A Minha Queda Será Por Você
22 Minha
Notas iniciais
O grupo chegou ao salão do palácio. Sailor Wind já estava diante dos regentes narrando os fatos. Rini, impulsiva, ao ver a filha chegar junto dos outros correu até a menina e a abraçou forte.
— Minha filha, minha filha! — trêmula a apertava e beijava-lhe o rosto — Nunca mais faça uma coisa dessas por sua conta! — Segurou o rosto de Crystal com as duas mãos e o sentiu gelado — Está pálida!
— Estou um pouco cansada, só... — sorria, embora abatida — O importante é que o reino está a salvo. Devemos isso ao Saphiro, foi ele quem descobriu as fontes de energia maligna que causaram a doença nos cidadãos de Tóquio de Cristal!
— Ficamos muito gratos Saphiro. — Helios se aproximou do jovem e tocou-lhe o ombro. — Pode nos contar o que causou esse transtorno?
— Majestades, alguém, provavelmente a mesma pessoa que enviou a criatura da outra vez conseguiu espalhar os cacos de cristal negro pelas regiões da cidade. Foram esses cacos que consumiram a energia vital de cada pessoa e as transformou em bestas.
— Impossível, o cristal negro de Nemesis foi destruído há muito tempo, eu lembro perfeitamente! Será o mesmo ou uma evolução dele? — Rini assegurou.
— Eu garanto que era o cristal negro, o reconheceria em qualquer lugar. — Saphiro afirmou olhando diretamente para o irmão mais velho.
— Que pesadelo! — a rainha cobriu o rosto com as mãos.
— Príncipes... — Helios a acolheu nos braços, tentando pacificá-la — Nos ajudem a identificar o que está havendo, quem está nos atacando e o porquê, nós lhes pedimos... Se formos amigos devemos nos unir.
— Nós somos? — Diamante questionou.
— É claro que somos! — Crystal se adiantou, tentou dar um passo à frente, porém, as pernas cambalearam e ela caiu, a vista enegreceu repentinamente. Sailor Wind a amparou de imediato. Rini, Helios e Diamante foram rapidamente até a princesa e a chamaram. A mãe lhe deu leves tapas nas bochechas. — O quê? — acordou atordoada.
— Majestades, a princesa precisou usar o poder do cristal de prata diversas vezes para destruir cada pequenino cristal, deve estar esgotada! — Sailor Fine, acanhada, se pronunciou olhando para o piso, submissa.
— Wind, leve-a para o quarto, por favor. — Rini pediu.
— Estou bem, posso ir andando...
— Não, nada disso! Sailor Wind, por favor, a leve. — a rainha insistiu.
A guardiã dos ventos não fez nada além de obedecer, carregou a menina sobre um ombro, como uma criança, constrangendo-a. Reiko e Marine tentaram prender o riso diante da cena, claro que não conseguiram, fizeram Crystal sentir ainda mais vergonha e cruzar os braços, emburrada.
— Saphiro... — Rini suspirou e andou até o rapaz — Obrigada, muito obrigada! — sim, estava agradecida, reconhecia que sem a ajuda dele talvez jamais fosse descoberto a causa dos estragos. Virou-se para Diamante em seguida, respirou fundo e, de orgulho ferido, disse: — Minhas sinceras desculpas por meu comportamento, príncipe. Isso não significa que confie em você, mas, talvez possa tentar confiar. — não o encarou nos olhos.
— Aceitas. — foi só. Nem sorrisos, nem palavras afetuosas. O semblante permaneceu sério e inexpressivo. — Posso me retirar agora?
Ela acatou com um maneio de cabeça, sem mais nada a dizer. Helios o acompanhou partir e subir as escadas com os olhos assim como todos os outros, inclusive Saphiro. A irritação do homem era notável e compreensível, por isso, a governante sentiu-se mal, e ainda pior porque continuava a sentir a mesma repulsa por ele.
— Saphiro, sabe nos dizer se estamos seguros? — o rei tomou a palavra novamente. — Ou será que há mais cristais espalhados pela cidade?
— Acredito que não. — mentiu, em seguida perguntou a si mesmo o porquê de ter mentido e sentiu-se um traidor, entretanto, se sentiria da mesma forma se contasse a verdade. Era uma sensação esquisita, a garganta quase fechou. — Poderei investigar, se for de seu desejo.
— Seremos muito gratos se puder nos ajudar. — Helios sorriu.
— Sim... — o nemesiano caçula o reverenciou, respeitoso. — Com a sua licença, peço para me retirar, foi uma noite cansativa.
— Está bem, bom descanso.
Saphiro se foi em passos calmos, e a cada passo que dava, Hina pensava em seguí-lo, frustrava-se por seu desejo não vencer o corpo frágil, medroso. Ela mordeu o lábio inferior e respirou fundo, forte. Não ajudou... Ele partiu e ela, como sempre, nada fez. Sequer teve condições de agradecê-lo por ampará-la.
...
Assim que foi posta na cama, Crystal adormeceu como um anjo, Sailor Wind se encarregou de tirar o seu broche e colocá-lo sobre a mesa de cabeceira, depois vestiu-a em uma camisola branca de botões e rendas lilases, foi a primeira que encontrou na gaveta do armário. Por mais dura que fosse, talvez houvesse algo de protetor em relação à princesa, como Rini. No fundo queria preservar a sua inocência, admirada por tantos como ela, já sem alguma. Terminou de aprontá-la e saiu, apagou o abajur antes de fechar calmamente a porta. As horas seguiram como sempre o fazem, não importa o que aconteça os ponteiros nunca param, mesmo que os habitantes de Tóquio de Cristal não envelheçam ou não sejam arrematados pelo mal da morte os dias não deixam de passar, os segundos de correr... Somente muito tempo depois, no meio da madrugada iluminada por uma lua branca e crescente uma sombra apareceu na janela cobrindo a luz lunar que resplandecia no rosto da jovenzinha. Era ele, visitando-a dessa vez não só nos sonhos, mas no sono. Aproximou-se com cuidado, jogou a capa para o lado e sentou-se à beira da cama vagarosamente para não lhe chamar a atenção. Fitou-a de cima a baixo e suspirou. Delicado como uma brisa puxou a coberta que a escondia. Ela estava deitada de lado, uma perna cruzada sobre a outra, a camisola cobrindo-a até a virilha, uma alça caída pelo ombro. Um cordeiro tão indefeso... Tão irresistível. Quando deu por si, Diamante já acariciava a lateral da coxa de Crystal com o dedo indicador. Notou a pele eriçar, as pernas da menina se encolherem em resposta e seus braços apertarem uma almofada, a qual dormia abraçada.
“Não sei o que seria de mim, se você não existisse” — ele pensou, admirando-a. Estando ali ao seu lado não pensava na raiva, na tristeza, em nada além de seu desejo. — “Você é o meu pilar”... — Com o mesmo dedo, acariciou o braço dela, subiu até o ombro e o pescoço.
Ela suspirou e moveu-se na cama, virou-se de frente para ele. A boca entreaberta, respirava profundamente, ainda estava pálida por conta da energia que gastara, fraca. Queria tanto tocá-la, precisava tanto... Mirou os botões da camisola, passou as pontas dos dedos por cada um deles. Outro suspiro. Dessa vez pensou que ela acordaria, viu-a mover os lábios, sussurrar o seu nome e comprimir as pernas. Quase acreditou que Crystal tivesse acordado, porém, ela não abriu os olhos e mais uma vez disse:
— Príncipe... Diamante...
Ele ficou não só surpreso, mas excitado. Presenciá-la naquele estado, completamente entregue a ele, chamar por seu nome era como realizar uma fantasia alimentada há anos.
— Minha. — Disse a inclinar o corpo, aproximando seu rosto ao dela — Minha. — repetiu ao roçar os lábios na pele macia da maçã, encaminhando-os à boca dela, onde repousaram e se encaixaram. Ela grunhiu, ele pensou tê-la acordado. Nada. Dormia como um anjo, contudo, respondia aos toques. Notando-a comprimir as pernas vezes seguidas e gemer bem baixinho, não conteve a curiosidade de investigar o porquê de ela reagir daquela maneira, afastou as pernas sem dificuldade. — “O que estou fazendo?” — pensou e riu. Não parou. Suspendeu um pouco mais a camisola e teve a magnífica visão da roupa íntima branca, rendada, com um laço prateado de detalhe, úmida, marcando a delicada brecha. — Minha. — afirmou para si novamente, e singelamente, com o mesmo dedo indicador, acariciou-a por cima do tecido de algodão.
Crystal ergueu levemente o tronco e seus olhos reviraram, quase acordou de fato. Primeiro ele fez o movimento de cima para baixo, depois, sutil e devagar, de baixo para cima. Arrancou-lhe outro gemido, sentiu-a ficar quente, ainda que não estivesse em contato com a pele.
— Então você me quer... — encostou os lábios no ouvido dela e sussurrou.
— Sim... Sim! — a resposta veio de imediato.
Diamante levou um susto ao ver os olhos dela vidrados em si, e embora ela estivesse rubra e trêmula, aqueles olhos oceânicos não fugiram dos dele. Ela sorria, seu coração palpitava rápido e forte como um tambor sendo tocado.
— Estava acordada todo esse tempo? — surpreendeu-se.
— Ouvi a sua voz, soube que não era um sonho dessa vez... — repousou as mãos nos ombros dele, afagando-os desajeitadamente.
— É tão menina... Como pode sonhar com algo assim? — estava intrigado.
— Eu simplesmente sonho... — sentiu a face esquentar, tímida.
— Não me tente dessa forma... Ou posso acabar fazendo algo sem volta... — não tinha a intenção de possuí-la ainda, queria apenas senti-la o pouco que fosse, passou novamente os dedos pelos botões da camisola, abriu apenas o primeiro.
— Faça, eu não me importo... — fechou os olhos.
— Confia em mim a esse ponto? — abriu outro botão.
— Eu morreria por você. — disse sem pestanejar.
Ele ficou em silêncio, parou por uns segundos e a olhou, somente. A longa pausa a fez abrir os olhos e encará-lo outra vez, e assim ficaram por um tempo. Viu um brilho nos olhos dele que não soube decifrar. Seria emoção? Remorso? Tristeza? Luxúria? Indecifrável. Depois da quietude, a voracidade se deu. Diamante jogou seu corpo sobre o dela e beijou-a profundamente, quase a sufocou com sua língua, quase lhe sugou o resto das energias. Em seguida, com a mesma língua incontrolável, beijou-lhe o pescoço e o colo. Crystal sorriu e mordeu o lábio inferior contendo-se para não gritar por conta de tamanho o prazer que sentia. Não sabia denominar aquilo, o tal calor entre as pernas que ficava cada vez mais intenso. Nunca sentira tão forte como dessa vez. Fechou os olhos e focou-se nas sensações: a brisa percorrer-lhe o corpo a cada vez que Diamante desabotoava um botão de sua camisola, o calor molhado deixado pelo rastro da língua do príncipe em sua pele... Mal conseguia acreditar que tudo acontecia de verdade.
Após desabotoar toda a camisola, o Black Moon ergueu-se para olhá-la, ainda com os mamilos cobertos, somente as curvas dos seios e a barriga expostos, a roupa íntima levemente abaixada. Repousou uma mão entre os seios dela, com calma a deslizou para baixo do tecido e encontrou-se com um relevo pequenino, cabia perfeitamente entre seus dedos. O afagou, e singelamente o apertou. Notou-a estremecer, parecia um pouco assustada, além de envergonhada, e, no entanto, não cogitou impedi-lo.
— Está com medo? — continuou acariciando-o, passou suavemente o polegar pelo mamilo pequenino. Olhava-a nos olhos.
— Eu... — não sabia definir se era medo o que sentia, não protestou, respirou fundo e tentou manter-se calma — Nunca estive assim antes, não sei o que fazer... — confessou, tímida — Não sei o que vai acontecer...
— Não se preocupe, deixe-me vê-la ao menos. — suspendeu o corpo dela com uma mão, com a outra arriou completamente as alças de sua camisola, finalmente a deixou coberta somente pela roupa de baixo, a lingerie branca que escondia o “pote de ouro” de Diamante. A fez sentar na cama e ajoelhou-se à sua frente, mais alto, imponente. Segurou-lhe o queixo e a fez encará-lo nos olhos. Como amava se perder naqueles olhos azuis...
— Linda. — entrelaçou os dedos nos fios castanhos, soltos, derramados sobre os ombros e costas da princesa, beijou-lhe a insígnia dourada na testa. Os fios cor de chocolate o faziam vê-la como um ser original e o afastava de sua ancestral,mesmo que ainda houvesse uma sombra de Sailor Moon no coração, talvez fosse o que lhe impedisse de ir adiante.
Afoita, com as mãos trêmulas tocou-lhe o peito e o afagou, sentindo o coração dele acelerado resolveu encostar o ouvido sobre ele, acomodou o rosto lá e fechou os olhos, colou o corpo seminu ao dele ainda vestido e o abraçou forte, sentindo-o vivo. Os braços dele a envolveram, as mãos pálidas e frias percorreram-lhe as costas, seguraram-lhe a nunca e ergueram-lhe a face. Beijaram-se outra vez. A não resistência de Crystal o enlouquecia e ao mesmo tempo o fazia sentir-se culpado.
— Não quero... Machucá-la — falava entre beijos, mas ela parecia não dar ouvidos, não se importava, permanecia a beijá-lo com a mesma ânsia, sem pensar em quaisquer consequências.
— Se eu não for sua, não serei de mais ninguém. — segurou-lhe o rosto com as duas mãos, de narizes encostados, dividiam o oxigênio enquanto ela sussurrava.
— Não permitirei que o seja. — a deitou novamente, libertou-se da capa que vestia, em seguida da farda, e dessa vez, não trajava uma camisa social por baixo. Uniu seu corpo ao dela outra vez para poder compartilhar o prazer de sentir pele na pele, o calor, a maciez. — Eu garanto! — mordeu-lhe a orelha e subitamente encaixou uma mão entre as suas pernas. Para evitar fazer barulho, ela prensou a boca num ombro dele e prendeu a respiração por segundos. Não se deu o trabalho de arrancar a calcinha, Diamante afastou o tecido para o lado e então a afagou em sua região mais sensível com dois dedos, sem violência. Sentiu os dentes dela roçarem em seu ombro, prosseguiu a carícia, ainda vagarosa, provocante.
Aquele calor, agora ela realmente começava a descobrir o que era... Subia por seu corpo, emanava de sua genitália, suprimia toda a inocência de seu corpo, fazia-a desejar perder tudo para poder, ao menos em um momento, desfrutar das sensações, dos desejos... Estava sucumbindo. Que tudo se fosse, que ela se fosse. Não importava se a queda seria fatal, cairia quantas vezes precisasse para poder dividir aquilo com ele. O que tinha a oferecer somente para ele. Um dedo a adentrou, não completamente, afagou-a superficialmente, circulou-a, depois tornou a apalpar-lhe o clitóris rosado. Ela o apertou entre as pernas em um abraço, depois as abriu novamente, segurou os lençóis brancos da cama com os dedos dos pés, quase os suspendeu. Suas mãos delicadas deslizaram pelas costas do príncipe, nelas se firmaram, esquentaram-na, deixaram marcas avermelhadas. Ambos estavam extasiados.
Ele não pode evitar beijá-la outra vez, sugar seus lábios úmidos e gentis, atar uma língua à outra, enquanto isso a torturava com aquelas carícias indevidas, proibidas até em sonhos.
— Avisei-a que não haveria retorno. — sussurrou, passou o ápice da língua pelos lábios da menina, animou-se ainda mais ao senti-la, progressivamente, ficar mais úmida e quente, as pernas dela não tardaram a tremelicar, sintoma do que estava por vir. Percebendo que um alto som escaparia da garganta dela, tomou sua boca novamente em um beijo voraz, abafando-lhe os grunhidos de gozo.
O corpo todo de Crystal tremeu de cima a baixo, fugiu de seu controle, sequer percebeu o quanto arranhou as costas do príncipe, apertando-as e apalpando-as com suas unhas. Mal sentia o peso dele sobre si, nada alem da maciez da pele dele e sua temperatura fria, inebriante. Ofegante, sentiu um líquido entre suas pernas escorrer e derramar-se sobre os dedos do príncipe. Ele sorriu. Fora um sorriso completamente diferente de todos os que ela havia visto, não era ameno, havia algo de escuro nele assim como nos olhos violetas. Assustada? Jamais. Sentia-se mais atraída do que nunca, já estava presa à teia dele, aspirando ser devorada. Aquela escuridão a fascinava.
— Isso... — ele disse, satisfeito por ter alcançado seu objetivo — Você é minha. — olhou para os dedos cobertos pelo prazer de Crystal, alargou ainda mais aquele sorriso que para muitos seria considerado tenebroso, para ela o mais cativante.
Após tudo, Crystal repentinamente sentiu a vista ficar turva como mais cedo, esquecera do quão fraca ainda estava. Diamante a observou adormecer e novamente empalidecer. Ficou um pouco desapontado, mas pensou ser melhor dessa forma. Ela estava bem, só dormia. A vestiu, cobriu-lhe o corpo com um lençol, trajou a farda e a capa, e por fim, transportou-se de volta ao quarto onde dormia. Sentou-se em uma grande poltrona, pensativo. Se quisesse, poderia ter continuado a fazer o que queria, ela não protestaria. Culpou-se por simplesmente pensar em roubar toda a pureza da princesa enquanto a pobrezinha dormia. Havia passado dos limites, sabia, mas sentia-se satisfeito. Ela quis. Ela pediu.
Eu morreria por você — fechou os olhos e adormeceu com essa frase a ecoar dentro de si, não trocou as vestes, não fez nada, ficou ali, naquela poltrona até os primeiros raios de sol tocarem a sua pele.
...
— Foi um sonho? Não pode ter sido... Foi tão real... — Crystal acordou confusa, ainda com a sensação de quentura, não só entre as pernas, mas em todo o corpo. Tocou a própria testa, estava fervendo.
— Princesa? — Hotaru bateu à porta, logo após entrou. — Hora de acordar, temos um longo dia pela frente!
— Eu já vou... — Levantou-se da cama, mal ficou de pé e seu corpo se derramou sobre o chão.
— Céus, você está ardendo! — Sailor Saturno correu para acudi-la, quando entrou em contato com o corpo sentiu as próprias mãos queimarem de tão quente que ela estava.
— Não me sinto muito bem... — a menina falou bem baixinho.
Hotaru fez um esforço e a carregou até o banheiro, encheu a grande banheira de água gelada e jogou-a dentro. O corpo fervia tanto que sequer reclamou da temperatura da água. A Sailor chamou a rainha pelo comunicador, não demorou muito para que uma mãe preocupada entrasse no quarto às pressas. A notícia do mal estar da princesa em um estalar de dedos se espalhou pelo palácio, por consequência chegou aos ouvidos de Diamante.
“ É minha culpa!” — Constatou, sabia que a menina estava fraca, e, no entanto, tirou-lhe o resto das energias.
— Não se preocupem, não é tão sério assim. Crystal precisa apenas de um tempo para se recuperar, cancelem as atividades dela por hoje. — Helios disse, tocando a mão na testa da filha, já haviam lhe medicado.
— Pobrezinha... tão jovem e teve de abusar do próprio corpo para purificar o mal que cobriu a cidade... — Rini afagou os cabelos da filha.
Enquanto isso, Saphiro caminhava pelos jardins com as mãos para dentro dos bolsos da calça, ainda pensava sobre as visões que teve durante o conflito da noite passada. Sabia aonde encontrar o último cristal, a dúvida era: destruí-lo ou não? Uma triste melodia cortou seus pensamentos, vinha de seu querido coreto. Aproximou-se quieto, ficou entre dois arbustos observando-a através do vidro, tão melancólica que não parecia ela. O que teria? Indagou. A viu abandonar as teclas do piano, apoiar os cotovelos nelas e cobrir o rosto com as mãos. Ouviu os soluços de onde estava, ficou apreensivo. Seria por causa do que aconteceu entre eles dois? Ele a teria traumatizado tanto? O coração pareceu ser mutilado por diversas lâminas. Por um impulso entrou no coreto, ela não percebeu, continuou do jeito que estava. Pensou em se aproximar dela, tocar-lhe o ombro, confortá-la, todavia ainda sentia-se rejeitado, temia que acontecesse outra vez.
— Hina, o que aconteceu? O que faz aqui tão cedo? — Falou da entrada e a viu erguer o rosto, espantada — Bem... Posso deixá-la sozinha se preferir.
— Por favor, não vá! — desesperada, falou alto e rápido, quase perdeu o ar. Levantou-se bruscamente do banco — Eu... — novamente a sensação de vertigem, o rosto esquentava conforme avermelhava. Que raiva sentia! Prendeu a respiração e soltou de uma vez — Eu quero!
— O que você quer? — perguntou confuso, não fez sentido algum.
A menina dos cabelos cor de fogo lembrou-se das palavras de encorajamento de Crystal, e como sabia que não teria coragem de se declarar com palavras, em passos largos aproximou-se de Saphiro, o puxou pela gola da farda e num impulso o beijou, deixando-o completamente sem reação.
— Isso. — Ela sussurrou assim que terminou, repousou o rosto no peito dele e puxou o ar para respirar.
Primeiro, de olhos arregalados, ele passou a mão pela boca, depois tornou a fitá-la, dessa vez foi o seu rosto que ruborizara. Esperaria que ela fugisse ou emudecesse, mas nunca um beijo roubado.
— Eu não sei o que acontece comigo! — com a voz destoando, um pouco cortada, Hina tentou prosseguir. Afastou-se e esfregou as palmas nos olhos, enxugando-os — Eu gosto tanto de você! Sou uma idiota por ser assim e você não merece isso!
— Hina... — com o tom sereno segurou as mãos dela e as afastou dos olhos, notou as olheiras — Você conseguiu dormir essa noite?
— Eu... — negou com a cabeça — não consegui parar de pensar nisso... Principalmente depois de ontem! Pensei que fosse perdê-lo para sempre quando aquela coisa o agarrou! — foi abraçada, sentiu uma mão afagar-lhe os cabelos, um pouco desajeitada.
— Não devia tê-la assustado daquela forma, é a primeira vez que me sinto assim, que me vejo nessa situação... Perdoe-me por tê-la acuado... — evitou falar sobre o que passaram na noite passada.
— Não... — arfou, com o coração prestes a explodir — Não se desculpe, por favor... Eu queria muito... Eu.. ainda... Eu ainda... — sentiu que gaguejaria, fechou os olhos, tentou respirar e se acalmar.
— Shh — Saphiro fez sinal de silêncio — Eu posso? — fechou a pouca distância entre ambos, encostou a sua testa na dela. Recebeu um sorriso trêmulo como resposta. Pôde, como tanto queria, repousar os lábios nos dela e com calma sentir o gosto que eles tinham, a textura. Não era só Hina quem tremia, ele próprio sentiu tremores pelo corpo enquanto a experimentava. As mãos dela apertaram-lhe os ombros, segurando-se neles como se precisassem de apoio. Ele, por sua vez, repousou as mãos na cintura dela e trouxe seu corpo mais para perto. Notando-a perder as forças e esquentar, ainda a beijando induziu-a a sentar no banco em frente ao piano, acomodou-se ajoelhado à sua frente.
Hina demorou, porém encorajou-se a acomodar os braços em torno do pescoço de Saphiro em um abraço desajeitado. O beijo foi encerrado com uma sequência de selinhos suaves e carinhosos. Pensou que se o olhasse nos olhos desfaleceria, mas, milagrosamente, mesmo nervosa, parecia forte, conseguiu encará-lo sem passar mal pela primeira vez.
— Fique comigo, Hina.
— O que quer dizer com isso? — pareceu confusa.
— Um compromisso. — não sabia como fazer ou dizer, nunca passara por uma situação dessas antes.
— Como... Na... na... na — respirou fundo — ... Namorados? — arregalou os olhos, completamente acanhada, baixou o olhar e voltou ao seu normal.
— Bem, se é assim que chama... É. Namorados. — Saphiro também estava completamente sem jeito. — Você quer isso?
— S-sim!!! — a resposta soou tão alegre que quase emocionou o jovem nemesiano. Ela sorriu radiante, pequenas lágrimas se formaram no canto dos olhos.
A abraçou forte, quase a fez tombar do banco. Riram, os dois envergonhados.
— Nunca me senti tão tolo... — confessou.
— Gosto de você assim. — segurou as mãos dele.
— Hina, continuará gostando de mim mesmo se um dia eu cometer algum erro muito grave? — por um instante os olhos azuis safira se mostraram preocupados.
— Claro que gostarei... Todos erram! — piscou os olhos, confusa. — Se eu errar você deixará de gostar de mim?
— Não, esse tipo de erro você jamais cometeria... — sussurrou.
— Aconteceu alguma coisa? — ficou apreensiva.
— Não, não aconteceu nada. — tornou a sorrir, mesmo temeroso — Vamos, daqui a pouco vão procurá-la. Você não tem aula?
— Oh! — pôs as mãos no rosto — Preciso me apressar!
Ele riu e a acompanhou, poderia levá-la aonde fosse necessário com o seu teletransporte, entretanto, era divertido vê-la correr completamente desengonçada. Evitou pensar sobre o tal erro que poderia estar cometendo, decidiu refletir sobre outra hora.
...
A manhã passou e Crystal dormiu todo o tempo. Rini ficou sentada ao lado da cama resguardando o seu sono, de vez em quando trocava um pano úmido na testa da filha por um limpo. Aos poucos a febre baixou e o corpo da princesa parecia voltar ao normal.
— Eu posso entrar? — Diamante entreabriu a porta.
— Sente-se. — Rini mostrou a poltrona a ele, acatando o pedido.
— Você pode não acreditar, mas me importo com ela. — ele ajeitou a capa e sentou, fitou Crystal dormindo como se nada ocorrera.
— Ela está nesse estado por causa do cristal negro, obra de seu clã.
— Quando eu descobrir quem está por trás disso tudo, eu mesmo o liquidarei.
— Por que o trariam de volta, Diamante? – encarou-o.
— Acha que não penso nisso? – olhou ao redor do quarto, reparando nos detalhes do céu pintado no teto.
— Sinto o cheiro da vingança...
— Contra o quê? Sailor Moon derrotou o Grande Sábio e abriu os nossos olhos, não queríamos mais atacar esse planeta.
— Sailor Moon, minha mãe, a mulher por quem você era obcecado.
— Sim, eu era. — frisou o tom na última palavra.
—... E agora é a vez da minha filha, certo?
— Não acha que fui castigado o suficiente no passado a ponto de me redimir? Morri por sua família, você ao menos poderia me agradecer.
— Não, você morreu por minha mãe, porque nutria uma paixão doentia por ela. — foi bem enfática.
— Eu amava a sua mãe, não diminua isso. — tentou manter a compostura, embora a vontade que tivesse fosse erguer aquela mulher pelo pescoço e quebrar-lhe os ossos.
— Não creio que um homem egoísta, como você foi um dia, tivesse a capacidade de sentir algo como o amor. Sinto muito.
— É claro, majestade. Somente você sabe o que é o amor “certo” e o amor “errado”. — se levantou — Vejo que não há possibilidade de conversarmos. Espero que haja um dia. — com classe abandonou o quarto.
Rini passou a mão pela testa e depois pelo queixo, pensativa. Era um árduo exercício ser civilizada com um homem que a amedrontava, que a seu ver parecia uma bomba-relógio. Segurou a mão de Crystal e a afagou.
— Eu vou protegê-la, minha filha... — pressionou o pano na testa da princesa, depois o tirou e mediu com a mão a sua temperatura — Já está sem febre, que alívio!
...
Diamante andou de um lado para o outro no quarto, tomou não só uma, mas três taças de vinho tinto, uma seguida da outra. Naquela manhã uma servente deixara uma garrafa fresca em seu quarto. Ao menos tornara a ser tratado com um hóspede, pensava. Sentou-se aflito na mesma poltrona onde dormira e bateu o pé no piso diversas vezes enquanto sentia o cérebro fritar de tanto pensar em tudo o que aconteceu desde o seu despertar.
“Saphiro tem razão, estou ficando obcecado como da outra vez. Não consigo parar de pensar nela, de desejá-la... Não consigo não sentir raiva de todos os que tentam afastá-la de mim. Eu a quero tanto! Eu preciso dela! E ela me quer, sim, ela me quer!” — levantou num súbito, foi até o banheiro, lavou o rosto e olhou a si próprio no espelho. — Ela é minha.
...
— Hum? — Crystal acordou, a cabeça parecia girar, sentou-se na cama e se deu conta de que a sua mãe estava ao seu lado.
— Querida, finalmente! Pensei que acordaria depois do baile! — ajeitou os cabelos emaranhados da menina.
— Baile?
– Sim! É amanhã à noite, lembra-se? O seu grande dia! — sorriu empolgada.
— O baile! — Crystal arregalou os olhos e pôs as mãos sobre a cabeça apavorada, cantaria na frente de um mar de gente.
— Sim! Por isso repouse, você precisará estar bem de saúde amanhã.
— Preciso tomar um banho! — levantou agoniada, enrolou a perna na colcha acidentalmente e tropeçou.
— Sua desastrada, igualzinha a avó! — Rini riu descontraída. — Vá lá, um banho irá repor as suas energias. Agora que você já está bem posso retornar aos meus afazeres. Temos a comida, a decoração... E eu cuido disso tudo! Um dia será a sua vez, com a sua filha...
— Espero que sim! — gritou do banheiro, ligando as torneiras da banheira.
Rini deixou o aposento sem notar a sombra de uma capa a voar com o vento, camuflada por trás da cortina da janela. Ele não se conteve, queria ao menos observá-la... Esperou o tempo necessário para ela se lavar e a viu sair do banheiro vestindo o roupão branco de um dia atrás a cantarolar uma melodia qualquer. Secou os cabelos, fez o penteado cotidiano e jogou-se novamente sobre a cama, ainda um pouco fraca. Era o momento dele. Entrou no quarto outra vez.
— Príncipe? — ao mesmo tempo em que parecia feliz, estava constrangida. Não conseguira parar de pensar na noite anterior, sequer sabia se havia acontecido ou se sonhara.
— Já está bem? — sentou-se ao lado dela.
— Ah, estou com um pouco de dor de cabeça, uma moleza, mas está passando.
— Me perdoe... — afagou a franja dela, afastando-a da lua crescente.
— Ué, por quê? — se sentou abraçando a almofada.
— Ora, eu não devia ter feito aquilo ontem com você tão desgastada...
“Então foi de verdade!” — Crystal pulou, encolheu-se a abraçar a almofada, apenas seus imensos olhos azuis, arregalados, podiam ser vistos por de trás daquele enorme travesseiro em formato de coração. — “Que vergonha, que vergonha”!
— Você não se lembra? — ele, ao contrário, agia naturalmente, até estranhava o comportamento dela.
— É claro que lembro! Como eu poderia esquecer? — respondeu num impulso, e como sempre se afundou ainda mais na vergonha. No tom da fala era notável o quanto ela havia gostado.
— Está arrependida?
— Não! – outra vez. Que mania de ser espontânea!
— Então... — a puxou para perto bruscamente, quase colocando-a ao seu colo. — Quando você estiver melhor a visitarei no escuro da noite novamente... — sussurrou em seu ouvido, quase lhe arrancou o fôlego. Soltou-a e se levantou.
— Espere! — levantou atrás dele — Já vai, assim, desse jeito? — segurou a manga da farda que ele vestia.
— A essa hora é arriscado ficar por aqui muito tempo... — virou-se de frente para ela — Você mesma disse para nos revelarmos depois do baile, não é mesmo?
— Sim, depois de amanhã eu mesma revelarei o nosso segredo para todos... — sorriu meiga, ainda acanhada .
— Isso mesmo, amanhã no baile todos saberão que você me pertence, minha princesa... —deslizou os dedos e as palmas por uma maçã quente do rosto de sua menina.
— Me chame de Crystal... — pediu suave, acariciando a mão repousada em sua bochecha. — Não tem porque continuarmos com essas cerimônias...
— Minha Crystal... — a abraçou forte e ela o retribuiu com a mesma devoção com que quase entregou-lhe a inocência na noite passada.
...
— Amanhã, por volta de duas horas após o crepúsculo, minha nave zarpará no porto próximo ao palácio — a imagem do príncipe de cabelos negros apareceu no holograma do quarto dos reis.
— Seja bem-vindo, príncipe Damien. — Helios e Rini sorriram e falaram em coro.
Continua...
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