A Minha Queda Será Por Você
59 Deixe-me ir
Notas iniciais
A Minha Queda Será por Você
Capítulo 59 – Deixe-me ir
Assim que amanheceu, Diamante foi ao quarto em que Crystal estava trancada e deu-se com ela sentada à porta, os olhos fundos e marcados, provavelmente adormecera recentemente. Pegou-a nos braços e a colocou sobre a cama, ela despertou, o braço em volta do pescoço dele escorreu pelo ombro e pairou no antebraço branco, ela o apertou suavemente.
— Você precisa me deixar ir... — sussurrou.
— Não! — interrompeu-a — Não insista Crystal! — cativou-lhe as mãos impacientemente.
— Eu posso resolver isso...
— Mas não, você não pode! Não há o que resolver! Percebe o que aconteceu?! O seu povo não perdoará a morte de Sailor Ocean, o meu não perdoará a de Jade. Ambas foram cruéis Crystal, e covardes!
— Por isso precisamos nos perdoar, você não entende?! — segurou-lhe a gola — Ou mais pessoas morrerão em vão... Eles precisam me ouvir... — segurou a cabeça com as mãos, ela estava dando voltas — Por que você tem que ser assim?
— Seja sincera, acredita mesmo que conversar com as pessoas resolverá essa situação? E Saphiro, o que será feito dele depois disso?! Eu não posso arriscar.
— Então agora eu sou sua refém? — fitou-o por entre os dedos.
— Não diga tolices! — esbravejou irritado — Você precisa descansar, não dormiu nada.
— Você esperava que eu dormisse bem depois de tudo o que aconteceu e depois do que você fez comigo? — cutucou a onça.
— Pare de me provocar! — segurou-a pelos braços e encurralou-a à cabeceira.
— Não tenho medo de você! — estava tão indócil quanto ele — Quero sair daqui!
— Lamento, mas não vai! — falou mais alto do que ela.
— Veremos! — soltou-se e espalmou as mãos no peito dele.
Um Droid entrou pela porta com uma bandeja em mãos, entregou-a ao príncipe, ele controlou a respiração, fechou os olhos por instantes, e fitou-a simulando alguma serenidade:
— Seu café da manhã. — pousou a bandeja de prata no colo da rainha.
— Não estou com fome. — tirou a bandeja de cima de si e colocou-a ao lado, virou o rosto na mesma direção e cruzou os braços. O estômago fez um ruído estranho e audível.
— Mentirosa. — tão teimoso quanto a líder do reino, pegou a bandeja e acomodou-a no colo da rainha novamente.
— Vai me obrigar a comer outra vez? Típico de você! — rosnou.
— Onde está a minha Crystal doce, a Crystal que me acalma? Não estou reconhecendo essa Crystal que me provoca e que atiça a minha raiva! — segurou o queixo dela com firmeza, amolecendo-lhe o maxilar, pegou a colher, mergulhou no mingau e levou à boca dela — Vai ter que ser assim? — Ela estapeou o talher e acabou derramando o alimento na roupa dele. — Ótimo! — Diamante virou a bandeja violentamente no chão — Não coma! — Levantou-se brusco e marchou até a janela, no percurso derrubou o abajur à mesa. Estranhou o silêncio da regente e fitou-a de soslaio, ela engolia o choro, soluçava baixo, cobria lábios e nariz com as mãos. — Me desculpe... — suspirou e tornou até lá, sentou-se ao lado dela na cama e abraçou-a, ela relutou, então ele puxou-a para si e afagou os seus cabelos.
— Me deixe ir... — suplicou, a face afundada no peito dele, os dedos cravados à farda — Não quero me separar de você, mas preciso falar com eles... e depois eu volto.
— Sabemos que não é tão simples assim. — afagou-lhe as bochechas, enxugou as lágrimas quentes e fitou-a nos olhos.
— Eu não quero perder mais ninguém, a dor é muito grande! — abraçou-o forte — Eu não quero perder você! Por que me deixou sozinha essa noite? Eu precisava tanto de alguém, e você me largou aqui, no escuro, presa! — esmurrou os braços dele — Por que você é assim?!
— Sinto muito, não deveria tê-la deixado... agora estou aqui, e você pode chorar o quanto quiser, falar, gritar, espernear, eu ouvirei.
— E vai gritar também! — protestou.
— Um pouquinho. — abriu um pequeno sorriso.
— Isso foi uma tentativa de ser engraçado? — arqueou as sobrancelhas enquanto enxugava os olhos.
— Talvez. — riu do próprio fracasso.
Crystal selou a boca e atentou-se à expressão de cansaço nele. A tristeza não era só dela. As violetas atribuladas exibiam um lume preocupado e perdido, os lábios um pouco ressecados revelavam que o príncipe não se hidratava direito há algum tempo, e ele também possuía olheiras, ainda que mais leves do que as dela. O afago quente no rosto fê-lo olhá-la de novo um pouco surpreso pelo carinho repentino.
— Eu quero... — ela começou.
— Você não vai. — ele se precipitou.
— Beijar você. — terminou e o desarmou.
Diamante fechou os olhos e entreabriu os lábios, Crystal inclinou-se até estar bem perto e os narizes trocarem os ares mornos. As bocas roçaram-se, ela melou a dele cuidadosamente com a língua e iniciou um beijo calmo. Ele a segurou pela nuca e prensou o beijo sem dar espaço para escapatória, as línguas espremeram-se procurando espaço, a prisioneira, aos poucos, acomodou-se sobre o colo do carcereiro e ele apoiou as costas à cabeceira. As mãos principescas alisaram os braços frios de rainha, desceram-lhe uma alça e depois outra, o colo à mostra rosou. O Nemesiano mordiscou o queixo dela, depois o pescoço, enquanto a soberana se esforçava para não pensar em nada além daquele momento.
— Me aqueça... — ela sussurrou num fechar de olhos e de abraço.
Diamante se empolgou e esquentou-a com sua saliva, umidificando-a em todos os lugares que acabara de beijar e aproveitou para subir-lhe a saia da vestimenta de dormir e apalpar as pernas que há algum tempo ele não tocava. Algumas lágrimas molharam os cristais cravados no ombro do traje nobre dele. O príncipe não parou.
— Senti a sua falta. — Ele disse no instante em que abria a farda e revelava um corpo que também precisava ser aquecido, os dedos quentes afagaram-no do umbigo a clavícula e o livraram das mangas.
Em seguida, as mãos calorosas foram ao fecho da calça branca e o abriram, o príncipe inclinou os quadris para cima para que ela pudesse arriar-lhe a calça, em resposta afastou-lhe a roupa íntima da entrada e passou dois dedos pela brecha molhada, Crystal arfou. Olharam-se nos olhos enquanto ela delicadamente segurava o sexo dele e o apontava à sua fenda. Antes de encaixá-lo dentro, roçou-o ao botão rosado, ele latejou e dobrou as pernas. Então, gradativamente, ela se escorregou para baixo a mover lentamente o quadril para todos os lados como se dançasse. Diamante, instigado, apertou-lhe um seio por cima dos bordados e uma bochecha da nádega por debaixo da saia, induzindo-a a mover-se com mais intensidade. Ela mesma teve a iniciativa de expor os montes, descendo o decote da roupa até as costelas, o príncipe os beijou enquanto os segurava, a rainha arqueou a cabeça para trás e enredou-o pela nuca, a dança ficou mais rápida.
Empolgado, resolveu a ajudá-la descolando-se do colchão, empurrando o corpo para cima, nenhum dos dois ficou parado, e não bastava encaixarem-se por baixo, as bocas uniram-se outra vez, entre estalos, gemidos e mordidas prolongadas nos lábios intumescidos. Conforme o desejo aumentava, Diamante apertava a nádega redonda com mais força e fazia-a se movimentar ainda mais rápido, então Crystal buscava apoio nos pés e segurava-se nos ombros dele.
— Ainda não... — ela sussurrou vez ou outra no ouvido do príncipe quando a respiração dele ofegou demais — Só mais um pouco... — contornou a boca sedenta do nemesiano com os dedos. — Mais um pouco... — serpenteou-se mais ágil, com ele enterrado em seu interior.
O príncipe mordeu o lábio inferior, dando tudo de si para conter o ápice o máximo de tempo possível. A língua dela esgueirou-lhe todo o pescoço até o lóbulo auricular, os dedos dele enrolaram-se nos fios castanhos da nuca e os puxaram levemente. Cutucou o interior com voracidade, o corpo dela saltitou tremente sobre o dele, enfim, dividiram o clímax do ato e abraçaram-se sufocantemente. O líquido esbranquiçado escorria por entre as pernas da mulher e ela ainda o engolia, sugando-o com os grandes lábios palpitantes, obrigando-o a permanecer ereto e pulsante. Ele chamava o seu nome, mas ela não parou e persistiu até trazê-lo àquele estágio pela segunda vez, sem descanso. Por fim, encaixou o queixo entre o ombro e pescoço dele, o ar expelido por suas narinas e boca acariciou a pele fina e provocou arrepios, conteve-o em seu interior, aquecendo-o e sendo aquecida, vez ou outra o sentia se mover e alisar suas paredes de dentro.
— Eu amo você... por isso, não posso permitir que vá... — sem fôlego, Diamante falou pausadamente.
— Quem ama de verdade deixa o ser amado ir... — disse enquanto espalhava beijos pelo rosto dele.
— Não. Não eu, Crystal. — deitou-a e pôs-se por cima dela — Se isso foi uma tentativa de me convencer a deixá-la sair daqui, esqueça.
— Deite comigo... — posicionou-se de lado e ele, ainda que desconfiado, abraçou-a naquela posição, encaixado a ela — Quero dormir assim... — a voz tremulou.
— Pode dormir, não vou sair daqui. — esfregou o nariz à nuca feminina, afastou alguns cabelos e depositou um beijo ali, ela se encolheu eriçada.
Não muito tempo depois ele adormeceu, afinal, também estava cansado. Crystal abriu os olhos devagar, cuidadosamente se desvencilhou do abraço e ajeitou a camisola. Sentou-se à cama, vislumbrou-o a descansar e respirou fundo para conter a ânsia de lágrimas fugitivas. Mirou a porta, o Droid a deixara entreaberta e desde cedo a rainha havia reparado. Nas pontas dos pés ela caminhou, pegou um roupão pendurado na cabideira perto do banheiro, saiu e fechou a porta acionando o dispositivo de trava.
...
— Até quando ficará aí vidrada no horizonte? — a voz de Olho de Águia soou fraca.
— Você também não conseguiu dormir. — Yumi constatou sem dificuldade e sem dar-se o trabalho de virar e fitar a face de um homem arrasado.
— Preciso voltar para Hotaru, ela já deve saber o que aconteceu.
— Isso, console-se nos braços de uma enquanto pensa em outra que você nunca teve e nunca terá. — o timbre nem sequer tremeu, mesmo diante de uma risada seca do guardião de Elysium.
— Até logo, Sailor Wind.
Ouviu o som do bote descendo ao mar e de remos movendo-se na água. Fitou com o canto dos olhos e viu Olho de Águia partir com Olho de Tigre, o companheiro estava ali provavelmente para trazer o transporte de volta à nau.
— Você é dura com os outros, mas é mais dura consigo mesma. — Olho de Peixe surgiu ao lado da marinheira — Seus comentários ferinos não vão trazer Mizumi de volta, sabia? Assuma seus sentimentos.
— Sentimentos... sempre acreditei que fossem ilusões. — tornou a observar o movimento das águas marítimas — Fui forjada da semente estelar de outra guerreira, todas fomos. Não possuímos uma alma de fato, somos sombras criadas para proteger o planeta.
— E, no entanto, você está aqui, com a cara marcada pelo luto, acho que vejo até rugas nos seus olhos... — coçou o queixo encarando-a.
— Você não está tão diferente de mim. — encarou-o séria.
— Yumi, você conhece minha origem, não conhece? — Peixe vislumbrou o oceano matinal, por visão periférica notou a navegante menear a cabeça positivamente — Mesmo eu sendo apenas um peixe, sinto e almejo coisas, assim é também com meus companheiros. Antes mesmo de recebermos a dádiva da humanidade nós sentíamos, então acredito que sempre tivemos uma alma. Você não é diferente. Pode não ter nascido do útero de uma mãe, mas você é uma pessoa, não é só uma sombra. Pensei que fosse inteligente e tivesse percebido há mais tempo.
— Eu preferiria ser uma sombra. — Disse amarga, enfim a voz não seguia a costumeira linearidade — Uma sombra sem memória.
— Lindinha, eu sinto muito, mas preciso informá-la de que você é um ser humano de verdade e sofre. Então, ponha para fora.
— Ela me deixou uma lembrança... — a concha revelou-se aos olhos do rapaz, surpreendendo-o — Não consigo conter um fio de esperança... — as pratarias tremularam, contudo água não desceu pela nevasca da pele.
— Ao menos um pedaço dela ficou... — afagou o objeto, depois ergueu os olhos à Sailor Wind mordiscando o lábio inferior — Bota para fora, coração de gelo. — tocou-lhe os ombros —Não me faz ter que te abraçar!
— Pare de gracinha! — ralhou tristemente.
— Lá vou eu... — suspirou num ato de encorajamento e abraçou-a como quem mergulha no desconhecido. Em outra situação, talvez Sailor Wind o tivesse empurrado. Porém, na atual circunstância, a esguia mulher permaneceu como uma estátua de pedra, apenas seus olhos se fecharam.
...
Diamante acordou e percebeu-se sozinho no quarto. Andou até o banheiro e ao notar que Crystal não estava lá teve um acesso de raiva, correu à porta, tentou abri-la e não obteve êxito. Tentou teletransportar-se, estava bloqueado.
— Onyx, Quartzy! Tirem-me daqui! — rugiu como um leão.
Crystal transformara-se em Sailor Love e corria pelos corredores em direção à primeira porta que a levasse aos jardins, de lá ela seguiria o caminho que conhecia muito bem até o os bosques, porém, alguém a interceptou no meio do caminho.
— Aonde pensa que vai majestade, e nesses trajes? — Era Onyx, o cientista.
— Onyx, você prometeu servir a mim, lembra? Estou requisitando seus serviços agora! Me ajude a sair daqui! — apelou.
— É verdade, a minha vida pertence a você, e pode me matar agora mesmo se for de sua vontade, não relutarei. Mas não posso deixá-la fugir, minha rainha, também devo minha lealdade ao príncipe. — manteve a posição — Me perdoe por isso, mas é uma forma de protegê-la.
— Onyx, por favor! — insistiu — Eu posso acabar com essa guerra! — Dois Droids seguraram os braços dela pelas costas — Você está cometendo um erro!
— Não, essa é uma das coisas mais certas que já fiz. Preciso conquistar a confiança do príncipe, você me entende? — abriu um largo sorriso e ajeitou as lentes arredondadas sobre os olhos — Onde ele está, falando nisso? — ela não respondeu, continuou a se debater para tentar escapar — Não me diga que você o trancou no quarto?! Ele deve estar furioso! — gargalhou — Se eu disser que não me diverti com isso estarei mentindo, vossa majestade foi esperta! — tapou a boca com as mãos até o riso escandaloso findar — Bem, tenho que tirá-lo de lá. Droids, tragam-na!
— Você me decepcionou, Onyx! — Sailor Love resmungou.
Em questão de um minuto ou dois, príncipe Diamante fora resgatado do cárcere e Sailor Love, o prêmio, trazida de volta ao cômodo.
— Você... — o líder do clã olhou-a de cima a baixo — tentou me enganar, Crystal?! — rodeou-a — Tentou me fazer de tolo?! Me responda! — virou-a de frente para si.
— Você poderia ter evitado o que aconteceu ontem! — livrou-se das mãos dele — Você poderia ter ordenado que Jade retornasse e cessasse a luta, mas deixou que continuasse até que a tragédia acontecesse!
— Então você me culpa?! Eu estava cuidando de você! — encurralou-a contra a parede.
— Você poderia ter impedido e não impediu, e não vai impedir da próxima vez, mas eu posso impedir! Deixe-me ir agora, ou eu vou...
— Vai o quê?! Lutar comigo? — fechou ainda mais o cerco — Acha que é páreo para mim? — riu.
— Você não consegue mais me controlar. — penetrou-lhe o olhar.
— Então devemos nos matar para provar que você está errada? Lutar contra mim a ajudará a impedir algo?
— Eu não quero ter que fazer isso.
— E que opção você tem? Não permitirei que saia daqui sem um conflito.
— Eu não posso continuar aqui enquanto meus amigos estão sofrendo! Eles são importantes para mim como você é! E já percebi que nada se resolverá enquanto eu estiver presa aqui!
— Não estou dando a opção de escolha entre mim e seus amigos. Não vê?! Não estou oferecendo alternativa alguma! Aliás, tenho uma ótima resolução para o problema! — cravou a mão no broche como certa vez fez e o iria puxar, mas Crystal enrijeceu e a luz branca a envolveu, repelindo-o. Diamante foi lançado contra a parede e caiu deitado sobre o piso.
— Diamante! — Sailor Love cobriu as bochechas com as mãos e correu até ele — Não tive a intenção! Você está bem?! — acolheu-o no colo, ele se sentou devagar e encarou-a abismado. — Me desculpe! — se preocupava apesar de tudo.
— Droids... — a palavra arrastou-se na boca, os servos surgiram — Prendam-na à cama.
— Diamante, não, espere! — os serviçais arrastaram-na, a jogaram sem cuidado sobre o leito e amarraram-lhe os braços e pernas em seus tentáculos de Cristal Negro.
— Não posso confiar em você. — ele constatou de longe — Façam com que ela durma.
Os olhos nunca pareceram tão pesados, ela lutou em vão, moveu os lábios na tentativa de protesto até que tudo enegreceu. A energia maligna drenou-lhe as forças. Sailor Love dormiu.
...
— Como pôde? — Quartzy questionou desapontada.
— Você está bem? — Onyx ignorou o tom da jovenzinha e adentrou seus aposentos, sentou-se ao lado dela na cama e tocou-lhe a testa para averiguar a temperatura.
— Eu ouvi tudo, Onyx! — afastou-se do toque, sentou-se sobre o leito e cobriu-se até o pescoço.
— A rainha é muito escandalosa, mas você sabe que eu não poderia deixá-la fugir, o príncipe me mataria! — resmungou.
— O que você e Topázio fizeram? Sei que são cúmplices, mas não sei o que tramaram, só desconfio...
— Do que está falando, o que você ouviu? — demorou até Onyx compreender em que situação Quartzy ouvira qualquer conversa entre os dois — Você estava acordada... — as gemas alaranjadas dilataram-se e um riso nervoso formou-se à boca.
— Se não contar ao príncipe, eu conto.
— Não há o que contar, você não sabe o que eu e Topázio fizemos e não vai inventar nada para contar porque é uma garota boazinha. — Sorriu e afagou-lhe o queixo como quem agrada um animal de estimação.
— Não me toque! — vociferou — Eu vi seu projeto, e vou contar ao príncipe sobre aquela coisa monstruosa que Topázio disse ser sua mãe! — estremeceu ao rememorar da mulher pálida desfilando sobre o teto — Juro que conto se você não contar!
— Quartzy, — os lábios encolheram-se numa reta, as mãos dele tomaram as dela — acredite em mim, eu iria contar, mas se o fizer, Topázio acabará com sua vida. Não ouviu essa parte da conversa?
— E por que minha vida teria tanto sentido para você? Por que a vida de qualquer pessoa teria sentido para você?! — libertou as mãos e cobriu os olhos — Senhora Ametista, depois Jade, todos nós iremos depois, não ligo se eu for primeiro.
— E dizem que o maluco sou eu... Olhe o que está falando! — riu desacreditado — Você é mesmo muito ingênua e fraca! — se levantou subitamente — Vá, fale ao príncipe o que ouviu, deixe que eu seja o próximo então! Mas pense bem, eu ainda possuo utilidade, vocês precisam de mim para encontrar príncipe Saphiro. Seria uma pena se príncipe Diamante me executasse e não sobrasse ninguém apto a criar armas e criaturas a partir do Cristal Negro... — caminhou calmamente até sair do quarto, seu famoso riso ecoou pelas paredes e teto cristalinos, Quartzy abraçou-se aos lençóis, devastada.
Distante, o sorriso de Onyx curvou-se para baixo e o olhar perdeu o brilho. As mãos fecharam-se por dentro do bolso do jaleco. Precisava cumprir sua função, por isso foi até o laboratório, preparado para começar a construir medusas e espalhá-las pela cidade. No ambiente de testes, tirou da manga o radar que costumava utilizar para buscar pedaços de cristal negro. Lembrou-se de que Saphiro era o único do clã a não usar os brincos.
— Que mania desagradável de querer ser o diferente, o exclusivo! — praguejou e passou a mão pela testa.
Um barulho de algo a cair sobre uma das macas metálicas usurpou a atenção do cientista. Onyx girou o corpo e mirou os olhos diretamente no que era – a cabeça amputada de um corpo, os olhos de mel arregalados eram inconfundíveis – Jade.
Um grito agudo escapou da garganta, se fosse possível ficar mais esquálido do que era certamente o gênio o estaria. Atrás, enfim surgiu Topázio vestido apenas na túnica e calça de veludo preto com a pedra dourada cravejada à gola como uma moeda.
— Traga-a de volta. — o cavaleiro não possuía expressão, nem na voz, nem nos traços, o olhar desalmado não focava em nada, os dedos penteavam os cabelos esverdeados melados de sangue.
— E o louco sou eu... — a boca tremeu risonha.
— Eu disse... traga-a de volta. — ordenou grave e ergueu a cabeça lânguida à face de Onyx.
— Mesmo que eu quisesse, não seria possível. Preciso do resto do corpo, do coração.
— Você tinha o coração de sua mãe quando a reviveu? Não tente me passar a perna, traga-a de volta!
— Não será a Jade, será um ser maligno com o rosto de Jade. Não compreende?!
— Apenas faça! — jogou a cabeça ao chão, o membro rolou até os pés do insano momentaneamente são.
— Não. — soou firme. Topázio aproximou-se intimidador, Onyx não titubeou — Faça o que quiser comigo, nada vai mudar o fato de que Jade está morta e não tem como retornar, nem mesmo a rainha pode fazer alguma coisa. — chutou a cabeça de volta ao dourado — Isso não é ela, a alma de Jade não está mais aqui. — ainda que internamente estivesse apavorado, deu as costas ao antigo cúmplice, arregaçou as mangas cinzentas e começou a trabalhar com a transformação do cristal sólido em líquido — Se me permite, tenho muito trabalho a fazer.
Topázio gritou ao fundo, lançou macas ao chão, quebrou tubos de ensaio e Onyx esforçou-se para ignorá-lo, não olhou para trás, esperou o homem se cansar, agarrar a cabeça e desaparecer, só então respirou aliviado e quase se desmontou de pavor.
...
— Águia! — Sailor Saturno arregalou os olhos púrpuras e escancarou os lábios ao vê-lo regressar. Correu entre as pessoas que se seguiam em fila dentro do túnel, parou nos braços dele, agarrada a seu pescoço, o rosto cravado no peito angustiado da ave de rapina — Isso não pode ser real! — soluçou.
— Então você já sabe... — afagou a cabeça negra.
— Eu sinto tanto por ela! — segurou-lhe o rosto sofrido — Sinto por você! — abraçou-o novamente — Está ferido!
— E Valkyria, ela voltou? — falou baixo, sem forças.
— Não... e eu não tenho um bom pressentimento em relação à ela... Depois do que aconteceu com Sailor Ocean, estou com muito medo! Preciso ir atrás dela, Águia!
— Eu vou. — outra voz surgiu, a de um homem comum.
— Hakaru, você não pode contra o poder do Cristal Negro, você é um civil, não tem poder de lutar contra isso. — Sailor Saturno explicou.
— Se eu ganhasse uma moeda a cada vez que escuto algo do tipo estaria mais rico do que a família real! — riu confiante — Não se preocupe, tenho meus meios, e no fim das contas, sou eu quem tem o dom de encontrá-la!
Repentinamente, o teto da gruta estremeceu, algumas pedras caíram do teto e espatifaram-se no chão, as pessoas encolheram-se assustadas.
— O que será isso? — Olho de Águia protegeu Hotaru nos braços.
— Hakaru, cuide das pessoas! — a guerreira do silêncio o orientou — Águia, vamos ver o que está acontecendo!
Saíram do esconderijo pelo mesmo bueiro que Sailor Phantom saiu há tempo, primeiro Olho de Águia, depois Sailor Saturno com a ajuda do companheiro. Depararam-se com alguns finos pilares de Cristal Negro fincados em algumas extremidades próximas, e se bem conheciam o procedimento não deveriam ser os únicos. Grunhidos soaram, seres negros aproximavam-se.
— Essa não! — Sailor Saturno agarrou-se à foice — Olho de Águia, entre em contato com os outros, precisaremos de alguma ajuda aqui!
— Certo!
...
— Onyx está mostrando eficiência... — Diamante comentou assim que Quartzy surgiu no salão real. Observaram através de hologramas algumas das criaturas caírem como chuva no solo do reino, com elas uma névoa acinzentada cobria a cidade. As "coisas" procuravam por sinais de vida que pudessem drenar.
— Príncipe, não se pergunta de onde Onyx tirou matéria-prima para fazer isso? Pelo que sei, as fontes de cristal negro estavam se esgotando. — descontente com a situação, fitou a cena a apertar o tule da saia.
— Ele constrói Cristal Negro, Quartzy.
— Sim, desde que ele tenha pedaços do original, e eles estavam acabando. Como ele conseguiu mais?
— O que está sugerindo? — mirou-a desconfiado. A mulher dos cabelos róseos baixou os olhos arroxeados cabisbaixa — Quartzy?
— Não é nada, príncipe... Posso me retirar? Não gosto de assistir esse tipo de coisa...
— Vá.
...
— Integrantes da família da Lua Branca, exigimos que surjam de onde quer que estejam e tragam consigo príncipe Saphiro. Sabemos que ele está com vocês, e se o príncipe estiver ferido, preparem-se para sofrer as consequências. — a voz de Onyx reverberou pela cidade como se soasse de altos falantes. A frase se repetiu insistentemente.
...
— Não demorou tanto para tomarem providências. — Damien disse ao terminar a transmissão com Olho de Águia. — Ainda assim, não vão encontrar Saphiro em canto algum.
— Príncipe Doryan está preparando Sailor Acqua para a partida, majestade. — Sailor Nature notificou-o.
— Ótimo... — não havia como demonstrar qualquer tipo de ansiedade ou ar de vitória, o rei estava assombrado por luto e outras sensações daninhas.
— Tudo ficará bem, sua alteza. — Olho de Peixe anunciou da porta do convés. — Avisarei Sailor Fire agora... — reverenciou-o e encaminhou-se à saleta onde Saphiro estava preso. Hina ainda cuidava de seus hematomas com carinho e o abraçava temerosa, o príncipe por sua vez esboçava conformismo em suas nuances, o coração de Peixe sobressaltou ao abrir a porta e deparar-se com as safiras moribundas. Ainda se sentia atraído por ele — Hina, está na hora... — anunciou com pesar.
— Já?! — Sailor Fire abraçou o Black Moon fortemente.
— Você tem que ir, é seu dever. — Peixe lembrou-a.
— Hina, ele está certo... — Saphiro sussurrou.
— Mas...
— Sailor Fire... — Reiko surgiu à porta, ela trajava peças de cristal sobre o uniforme de marinheira e carregava as que Hina deveria se munir.
— Você é uma senshi, cumpra com o seu papel. — o Elysiano decretou.
A franja alaranjada cobriu parcialmente os olhos enquanto os passos fortes dela marcharam afora. Saphiro acompanhou-a com o olhar, antes de ela sumir de sua vista sorriu-lhe.
— Eu e você sozinhos... — Olho de Peixe sentou ao lado do nemesiano — Em outro contexto eu teria apreciado muito isso — riu-se — Não faz cara feia, não vou me aproveitar de você, apesar de ser tentador... — ajeitou os cabelos para o lado, charmoso — Não tenho espírito para isso — o flerte não durou —, porque quando olho para você me lembro da amiga que tive e seu clã me tirou.
— Vocês não foram os únicos a sofrerem perdas. — amargo retrucou.
— Precisamos encontrar culpados para tudo sempre, isso é uma chatice. Não concorda? — tocou-lhe o ombro. Saphiro permaneceu calado.
— Está quase na hora. — Damien escorou o olho pela fresta aberta de porta — Prepare a holografia.
— Sim, majestade.
...
Doryan encaixou as ombreiras cristalinas nos ombros delicados da guerreira das águas, por fim, amarrou as joelheiras preciosas às pernas torneadas e ergueu-se diante dela. Parecia uma boneca lapidada em gema sedniana, o laço e o broche cobriam parte do peitoral que refletia as fracas luzes do porão da nau nas paredes, os cotovelos tornaram-se armas pontiagudas e envidraçadas, assim também estavam as dobradiças dos dedos das mãos, ela apertava o tridente nos dedos, seus três ápices também adornados pela joia. Os pares de olhos azuis entrecruzaram-se, os dele mais límpidos e brilhantes por trás de alguns fios negros e lisos.
— Você está incrível... — encaixou um delicado elmo, semelhante a um diadema lapidado em prata e cristal à cabeça doirada.
— Eu vou trazer a rainha de volta. — afirmou confiante e sorriu.
— Como você é forte... — observou — mesmo depois de tudo o que aconteceu...
— Devo me preocupar com o que acontece no presente. O passado ficou para trás. — foi direta, todavia Doryan era observador e notava o lamento através do olhar dela.
— Eu queria poder te ajudar.
— As armaduras que você construiu essa noite são toda a ajuda de que precisávamos príncipe. Você precisa descansar agora, não dormiu nada.
— Só conseguirei dormir quando tudo isso acabar...
— Então não se preocupe, porque em breve você estará numa cama confortável tirando todo o atraso do sono! — reverenciou-o.
— Marine, proteja-se. — Pediu aflito enquanto ela começava a subir as escadas para a parte superior do navio espacial.
— Nada vai me acontecer. Eu sou forte, lembra? — Piscou.
— Sailor Acqua, — Damien surgiu nos degraus de cima — conto com você.
— Deixe comigo, majestade! — e os olhos dela adquiriram brilho dessa vez.
As guardiãs do reino, trajadas na proteção que o irmão do rei compôs uniram-se e partiram rumo a Tóquio de Cristal. Sailor Wind, Nature e Fire dividiram o bote, Sailor Acqua veio de pé sobre a medonha criatura marinha a segurar em uma mão o tridente e em outro o dispositivo arredondado.
Em poucos minutos chegaram ao porto, e desde já notaram o clima fúnebre às margens da praia. Sailor Wind desceu do bote e caminhou na direção de uma arma fincada na areia sobre uma mancha de sangue e resquícios de carne. Pegou a arma e partiu-a ao meio, o movimento liberou uma espécie de fumaça negra.
— Sailor Wind, vamos! — Marine chamou-a apressada.
As outras foram à frente, acabaram por ser separadas por diferentes grupos de Medusas criadas pelas mãos de Onyx. Sailor Fire clamou por seu dragão reluzente, Sailor Nature fatiou as criaturas com o chicote materializado de borboletas místicas. Sailor Wind adiantou-se e chegou à tempo de ajudar Sailor Saturno e Olho de Águia a livrarem-se de um extenso grupo de Droids que os rodeava. Sailor Acqua, sozinha, desviou-se do máximo de empecilhos que pôde, chegou à frente do palácio tomado, bateu o tridente no piso e gritou quase a rasgar as pregas vocais:
— Príncipe Diamante, mostre-se!
De onde estava ele riu, a resposta soou através dos ventos como se viesse de todos os lugares:
— Me mostrar? Para você? Não se dê tanta importância...
Medusas surgiram dos esgotos, algumas arrastavam consigo alguns civis do reino encantado. Marine empalideceu.
— Encontramos seus súditos... — embora a voz não emitisse emoção, as unhas do príncipe arrastavam-se pelos braços do trono enquanto ele se manifestava — Será que você teria coragem de fazer com eles o que fizeram à Jade?
— Será que você teria coragem de fazer ao seu irmão o que fizeram à Sailor Ocean? — de supetão, a voz que Diamante menos apreciava ouvir ecoou, Sailor Acqua abriu a mão esquerda e o dispositivo nela emitiu um brilho índigo, então, uma imagem se materializou: Damien, de pé, ao lado de Saphiro ajoelhado. A espada cristalina a roçar pelo pescoço do nemesiano.
— Saphiro... — Diamante engoliu seco, notou hematomas no irmão, bem como bandagens em sua testa — O que fizeram com ele?! — levantou-se aturdido. As memórias do dia em que o irmão caçula fora tirado dele pulsaram como batimentos esbaforidos e ele suou frio — Onde ele está?!
— Se quiser ver seu irmão outra vez, você e seus súditos devem abandonar o Palácio de Cristal e libertar a rainha imediatamente.
— Então finalmente você está mostrando as suas garras... — rangeu os dentes e teletransportou-se para o local onde a cena acontecia ao vivo. Pairou diante de Marine e quis estrangular o rei terrestre através da imagem — Onde está meu irmão?!
— Primeiro, mostre-nos a rainha. — Sailor Acqua o afrontou destemida.
— Onyx... — ele chamou, o cientista surgiu a pairar nos céus com uma holografia em mãos também. Sailor Love enredada pelos tentáculos negros do mesmo tipo de criatura que perambulava pela cidade.
— Crystal! — Marine controlou a vontade de avançar no inimigo, bem como Damien se segurou para não serrar o pescoço de Saphiro ao deparar-se com o estado da esposa.
— Ordene que essas criaturas soltem Crystal imediatamente. — Damien rosnou.
— Então mostre-me meu irmão em carne e osso, não confio em uma imagem.
— Primeiro, deixe o palácio.
— E se eu não o fizer?
Damien prensou o ápice da lâmina abaixo do queixo de Saphiro e arrancou-lhe um fio de sangue.
— Você... — irado, fechou as mãos firmemente e abriu o olho dourado na testa. Sailor Acqua apontou-lhe o tridente com a mesma ânsia e preparou-se para o ataque. — Espertos... — contemplou a armadura da guerreira. — O que faz você pensar que ao menos a vida dela não vou levar por vingança?
—Toque num fio de cabelo de Sailor Acqua e nunca mais verá o seu irmão.
— E você nunca mais verá sua esposa!
— Você não a machucaria. — outra voz, a de alguém inesperado, surgiu junto à sua presença — Faça como ele diz, liberte Crystal!
— Coelho! — Diamante levitou, uma aura arroxeada o enredou, as palmas cintilaram como lâmpadas, assim como os olhos dantes violetas.
— Majestade, você não deveria estar aqui! — Sailor Acqua se preocupou — Seus poderes passaram para rainha Crystal! Você está vulnerável... — uma rajada de energia maligna atirou Marine ao chão sem que Diamante precisasse encostar-lhe, ele passou perto somente.
Os cabelos cor de rosa balançaram-se com o vento, os olhos rubros sorriram e ela calmamente ajoelhou sobre o chão disforme e uniu as mãos em prece. Diamante estava a centímetros, ainda assim ela não se abalou, uma luz dourada formou-se ao redor da silhueta da antiga rainha, a lua em sua testa tremeluziu intensa e ela proferiu:
— Por favor, Pégasos, protetores de todos os nossos sonhos... Chamado Estelar!
Duas luzes cintilaram nos céus como se fossem estrelas, o corpo de Diamante paralisou e ele pensou que a brancura o cegaria. Cobriu os olhos com um dos braços, os pés tocaram o piso, quando ele descobriu a vista deu-se com Rini entre dos cavalos alados – ambos eram ebúrneos como a pureza do sonho de uma criança, as asas enormes abertas em graça, os olhos diferiam-se, no entanto, um possuía belos orbes preciosos como o ouro, o outro – ou melhor , a outra – piscava os oceanos límpidos, logo acima uma lua refletia à testa, as crinas das criaturas divinas eram acarinhadas pelas mãos da mulher que um dia representara o papel de Sailor Chibi Moon.
— Diamante, você e seus súditos devem desocupar o palácio agora, e faça com que esses monstros deixem os cidadãos de Tóquio de Cristal em Paz!
— Se querem algo de mim, primeiro mostrem-me Saphiro! Quero vê-lo pessoalmente!
O Pégaso de olhos azulados aproximou-se vagarosamente, o Príncipe Branco preparou-se para abatê-lo sem piedade, até ouvir a voz da entidade:
— Você tem a mim, nada acontecerá a Saphiro.
— Crystal?! — proferiu o nome desacreditado — Mas, como?!
— Eu sou a guardiã do amor e dos sonhos...
— Essa é a nossa forma fora de nossos corpos físicos. — Helios, o primeiro Pégaso, tomou a liberdade de chegar perto.
— Amanhã ao pôr do Sol, encontre-me no porto principal de Tóquio de Cristal — Damien conduziu entre chiados — Entregarei seu irmão e você entregará minha esposa.
A forma alada de Sailor Love baixou a cabeça comprida e selou os longos cílios, as asas curvaram-se:
— É a única saída... — sussurrou.
O líder do clã da Lua Negra virou-se lentamente à direção de Sailor Acqua e a imagem que ela tinha em mãos de Saphiro enfraquecido, marcado pela violência de Doryan, sem perspectivas. Outra vez, fragmentos das lembranças mais aterrorizantes da vida passada o atormentaram, os dedos enrolaram-se aos fios celestes e ele espremeu os olhos por segundos. Por fim, recobrou a postura, deu as costas à outra forma recém conhecida de Sailor Love e respondeu a oferta:
— Está acertado. — frio como o clima invernal, desfez-se miraculosamente. Em menos de uma hora os óvnis que sobrevoavam o imponente palácio afastaram-se, a fina parede de energia maligna se dissipou como poeira, Rini foi a primeira a dar passos em direção ao antigo lar, logo atrás Marine a escoltou.
As medusas que perambulavam pela cidade se esconderam pelas sombras e pelos cantos. Sailor Saturno encaminhou os civis que antes se escondiam nos subsolos úmidos e escuros ao palácio cristalino. As outras guerreiras, livres dos ataques das medusas foram se chegando pouco a pouco. Todos que pisaram lá dentro se viram surpresos ao caminharem pelo lado de fora e vislumbrarem um jardim impecável, além do clima ameno, diferente do frio cortante do outro lado dos muros de cristal esburacados.
A égua alada que caminhava com eles desapareceu aos poucos, como um espectro.
— Ela está acordando... — Helios concluiu enquanto retomava a sua forma hominídea.
...
Crystal abriu os olhos, seu corpo estava estirado na cama onde ela e Diamante dividiram a primeira noite passional. Ao sentar sobre as cobertas aveludadas, viu-o à beira da cama, de costas.
— Teve bons sonhos? — perguntou letárgico.
— Diamante... — abraçou a si mesma enquanto observava-o aflita.
— Você queria tanto partir, agora ficará feliz. — não se virou para olhá-la.
— Eu vou resolver tudo... confie em mim.
— Saphiro está ferido, seus amigos claramente o torturaram. — levantou ainda de costas — Isso não vai ficar assim, Crystal. — finalmente encarou-a, o ódio escorria pelos olhos — Alguém vai pagar.
— Pode me punir por isso, eu não tenho medo. — não desviou o olhar ou alterou o tom de voz — Sou sua refém também, não sou?
Diamante segurou o rosto frágil nas mãos, desceu uma mão pelo pescoço, não o apertou. Afastou-se súbito, sôfrego. Uma lágrima escapou dos olhos da rainha.
— Eu sinto muito... — lamentou sem saber o que dizer a ele.
— Não há o que resolver Crystal, quando você estiver entregue nos braços de Endym... de Damien, seremos inimigos outra vez. Chegamos a um ponto em que as coisas já não tem conserto... na verdade, elas tendem a piorar.
— Não diga isso!
— Você sabe que é verdade. — abriu a porta enquanto a olhava, à espera de uma resposta otimista que não veio.
Sailor Love não sabia o que dizer, porque no fundo de seu coração, naquela hora, já não sabia se poderia acreditar numa resolução para a situação. O brilho de seu broche esmoreceu tal qual o de sua insígnia. O coração pusera-se em dúvida mais uma vez.
"Inimigos... esse é o nosso destino?" – divagou solitária, atenta à pequena janela em uma das paredes negras, através da moldura o sol baixava pouco a pouco, as horas passavam, o crepúsculo fatídico não se atrasaria.
Continua...
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