Notas iniciais
Oi gente!!! Confesso que demorei a vir aqui no Nyah postar um novo capítulo porque fiquei com preguiça... O que acontece é que eu formato direitinho o texto, aí quando passo para cá vem tudo desorganizado, e dá um trabalho danado reorganizar tudo denovo... Fora as outras ocupações, inscrição na faculdade, viagens de férias, enfim... Mas agora estou de volta!

A minha queda será por você

Capítulo 2 — Forasteiros

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- Então o nome de sua famíla é Black Moon? – era tão curiosa quanto uma criança que queria muito ouvir alguma história.

- Sim... Bem, é o que posso dizer no momento. – ainda atordoado, tirou a capa e jogou-a sobre o baixo feno para poder sentar e não sujar seus trajes brancos. – Acho melhor não falar muito mais do que isso, ao menos por enquanto, até porque estou cansado...

- Ah sim, me desculpe... – ficou sem jeito, notara que já perguntara tanto a ponto de ser inconveniente, nem se dera conta de quanto tempo havia passado desde que o levara para aquele balcão, o sol da tarde já estava quente, logo seria o horário do almoço.

Ele a fitava em silêncio, porém desviava dos olhos azuis, parecia focar-se nos fios castanhos que eram o único diferencial daquela garota, todo o resto era a réplica da mulher por quem dera a vida. Passou a mão pelo abdome novamente, não doía mais como antes, na verdade a dor quase não existia mais, ao menos não a física, mas sua mente parecia dar leves voltas, ainda buscava entender o que estava acontecendo e se realmente era real, ou um sonho dentro da morte, um mundo paralelo, tudo era possível.

O sol, quando tocava as madeixas castanhas refletiam um brilho realmente belo, era linda... O príncipe sacudiu a cabeça tentando não pensar, ou melhor, não se atentar a esses detalhes, a menina não era Ela, Aquela, apesar de possivelmente ser a reencarnação.

- Ainda dói? – a voz doce o trouxe de volta das divagações.

- Ah, não... Estou melhor, princesa. – pela primeira vez, tentou abrir um sorriso, mesmo mórbido.

- Eu preciso ir agora, se não estiver no palácio para almoçar minha mãe ficará brava, e francamente, ela tem motivos de sobra, não tenho me comportado muito bem ultimamente sabe... – riu levemente – Mas, por favor, não vá embora! Eu posso trazer algumas guloseimas para você, e também, trarei alguns livros de história para atualizá-lo sobre os acontecimentos sobre a Terra, talvez você goste e...

- Não se preocupe, não tenho mesmo para onde ir, não sairei daqui. – interrompeu-a ao notar que falaria como uma máquina, aquela empolgação o perturbava um pouco.

- É... Bem, então devo partir agora, mas eu volto! – ela se levantou, estava sentada ao lado dele até o momento.

A observou sair pela porta, afoita, provavelmente preocupada por conta do horário, agradeceu-a em pensamento mas era orgulhoso demais para falar, ou talvez só estivesse tão confuso a ponto de não conseguir falar nada, mas apenas tentar entender.

"Crystal, neta de Sailor Moon..." – pensava.

- Filha do coelho! – enfim, raciocinou – Então aquela menina que caçávamos agora é uma mulher – não conteve um riso – Mas que coisa... O que ela pensaria se soubesse que regressei?

"Por que regressei?" – Foi o último questionamento e único, não conseguia apartar-se da pergunta, nem mesmo tinha certeza de que estava vivo, talvez fosse apenas uma assombração. Que destino triste, vagar pelo reino que um dia tentara conquistar...

- Ai caramba! – Crystal corria por entre os arbustos até alcançar finalmente a cidade: arranha-céus e casas esculpidos de cristal, ruas arborizadas, praças com estátuas esculpidas, mesmo as calçadas e ruas pareciam lapidadas em vidro espesso. As pessoas a fitavam surpresas, todos sabiam quem ela era, apontavam-na surpresos e a menina acenava, sorrindo desajeitada.

- Princesa Crystal? – a jovem morena, que saia de uma loja com sacolas de compra a via passar.

- Reiko, você é um anjo! – abraçou a amiga, quase sufocando-a – Escute, para todos os efeitos, fui à loja com você para ajudá-la a escolher os vestidos!

- Mas... – a morena piscou os olhos, confusa.

- Vamos voltar juntas! – uniu seu braço ao da garota.

- Espere, princesa...

- O que foi? Ah, por favor Reiko, não me dedure! Não posso contar onde estava, é segredo! Você entende não é? Não seja como a Marine, vá! – tentou soar o mais convincente o possível, fazia bico e entristecia os olhos.

A outra, a arquear uma das sobrancelhas e a entortar os lábios, passou a mão pela franja de Crystal e de seus cabelos tirou três finos pedaços dourados de capim.

- Se quer guardar segredo faça direito, não deixe provas sua boba! – riu – Bem, só não contarei a ninguém porque suspeito que haja um belo rapaz nessa história e sei que se um dia acontecer comigo, fará o mesmo por mim. Agora, vamos!

A princesa suspirou aliviada, seria uma bronca a menos. As duas foram de braços dados até o local onde um trem passava, percorria todo o reino em uma pista alta, a alguns metros da superfície, assim permitia que os passageiros tivessem uma bela visão das cidades, das luzes e dos campos, era rápido, em menos de alguns minutos parava próximo aos portões do palácio, a partir dali, somente alguns podiam adentrar o belo paraíso real.

- Estavam fazendo compras até agora? Esqueceram-se de que há horário para almoçar? – a mulher de cabelos prateados as surpreendeu nos caminhos de pedra do enorme jardim.

-Ah, bem... – as duas começariam as explicações e desculpas.

- Ora, Sailor Wind, dê uma folga! Hoje, por um evento especial, o banquete sairá mais tarde – uma guerreira de longos cabelos ondulados, verde-água bem claro, aproximou-se, seu tom de voz era totalmente adverso ao da outra, era suave como a maresia.

- Sailor Ocean, como ela é bonita... – a morena suspirou, no fundo gostaria de ser como aquela mulher, sabia que uma fila de homens a desejavam.

- Evento especial, o que seria? – Crystal perguntou, confusa.

- Ah, estão chegando alguns visitantes! – A bela mulher disse, sorrindo.

- Visitantes? Será que são homens bonitos? Ai, meu Deus! Preciso me arrumar! – Reiko partiu em uma velocidade incrível.

Crystal e Sailor Ocean riram juntas, Sailor Wind não demonstrou o mesmo bom humor, afastou-se das outras para retornar ao salão do belo palácio.

- Bem, princesa, sugiro que se arrume também. Reiko tem razão, quem sabe não são belos rapazes? – piscou.

- Sim... – a jovenzinha sorriu e também andou até o palácio.

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A família real aprontou-se, assim como todas as belas jovens que ali viviam, juntas em um salão escolheram belos vestidos, uma ajudou a outra a arrumar os cabelos até sentirem-se lindas a ponto de ficarem enfileiradas no enorme salão real, parecia ainda maior por todas as suas paredes serem brancas e também pela bela cúpula espelhada no teto, com as imagens das antigas guerreiras e dos reis esculpidas pelos cantos das paredes. No centro ficavam os dois tronos onde Rini e Helios sentavam-se, ao lado da rainha, de pé a apoiar uma das mãos sobre o braço do trono, ficava Crystal, trajando um vestido branco de gala, levemente parecido com o de sua mãe, não muito longe estava Hina, a jovenzinha ruiva, seus cachos pareciam ainda melhor enrolados naquela tarde, ao seu lado estava Mizumi, a Sailor Ocean, parecia uma sereia naquele vestido azul claro o qual usava, na direção oposta, a do rei, estavam Marine e Reiko, a morena era a mais empolgada de todas as presentes.

As enormes portas abriram-se devagar, por trás delas surgia Yumi, a Sailor Wind, estava muito mais feminina do que o normal em seu vestido prateado e longo, com uma abertura lateral expondo uma de suas pernas, Mizumi não conteve um pequeno riso ao vê-la naqueles trajes incomuns ao seu estilo, por trás da séria guerreira, três homens vinham em calma até o salão.

O trio caminhava até estar enfrente aos dois governantes, então curvavam-se em reverência sincronizada. O homen do meio possuía belos cabelos ondulados e dourados que caiam por sobre os ombros, o que estava à sua direita tinha os fios rosados e rebeldes, arrepiados para cima, o da esquerda era delicado, na verdade, andrógeno, seus cabelos azuis claros vinham até o meio das costas e eram presos em um rabo de cavalo baixo. Todos usavam fardas brancas com algumas medalhas prateadas espalhadas pelo peitoral, o louro usava uma capa cinza bem clara.

- Pegasus, quer dizer, agora rei Helios do reino Tóquio de Cristal, há quanto tempo! – o homem do meio falou.

- Olho de Tigre, Olho de Águia e Olho de Peixe, fico feliz em revê-los! Como foi a estadia no mundo dos sonhos durante todos esses anos? – o rei sorria e levantava-se do trono.

"Minha nossa, mas que homem lindo, meu pressentimento não estava errado!" – Os olhos púrpuras de Reiko brilharam quando encontraram aquele belo homem imponente, ficou tão encantada que não foi capaz de notar que o olhar dele não se direcionou à ela, mas a jovem loura que estava ao seu lado.

- Majestade, do mundo dos sonhos fomos capazes de notar certa agitação entre ilusão e realidade, isso aconteceu ontem à noite para ser exato. – Águia ergueu-se e falou.

- Agitação entre ilusão e realidade? Mas como? – a rainha pareceu confusa.

- Não sabemos dizer, mas há algo muito errado acontecendo, majestades... É como se fosse um aviso de que há algo que não deveria ter acontecido, algo não natural. De umas horas para cá o cenário do mundo que viemos começou a se distorcer, em alguns momentos pareceu que nos engoliria, por isso não tivemos escolha senão vir comunicá-lo, rei Helios, está fora de nosso alcance fazer algo para conter, não possuímos o cristal dourado. – Peixe emitiu a sua voz aguda e suave, quase possível confundir com a de uma mulher.

Helios baixou o olhar e colocou uma das mãos sobre o queixo, pensativo. Fitou sua rainha, seus olhos dourados demonstravam certa seriedade, parecia o presságio de uma má notícia, talvez a que ela mais temia, foi pensando nisso que os olhos rubros da mulher estremeceram.

- Helios... – tocou a mão dele, preocupada.

- Rini, vá com as outras para a mesa de almoço, enquanto isso converso com os meus guardiões...

- Isso não é justo, não me deixe de fora!

- Rini, por favor...

Crystal sentiu-se apreensiva, assim como todas as outras, mas ela mais do que qualquer um enxergou a angústia no olhar da governante, talvez porque fosse sua mãe. Rini respirou fundo e levantou-se, fitou cada uma das garotas como se dissesse para que a acompanhassem, Reiko ainda parecia entorpecida, Marine analisava os três homens com atenção como se tentasse ligar suas aparências a personagens que já encontrara nos livros de estudo da história, Hina, tímida como sempre fora, saía do salão a fitar o chão, as últimas, Yumi e Mizumi, saiam juntas, a guerreira dos mares sequer percebeu que um daqueles guardiões, o de cabelos rebeldes, direcionara um olhar para ela.

Encaminharam-se à grande sala de jantar e todas sentaram à mesa, o banquete já estava servido, mas nenhuma delas fez menção a tocar em um garfo antes que o rei chegasse, exceto Crystal, que foi severamente repreendida pela mãe. O silêncio angustiava, os pensamentos negativos também, a princesa notava sua mãe a olhar para a cadeira da cabeceira que estava vazia, tentava confortá-la ao tocar sua mão, a rainha a respondia com um sorriso breve, seco.

Passados alguns minutos, os quatro homens entraram juntos na sala, o rei sentou-se em seu lugar, os visitantes nas cadeiras que lhes foram reservadas. O soberano recebeu olhares preocupados e curiosos de todas aquelas que estavam a esperá-lo, inclusive de sua esposa, nada disse, apenas ajeitou o guardanapo em seu colo, os talheres em suas mãos e sorriu.

- Bem, vamos nos servir. – a rainha deu a carta branca.

Enfim almoçaram, a comida estava deliciosa como todos os dias, dificilmente se repetia um prato na semana. Crystal tentava arquitetar uma maneira de surrupiar um pouco daquelas delícias para levar ao inquilino de seu refúgio, mas na frente de toda aquela gente seria difícil. Esperou que todos terminassem de comer, que os empregados levassem as sobras para a cozinha, acompanhando-os, só precisou pegar algumas gostosuras, inclusive pedaços de bolo da sobremesa, e colocar em uma cesta a qual cobriu com um pano. Saiu pelos fundos a olhar para os lados, como não viu ninguém, sentiu-se livre para sair em passos largos e partir para o lugar de sempre, só não foi atenta o suficiente para ver Hina, que vinha do coreto onde se refugiava, a menina apenas a acompanhou com os olhos verdes curiosos, mas não a seguiu.

Em passos rápidos, já em seu paraíso, foi de encontro ao galpão, ao adentrá-lo não encontrou ninguém.

- Essa não, ele se foi! – repousou a cesta no colo quando caiu sentada, olhou para o lado e viu a capa do homem no lugar onde ele deixara mais cedo. Deixou a cesta e foi até ela, tocou o seu tecido, passou as mãos pela peça e a segurou. – Puxa, mas ele disse que...

- Não iria a lugar algum. – a voz grave junto à sombra dele que surgiu na parede de madeira a fez virar o rosto e ruborizar imediatamente.

- Ah, sim! Que bom, por um momento pensei que... – sorriu desajeitada – Deixa pra lá! Veja, trouxe algumas coisas para você! – foi até a cesta, pegou-a toda desajeitada, quase derrubando-a por um momento.

Em um reflexo, ele colocou as mãos por baixo, apoiando o objeto e acidentalmente, encontrando as dela, quentes e pequeninas. Seus olhares cruzaram-se outra vez, ambos sentiram-se desconsertados e acabaram por fitar direções opostas.

- Obrigado, mas o que é isso? – ele disse, mantendo a compostura e tomando a cesta para si com cuidado.

- É comida, trouxe até sobremesa! – sorriu empolgada, só faltava pedir por uma estrela de bom comportamento.

Ele tirou o lenço que cobria os quitutes e se deparou com alimentos realmente belos, atraiam os olhos para a vontade de comer. Lembrara-se que em seu planeta, todos comiam pela necessidade de sobreviver e não pelo prazer de apreciar o sabor, inclusive os único sabores que ele sabia apreciar eram o do vinho e o da conquista. Sentou-se sobre a sua capa, e enfim experimentou aquela comida que parecia tão saborosa, e realmente era. Fechou lentamente os olhos, apreciando o gosto, parecia que ao alimentar-se a sensação de estar vivo era mais nítida, era reconfortante de alguma forma, bastava não se lembrar das circunstâncias em que se encontrava e tudo parecia muito bem.

Ela o olhava, e sem querer permitiu-se demonstrar a admiração que sentia em um pequeno sorriso, não conseguia parar de olhá-lo.

- O que foi? – ele perguntou, enquanto limpava os lábios com um guardanapo que a princesa também colocara na cesta.

- Ah, não é nada! – o rosto dela nunca esteve tão vermelho. – É que... Nada! – sacudiu a cabeça.

- Você é um anjo, princesa Crystal. – outro pequeno sorriso, como outrora.

- Você é lindo... – deixou escapar, foi como se não conseguisse controlar ao vê-lo sorrir daquele jeito.

- Hum? – piscou os olhos levemente.

- Ah, bem, tenho que ir! Acabei de lembrar que tenho que fazer uma coisa! Sinto muito, adeus! – nunca sentira tamanha vergonha na vida, levantou-se num súbito que seu pé prendeu em um pedaço de feno e ela quase levou um tombo feio por conta da falta de jeito, mas o príncipe a segurou com rapidez nos braços, de pé às costas dela.

- Quando a vejo novamente? – perguntou, ajudando-a a manter-se de pé e virando-a de frente para ele.

- Ah, eu... – os olhos azuis arregalaram-se, o coração batia tão acelerado que talvez o príncipe fosse capaz de senti-lo.

"Está acontecendo, meu coração parece que vai explodir, será que é ..."

- Eu... volto... amanhã. – respirou fundo e abriu novamente um sorriso – Tenho que lhe arranjar alguns cobertores, para ficar mais confortável!

Ainda a tinha nos braços, por um momento sentiu-se tentado a concretizar com ela seu sonho frustrado de beijar a sua rainha de Tóquio de Cristal, a antiga rainha. Apertou levemente aqueles braços frágeis, fazendo-a ficar mais próxima, quase surrupiando todo o ar que ela tinha.

- São tão parecidas... – sussurrou, e em seguida a soltou – Eu sinto muito, me desculpe por isso.

Ela ficou parada no mesmo lugar, ainda com o coração a saltitar dentro do peito. Depois de uma longa puxada de ar ela balançou a cabeça como se assim quisesse dizer "Não foi nada", quando tornou a olhá-lo, o príncipe já estava acomodado sobre a capa, com as costas apoiadas na parede.

- Até amanhã, príncipe. – despediu-se mais calma e partiu da cabana, nos passos apressados de sempre, colocava a mão sobre o busto como se tentasse conter as batidas, sentia até uma fraca dormência nas extremidades dos dedos, as pernas pareciam que iriam cambalear, estava eufórica.

"Será que é ele? Eu o esperei por tanto tempo... É ele o meu príncipe?" – sorria e suspirava enquanto corria e quase rodopiava.

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- Helios, agora você pode me contar o que conversaram mais cedo? – Rini ao entrar no quarto, deparou-se com seu marido sentado na ponta da cama.

Ele se levantou da cama em silêncio e caminhou em direção à ela, aquela seriedade em seu semblante era arrepiante. A mulher engoliu seco, mas ao sentir uma das mãos de seu amado a percorrer sua face, fechou os olhos tentando relaxar.

O dedo indicador repousou sobre os lábios rosados e contornou-os, enquanto a outra mão que estava livre envolveu a sua nuca.

- Você sempre quis tornar-se uma bela mulher, lembra-se?

- É verdade... – ela sorriu.

- Você conseguiu, não duvide. – aproximou mais o rosto ao dela – É a mulher mais bela que já vi .

- Ah, Helios... – segurou a mão que repousava em seus lábios e a colocou em seu rosto – Fiquei tão feliz quando você apareceu, mesmo depois de tantos anos, nunca amei outro homem além de você. Será que somos como meus pais, prometidos para a eternidade?

- Minha querida, eu tenho certeza de que a eternidade é pouco tempo para nós – ele sorriu e enfim a beijou, não era um beijo avassalador, mas nem por isso deixava de ser apaixonado.

Ao cessarem o beijo, permaneceram abraçados, ambos de olhos fechados, queriam apenas sentir seus corpos naquele balanço suave, juntos, como se dançassem levemente.

- Então, você não vai me contar como foi a conversa? – ela sussurrou.

- Mais tarde, querida. Agora, quero aproveitar esse lindo momento ao seu lado – Beijou-a novamente, e entre beijos sutis, levou-a até a cama onde repousou-a e ficou sobre seu corpo.

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Mais trovões, como os daquele dia, caíram de surpresa sobre o reino, e sem demora a chuva fina caiu como uma cortina sobre aquelas terras abençoadas. Em um coreto de paredes envidraçadas, como uma estufa, a jovem ruiva tocava uma sonata no piano branco, era a sua distração favorita, e também uma forma de esquecer um pouco de sua timidez exagerada, que acabava por atrapalhá-la na socialização com as pessoas, uma das únicas que conseguia fazê-la soltar-se mais era a princesa, mas desde que começara com o hábito de fugir dos arredores do palácio, afastara-se mesmo sem perceber.

Sonata ao Luar, amava aquela composição de Beethoven, alguns diziam que a melodia era triste, mas nem por isso deixava de ser bela. Abria um pequeno sorriso ao tocar as teclas com paixão, e por um momento conseguia até mesmo se imaginar em um belo teatro, sendo assistida por uma multidão de gente. Aprendera sozinha a ler as partituras, estudava por conta própria, todos os dias.

A chuva engrossou, ela sabia que demoraria para passar então resolveu não preocupar-se com o tempo, permaneceu a tocar aquela sonata, depois outras, explorou o seu repertório como se estivesse fazendo uma audição.

Passos na chuva. Pés que calçavam sapatos brancos afundavam na lama sujando-se. Eram passos pesados, dificultosos...

Uma mão coberta por uma luva azul-escuro apoiou-se no vidro da parede, mas a menina ruiva sequer notou, só conseguia ouvir o som das notas que o piano emitia quando ela as tocava. Aquele estranho misterioso, apoiou-se na entrada daquele coreto, ofegante, sua vista turva dava-o apenas a ideia de uma menina de cabelos vermelhos, mal via suas formas, apenas escutava os sons belos que ela emitia daquele instrumento musical.

Hina saiu de seu transe quando notou uma sombra sobre si, era óbvio que havia alguém na porta de entrada, quando virou o rosto avistou quem seria: Um rapaz de cabelos azuis escuros, usava uma farda da mesma cor, algumas medalhas prateadas a adornavam, sua calça era branca mas estava encardida, talvez fosse porque andou na lama.

Arregalou os olhos verdes e no mesmo instante fechou o piano e levantou-se, sentiu o rosto esquentar e supôs que estaria tão vermelho quanto seu cabelo. Ele se aproximou dela, parecia penoso andar, seu corpo vinha desequilibrado, quase caindo, a menina ficou estática, não sabia o que fazer, o que falar, ou se deveria fugir. Uma lua negra piscava na testa dele, tornava-se nítida com o tempo, quando finalmente a alcançou, seu corpo pendeu, mas seus olhos pareceram enxergar com maior nitidez. Antes que o homem caísse e pudesse bater a cabeça, Hina tentou segurá-lo mas desequilibrou-se e caiu sentada, com o estranho em seus braços, seu rosto ficara tão quente que chegou a perguntar-se se tinha febre, virou o rosto do rapaz para fitá-lo e ver se estava acordado, deparou-se com os olhos azuis semi abertos fitando-a confusos.

- Estou... No paraíso? – a voz soou entrecortada, rouca.

Ela arregalou os olhos, percebeu que ele estava realmente mal. Olhou para os lados, angustiada, acreditou que aquele que segurava morreria em seus braços.

- Socorro, alguém me ajude! Socorro! – gritou ao notar que o rapaz perdera a consciência em seu colo, era estranho mas ele parecia sorrir

- Socorro! – Seus gritos ecoaram pelo jardim, até alcançarem os ouvidos de Sailor Wind e Sailor Ocean.

As guerreiras correram até o coreto, e quando depararam-se com a cena, ambas disseram em coro ao fitar a testa do desacordado:

- Black Moon!

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Continua...

Notas finais
Bem, espero que a formatação tenha ficado direito. O Nyah adora me pregar peças quanto a isso u.u
Espero também que estejam gostando, e que me mandem alguns comentários! Beijos, gente!