Notas iniciais
Agora sim, tudo em ordem! Estranho, quando fui escrever o título do capítulo anterior (que não foi postado por alguma bruxaria) o nome apareceu automaticamente, como se eu já tivesse escrito. A minha teoria deve estar certa, provavelmente eu não confirmei a postagem do bendito - insira a ofensa aqui -. Leitores queridos, peço perdão novamente e gostaria de saber se vocês chegaram a ler do jeito confuso em que estava... Torço para que ninguém desista da fanfic por causa da pequena confusão, eu a escrevo com tanto carinho... Enfim, vamos à leitura! Espero que gostem...

A Minha Queda Será por Você
Capítulo 39 – Discurso memorável

— Elysium! Diana exclamou admirada, em seguida saltitou ao redor de alguns cristais, analisou-se refletida nas pedras e riu descontraída É mesmo o Mundo dos Sonhos!

— Tá bom, tá bom, é lindo, eu sei! Olho de Peixe cortou-a, impaciente Mas não é para você ficar brincando e dançando, a partir de hoje você é uma guardiã, tem que fazer a ronda, tem que tomar conta e etc, etc, etc.

— Por que está tão irritado? aproximou-se a balançar os braços Aliás, por que viemos embora de madrugada, sem nos despedirmos das pessoas? e cruzou-os Isso não foi nada bonito!

— Dei o recado ao Olho de Águia, não se preocupe. O grande culpado por termos partido às escuras fui eu, ok? virou o rosto para o lado oposto, não queria encará-la. Estava envergonhado, na verdade o desconforto o acompanhava desde que o príncipe sedniano descobrira a sua real sexualidade. "Não dava para continuar encarando Damien, que droga!" suspirou "Devo me contentar com o meu destino"... contemplou a paisagem onírica, depois passou os olhos pela figura ao lado: uma menina serelepe, irritantemente alegre e questionadora. Estou feito na vida! pensou alto e cobriu a testa com a mão.

— Ei, Peixe! O que é aquilo? apontou curiosa.

— Sei lá, garota! Provavelmente mais um lindo cristal, uma linda flor, um lindo cavalo, uma linda porcaria qualquer! Me deixe em paz! deu-lhe as costas.

— Você não me disse que teríamos companhia, é uma menina!

— Hein?! virou-se tão rápido que deu uma pirueta Mas o quê?! arregalou os olhos e se eriçou todo.

Os cabelos lilases suspendiam-se no ar enquanto ela vagava errante pelos bosques, dos joelhos para baixo não existia nada além de fumaça translucida e mesmo o corpo era como uma holografia, transparente, os olhos opacos inexpressivos, e a pele branca como a lua. Naquele caminhar sem rumo ela atravessava árvores e cristais, até desvanecer-se por completo.

— Fantasma! os dois gritaram em uníssono e se abraçaram, apavorados.

...

— Que tipo de treinamento é esse, Neherenia?! Rini, explosiva, sobressaltou-se depois de ouvir a outra rainha narrar como tudo sucedera do outro lado do espelho.

— Querida, eu entendo a sua aflição, mas tente se acalmar... Helios massageou-lhe os ombros A sua mãe confiou em Neherenia, devemos confiar também.

— Rini, a mulher se chegou, séria, sem cerimônias Já que estamos só os três aqui, nesse momento, podemos e devemos falar abertamente. encarou a ambos A filha de vocês é uma menina muito amável, e isso é bonito. A criaram para ser assim e graças a isso ela tem um coração puro, por essa causa foi escolhida como guardiã dos cristais sagrados. Sim, dos dois cristais. Eu percebo bem o que acontece, Helios, a menina logo adquirirá poderes para vagar pelos sonhos, como você fez um dia. Formidável, devo admitir. Porém... a pausa longa atiçou a outra rainha, fazendo-a bater os pés no piso precioso a princesa está apaixonada pela escuridão. Crystal apaixonou-se pelo inimigo, e, inevitavelmente, um dia haverá de confrontá-lo. fechou os olhos e uniu as mãos à altura do ventre, os dedos cruzaram-se Ela precisa estar forte e madura. Digam-me o nome, um único nome, de alguém que conseguiu amadurecer sem passar por sofrimentos. Vocês o tem?

— Mas ela já está sofrendo tanto por causa da partida dele! Rini protestou E não sabemos como o futuro será, pode ser que o príncipe não nos ataque, pode ser que ele convença seus compatriotas a aceitarem nossa amizade!

— Você deseja com todas as suas forças alimentar essa esperança, todavia sabe muito bem que pode tanto ser como pode não ser, Rini. Neherenia prosseguiu Se sua filha não tiver uma atividade, acabará por se entregar à saudade e à amargura, e se as suas guardiãs não tiverem uma atividade, ficarão estagnadas onde estão, vocês bem sabem o quanto elas precisam se superar caso príncipe Diamante siga um caminho não favorável a Tóquio de Cristal.

— E, através do que você chama de treinamento físico, está buscando acender em cada uma delas a sua verdadeira força, é isso? Helios perguntou.

— Aquelas meninas, todas elas, possuem grande poder dentro de si. No entanto, esse poder só se prova em momentos de dificuldades. O poder cresce na medida em que é necessário, ele é invocado, não é mesmo?

— Como você poderia saber tanto, Neherenia? Rini, mais calma, foi racional. Minha mãe não conheceu nenhuma dessas garotas, ela não poderia ter passado tantas informações.

— Deixe-as treinar, principalmente a princesa. Poderá haver o dia em que dois amantes tenham de se enfrentar, e, inevitavelmente, um deles cairá. Não creio que desejem a queda de sua filha, a única herdeira do trono.

— Não! os regentes exclamaram juntos.

Então, por favor, peço-lhes que me permitam fazer a minha parte. Enquanto isso, façam a de vocês, deixem as jovenzinhas estudarem em um colégio na cidade, será bom para elas conviver com pessoas comuns, quanto mais atividades ocuparem essas garotas, principalmente a princesa, melhor. Com licença. reverenciou-os e saiu do salão.

— Querida, as meninas não se machucaram, você as viu. Não tinham um arranhão pelo corpo, estavam apenas cansadas. Neherenia pode estar certa, ao menos Crystal saiu do quarto, fez algo de diferente. Amamos muito a nossa filha, amamos tanto que não conseguimos ser duros com ela... Quer dizer, eu não consigo, sorriu e você, por mais que tente, acaba amolecendo no final, não é mesmo? afagou-lhe o rosto Deixemos que Neherenia faça por nós o que gostaríamos de fazer, mas não somos capazes. Acho que seremos mais úteis tentando acalmar os ânimos dos cidadãos de nosso reino. Se queremos que os Black Moon convivam em paz na Terra, precisamos preparar o terreno.

— É verdade, querido. Acho que deveríamos visitar a cidade e levar Crystal conosco. Como Neherenia disse, quanto menos tempo ela passar no quarto, melhor será. abraçou-o. Falando nisso, hoje mesmo Hotaru irá matriculá-las no colégio Juban após o almoço.

Enquanto os pais conversavam sobre a filha, o tema de suas conversas tentava tirar um cochilo antes do almoço. Largada sobre a cama, com os braços abertos e as pernas cruzadas, Crystal fechava e abria os olhos, olhava para o teto, frustrada, o sono não vinha e ela precisava que viesse para poder dormir e sonhar.

"Será que eu o vi mesmo, ou será que foi mais um sonho como os que eu tinha antes?" as pestanas selaram-se, ela contou carneirinhos, quando o sono começou a dar as caras, os carneiros adquiriram a face do homem que desejava ver, as expressões dela se retorceram diante do acontecimento bizarro. Então, o cenário de fazenda começou a derreter e tornar-se um lago esverdeado, as águas inquietas a puxaram consigo até um bosque.

— Não se atreva! a voz rasgada a fez acordar e pular da cama.

Caiu sentada sobre o chão, enrolada pelos lençóis, apenas com os olhos a mostra.

— Aquela menina... abraçou a si própria Ela não vai me deixar ir até ele, não através de seus sonhos. Por holografias não conseguimos nos comunicar com Diamante, se eu quiser vê-lo...

Essa é a minha nau. Lembrou-se da nave exótica de Damien, o coração acelerou esperançoso.

— Isso! levantou-se depressa, os lençóis caíram sobre o piso como leves cortinas. Crystal, você é um gênio! pulou empolgada. Enfim tinha um plano, ou achava que tinha.

...

Marine acertava murros e chutes no tronco de uma grande árvore à frente. As mãos lascavam-se, no entanto, a menina perseverava. Acreditou que ninguém a procuraria nas profundezas dos jardins, fora além da grande estufa, onde se encontrava a mata era virgem e não ornamental, havia apenas árvores, grama alta, e o cheiro da terra úmida.

— Vai estragar suas lindas mãos, boneca. Olho de Tigre esticou os braços por cima de um dos galhos mais baixos e esbanjou um sorriso.

— Cala a boca! praguejou irritada Não estou no clima hoje, aviso logo.

— Pobre da árvore então! suspirou e se pendurou elegantemente num galho um pouco mais alto, depois de equilibrar-se, sentou e apoiou as costas no tronco.

— Pensei que finalmente tivesse me livrado de você. chutou a madeira com tamanha força que, de onde o "Amazona" estava, sentiu ligeiro tremor. Me deixa em paz, anda! Quero treinar!

— Você é tão decidida, não é? fitou-a Admiro isso em você. o tom do elogio, diferentemente do costume, foi espontâneo, deveras sério.

— Você está diferente. parou de maltratar a pobre árvore, e encarou-o O que você quer?

— Onde está sua amiga?

— Reiko? surpreendeu-se.

— Estou procurando por ela. saltou do galho, pairou a frente dela. Sabe me dizer onde ela está? Não a achei no quarto.

— Ai, que maravilha! riu comemorativa Que lindo! aplaudiu, embora as articulações dos dedos doessem Até que enfim, estou livre!

— Poupe-me disso e me fale logo, vai! Tigre cruzou os braços e revirou os olhos.

— Se não está no quarto, deve ter ido ao haras, ela adora montar.

— Obrigado. afastou-se tranquilo.

— Ei, Olho de Tigre! a voz de Marine fê-lo parar, distante. Os olhos azuis recaíram sobre ele, atentos e violentos Se você estiver usando Reiko apenas como uma diversão barata, não te perdoarei! apontou-lhe uma mão fechada.

— Não se preocupe, cuidarei melhor dela do que cuidaria de você. deu as costas e foi-se, deixando uma Sailor Acqua confusa para trás.

Enquanto Marine ficou a pensar sobre sua rápida conversa com o guardião dourado, Reiko surpreendeu-se com a aparição repentina do rapaz ali, onde ela se escondia de vez em quando.

— E aí, pronta para nos derrubar outra vez? brincalhão aproximou-se do grande celeiro, lapidado em cristal como todas as outras construções.

Viu-se encantado por ela – os cabelos negros presos em uma trança, o corpo esbelto enfeitado por trajes de equitação, as botas negras iam-lhe até os joelhos, as mãos enluvadas acariciavam a crina acobreada do cavalo marrom. O animal selvagem, por instantes, esquecia-se de sua natureza e entregava-se às doces carícias que, aos poucos, o domesticavam. Nem parecia o mesmo pangaré que os derrubara da outra vez. Olho de Tigre pulou o cercado e parou ao lado dela, esperando-a dizer algo e nada veio. Descontraído, puxou-lhe a trança, Reiko, quieta, olhou-o zangada.

— O que foi? Não vai falar nada? ela virou a cara em resposta Ei, olha pra mim, vai! cutucou-lhe o ombro Ah, qual é?! Você nem tá machucada! E, se fosse por isso, eu deveria estar chateado também, você tacou areia no meu olho, poderia ter me cegado! exagerou, como sempre.

— Sai daqui antes que eu te jogue no cocô do cavalo! resmungou.

— Você sabe que eu não poderia pegar leve com você, não seja tão mulherzinha! pôs as mãos na cintura, irritado.

— Ah claro, agora eu tenho um troço pendurado entre as pernas, por acaso? virou-se de frente a ele, escancarou as pernas e apontou-se, cheia de gestos. Desculpa aí se sou "mulherzinha"! desenhou as aspas no ar. Sai logo, Olho de Tigre! – abaixou-se, pegou um pouco de capim em mãos e tratou de alimentar o equino.

— Vai fazer jogo duro agora, sério?

— Cansei de você. bufou Sai logo, vai.

— Qual é o seu problema? Você queria tanto estar comigo e agora me esnoba?! Mulheres, pff! deu de ombros e preparou-se para saltar a cerca outra vez e ir embora.

— Não ligo para a surra, só acho que não havia necessidade de você me comparar à Marine. Foi uma brincadeira infeliz e cruel, por isso, não quero mais ver você. Quando o treinamento terminar, faça o favor de não me dirigir mais uma palavra sequer. Eu tenho plenas condições de arrumar um cara mais bonito e mais interessante do que você para paquerar, passar bem! lançou palavras como se as destinasse ao vento, não se deu o trabalho de virar-se para dizê-las face a face.

Mãos fortes a viraram, a bochecha quente e rosada de Reiko aconchegou-se no peito robusto do tigrino, braços viris a prenderam num abraço e o queixo dele buscou apoio no topo da cabeça dela.

— Se eu não tivesse dito aquilo, você não teria dado tudo de si para me enfrentar. falou baixo Você me surpreendeu de todas as formas possíveis, garota. apertou-lhe as costas com as pontas dos dedos. Não vou aceitar que me escorrace agora, está ouvindo? Não depois de toda a sua insistência.

— Mas você gosta da Marine... fechou os olhos, o corpo desmanchou-se nos braços dele Não quero ser um prêmio de consolação, percebi isso hoje, naquele pântano de faz de conta.

— Bobinha... ergueu-lhe o queixo Você, um prêmio de consolação? Só se eu fosse um idiota!

— E você não é? arqueou uma sobrancelha, desdenhosa.

Primeiro,Tigre estreitou os olhos e entreabriu os lábios, fazendo-se de indignado. Depois, gargalhou e apertou-a firmemente contra si, e ela, mais alegre, soltou um risinho desacreditado, finalmente retribuiu o abraço felino e foi embalada dentro dele. De novo, o cheiro de jasmim inebriou o jovem guardião de Elysium, ele fechou os olhos e os abriu devagar, neles refletiu-se a imagem do cavalo fitando-os, os orbes negros brilhavam dóceis, assim como os de Tigre.

"Acho que também fui domesticado, no fim das contas..." beijou a testa e o rosto macio, desfez o nó da fita que prendia os cabelos negros e, pacientemente, destrançou cada mecha até que os fios lisos balançassem livres, selvagens, como ela o era.

— Quando é que você vai me beijar de verdade? Reiko perguntou direta.

— Apressadinha. ruborizou e roçou os narizes, antes que seus lábios procurassem pelos dela, foram selados pela vontade de Reiko, e os braços da adestradora enlaçaram-lhe o pescoço. Ao invés de assustar-se e fugir como fizera da primeira vez, abriu a boca e deixou-se levar, os dedos perderam-se nas madeixas noturnas. Cedeu aos encantos da ninfa dos jardins e permitiu-se ser agarrado no final das contas.

Os corpos, vulneráveis, buscaram apoio na cerca, e então o casal degustou-se em beijos carinhosos, às vezes calmos, às vezes sedentos, e aproveitaram o momento até o grande relógio do palácio badalar onze vezes. Onze horas da manhã, era hora de arrumarem-se para almoçar às doze. Deram-se as mãos e caminharam até o lar, conversaram sobre trivialidades, riram juntos e despediram-se com um selinho. Olho de Tigre acompanhou com olhar a defensora da natureza partir despreocupada e contente, um sorriso iluminou a face do homem e, despercebidos, seus olhos cintilaram.

— Que bonitinho! o companheiro de jornada o trouxe de volta à realidade Espero que isso não te impeça de treiná-la direito, Tigrinho. estapeou-lhe amigavelmente as costas Oh, Olho de Tigre está apaixonado! Olho de Águia piscou os olhos e pousou as mãos à face, debochado.

— Ah, vê se não enche! Pelo menos ela gosta de mim de verdade, já a sua garota só te procura quando não tem nada melhor para fazer! sorriu confiante e jogou os cabelos dourados para trás.

— Está com inveja porque eu e Mizumi temos uma relação adulta, enquanto você e sua menina andam de mãos dadas pelo jardim. estufou o peito.

... E começaram a discutir como sempre faziam, de certo modo sentiram falta de Olho de Peixe para lhes puxar as orelhas, o colega com certeza teria sido mais delicado do que Sailor Wind. Foram arrebatados pelo inverno personificado em um sermão lembrando-os de sua insignificância, dali cada um tomou um banho, e, calados, encontraram-se novamente à mesa de almoço. Durante a reunião costumeira, Damien notou que Crystal o encarava insistentemente, aliás, olhá-lo era tudo o que a menina fazia, quase não tocava na comida. Poucos dias se passaram desde que Diamante partira e ela estava visivelmente mais magra, Rini suspirava ao notar, assim como Helios. Hina não deixara de comer, pois possuía o piano para consolá-la, nele as lágrimas escondiam-se por trás das notas da composição em que ela estava trabalhando. Marine alimentava-se bem, estava faminta depois dos treinamentos – o de Neherenia e o dela própria –, as feridas nas mãos escondiam-se por baixo de bandagens brancas, Sailor Ocean foi uma das poucas pessoas que as notou. Olho de Tigre e Reiko sorriam um para o outro, a paixão dos dois era visível.

Luna e Artemis, durante a refeição, comentaram que a tentativa de comunicação entre Terra e Nemesis ainda não rendera frutos. Antes que a princesa esmorecesse, Sailor Saturno revelou que se adiantou e as meninas já estavam matriculadas no colégio, que durante a tarde deveriam experimentar os uniformes, pois na manhã seguinte frequentariam a aula. Neherenia lembrou-lhes que deveriam dividir as obrigações escolares com as obrigações de guerreira, portanto, após a escola treinariam diariamente, até que se mostrassem mais fortes e maduras. Para alívio das garotas, ao menos teriam dois dias de descanso do treinamento.
Depois do almoço, os jovens do palácio dispersaram-se. Enquanto isso, os regentes organizaram a ida ao centro de Tóquio de Cristal, Sailor Wind e Sailor Saturno os escoltariam. Rini e Helios pediram que uma das guardiãs chamasse a princesa, Sailor Wind se voluntariou.

— Princesa, como se nada acontecera mais cedo, como se não a tivesse surrado, dirigiu-se respeitosamente seus pais a chamam no salão real.

— Está bem. saltou da cama e direcionou um sorriso despido de ressentimentos à Yumi.

Caminharam juntas, durante o percurso, Wind não tirou os olhos de Crystal. Tentava compreendê-la e decifrá-la, porém, quanto mais se empenhava maior era a frustração. Se a princesa quisesse, queixar-se-ia sobre ela aos pais, e provavelmente a prejudicaria, mas não o fez, sequer tocou no assunto.

— Princesa, não está brava? não se aguentou e perguntou.

— Não. Por que eu estaria? demonstrou estranhamento.

— Sabe que quando treinarmos novamente não serei clemente. declarou.

— Eu sei, Wind. continuou a caminhar.

— Não espere que eu me arrependa.

— Não espero.

— Então reaja.

— Eu já disse... parou à porta, tocou as maçanetas não vou bater em você. fitou-a e sorriu novamente, a seguir girou as maçanetas, abriu a grande entrada e encontrou-se com os pais.

No salão, estavam os reis e o príncipe de Sedna, Crystal sorriu satisfeita ao vê-lo junto aos pais. Damien não compreendia essa alegria repentina da princesa ao estar próxima dele, não poderia adivinhar que ela tinha planos de pedir sua nau emprestada, o pobrezinho acabava por alimentar esperanças de que, talvez, ela começara a se interessar por ele.

— Crystal, hoje, ao entardecer, iremos ao centro do reino. Rini contou Pretendemos conscientizar os cidadãos de que o clã Black Moon pode se aliar a nós, da Lua Branca. Seu pai e eu gostaríamos que você fosse conosco.

— Sim, mamãe! animou-se e abraçou a rainha. Acho uma ótima ideia!

— Majestades, Damien interveio Se me permitirem, gostaria de acompanhá-los. No caso de precisarem, ofereço-lhes minha espada como proteção.

— Príncipe Damien, não acho que alguém tentará nos atacar... Helios ressaltou O povo de Tóquio de Cristal é amistoso.

— Desculpe-me, reverenciou-o posso parecer arrogante ou hostil, mas quando eu e a princesa estivemos na cidade, alguns rebeldes ameaçaram fazer baderna. Não custa nada prevenir, não é mesmo?

— Helios, ele pode estar certo. Rini ponderou.

—... rebeldes? o rei coçou o queixo.

...

— O que faz aqui? Valkyria fitou-o de soslaio.

— Você faz jus ao seu nome, aí, deitada sobre uma tumba a céu aberto. o encapuzado aproximou-se da guerreira mediúnica. Os cemitérios têm lá sua beleza no fim das contas, aliás, mesmo a morte pode ser bela, se for para encontrarmos alguém querido do outro lado. sentou-se ao lado dela sobre a enorme cripta de cristal.

— E você, faz jus ao seu, Hakaru? lançou o espectro que tinha em mãos aos céus, de lá ele continuava a guardá-la.

— Eu não sei. baixou o capuz, revelando os cabelos castanho-caramelo que tocavam-lhe os ombros, parte dos fios ele prendia para trás num pequeno coque, algumas mechas revoltadas caíam feito cascatas pelo canto da face. Um de seus olhos era azul como o céu diurno, não por ter nascido claro, mas por em algum momento de sua vida ter ficado cego, e pela enorme cicatriz atravessada sobre o olho percebia-se que não se tratava de uma cegueira natural, o outro, intacto, mantinha a sua cor de berço: verde-oliva decorado por alguns traços castanhos e uma auréola dourada ao redor da pupila negra, no queixo outra cicatriz – um pequeno xis –, lembrando-o de que era tudo, menos um homem pacífico. Hakaru é um nome muito conformista para alguém como eu, mas prova que a intenção de minha mãe nunca foi me parir. riu.

— É, mesmo em Tóquio de Cristal existem mães que abandonam suas crianças, mas nenhum órfão fica desamparado aqui, há orfanatos maravilhosos, tudo é perfeito, até quando distorcido. Não entendo toda essa sua revolta, para mim é pura falta do que fazer. elevou o olhar ao céu límpido.

— Você também é órfã, de pai, eu soube. fitou-a. Aquele fantasminha que carrega tem algo a ver com isso?

— Não abuse. advertiu-o O que você quer, por que veio me procurar?

— A pouco foi anunciado que os reis e a princesa têm algo a dizer ao povo, deve ser mais uma de suas mensagens de amor e perseverança, como sempre. escarneceu num riso.

— Você irá?

— Mas é claro! Quando eu perco uma visita real ao reino? cruzou as pernas e balançou os pés sobre a tumba.

— Já vi que terei que ir também, para tomar conta de você e de sua trupe de crianças mal comportadas. fechou os olhos e respirou fundo Qualquer dia desses terei que te dar uma surra.

— Você se criou nas ruas como nós, não entendo porque defende aqueles monarcas sem senso algum de realidade. deu de ombros Luto por aquilo em que acredito, e você? Pelo que luta?

— Lutar pelo que se acredita é uma grande besteira. Quem pode garantir que a sua crença é a certa e a dos outros é a errada? Chega a ser pretensioso, arrogante. Você não toma jeito. puxou-lhe o gorro e cobriu-lhe a face outra vez Qualquer dia desses você perde o outro olho.

— Por que resolveu morar longe das pessoas que protege? deitou-se sobre a grande peça de cristal assim que ela saiu de cima. Hakaru aproveitou-se de todo o espaço que tinha para estirar-se e aproveitar sua vez de contemplar o céu.

— Justamente por isso, eu as protejo. deu-lhe as costas e abraçou a si mesma, protegendo-se do vento. A luz do poste mais próximo estourou sem estar acesa E você, se for inteligente, se afastará de mim.

— Até parece que não me conhece, Sailor Phantom. riu O perigo me atrai. olhou-a.

— O perigo, a confusão, a rebeldia e tudo o que não presta. Você é amaldiçoado.

— Talvez por isso nos identifiquemos tanto. tornou a admirar o céu pueril do início de tarde. E, também, ambos não acreditamos em contos de fadas. fechou os olhos, descansado.

...

Crystal andava de um lado para o outro no quarto, estalava os dedos das mãos, nervosa. À janela, o sol alaranjado começava a se esconder por trás dos montes e dos prédios. Enquanto isso, Mizumi tirava alguns vestidos de gala de dentro do armário e os esticava sobre a cama.

— Princesa, não sei no que está pensando ou o que está planejando, mas poderia se concentrar em escolher um vestido? segurou-lhe as mãos.

— Está bem, está bem! Lá vamos nós! parou diante das peças, cada uma mais luxuosa que a outra, em grande maioria eram bordadas em renda e seda branca, poucas eram azuis, e raras da cor que ela mais gostava: violeta. Escolheu um modelo parecido com o vestido que trajara no baile, o segundo, indicado por Diamante.

— Excelente escolha, deixe-me ajudá-la! A guardiã dos mares posicionou-se atrás de Crystal e tratou de abrir-lhe os delicados fechos do vestido, depois, ajudou-a a tirar as mangas e descer a peça, as camadas pesadas caíram sobre o piso, Mizumi as recolheu.

A princesa, tímida, cobriu os seios pequeninos com os braços, a ajudante riu e entregou-lhe a nova roupa. Crystal pôs as pernas para dentro da vasta saia dividida em uma camada de filó e outra de tafetá, atrás o traje era ajustável às curvas por fitas, como um espartilho, Sailor Ocean as apertou bem, quase tirou o fôlego da princesa.

— É, princesinha, às vezes é necessário sofrer para ficar bonita. os dedos longos percorreram os ombros desnudos, sem mangas. Depois, os mesmos dedos afagaram o pescoço delicado, a pele eriçou e o rosto da menina adquiriu tonalidade rosada. Mizumi riu outra vez.

De olhos fechados, entorpecida de certo modo, Crystal sentiu algo gelado passar por sua pele, era uma fina corrente prateada adornada por um pingente de lua crescente lapidada em pedra preciosa.

— O que é isso? abriu os orbes azuis e tocou o pingente que tomava o lugar do costumeiro – o brinco de cristal negro – que ela escondera por dentro do decote para não ficar visível durante o discurso.

— É um diamante. as palavras de Mizumi, sussurradas ao ouvido, afogaram-lhe o coração e quase levaram seus pedaços embora. Oh, não, não esmoreça! apertou-lhe levemente as maçãs rubras. Lembre-se, hoje será um dia importante, talvez o dia que dará o início a uma longa e pacífica era em que Lua Negra e Lua Branca se unirão em uma só! Mizumi foi até o armário novamente e de uma gaveta tirou uma caixa de veludo escuro, abriu-a e mostrou a Crystal o que nela tinha: um diadema prateado, pequenos cristais cintilavam cravados na prata, ainda mais sutis eram as pequenas luas douradas entre as joias, uma verdadeira obra de arte. A galante sereia pegou o acessório em mãos e, cuidadosamente, encaixou-o ao topo da cabeça de Crystal e suspirou, enlevada: Olhe só para você... penteou-lhe a franja Pena não ter um espelho nesse quarto. Quanto a isso, resolveremos outra hora. Venha. segurou-lhe a mão e tirou-a do quarto, assim andaram do corredor até o grande salão onde Rini, Helios, Damien, Sailor Wind e Sailor Saturno se encontravam.

O príncipe de armadura, assim que a viu reluzir em tons de prata e violeta, ajoelhou-se em reverência e admiração. Ela se aproximou lisonjeada. Damien ergueu o rosto, a franja descobriu-lhe os olhos profundos, depois seu corpo imponente se fez de pé, as peças de cristal tilintaram e reluziram as luzes e os brilhos prateados. Olhou-a nos olhos, bem a fundo. Crystal sentiu-se tão desconcertada que não conseguiu fazer a proposta que desejava. Assim que abriu a boca para falar, o sedniano tomou-lhe as mãos e beijou o dorso de cada, após o gesto cavalheiresco curvou-se em outra reverência, um comentário escapou-lhe da garganta:

— Jamais alguém ou algo será mais bonito do que o que vejo a minha frente agora... você olhou-a insistentemente.

— Obrigada, príncipe. afastou-se envergonhada. O coração pulava, não por desejá-lo, mas de pura angústia. Determinou-se a ficar próxima ao pai, onde sentia-se segura. Damien lhe sorriu de longe.

— É bom ver todos prontos, assim seremos pontuais. Rini disse empolgada Crystal, minha filha, você está deslumbrante, nem parece você! abraçou-a.

"Nem parece você" a mãe falava esse tipo de coisa sem querer, ela sabia, mas era terrível. A pobrezinha cruzou os braços e fez um bico enorme, emburrada.

— A nossa pequena é linda, não é verdade, querida? Helios afagou os cabelos castanhos e piscou para a esposa.

— Mas é claro! concordou de imediato Ei, não faça essa cara! Eu disse que não parece você, porque normalmente a sua beleza é mais natural e simples, hoje você está elegante, cheia de luxos e é linda das duas formas! puxou-a pelas mãos Vamos, o veículo está lá fora!

— Mamãe está estranha... Crystal cochichou com o pai quando a rainha resolveu andar à frente até chegarem aos portões do palácio Não me lembro de tê-la visto de tão bom humor!

— Ela está feliz porque você irá conosco, princesinha. abraçou-a de lado Ela sente muita saudade de interagir com você... E, finalmente, vocês duas lutarão por uma causa comum.

— É verdade... sorriu ao dar-se conta Estamos juntas nessa!

— Querida, não importa o que aconteça, mesmo que não pareça, tudo o que fazemos é para o seu bem. Então, de certo modo, estamos todos juntos sempre!

— Sim, papai. acomodou a cabeça ao ombro acolhedor dele.

Assim que os portões se abriram, a pequena procissão vislumbrou seu transporte: parecia uma carruagem antiga, só que toda lapidada em cristal. Suas quatro portas laterais eram talhadas em ouro, nelas se destacava o emblema da lua branca assim como no teto havia uma pequena escultura da insígnia sobre uma coroa. Por dentro, cortinas azuladas protegiam a privacidade dos passageiros. O grande detalhe do transporte magnânimo era a ausência de rodas e cavalos, na verdade a imponente carruagem flutuava a alguns metros do piso, ao redor uma energia branca a envolvia. Não possuía motorista, era como um objeto encantado, e deveria sê-lo, de fato.

— Crystal, trouxe o broche, não é? Rini perguntou antes de entrar.

— Ih! a princesa estapeou a testa.

— Aqui está! Sailor Ocean veio correndo do palácio até o enorme portão, em suas mãos jazia o pequeno coração cor-de-rosa o qual ela entregou a princesa Cabecinha de vento! riu-se Boa sorte, majestades! reverenciou-os.

Assim, os integrantes da família, o príncipe e as duas guardiãs se acomodaram nos assentos aveludados e partiram. Durante o percurso, quando passaram pelas ruas foram recebidos por gritos e urros de habitantes, as pessoas acompanhavam o veículo e tocavam-no, entusiasmada. Crystal pôs a cara para fora da janela e acenou, viu-se diante de muitos sorrisos amigáveis e alguns poucos olhares tortos. Por mais que a maioria das pessoas parecessem amá-la, o desamor de uma minoria doeu-lhe. Recolheu-se e apertou a saia do vestido, tensa. Uma mão cobriu a sua, rapidamente ela relaxou.

— Não se apavore, princesa. Damien sorriu, sentado de frente para ela. Todo reinado é assim, você nunca agradará todo mundo, mas é importante que dê o melhor de si, sempre.

Rini observou-os, amistosos, olhou bem o polegar do príncipe acariciar a mão da princesa e então fitou Helios, os reis encararam-se como se alimentassem o mesmo sonho.

...

Onyx estava irritado, mais cedo espiara Saphiro e Quartzy no salão real jogando conversa fora. A bailarina sorria, terna e até mesmo feliz, ele diria. A companhia do Príncipe Azul parecia distraí-la de tal modo que a morte de Ametista tornava-se menos penosa. Imaginar aquela criatura meiga cheia de encantos pelo outro alquimista, tornava Saphiro seu rival não somente em construir droids, mas também em assuntos mais complexos. Durante uma experiência qualquer, sua mão enluvada acabou por quebrar um recipiente de vidro que continha cristal negro líquido. A água negra escorreu pela mão e pelo pulso, desfez-se no piso.

— Droga! esbravejou e chutou a maca metálica, uma das várias que ele usava para moldar Medusas e coisas do tipo. Passou a mão pelos cabelos que cobriam-lhe a face, esmurrou a mesa fazendo com que mais recipientes caíssem e se quebrassem. Depois de urrar de raiva, gargalhou ensandecido. Calou-se ao ouvir um apito, vinha do pequeno objeto cilíndrico por debaixo da manga do outro braço. Os olhos arregalaram-se e o sorriso alargou-se de orelha a orelha, puxou o pequeno acessório e ficou eufórico assim que viu a luz vermelha piscando. Imediatamente, sentou-se no piso escuro e pousou o objeto ali, apertou-lhe os botões laterais e, num passe de mágica, a imagem holográfica da princesa se formou, não dela somente, mas dos reis, do príncipe e das guerreiras, todos de pé, os regentes e a filha tinham microfones brancos diante de si, à frente um mar de gente. Mas o que diabos será isso? coçou a nuca,curiosíssimo. Se existisse pipoca em Nemesis, certamente Onyx teria um balde a sua frente para degustar.

...

— Cidadãos de Tóquio de Cristal, Rini iniciou hoje viemos conversar com vocês sobre um assunto muito delicado, acredito que já saibam do que se trata. Sim, viemos falar da família Black Moon! ainda arrepiava-se com o nome.

O burburinho começou, várias pessoas falavam diferentes coisas, as frases misturavam-se e tornavam-se ininteligíveis.

— Acalmem-se, por favor! Rini deu continuidade Há algum tempo, dois príncipes do clã estiveram aqui, foram gentis e civilizados. Não há motivo para alarde!

Os gritos persistiram, até que a voz de um homem, o mais próximo do palanque, soou alta e bem clara:

— Que príncipes eram esses? o capuz cobria-lhe os olhos.

— Príncipe Diamante e príncipe Saphiro! respirou fundo antes de revelá-los. Mais gritos, mais protestos Por favor, sejam respeitosos, deixem-me prosseguir!

— Isso é um absurdo, eles estão mortos!

— Vai ver nunca estiveram, vai ver esconderam-nos no palácio durante todo esse tempo e nos fizeram de idiotas!

Não aceitaremos isso, não queremos nenhum Black Moon entre nós!

Não queríamos no passado, não vamos querer no futuro!

— Enquanto dois deles estavam no palácio, atacavam a cidade!

Fora traidores, fora exilados, fora Black Moon!

Comentários e exigências do tipo eram gritados, escarrados à face de Rini. Num planeta distante, Onyx ria tanto que os olhos lacrimejavam. Topázio entrou no laboratório com ares de curiosidade.

— Topázio, venha ver! Você vai adorar isso! apontou a cena.

— Interessante. O que é isso? puxou uma cadeira e se sentou.

Enquanto Onyx começava a explicar o que o grande espetáculo parecia ser, a voz de Rini soou estridente.

— Chega! o grito ecoou pelos alto-falantes Vocês se lembram do que os ancestrais do clã Black Moon eram antes de serem exilados em Nemesis? Eram homens e mulheres como vocês! Homens e mulheres que cometeram crimes e foram punidos através do exílio!

— Eles são criminosos, tiveram o que mereciam! outro grito.

— É mesmo? Então eu devo começar a contar todos os delinquentes aqui e enviar para outro planeta?!

— Tirana!

Exatamente, isso é tirania! ela percebeu, horrorizada Enviar pessoas que cometeram erros para um planeta distante e escuro foi uma tirania que não nos demos conta! passou as mãos pelos lábios secos Isso nos rendeu, depois, uma série de ataques provocados por rancores antigos, e assim vidas inocentes foram sacrificadas dos dois lados... Não percebem?! Enquanto houver mágoa entre Terra e Nemesis, entre Lua Branca e Lua Negra, a paz jamais prevalecerá! encarou-os, os traços e o sorriso repentino alumiaram-na Tanto foi um erro exilar pessoas que, depois da guerra no século XXX nunca mais o fizemos! Digam-me, quem aqui gostaria que um parente próximo fosse enviado para longe, sem ao menos ter o direito de uma nova chance?! Vocês concordam com isso?! Se sim, vocês não aprenderam nada com minha mãe e eu me sinto envergonhada!

Muitos ali abaixaram suas cabeças, pesarosos, alguns continuaram arredios, porém, grito algum ecoou. O vento uivou sussurrado, e só. Crystal, admirada, aproximou-se da mãe e tocou sua mão, as duas trocaram sorrisos e olhares amigos.

...

— Onyx, que porcaria é essa? Topázio batucou os dedos sobre a joelheira. Se continuar assim, aquele príncipe idiota perdoará essa rainha e todos os planos de vingança de nosso clã se tornarão em cinzas! Faça alguma coisa! assim que ordenou, o sorriso do outro se fechou.

O cientista tirou um de seus brincos e usou-o como pêndulo, uma energia arroxeada contornou a pedra.

...

— Vejam! Rini pôs Crystal a sua frente Veem essa menina diante de vocês? É minha filha, princesa Crystal, uma menina meiga e compassiva, assim como sua avó, rainha Serena, era. Vocês não amavam a antiga rainha por isso? Pelo amor imenso dela por todos, pelo senso de justiça? Pois então, hoje estou aqui defendendo a causa de um clã que aterrorizou tanto a vocês quanto a mim porque essa menina, a princesa, me fez enxergar além dos meus rancores e traumas.

— Mamãe... os olhos de Crystal encheram-se de lágrimas.

— O amor de Crystal é enorme, no coração puro de Crystal cabem as almas de todos, e ela acredita que o melhor caminho para a nossa prosperidade é o perdão. Devemos perdoar os Black Moon e aceitá-los como nossos compatriotas, o que de certa forma são, pois seus ancestrais viveram na Terra. ela também se emocionou, mas foi discreta, enxugou a singela lágrima antes que escapasse do orbe rubi Perdoem e confiem. Se eu os perdoei, vocês também podem!

Foram aplaudidas incansavelmente, mulheres choravam, homens assobiavam, e como se todos combinassem uma coreografia, reverenciaram-nas, as duas.

— Viva a rainha, viva o rei, viva a princesa! Viva a família real!

— Obrigada!– Crystal e Rini reverenciaram-nos juntas, Helios aproximou-se e abraçou as duas.

— Eu sabia que conseguiriam, não quis me intrometer. sussurrou-lhes.

...

— Rainha, rei e princesa numa só cajadada, como somos sortudos! Onyx perdeu o ar de tanto rir, o pêndulo negro em sua mão agitou-se.

...

— O que é aquilo?! o encapuzado, Hakaru, deu o alerta. Todavia, junto com ele, Damien, atento, notou algo de estranho e correu em direção à princesa.

Eis a resposta do príncipe ao seu perdão! a voz grave e soturna de Onyx ecoou por toda a praça.

Abaixo do decote de Crystal, através dos panos, a pequena luz negra reluziu e finalmente foi notada pelo resto das pessoas. A seguir, raios envolveram-na junto de seus pais. Antes que as descargas atravessassem seus corpos e surrupiassem-lhes a vida, o príncipe de Sedna invocou em sua mão a magnífica espada de cristal. Desesperado, puxou a princesa pelo decote e cativou a corrente com o brinco de Diamante de pingente, jogou-os ao chão e fincou na pedra a lâmina afiada de sua espada, espatifando-a em vários pedaços, grande parte deles se desfizeram em pó. O broche, receptáculo do sagrado cristal lunar, caiu durante o percurso e rolou sobre o piso do palanque.
Crystal viu os pais serem amparados por Sailor Wind e Sailor Saturno, depois sentiu o corpo cair, mas não teve atrito, uma mão a reteve pela fina cintura. Não viu que era Damien, a mente girou confusa e a vista enegreceu.

"Não pode ser, isso não pode estar acontecendo" foi tudo o que ela teve capacidade de discernir durante os poucos segundos que quase foram derradeiros.

A princesa desmaiou ao som da gritaria e do caos instalado na cidade.

Continua...

Notas finais
Sobre o encapuzado: eu estava doida para revelá-lo a vocês, na minha cabeça ele é tão charmoso... Eu gosto de personagens carrancudos, com algumas cicatrizes, espero que tenham curtido o Hakaru. A propósito, Hakaru significa "pesar", "mágoa" (segundo o Google tradutor). A sonoridade do nome me agradou, embora o significado seja meio fúnebre, mas ele tem um pouco a ver. Vocês devem ter percebido, também, que ele fez uma observação sobre o nome da Valkyria. Não sei se já comentei aqui, nas notas, mas Valquírias são personagens da cultura nórdica. A tradução literal do nome, "Valkyrja", significa "as que escolhem os que vão morrer". Exatamente como o nome, as Valquírias eram entidades subordinadas de Odin que sobrevoavam os campos de batalha, montadas em seus cavalos alados, para selecionar os mais bravos dos guerreiros, os heróis, e escoltá-los até Valhalla. Em suma, é mais ou menos isso. Acho super interessante, fora que amo o nome, achei que caiu como uma luva na Sailor Phantom! Perdoem-me pelo final, imagino que alguns irão morrer de raiva de Onyx e Topázio, outros vão querer me matar. Como eu disse, a fic tem duas fases, as coisas não poderão ficar bonitas na primeira. E... paro por aqui, só continuando a leitura para saber! :P Kissuuus pessoal, e muito obrigada por acompanharem (agora está tudo certo, assim espero, ou acabo desistindo do Nyah porque não é a primeira vez que tenho problemas com o site)!