A Minha Queda Será Por Você
5 Além do arco-íris
Notas iniciais
A minha queda será por você
Capítulo 5 – Além do arco-íris.
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Em passos afoitos, com os sapatos já molhados de resquício de chuva e lama, chegaram em uma pequena gruta de onde saía uma nascente de água e formava um riacho. Lá dentro, em um dos cantos, talvez por conta de pequenos raios entrarem em contato com as gotículas de água que respingavam das rochas de encontro ao solo, um singelo arco-íris se formava. Por mais simples que fosse, parecia mágico pelo olhar de Crystal. Observador, Diamante reparava o quanto tudo a empolgava, no fundo admirava-a também por isso, ela ainda possuía aquele entusiasmo com pequenas coisas que geralmente, pessoas normais perdiam ao término da infância.
- Adoro vir aqui depois da chuva, olhar os pequenos arco-íris... – sorriu – Eles são como pequenas esperanças que se formam... – riu – Que coisa doida, não ligue para mim!
- Por que pequenas esperanças? – Fitou-a curioso.
- Bem, dizem que do outro lado do arco-íris pode-se encontrar um pote de ouro... Acredito nisso, mas não em sentido literal, sabe?
Arqueou uma das sobrancelhas e abriu meio sorriso, realmente pareciam totalmente sem nexo as coisas que ela dizia, mas a falta de sentido talvez fosse o que mais o incentivasse a querer ouvir mais.
- ... Acho que cada um de nós deseja um "pote de ouro" diferente. É como se o pote fosse a esperança, um pedido. Por exemplo, o meu pote de ouro nesse momento é chegar em casa e minha mãe estar mais calma à ponto de não brigar tão feio comigo e me deixar de castigo! – Libertou uma risada divertida ao final da frase.
- O coelho... Digo, sua mãe é muito rígida nos castigos que impõe?
- O quê? Mamãe é muito zangada! – Arregalou os olhos – Só de pensar, me dá arrepios! – riu novamente.
O príncipe riu brevemente, junto à ela. Era engraçado imaginar Rini adulta e mãe, aquela criança fujona que só sabia chamar pelos pais agora tinha uma criança que estava ao lado dele. Fitou Crystal pensando em tudo, lembrava-se das histórias que ela leu à noite, de como Serena e Endymion conheceram-se e iniciaram o ciclo daquela família.
- Você acredita ser reencarnação dela?
Crystal baixou o olhar e não respondeu, aquele assunto parecia o único capaz de diminuir o brilho e entusiasmo da menina.
- Perdão, eu não quis... – Diamante tentou amenizar o que, sem querer, fez.
- Ah, não... Tudo bem, todos dizem que sou muito parecida com ela, deve ser normal pensarem isso... Vovó é tão admirada por todos, quase como uma entidade.
- Sendo assim, por que ficou triste pela minha pergunta? Não é honroso ser considerada a reencarnação dela? – passou a mão por uma das mechas castanhas, afastando-a do rosto da menina.
- Príncipe, quando olha para mim, vê minha avó? – mesmo que o rosto estivesse ruborizado, fitou-o diretamente nos olhos.
Afastou a mão dos cabelos dela, e pela primeira vez sentiu-se desarmado a ponto de virar os olhos para o lado, para não ter de encará-la. Crystal sentiu um nó no coração tão forte que teve de por a mão no busto para acalmá-lo, seus olhos pareceram marejados por um breve instante, afastou-se de Diamante para ficar próxima do pequeno arco-íris e passou a mão por ele, atravessando-o, fazendo com que as cores refletissem em sua palma e em seus olhos azuis.
- A impressão que tenho é de que todos só gostam de mim pela imagem que represento e não pelo que sou. Não gosto muito de pensar nisso... É como se nem minha alma me pertencesse. — abriu um meio sorriso, embora triste – Pelo menos algo de diferente possuo, os cabelos. Não é?
O príncipe foi até ela, cauteloso, ao alcançá-la pelas costas, tocou seus ombros, afastou os cabelos de seu pescoço e passou os dedos pelos fios, Crystal ficou tão surpresa com aquela atitude que não conseguiu reagir ao toque, ficou parada onde estava e suas pernas balançaram.
- São lindos... – Ele sussurrou, trazendo alguns fios até o rosto, fechando os olhos, sentindo o seu perfume – Combinam com você. – Soltou-os para tocar-lhe os ombros novamente, e virá-la de frente para si – Você é especial, princesa, sendo ou não a reencarnação de Sailor Moon. – abriu um sorriso discreto.
Os olhares se encontraram mais uma vez, aqueles profundos e púrpuras que no passado transbordavam ambição, rancor e poder hoje eram serenos mas ligeiramente misteriosos. O que pretendia? O que desejava? Era tudo o que ela perguntava. As palavras escritas no parágrafo do livro que descreviam os sentimentos dele por Sailor Moon a assombravam, porém não era um fantasma que queria espantar. A sensação era estranhamente sedutora, como se quisesse ter estado no lugar de sua avó para ter sido desejada por ele daquela forma, e assim poder render-se no lugar da outra, porque desejava isso. Os olhos azuis semicerraram-se, enquanto um suspiro longo se formava dos lábios e nariz. Ao sentir que os pés queriam abandonar o chão diante daquele início de fantasias insanas, balançou a cabeça levemente e sorriu desajeitada, as mãos dele ainda estavam em repouso em seus ombros, eram frias, mas não queria tirá-las dali.
- Príncipe, não posso demorar muito... Cada minuto que passa é mais tempo para aumentar o meu castigo quando chegar ao palácio. – disse, pesarosa.
- Entendo... Bem, vamos sair daqui.
De braços dados, abandonaram aquela gruta escondida, viram-se de frente para uma paisagem de belas flores em campo aberto, com o sol a tornar suas cores vibrantes. Diamante sorriu, estava no paraíso, em instantes como esse parava mesmo de perguntar-se o porquê de estar ali, apenas sentia-se feliz por estar.
Crystal, de repente, mordeu o lábio inferior, soltou o braço dele e num riso descontraído correu à sua frente, de braços abertos pelo campo.
- O que está fazendo? – perguntou confuso.
- Me alcance se puder! – Estava tão acostumada a correr pelos campos que acreditava que ninguém fosse mais rápido do que ela – Chego do outro lado antes de você, aposto!
O príncipe Black Moon piscou brevemente os olhos semi arregalados, entortou os lábios para o lado de leve, perguntava-se se aquilo era uma brincadeira inocente ou tentativa de ridicularizá-lo. Como se instintivo, seus poderes que pareciam adormecidos, despertaram. Em questão de segundos seu corpo transportou-se de frente ao dela, que corria empolgada a ponto de não conseguir frear. Percebendo que a jovem cairia sobre si, utilizou sua força para girar e cair por cima, segurando os pulsos dela a altura da cabeça.
O som do vento balançando a relva alta e as flores, e o ruído dos pássaros voando em conjunto das árvores para o céu foram os únicos barulhos momentâneos. O sol tocava os cabelos de Diamante dando a impressão de que eram brancos, os fios balançavam lenta e levemente, o pequeno sorriso formado se fechou, assim como o olho dourado em sua testa que fora aberto por pouco tempo. Mais uma vez, Crystal perdeu o ar e as forças, seu coração pregava mais uma peça, as batidas soavam alto o suficiente para alcançarem os ouvidos do homem.
- Aposta o quê?
Não houve resposta, a garota estava tão em choque que não conseguia formular nem mesmo onomatopeias com a língua, só tinha forças para buscar o fôlego, ofegava como se o caminho do ar para os pulmões estivesse fechado. Ele soltou os punhos dela, apoiou-se em uma das mãos sobre a terra, enquanto a outra percorria o lábio inferior da jovem , alcançou-lhe o queixo, segurou –o e acariciou-o com o polegar. Não era tolo, notou nitidamente que não houve ao menos uma tentativa de ser afastado, não havia um traço de repulsa naqueles olhos oceânicos.
- Devia ser cuidadosa ao me desafiar, princesa... – sussurrou – Gosta disso?
- Era só uma brincadeira... – disse envergonhada, ainda hipnotizada pelo toque suave, pelos olhos que impunham respeito.
- Bem... – após uma breve risada de triunfo, tirou seu corpo de cima do dela, levantou-se e estendeu a mão para que ela fizesse o mesmo – Pague a dívida outro dia, não quero que sua mãe a castigue muito.
Segurou a mão dele e foi levantada, outra vez estavam parados de frente um para o outro, as maçãs do rosto dela ainda estavam rosadas, os olhos estremecidos.
- Esperará por mim, príncipe? – recompondo-se, perguntou – Posso demorar a retornar, dependendo do humor de minha mãe...
- Estarei aqui, princesa. – respondeu.
Ela sorriu, soltou a mão da dele aos poucos, dando passos para trás. Quando já estava um pouco distante e de costas para ele, parou, olhou de canto de olho e notou-o ainda parado, assistindo-a partir, girou o corpo para frente outra vez, em passos largos foi até Diamante e o abraçou.
- ... O quê? – ficou parado de início, depois a envolveu apenas com um braço.
- Eu... Gosto de você. – ela disse, em seguida, em movimentos desajeitados, apartou-se do corpo dele, já de longe acenou, e por fim correu na direção que a levaria até sua casa.
Diamante ficou parado, confuso, entre aquelas flores, aquela imensidão de cores e verde, mal sentia o vento tocar o rosto.
"Eu gosto de você..." – Aquela frase não sairia mais de seus pensamentos, ele sabia. Seria possível?
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- Estou com muito sono, mas que droga! – em um enorme salão de jogos, com mesas de poker e bilhar, alguns bares em torno, no centro da cidade, o homem louro, sentado em um banco alto, balançava o gelo em um copo de uísque.
- Acho que parte desse desanimo está ligado ao fora que ele levou... – o rapaz de cabelos azuis cochichou para um outro que estava à sua frente jogando cartas em dupla, ambos riram.
- Cale-se, Olho de Peixe! E você, Águia? Está rindo de quê? Que eu saiba também não conseguiu nada com a bonitona dos mares! – Tigre resmungou.
- Ei, isso porque Olho de Peixe foi fazer fofoca! Mas, se não sabe, estou em melhor situação do que você. – ergueu o rosto, sorrindo confiante – A vi seminua, banhando-se no lago, até me convidou para me unir a ela, estávamos só nos dois lá, se eu quisesse, Sailor Ocean teria sido minha nas pedras daquele laguinho de água salgada. He,he...
- Não seja ridículo! – Olho de Peixe riu — Ela estava de deboche, Águia! Vocês dois não levam jeito algum para seduzir nem uma mosca!
- E quem é você para falar algo, Peixinho? Nem de mulher gosta! – Tigre, tomou um gole da bebida que estava em sua mão.
- Ora! – Peixe fechou a cara por um segundo, depois tornou a sorrir – Bem, ouvi dizer que surgiu um rapaz muito bonito no reino... – Pôs a mão sobre o queixo.
- Sabe, essa conversa mole me fez lembrar que deveríamos estar procurando pela princesa... – Águia disse, enquanto uma pequena gota surgia no canto de sua testa – Nos comprometemos a procurá-la aqui fora, enquanto os outros esperam seu retorno nos domínios do palácio...
- Falando nisso, não é ela ali? – Peixe arregalou os olhos e apontou para as grandes portas de vidro, que por dentro eram transparentes, tinha uma visão perfeita da menina andando calmamente, com o vestido lilás encardido de lama.
- Ih! – os três levantaram-se em sincronia e saíram de dentro daquele clube, seguiram-na até alcançá-la – Princesa, acompanhe-nos, por favor! – Disseram em coro, enquanto Tigre e Águia pegavam-na por cada braço e em passos rápidos a levavam.
- ... Mas o quê? – A jovenzinha arregalou os olhos ao ser carregada.
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O café da manhã sequer fora servido, todos estavam afoitos por notícias de Crystal, o assunto principal era seu possível paradeiro, os únicos que pareciam distantes eram Hina e Saphiro. Como haviam combinado na noite passada, passeavam lado a lado pelos pequenos caminhos dentro do enorme jardim.
- Acha que sou culpado pelo desaparecimento da princesa? – ele perguntou.
Hina balançou negativamente a cabeça, fitando o chão por onde pisava, parecia mais calma que no dia anterior, mas ainda assim não perdia a falta de jeito diante dele.
- Eu a vejo sair quase todo o dia, só não faço ideia de para onde vai...
- Está preocupada com ela? – fitou-a.
- Estou mais preocupada com a bronca que ela vai levar...
Saphiro parou e deu uma breve risada.
- O-o que foi? O que fiz? – Hina falou desconsertada, olhando para os lados.
- O seu jeito é engraçado às vezes.
- Isso é ruim? – colocou as mãos no rosto – Desculpe, desculpe! – mais uma de muitas vezes, o rubor das bochechas fez a face inteira esquentar.
- Não, não! Você é uma pessoa divertida, Hina! – virou-a de frente novamente, para poder olhá-la – Não precisa ficar tão nervosa e policiar cada atitude ou palavra, seja mais espontânea...
- Espontânea? – falou baixo, ainda tímida
- Sim, como quando toca o piano... – fitou a direção do coreto de vidro.
- Quer... – começou a falar mas parou.
- O quê?
- Quer que eu toque para você? – olhou para os pés e falou em tom bem baixo.
- Sim, é claro. – sorriu, a companhia dela o fazia esquecer dos pensamentos ruins e das dúvidas, ouvi-la tocar era a melhor forma de escapismo que conhecia.
Andaram juntos até o coreto. Lá, Hina sentou-se no banco e o regulou, Saphiro encostou-se na parede e fechou os olhos quando o dedo da menina tocou a primeira tecla.
"Irmão, o que terá acontecido com você? Sinto a sua falta..." — pensou, enquanto permitia a melodia invadir os seus sentidos pouco a pouco, até não conseguir pensar em mais nada.
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- Então a encontraram? – Sailor Wind, em tom seco, falou com o trio. Seu olhar arrepiava até os cabelos da nuca de Crystal – Venham, a rainha está esperando.
Passaram pelos jardins, todos a escoltavam. Crystal olhava para os lados, a cada passo ficava mais próxima de sua sentença. A forma que encarava as coisas fazia-as parecer um julgamento em praça pública, e o castigo provavelmente seria a guilhotina. Começou a transpirar, parou bruscamente o andar.
- Princesa? – Sailor Wind parou junto.
- Esperem, deixe-me respirar um pouco! – fechou as mãos.
Tigre e Águia soltaram os braços dela e ficaram ao seu lado, Peixe também cessou os passos.
- Não, vossa alteza terá o direito de respirar o quanto quiser depois que ouvir tudo aquilo que sua mãe tem para dizer. – ríspida, Wind tratou de segurar Crystal pela mão e puxá-la contra a sua vontade.
- Espere, espere! — a princesa fincava os pés no chão mas era arrastada.
- Não seja infantil. – a guerreira não parou, levou-a aos puxões, como se lidasse como uma criança malcriada.
Os três homens suspiraram, talvez pensassem em conjunto sobre como a marinheira dos ventos era sem coração. Em silêncio, cada um foi para direções diferentes. O galanteador de cabelos dourados seguiu por uma pequena trilha de pedrinhas até uma das entradas do enorme palácio de cristal. Lá estava a garota de cabelos negros que desde o início o observava, inclusive andava a todo momento bem vestida, lábios pintados, já a espreita de encontrá-lo.
"É agora!" – Pensou rápido, andou na direção dele, e quando já estava perto o bastante, forjou um tropeço, caiu diretamente nas garras do felino.
- Você está bem, boneca? – em um reflexo a segurou.
- Obrigada por não me deixar cair! – os olhos púrpuras brilharam, forçando inocência e vulnerabilidade – Você é incrível, Olho de Tigre! – nada ingênua, aproveitou que já estava nos braços dele, recostou a cabeça em seu peito. – Agora estou em dívida, como posso retribuir o favor?
- Bem... – riu – Deixe-me ver...
"É, ela é bem bonitinha" – pensou ao esbanjar um sorriso malicioso, porém discreto.
- Peça-me qualquer coisa, vamos! – olhou-o de canto, com o rosto aconchegado no mesmo lugar.
- Qualquer coisa mesmo? – estreitou os olhos, segurou o queixo de Reiko e ergueu seu rosto.
- Sim, o que quiser! – O pequeno sorriso se alargou de forma notável, desavergonhada.
Tigre nem ao menos teve tempo para falar o que queria, um braço envolveu sua nuca, e em meio salto sua boca já estava colada a da menina em um beijo completamente desajeitado.
- Ei, espere, vá com calma! – ele a afastou assustado, passou a mão pela boca toda manchada de batom.
- Que mágico, esse foi o meu primeiro beijo! – a morena colocou as mãos no rosto e rodopiou – Agora estamos ligados, eu e você, Tigrinho!
- O quê? Mas foi só um selinho! – arregalou os olhos no susto – E foi você quem me agarrou, por sinal!
- Ora, não negue que sente uma forte atração por mim... – abriu um sorriso sapeca – Vem cá! – pendurou-se no pescoço dele, agarrando-o como se fosse uma tiete incontida.
- Está bem Reiko, já chega. – a voz feminina soou. Era Marine, com as mãos na cintura.
- Oh... – o homem abriu um pequeno sorriso e envolveu a cintura da menina que o agarrava – Parece que tem alguém com ciúmes aqui.
Marine bufou, balançou a cabeça em negação, em passos largos aproximou-se, segurou um dos braços da outra e a puxou.
- Vamos, Reiko, ele não merece toda essa atenção.
- Ei, qual é? Você não me quis, a fila andou. Devolva-a para mim! – segurou o outro braço de Reiko.
- Ah queridos, não briguem por minha causa! – não haveria melhor forma de alimentar aquele ego.
- Reiko, a princesa retornou, vamos! – a loura ignorava o homem completamente, talvez por birra.
- Fui eu quem a trouxe... – começaria a exibir-se quando uma dor latente em seu pé tirou-lhe a capacidade de iniciar o discurso heróico.
Mais uma vez, vitória de Marine. As duas saíram do local, claro que uma arrastada pela outra.
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A princesa parou em frente a porta, tocou suas mãos na madeira branca e repousou-as lá, começaria a enrolar mais do que a paciência da guerreira de cabelos prateados aguentava. Ao notar o olhar da mulher quase incinerando-a, suspirou e devagar girou a maçaneta. Aos poucos, teve a visão de seus pais sentados em seus tronos. Rini, imediatamente se levantou após ver apenas a silhueta de sua filha. Crystal fechou os olhos e respirou fundo, deu dois passos a frente, passou as mãos pela saia úmida do vestido, sujo de lama pelas costas por conta do momento em que caíra sobre a relva junto ao príncipe, só de lembrar o rosto ruborizou e seu olhar envergonhado buscou fuga no chão, fracassou, aquele piso refletia-a, ver o próprio estado fazia-a sentir-se pior.
- Onde estava, Crystal? – mesmo o tom de seu pai, sempre suave, dessa vez era sério.
- Eu... A chuva...
- Não ouviu a pergunta? Onde estava? – a voz de Rini soara grave, rígida.
- Em um bosque! – fechou os olhos, nervosa – Choveu, não tive como voltar, sinto muito!
- Estava sozinha, minha filha? – Helios perguntou.
- ... Sim! – demorou demais para responder.
- Está mentindo. – Rini se aproximou – Olhe para mim Crystal e diga a verdade. Quem estava com você?
- Ninguém, eu juro! – a voz da menina tremia, se sua mãe descobrisse estaria tudo arruinado.
- Crystal, responda sua mãe. – Helios advertiu.
- Mas não havia ninguém! – gritou em protesto, e em um impulso correu para fora daquele lugar diretamente para o quarto, o qual bateu a porta e ficou encostada por trás dela, ofegante.
- Majestade, a trarei de volta, esse comportamento foi ultrajante! – Sailor Wind disse, indignada.
- Não, deixe-a. – Rini virou as costas.
- Querida, tem certeza? – Helios surpreendeu-se, dificilmente Rini permitia que as gafes de Crystal ficassem impunes
- Wind, não quero que impeça Crystal de sair. – Rini falou, ainda de costas.
-... Mas majestade!
- Quero que fique observando-a. Quando a vir saindo, não pense duas vezes, siga-a. – Rini virou apenas o rosto de modo que pôde ter uma visão da mulher de olhos e cabelos prateados com o canto do olho.
Helios não contestou, assentiu com a cabeça. Algo estranho acontecia em sonhos e realidade, era deveras arriscado Crystal andar sozinha, ainda mais longe da segurança do palácio, protegido pelo cristal de prata.
- Como queira, alteza. – Sailor Wind curvou-se em reverência, levantou-se e partiu rumo à porta do quarto da princesa.
"E agora, como farei para vê-lo?" – A princesa se aproximou da enorme janela do quarto, onde em uma noite fitou a lua cheia, antes de fazer o pedido que, pelo que parecia, havia lhe trazido o príncipe no dia seguinte. Reparou que, por trás do vidro, além das montanhas, um enorme arco-íris se formara. Sorriu, tocou o vidro com uma das mãos e concluiu: " Além da cidade, embrenhado em um bosque, está o meu pote de ouro..."- pensando nisso, fechou os olhos e repassou na imaginação os segundos que gostaria de eternizar, o príncipe tão próximo dela em um amplo campo repleto de flores.
Continua...
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