Notas iniciais
Nem acredito que estou conseguindo postar em todos os sites! Yey! Então, pessoal, estamos entrando na fase II, que eu espero que não ultrapasse de 20 capítulos porque não quero que a fanfic tenha mais de 60, mas, pela forma como as ideias estão organizadas na minha cabeça, talvez eu consiga terminar até antes disso. Minha avó está cada vez melhor, mas eu quase não entro no PC aqui na casa dela, por isso demoro tanto a atualizar, comentar em fics, etc. Mas estou viva, e estou voltando a ativa! Podem acreditar! O capítulo está mais curto do que o normal, porém está intenso. Boa leitura!

A Minha Queda Será Por Você – Fase II
Capítulo 45 – O confronto

O verão chegou trazendo consigo as mais diversas cores, todas elas refletiam no entorno de cristal que adornava o reino, o efeito causado eram inúmeros arco-íris se entrelaçando na imensidão de um reino desértico. A brisa suave cantava a solidão dos que viviam em suas tocas há cinco anos, e, a apertar o mármore de uma sacada, uma rainha de vinte e um anos de idade vislumbrava o fantasmagórico cenário — seu reino.

— Querida, está tudo bem? — Ele chegou, em trajes cor de lavanda, como o protótipo de um rei que uma vez existira.

Crystal, silenciosa, lhe sorriu e abanou a cabeça num “sim” falacioso. Mesmo que ele soubesse da inverdade desenhada em cada dente lustroso, aproximou-se, abraçou-a de lado, e contemplou a paisagem colorida, cálida, e ao mesmo tempo fria.

— Sua mãe me pergunta todos os dias quando lhe daremos netos... — ele, sorridente, tentou animá-la.

— Ah, Damien, sabe que nossa situação é complicada! Imagine só, pormos crianças no mundo enquanto esperamos por uma guerra que derramará tanto sangue! — desconversou elegantemente.

— Nunca mais a vi em um vestido violeta, sinto saudades daquela Crystal... — afagou os coques trançados ao topo da cabeça da esposa, enfeitados por pérolas e pequenos brilhantes, o resto das ondas castanhas desciam em cascatas e espalhavam-se sobre os ombros, até quase tocarem o piso. Odangos. Enfim, ela abraçara a causa.

— Aquela Crystal? — riu-se, discreta, e silenciou por segundos, pensativa... — Não gosto mais daquela cor, é só. — outro sorriso falso, e assim eles viviam. Ao menos não estavam sozinhos.

— Majestades! — a voz de Marine soou de longe, ela vinha apressada e ofegante, quase derrapava nas curvas dos largos corredores — Vocês precisam vir até aqui! Sigam-me, por favor! — arfante, ela estava contente. Damien e Crystal, desnorteados, a seguiram até o quarto onde o irmão do rei repousara por anos. As piscinas oceânicas do atual regente de Tóquio de Cristal derramaram-se em intensas enchentes.

— Damien? — confuso, o caçula coçava as madeixas noturnas, longas e arrepiadas — Onde estou? — olhou para cada lado, depois revirou os olhos devido à tontura.

— Meu irmão! — o mais velho correu em direção ao parente e abraçou-o como se não houvesse amanhã – Finalmente! — apalpou-lhe a face o os ombros pálidos — Como está? Consegue se levantar?!

— Um pouco zonzo, apenas... — respondeu vagaroso, notou a presença de Crystal no quarto e reconheceu-a no ato. Virou o rosto, desgostoso. — Mas lembro de tudo o que aconteceu.

— Majestade, — Marine tocou o braço de Crystal — eles precisam conversar a sós. Rei Damien deve contar ao irmão tudo o que se passou... e quanto tempo se passou.

Crystal acatou, acompanhou Sailor Acqua.

...



Os beijos quentes e molhados sobre os músculos rijos das costas despertaram Olho de Tigre que dormia de bruços.

— Bom dia... — Reiko sussurrou sensual. As unhas contornaram as nádegas nuas do amante e subiram pelo centro da coluna, ele inteiro espasmou.

— Ah, você! — virou-se, puxou-a pela nuca e fê-la sentar-se sobre si — Sempre me provocando! — Ergueu-se para beijá-la, alucinado.

— Vai dizer que não gosta? — esfregou a boca rosada pelo queixo do Amazona, em seguida mordeu-lhe, sapeca.

— Você não se cansa? — prensou-lhe as nádegas despidas, como ela toda estava, e também ele, roçou a virilidade à dela, úmida e calorosa. Uma singela rebolada de Reiko o fez rosnar, excitado.

— Você me deixa maluca. — passou a ponta da língua no espesso e sensível pescoço dele. Um arrepio foi o suficiente, ele se encaixou dentro dela de supetão e fê-la dar uma cavalgada. A guardiã da natureza gemeu e riu ao mesmo tempo.

— Temos mil anos para fazer isso, todos os dias, e ainda assim, pra mim nunca será o suficiente! — os dedos vorazes agarraram a cintura fina dela e a jogaram sobre a cama, de costas para ele. A seguir, admirando a perfeição dos quadris, ele os abriu, posicionou-se e penetrou-a naquela posição, arregaçada e com as nádegas empinadas para o alto, ele ajoelhado e frenético. Os dedos entrelaçaram-se ao negrume dos cabelos e ergueram a cabeça dela para trás, com força, a mão livre aprisionou um seio maduro e apertou-o impiedosa.
Reiko estava acostumada com o jeito violento de seu tigrino, mesmo na noite em que ele não resistira a seus encantos e tirou-lhe a virgindade, Tigre não soube ser delicado. Abriu caminho à força, ela gritou, ele continuou, irracional, pouco sangue esparramou-se sobre o lençol. Envergonhados, lavaram juntos a seda real e desde ali, transavam como coelhos, todos os dias, de todas as formas, e nos lugares mais inusitados, desde o celeiro às cortinas dos corredores, escondidos por trás dos panos, brincavam e se amavam. Olho de Tigre não sabia mais viver sem sua sedutora Reiko, uma mulher agora, eternamente jovem.

O sexo acabava gentil, em contraste ao modo como eles faziam. Os corpos suados e ofegantes atavam-se em um abraço melado, ambos dispersavam beijos pelo rosto, ombros, peito um do outro, e suspiravam. “Eu te amo” era dito ali, daquele jeito. De todos os moradores do palácio, eles eram os mais tranquilos no que se tratava da situação do reino. “O que tiver de ser, será” talvez fosse o lema dos namorados, o importante é que estavam unidos.

Olho de Águia se acertara com Hotaru, durante o tempo tornaram-se grandes cúmplices, e a cumplicidade abriu espaço para outro tipo de sentimento. Não se assumiam como um casal na frente de todos, mas na calada da noite se encontravam e trocavam afagos gentis, às vezes Hotaru tinha misteriosas crises de choro, então Águia a abraçava e dizia que tudo ficaria bem, ela agradecia. Fim. O primeiro beijo fora tão casual quanto o resto das carícias adultas, um preenchia o vazio do outro, e como se respeitavam!

De longe, com ares de inveja, Mizumi os observava. Depois do flagrante, Águia jamais a procurara, e Yumi manteve-se distante e blindada como sempre fora, a solidão tornou-se a parceira da Sereia Melancólica. O abatimento era visível em suas nuances, e ainda assim, havia homem para cair por ela.

Hina, a quente Sailor Fire, era outra alma solitária. Escondia-se em seu coreto e treinava a triste canção que compusera para um amor distante, perdido no tempo. Ao seu redor um ser flamejante a enredava, era o seu mascote feito de fogo, magma e poder – o dragão a quem ela devia um nome.

Rini e Helios? Disseram um dia que assim que Crystal fosse rainha, mudar-se-iam para Elysium, todavia, com a promessa de ataque do clã da Lua Negra, Rini não teve coragem de deixar a filha a mercê do perigo. Ela sabia que tal perigo não se encontrava apenas no ataque em si, mas no interior da alma de Crystal, naquele singelo coração dourado que ela carregava no pescoço, como um fardo, como o imutável. E, por os antigos reis não mandarem-se para o mundo dos sonhos, sobrou para Olho de Peixe cuidar do paraíso onírico na companhia da serelepe Diana. Como discutiam! Peixe não deixava barato, ô criatura implicante! Mas Diana também não era fácil, vivia pulando no cangote do rapazola, apertava-lhe as bochechas, trançava-lhe os cabelos cerúleos e, no auge da forçada intimidade, até o mordia.

— Deus me livre de você, praga! — histérico, ele a empurrava, afastava até com o pé se preciso fosse e ela persistia, como um chiclete, tratando-o como se fosse um bichinho de pelúcia.
Nada disso importava, no fundo, pois o importante se fez real: Diana era, oficialmente, uma guardiã de Elysium. Seus pais morriam de saudades, mas orgulhavam-se, e da Lua, procuravam estar sempre atentos aos estranhos movimentos na escuridão da galáxia.

...

— Não deve faltar muito. — Hakaru fitava o céu de cristal através de um binóculo velho.

— O que te dá tanta certeza? — Sailor Phantom mostrou-se intrigada.

— Não sei, é só o que sinto. — baixou o objeto e deu de ombros como se aquilo fosse nada. De todas as pessoas que viviam fora do palácio, a dupla era a única corajosa o suficiente para zanzar pela cidade como se nada acontecesse. Mas, claro, o cenário preferido era sempre aquele antigo cemitério cuja aura sepulcral aliviava o rebuliço que era o interior de Valkyria. Ela amava os mortos, amava a morte, amava descanso.

— Sinto saudades de ver as estrelas com nitidez. — confessou descompromissada – Essa enorme cúpula nos priva da visão limpa, tudo parece um caleidoscópio.

— E a chuva... passa por esse vidro e desliza, a água nova não entra, escapole...

— Se não fosse pelo poder do Cristal de Prata de regenerar as coisas, Tóquio de Cristal seria, hoje, um deserto.

— De certa forma é. — Ele não pôde deixar de apontar.

— Não comece com metáforas — retrucou — ninguém morre de sede ou fome, Ela provê tudo!

— Como acha que ela lidará quando os nemesianos chegarem? — indagou desdenhoso — Acha que será forte o suficiente?

— Terá de ser, não há outra opção.

...

— Olhando para o céu outra vez? — Damien abraçou-a por trás, era noite, os astros cintilavam sobre o céu de vidro. — Todos os dias você faz isso... — beijou-lhe o ombro.

— Pois é... — singela, Crystal apartou-se do enredo caloroso e apoiou-se na sacada nobre, as mãos apoiaram o queixo. — A lua fica disforme por causa da barreira de cristal... Mas, milagrosamente, o vento circula.

— Você é tão forte. — parou ao lado dela — Construiu essa proteção com suas próprias mãos.

— As meninas ajudaram. — apoiou a cabeça no ombro aconchegante do cônjuge.

— Cedo ou tarde eles virão. — falou como se lesse o que se passava na mente dela.

— Eu sei... — murmurou apreensiva.

— Bem, eu vou me recolher. — Damien afastou-se — Qualquer coisa me avise.

— Está tudo bem, ficarei aqui mais um pouco. — não saiu de onde estava.

...

Os óvnis enfileirados naquele inferno negro destacavam-se imponentes. O príncipe branco, de braços cruzados, respirava pausadamente e os encarava. Era como se aqueles enormes objetos conversassem com ele e dissessem, através do tamanho e da potência: “estamos prontos para destruir tudo aquilo o que um dia representou algo para você”. Catatônico, caminhou pesado e parou em frente aos Droids, também enfileirados, como fiéis soldados. Pelo meio deles, abrindo espaço, aproximou-se Onyx ajeitando os óculos refletores.

— Com o poder do Cristal Negro podemos criar uma fenda no espaço e tempo e, assim, chegamos à Terra em questão de horas. — o cientista explicou.

— Que seja. — Diamante jogou a capa, deu as costas e tornou ao palácio para desfrutar de seu imponente trono esverdeado pela última vez.

Horas depois, preparado física e psicologicamente, embarcou em uma das naves que o levaria à destruição de um sonho, e se bobeasse, de si mesmo.

...

Sailor Chronus arrepiou-se toda, um tênue risco de energia maligna passou diante de seus olhos. Havia algo de errado, algo que distorcia o tempo, motivo de extremo alarme. Diferentemente das outras guerreiras, ela não crescera, o corpo mantinha-se infantil. A ampulheta no topo de seu cajado estremeceu, a areia correu rápido para baixo.

— Majestades! — contatou-se com os reis através de holografia — Há algo de errado acontecendo! Preparem-se para o pior, pois o tempo está distorcido, e eu, por minha conta, não sei como resolver esse problema! Protejam-se!

Rini viu Crystal apertar o braço do trono e engolir seco, porém, seus olhos demonstravam determinação.

— Meninas, transformem-se! — a filha do Coelho ditou. Àquele momento, todas encontravam-se no salão real, e em sincronia, tocaram seus broches e tomaram a forma das guerreiras que eram. Crystal, por último, ergueu o coração rosado, receptáculo da pedra mística e transformou-se na angelical Sailor Love, cujas asas abriram-se como as de um Pégaso, livre e indomável. Ela era a primeira rainha que não abrira mão de se transformar em guerreira depois de coroada.

Antes que Artêmis e Luna pudessem se dar conta, ou mesmo os habitantes do planeta Kinmoku, os Nemesianos cercaram a vistosa cúpula cristalina com seus ouriços negros e lançaram rajadas de energia maligna. Enquanto o cristal, aos poucos, trincava, Sailor Love, Damien – o cavaleiro de Cristal, e as outras Marinheiras, refugiavam os habitantes do reino nos porões do palácio, e para completar, Crystal utilizava o seu poder para levantar barreiras nos abrigos subterrâneos. A Terra tremia, era chegada a hora, o coração brandia dentro do peito, os dedos apertavam-se trêmulos nas mãos fechadas. Não sabia definir o que sentia, havia mágoa, indignação, e, no entanto, amor, muito amor, um amor profundo apitando no coração de ouro no pescoço dela.

...



Demorou quase um dia para que os Black Moon conseguissem espatifar o entorno de cristal, surpreenderam-se.

— Eles se prepararam bem dessa vez. — Topázio assumiu enquanto observava Tóquio de Cristal por um painel.

— Saphiro, lance um cristal. — Diamante, frio como uma nevasca, decretou.

O irmão, silente, apertou alguns botões no painel e lançou a peça como um foguete. O “projétil” fincou-se no solo e causou forte ventania, lançou os guerreiros da Lua Branca longe, menos Crystal, esta, com certa dificuldade, bateu as asas e planou.

— Agora mande uma boa leva de Droids. — Diamante prosseguiu, aparentemente indiferente. Através de uma tela à sua frente, observava a guerreira do amor lutando por seu reino.

E assim, os servos de Nemesis desciam aos montes e corriam feito maratonistas na direção das guerreiras.

— São muitos! — Sailor Nature se assustou, mal deu tempo para que falasse qualquer outra coisa, em questão de segundos já se via a defender-se e a jogá-los longe com socos e chutes. Sailor Acqua, não tão distante, exibia sua habilidade de luta e derrubava um monte deles com seu tridente. Sailor Wind truscidava-os com seu “Silver Hurricane”, Sailor Phantom sugava-os para o interior da terra com o seu “Haunted Hands”, Sailor Saturno decepava-lhes as cabeças com a lâmina da foice, Sailor Fire provava-se derradeira com o seu “Golden Flames, Burn!” e os incinerava, Sailor Ocean hipnotizava-os com seu canto e, então, Sailor Love partia-os com a Tiara Lunar, herança da avó. A espada de cristal de Damien despedaçava um a um, até sobrarem poucos, ao menos eram a primeira leva.

...

— Deem um jeito de separá-los. Quero Sailor Love sozinha. — Diamante decretou.

Saphiro baixou a cabeça e fechou os olhos, pesaroso. De todos ali, ávidos expectadores, ele e Quartzy eram os únicos que evitavam observar a chacina.

— Tenho uma ideia, príncipe. — Onyx comentou.

— Não importa o que for, faça.

O cientista riu malicioso e orquestrou seu espetáculo. Arremessou dois enormes óvnis contra a Terra, causando explosões bestiais.

— Ficou louco?! Quer destruir o planeta? — Saphiro exclamou.

— Acalme-se, pequeno príncipe. Observe: — prédios desabaram, fendas abriram-se no chão cristalizado. Os vitrais coloridos do grande templo espatifaram-se cintilantes, cada guerreira caiu para um lado. E, daquelas peças que foram arremessadas contra o reino, como ervas daninhas, de uma espécie de piche negro que começou a jorrar, novos cristais se formaram e cresceram, criando um labirinto sombrio de trevas.

— Meninas, onde estão vocês? — Crystal gritou, perdida na Noite dos cristais malignos e pontiagudos. Não via ninguém, cada uma fora arremessada para uma direção. E naquele instante, Diamante aproveitou para lançar a segunda leva de Droids.

— Eles irão distrair as outras enquanto eu faço o que quero. — o líder da família Black Moon sorriu malicioso.

— Crystal! — Damien a chamava, na esperança de que sua voz alcançasse os ouvidos dela. Ele e todos os outros estavam ocupados demais lutando contra os Droids para procura-la. Sailor Nature laçava os inimigos em seu cipó e os estrangulava, até que um dos monstros a agarrou por trás e tentou torcer-lhe o pescoço.

— Nada disso! — Olho de Tigre quebrou a cabeça oval do ser entre as mãos e libertou sua companheira. — Mas você não consegue viver sem mim mesmo hein! — brincou, galante.

— E lá é hora para isso, Tigrinho?! — puxou-lhe a orelha. — Vamos, temos que encontrar Crystal, antes que eleencontre! — puxou-o pelo braço.

...

— Helios, não consigo ficar parada aqui sem fazer nada! — Ansiosa, Rini circulava de um lado para o outro e quase roía as unhas.

— Querida, a última coisa que você pode fazer é sair do palácio! Confie na força de sua filha! — segurou-a pelos ombros.

— Você não está entendendo! Eu confio na força de Crystal, o problema é o coração dela! — apertou-lhe a farda, quase chorava, tremia.

— Rini, Crystal entregou-se a Damien, não vê como eles estão sempre juntos, como são companheiros?! Diamante é passado! — tentou acalmá-la.

— Ai, Deus! — ela cobriu o rosto com as duas mãos e empalideceu — Mamãe, se você está dentro de Crystal, por favor, ajude-a!

...

A aura maligna a impedia de voar, enquanto ela dava passos pesados algumas penas brancas se perdiam pelo caminho. Em certo instante ela precisou ajoelhar-se para respirar, e tudo girava, a mente, o peito ardente e o espirito, a única coisa que ali brilhava era o seu pingente. Distante, Damien tentava com tudo de si destruir os cristais com sua espada... e era repelido. No palácio, seu irmão recém-acordado, esperava-o cheio de expectativa. Tanto Doryan, quanto os antigos reis e Olho de Águia, assistiam os horrores através de holografias. Viam-se os raios refletirem na floresta negra de cristal, e o material do antigo escudo do reino espalhado pelo piso rachado brilhava como contas de vidro, era até bonito, se não fosse tão preocupante.

...

Arfante, Crystal chegou ao limiar do percurso, algo misterioso a conduzira até lá. Quando pensava que cairia e desfaleceria, uma força a levantava e forçava seus passos. Pronto, estava ali, de frente ao principal dos óvnis. O corpo inteiro tremeu, ela abraçou o coração dourado como se toda a sua vida se guardasse ali e os joelhos bambolearam. Quem era aquele ali, sobrevoando bem à frente? Ah, o inconfundível branco... os cabelos de céu... E os olhos: as duas venenosas violetas que a matavam num simples piscar. Ele não sorria, não franzia o cenho em raiva, não demonstrava absolutamente nada.

Aquela criatura de gelo desceu dos céus ao chão estilhaçado, e em passos calmos, aproximou-se de seu cordeiro. Ela, apavorada por diversos motivos, indignada por tantos outros, deu um passo para trás. Então, a mão pálida dele ergueu-se, e num mover de dedos, Diamante trouxe Crystal para si como se o corpo dele fosse um ímã que a atraísse. Os pés arrastaram-se pelo chão, pelas pontas, as botas quase lascaram-se, ela perdera o controle do próprio corpo. O olho dourado na testa dele alumiava a escuridão e, num susto, ela estancou na frente dele, quase caiu sobre seu colo cruel. Os braços dele não moveram-se, olharam-se nos olhos, ela aflita, ele quase sonâmbulo. Os dedos pálidos seguraram a face da Nova Rainha, uma lágrima tocou-os.

—... O que você fez? — ela sussurrou, doída e já sem forças, as asas fecharam-se, o corpo pesou e foi amparado violentamente pela cintura — Por quê? — ela insistiu, lutando para permanecer acordada.

— O que eu fiz? — ele, brando e grave ao mesmo tempo, cravou a mão no broche dela, encaixado entre os seios, ali surrupiou-lhe o fôlego com a surpresa — O que você fez. — arrancou-lhe a peça, a roupa de marinheira desfez-se em fitas rosadas e o corpo mostrou-se adornado pelo épico vestido branco, os cabelos no clássico penteado que fez Diamante ranger os dentes. Ainda assim, tomado por uma paixão que lhe incendiava as veias e por um ódio que enrijecia-lhe o âmago, aproveitou-se de ela ainda não ter adormecido para aproximar os rostos e trocarem respirações. — Não há perdão para a sua traição. — os narizes roçaram-se, as unhas dele cravaram-se no branco do vestido — Eu avisei... — sussurrou, os lábios quase encostavam-se, e Crystal já não sentia o próprio corpo — que você seria minha e de mais ninguém!

— Ah, Diamante... — ela suspirou, os olhos reviraram, os braços balançaram-se sem vida. Tinha tanto a falar, mas a voz não saiu. A dor a consumia, se tivesse que morrer, que fosse ali, nos braços dele. Outra lágrima, fraca, desceu pelo canto do rosto, a aliança de compromisso reluziu no dedo anelar — Diamante... — num suspiro, repetiu o nome como se ele fosse uma sentença de morte.

— Agora você pagará por ter me enganado, você e todo o seu reino. — colou a boca na orelha dela e selou a promessa.

— Crystal! — Damien gritou, deparado com a cena: a esposa desfalecida nos braços de seu pior inimigo. Diamante sorriu perverso e encarou-o. — Largue-a, patife! — apontou-lhe a espada, furioso, e correu em sua direção.

Como fumaça, Diamante sumiu com Crystal nos braços. Damien atravessou o nada e fincou a espada no piso obscuro. Escandalizado, urrou de raiva. Enquanto isso as outras guerreiras davam seu sangue até que nenhum Droid sobrasse.

A batalha durou horas e foi deveras cansativa, assim que houve oportunidade, todos conseguiram se encontrar. Quando as guardiãs vislumbraram Damien, deram-se com um homem abatido e extremamente enraivecido.

— Meu rei, — Sailor Acqua aproximou-se — O que há?

— Ele a levou. — grunhiu rouco.

— O quê? — Sailor Fire arregalou os olhos. A reação das outras não foi tão diferente.

— Diamante levou a Crystal! — bradou — Ele a tem em mãos! E agora estamos aqui, vulneráveis, e sem saber o que ele fará com ela!

Todos entraram em um estado de catatonia profunda, sem saber o que pensar, lutaram bem, dizimaram parte do exército Black Moon, mas agora os inimigos tinham um trunfo: a Rainha.

...

Diamante pousou o corpo de Crystal em uma vasta cama adornada por lençóis de veludo azul-marinho. Sentou-se ao lado, cruzou uma perna sobre a outra e a observou silente. Os longos e castanhos cílios colavam-se sonolentos, as mãos cruzavam-se debaixo do busto amadurecido, um anel chamava a atenção, mas não só isso, no pescoço dela havia um pingente dourado que brilhava como um espelho, um pequeno coração no lugar de um brinco de cristal negro. Devagar, a mão de Diamante se chegou, as pontas dos dedos roçaram a joia, contudo, antes que ele descobrisse que ela se abria, os olhos azuis arregalaram-se espantados e num súbito ela sentou.

— Enfim, nos reencontramos. — ele, sério, proferiu.

— Sim. — o coração dava marteladas, os ombros chacoalhavam, o lábio inferior ela mordia.

Silencioso, o Príncipe Branco se levantou, foi até uma mesa onde jazia uma jarra de vinho, encheu sua taça até a metade e deu-lhe uma generosa golada. Crystal, quieta, permaneceu sentada sobre a cama à espera do que viria a seguir. Quando quase se acalmara, ele tornou à ela, só que de pé, e segurou-a pelo queixo, apertando-lhe os maxilares e forçando-a a encará-lo.

— Pela sua traição, destruirei tudo aquilo o que você mais ama. — contornou o lábio inferior dela com o polegar — e, por fim, acabarei com você.

— Como pode fazer isso comigo?! Depois de tudo o que vivemos juntos?! — atou os dedos à farda dele e o sacodiu, desacreditada — Você é um monstro!

— Tem razão. — riu desgostoso — Mas certa vez você me disse que a sua queda seria por mim, disse também que morreria por mim se preciso fosse, e agora está casada com outro, como se eu nunca houvesse existido.

— Você está falando sobre algo que não sabe! — interveio.

— Você disse que a sua queda seria por mim, não disse? —segurou-a pelos cabelos e a ergueu diante de si. — Então... caia! — e o corpo de Crystal foi ao chão como se pesasse uma tonelada.

— Eu não acredito que um dia amei você... — praguejou enquanto arrastava as unhas pelo chão, humilhada.

— Me amou? — riu — Você não passa de uma mentirosa, não chega aos pés de sua avó. — disse, já de costas para ela, apreciando mais um gole do vinho seco. — Desfaça esse penteado ridículo! — ordenou.

— Não pode me obrigar! — irada, levantou-se e o peitou. Os olhos azuis tremeluziram a fúria de Rainha Serena quando o encarou pela primeira vez. Ah, aquele olhar! Jamais passaria despercebido!

Ele, irritado, em passos pesados, foi até ela, agarrou-a pelos cabelos e desfez os coques à força, depois, notando o vestido, puxou-o pelo decote e rasgou-o como se fosse feito de papel. Crystal esmurrou os ombros dele, espalmou as mãos na face dele, tentou empurrá-lo e ele segurou-lhe os pulsos com tamanha força que os deixou arroxeados.

— Você não é sua avó! Nunca será! — bradou, dividido entre fúria e desejo ao notar o corpo crescido dela, de mulher, diante do toque dele, poderia desbrava-la ali mesmo, mas o orgulho freou-o. Respirou fundo, estremecido — Quartzy arrumará roupas apropriadas para você. — soltou-a e afastou-se bruscamente. — Seja bem-vinda à sua gaiola dourada, Sailor Love. —foram as últimas palavras antes de sair e deixa-la abandonada, fragilizada, e mergulhada em um súbito desespero.

Continua...

Notas finais
Então... Pesado, né? Desculpem-me se algo ficou corrido ou mal explicado, haverá muito a se explicar sobre esses cinco anos passados nos próximos capítulos, e também, revelações sombrias (sobre? não posso dizer)... Aguardem, essa fase II não está para brincadeira! Sobre casais secundários (exemplo: Hotaru e Olho de Águia), teremos cenas bonitinhas, picantes, só não expliquei com tantos detalhes o desenvolvimento das relações porque perderíamos o foco e a fanfic acabaria tendo 200 capítulos, não se preocupem, todavia, sempre que houver brecha haverá muito a se explorar! E o que dizer sobre Tigre e Reiko? Simplesmente amo! Por último: Na cena fatal onde Diamante e Crystal encontram-se e ela pergunta "O que você fez?" a música que me inspirou foi "What have you done" da banda Within Temptation. Se puderem escutar e dar uma olhada na tradução, verão que tem muito a ver com a situação dos personagens. Possivelmente, trechos da música aparecerão num próximo capítulo. Obrigada por acompanharem, sempre obrigada! Até o próximo, pode demorar, mas há de sair! Kissus!