Notas iniciais
Gente, me perdoem pelo atraso. A fic, aqui no site, está MUITO atrasada... é trabalhoso reeditar os textos em três sites diferentes, eu tô pra ficar maluca. Mas, vamos lá! Espero que gostem do que está por vir. Esse capítulo não está tão longo em relação aos outros, e, só para avisar: hentaizinho básico. Boa leitura!

A Minha Queda Será por Você
Capítulo 55 — Lealdade

Olho de Peixe, Olho de Tigre e Olho de Águia dividiram-se a percorrer o reino para averiguar seu estado. No pulso de cada um, algo semelhante a um relógio piscava luminoso a imagem dos reis, e assim se comunicavam e mostravam as imagens capturadas dos escombros, do aspecto gelado da grande cidade, mesmo a enorme torre vermelha estava coberta por um fino e brilhante véu de gelo, ainda assim, enquanto Peixe caminhava pelo local onde a última batalha ocorrera, ao passar por cima de uma larga fenda no chão, algo chamou-lhe a atenção – o contraste do pouco verde nos tons neutros da destruição – uma flor pequenina a esbanjar suas frágeis folhas e pétalas dançantes com a brisa. O jovenzinho sorriu confortado, ajoelhou-se diante do pequenino milagre e o afagou. Do outro lado da tela, Rini e Helios sorriram emocionados. A lua parecia especialmente brilhosa na gélida noite, tal como as estrelas.

...

Depois de tomar a última golada da sopa, Valkyria respirou fundo e fechou os olhos abatidos.

Não é o melhor jantar do mundo, mas... Hakaru tentou ser engraçado.

Já comi coisa muito pior. respondeu seca.

Imagino. Quer dizer, deixe eu adivinhar... vermes de cemitério tostados?

Valkyria o respondeu com um olhar de reprovação e ele riu incansavelmente até recuperar a postura séria de sempre. Enxugou os olhos lacrimejantes do riso e fitou-a silente.

Onde está Sailor Saturno? ela perguntou enquanto observava o teto disforme da gruta.

Dando uma olhada nos refugiados, ajudando-os a preparar a comida, a agasalharem-se, essas coisas. Hakaru jurou ver através dos fios sobre a face mediúnica um sutil brilho no olhar. E, repentinamente, ela ficou de pé para em seguida encolher-se dolorida não só na perna ferida, mas nas articulações todas. Rápido, ele se levantou e a amparou em seu peito. Aonde você vai? perguntou.

Ajudá-la. disse fracamente. Ainda que de longe...

Você a ajudará mais se ficar de repouso, ela vai precisar do seu suporte nas próximas batalhas.

Não quero você se metendo em qualquer luta futura, Hakaru. Sailor Phantom ergueu o rosto pálido e o encarou diretamente nos olhos Falo sério.

Não pode me proibir Valkyria. demonstrou a mesma firmeza dela.

Você sabe fazer muito barulho, mas no fim das contas é só um humano como todos os que estão escondidos aqui e não possui poderes para derrotar qualquer um dos nossos inimigos.

Hakaru deu um largo passo para trás e ela se desequilibrou completamente, quase caiu sobre o piso áspero, entretanto, o mesmo sujeito que a deixou à deriva proporcionou-lhe um apoio novamente ao segurá-la pelos braços.

Podemos não ter poderes como vocês, mas nós, “pessoas normais”, quando unidas, podemos fazer muito mais do que simples barulho. Muito antes de vocês existirem, famosas guerreiras, nós derrubamos reis e rainhas, mudamos o sistema do mundo, descobrimos a cura de diversas doenças e aprimoramos tecnologias, nós, os “normais”. Cuidado com a sua arrogância. antes que a marinheira fantasmagórica pudesse perceber, o corajoso “civil normal” a segurou no colo e a pôs sentada sobre o chão, com as pernas esticadas. Descanse, você precisa salvar o mundo com os seus poderes, ou melhor, salvar os indivíduos inúteis como eu. Não é mesmo? encaixou as mãos dentro dos bolsos do casaco surrado e começou a se afastar.

Eu não quero você envolvido nessa guerra, Hakaru. insistiu.

Já disse, você não pode me proibir. de costas a ela, manteve a posição diante o assunto.

Eu o amarro se for preciso.

E então, eu e você teremos uma luta. fitou-a de soslaio.

Você não tem chances contra mim. respondeu em tom de desdém.

Então me mate, como você costuma ameaçar que fará. riu.

Por que você insiste em se intrometer em assuntos que não são seus? Vá viver o seu milênio de vida feliz como todas as outras pessoas costumam fazer! bufou Os herdeiros do Milênio de Prata e as Sailor Senshi existem justamente para que vocês possam viver em eterno conforto e você persiste em querer cumprir um papel que não lhe cabe! Pare de querer ser um herói, eu já estou encarregada disso!

Não é justo esse fardo cair nas costas de um pequeno grupo de pessoas só por elas terem nascido com habilidades que eu não possuo, se eu também vivo nesse mundo, tenho o dever de ajudar a cuidar dele. embora já distante, sua voz soava empostada e límpida Não aceitarei nada de mão beijada, Sailor Phantom. Tudo o que tiver que ser meu, será por meu merecimento, inclusive o direito de viver em Tóquio de Cristal. A minha vida não é sua para tomar, se eu tiver que perdê-la em outras mãos, que seja, mas vou lutar até o fim, com as armas que possuo. parou e esperou um contra-argumento, interpretou o silêncio dela como a maquinação de uma resposta sustentável e o que obteve foi:

Idiota. o xingamento tremulou garganta a fora.

Essa é você. uma gargalhada frustrada escapou da garganta ranhosa. Ele finalmente saiu e abandonou-a momentaneamente com seus próprios fantasmas.

O espectro índigo materializou-se à bochecha esbranquiçada e cintilou diante dos olhos verde-azulados. Ela simulou um afago sobre a esfera transparecida e suspirou.

Você não tem que ser assim com ele soou baixo e lamurioso e nem com sua mãe.

Não quero que se aproximem de mim, posso machucá-los, posso machucar qualquer pessoa sem querer, como fiz com você.

Pare de se culpar pelo passado, aquilo não foi sua culpa. a bola começou a crescer até tomar o contorno de um homem. — Você precisa parar de boicotar os seus sentimentos por achar que eles causarão o infortúnio das pessoas...

Quanto mais eu gosto de alguém, mais chances essa pessoa tem de se ferir, pois minhas emoções são muito intensas, eu sei, me conheço bem, convivi o suficiente comigo... abraçou a si própria Quando estou distante, quando amorteço meus sentimentos, as vozes, as visões, tudo adormece e eu tenho paz... A solidão fez de mim controlada, mas enquanto estou aqui, no meio de todas essas pessoas, sou como um vulcão prestes a explodir, e ele... se calou ele tem que parar com isso! fechou as mãos e enrijeceu os dedos, uma das pedras pontiagudas do teto caiu e fez-se em cacos ao tocar o piso Está vendo? massageou as têmporas tentando se acalmar.

Você descobrirá, Valkyria, que a necessidade de aprender a controlar os seus impulsos não é o mesmo que se educar a não sentir nada, até porque você sabe que isso não é possível, não para você. a mão espectral pousou sobre a cabeça de vinho tinto — e você precisa parar de evitar sua mãe.

Você sempre fala isso...

— E é verdade, você deve perder a vergonha que sente.

É impossível... Sempre que olho para minha mãe, penso na felicidade que ela tinha e eu destruí.

Você não destruiu a minha felicidade. — Sailor Saturno surgiu repentina como uma sombra. E então, o fantasma do homem se figurou em esfera novamente Você é minha felicidade. caminhou serenamente até estar ao lado de sua estimada filha, naquele instante tão desamparada, e abraçou-a de lado. Observou o pequeno espectro rodeá-las de cima e sorriu-lhe saudosa Somos mais parecidas do que você imagina... sorriu terna Não me evite mais, Valkyria.

Eu...

Sei que você tem medo, todos temos, mas estar vivo é, por si só, correr certos riscos. apertou o abraço Eu quero correr esses riscos com a minha família, que é você.

Quase Sailor Phantom se rendeu ao apelo, por segundos ela fechou os olhos e se imaginou no contexto familiar, rodeada de entes queridos, porém, seus medos a bloquearam como sempre. Afastou Sailor Saturno de si, levantou-se e em passos mancos, mas rápidos, buscou sua espada ceifadora e fugiu do contato. Sailor Saturno a seguiu e alcançou-lhe o braço. Valkyria soltou-se bruscamente e esbravejou:

Não me toque! Com isso, pedras pontiagudas do teto cristalino sacolejaram. Desesperada, Valkyria ofegou, encaixou as mãos à cabeça e manteve-se a uma distância segura de Hotaru. A mãe, teimosa, insistiu em se aproximar, uma pedra caiu a centímetros do corpo da Guerreira do Silêncio e poderia certamente ter lhe causado uma ferida fatal se por acaso ela se movesse menos depressa. Sailor Phantom arregalou os olhos e cobriu os lábios, pasma consigo mesma. Sailor Saturno insistiu em tentar dar um passo a frente Não! angustiada, a filha suplicou Por favor, não venha! Pela primeira vez, Hotaru viu-a lacrimejar e o choro também invadiu-lhe a garganta e os olhos. Finalmente, o espectro tornou ao ombro da médium melancólica, ela desembainhou a espada e, mesmo ferida, a essa altura com um pouco de sangue escorrendo por baixo das ataduras na perna, apressou o passo para sair daquele lugar. Sailor Saturno tinha em si uma imensa vontade de ir atrás da jovem desorientada, todavia, sentiu-se no dever de respeitar sua vontade, compreendia que Valkyria ainda não estava preparada para conviver com outras pessoas e que era necessário respeitar o seu tempo.

Olho de Águia passeava por uma das ruelas enquanto averiguava o estado geral de reino, até que, adiante, presenciou a tampa prateada de um bueiro levantar voo e uma espada conhecida ser lançada de lá de dentro, em seguida, observou mãos buscarem apoio, até que a dona da espada, com os lisos cabelos cobrindo-lhe o rosto como uma cortina de sangue estancado, saiu moribunda como uma aparição fantasmagórica.

Sailor Phantom! correu até ela e viu-a esticar os braços e as mãos em sua direção num gesto que pedia por afastamento.

Estou bem, estou bem! arfante, ela disse Minha mãe está lá embaixo com os refugiados!

O guardião de Elysium abriu um largo e aliviado sorriso, Valkyria deu-lhe espaço para descer e correu para longe, a caminho da solidão, antiga companheira.

Águia, por sua vez, se espremeu entre a multidão confusa de gente no subsolo cristalizado, afoito, percorreu diversos túneis até encontrar Sailor Saturno a sós com sua foice, a face continha uma mescla de traços de cansaço e tristeza, entretanto, quando a marinheira percebeu a presença dele, esbanjou um sorriso de alívio. Ele, então, correu até ela e a abraçou.

Que bom que você está aqui... Hotaru fechou os olhos e seu corpo amoleceu dentro do enredo Como está Rini?

Preocupada... Insiste em voltar ao reino. alisou os cabelos aveludados. Quer encontrar um meio de salvar rainha Crystal, de libertá-la das garras de príncipe Diamante.

Aconteceu algo inusitado... Hotaru comentou ao relembrar dos últimos combates Mesmo cativa, a rainha tem nos ajudado...

Nós sabemos. Assistimos tudo e sentimos seu poder em Elysium. Nosso medo é Diamante machucá-la por sua irreverência...

Engraçado... roçou a maçã macia no peito ebúrneo do guardião, a palma de uma mão acomodou-se onde o coração palpitava forte Não acho que ele a machucará, acredito que o príncipe tenha sentimentos pela rainha.

E a rainha, terá ainda sentimentos pelo príncipe? Olho de Águia direcionou o olhar ao longe, à passagem escura ao longo do corredor abafado. O silêncio mórbido provocou um arrepio, Sailor Saturno escolheu não dar palpite, por isso, ele quis quebrar a sensação de desconforto: E você?

E eu o quê? elevou os olhos púrpuros de encontro aos dele que cintilavam sorridentes.

Ainda tem sentimentos por mim, ou o tempo em que estivemos separados foi suficiente para esquecer dessa ave aqui? piscou galanteador.

Estamos um pouco adultos para esse tipo de conversa, não? arqueou uma sobrancelha, em seguida riu brevemente. O jeito como ele a olhava insistia por uma resposta, Hotaru corou. Ah, o que é? Se eu responder você vai ficar metido! Deu um tapinha faceiro no ombro dele.

Então a resposta é sim! exatamente como Sailor Saturno dissera, a autoconfiança gritou sua presença nas feições de Olho de Águia e fez com que os olhos da navegante revirassem e ela cruzasse os braços.

— Aff, Olho de Águia, faça-me o favor... virou-se para o outro lado Cresça!

Não. envolveu-a pelas costas, encaixou o queixo sobre o ombro delicado e sua respiração pesada invadiu o ouvido da senshi — Serei sempre o que sou, e vou te contar um segredo... selou os lábios no lóbulo róseo da orelha eriçada: Você gosta de mim assim.

Ei! soltou um riso desconcertado Está me fazendo cócegas! se encolheu em resposta ao arrepio que sentiu diante da provocação. Pare com isso! Ao invés disso, ele a virou de frente para si, a levantou nos braços e girou-a no ar. Águia! disse aos risos, os braços enroscaram-se no pescoço do rapaz.

E eu gosto de você o tom brincalhão adquiriu maturidade, parou e permitiu que as botas da mulher tocassem o chão. do jeito que você é... acariciou-lhe o rosto com ternura, ajeitou os fios negros da franja reta. Hotaru.

Águia... os longos cílios encontraram-se algumas vezes, ligeiros, a boca curvou-se para cima, tímida, as asas lapidadas em mãos contornaram o rosto dela e cativaram-no entre os dedos, as faces aproximaram-se em consonância, as bocas encaixaram-se como se tivessem sido feitas uma para a outra e a vida percorreu dentro deles, dividida em afagos e suspiros.

...

Longe, perdida no meio do oceano revoltado, Mizumi fitava o horizonte tempestuoso e nublado através de uma pequena janela do cômodo da nau.

Estou enjoado... a voz do Black Moon prisioneiro despertou-lhe a atenção.

Tome. Sailor Ocean pegou o primeiro recipiente que encontrou na saleta, uma espécie de balde de metal, e pôs entre as pernas dele Vomite se precisar. Saphiro grunhiu de cabeça baixa Mas que coisa estranha você, um sujeito acostumado a viajar por dimensões diferentes, que já foi do futuro para o passado e vice e versa enjoar logo no mar! caiu no riso.

Nunca estive no mar... confessou em voz baixa.

Ele costuma assustar muitas pessoas... Mizumi comentou O mar é assim, ou você o ama, ou você o odeia por sua natureza selvagem, inconstante, sedutora e misteriosa... ajeitou as longas ondas para trás Como eu. sorriu.

— Por que está sendo gentil comigo? fitou-a intrigado.

Talvez por me sentir sozinha há muito tempo... Talvez porque você é bonito... Não sei. deu de ombros.

Abismado com a capacidade daquela mulher de esbanjar charme mesmo numa situação como aquela, preferiu não dar margem a novos assuntos. Fechou os olhos, respirou vagarosamente a fim de conter a náusea e se acostumar com o balanço insuportável da nave marítima.

“Que esses dias passem depressa...” rogou, abatido e sonolento.

...

Os lustres remanescentes no enorme salão de jantar estavam acesos. O reflexo da luz no cristal provocava efeitos coloridos nas paredes, como se arco-íris brotassem em formatos de imagens de caleidoscópios. A toalha da larga mesa certa vez fora branca, todavia nessa noite manchas acinzentadas desenhavam-se em certos trechos, já os pratos de porcelana brilhavam feito verniz em conjunto aos talheres de prata e às taças de cristal. No centro, Diamante ordenara um Droid a arrumar o dispositivo de holografias e, propositalmente, insistiu que Topázio sentasse ao seu lado esquerdo enquanto Crystal se encontrava ao direito, Jade e Quartzy estiveram à vontade para escolher o assento que preferissem, Onyx jamais viria, Saphiro estava por demais atrasado.

O príncipe desistiu de esperar pelo irmão e fez um sinal à criatura lapidada por Saphiro e Onyx, o Droid trouxe em mãos as peças de vidro que representavam diferentes holografias e por ordem de data começou a encaixá-las na máquina e as transmitir. Nos vídeos, não só Rini, mas Luna, Artêmis, Helios, e mesmo Crystal colecionavam tentativas de contato com o planeta Nemesis e não obtinham respostas. Conforme as imagens se mostravam, um tom de confusão ficava nítido nos olhos de Jade e Quartzy, Topázio mantinha-se inexpressivo e de braços cruzados, ninguém relava na comida vistosa, e por baixo do tampo coberto pela toalha encardida, a mão suada de Crystal apertava entre os dedos a de Diamante.

Qual é o ponto? o cavaleiro dourado se antecipou e perguntou assim que a última holografia teve sua imagem apagada, atropelando o discurso que viria dos lábios do Príncipe Branco.

Eu pergunto a vocês Diamante rebateu qual seria o ponto dessas holografias? fitou cada um de seus súditos restantes.

Isso não faz sentido... Jade comentou angustiada Essa não pode ser a mesma mulher a quem senhorita Ametista odiava! acabara de assistir o discurso de Rini no dia em que ela e Crystal subiram no palanque, que para a sorte de Crystal também estava documentado.

Qual é a prova de que isso é real? Topázio insistiu.

Qual é a prova de que a outra holografia, a que desencadeou todo o conflito, é real? Diamante refutou.

Vossa majestade sugere que esqueçamos tudo o que aconteceu até agora e recomecemos? Topázio não se daria por vencido Acham que os terráqueos lidarão com isso da mesma forma?

Deixem isso comigo. Crystal, otimista, interveio. O importante é desfazermos o mal entendido! Essa guerra não faz sentido algum...

Sugiro uma votação. Diamante demonstrou-se equilibrado acima de qualquer tipo de provocação direta ou indireta Quem de vocês é a favor da continuidade da guerra, e quem é contra?

Contra. Quartzy afirmou certa de suas ideias.

Príncipe Jade, por outro lado, mostrou-se relutante , precisamos da presença de príncipe Saphiro para iniciarmos esse processo.

Jade está certa. Topázio encontrou a oportunidade perfeita de adiar aquele momento Uma votação precisa da presença de todos nós, inclusive de Onyx que nesse momento está encarcerado. Não estaríamos aqui se não fosse pela inteligência dele, apesar de toda a sua loucura.

Curioso você resolver defendê-lo somente agora, poderia ter intercedido por ele antes. Diamante não ficaria por baixo, um meio sorriso formou-se nos lábios pálidos.

Têm razão. Esperemos Saphiro retornar! Mais uma vez, Crystal intercedeu. A mão que apertava a de Diamante afagou-a no intuito de controlar a intemperança do príncipe E, quando ele estiver aqui, podemos dar uma nova chance a Onyx! Diamante a fitou com ares de reprovação, os olhos oceânicos falaram por ela, pedintes por confiança.

Sobre Onyx, pensarei melhor. entretanto, o príncipe tinha gênio Esperemos por Saphiro, não acredito que ele vá demorar muito mais.

...E assim, as três horas seguintes passaram-se demoradas e tão silentes quanto um sepulcro abandonado. Nada de Saphiro. Diamante, impaciente, batia os pés freneticamente no piso de cristal. Crystal e Quartzy olhavam-se preocupadas. Os súditos não poderiam ficar para sempre à espera, sentados em suas cadeiras, olhando o fundo vazio dos pratos de sobremesa. O líder do clã estava na terceira taça de vinho e já não sentia a ardência na garganta quando o líquido travoso lhe descia goela abaixo. De repente, o dourado da armadura ao lado começou a incomodá-lo de tal forma que ele liberou o cavaleiro e a todos que esperavam por Saphiro ao lado dele.

Vão! Assim que Saphiro chegar resolvemos isso. Apoiou o cotovelo sobre a mesa, esquecendo-se da etiqueta, e pousou a testa sobre a mão.

Príncipe... Quartzy levantou-se respeitosamente Eu sei onde príncipe Saphiro está. Posso buscá-lo, esse assunto é de profundo interesse dele, garanto.

Faça isso. suspirou.

Obrigada, Quartzy. Crystal sorriu e acenou ao vê-la partir. Enfim, os regentes ficaram a sós no vasto cômodo. A rainha pôs-se de pé, encaminhou-se às costas do príncipe sentado e massageou-lhe os ombros. Acalme-se... pediu singelamente Vai dar tudo certo... uniu a cabeça à dele e fechou os olhos.

Estou com uma sensação terrível, uma espécie de mau pressentimento. confessou enquanto os músculos do pescoço e ombros relaxavam aos toques amorosos da Marinheira do Amor.

Saphiro está com Hina, Diamante. achou necessário contar.

Hm? ele suspendeu o rosto e virou-o a ela Era isso que Quartzy não queria que eu soubesse? achou graça Que bobagem! finalmente se ergueu e o Droid ajeitou a cadeira a seu respectivo lugar Está explicada a demora, não tenho com o que me preocupar então. tomou carinhosamente o braço de Crystal no enlace do dele Vamos, amanhã pela manhã resolvemos isso, em parte... Há muito caminho a se percorrer.

Estou tão orgulhosa de você, de sua postura... elogiou-o enquanto iam juntos ao quarto, desviando dos cristais atravessados pelo caminho.

Formamos uma dupla e tanto. abraçou-a de lado, pararam quando chegaram à porta Mas creio que a parte mais difícil não seja convencer os meus súditos Crystal.

Eu sei... suspirou pesarosa.

Tampouco os seus... ele completou Acho que a tarefa árdua será conseguir o perdão dos sednianos... o semblante dele enegreceu, não de raiva como outrora, mas de remorso Eu fiz o que fiz, ninguém fez em meu lugar. Eu executei o rei daquele planeta, não me orgulho disso. E, Crystal, eu poderia fazer isso de novo, por impulso... virou o rosto para o lado, as violetas tremularam, em raro instante ele se mostrou vulnerável não perante o mundo, mas perante a si mesmo. Os punhos fechados e frios foram envoltos por palmas quentes, em seguida as maçãs daquela face de mármore rosaram ao toque das mesmas mãos girando-a de volta a frente, ao campo de visão dos olhos terrestres, oníricos e lunares.

Você não vai. a dona dos olhos universais falou com convicção, dentro de um sorriso meigo e despido de qualquer mágoa. Abraçou-o fortemente Estou com você.

Qualquer outra pessoa me renegaria depois de tudo o que fiz, mas você... cingiu-a a si fortemente, como se cingisse a vida ao seu próprio ser. Você está sempre disposta a me dar mais uma chance. Crystal, obrigado! Nada de arrogância, de orgulho, apenas gratidão ecoava pela voz grave e chiada.

Beijaram-se urgentemente, e assim entraram pela porta e bateram-na com firmeza. O amor não poderia esperar para consumar-se outra vez.

...

Quartzy procurou por cada canto do teatro abandonado, averiguou cada camarim, olhou por trás das cortinas e retornou ao palco para ter certeza de que nenhum detalhe lhe escaparia. Até então, acreditava que talvez Saphiro e Sailor Fire tivessem ido a um lugar mais pacato, nada os impedia, até que, no piso de madeira, viu reluzir uma pequena medalha prateada e não teve dúvidas de que ela pertencia à farda do príncipe. Por o chão estar empoeirado, ao se atentar melhor, notou diversas pegadas gravadas na madeira, e também, impressões de mãos, como se algum tipo de embate tivesse ocorrido ali. A bailarina apertou entre os dedos a medalha e engoliu seco, amedrontada.

...

Sailor Ocean ouviu batidas na porta, Saphiro, já acostumado ao leve gingado do barco sobre a água, levantou o rosto e atentou-se à maçaneta girando. Assim que a porta se abriu, Sailor Nature entrou e, logo atrás, veio Sailor Fire de cabeça baixa.

Mizumi, Sailor Fire gostaria de ter um momento a sós com ele. antes que a guerreira conhecida como sereia dissesse qualquer coisa, Reiko apelou: Você sabe como isso é importante para ela, por favor, não negue isso à Hina, ela o esperou por tanto tempo... fitou-o de lado Você entende, não é mesmo?

Mizumi voltou-se a Saphiro, depois a Hina. Suspirou.

Quem sou eu para impedir a despedida de dois amantes? aproximou-se da marinheira de fogo Você sabe, não é Sailor Fire? Vocês não podem mais ser o que eram antes um para o outro viu os olhos de esmeralda marejarem e assemelharem-se ao mar em dia de ressaca, cativou-lhe as mãos e sussurrou: Você tem uma hora, tire o máximo que puder disso e assim não terá nenhum arrependimento. tirou o balde vazio que estava entre as pernas amarradas do prisioneiro para deixá-los mais à vontade.

Obrigada... chorosa e humilde agradeceu.

As companheiras de batalha saíram do cárcere improvisado e deram privacidade aos namorados de tempos passados. Saphiro, calado, observou-a a olhá-lo tristemente e esperou que algo viesse dela, o gesto que se seguiu foi Sailor Fire atirando-se sobre o corpo aprisionado do príncipe, abraçando-o e chorando até soluçar.

Hina, isso não é culpa sua, não fique assim... sereno, tentou confortá-la.

Eu preciso tirar você daqui! segurou as ligas metálicas que trançavam os pulsos de Saphiro às costas e tentou rompê-las desesperadamente Vou ajudá-lo a fugir! Eu vou...

Não! exclamou e encarou-a rígido Não, Hina. impôs-se Você não fará nada, está me entendendo?

Mas...

Você é uma guerreira da Lua Branca, onde está a sua lealdade? questionou repressor.

Eu amo você! segurou-lhe o rosto, afoita. Depois roçou as mãos trementes pelos braços cativos, tocou-lhe as mãos e massageou-lhes o dorso Não me importo se me punirem por isso, mas não posso deixar que algo aconteça com você! Eu não posso te perder, Saphiro! o medo era tamanho que se sobrepunha à timidez latente, pela primeira vez ela não estava vermelha de vergonha, mas de desespero Eu preciso tirar você daqui! tornou ao semblante, acariciou-lhe as bochechas, depositou um beijo sobre o hematoma deixado pela bofetada que Doryan dera no Black Moon.

Eu não quero que você faça isso Hina uniu a testa à dela porque não posso deixar que algo aconteça com você também. Também a amo, lembra? sorriu em sutileza.

Não, você pode dizer o que quiser! Eu vou te soltar, eu vou te tirar daqui! com certo esforço e pela quentura das palmas, conseguiu desfazer o nó que o amarrava pelas mãos e o nó que prendia-lhe os tornozelos nas pernas do banco acolchoado, no entanto o tom autoritário não lhe servia, soava mais desajeitada do que firme.

Você pode ter desamarrado minhas mãos e meus pés, mas não pode me obrigar a sair daqui, e eu não irei, Hina. permaneceu sentado a fechar e abrir as mãos para sentir a circulação do sangue.

Você tem que ir, pense no seu irmão! apelou Você falou de lealdade, lembra?! Se ficar aqui, será usado como moeda de troca! Isso não vai prejudicar Diamante? Pense! apertou os dedos dele entre os próprios e balançou a cabeça em diversos sinais de “sim”, um atrás do outro, Saphiro segurou-a para controlá-la. Contemplou-a atentamente e penteou-lhe os cachos ruivos, ela cativou novamente as mãos protegidas pelas luvas azuis, o sorriso permanente nos lábios dele a assombrava.

Eu fico, por você, por minha lealdade a você. contornou cuidadosamente os lábios estremecidos com o dedo indicador e pressionou-os quando ela os entreabriu para falar qualquer coisa Toda a minha vida dediquei a meu irmão por ser a única pessoa que eu tinha, mas isso mudou há muito tempo, desde que eu entrei naquele coreto de vidro e a vi tocar piano pela primeira vez. Meu irmão não é a pessoa a quem mais preciso proteger, é você. E... Por você, aceito o destino que vier, Hina. Beijou-lhe os olhos molhados É uma pena não podermos viver aquele final feliz que você previu, mas mesmo assim, não me arrependo de nada...

Não diga isso, nós ainda podemos... entre um soluço e outro ela tentou insistir, mas as espessas lágrimas selaram seus olhos e a franja tratou de cobri-los. Saphiro a acomodou em seu peito e afagou-lhe os longos cabelos como se tentasse acalmar uma criança em corpo de mulher.

Ainda me lembro de nossa última despedida... beijou-lhe o topo da cabeça e afagou os ombros agitados.

Eu não quero me despedir! protestou manhosa Estou cansada de dizer adeus a você!

Então não diga... não diga nada, não é preciso. puxou-a jeitosamente a seu colo. Olharam-se intensamente, o azul contrastava com o verde na penumbra da saleta, às vezes trovejava do lado de fora e o brilho quase os cegava, eles sentiam a respiração quente um do outro e por isso não sentiam frio. O coração dela batucava esbaforido, os seios subiam e desciam atormentados até a mão de Saphiro pousar sobre o broche vermelho e apará-lo. Hina, cuidadosamente, livrou-o primeiro de uma luva e depois de outra, para depois depositar um ósculo delicado em cada mão. Será que posso... beijá-la mais uma vez? ele recordava até da frase que dissera em seu último dia como hóspede em Tóquio de Cristal, e o ato de repeti-la foi como acertar uma flecha no peito de sua querida ruivinha.

Diferentemente de quando era uma adolescente sonhadora, Hina, atacou-o com um beijo quase sufocante, o banco em que estavam sentados cambaleou, por pouco não caíram. Saphiro, de início, não conseguiu reagir de tão entorpecido que ficou com a ação dela. Os olhos cerraram-se e o príncipe se deixou levar pela língua morna e encharcada a acarinhar a sua. Já não sentia o embalo da nau, tampouco pensava sobre o fato de estar em alto mar. Apalpou a cintura curvilínea, ela gemeu baixinho em resposta. Ele a ergueu consigo, e, vagaroso, a repousou sobre o chão. Com o mesmo cuidado, desceu as mãos pelas laterais das coxas, pelas pernas, até livrá-la das botas de cano alto. As mãos dela caminhavam pelo seu peito, faziam as medalhas tilintarem, certas vezes algumas lágrimas ainda rolavam pelos cantos dos olhos dela, a cada gotícula que escapava, Saphiro beijava-lhe a boca demoradamente, até que ela percebesse que ele já se livrara da farda e jogara-a em um canto. A camisa social lilás ela fez questão de desabotoar por ele, às vezes a tremedeira a atrapalhava um pouco, porém ela não permitiu que ele a ajudasse. Quis despir-lhe até o umbigo e contemplar o mesmo corpo, o primeiro e único que viu despido a sua frente. Como ela fizera antes, Saphiro tirou-lhe as luvas e quase desmontou-se quando os dedos delicados percorreram pelo desenho de sua barriga e peito leitosos, logo após, os mesmos dedos passaram por suas costas, quentes como toda ela sempre foi, e puxaram-no para perto. Os corpos se roçavam e afastavam como ondulações, e o nemesiano, cada vez mais ansioso, segurou o broche de transformação e o arrancou num ímpeto repentino, depois de sua atitude, ele próprio ruborizou discretamente. Viu-se diante de uma mulher enrolada em fitas vermelhas. Sim, uma mulher, enfim. As curvas acentuaram-se com os anos, os seios tomaram volume, bem como as pernas, as ancas... como a Vênus saída da concha, representada no famoso quadro. Perfeita. A boca dele entreabriu-se e todas as articulações enrilharam, o sangue ferveu, algo entre as pernas latejou e o fez mordiscar o lábio inferior na tentativa de se conter. Diferentemente de outra época, Hina não tentou se cobrir, ainda que se sentisse envergonhada, pelo contrário, ela conduziu os dedos de Saphiro a desenrolarem as fitas e revelarem-na por inteiro, depois fechou os olhos, inclinou a cabeça para trás e esperou pelo que viria futuramente... beijos quentes em seu pescoço, o rastro macio dos lábios e do ápice da língua dele por seus ombros, por seus montes rijos, pelos anéis rosados e intumescidos. Sentia-o tremer e arfar, tal como ela, isso ao menos não mudaria entre eles, o casal pudico e tímido, que em todo encontro precisavam superar suas limitações... e conseguiam. A mesma língua, um pouco mais atrevida, circulou o umbigo e desceu em suspense. Hina escancarou as pernas rijas e encolheu os dedos dos pés. O corpo arqueou assim que o Black Moon experimentou-lhe a essência do calor e ali se demorou, as mãos dele apertaram as coxas torneadas e rosadas, impedindo-as de se fecharem num repente. As unhas de Sailor Fire arrastaram-se pelo piso enquanto seu corpo serpenteava descontrolado e ela se concentrava na tentativa de reprimir os gemidos, contudo, quando a língua invadiu completamente seu interior e lá deu piruetas não houve mais meio de segurar os apetites, a marinheira quase se sentou e abraçou-se à cabeça do príncipe, os dedos laçaram-se nos cabelos azuis, ela toda entrou em espasmo e ele, instintivamente, compreendeu o que acontecia. Aproveitou-se de que ela estava praticamente sentada, sentou-se também, aceitou o auxílio da antiga namorada ao tirar a calça, as meias e os sapatos brancos. Ofegantes, se admiraram em correspondência. A mão desejosa e inflamável tomou a virilidade de Saphiro com vontade, fazendo sua voz ecoar surpresa e deslumbrada, as safiras reviraram-se dentro das órbitas e ele quase desmontou como um boneco nos braços dela.

Assim como os espíritos, os corpos enlaçaram-se uma vez mais, jogados ao piso. Afoito, Saphiro teve de se esquecer das boas maneiras e, em consonância a um trovão assombroso que ecoou próximo e os cegou momentaneamente, adentrou a fenda estreita e foi recebido entre palpitações e apertos num longo beijo. Cada mergulho seu dentro dela o trepidava por inteiro. Precisou parar por instantes, roçar o nariz ao dela e aspirar a sua respiração. As mãos, dando-lhe suporte, firmavam-se a espremer o pavimento.

Hina... ciciou chiado enquanto ela vergou o ventre à frente e moveu-o dentro dela, além de em brasa, as paredes macias embebiam-se no néctar dela e afogavam-no.

A força nos braços se foi, uma vez mais os corpos, agora úmidos, atracaram-se. Não fazia ideia de quanto tempo ainda tinham juntos, portanto deu tudo de si por aquele ato. Sustentou-a pelas nádegas, descolando-as do chão, e saracoteou-se em diferentes direções, ora quase na entrada, ora nas profundezas da essência da Sailor. Ela, para camuflar os gritos que lhe queriam escapar, beijava-o alucinada, repuxava-lhe o beiço de baixo, ele retribuía à altura, e acabavam por lambuzarem-se. Às vezes ele sentia o gosto salgado de uma lágrima e a bebia, tomava cada parte da guerreira para si, de modo que nenhum gosto lhe escapasse do paladar sofisticado. As unhas a percorrerem-lhe a pele do peito, da barriga, das costas e dos braços eriçavam-no por completo, Saphiro já não conseguia mais refrear os impulsos. Depois de um forte espasmo, derramou-se dentro da amada, e ao mesmo tempo, derramou-se em cima dela, pesou sobre os seios amassados, dividiu a tremedeira, ouviu-a ofegar no mesmo ritmo em que ele, e por um bom tempo, tudo o que ambos ouviram um do outro foram os arpejos das respirações quebradiças.

Olhe para você... recompondo-se ainda, quando a força ressurgiu, ele se ergueu de leve para poder maravilhar-se com o corpo crescido dela. Uma mulher feita... mas ainda era a mesma, bastou Saphiro fazer o comentário e ela virou o rosto ao lado, permitindo que os cabelos o cobrissem e disfarçassem a vermelhidão. Mas uma menina por dentro. concluiu a segurar-lhe carinhosamente o queixo e induzi-la a olhá-lo novamente É exatamente isso o que me encanta em você.

O que será de nós agora? mostrou-se preocupada, sempre esteve, mesmo no ápice da entrega.

Que palavras escolher? Saphiro optou por nenhuma. Simplesmente a aconchegou em um enlace conformado e quieto, dividiram o calor por alguns momentos mais, até serem obrigados a se recomporem, pois as batidas à porta trouxeram a lembrança de que aquela hora não duraria para sempre. Sailor Ocean não reclamou ao ver Saphiro desamarrado e foi cúmplice de Sailor Fire nesse segredo. Deu um jeito de arranjar outro par de fios metálicos para cativá-lo, e o príncipe não se deu o trabalho de lutar para desvencilhar-se. Os amantes trocaram o último olhar e suspiro apaixonado, e assim, a porta se fechou.

Eu sinto muito... depois que Hina já não estava presente, Mizumi sussurrou com pesar Sempre torci para que vocês ficassem juntos, de verdade.

“Mesmo se não fosse para acontecer, nós faríamos acontecer” Saphiro respondeu em pensamentos e fitou a porta num sorriso melancólico “Não importa o que aconteça, Hina, pertencemos um ao outro”.

...

O dia amanheceu e foi à luz dos primeiros raios dourados de sol que Quartzy, exausta de procurar Saphiro pelo reino, retornou ao palácio de cristal. Ela sabia que Diamante e Crystal ainda dormiam, mesmo assim materializou-se no ninho amoroso dos dois. Contemplou-os enlaçados, cobertos apenas pelos lençóis de cetim, aparentavam serenidade apesar de todos os obstáculos diários.

“Eu não queria estragar isso, juro que não queria...” o coração deu um solavanco amargo, ela analisou a medalha de prata fulgindo na palma “mas não tenho escolha... príncipe Saphiro...” as pernas cambaleavam.

Quartzy? Diamante, antes que ela tivesse a oportunidade de se manifestar, acordara e a encarava O que faz aqui? e previamente à resposta falada, as violetas severas depararam-se à resposta imagética: a medalha de Saphiro resplandecendo à mão da súdita. O soberano da família Black Moon poderia lançar inúmeras perguntas, e de nada adiantaria, porque a face assombrada da moçoila falava por si só. Ele gelou por dentro, fitou a rainha ainda adormecida em seus braços, fitou a medalha e decretou, sem pena de acordar quem dormia ao lado: Quero uma busca por todos os becos, por cada canto desse reino, já!

O quê?! assustada, Crystal sentou-se ainda tentando raciocinar o que acontecia a sua volta, sonolenta. Quartzy? roçou os olhos preguiçosos O que aconteceu?

Diamante, rigoroso como um inverno manteve-se estático, não prestara atenção nas perguntas, os olhos dele focavam-se naquela coisinha brilhando na mão da nemesiana. Crystal, ainda confusa, tocou-lhe o ombro e o príncipe permaneceu no estado apático em que estava.

Príncipe Saphiro está desaparecido, majestade. Quartzy teve a bondade de explicar, e Crystal dividiu com ela a mesma sensação de pavor.

Diamante não se importou com a presença da serva, levantou-se do jeito como estava, nu, e caminhou em passos pesados até o cabideiro onde suas roupas estavam penduradas. Ali mesmo se vestiu e adornou-se com a capa imponente, saiu do quarto sem se despedir, deixando as duas mulheres a trocarem olhares preocupados e palpitações aceleradas.

Em seu íntimo, Crystal temeu pelo futuro, pela possível reação de Diamante a partir dali, porém insistiu em acreditar que tudo terminaria bem.

...

O sol esquentou a face de Saphiro e fê-lo sentir-se tão desconfortável que não conseguiu mais dormir, embora estivesse estafado. Ao olhar a sua frente, tomou um susto por reparar quem era seu novo carcereiro.

Chegou aos ouvidos do rei que Sailor Ocean permitiu uma visita sem o devido consentimento. Enquanto discute-se quem ficará aqui para vigiá-lo, eu tomei posto. disse o mesmo homem que da outra vez o esbofeteou e teria feito pior se ninguém o tivesse impedido. Irmão do tal príncipe Diamante, não é? Como será que ele se sentiria se algo de ruim acontecesse ao único parente que ele tem?

Se me matar, o seu irmão não conseguirá cumprir o objetivo desejado.

Tem razão, não posso matá-lo... Mas isso não significa que tenha que devolvê-lo inteiro.

Demonstrar temor pioraria a situação, por isso Saphiro respirou fundo e manteve a compostura. Príncipe Doryan guardava dentro dos olhos azuis uma tormenta de rancor.

Continua...

Notas finais
Pessoal, me perdoem se houver qualquer errinho de formatação... estou quase dormindo em cima do PC, mas precisava postar o capítulo. Em breve venho postar os outros. Kissus!