Notas iniciais
Oi pessoal! Olha só quem chegou com novidades, apesar de o final de semestre estar de lascar! Euzinha! Pois é, consegui terminar ainda a pouco o último seminário do ano, agora só falta redigir mais um ensaio e estudar para uma prova... Pouca coisa perto de tudo o que já passou. O importante é: mesmo nessa bagunça, consegui, aos poucos, redigir esse capítulo e metade do que virá depois (só não prometo que conseguirei postar o próximo tão cedo). Dia 21 de dezembro viajarei para passar as férias com a família, daí volto só em fevereiro, possivelmente a fanfic ficará parada até lá. Torçam para que eu consiga terminar o próximo antes de viajar, mas, se por acaso eu não conseguir, adianto: Feliz Natal e próspero Ano Novo a todo mundo que acompanha esse projeto! Boa leitura, pessoal!

A Minha Queda Será por Você
Capítulo 34 – A polêmica holografia

Ele prometeu que não partiria, ele prometeu! — gritava incessantemente, gritava até que a garganta rasgasse e a voz falhasse.

Damien, saia, por favor! Deixe-me às sós com ela! — Rini, aflita, pediu enquanto abraçava a filha que de tanto prantear chacoalhava-se toda.

O rapaz, mesmo inconformado, não teve escolha além de obedecer. Enfim, sozinhas no cômodo onde príncipe Diamante ficara hospedado nos últimos dias, a rainha segurou o rosto da filha firmemente e a obrigou a encará-la.

Crystal, me escute! — a menina teimava a debulhar-se, estremecida. — Crystal, pare com isso, preciso que preste atenção!

Me deixe em paz, você o mandou embora! Você fez isso! — mal raciocinava. — O que você não sabe é que ao mandar Diamante embora, mandou um pedaço de mim, o meu coração!

Chega! — perdeu o controle e gritou ainda mais alto do que a menina. Ao perceber a crise de histeria, respirou fundo, passou a mão sobre a testa faiscante e, por fim, segurou firmemente as mãos da filha —Eu preciso que você me escute. — falou pausadamente — Pode fazer isso?

Os gritos da mãe sempre a intimidavam, não importava o como e o quando. Submissa, baixou a cabeça e o olhar inundado, os dedos fecharam-se cobertos pelos de Rini, entre eles a peça negra era apertada.

Diamante não se foi permanentemente. — começou a explicar — Ele teve que partir porque alguns membros da Black Moon tomaram seu pai como refém. Para ter Helios de volta, o acordo era os príncipes da Lua Negra retornarem a Nemesis. Compreende, Crystal? — ao vê-la respirar menos ofegante, abraçou-a e acarinhou-lhe os cabelos de chocolate — Foi uma medida de emergência, minha filha... A atitude do príncipe foi nobre, ele partiu para salvar a vida do rei, seu pai, e para convencer os nemesianos de que todos podemos ser amigos!

— Não vão deixar ele voltar! — disse convicta. —Você está falando essas coisas só para tentar me acalmar!

Ele é o príncipe, Crystal, não podem impedi-lo de voltar à Terra se assim ele quiser!

Ele não vai voltar... — os olhos pesaram, exaustos, a voz soou sussurrada.

Querida, seja positiva! — apoiou-a ao ombro e a ajudou a se levantar. —Vamos para o seu quarto.

Ela foi, não por querer, mas por não ter forças para resistir. Por mais que tenha notado na mãe uma postura diferente em relação a Diamante, não conseguira sentir-se aliviada, uma sombra cobriu novamente seu coração, e ela dizia:

"Algo de muito ruim vai acontecer" horas depois, encolhida na cama a abraçar o brinco de cristal negro, insistia.

Do lado de fora, insistente, Rini batia à porta:

Crystal, você precisa comer!

...

Topázio petrificou no ar, os cabelos flutuaram graciosamente devagar em sincronia à capa de couro. A espada de luz oscilou em raios e sua mão, contra a vontade, fê-la virar-se na direção do peitoral dourado. O fio luminoso tocou-lhe a armadura e, lentamente, iniciou a derretê-la. Ele não entendia o que estava acontecendo. Por que a sua própria mão tomara a iniciativa de apontar-lhe a espada?

— Mestre, não! as gêmeas gritaram, ambas correram até o cavaleiro, seguraram-lhe o braço na tentativa de impedir que ele se matasse.

— O que é isso? Jade, estupefata, deixou a lança escorregar por entre os dedos.

— Irmão, não faça isso! Saphiro alertou, ele sabia muito bem o que estava acontecendo.

O olho na testa de Diamante reluzia intenso, assim como os orbes violetas tomados por brilho turquesa. Apenas as pontas dos pés tocavam o chão, o corpo flutuava envolvido por uma ventania sinistra. A imagem aterradora do príncipe refletia nos olhos arregalados de Onyx, o cientista sorria, não se saberia se era de nervosismo ou simplesmente por ser louco.

— Eu poderia, facilmente, fazê-lo tirar a própria vida. Diamante, grave e firme, ergueu as mãos em direção a Topázio.

— Por favor, não faça isso, príncipe! Aoi, aos prantos, jogou-se de joelhos a frente dele.

— Me dê uma boa razão para poupá-lo! o toque da espada à armadura começara a provocar fumaça escura, Topázio tossiu sentindo-se sufocado, o orgulho o privou da voz.

— Topázio é o melhor soldado de Nemesis, príncipe. Foi bem treinado para uma guerra. Jade, contrariada, teve de falar.

— Eu já falei que não haverá guerra! irritado, bradou.

— Irmão, você precisa ver o que eu vi. Saphiro tocou-lhe o ombro, e paciente, fê-lo baixar o braço tenso.

— Eu peço perdão em nome de meu mestre, por favor, príncipe, perdoe-o! Ou, castigue a mim, Aoi! agarrou-se às pernas dele, roçou a face em seus sapatos lustrados.

— A sua sorte é ter alguém como ela. fitou a jovem dos cabelos azuis e trajes de Lolita — Em nome da lealdade dessa menina, deixarei por menos, mas que fique claro, soltou-o de uma vez ao chão, a armadura tilintou sobre o piso e a espada esfacelou-se em correntes elétricas da próxima vez, se houver uma, você não escapará! o terceiro olho fechou-se em Lua Negra. O que você viu, Saphiro? nele confiava mais do que em qualquer outra pessoa.

Não cabe descrever, você precisa ver com seus próprios olhos... suspirou entristecido.

— Você concorda em declarar guerra à Tóquio de Cristal, Saphiro? olhou-o fixamente.

— Onyx, leve-nos à sala de holografias. Saphiro chamou-o.

Enquanto os três teletransportaram-se juntos, Topázio arrastou os dedos sobre o piso escuro de cristal. Akai segurou-lhe os braços para tentar ajudá-lo a levantar, ele, bruto, desvencilhou-se da ajuda. Aoi correu até a mocinha alaranjada e a amparou antes que fosse ao chão, ambas observaram o homem a quem admiravam, furioso, ficar de pé e olhar para o nada. Dos lábios, um rugido grave e descontente escapou, dos olhos áureos as chamas da ira cintilaram.

— Você pode ser forte, mas enfim surgiu alguém que o supera. Contra ele, você não pode. o prazer de Jade ao pronunciar cada vocábulo era notório.

— Cale-se! Você é o que é graças a mim, não ouse me menosprezar! alertou-a.

— Graças a você meu passado é cheio de marcas, Topázio, não te devo nada! amarga, retrucou Pensa que não me lembro daquele tipo de tortura que você chamava de "treinamento"? Você é igualzinho ao seu pai!

— Parece que você sente falta das surras que levava, acaso gostaria de relembrá-las? aproximou-se da amazona até quase os narizes se tocarem, e, antes que ela respondesse mais um desaforo, ele a agarrou pelo pescoço e tomou-lhe o ar. Tendo-a entre os fortes e metálicos dedos pressionou-a e fez gemer, involuntária Fraca, como uma mulher. sussurrou ao ouvido moreno Mulher, afinal, riu discreto e baixou o olhar dourado ao busto farto, adornado por uma armadura cravada em jade e ouro é o que você é e sempre será, não importa o quão durona se faça.

Ela esbofeteou o braço dele com as duas mãos, a resposta veio na forma violenta como ele a atirou, fê-la dar de costas à parede e escorrer por ela como objeto inanimado.

— Ponha-se no seu lugar, escrava. Topázio finalizou aos risos, ao menos a insubordinação de Jade o fizera resgatar o humor. Escoltado pelas duas seguidoras, afastou-se em marcha, a guerreira o acompanhou com os olhos cor de mel.

"Escrava" ecoava no pensamento, obrigando-a a lembrar do que há muito fora.

...

— Aqui guardamos algumas gravações de comunicações, príncipe. Onyx introduziu-os, embora para Saphiro o ambiente já fosse amargamente conhecido Vê as prateleiras? passou a mão enluvada pelos suportes negros onde diversas capsulas eram enfileiradas, parou em uma Digamos que esses sejam os nossos documentos, e este aqui, girou-a na mão você vai adorar! a ironia transbordou no tom e no sorriso. O polêmico cientista desfilou até o centro do salão, lá havia um altar lapidado em cristal negro, no centro um encaixe perfeito para a pequena capsula transparente. Calmo, Onyx acomodou a peça e assim que foi feito, ela refletiu uma luz azulada dali ao teto, e, em seguida, uma imagem fosca foi se formando: primeiro o cor-de-rosa extenso que se figurou em cabelos, depois o rubro-sangue em par olhos indiferentes— e, até que enfim, o rosto familiar:

— A rainha! Diamante exclamou ao vislumbrar Rini.

Nemesianos e nemesianas, — a voz robótica e cheia de interferências iniciou — venho por meio desta holografia informá-los que atingimos o nosso limite. Não há como Terra e Nemesis serem aliados, este é o nosso rompimento oficial. O décimo planeta não é responsabilidade minha, muito já me é exigido em Tóquio de Cristal. Não aceitarei cobranças ou ameaças, se conseguiram sobreviver até hoje, darão um jeito de continuar sobrevivendo. Lembrem-se, o poderio bélico de vocês não foi o suficiente para nos destruir no passado e tampouco o será no presente. Lembrem-se também, o que lhes restou do Cristal Negro não é páreo para o Cristal de Prata. O aviso está dado, que essa seja a nossa última comunicação e também a última tentativa de coabitação. A Terra não é um bem de todos, ela pertence aos terráqueos e à família da Lua Branca. Espero que com essa mensagem tudo tenha se esclarecido. Boa sorte. — daí, um forte chiado ecoou, a imagem retorceu-se e apagou.

Um mórbido silêncio instaurou-se e impregnou o pequeno cômodo. Onyx desencaixou a capsula do altar circular e a guardou de volta na estante. Saphiro analisou a expressão do irmão mais velho: olhos sem brilho, lábios apáticos, Diamante era a representação de um profundo vazio.

— Topázio me contou que, depois das inúmeras tentativas da falecida princesa de comunicar-se, a rainha de Tóquio de Cristal enviou essa resposta em uma rápida conferência. Foram meses sem recebermos recursos, precisou que boa parte da população morresse de inanição para que a... Como é mesmo o nome? passou os dedos pela testa fazendo esforço para lembrar-se.

— Rini. Diamante disse entre dentes.

— Oh, é mesmo, Rini! Onyx riu despreocupado Então, precisou que muitos dos nossos morressem vítimas de fome e sede para que Rini respondesse aos chamados da senhorita Ametista. Ou seja, se não fosse a insistência de nossa líder, a rainha sequer teria a decência de explicar o porquê do abandono. Como vocês podem ver, ela lavou as mãos. Enquanto Serena reinou, mesmo que a convivência não tenha dado certo, ela e o marido nos enviavam suprimentos, tínhamos um meio de sobrevivência. No entanto, quando Rini subiu ao trono, ao longo dos anos fomos esquecidos... Primeiro passaram a enviar menos recursos, jamais deram uma explicação por isso, e depois, nada mais chegou. Para ela, somos um estorvo.

— Nemesis é um deserto sem recursos para sustentar os habitantes. Saphiro concluiu.

— Os que permanecem vivos são alimentados pela energia do cristal negro, mas sabe-se que a qualquer momento nossos corpos podem entrar em colapso. Nossa essência é humana, príncipes, é o nosso fraco. Fomos adaptados a aspirar os ares malignos daqui, nosso organismo é mais resistente do que o de qualquer terráqueo, mas não é indestrutível. Ametista não pôde suportar o enorme poder que tinha, em breve, nós também podemos sucumbir ao cristal negro... Ou nos tornarmos parte dele! o sorriso do gênio insano brilhou.

— Tornar-se parte do Cristal Negro significa perder completamente a humanidade, significa transformar-se em uma daquelas criaturas que você reproduz em laboratório! Saphiro deu o alerta.

— As escolhas que temos são essas, meu caro. Onyx ajeitou os óculos de lentes arredondadas Isto é, se resolvermos deixar tudo como está. Nós aqui, "eles" lá.

— Eu não compreendo... finalmente, Diamante se manifestou Antes de eu vir para cá, rainha Rini depositou confiança em mim, ela... Pareceu me aceitar! Disse que se eu conseguisse resolver tudo por aqui, poderia voltar à Terra e casar-me com Crystal! Esse casamento poderia ser a chave para o fim do conflito, não entendem?

— Ainda insiste em não querer a guerra, príncipe? o homem dos longos cabelos negros se mostrou surpreso.

— Não posso negar que estou furioso! Não seria a primeira vez que o Coelho nos trata como monstros, já a vi insinuar que não nos perdoou diversas vezes, claro que não tão evidentes como nessa holografia! exclamou Mas, por experiência própria, sei que as pessoas estão sujeitas à mudança! Se eu, radical como fui, mudei, por que ela não poderia ter mudado?!

Seria uma mudança muito conveniente, não acha? A rainha resolver aceitá-lo como amigo justo no momento em que o marido dela corria risco de vida... Não sei, isso me soa mais como conveniência, príncipe.

— Infelizmente, sou obrigado a concordar, irmão. Saphiro soou conformado.

— E Crystal? Diamante procurou por outro argumento Crystal nada tem a ver com isso! Ela é diferente da mãe! Você sabe, Saphiro!

— Mesmo que seja verdade, o que garantiria que uma nova tentativa de convivência entre os dois povos não falharia como a primeira? Onyx questionou.

— O meu casamento com a princesa, não vê?

— O seu casamento com a princesa pode ser a sua sentença, príncipe. Não me leve a mal, mas a sua vontade não pode sufocar a vontade do seu povo, inclusive a da senhorita Ametista que se sacrificou na esperança de que você cumprisse com o nosso desejo secular. Embora você seja príncipe por direito, você o é por nossa causa, você deve o título a todos que se curvam diante à sua imagem. A sua força depende do nosso apoio, percebe? o cientista se expressou sorridente, todavia o discurso foi sério e cada palavra induziu Diamante a refletir.

Um rei e uma rainha não vivem para si, vivem pelo seu povo, precisam sempre estar de acordo. Não há espaço para o egoísmo, não podemos pôr nossos sentimentos acima das vontades e necessidades das pessoas a quem protegemos. lembrou-se do discurso de Helios, o mais sábio que já ouvira. A língua torceu-se dentro da boca maquinando uma resposta que não veio. Diamante pousou a mão sobre o altar negro, viu-se refletido nele e quis esconder-se de si próprio. Um príncipe não vive para si mesmo, vive por uma razão maior: seus seguidores. O coração dele pedia insistentemente por Crystal, a razão torturava-o ao trazer a lembrança de Ametista, no leito de morte, clamando por vingança.

— Helios... sussurrou Rei Helios não pode estar de acordo com as atitudes da rainha... o rei era sua esperança.

— Ele é cúmplice, não fez nada para reverter a situação. Onyx respondeu de pronto.

— Preciso pensar... Diamante, atordoado, foi à porta e recostou a cabeça nela.

— Como desejar, príncipe. Onyx teletransportou-se para o lado de fora, Saphiro fez o mesmo.

Uma vez Helios disse confiar nele, Diamante lembrava. Helios também abençoou sua união com Crystal.

— O rei fez de tudo para que ficássemos lá... disse para si E, se tivéssemos ficado, jamais saberíamos o que se passava por aqui! deu-se conta, as unhas ruíram pela porta. "Fomos manipulados"! não conseguia evitar pensar o pior.

O dia precisa da noite, o sol precisa da lua, eu preciso de você. — a ternura Dela pulsou no peito dele, o olhar amoroso, a voz devotada, cada nuance inocente, ingênua e apaixonada. Ela não, ela era incapaz de mentir! Ela era real, Crystal o amava, não o trairia. Ele, se declarasse guerra à Terra, seria o traidor.

— O que devo fazer? cerrou olhos e punhos, completamente perdido.

...

O que faz aqui? Damien perguntou surpreso ao ver a jovem de cabelos dourados parada à frente da sua enorme embarcação espacial atracada no porto.

— Príncipe! Marine deu um pulo Me desculpe por ser tão inconveniente... sem notar, o rosto todo adquiriu coloração avermelhada É que eu estava curiosa para ver a sua nau...

— É mesmo... caminhou até parar ao lado da guerreira aquática Foram tantas confusões que me esqueci de trazê-la aqui. Eu que devo pedir desculpas! sorriu, embora transparecesse melancolia.

— Sinto muito por tudo, príncipe Damien, você parece tão bom sujeito! tentou conforta-lo à sua maneira firme de ser Dê um tempo a ela, talvez as coisas mudem.

— Quando cheguei aqui, pensei ao menos que ela soubesse quem eu era. Foi o que entendi pela forma como a rainha falou comigo... suspirou A princesa não só não fazia ideia da minha existência como já estava interessada por esse príncipe Diamante. focou o azul do olhar no azul do oceano Senti raiva, muita raiva daquele homem... Depois senti raiva de mim por não conseguir evitar odiar Diamante, ele me roubou o que eu tinha de mais valioso...

— Mas, príncipe, como ele pode ter te roubado o que possui de mais valioso, se você sequer conhecia a princesa? ela arregalou os olhos e cruzou os braços, todo o contexto lhe soava improvável.

— Você é uma pessoa muito racional, posso ver. Damien riu brevemente Para você, tudo isso deve soar como uma grande bobagem, eu sei. Talvez até seja... puxou de dentro da armadura uma rosa lapidada em cristal, encaixou-a nas duas mãos e bastou olhá-la para que cada pétala se abrisse.

Uau! Marine exclamou encantada.

— Cresci olhando para ela... quando a última pétala se abriu, a imagem da princesa se formou em holograma Desde que meus pais a mostraram para mim todas as minhas preces, os meus pedidos e os meus sonhos destinaram-se aos grandes olhos oceânicos, ao sorriso em meia lua, aos abundantes fios cor de terra escura, enfim, a todo o conjunto que a faz dela o que é, e também quem é. Eu não a conhecia, não fazia ideia de como pensava ou agia, ainda assim... Esse sorriso, está vendo? Ele transparece a pureza, a inocência e a bondade. Não sei por que, mas toda vez que o olhava parecia ver através, e eu me perguntava: no que ela estaria pensando? O que estaria fazendo? Como ela reagiria quando me encontrasse? Conforme eu crescia, ela também amadurecia na imagem, tudo mudava, menos esse sorriso... Os dentes permaneciam a cintilar alegres e davam-me esperança. Quando desembarquei aqui, quando cheguei para o baile e a ouvi cantar, notei que tudo o que pensei sobre o que ela era não fora apenas um sonho. Vi a alegria, a doçura, a pureza, vi a menina das minhas fantasias e cada nota, cada verso da canção soou como se fossem para mim. Fiquei tão feliz... fechou os olhos como se ainda pudesse sentir-se preenchido pelo contentamento do momento que narrava E aí descobri que cheguei tarde, que tudo o que pensei que ela fosse, ela realmente era... Porém, não para mim... Para ele. Ele me tomou tudo o que eu tinha! E, sabe, o pior de tudo não foi ele tê-la tomado de mim, pois se ele sentisse pela princesa ao menos algo parecido com o que sinto eu me conformaria, ele a faria feliz ao menos. Não, aquele príncipe não sente nem metade do que eu sinto por ela! Ele surrupiou seus sorrisos, sua luz, ele não a ama por quem é, mas por quem ele gostaria que ela fosse. Isso me dói na alma! fechou as mãos trêmulas, os cílios orvalharam, no entanto, nenhuma gotícula escapou Me dói saber que eu poderia fazê-la feliz, se a mim o coração dela se inclinasse... Só que como poderá se inclinar para mim se roubado já foi?

Sailor Acqua manteve-se calada. Mesmo objetiva como era, ao ver os sentimentos de Damien transbordarem em gestos, em timbre e em seu espírito transparente como o cristal nas mãos, ela comoveu-se. Não haveria consolo para o infortúnio dele, qualquer frase amiga seria vã. A quietude era a escolha sábia. Parada, ali, ao lado, fechou os olhos e aproveitou-se da brisa, assim que passou ela disse em baixo tom:

— O que vai fazer?

— Pensei em partir, mas não sou de desistir fácil. riu, tentando descontrair a ambos Quero que ela me conheça, pelo menos.

— Excelente ideia! enfim, ela sorriu também Dê-lhe chocolates, é um bom começo. riram juntos.

— Já que estamos aqui, que tal aproveitarmos? estendeu-lhe a mão Venha, vou te mostrar a minha nau.

— Obrigada! empolgou-se.

...

— Rini, deixe Crystal, querida. Helios massageou-lhe os ombros, ela estava sentada à beira da cama. Você já foi diversas vezes oferecer comida, assim vai sufocá-la. Um dia sem comer não a matará, não se preocupe. Ela está triste, é natural que perca a fome...

— Diamante deu notícia? ansiosa, perguntou enquanto batucava os dedos nos joelhos.

— Não, até agora não recebemos nenhuma transmissão...

— Tentaram comunicar-se com ele?

— Luna e Artemis tentaram diversas vezes, ele deve estar ocupado, deve ter muitos assuntos a resolver.

— Não estou gostando disso! Levantou-se abruptamente, andou pelo quarto no bater de pés. Toda vez é assim, não entendo porque é tão difícil nos comunicarmos com aquele planeta! Sedna é tão longe quanto e não temos esse tipo de problema!

— Querida, foi até a esposa e abraçou firmemente Não quero ser pessimista, mas temos de estar preparados para qualquer coisa. Sugiro que reunamos as meninas e iniciemos mais um treinamento. beijou-lhe o topo da cabeça.

— Entendo o que quer dizer. fechou os olhos Espero que isso não passe de uma medida de precaução.

— Vamos falar com Sailor Saturno, ela saberá o que fazer.

— Você, sempre tão calmo e sábio... fitou-o, admirada com suas feições traçadas em serenidade. É tão bom tê-lo de volta! Só eu sei o que passei quando o levaram embora... apertou-lhe a farda.

— Aquela garota era muito triste, Rini...

Garota, que garota? piscou os olhos, confusa.

Era uma garota de longos cabelos cor de ametista, a mesma que vi em Elysium. Enquanto estive cativo, pude ver o verdadeiro sonho dela...

E qual era?

Conhecer o cheiro da grama e o calor do sol. – sussurrou pesaroso.

O coração de Rini apertou-se no peito, a sombra da culpa escureceu-lhe o semblante.

— Amanhã, bem cedo, conversamos com Hotaru. Está bom assim? Helios mudou de assunto.

Sim... fechou os olhos tentando manter a calma.

...

Os olhos de Quartzy estremeceram antes de abrirem-se confusos, por meio segundo a jovem acreditou que tudo não passava de um terrível pesadelo... Levantou-se desnorteada, aquele não era seu quarto. À porta, deu-se com o vasto e escuro corredor. Caminhou cambaleante até o quarto onde a antiga soberana repousava e o viu vazio, a cama sem cobertas. Solitário... Como estava o coração dela. Levou a mão ao peito numa tentativa frustrada de conter a angústia, o amargor na garganta não passava, pelo contrário, aos poucos tornava-se em uma náusea insuportável. Foi até a cama, jogou-se sobre o colchão desforrado e ficou a fitar a si própria refletida no teto. Não havia mais o que chorar, nem a quem salvar. As mãos, inutilizadas, fizeram-na abraçar a si própria e virar-se de lado.

Quartzy acordou. no grande salão onde todos estavam, exceto Diamante, Jade anunciou. Passei pelo quarto e o vi sem ninguém.

— Onde ela estará? Saphiro perguntou.

— Isso não é meio óbvio? Onyx, como sempre, respondeu irônico No quarto da idolatrada falecida!

— E o seu irmão, quando resolverá superar a crise? Topázio dirigiu-se ao príncipe caçula.

— Inacreditável! Jade riu, embora se doesse de raiva.

Passos ecoaram, da escuridão o príncipe branco surgiu. O brilho nos olhos e nos lábios era um mistério. Silente, foi ao trono e sentou-se, elegante, cruzou as pernas e esticou a coluna, fazendo-se respeitável e nobre. Os súditos, em resposta, ajoelharam-se diante dele. Analisou cada um em detalhes: Jade, por trás da carranca, demonstrava disciplina. Onyx era instável, jamais seria possível adivinhar o que se passava no campo das suas ideias. Topázio, orgulhoso, embora ajoelhado encarava-o sem distrações, no entanto, era inteligente o suficiente para não mais questioná-lo. As gêmeas, coitadas, eram como duas crianças, Akai era espevitada e Aoi dócil como um cãozinho. Quartzy não estava, mas Diamante lembrava-se de como ela fora atenciosa para com Ametista, e, a falta de sensibilidade que havia em todo o resto esbanjava-se em oposição na dona dos cabelos rosados... Rosados como o entardecer no reino de Cristal.

— Onde está a outra? pensando em Quartzy, ele perguntou. Como a maioria no vasto salão, o príncipe era frio e distante.

— Chorando por algum canto. Onyx respondeu Não ligue para isso, em algum momento ela há de superar. falou como se fosse trivial.

— Não importa, deixem-na onde estiver. piscou lentamente, depois focou-se no irmão. Este se mantinha em seriedade sóbria e quieta, nada tão diferente de como fora no passado. Quero deixar claro que guerra não é a minha primeira solução. E, antes que contestem ou sintam-se ofendidos, quero dizer que isso não significa que eu a tenha descartado. Como príncipe, sou responsável pelo bem estar de todos nesse planeta, portanto, é meu dever encontrar uma maneira de dar conforto a cada um de vocês. Como estive afastado por muito tempo, não conheço o quadro em que Nemesis se encontra, portanto, creio que a minha primeira missão seja averiguar o que se passa e quais são as piores regiões para depois pensar em uma solução. Alguma pergunta?

Majestade, pretende viajar pelo planeta, é isso? Jade perguntou.

— Este planeta é pequeno, em poucos meses terei dado a volta nele todo. respondeu em estado de calmaria. Presumo que o cientista, alquimista, gênio e não sei mais o que possa me arrumar um veículo.

— Irá sozinho, irmão? Saphiro se preocupou Deixe-me ir com você!

— Não, você deve ficar. foi autoritário Caso algo me aconteça, é você quem deve tomar o meu lugar.

— Mas... o mais novo deu um passo a frente.

Não se preocupe, não sou louco de ir sozinho. vidrou os olhos em cada indivíduo ali presente. Você. apontou Jade Irá comigo. Está de acordo?

— Topázio conhece bem cada canto desse planeta, príncipe... desgostosa, afirmou.

— Não sou idiota, sequer tonto de pedir para aquele homem me acompanhar depois de tudo... riu-se Mas, será que as acompanhantes dele não teriam um bom conhecimento do planeta?

— Mais ou menos... Akai pensou alto.

— Ótimo, então venha você também. Diamante decretou.

— O quê?! a menina deu um salto e sacudiu os braços, feito criança malcriada Mas aí eu vou deixar o mestre só para ela! Isso não é justo! apontou Aoi e bateu os pés Eu não vou!

— Você vai e fim de conversa. Diamante levantou-se e cruzou os braços. Bastou arquear uma sobrancelha para que a garotinha baixasse a cabeça e fizesse um bico emburrado. Acho bom não me contrariar!

— Akai, você vai. indiferente, Topázio finalizou.

— Mas, mestre! ela fechou os punhos, irritadiça.

— Não me faça repetir, Akai. bastou que o cavaleiro dourado dissesse a temida frase e a zangadinha imediatamente se encolheu amedrontada. Nas pontas dos pés, em saltos infantis, a garotinha foi até Diamante e curvou-se, submissa a contragosto.

— Assim será. o antigo e novo líder do clã levantou-se, jogou a capa para trás e calmamente se afastou Reaverei meu antigo quarto avisou Há alguma garrafa de vinho no estoque?

— Duvido. Onyx riu.

Diamante respirou fundo, buscando paciência em seu íntimo, jogou os cabelos celestiais para trás e abandonou o cômodo. A noite, madrugada, ou que hora do dia fosse seria longa.

— Onyx, vá arrumar o veículo. Topázio ordenou.

— Irei junto. Saphiro, desconfiado, prontificou-se. Não poderia confiar em qualquer um daqueles homens, suspeitava de que na primeira oportunidade eles atentariam contra a vida de seu irmão.

— Se quiser, podemos ir de braços dados. o cientista jamais perderia a piada. O que há? insistiu ao ver Saphiro apertar o passo para longe Como quer ir à frente se nem sabe onde estão as naves? riu ao vê-lo estancar É por aqui. apontou o corredor à esquerda, enfim foram.

... E o tempo passou como sempre, sem luz a indicar um novo dia. Pelos ponteiros de um grande relógio em uma das torres do palácio, sabia-se que era, talvez, alguma hora matinal, ou seja, hora de acordar. Diamante despertou assustado, pois assim que abriu os olhos deparou-se com orbes-pêssego o encarando, vidrados. Antes que num impulso repelisse a criatura violentamente, deu por si que aqueles olhos grandes e cílios longos pertenciam à menina de curtos cabelos avermelhados.

— Está na hora! ansiosa, se pronunciou.

— Saia do meu quarto. respirou fundo ... Por favor. completou.

Com os braços por trás das costas, a saltitar como se pulasse amarelinha, ela saiu. Quando ele menos esperava, a bonequinha de Topázio, sapeca, pôs o rosto para dentro do quarto novamente e mostrou-lhe a língua. A reação de Diamante foi uma risada espontânea, e a da garota foi a vermelhidão, só assim ela sumiu. Mal saberia que era sortuda, pois se o príncipe fosse o mesmo homem de um século atrás, a atitude de Akai não seria recebida como uma brincadeira.
Depois de se arrumar, Diamante encontrou Onyx, Jade e a arteira Akai no salão do trono. De lá, se permitiu guiar pelo cientista até se deparar com um óvni semelhante aos de sua época – um enorme ouriço lapidado em cristal negro.

— Achei que nesse o grande príncipe Diamante se sentiria em casa num rodopio, Onyx o reverenciou Além do mais, esse creio que saiba pilotar.

— Perfeitamente. Diamante, destemido, encaminhou-se à nave alegórica. Jade o seguiu como se fosse sua guarda-costas.

Akai foi em saltos destrambelhados, antes que entrasse com os demais uma mão pesada segurou-lhe o queixo.

— Que bela criatura você é... Onyx estreitou os olhos e sorriu malicioso Cuide bem desse príncipe mimado. sussurrou-lhe ao pé do ouvido Tenho certeza de que seu mestre sabe dividir... contornou a pequenina orelha com o ápice da língua.

— Você é doente! impulsiva, socou-lhe a face. O asco foi maior ao vê-lo rir e lamber o filete de sangue que escorreu pelo canto da boca.

— Akai, você vai ficar para trás! Jade gritou da entrada. Ninguém percebera a provocação de Onyx, ele a fizera em momento propício, a garotinha era infantil, mas nem tão inocente assim. Antes de impulsionar o corpo para em um salto entrar na nave, fitou o cientista mais uma vez e, com uma das mãos, fez-lhe um gesto obsceno ao apontar-lhe o dedo médio ereto. A resposta do dito cujo foi mandar-lhe uma piscadela.

Após mútuas provocações, finalmente, as portas do óvni se fecharam e o objeto levantou voo. A jornada do novo, ou melhor, antigo e verdadeiro soberano teria o seu início.
Calmo e distraído, Onyx passeou pelas pistas que faziam a volta ao redor do palácio, nos óculos a escuridão refletia sublime, os dentes brilhavam destoando da paisagem.

Onyx. o chamado o fez virar-se para dar de encontro com o dourado alumiando a penumbra.

Topázio, tão cedo? encaixou os óculos sobre a cabeça, e em uma das raras vezes, no movimento os fios negros abandonaram-lhe a face leitosa. Os aros em torno das lentes só não eram mais dourados do que os olhos e o peitoral chamuscado do soldado raivoso à frente. Mande um abraço para o seu orgulho!

— Não é hora para isso, seu idiota. aproximou-se, trazia em mãos aquele controle negro e arredondado, no centro uma luz piscava insistentemente.

— Ei, desde quando você... ele apalpou por debaixo da manga do jaleco cinza, notou o vão Espertinho! arregalou os olhos.

— Está vendo essa luz piscar? o outro perguntou.

—Sim, só não consigo entender... Como ela está piscando se todos os cacos de cristal negro foram destruídos?

— Não reparou nada no príncipe?

— Deixe-me ver... Depende do quê. Se é arrogante? Sim! Mimado? Ah, se é! Impulsivo? Nem me fale! Tolo? Fatalmente!

— Pare de brincadeiras, verme! o cortou Falo sério, não reparou nada em relação ao seu aspecto?

— Sem graça. respondeu naturalmente Parece um ancião.

—Nas orelhas. especificou.

—... São grandes? chutou.

— Imbecil! bufou impaciente Não, ele possui apenas um brinco!

Os dois, em consonância, fitaram o controle. Onyx o pegou em mãos, de uma das orelhas tirou o brinco e sobre o controle balançou a peça como um pêndulo.

— Meu pedaço de cristal negro deveria brilhar em contraste, mas não está acontecendo...

— Deve ser porque o brinco do príncipe ficou esquecido no palácio de cristal, com certeza é isso! agitado, Topázio supôs O palácio é protegido por um campo de força formado pela energia do Cristal de Prata, isso é o que ouvi falar.

— Então, como sugere que consigamos ter o controle desse mísero pedaço de cristal que, por ventura, o príncipe esqueceu na Terra?

— O gênio deveria ser você.

Aff! cruzou os braços Está certo, pensarei em alguma coisa! Encontre-me no laboratório daqui a algumas horas, até lá já terei pensado em alguma coisa.

— Até lá. ambos seguiram direções opostas.

Continua...

Notas finais
O Onyx me diverte tanto! A cada capítulo gosto mais desse personagem, embora a maioria das minhas leitoras queridas (que comentam) não suportem o pobre incompreendido! Hehehehehe Então, imagino que alguns de vocês devem estar querendo esganar a Rini, mas... Esperem pelos próximos capítulos, a coisa só tende a... Piorar ou melhorar, não sei! Até mais, galera! Lembrem-se: comentários sempre são bem-vindos! Kissuuuuus!!!!