão findar. Pode fazer isso por nós?
— Eu poderia descobrir de onde veio aquele monstro e a origem dessa epidemia, afinal, é a mim que eles querem.
— Justamente por ser você quem eles querem que não podemos deixá-lo ir até lá. Portanto, fique aqui, príncipe Diamante. E se o arrastarem de volta a Nemesis? Não teme que o façam? — Helios era um excelente diplomata, Diamante constatou.
— Está bem — respirou fundo, impaciente.
— Não se preocupe, haverá um momento em que poderá nos ajudar, não tenho dúvidas. — Enfim, o soberano de Tóquio de Cristal se levantou e foi até Rini que abraçava a si mesma, agoniada. A envolveu com seus braços gentis e beijou-lhe o ombro — Tudo ficará bem, verá... — sussurrou em seu ouvido.
Diamante o observou e sentiu certa admiração, Helios parecia ter nascido para reger um reino, tão equilibrado, sereno e persuasivo. Talvez ele fosse o verdadeiro pilar daquela terra e não a mulher que em um passado distante fora chamada de coelho.
— Majestades! — a voz de Sailor Saturno ecoou de um relógio prateado que adornava o pulso de Rini.
— Hotaru! — a rainha deu um salto, afoita — como estão as coisas? Encontraram Crystal e Saphiro?
— Ainda não...
— Como está a situação? — Helios perguntou, era possível ouvir sons estranhos, gritos selvagens.
— Caótica! Os cidadãos de Tóquio de Cristal perderam o juízo e viraram bestas selvagens! Estão nos atacando, atacando uns aos outros, suas peles estão secas e pálidas como as de cadáveres, o nosso reino parece ter virado um verdadeiro inferno e... Ah! — o grito da guerreira foi o último som que aqueles que estavam no salão ouviram.
— Hotaru? Hotaru! — Rini a chamou em vão, o contato havia cessado. — Helios! — ela agarrou-lhe os ombros afoita, em seguida voltou o olhar para o príncipe do clã Black Moon, o homem a olhava sério, aqueles olhos a deixaram ainda mais transtornada. Afundou o rosto no peito do marido, trêmula.
...
— Sailor Saturno! — Sailor Fire gritou ao ver a guerreira ser mordida no ombro por um civil, e na coxa por outro. Aterrorizada, a única coisa que soube fazer foi puxar as duas pessoas até afastá-las de Hotaru, não teve escolha além de chutá-las para longe, e para evitar que retornassem, com os dedos modelou labaredas e com elas formou um muro de chamas — Golden Flames Burn! — Em seguida, ao avistar a companheira de joelhos, tremendo, foi ampará-la. — Sailor Saturno, e agora?
— Sailor... Fire... Afaste-se! — empurrou a menina enquanto seu corpo começava a ter espasmos. Hina ficou boquiaberta ao presenciar aquela cena: os olhos da amiga tornaram-se opacos, a pele aos poucos empalideceu, e não muito depois os únicos sons emitidos de sua boca eram grunhidos.
— Sailor Saturno? Hotaru? O que está fazendo? — Deu passos largos para trás ao notar a mulher levantar-se desajeitada, com as mãos erguidas em sua direção. A única opção que teve foi fugir, desesperou-se ao vê-la seguir-lhe como uma predadora faminta, salivando como todos os outros. — Não, não pode ser! — Não havia o que fazer, tinha que contê-la. — Cage of Fire! — criou um círculo de fogo em volta de Hotaru, era como uma gaiola, não se expandiria, seria um cercado flamejante. Sailor Saturno, embora insana, não tocou no fogo, somente gritou sons sem sentido algum, como se praguejasse. — Eu sinto muito! — aos prantos, Hina continuou a correr o percurso que elas haviam combinado.
...
— Mas que droga, estão por toda parte! — Sailor Acqua arfava, em algum momento todas cansariam de lutar daquele jeito. Os indivíduos caíam, se reerguiam e a caçada continuava, era um ciclo infindável de horrores.
— Logo não teremos escolha se não matar... — Sailor Wind não parecia nem um pouco preocupada com a ideia.
— Matar?! Você enlouqueceu? Vai desobedecer uma lei estipulada há tanto tempo nesse reino? Quem você pensa que é? — Sailor Nature, indignada, não se conteve.
— Olhe bem para nós, Sailor Nature. — Wind disse, enquanto derrubava mais dois homens e uma mulher que tentavam mordê-la — Até quando acha que aguentaremos? Até quando seus cipós suportarão segurar esses seres raivosos?
Era verdade, a pobre guerreira da natureza já sentia os dedos das mãos formigarem devido ao esforço de segurar os cipós que laçavam alguns daqueles monstros, inclusive suas pernas tremiam por conta da força que fazia e por vezes se sentia arrastada por eles, que mesmo presos, tentavam seguir adiante e pegar Sailor Wind e Sailor Acqua.
— Encontrem a princesa, rápido! — falou com dificuldade. — Pelo menos por um tempo consigo segurá-los! Se eu, junto de Sailor Ocean, retardá-los o caminho se torna menos árduo para vocês. Vão! Matá-los só em última instância!
A mestra dos ventos nada disse, apenas seguiu. Sailor Acqua ficou parada, encarando a amiga, seus olhos azuis transbordavam temor pela guardiã da mãe terra. Reiko sorriu. Marine respirou fundo e seguiu com Sailor Wind, por alguns instantes permaneceu a olhar para trás, até que se foi, sumiu em meio a névoa negra que consumiu toda a cidade.
— Mais essa agora, névoa! Como se não bastasse os habitantes terem se transformado em canibais! — Sailor Phantom praguejou — Princesa, fique perto! — puxou Crystal pelos ombros — E então, Black Moon? Já encontrou alguma coisa?
— Seja paciente, estou procurando. — as mãos de Saphiro estavam com as palmas apontadas para o piso, uma aura arroxeada as envolvia. — Há algo naquela direção. — apontou para as luzes do parque de diversões.
— Ótimo! Não poderia ser em um lugar mais distante? — A guardiã dos mortos se irritou.
— Isso não é o pior, há pelo menos quatro deles. — Saphiro alertou.
— Quatro?! — Crystal se desesperou. — Então devemos nos apressar!
— Se quiserem, posso levá-las até lá de uma forma rápida e segura, mas precisam confiar em mim.
— Nesse momento, que escolha temos? — Sailor Phantom disse.
— Segurem as minhas mãos. — ele as ergueu para as duas. Crystal não pensou duas vezes, segurou uma e ficou ao lado do rapaz. Desconfiada, Sailor Phantom deu-lhe a mão devagar. Quando os três estavam de mãos dadas, Saphiro teletransportou-se com as Sailors, pararam diretamente no centro do parque, onde o piso havia enegrecido, e em certo ponto, uma luz púrpura piscava fluorescente, o nemesiano a apontou. — Ali.
Atordoada, Crystal se aproximou, foi repelida imediatamente. A energia maligna a jogou longe.
— Cuidado! — Saphiro alertou. — Não chegue tão perto, use o cristal de prata e purifique tudo primeiro!
Sailor Love se levantou, limpou os joelhos e os ombros, respirou fundo e fechou os olhos, concentrando-se. Enquanto isso, Sailor Phantom lançava dardos nas pessoas que se aproximavam para atacá-los.
— O que é aquilo? — Ela avistou uma pequena chama se aproximando, prontificou-se a arremessar um dardo, porém, Saphiro a conteve.
— É a Hina! — reconheceria a silhueta da menina mesmo se estivessem a um planeta de distância, a pequena chama sobre a mão dela, provavelmente fora acesa para iluminar o caminho pelo qual passou. Assim que chegou perto dos três, caiu de joelhos. O corpo da pobrezinha tremia de cima a baixo, o rosto estava marcado por lágrimas. Saphiro não pensou, imediatamente ajoelhou-se em frente a ela e a segurou, temendo que caísse sobre o piso e se partisse em pedaços de tão vulnerável que estava. A chama na mão dela se apagou.
— Sailor Saturno... Ela... Ela... Se transformou em um deles! — estava completamente transtornada, apavorada.
— Sailor Saturno? Onde ela está? — Sailor Phantom ajoelhou-se imediatamente e sacudiu Hina pelos ombros — Diga-me agora! — deixou de lado a metralhadora de dardos. A postura fria e distante daquela mulher misteriosa mudou da água para o vinho, surpreendendo Saphiro.
— Silver Moon Crystal Purify! — a luz branca dissipou a névoa negra do local, o piso se rachou e de dentro dele uma pedra negra lapidada da mesma forma que os brincos de príncipe Diamante surgiu flutuando e se partiu em pedaços, transformou-se em poeira negra. Saphiro presenciou aquela cena e não teve dúvidas, sabia exatamente o que aquilo era.
— Onde está Sailor Saturno, garota? — Ela gritou, impaciente.
— Na rua das galerias de roupas de grife, perto do parque! — Sailor Fire pôs as mãos na cabeça, ainda trêmula.
Sailor Phantom levantou apressada, pegou a sua metralhadora e partiu em disparada.
— O que ela está fazendo? — Sailor Love questionou, completamente confusa.
— Não importa, preciso levá-las aos outros pontos. Quando destruir todos os cristais as coisas voltarão ao normal. Vamos, me deem as mãos. — ajudou Hina a se levantar e segurou-a, depois pegou a mão de Crystal, transportou-as à torre da cidade.
...
— Droga! — Onyx rangeu os dentes — Saphiro, um dos Black Moon ressuscitados está nos causando problemas! Se ele descobrir onde todos os cristais estão, fará com que a princesa os destrua, inclusive o que ficou esquecido durante tantos anos na Terra! Não podemos deixar que isso aconteça!
— E o que deve ser feito? — Ametista questionou, aflita — Não podemos perder o contato com eles de jeito algum!
...
— O próximo que sinto está naquela esquina, perto daquele prédio — apontou para uma escola primária.
— Então vamos para lá! — Crystal falou, afoita.
... E foram, como da outra vez, o teletransporte já não atordoou Crystal. Chegando ao local, o piso estava como no parque, escuro e com aquele mesmo ponto de luz, entretanto, dessa vez parecia mais intensa a energia maligna.
— Espere, Sailor Love. Há algo de diferente aqui, talvez seja o ponto principal. — Saphiro soltou Hina, que até então estava com o rosto acomodado em seu ombro. — Cuide dela. — Deixou Sailor Fire nos braços de Crystal e em passos calmos se aproximou do objeto reluzente, viu nitidamente um sorriso largo, como uma lua crescente, formar-se no piso de cristal, quando deu por si era tarde, daquele ponto de luz oito patas modeladas de piche surgiram e o agarraram.
— Saphiro! — Hina gritou, finalmente voltando a si.
Os olhos do príncipe caçula arregalaram-se e a lua em sua testa brilhou como nunca antes. — “O que é isso?” — imagens turvas surgiram em sua mente, como se visse algo por trás de lentes embaçadas, era a face de um homem, conseguia distinguir os cabelos negros e a pele pálida, atrás dele três mulheres, uma pequenina de cabelos lilases, ao seu lado as outras, a de cabelos cor de rosa e pele branca, e a de pele morena e cabelos esverdeados, sim, todos possuíam a mesma insígnia que ele na testa — “Quem são vocês? São de nossa família?”
— Saphiro... — a voz suave e fraca de Ametista soou — Fui eu quem os trouxe de volta, é uma honra finalmente conhecê-lo...
— “Por quê? Por que nos reviveu?”.
— Eu tenho um sonho, o sonho de nosso povo... — a jovem ofegava.
— “A Terra...”
— Sim, os lindos jardins, os lindos campos...
— “Mas, uma vez Sailor Moon salvou nosso planeta e nos aceitou de volta! Não entendo o porquê desses ataques!”.
— Nos aceitou de volta? Olhe ao seu redor e me diga... Quantos Black Moon vê na Terra além de vocês?
— “...”
— Nunca fomos aceitos de volta, fomos deixados para trás, como um passado esquecido. Por favor, não se esqueçam de seu povo, as suas vidas foram lhes dada de volta para cumprirem o nosso propósito!
— “Eu...”
— Moon Tiara Action! — Saphiro ouviu de longe o grito ecoar, em seguida, as imagens daquelas pessoas se dissiparam como papel queimando. Tornaram-se nada. Seu corpo caiu sobre o piso gelado e imediatamente foi amparado por um colo quente.
— Saphiro! — Era ela, a sua musa. A cortina alaranjada que caía sobre seu rosto lhe dava certeza, aos poucos conseguiu enxergar os traços daquela face pueril, ruborizada. — Você está bem? — o tecido macio e quente das luvas dela seguravam-lhe o rosto e apalpavam de leve as bochechas, numa tentativa de trazê-lo de volta.
— Estou... — falou baixo, a lua negra em sua testa finalmente parou de brilhar. Ergueu a cabeça e avistou os pedaços de patas que o agarraram sacudindo sobre o chão. Lá estava a princesa, preparada para destruir mais uma pedra.
— Silver Moon Crystal Purify! — Estava feito. Estranhamente, Saphiro não se aliviara muito. — Onde está o próximo? — empolgada por já ter acabado com dois, virou-se aos pulos diante Saphiro.
— Bem... — ainda confuso, levantou-se com ajuda de Hina. Entretanto não quis manter muito contato visual com a menina, ainda sentia-se rejeitado pelo que ocorreu na outra ocasião. Respirou fundo, ergueu as mãos para o piso como antes e sentiu a energia de outro. Teletransportou as meninas e novamente Crystal utilizou o poder do cristal de prata e o despedaçou como se fosse nada, a jovem estava ficando fraca de tanto utilizar o poder do cristal, todavia, não desistia. Saphiro, por outro lado, já não se aliviava com a destruição daqueles cristais, estava apreensivo por conta de cada palavra dita pela jovem misteriosa. Estava tão confuso que temia não ter capacidade de levar as duas garotas até o último cristal, mas não deixou de tentar fazê-lo e, surpreendentemente, conseguiu. A última pedra estava escondida por baixo das areias de uma praia, ao menos ele acreditava ser a última.
...
— Ele não parou, mesmo depois de tudo o que disse a ele. — Onyx suspirou – Após destruir esse cristal, ele acabará encontrando o outro.
— Desabilite o outro por agora! — Ametista ordenou. — Não podemos perder o contato com a Terra!
— Se o desabilitar, as pessoas do reino serão curadas.
— Deixe que sejam, pelo menos por enquanto. Não... podemos... — a cabeça da enferma soberana pendeu para trás e ela ofegou, apertou a gola da roupa que vestia e começou a suar frio.
— Ela está fraca, deve ser por causa do contato! — Quartzy se prontificou a fazer mais uma de suas poções revigorantes. Onyx fez o que lhe foi ordenado, desabilitou a energia maligna do cristal escondido por baixo da terra por séculos, mas era tarde, Saphiro acabara de senti-lo.
...
— Silver... Moon... Crystal... Puri...Fy! — Já exausta, caiu sentada após destruir o que acreditava ser o último, seu uniforme de marinheira ficou imundo de areia, Sailor Fire foi até ela e ofereceu o ombro para que pudesse se apoiar. A névoa negra nos céus se dissipou completamente.
Saphiro sabia que havia mais um, e mesmo que repentinamente o cristal tivesse deixado de emanar o seu poder, ele sabia que poderia encontrá-lo se quisesse. Olhou ao redor e viu algumas pessoas caindo no chão, inconscientes, e não muito depois se levantarem já em seu estado normal, apenas confusas. Suspirou aliviado por um lado, e ainda temeroso por outro. Ponderou, quase avisou às duas meninas que ainda havia uma pedra a ser destruída, todavia, algo dentro dele o impediu. As palavras de Ametista ficaram cravadas não somente na memória, mas em um lugar ainda mais profundo.
— O nosso sonho... — sussurrou, olhando para o céu estrelado como se pudesse enxergar naquela imensidão o lugar que um dia teve de chamar de lar. — “Os nossos companheiros, o nosso clã...”.
— Acabou? — Crystal perguntou, ofegante.
— Sim, acabou. — estava decidido, guardaria a existência do último pedaço de cristal como um segredo.
...
Sailor Nature finalmente pôde descansar depois de tanto tempo segurando aquelas criaturas bestiais. Todos caíram como os sujeitos na praia, e depois levantaram-se fracos, confusos. Ela os ajudou, sorriu mesmo exausta e os assegurou de que estava tudo bem. Do outro lado da cidade, Sailor Ocean finalmente saltou de cima do poste e passou a mão pelo pescoço, as pregas vocais estavam irritadas de tanto cantar. Sailor Wind, veloz como um furacão, findado o perigo, abandonou Sailor Acqua e voltou para o lugar onde estava Mizumi. A única atitude que expressou o seu alívio foi um suspiro ao ver a guerreira dos mares a salvo, porém, quando a mulher estava prestes a se aproximar dela, esbanjando um de seus sorrisos encantadores, ela foi embora, como o vento. Sailor Acqua andou até a praia, onde encontrou Crystal, Hina e Saphiro, sorriu e sentiu-se confortada. Aproveitou, tirou as botas que calçava e molhou os pés nas águas geladas e salubres, fechou os olhos e sentiu o vento acariciar-lhe o rosto, quando abriu os orbes azuis avistou um pequeno ponto de luz caminhando entre as estrelas, faíscas vermelhas, quase invisíveis, saíam daquele ponto.
— Estão vendo aquilo? — ela apontou.
Quando os outros foram olhar, o que parecia ser um óvni sumiu por trás das nuvens, deixando Marine confusa.
— “Já posso ver a Terra perfeitamente a olho nu” — o viajante de galáxias distantes sorriu satisfeito, na proa de sua nave. Uma pétala vermelha pairou sobre uma de suas bochechas, ele a pegou e sorriu. Por onde seu navio espacial passava, deixava um rastro delas, e também seu perfume.
...
— Sailor Saturno! — finalmente a encontrou, desacordada no chão, rodeada por chamas. Sailor Phantom entrou em um prédio qualquer e procurou pelo primeiro extintor de incêndio, assim que encontrou um imediatamente retornou ao local onde Hotaru estava. Apagou as chamas e atirou-se sobre o corpo da outra, desesperada — Sailor Saturno, por favor, não morra! — uma mão suave lhe tocou o rosto e afagou suas madeixas lisas e longas.
— Valkyria... — sussurrou enfraquecida.
— Você está bem, estou aliviada! — a repousou em seu colo.
— Por que você se afastou de mim? — Hotaru a fitou, triste. — Eu nunca entendi...
— Eu sinto muito, foi melhor assim...
— Por quê? — não se conformou com a resposta.
— Porque você sabe, estou fadada a ferir todos aqueles que amo. — a guardiã do além abriu um pequeno sorriso dotado de melancolia e ergueu a cabeça para os céus, vendo o espectro que a acompanhava se aproximar e repousar sobre seu ombro.
— Quantos anos se passaram desde que...
— Sete. — ela levantou — Até outro dia, Sailor Saturno. Não importa o que aconteça, mesmo que não seja a minha vontade, cumprirei com a minha missão.
Hotaru sentou, a observou arrastar a arma que usara para proteger a princesa dos civis dominados pelo mal e sumir em um beco. Passou a mão pela testa, jogou a franja para trás e se pôs pensativa por alguns minutos, até ser encontrada por Sailor Love, Fire, Acqua e Saphiro. Assim que se reuniram, caminharam rumo ao palácio. No caminho encontraram Sailor Ocean.
...
— Minha senhora, Saphiro não destruiu o último cristal. — Jade trouxe a feliz notícia.
— Então ele me deu ouvidos! — deitada sobre a cama, fraca, sorriu de alegria pela primeira vez em muito tempo. Quartzy jurava ter visto uma lágrima solitária abandonar os olhos da regente — Se tudo der certo, em pouco tempo eles virão até mim, e assim, com o príncipe Diamante, nossos sonhos se realizarão... — parou de falar e tossiu fortemente.
— Princesa, não fale mais nada, precisa descansar! — Quartzy a conteve.
— Estou tão feliz... – Ametista sorriu outra vez e, em seguida, adormeceu.
...
“Eu tenho um sonho, o sonho de nosso povo...” — A frase ecoava na mente de Saphiro como um interminável refrão, a cada passo que dava junto com aquelas pessoas, ela se repetia e repetia, martirizando-o. — “Devemos retornar a Nemesis?” — se perguntava. — Hum? — notou alguém ao seu lado fitando-o incessantemente, quando direcionou o olhar a viu ruborizada, afoita como se quisesse dizer algo, e só assim, pôde por pelo menos alguns segundos deixar de pensar nas palavras da garota dos cabelos cor de Ametista. — Está tudo bem, Hina...
Continua...
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