A Minha Queda Será Por Você
31 Doce sonho, amargo desespero
Notas iniciais
A Minha Queda Será por Você
Capítulo 31 – Doce sonho, amargo desespero.
A comida era vistosa, e como sempre, apetitosa. No entanto, nem o sabor ou a brancura do ambiente proporcionavam paz aos presentes. Tão logo Rini e Diana retornaram, sentaram-se caladas e o jantar foi servido. As questões a serem feitas pairaram no ar, todos se perguntavam sobre o que haveria por de trás dos turbulentos olhos carmesim da rainha. Helios tocou a mão da esposa por debaixo da mesa, aquecendo-a. Os dedos da regente retraíram-se nervosos, foram acolhidos pelo toque e sorriso do marido. Conforme os ponteiros do grande relógio moviam-se, os habitantes do palácio saciavam seus apetites, a falta de fome era unânime. Hina, principalmente, mal tocara na comida, antes de a sobremesa ser servida ela partiu sem sequer pedir licença. Antes que alguém a censurasse, Rini pediu pela sobremesa – uma magnífica torta de morango, ironicamente a preferida da princesa – foi a vez de Diamante se retirar:
— Irei ver como está Crystal. — foi direto e nada cortês.
— Espere! — Sailor Ocean se levantou — Eu e Olho de Peixe o acompanharemos!
— Não preciso de companhia. — Não só o Black Moon mostrou confusão, os outros também encararam a guerreira com ares de curiosidade por seu repentino interesse em segui-lo.
— Insistimos! — Peixe entrou em cena, levantou-se também — Se não formos nós, será Sailor Wind. — apontou a guardiã dos ventos — O que prefere?
— Peixe, o que é isso? — Helios perguntou.
— Majestades, não podemos deixá-lo sozinho com a princesa depois de tudo o que aconteceu. É nosso dever estarmos lá de vigia, nós dois bastamos! — o astuto peixinho formou seu argumento.
— Eu poderia ir também. — Damien propôs.
— Não! — Diamante, Peixe e Mizumi responderam em sincronia.
— Queremos dizer, — Ocean rapidamente tentou desfazer o clima estranho — príncipe Diamante partirá pela manhã, deixe-o se despedir da princesa aos nossos olhos. Acho que ele não se sentirá à vontade se príncipe Damien estiver presente. Não o levemos a mal, não é mesmo? E, depois, príncipe Damien poderá passar um bom tempo com princesa Crystal. Sejamos solidários! — soltou boa dose de ar após falar — "Não acredito que dei uma desculpa dessas"! — se reprimiu — Então, vamos logo! Já são para lá de oito horas da noite, se príncipe Diamante pretende viajar logo cedo precisa de tempo para descansar! — bateu palmas duas vezes e afastou-se da mesa, encaminhou-se à porta do salão e de lá gesticulou para que Olho de Peixe fosse atrás.
Diamante, relutante, foi até o corredor onde os dois cúmplices o aguardavam. Uma piscadela da sereia em corpo de marinheira o deixou ainda mais desnorteado.
...
— Mas o que diabos isso significa? — indagou, seguindo os passos deles.
— Shh! Relaxa! — Olho de Peixe disse, fazendo bico — Logo entenderá. Apenas nos siga!
...
— O que foi isso tudo aqui? — Helios, ergueu as sobrancelhas e arregalou os olhos.
— Deixe, querido... Está tudo certo. — Rini, estranhamente, sentia-se tranquila. Estava esperançosa de que Diamante pudesse ajudar sua filha de algum modo, enfim depositara alguma confiança nele.
...
— Chegamos! — Olho de Peixe girou a maçaneta dourada e empurrou a porta, a luz fraca do abajur talhado em madrepérola tornava visíveis os contornos da princesa. — Você primeiro. — deu passagem ao nemesiano.
— Por que estão fazendo isso? — de costas para os guardiões, perguntou enquanto sentava-se à beira da cama e cruzava as pernas. — Digam logo, o que pretendem? — suspirou, irritado.
— Não faz ideia? — a guerreira marinha aproximou-se serena.
— Sinceramente? — ele mal a notou próxima, concentrou-se em fitar a enferma e atormentada amada no leito. — Nada me vem à mente. — inclinou-se de modo que sua mão pudesse alcançar o queixo pálido e nele depositar um afago cheio de pesar. — O que é isso? — o deslizar de uma mão em seu ombro o alertou.
— Você, provavelmente, é a chave para trazê-la de volta... — Ocean sussurrou no ouvido dele: — Mas, para isso, precisará buscá-la dentro dela mesma. O que nos diz? — as largas ondas verde-água escorregaram pelo peito dele, o aroma agridoce preencheu-lhe as narinas e quase o entonteceu — Você vai buscá-la?
— Francamente! — Peixe bufou, ajoelhado diante à princesa — Você precisa agir como uma femme fatale com todos os homens com quem interage? — abriu as mãos escamosas a cinco palmos de distância do busto de Crystal, ali se formou um pequeno clarão, seguido do ritual de rotina o precioso espelho se materializou.
— Impossível evitar meus instintos com homens tão belos! — Mizumi foi ao outro lado da cama segurando a mão de Diamante, conduzindo-o.
— O quê? — sacudiu a cabeça voltando do transe, livrou-se da mão de Sailor Ocean e afastou-se consideravelmente. — O que é tudo isso? — o brilho dourado cativou-lhe os preciosos orbes violeta. — Esse não é ...? — aproximou os longos e pálidos dedos do objeto.
— O espelho dos sonhos de princesa Crystal, sim é. — Olho de Peixe se ergueu — E você entrará nele.
— Como?! — quase pulou.
— Eu o guiarei, não se preocupe. Sou um guardião preparado para a tarefa.
— Não acha que isso é trabalho para o pai dela? — contornou o laçarote da moldura resplandecente com o indicador. — Falando nele, não creio que concordaria com essa proposta!
— Ô criatura, presta atenção! — intolerante, o afeminado integrante do trio circense elevou o tom e pôs as mãos na cintura — Você deve imaginar o que se passa nos sonhos da princesa! Quer mesmo que o pai dela veja? Olá, neurônios! Pensei que fosse mais inteligente!
— Eu e Olho de Peixe tivemos a ideia de fazê-lo resgatar a princesa através de seus sonhos porque acreditamos ser a solução mais viável. — Mizumi interveio antes que o príncipe da Lua Negra resolvesse partir o pobre Peixe ao meio — Não há tempo para muitas explicações. A pergunta é: você está disposto a colaborar ou não?
— Como faço para entrar? — buscou manter-se calmo, embora fosse tarefa árdua. — "Devo isso a ela".
— Aproxime-se do espelho. — a voz aguda do rapazote indicou. — Encaixe o rosto nele, com cuidado.
Seguiu as instruções à risca, segurou o precioso espelho em mãos cuidando para não apertá-lo com muita força, sugou grande quantidade de ar e mergulhou a face nele, notou que o vidro, na verdade, era líquido. Seus olhos sentiram-se forçados a fecharem-se, uma ventania voraz insistia em sugá-lo para dentro daquela dimensão aquífera nem quente sequer fria, somente diferente.
— Deixe-se levar! — a voz de Olho de Peixe ecoou — Não tema, solte-se da moldura!
Os dedos do nemesiano escorregaram e seu corpo foi tragado, quase perdendo a forma. Sailor Ocean tapou a boca com as mãos, assustada.
— Não se preocupe, ele está bem. — Peixe garantiu.
...
— Esse é o interior de Crystal? — em passos desconfiados, Diamante girou o corpo e olhou ao redor. O ambiente era escuro, lamacento e frio. — Não pode ser... — ouviu soluços, pareciam vir de perto. — Crystal, é você? — deu continuidade à caminhada até vislumbrar uma luz dourada ao longe — O que é aquilo? — sentiu-se imensamente atraído, como uma mariposa pela luminária. Instintivamente aproximou-se da tal luz, para a amarga surpresa, era Ela: — Não, isso é impossível! — as pupilas dilataram-se, os lábios tremelicaram, todos os músculos do corpo enrijeceram.
— Diamante... — ela sorriu doce — Há quanto tempo! — o azul dos olhos cintilou — Não pensei que o veria outra vez. — o vento forte tratou de levar as madeixas áureas ao alcance do nemesiano.
— Nova Rainha Serena, o que faz aqui? — não conseguia se mover, a voz quase não soou.
— Esperava por você. — a mulher que ele tanto amara se pôs tão perto a ponto de os narizes se chocarem, os braços quentes envolveram-no pela nuca, os hálitos frescos se entrecruzaram, as pernas do príncipe branco quase se desmontaram.
— Não respondeu a minha pergunta. — ainda tentava manter-se equilibrado.
— Não está feliz em me ver? — aqueles desejados olhos azuis não lhe fugiam ou fulminavam, eles o engoliam de maneira diferente. — Não me quer mais?
Não pôde responder, a proximidade o adormecia, um forte instinto regido pelas memórias mais antigas gritava através do corpo dele, através das mãos estremecidas que apertaram a cintura da falecida Sailor Moon, rainha tão querida.
— Eu... — sussurrou, tentando conter-se — Como eu a quis! Como a amei!
— Beije-me. — ela pediu.
Beijá-la – fora seu maior anseio na outra vida, morreu sem ter a oportunidade de prová-la, de tomá-la como todo o seu espírito tanto necessitava. O fato de ouvi-la pedir por aquilo fê-lo sentir uma satisfação que não cabia dentro dele. Suas articulações tremeram, os ossos rangeram. Ele, que era frio, tornou-se quente. Incendiado, agiu por impulso e devorou-a, quase lhe rasgou a boca. Apertou-a com tamanha força que por pouco não a partiu ao meio. Entretanto, por mais que a apertasse, a aninhasse, a sufocasse, havia algo faltando naquele ato, ele sabia. Findou o beijo e afastou-se, frustrado. Esfregou a mão nos lábios, um profundo vazio o tomou.
— O que houve? Não era o que tanto queria? — a sua musa estava lá, à sua frente, confusa. Não aguentou encará-la, virou-se para o lado oposto, ainda ofegante.
— Não foi como eu pensei que seria. — confessou — Sinto falta de algo...
— Olhe para mim... — Ela pediu.
— Não posso.
— Por quê?
— Não aguento olhar para os seus cabelos dourados. — o amarelo reluzente o incomodava, ele tentava entender o porquê. Havia uma lacuna na memória, algo importante fora esquecido, ele sentia.
— Não gosta deles?
— Preferiria que fossem castanhos... — uma dor latente na cabeça o fez curvar o corpo, enfim ele se deu conta: — Preferiria que fosse Crystal! — ergueu-se de súbito ao lembrar-se — Crystal, onde ela está? — desesperado, foi até Serena a e sacudiu pelos ombros — Onde?!
— Crystal? — mostrou-se confusa — De quem está falando?
— De sua neta, esse é o interior dela, agora me lembro! — olhou para os lados, à procura — Crystal, onde você está?
— Minha neta? Eu não tenho neta...
— Você tem sim, e o nome dela é Crystal!
— Crystal não existe, Diamante. — segurou o rosto do príncipe, forçando-o a olhá-la novamente — Crystal nunca existiu. — sorriu — Eu existo, eu estou aqui.
— Não, Serena, você está morta. — pôs as mãos nos ombros dela e a afastou — Você é o fantasma de um passado distante, e só. — repentino como o amanhecer, enxergou claramente: — Você é uma lembrança, Crystal é o presente.
— Crystal não existe! — ela insistiu. Com o soar de sua voz quase estridente, o ambiente mudou de forma, algumas rachaduras brancas formaram-se nas paredes escuras, o que era mole transmutou-se para sólido, o lamacento tornou-se em espelho, por todas as partes as imagens de Serena e Diamante refletiam confusas como num caleidoscópio.
— Não, é você quem não existe mais. — manteve-se firme. — Mostre-me onde ela está.
— Por que insistir nessa fantasia? Você pode tentar disfarçar, mas sabe bem que quem está aí, no seu coração, sou eu. — tocou-lhe o peito. — Não negue, Diamante!
— É verdade, você está no meu coração, foi a primeira mulher por quem me interessei. — cativou os delicados dedos. — Mas, Crystal também está aqui dentro, num lugar que é só dela.
— Então é isso, você me superou? — uma fina lágrima rolou, embora ela sorrisse.
— É, parece que sim. — suspirou.
— Vai me esquecer?
— Não, isso nunca. Você me ensinou coisas muito importantes. — abraçou-a de olhos fechados — Por isso, serei eternamente grato.
— Quem seria seu grande amor então, Diamante? — sem que ele percebesse, as mechas transmutavam-se do louro para o castanho sutilmente.
— Fui abençoado com dois. Isso é ruim? — sorriu — Nem todos tem a sorte de se encontrarem na vida apenas com um romance, não é assim?
— Quem você viu quando me beijou agora?
— Eu vi Serena. — abriu os olhos — Mas quis Crystal. — o sorriso alargou-se ao notá-la à sua frente: os cabelos de chocolate presos nas clássicas marias-chiquinhas, o corpo de menina, e uma singela lua transparecida na testa. Acariciou-lhe as bochechas ensopadas de choro, enxugou-lhe as pálpebras inchadas, e, enfim, abraçou-a fortemente — Sua tolinha, não pode mais me assustar desse jeito! — advertiu — Estão todos preocupados com você! Não repita essa tolice, está me entendendo? — parecia um adulto passando sermão para uma criança.
— Todos? — ela se mostrou surpresa.
— Sim, todos. Você deveria ficar feliz, pois é muito amada.
— É difícil eu perceber isso, afinal, a vida toda fui comparada à minha avó, não consigo sentir que as pessoas me amam pelo que sou, nem eu mesma sei o que sou, príncipe... Sinto-me perdida, sinto-me uma sombra... — apertou os braços dele, fragilizada.
— Lembra-se das coisas que me disse no jardim, na noite do baile? — enrolou os dedos nas ondas espessas e castanhas — Você me disse ser Crystal e não Serena, ser Sailor Love e não Sailor Moon. Você tinha razão, é exatamente isso o que você é. Jamais se esqueça de sua identidade outra vez ou adormecerá os seus poderes, adormecerá a sua essência. — Beijou a insígnia oscilante na testa — Eu sinto muito tê-la feito passar por tudo isso, me perdoe, Crystal. Não queira ser outra pessoa além de si mesma, me prometa isso.
— Ainda me sinto confusa sobre uma coisa... Por que, no baile, quando cantei com os Three Lights, todos viram minha avó no meu lugar?
— Isso nem eu sei explicar. Você pode ter algo de Serena, mas definitivamente não é ela, e isso não é problema algum. Entendeu?
"Eu faço parte de você, e você faz parte de mim" — aquilo de novo, que certa vez a imagem de Serena disse, ecoou na mente de Crystal.
— Agora, você precisa acordar. Não sei se você lembra, mas está adormecida há algum tempo desde que eu a trouxe de volta para o palácio. — segurou-lhe as mãos, afagou-as com os polegares.
...
— A insígnia da lua branca! — Mizumi sorriu aliviada ao vê-la piscar na testa de Crystal.
— A pele dela está menos fria... — Olho de Peixe deslizou a palma escamosa sobre uma maçã ligeiramente corada.
— Eu tinha razão, a chave era ele. — a bela senshi orgulhou-se.
...
De mãos dadas, eles caminharam e juntos vislumbraram o cenário – antes escuro, depois espelhado – mudar para um lindo campo onde cristais furta-cores, flores e córregos se misturavam, o céu parecia pincelado de cores, uma verdadeira utopia em aquarela.
— Essa é sua paisagem perfeita? — ele perguntou curioso.
— Olhe mais à frente. — ela apontou para um monte azulado. Lado a lado foram até lá, agraciaram-se com a visão de infinitas roseiras azuis, tais como as rosas que Crystal pintara.
— É lindo. — Diamante seguiu na frente, tocando cada rosa pelo caminho, uma sutil brisa se encarregou de adornar sua capa com algumas pétalas, outras confundiram-se com o azul-celeste de seus cabelos. — Crystal? — a procurou, viu-a apoiar-se em um pequeno galho — O que há com você?
— Não é nada, ainda estou um pouco fraca.
— Ainda precisa descansar... — percebeu — Dê-me o braço.
— Só dou trabalho, né? — suspirou, chateada.
— Olhe-me. — estancou os passos, virou-a para si — Não quero vê-la se martirizar por mais nada, entendeu?
— Sim... — intimidada, fugiu dos olhos dele.
"Eu deveria contar a ela sobre minha partida" — pensou, enquanto a encarava.
— Obrigada por não desistir de mim... — enredou-o, acomodando-se nos bordados azuis da farda, deslizou a bochecha pelo tecido e selou as pálpebras ainda fundas e levemente úmidas. — Você veio me resgatar... — emocionada, apertou-o — Eu não aguentava mais ver aquelas imagens cruéis, não aguentava mais sentir inveja e ciúmes de minha avó. Sei que disse não me importar se você a visse quando estivesse comigo, mas fui uma péssima mentirosa até para mim mesma, não é? — riu chorosa — Eu prometo, por você, que nunca mais deixarei isso acontecer comigo. Você me dá forças... — subiu as mãos pelo peito dele até apoiá-la nos largos ombros. Mirou-o, docemente melancólica — Se você está aqui, eu tenho tudo. Se você se vai, eu não tenho nada. — tomou as mãos dele, entrelaçou os dedos — Sabe o que eu acho?
— Não. O quê? — atentou a cada nuance dela, as declarações espontâneas que a princesinha fazia emocionavam-no a ponto de seu coração acelerar violento e dolorosamente apertado.
— Nós somos o ponto de equilíbrio um do outro. — acomodou uma mão dele entre os seios, onde seu coração palpitava, em sincronia uma mão dela pousou no peito dele, sentindo as vibrações do órgão vital, os ritmos se igualavam — Assim como a escuridão, a luz não pode existir sozinha. O dia precisa da noite, o sol precisa da lua, eu preciso de você. — trouxe a mão dele à boca, beijou-a com toda a ternura destinada somente a ele.
— Crystal... — se contasse que deveria partir, todos os pedaços que conseguira reunir se esfacelariam outra vez. Optou pelo silêncio. Esforçou-se e, por um triz, conseguiu sorrir. — Você é única. — puxou-a para si, fazendo-a equilibrar-se na ponta dos pés. Inclinou-a para trás e reclinou-se sobre ela. Os fios celestes recaíram sobre a face rosada e juvenil, as violetas semicerraram-se enquanto os dois mares azuis e profundos acalmaram as tormentas. Primeiro ele tomou-lhe o lábio inferior numa singela mordida, depois tratou de fazer o mesmo com o superior e, sem dar tempo para suspiros, induziu-os a abrirem-se como o desabrochar de uma flor, assim deliciou-se com um beijo. Beijou-a como se não a beijasse há anos, ela correspondeu-o à altura.
Aos poucos, abraçados, entregues, eles se abaixaram até tocarem os joelhos na terra fofa. Ali, entre carícias passionais, Diamante tentava se confortar, pois sabia da incerteza do dia seguinte, não desejava contagiar Crystal com ela. Passou o braço pela cintura da menina, induziu-a a deitar-se de lado e afundar o corpo nas flores, ele, de frente para ela, tomou-lhe o pescoço, depois o ombro despido, enfim degustou o colo quente e palpitante, afoito. Os dedos dela perderam-se nos cabelos de céu, cada suspiro foi um deleite.
— Lembra-se da promessa que fiz de visitá-la outra vez em seu quarto? — sussurrou entre beijos estalados.
— Sim! — corou.
— Deixe-me cumpri-la agora... — num suspiro soprado ao ouvido dela, o pedido soou como sugestão.
Olhou-o surpresa e corada, os enormes olhos azul-oceânicos tremeluziram arregalados, ela tremeu por inteiro. Ele a fitava, vidrado, os dedos pálidos contornavam os adornos prateados do decote, brincavam com as contas bordadas no busto lilás do vestido, Crystal, estática, entreabriu os lábios e respirou fundo.
— Não está preparada? — ponderou, selando os narizes e semicerrando os olhos — É tão menina, talvez seja cedo... — beijou-lhe o morno canto da boca.
— Eu quero! — respondeu impulsiva, rubra de vergonha — Sonho com esse momento todas as noites! Sonho... — pausou, pensativa — Isso é um sonho? — fitou-o outra vez.
— Estamos em sua consciência... — cativou-lhe a face quente e rósea, deslizou o indicador pelo delicado nariz e pela pequenina boca — Mas isso é real, Crystal. Somos reais... Não sente? — virou-a sobre a grama, acomodou-se por cima dela. A capa escorregou feito cortina sobre os dois, sentindo-a pesar não fez cerimônia em retirá-la e deixá-la voar para longe. — Engraçado, sinto como se já tivéssemos vivido algo parecido... — buscou na memória — Ah, sim! É verdade — riu discreto — Estivemos assim uma vez, lembra-se? — inclinou-se, até roçar os lábios nos dela — Confesso que gostaria de ter feito isso naquele dia...
— Isso o quê? — a pergunta soou arrastada, como se a jovem princesa sofresse hipnose.
Diamante respondeu com gestos: uma de suas pernas enredou a de Crystal, induzindo-a a suspendê-la singelamente, com uma mão, o líder da Lua Negra cativou a nuca da menina e a fez erguer a cabeça, de modo que os lábios que se roçavam finalmente espremessem-se uns nos outros. As línguas, afoitas, entrelaçaram-se e eles quase se sufocaram. Entre suspiros e grunhidos, o príncipe apertou o ombro delicado, e firme como a rocha que era, desceu os dedos vorazes pela clavícula e caminhou entre os seios adolescentes, ela quase teve um espasmo, os joelhos desdobraram-se. Cessou o beijo abruptamente e olhou-a sem dizer palavra alguma, mordeu-lhe o queixo e então o pescoço, doces gemidos apenas o incentivaram a continuar. Intenso, segurou-lhe os punhos e suspendeu-os à altura da cabeça dela, Crystal apertou folhas verdes de grama e arrancou-as, o coração saltava como uma lebre. Ele pesava sobre ela, a respiração dele surrupiava a dela, e era mais real do que qualquer outro momento na vida. Sorridente, a neta de Sailor Moon contemplou o céu colorido como um místico arco-íris e declarou:
— Esse é o dia mais feliz de minha vida...
O príncipe depositou um beijo onde as batidas aceleradas vibravam. Libertou os punhos de sua princesa para poder livrá-la do vestido. Desceu o fecho traseiro que ia do meio as costas até a lombar, antes que a grama lhe pinicasse, o nemesiano suspendeu-a levemente e colou-a si, as palmas gélidas acarinharam a pele quente. Ansiosas, passearam por debaixo do tecido e fizeram-no escorregar, nem tão lento, nem tão rápido – um braço de cada vez – e Crystal estava nua até o umbigo, madeixas esparramadas lhe cobriam os seios rosados.
— O dia mais feliz de minha vida será quando esse ato se concretizar de fato, não apenas em nossas fantasias... — enfim ele falou, contemplando-a. Afastou os cabelos que atrapalhavam-no a ter completa visão dos pequenos atributos da amante imatura. Não era o número ou o tamanho das curvas que o interessavam, mas sim aqueles olhos completamente entregues, o brilho neles que dizia "eu o amo" a cada piscadela. Tornou a experimentar a maciez, primeiro tomou um seio entre os dedos e massageou-o levemente, Crystal revirou os olhos, extasiada. Notando-a apreciar o toque, sem cerimônias apertou o pequeno monte. Ela abafou um gemido, envergonhada. O calor já lhe subia por entre as pernas. Instintiva, embora tímida, desceu desajeitadamente o diamante cravado na farda dele como um botão. Facilitou as coisas para ela, livrou-se da farda e da camisa social que usava por de baixo. Segurou as mãos estremecidas e fê-las tocarem-no, o calor emitido por elas contagiaram-no. Diamante suspirou e fechou os olhos, deliciando-se.
— Tão lindo... — ainda que ele fosse frio, o frio dele a confortava. Cada traço que o delineava era a perfeição para ela, por isso os contornou minuciosamente, e, desejosa, quis experimentá-lo com os lábios. Induziu-o a inclinar-se para trás e sentou-se. Abraçou-o, arranhando suavemente suas costas, beijou-o nos ombros, no pescoço, peito e barriga. Conforme beijava-o, passeava por seu corpo com os dedos trêmulos e obtinha como resposta grunhidos graves.
Enquanto deliciava-se com os carinhos ingênuos, Diamante desfazia-se das marias-chiquinhas de Crystal. Quando os fartos cabelos finalmente esparramaram-se, ele pegou um punhado dos fios e puxou-os, fazendo-a inclinar-se e olhá-lo outra vez. Ela soltou um gritinho, doeu um pouco, todavia, acima de qualquer dor havia o calor que a dominava.
— Deite-se. — ele ordenou, ela obedeceu de pronto. Não havia terminado de degustá-la, prosseguiu o caminho que iniciara, desenhou com o ápice da língua o trajeto do pescoço aos seios, contornando a curvatura perfeita, sugando-os lentamente, um de cada vez. Assim que terminou de deixá-los rijos e avermelhados, insistiu na descida, até que o tecido da saia o impediu de continuar. As pernas da princesinha o envolviam, os cabelos dela o enredavam, os timbres que soavam da garganta eram como um pedido: me tome!
...E foi o que ele fez. Passou as mãos por debaixo do vasto tecido, apertou os joelhos, as cochas, afundou os polegares na virilha, e num só movimento livrou-a da roupa íntima. Sem avisar, encaixou a mão à brecha e a voz de Crystal rasgou o vento, o corpo inteiro balançou-se. Diamante sorriu malicioso. Era tudo o que ele queria – o líquido escorreu por entre os dedos – ela já estava vertiginosamente entregue. Introduziu lentamente um dedo no interior inexplorado, as pernas dela, descontroladas, arregaçaram-se bamboleando. Ela o abraçou forte, grudou a boca ao seu pescoço abafando possíveis gritos. O estado em que ela estava o enlouquecia. Sem pensar nas consequências, Diamante arrancou-lhe a saia, rasgando-a toda, desfez-se da própria calça com a mesma violência, e então, Crystal enrijeceu feito pedra. Ele estava, finalmente, completamente nu sobre ela, os corpos atados dividiam os choques de temperatura. Ela cerrou os olhos, repentinamente apavorada.
— Olhe-me. — outra ordem imediatamente obedecida. As testas colaram-se, a Lua Negra uniu-se à fosca lua dourada que aos poucos se reapresentava. O violeta misturou-se com o azul — Não desvie o olhar! — soou autoritário. Pegou uma mão levemente suada, beijou-a e fê-la agraciá-lo com novos toques, desceu-a pela própria barriga e a parou próxima de sua intimidade rija e latente — Toque-me. — a fez envolvê-lo com os dedos, Crystal quase desfaleceu. Tamanho foi o nervosismo que chegou a apertá-lo com força, dessa vez ele estremeceu num misto de prazer e dor. Assustada, largou-o. Quase impaciente, ele a fez segurá-lo outra vez — Toque-me! — insistiu e beijou-a, ainda mais faminto. Ela tinha razão, embora fosse dentro dos sonhos dela, era mais concreto do que a própria vida pulsando nas veias deles. De início, Crystal acarinhou-o insegura e destrambelhada, conforme o ia tocando e ele a tocava, a timidez deixou de ser grave empecilho. Ambos se propiciaram enorme deleite. Enquanto descobriam-se, os corpos atritavam-se, colados.
Entre beijos e suspiros, Crystal sentiu um arrepio percorrer a espinha, era vento... E onde estava a grama? Muito abaixo, talvez a metros de distância. Eles estavam suspensos, no ar, ou melhor: flutuando no céu, perdidos naquele arco-íris infinito de sonhos, esperanças e amor sem fim. Por um medo bobo de altura, ela o apertou fortemente contra si, envolvendo-o entre braços e pernas.
— Eu jamais a deixarei cair... — disse ao seu ouvido, o olho dourado cintilava no lugar da insígnia Black Moon.
— Mentiroso... — roçou o rosto ao dele.
— Duvida de mim? — beijou-lhe o ombro.
— Como pode me impedir de cair se já sou completamente caída por você? — apertou-o mais ainda.
Príncipe Diamante parou e olhou-a por breves segundos. Gravou bem na memória aquele sorriso rendido e devoto, atentou-se à discreta lágrima que rolou pelo canto da face. Aquela imagem foi a certeza: ela o esperaria sem se importar se fossem dias ou anos de espera. E foi essa certeza que o fez concretizar o sonho dentro do sonho. Aos poucos, com cuidado, esforçando-se para não render-se ao instinto de afobação, ele adentrou a porta nunca antes adentrada. A voz aguda, cantada, soou alta e incontida, ela não se conteve. Suas pernas fecharam-se mais ainda ao redor da cintura dele. Crystal estava tão rendida que, embora fosse intocada, estava escorregadia a ponto de facilitar a penetração.
— Quente... — ele pensou alto, extasiado. Teve de parar um momento e respirar fundo, ali, dentro dela. Ouviu-a soluçar baixinho, suspendeu o rosto e viu-a chorar e sorrir ao mesmo tempo, a lua dourada ganhou mais brilho — Está doendo?
Ela negou num meneio de cabeça, encaixou o queixo no largo e alvo ombro, afagou as costas geladas e apertou-lhe os braços fortes, ele deu continuidade. Segurou-a pelas nádegas e moveu-se para frente, mergulhou-se dentro dela e pelos grandes lábios foi apertado. Estremeceu por inteiro, quase enlouquecido. Os corpos giravam no ar enquanto ele entrava e saia de dentro dela, nem calmo nem animalesco, simplesmente intenso. Os braços dela lhe envolviam a nuca, afagavam os claros fios, os lábios dela beijavam-no todo o rosto, mordiscavam-lhe, desesperados. Quanto mais ele movia-se nas profundezas dela, mais calor ela emanava, e o príncipe encharcava-se. Demorou um pouco para que ele se tornasse mais veloz e firme, quis aproveitar o máximo que pôde daquele momento onírico. Quando finalmente entregou-se ao instinto que o fazia Grande Príncipe Diamante, as estocadas passaram a ser violentas, o atrito provocou certa ardência dentro de Crystal. Doía... Era dolorosamente delicioso. Ela o arranhava todo, grunhia, tremia e ofegava. Ele respondia invadindo-a, pressionando o ápice do membro à parede interna dela. A mistura de sensações enfim tornou-se na explosão que estava por vir: ela antes dele, compreendeu no que todo aquele calor que ela sentia sempre que tinha sonhos ardentes daria: na desestrutura emocional e física, nos músculos respondendo por si mesmos, ignorando qualquer tipo de controle. Na supremacia das sensações sobre a razão e a finada timidez. Uma luz branca a envolveu enquanto uma aura escura tomou o príncipe, o branco e o negro uniram-se em um só, enfim, chegou a vez de ele se sentir agraciado pelo mesmo prazer de Crystal. Abraçou-a com força, apertou-lhe as coxas, e derramou-se todo dentro dela, violento e fugaz como ele bem era. Arfante, pousou a cabeça à dela, ambos transpiravam. Finalmente, o sonho realizou-se. Crystal, no auge de seus 15 anos, perdera docemente a inocência.
— Eu não quero acordar... — lamentou-se, catártica.
— Garanto que isso será melhor quando estivermos despertos. — beijou-lhe a lua, finalmente resplandecente. — Agora sim, você é você. — beijou-lhe os lábios. — E eu... — respirou fundo — amo você. — sorriu, embora soasse triste.
— Diamante... — o coração, disparado, estancou. — É a primeira vez que me diz isso! — o rosto não tardou a inundar-se em lágrimas de emoção. — Estou tão feliz, tão feliz! — encheu-o de selinhos.
— Minha Crystal... — sussurrou — Prometa-me que será forte, prometa-me que não permitirá que nada a abale. — fitou-a profundamente, recobrando a seriedade — Você não pode perecer, jamais! Entendeu?
— Só há uma coisa no mundo que pode me derrubar, Diamante... Essa coisa é te perder.
— Crystal... — respirou fundo, precisava contá-la de sua partida, a coragem faltava.
— A minha queda, será por você... — afagou a alva face, cativando o olhar e o silêncio — O meu amor, estará em você... — roçou os narizes — E, se você for aquele que me ferir... Então... eu sangrarei eternamente.
As palavras, por mais belas que fossem, atravessaram o peito dele como uma adaga amargamente afiada. Ela, ingenuamente cruel, irradiava no sorriso a mais ácida ternura. Enfim, estava inteira e ele iria despedaçá-la se contasse a verdade.
Se a ama, deve prezar a sua felicidade acima de tudo! — lembrou-se das palavras de Sailor Moon e conformou-se, não desejava assassinar a alegria de Crystal, se a magoasse naquele instante, ele próprio se despedaçaria.
— Doces sonhos, minha princesa... — disse, olhando-a sem piscar.
— O quê? — repentinamente, Crystal sentiu-se fraca novamente. Os olhos de Diamante piscaram em um tom azulado, depois disso, a vista dela nevoou-se, todo o cenário embranqueceu e as pálpebras dela pesaram. A última coisa que viu foi, na nuance dele, um traço melancólico. Os lábios dele moveram-se, dizendo algo que ela não foi capaz de compreender.
...
Seiya fechou a última mala, estava tudo pronto para partir. Antes de abandonar o quarto, vislumbrou a linda paisagem através da enorme janela. Sentiu o coração apertado, pôs a mão sobre o peito tentando acalmá-lo.
— Por que estou sentindo isso?
Seiya...
Ele se virou bruscamente, à procura. A voz era inconfundível.
— Bombom?!
Obrigada, a canção foi linda... — a imagem, translúcida, reluzia no vidro da janela. — Você se entregou completamente, me emocionou muito!
— Então era mesmo você lá, eu sabia! — tocou o vidro exatamente onde as mãos dela estavam. — Crystal é mesmo sua reencarnação?
E se fosse?
— Então ela é você!
Ah, Seiya... — pausou —Você é um bobão, sabia?
— Bombom, espera! — ela ia desvanecendo — Ela é você ou não? Como ela se transformou em você no baile? Responde, por favor!
Ela não se transformou em mim, eu me transformei nela.
— Como assim, Bombom?
Você me chamou, eu vim... Não é assim que funciona a música de vocês? — riu-se — Boa viagem, Seiya, seja feliz!
— Bombom... — as mãos escorregaram pelo vidro, o espectro dissolveu-se em borboletas douradas que voaram e dissiparam-se no vento frio da noite. — Entendi. — suspirou e sorriu. — Obrigado por marcar sua presença. — espreguiçou-se — Bom, é hora de voltar para casa! — pegou as bagagens e saiu do quarto, lá fora a lua brilhava.
...
Os raios solares fizeram Crystal abrir os olhos subitamente. Confusa, se sentou, em um piscar de olhos ela saiu do cenário de um campo florido para o seu quarto. Aos poucos, foi se lembrando dos últimos eventos, um ímpeto de alegria a fez jogar-se deitada sobre a cama novamente e abraçar-se ao travesseiro. Riu, envergonhada e contente, tomada pela euforia balançou as pernas. Girou o corpo no leito e virou-se para o criado mudo, notou sobre ele um objeto bem peculiar: um brinco lapidado em cristal negro. Pegou-o nas mãos e o analisou, perguntando-se o porquê de ele estar lá, sabia a quem pertencia. Enfim, considerou-o um bom sinal, uniu-o ao peito e levantou-se da cama, rodopiando.
Ansiosa para reencontrá-lo e repetir o ato da noite passada, saiu afoita do quarto e correu na direção do dele, no caminho trombou com Sailor Ocean.
— Princesa! — segurou-a pelos ombros. — Que pressa toda é essa?! — agiu como se de nada soubesse.
— Com licença, Mizumi, preciso passar! — esquivou-se.
— Ah, não, é que... Ei, espere! — não conseguiu segurá-la, estava impossível.
Ofegante após correr a pequena maratona, parou diante a porta fechada do cômodo do príncipe. No pique, empurrou-a com força e invadiu o quarto – deu-se com um aposento vazio –, frustrada, correu pelos corredores procurando por ele, até que numa segunda trombada, deparou-se com Sailor Fire, abatida.
— Hina, você viu o príncipe Diamante? — radiante, abraçou a amiga — Ai, tenho tanta coisa pra te contar depois! — viu-a baixar a cabeça e fechar os olhos úmidos — Hina, o que está havendo?
— Sinto muito, Crystal... — a voz soou entrecortada.
— O quê? Por quê? — não entendeu de imediato, até que uma lembrança se avivou: os olhos de Diamante reluzindo um brilho azul, e os lábios dele, num movimento, dizendo algo que só naquele momento ela pôde discernir: perdoe-me.
Os olhos de Crystal perderam o brilho, a boca entreabriu-se, muda. Os braços penderam como se de pano fossem e ela deu dois passos para trás, afastando-se.
— Sinto muito! — Hina enfatizou, dilacerada.
... Ela correu de volta para o quarto, procurou qualquer vestígio dele e tudo o que encontrou foi o vaso, que outrora continha rosas pintadas de azul, vazio.
— Não... — primeiro um sussurro — Não! — depois, um grito incontido. Caiu de joelhos, mal conseguia respirar — Ele prometeu, ele prometeu! — o pranto desceu impetuoso — Diamante, não! — enlouquecida, cravou os dedos nos próprios cabelos — Não!
— Crystal! — Rini surgiu à porta, os gritos da filha a alarmaram — Crystal, minha filha! — jogou-se de joelhos ao lado dela e a abraçou com firmeza. Os urros da menina chamaram a atenção de todos os habitantes do palácio.
Uma sombra parou diante dela, ao erguer o rosto notou-o de pé, trajado na armadura de cristal. Os olhos azuis derramavam-se sobre ela apreensivos. Crystal escondeu-se no abraço materno, o corpo tremia enquanto ela chorava desesperadamente e repetia, indignada, aos berros:
— Ele me prometeu que não partiria! Ele me prometeu!
...
— Perdoe-me! — ele disse uma última vez, já na dimensão espaço-temporal, antes de entrar pelo buraco negro que o levaria ao planeta natal, trazia em uma mão o buquê de rosas feito por Crystal, do outro lado quem o aguardava era Jade.
Continua...
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