A Minha Queda Será Por Você
46 Espetáculo
Notas iniciais
A Minha Queda Será por Você
Capítulo 46 — Espetáculo
— Eu imaginava um planeta tão bonito... pena que não deu tempo de ver! — no tom rabugento de costume, Akai comentou enquanto observava Tóquio de Cristal pelo holograma do salão central do óvni principal. Os olhos redondos e alaranjados refletiam o labirinto negro de cristais lapidado pelas habilidades de Onyx, perdidos entre as peças escuras e pontiagudas estavam dois óvnis emergidos no solo rachado. Adiante, como plano de fundo, a única luz encontrava-se no majestoso Palácio de Cristal, protegido por uma discreta barreira.
— Onde está Onyx? Temos que planejar o próximo ataque. — Saphiro, contido, disse — Os Droids não são infinitos, e mesmo sem Sailor Love os guerreiros da Lua Branca estão conseguindo eliminá-los com facilidade.
— Em breve, nós mesmos desceremos lá e acabaremos com eles. — Jade afirmou confiante — Os Droids são apenas distração... mas, tem razão. Onde está Onyx? Aquele maluco cismou em trazer sua nave redonda, e não nos permite entrar lá. — bufou.
— Ali está o laboratório dele, ali estão suas criações que serão de grande ajuda nessa guerra. — Topázio cruzou os braços dourados.
— Onde está a outra? — Jade fitou Akai e notou que sua gêmea ausentara-se. Topázio deu de ombros como quem não se importa, a criada ruiva imitou-o. — Nossa, como ela é bem quista! — a mulher-soldado riu-se. Diamante atrás, sentado ao trono, manteve-se estático e silente.
— Irmão, — Saphiro aproximou-se temeroso — no que está pensando?
— Quartzy foi procurar um vestido para ela. — suspirou e revirou os olhos só de lembrar-se do corpo da rainha cujo vestido ele deixou aos frangalhos. O busto crescera, a cintura afinara, todas as curvas se desenharam perfeitamente com os anos. Crystal era uma mulher... e que mulher! Diamante apertou os braços do trono, as veias ressaltaram nas mãos. As preciosas violetas focaram-se em um alvo, um rei transmitido por holografia. Além do Palácio de Cristal, a armadura dele também brilhava em contraste ao negrume. Quem saberia o que se passava na cabeça do Príncipe Branco ao fitar o fantasma agourento de seu passado? Quantas armadilhas ele estaria traçando para eliminar o seu rival?
Enquanto os súditos tentavam ler a mente de seu líder, uma menina curiosa seguira Onyx até seu “lócus” secreto. A menina, quem era? Ora, quem mais se não a doce Aoi? Abraçando a si mesma, ela caminhava e discretamente saltava quando sentia um calafrio ou outro. À sua frente, tranquilo, ia o cientista em direção a uma saleta no subsolo da nave. E lá foi ela atrás, descendo os degraus com cuidado até deparar-se com uma enorme sala de máquinas, parecia desproporcional em relação ao tamanho da nave do lado de fora. Mas quem disse que Aoi tinha alguma noção de espaço?
No centro da sala, uma maca coberta, a única coisa que se via era um braço pálido que escapava pela lateral do leito metálico, atado a ele havia um soro negro, as veias coloriam a pele esquálida em tons de azul escuro, ressaltadas, os longos dedos inertes se mantinham, mesmo quando Onyx os tocou e sussurrou palavras que Aoi não compreendeu. Um riso alargou-se rasgando a face do gênio insano, e ele finalmente se desfez da luva que sempre cobria uma de suas mãos e arregaçou a manga do jaleco. Os orbes azuis de Aoi se dilataram ao se depararem com o material que compunha a mão e o braço do homem: tudo negro, líquido preto transpassava pelas brechas das articulações artificiais. Sim, Onyx tinha um braço mecânico, talhado eximiamente em uma composição de cristal negro líquido e sólido. As pontas de seus dedos eram como lâminas afiadas e reluziam. Nelas a imagem de Aoi refletiu-se em diferentes formas.
— Oh! — ele exclamou — Temos uma convidada! — cutucou o ser coberto pelo lençol branco na maca, não houve resposta. — Aoi, minha querida, bem-vinda à minha casa! — virou-se de frente a ela e abriu os braços, misteriosamente receptivo. — Aproxime-se!
Pálida, Aoi não se moveu. Apontou o braço dele como se estivesse diante da maior das aberrações e nesse gesto pediu uma explicação.
— Ah, isso! — Onyx riu desavergonhado — Há muitos, muitos anos, resolvi brigar com meu pai e esse foi o resultado. — dobrou e desdobrou os dedos — Mas ficou bem feito, não acha? Não sofro nenhuma dificuldade, não preciso da ajuda de ninguém para pegar objetos e... — apoiou a mão na lateral da maca e apertou-a, o metal amassou — De bônus, ganhei essa força. Imagine só o que essa mão pode fazer... — andou calmamente até a pobrezinha que, em choque, não conseguia sair do lugar. As pontas afiadas dos dedos mecânicos roçaram a bochecha de Aoi e pentearam-lhe a franja azul — Imagino que esteja curiosa. — sussurrou ao ouvido dela. — Você e sua irmã são quase perfeitas, sabia? Faltou pouco...
Antes que ele continuasse com aquela conversa estranha, Aoi deu um gritinho e teletransportou-se de volta ao óvni principal, surgiu em um corredor aleatório. Viu Quartzy passar como um vulto, carregando um vestido longo e lilás nas mãos, não ousou segui-la, estava afoita por encontrar Akai e Topázio. No laboratório, Onyx gargalhava sozinho.
...
— Crystal foi cativa?! — Rini entrou em estado de histeria — E agora, Helios?! O que faremos? Diamante tem nossa filha e a pedra mística que contém os dois cristais de nosso reino!
— Majestades, não se aflijam tanto! — Sailor Aqua tomou a frente das outras guerreiras que estavam reunidas no salão real — Lembrem-se de que quando estávamos em treinamento Crystal dividiu conosco o seu poder, ou seja, dentro de cada uma de nós há a luz purificadora de Sailor Love!
— E eu darei um jeito de tirá-la de lá, podem contar com isso! — Damien ergueu a pomposa espada de cristal.
— Vamos todos juntos! Não importa quantos soldados eles tenham, abateremos todos! — Sailor Nature afirmou cheia de autoconfiança, Olho de Tigre tocava-lhe os ombros, por trás.
— Sailor Saturno, da próxima vez os acompanharei! — Olho de Águia tomou-lhe a mão.
— Mas alguém precisa ficar aqui com os pais da rainha, Águia... — Hotaru preocupava-se com a segurança no interior do palácio.
— Temo por você... — ele confessou, unindo as testas.
— Ficará tudo bem, prometo! — ela sorriu sem jeito. Sailor Ocean deu as costas discretamente e deixou o salão. Sailor Wind acompanhou-a com o olhar.
...
— Quem é você? — Crystal perguntou, acuada em um canto do enorme quarto, tentando cobrir-se com os trapos de seu vestido real — O que quer?
— Acalme-se. — branda, Quartzy ajoelhou-se para ficar na mesma altura dela. Sobre as coxas repousou o vestido novíssimo — O príncipe me mandou aqui para vesti-la.
Os olhos azuis traçaram um caminho que percorreu toda a peça sobre as pernas da jovem de cabelos rosados. O traje era deveras parecido com o que ela costumava usar no auge de seus quinze anos, apenas um pouco mais sofisticado. No decote, mais pedrinhas e pérolas para adorná-los, abaixo gotas de prata dispersavam-se. A saia deveria ter três camadas de cetim, era volumosa, mas não tanto. Crystal meneou a cabeça negativamente e virou o rosto para o lado, demonstrando repulsa.
— Por quê? — murmurou — Por que isso está acontecendo?
— Por favor, — Quartzy, pesarosa, estendeu-lhe a mão — deixe-me ajudá-la a se vestir...
— Não quero vestir isso! — protestou, controlando as lágrimas.
— Rainha, você precisa... — mansa, insistiu — Olhe só como está o seu vestido, assim não pode ficar! Deixe que eu a ajude, eu peço. — baixou a cabeça em sinal de respeito.
— Ele escolheu esse modelo de propósito, para me torturar com lembranças cruéis! — cobriu o rosto com as duas mãos — Ele quer me enlouquecer! Por quê?!
— Majestade, do fundo do meu coração, juro não saber o que se passa nos pensamentos do príncipe. A minha função é deixá-la composta. Não se entregue à lamentação, vista-se e erga a sua cabeça, é tudo o que posso dizer. — estendeu-lhe o vestido — Vamos? — abriu um sorriso singelo.
— Quem é você? — enxugou os olhos e analisou-a melhor. Viu-se diante de uma moça dócil, talvez tímida, longe de ser o retrato de uma inimiga. De certo modo, até lembrava Hina. — Você é diferente. — diagnosticou.
— Sou Quartzy, agora sua acompanhante, majestade. — segurou-lhe a mão e as duas levantaram-se juntas, os trapos brancos ficaram sobre o chão. Crystal estava despida.
— Minha acompanhante? — virou-se de costas e cobriu os seios com os braços — Ou minha guarda-costas? — levantou uma perna de cada vez enquanto Quartzy punha-lhe as saias.
— Eu sei que passou por péssimos momentos, posso ver. — Quando as saias já estavam no devido lugar, Quartzy ajudou Crystal a vestir a parte de cima. Nas costas o vestido era ajustável como um espartilho. Quartzy apertou firmemente as finas cordas prateadas. — Mas, por favor, acredite, não estou aqui para ser sua inimiga. — guiou-a pelos ombros e a posicionou de frente a um enorme espelho que ia do chão ao teto, em uma parede qualquer do quarto. — Vamos arrumar o seu cabelo? — partiu as ondas castanhas em dois pedaços.
— E depois? — aflita, segurou o coração dourado um pouco acima dos seios.
— Bonito pingente, apesar de simples. O que tem dentro dele?
— E depois? — Insistiu ofegante.
— O príncipe deseja vê-la. É bom estar bem bonita. — sorriu um pouco constrangida. Fez nela o antigo penteado, as marias-chiquinhas altas, apenas com um adendo – em cada uma havia uma pequena mecha trançada para enfeitar, e nas tranças, contas de cristal e pequenas pérolas que combinavam com o diadema dourado de rainha, a pedra vermelha no centro do coração da coroa brilhava. — Está deslumbrante, rainha...
— Ele prometeu me fazer sofrer. — chorosa, contou — O que ele quer, afinal? Manda você aqui para me arrumar toda depois de destruir meu vestido e me dizer coisas horríveis... O que mais ele fará? Como vai me atacar? Como chegamos a esse ponto?!
— Eu sinto muito... — não saberia bem o que dizer, notou em cada nuance da mulher à frente o profundo sofrimento. Havia uma sombra apertando aquele coração. Os instintos de Quartzy sentiam que precisava confortá-la, e, mais, quando Crystal falava sobre o príncipe, sua voz a entregava. Havia algum sentimento, Quartzy percebera e aquilo acendeu nela certo tipo de esperança. Tão logo terminou de aprontá-la, saiu do quarto a indagar sobre o tipo de relação que a rainha tivera com o príncipe Black Moon no passado, acabou por esbarrar com Saphiro nos largos corredores.
— Fez o que meu irmão mandou? — foi direto, estranhamente frio.
— Sim... — ruborizou — ela está pronta para recebê-lo.
— Perfeito. — deu as costas e encaminhou-se aos aposentos do príncipe mais velho.
— Sabe... — a voz doce o fez parar no meio do caminho — ela sente algo pelo Príncipe Diamante, eu notei. Nem tudo está perdido, acredito... — uniu as mãos ao peito e sorriu de leve.
— Quartzy, pare. — de costas, sem fitá-la, cortou-a — Não crie fantasias sobre isso. Meu irmão está decidido. Ele destruirá um por um, até que somente ela sobre, e então, ele a matará. Não há como resgatar o que não existiu.
— Mas aí é que está! Existiu e ainda existe, príncipe!
— Mesmo? — riu irônico — Então por que ela está casada?
Quartzy se calou. Realmente, era um mistério... Ainda assim, a sua voz interior não se aquietou. Estava decidida a conversar com a mulher que acabara de conhecer e descobrir mais coisas sobre ela. No entanto, outro lado seu preocupava-se com a postura de Saphiro. Desde que chegaram ao Planeta Azul, ele mostrou-se sempre frio e tenso.
— Ela está pronta? — inexpressivo, Diamante indagou quando Quartzy surgiu no salão. Jade, Topázio e as gêmeas Agatha fitavam-no em ares de curiosidade, a do cavaleiro dourado certamente vinha acompanhada de certa dose de malícia. Não importava.
— Sim, do jeito que vossa majestade ordenou. — reverenciou-o.
— E a sala de jantar? — perguntou.
— Pronta. — a serva respondeu.
— Ótimo. — levantou-se e jogou a capa para trás. — Traga-a para mim, quero encontrá-la lá. — encaminhou-se ao ponto de encontro, entretanto uma bufada de Topázio prendeu-lhe a atenção. Suspendeu uma sobrancelha esbranquiçada e encarou-o de braços cruzados — Algum protesto em relação a isso?
— Não, príncipe. — Topázio desviou o olhar e fingiu-se de subserviente.
— Como pensei. — o líder do clã sorriu com ares de superioridade e traçou seu caminho.
Onyx conteve uma risada, Topázio recriminou-o com os olhos incandescentes. Aoi e Akai abraçaram-se a ele, Jade riu sozinha.
...
— Você outra vez... — abatida, Crystal comentou sentada à beira da cama. — Quartzy. — lembrou-se do nome, associara-o ao quartzo, pedra comum em suas terras. — É, dia, é noite? O que virá a seguir? — suspirou.
— Vim buscá-la para o jantar, majestade. Por favor, siga-me.
— E Diamante? — só de pronunciar o nome o coração deu um pulo.
— Está a esperá-la.
“Seja forte, Crystal” — a rainha disse para si mesma enquanto levantava-se e iniciava um dificultoso caminhar. O ar parecia que ia escapar-lhe, as pernas eram como dois pedaços de chumbo de tão pesadas. Durante o percurso pelos corredores, Crystal teve de se apoiar em diversas pilastras. Quartzy poderia tê-la transportado com o poder telecinético que todo nemesiano possui, mas decidiu não sobrecarregá-la. E, sua sensibilidade aconselhou-a a adiar o encontro o máximo o possível para que a regente de Tóquio de Cristal pudesse ao menos tentar se preparar psicologicamente. As intenções eram boas.
... Porém, não se pode adiar para sempre o inevitável. O momento de adentrar as imensas portas e deparar-se com o algoz chegou. O homem ebúrneo estava sentado diante de uma pequena mesa redonda cujo tampo era de vidro, além da cadeira dele havia apenas uma, à sua frente – a dela. Adiantado, degustava um bom vinho tinto, ao lado de sua taça de cristal havia outra, vazia. Os pratos, intocados, continham alguma iguaria fantástica, o cheiro exalava pela sala, e no centro da mesa, um pequeno vaso com uma rosa azul – artificial. Crystal, zonza, foi guiada por Quartzy até a cadeira, a serva a puxou para que a jovem rainha sentasse. O silêncio ressoava como uma sinfonia triste e nostálgica. Diamante, incansável, fitava Crystal, e Crystal fitava tudo menos as violetas severas.
— Quartzy, pode ir. — ele deu o veredicto. — Enfim, sós. — disse assim que a outra mulher fechou as portas. — Olhe só para você... — examinou-a de cima a baixo, prendeu o olhar na coroa reluzente, depois na aliança no dedo anelar da mão esquerda dela. — Uma rainha! —tomou outro gole de vinho — O tempo foi gentil com você.
— Você não mudou nada. — Ela observou, as mãos pousaram sobre a mesa. — Fisicamente. — corrigiu-se e virou o rosto, evitando encará-lo.
— Não comeu o dia inteiro, deve estar com fome. — preparou-se para deliciar-se, naturalmente.
— Onde conseguiu essa comida? Em Sedna? Aqui? Aproveitou para saquear os dois? — eis a primeira alfinetada, tinha de vir. — Por que atacou Sedna? — finalmente olhou-o nos olhos — O que aquele povo tinha a ver com a sua sede de vingança?
Ele riu. Gargalhou incansavelmente, quase engasgou.
— O que é tão engraçado?! — espalmou as mãos no vidro, os pratos e as taças sacolejaram — É tão divertido brincar com a vida das pessoas?! A sua questão era com a Terra, covarde! — bradou e levantou-se — Me recuso a sentar com você e comer essa comida como se nada estivesse acontecendo!
— O que fiz em Sedna foi deixar um recado. — pôs-se de pé de imediato, o semblante enegreceu — E parece que vocês compreenderam muito bem. — contornou a mesa, aproximando-se dela, ela deu passos para trás e afastou-se enquanto pôde, até que as costas atritaram-se em uma pilastra e ela se viu encurralada — Confesso que suas habilidades me surpreenderam. Não imaginei que encontraria uma barreira de cristal daquele tamanho quando chegasse à Terra. — tirou de dentro do colarinho uma peça que pertencia a ela: o broche — Também não imaginei que você conseguiria fundir de vez as duas pedras, parabéns.
— Devolva! — com as duas mãos, segurou a dele e tentou resgatar o valioso objeto. Os dedos fortes do príncipe apertaram o broche e não o soltaram, mesmo sendo engolidos pelas unhas da rainha. Outra vez, ele riu. Crystal grunhiu e partiu a esmurrar-lhe os ombros e o peito. Diamante não saiu do lugar, sequer largou o coração rosado. Uma forte tontura fez a cabeça da triste prisioneira pender para frente e encontrar repouso no mesmo peito que suas mãos socavam, as mesmas mãos agora apertavam a farda, e de dedos abertos, escorregaram até a barriga firme. Ela ofegou, pálida, sem controle sobre si mesma. Tudo girava.
— O Cristal Negro rege esse lugar, é natural que esteja se sentindo mal. — parado onde estava, não a repeliu, permitiu-se ser o apoio — E cada vez mais, enfraquecerá. — suspirou. O perfume doce entorpecia-lhe as narinas. O órgão vital pulsava, vibrava afoito. Ela quase o ouviu. —... até que seu corpo e seu espírito sucumbam. Então estarei satisfeito.
— Você não pode me ferir mais do que já feriu ao longo desses anos. — sussurrou letárgica — Você me abandonou... Sumiu sem deixar vestígios, e eu tive que viver à sombra, tendo como cosolo os restos de mim que você me deixou. Você, de certa forma, me matou...
— E então você encontrou consolo nos braços de Endymion. — guardou o broche em um dos bolsos da calça, apertou-lhe os ombros e a jogou contra a coluna negra, encurralada — É assim que você se justifica? Não seja ridícula! Suas lamentações não me comovem, pelo contrário, instigam a minha vontade de vê-la sem nada! Diz que não posso feri-la mais do que já feri, não é? Pois sim! Pague para ver! — os dedos gélidos apalparam os braços da presa, elevaram-se vorazes aos ombros novamente, apertaram-nos e deleitaram-se na carne quente e rosada. A Lua Negra roçou-se na Dourada, testas uniram-se, narizes tocaram-se, rugidos rancorosos de ambos entrelaçaram-se em dueto aos hálitos frescos. — Eu vou... — perdeu o ar diante ao rubor da antiga princesa e o doce ofegar — Você verá. — não sabia o que mais desejava, se era estrangulá-la, ou, ali mesmo, devorá-la, amá-la, possui-la.
— Eu confiei em você, Diamante... Eu confiei a minha vida a você... — os olhos reviraram, os joelhos quiseram dobrar. Era um misto de fraqueza, saudade, desejos proibidos e indignação latente. As unhas apertaram o colarinho da farda branca, a ponta rósea do nariz esfregou-se à dele, não de propósito, a tontura levava a cabeça de Crystal para lá e para cá num singelo balanço, em meio ao movimento zonzo, os lábios dela por pouco não encontraram os dele, e quando quase as peles lustrosas se esbarraram, prontas para arrancarem mordidas e sugadas animalescas, a cabeça da rainha inclinou-se de súbito para trás, pesada, como todo o resto estava.
— E a mim, sua vida pertence. — antes que a cabeça dela caísse para um lado qualquer, Diamante a conteve nas mãos, forçando-a a olhá-lo nos olhos — Pode tentar fazer greve de fome, eu enfio-lhe uma sonda se for preciso, não tem como escapar! Você viverá para ver cada ente querido cair, eu a farei assistir! Quero que vislumbre o momento em que minhas mãos tomarão a vida do seu consorte!
— Deixe-os fora disso... castigue a mim. — uma lágrima caiu.
— E a sua mãe, eu trarei a cabeça dela numa bandeja! — selou a boca à orelha dela e surrupiou-lhe um arrepio. De pavor, de luxúria? Os dois, talvez. Diamante não saberia.
— Deixe-os fora disso! — apertou-lhe os braços, trêmula.
— Você vai assistir, nem que eu tenha que amarrá-la! Logo, o espetáculo começará! — finalmente, ele tirou o broche do bolso e atirou-o ao chão — Eu não quero isso, pode ficar. — com o canto dos olhos, já afastado e de costas, viu-a se abaixar desesperada, pegar o coração e erguê-lo, pronta para se transformar. — Nem tente! — alertou-a — Certa vez sua avó fez o mesmo e não funcionou. — De nada adiantou o aviso, Crystal berrou os dizeres mágicos e comprovou que Diamante estava certo. — Eu não disse? — voltou-se a ela, triunfante — Não há nada o que você possa fazer. — Em seu profundo ser, não conseguiu evitar o pensamento: — “Até nisso se parecem”.
— Mesmo que eu caia, não pense que será fácil destruir minhas amigas. O meu poder está dentro de cada uma delas! — confiante, ainda que exausta, ergueu o rosto e estufou o peito, seguindo o conselho de Quartzy. — Mas, ao contrário de você, não desejo ver ninguém se ferir, nem mesmo seus aliados ou você, por mais monstruoso que seja! — os lábios estremeceram — Eu respeito o que tivemos, e sei que pelo menos da minha parte, foi verdadeiro. Você está se comportando como um menino mimado, se você não se envergonha, eu me envergonho por você. — a seriedade dela e a firmeza, apesar do corpo cambalear, o surpreenderam.
— Veremos até onde vai essa sua cômica esperança. — recomposto, voltou à mesa, sentou-se e mais uma vez saboreou o amargor do vinho seco — Agora, sente-se e coma. — apontou a outra cadeira à frente.
— Não. — caiu no erro de desafiá-lo no tom e nas expressões zangadas.
A lua negra na testa de Diamante abriu-se no olho dourado, bastou que ele cintilasse apenas uma vez mirado em Crystal para que a mulher se tornasse uma marionete. O príncipe, forjando calma, regeu as pernas da rainha e fê-la sentar-se elegantemente. Depois, regeu os braços em movimentos elegantes, fê-la segurar os talheres de prata, e obrigou-a a comer. Os dentes dela rangiam furiosos enquanto mastigavam o alimento, um som agudo soava da garganta – um gemido indignado – e Diamante só parou de controlá-la quando o último grão fora raspado da porcelana marfim. Quando Crystal retomou o controle sobre si, irada, teve o ímpeto de pegar a taça do Black Moon e acertar-lhe na cara o restante de vinho ali contido. Os olhos dele se fecharam antes que fossem atingidos, o líquido roxo escorreu por toda a face alva e manchou a farda branca, a franja colou-se à testa, o cheiro de álcool emanou intenso. Silêncio outra vez, entrecortado pela respiração pesada e ansiosa de Crystal. Os mesmos olhos que se fecharam, abriram-se devagar, profundos, raivosos. Ele mordeu o lábio inferior, respirou fundo e encontrou um guardanapo de pano dobrado ao lado do prato. Calmamente, pegou-o e enxugou o rosto. Crystal ainda esperava algum discurso, alguma atitude. Nada. Ele terminou de comer como se nada acontecera e pediu a sobremesa. Foi servida por um Droid, Quartzy estava fazendo sabe-se lá o quê. Diamante aproveitou e ordenou que a criatura lhe servisse mais vinho. Crystal conteve um grito arrastando as unhas sobre o tecido da saia. A sobremesa, outra provocação: torta de amora.
— Doce, como você gosta. — Diamante sorriu perverso — Lembra de quando me trouxe algumas dessas frutinhas naquela cabana abandonada? — mirou as pequenas frutas enfeitando o glacê branco. — Prove.
— Se eu não quiser, vai me forçar de novo, como se eu fosse a sua boneca, o seu brinquedo? — indagou indignada. Um simples olhar dele serviu como resposta. Amarga, deu uma garfada, e para seu tremendo desgosto a torta estava saborosa. Quis morrer de raiva, tremia em consequência ao rebuliço de sensações em seu interior. Nunca amor e ódio pareceram tão próximos.
— Esse cordão ridículo não combina com o vestido que escolhi para você. — Diamante atentou-se ao coração dourado. — Onde arrumou isso?
— Damien me deu. — segurou a peça, protegendo-a.
— Pode retirar. — deu a ordem ao Droid a postos. Os orbes incendiaram-se, cravados em Crystal. Assim que a mesa ficou vazia, ele se levantou, ela em seguida, na defensiva. — Você, vem comigo. — nada delicado, segurou a líder da família da Lua Branca pelo braço e puxou-a.
— O que está fazendo? — os pés arrastaram-se, lutaram para permanecer inertes. Foi outra batalha que ela perdeu. — Me larga! — exigiu teimosa.
— Eu não disse que você ia assistir? — puxou-a de encontro a si, atados, teletransportou-se com a “menina dos seus olhos”. Quando deu por si, Crystal estava no salão central do óvni. Viu-se diante de vários desconhecidos, todos a olhavam como juízes. E, atrás daquelas pessoas hostis, o seu reino apresentava-se numa enorme holografia. Tanta escuridão, e apenas o Palácio de Cristal intacto. Os bosques? As árvores? Secaram. O céu foi coberto por um véu cinzento. Muita névoa, muita neblina. Locus Horrendus.
As mãos trêmulas taparam a boca ressecada, os olhos azuis perderam o brilho.
— Maldito! — a voz grave e potente ecoou através da transmissão holográfica.
— Damien! — Crystal exclamou e correu até a imagem, pouco se importou por ter esbarrado os ombros nos dos súditos de Diamante. Tocou a imagem do marido no holograma e chamou-o como se ele pudesse ouvir, mas não podia.
— Maldito! — Ele repetiu, entre dentes, a espada brilhava — Enfrente-me se for capaz! — Atrás dele, as guardiãs do reino, todas, inclusive Sailor Phantom. – Diamante, eu o desafio!
— Viram isso? — o comportamento de Crystal fora o suficiente para provocá-lo, o discurso de Damien fora só um combustível a mais — O rei de Tóquio de Cristal me desafia! — riu-se — Não posso deixá-lo sem uma resposta!
— Meu irmão, temos uma multidão de Droids e Medusas, não creio que haja necessidade de você se arriscar...
— Não quero que os monstrinhos que vocês construíram encostem um dedo sequer naquele homem! — aumentou o tom e apontou o dedo indicador para o reizinho inconveniente — Aquele ali eu faço questão de trucidar com minhas próprias mãos, e quero que ela assista! — dessa vez apontou Crystal, boquiaberta. — Rasguem-lhe as pálpebras se preciso for, mas certifiquem-se de que ela assista! Saphiro, Jade! — bastou fitá-los para que entendessem o recado. Antes que a rainha pudesse fugir, cada um segurou-a por um braço, sem pena.
— Saphiro?! — devastada, não quis acreditar que até ele estava contra ela. As expressões do príncipe caçula foram o suficiente para saber que a última coisa que ele sentia era compaixão por seu sofrimento. — Por favor, não magoe Hina... — suplicou num discreto murmúrio. Ele fingiu não escutar. Ela baixou a cabeça e selou as pálpebras orvalhadas. Jade segurou-lhe o queixo e ergueu-o com força.
— Você não ouviu o príncipe?! Quer que eu rasgue suas pálpebras?! — Jade ameaçou. Quartzy, de longe, lamentava.
— Onyx, faça o seguinte, envie alguns de seus bichinhos para distrair as Sailors. — Diamante ditou — Não quero ninguém se intrometendo no meu assunto com o rei sedniano.
— Sim senhor! — O gênio respondeu animado.
Malditas lágrimas, durante anos Crystal fora forte, implantara um sorriso na cara, e agora chorava como um bebê diante de sua invalidez e infortúnio.
...
— Maldito! — o esforço para gritar era tamanho que a voz saía arranhando a garganta de Damien. A espada, empunhada à frente do rosto, a capa lilás sacudia-se, levada pelas rajadas de ventos gelados e barulhentos. Logo atrás, cada Marinheira impunha-se em sua pose de luta. Sailor Acqua com seu tridente afiado, Sailor Nature com o chicote de cipó amarrado ao braço, Sailor Wind girava os machados nas mãos com perfeição, Sailor Saturno tinha consigo sua clássica foice, a lâmina reluzia levemente azulada, provavelmente fosse a presença de um espectro amado, ao seu lado, Sailor Phantom mantinha a espada mortífera embainhada, Sailor Ocean segurava a concha próximo ao ouvido e, por último, Sailor Fire, estava só, com o dragão guardado dentro de si, uma aura alaranjada a envolvia. Se havia algo em comum entre todas, independentemente de seus temperamentos, era o desejo de proteger aquelas terras sagradas, o lar de cada uma. Porém, Marine, a aparente líder do bando de guerreiras, demonstrava no intenso azul de seus olhos a profunda devoção por seu rei.
— Ora, ora. Quanta coragem e determinação! — Diamante surgiu diante dos olhos de todos, flutuando com toda a pompa que lhe cabia. Ao seu redor, um vendaval de energia maligna negro como o labirinto de cristais intensificou o clima soturno — Estou aqui, projeto de Endymion! Vejamos se é páreo para mim!
Antes que as meninas pudessem investir em um ataque conjunto, das pontas dos cristais que compunham as paredes daquele labirinto hostil o liquido preto e mucoso jorrou sobre elas, mantendo-as grudadas ao chão. Onyx, no óvni, balançava seu pêndulo de Cristal Negro, como o de costume. Crystal, desvairada, chacoalhava-se e grunhia, Jade apertava-lhe o braço ainda mais forte, Saphiro sequer se mexia, estava concentrado na cena à frente, exibida nos máximos detalhes por meio de holografia: Diamante nos ares, Damien em solo, pés fincados. Ambos encaravam-se sem piscar uma vez sequer.
— Majestade, cuidado! — Sailor Acqua ergueu a mão na direção do rei. O “piche” encorpou-se e mostrou o que realmente era: Medusa. O líquido negro eram as Medusas de Onyx mantendo cativas as Sailors. Por trás de mais paredes negras, um observador de longos cabelos negros e trajes azuis aguardava ansioso o início do embate.
— Agora somos só você e eu, escória! — de braços cruzados, exibindo um largo sorriso sádico, Diamante sentenciou.
— Eu serei o suficiente para terminar de uma vez por todas com você e seus comparsas! — apontou-lhe o fio da espada cristalizada, cintilou como um espelho prateado — Eu vingarei meu pai, Sedna, meu povo, e você jamais assombrará minha Crystal outra vez!
O príncipe nemesiano riu, mas certamente não foi por estar bem humorado. O riso foi raivoso, se não banhado em ódio pungente, incendiário.
— Você disse... “minha”? — a Lua Negra abriu-se em olho dourado, os orbes violetas arregalaram-se insanos — Que sejam suas últimas palavras, dê adeus à sua querida esposa e morra gritando como um cão medroso, igual a seu pai!
Damien, irado, saltou em direção a Diamante sem temores, o olho hipnótico do Black Moon brilhou como nunca antes. Sailor Acqua, com dificuldade se livrou da Medusa que nela se grudara, conseguiu rasgá-la e purificá-la com o tridente. Desesperada, correu em direção a Damien e gritou:
— Não olhe nos olhos dele! — antes que pudesse chegar perto do rei, alguém a agarrou violentamente e em consequência disso tanto o captor quanto à presa caíram emaranhados no piso enegrecido.
Crystal, cativa, soluçava, urrava e se estrebuchava, as pernas trêmulas chutavam o ar na tentativa de impulsionarem-na, de libertarem-na.
— Não, não deixem isso acontecer! Impeçam isso, já! — gritava incessantemente.
Um murro no rosto esquentou-lhe a bochecha e silenciou-a por segundos. Logo, Crystal gritava outra vez:
— Não permitam isso!
— Quer levar do outro lado?! — Jade, a agressora, ameaçou.
— Não deixem que eles se firam, por favor! Não deixem que um deles morra! — Estremecida do fundo da alma até os últimos fios castanhos de cabelo, apelou.
Naquele instante, Quartzy, a mais distante, arregalou os olhos como se fora abençoada com a mais lúcida das visões. Ainda assim, isto não mudava o futuro embate lá fora, e também, a triste realidade: Não poderiam existir os dois, mas apenas um.
Um homem teria que morrer, e qualquer que fosse, Crystal sofreria. Portanto, para a rainha de Tóquio de Cristal, aquela seria uma batalha sem vencedor.
O que mais lhe doía, e isso somente ela sabia, é que jamais poderia torcer contra o predador. Seria mais fácil morrer em seus braços, ver o próprio sangue derramado. Todavia, ele, pronto para matar e para morrer, e se ele morresse... ela morreria. Se Damien morresse, ela viveria de remorso. Mas qual dor seria pior? Se tivesse de escolher, quem Crystal perderia? Não foi a dúvida que a desesperou, mas a certeza.
— Diamante! Não! — os olhos esbugalharam-se, a boca tremeu, uma lágrima após outra e, então, cascatas desceram de seus olhos ao verem o sangue rubro jorrar da farda branca. — Não! — urrou, sem importar-se com os olhares de repúdio que vinham de quase todo o canto.
— Não... pode... ser! — o Príncipe Branco murmurou dolorido, sem compreender como a espada de Damien enterrou-se na lateral de seu abdome, exatamente no mesmo local onde Grande Sábio o atingira certa vez. Os largos córregos de sangue escorreram pela lâmina espelhada, e Damien fitava-o triunfante, mas ao mesmo tempo desacreditado.
Saphiro largou Crystal aos cuidados de Jade e, num impulso, teletransportou-se para o “campo de batalha”. Assim que chegou, flutuante como o irmão mais velho, aproveitou que o rei já havia retomado a espada e lançou-o longe com uma rajada de energia maligna, como o príncipe mais velho, o caçula tinha a habilidade de lançá-las com a palma da mão, para tal, ele estava sem luva. Rápido como um raio, além das rajadas de energia, o mais jovem dos príncipes também teletransportava-se, amparou o corpo pálido de Diamante em queda livre.
— Saphiro! — Hina gritou seu nome antes que ele sumisse. A última visão que o rapaz azul teve foi a de sua ruiva, arfante, ansiosa e... amistosa. No entanto, devido as circunstâncias, a cena de Hina na memória de Saphiro foi como uma estrela cadente que mostra seu brilho e desaparece, fugaz, efêmera.
...
— Abram caminho! — desesperado, o nemesiano caçula surgiu no salão com Diamante nos braços — Quartzy! — gritou o nome da curandeira do clã — Quartzy, faça alguma coisa! — por pouco ele não chorava.
— Vamos levá-lo para o quarto! Prepararei minhas poções! — o sangue do príncipe respingava pelo caminho. Crystal tentou correr atrás dos dois cuidadores, mas foi interceptada por Jade.
— O que pensa que está fazendo?! — a Amazona questionou deveras surpresa pela postura da rainha da Lua Branca.
— Deixe-me vê-lo! Eu preciso vê-lo! Diamante! — gritou o nome na esperança de que ele pudesse ouvi-la. O corpo moreno de Jade manteve-se como uma parede rija e alta. — Diga que ele está vivo, por favor, me diga! — tocou as ombreiras lapidadas na pedra do nome da amazona, os olhos de mel piscaram confusos.
— Quartzy fará uma poção para ele! — tentou acalmá-la sem se dar conta.
— Poções de Quartzy não revivem os mortos. Veja a quantidade de sangue que há pelo caminho. — Topázio observou. O que era aquilo em seus lábios? Um sorriso escondido por trás do véu dourado de suas ondas?
— Deixe-me vê-lo! — Crystal suplicou aos prantos.
— Ele está vivo! Pare com isso! — Jade perdeu a paciência — Aoi, Akai, levem-na ao seu quarto, e que ela espere lá! — ditou, as duas Lolitas simplesmente obedeceram diante da neutralidade de seu mestre.
— Não, me soltem, eu quero vê-lo! Eu preciso vê-lo! Diamante! — gritou o nome sucessivamente pelos corredores, na esperança de que ele a ouvisse, de que o ferimento não fora grave. Seu coração doía, profundamente, como se a lâmina da espada nele tivesse se cravado. Enquanto era arrastada aos seus aposentos, apertava o coração dourado que balançava no pescoço. Os olhos ardiam, e mesmo que ela acreditasse que não haveria uma lágrima a mais para cair, o soro salgado rolava sofrido, não havia última gota.
O que acontecia no quarto do príncipe? Como ele estaria? Como conseguira ser acertado?
Continua...
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