A Milady de Sueseen
1 O Verão de Elisabeth
O dia estava acabando e o laranja banhava o céu. A noite chegará tão quente quanto o sol do meio-dia. Elisabeth sempre amara o verão. As cores eram mais vivas, o vento mais desejado e calmante e todos eram simpáticos pois o calor emanava de um para o outro.
Mas naquele ano, ela orou para o céu incansavelmente, implorando para que o verão, jamais chegasse.
Sir Thomas havia pedido sua mão em casamento para seu pai e sua proposta, segundo sua mãe, era a maior honra que uma jovem poderia receber.
Sir Thomas Van Sueseen era o único herdeiro de pelo menos cinquenta hectares de um dos locais mais desejados pelos agricultores e criadores de cavalos. Diziam que sua família havia preservado uma riqueza tão grande que seria necessários cem homens para contabilizar tudo.
A Escócia ferveu com a noticia e dentro dos muros do castelo simples do pai, Elisabeth chorou todas as noites com a cabeça no colo da ama de leite de seus irmãos:
“- Nan, diga-me. Por que eu?
— Seu pai obteve um bom destaque na corte nesses últimos anos graças aos alazões que herdou daquele tio estranho dele. Sir Thomas soube que pelo menos metade dos alazões seria oferecido como dote e seu conselheiro deve ter instruído o pedido.
— Isso não é um bom motivo para um casamento! Cavalos?
— O amor nasce com o tempo.
— O amor nasce em seres humanos! Não em ogros como Sir Thomas!
— Não acredite em boatos minha filha. Quando conhecê-lo, poderá se surpreender.
— Não vejo que surpresas um homem mesquinho e grotesco como Sir Thomas pode oferecer.”
Nan ria e enxugava as lagrimas da jovem todas as noites sem mudar o carinho em sua voz, e na noite anterior, Nan segurou seu rosto entre as mãos e lhe desejou toda a sorte do mundo.
— Atenção todos! — A voz de seu pai a tirou do devaneio e calou a conversa de todos no grande salão. – Hoje com certeza é um dia de muita alegria e de muita honra para minha família. Sir Thomas, cuide bem da minha filha. Ela é meu bem mais precioso.
Ao lado de Elisabeth, Sir Thomas ergueu a taça de licor e sorriu:
— Eu cuidarei.
A voz de Sir Thomas era forte e alta e seu riso feroz.
Algumas horas depois, ele se levantou sem dizer nada, pegou Elisabeth pela mão e guiou pela escadaria que parecia não ter fim. As vozes foram diminuindo e quando ele abriu a porta do ultimo quarto no fim do corredor e a levou para dentro, seus ouvidos zuniram.
Ele a deixou no centro do quarto de frente para a grande lareira e começou a ascender às velas com calma.
Eles haviam se visto apenas duas vezes: no dia em que o pedido foi feito e no altar. Ele parou na sua frente e ergueu seu queixo com os dedos de forma suave.
— Olhe para mim esposa.
Ela engoliu em seco e encarou os olhos negros de Sir Thomas. Sua pele era branca e os cabelos curtos e rebeldes.
— Sim, meu senhor.
Elisabeth te a impressão de ouvi-lo rosnar, mas ignorou.
Ele a observava como um predador observava sua presa. Ele foi para traz dela e retirou o longo véu da cabeça dela, dobrou com cuidado e colocou em cima de uma cadeira de veludo vermelho ao lado da lareira.
— É um belo vestido. Você quem escolheu?
— Não senhor.
— Você gosta?
— Se o senhor gosta, eu gosto.
Ele parou na sua frente novamente e seu olhar a fez tremer.
— Quero saber do que você gosta Elisabeth. Suas vontades e opiniões
Ela o observou e depois sorriu levemente em agradecimento.
— Para ser sincera, ele não me agradou muito É muito...extravagante
Ele riu como uma criança.
— Eu concordo. Tem muito pano, muita renda e pedras...muita informação! Deixe-me fazer meu papel de marido e lhe salvar
Sua respiração era profunda e quando se dirigiu para traz de Elisabeth, fez sua nuca se arrepiar a cada botão que se abria. Quando o vestido caiu ao chão, Sir Thomas suspirou e teve a certeza de que seus batimentos seriam ouvidos por toda a Escócia. Ele tentou se controlar e estendeu a mão para a jovem esposa sair do meio de tanto pano. Ela estava apenas com uma camisola de seda quase transparente e quando ele a tirou, perdeu o fôlego com a beleza da nudez da esposa.
— Você é linda! — Ela engoliu em seco e se abraçou com mais força tentando se esconder. – Vire-se.
Ela obedeceu e ele começou a soltar sua trança com calma, mas suas mãos tremiam e o cheiro de hortelã dos caracóis vermelhos de Elisabeth parecia alucinógeno. Ele apontou para cama e ela seguiu para lá, se deitando e encarando o teto tentando segurar as lagrimas.
Sir Thomas começou a tirar as próprias roupas ofegantes e pela primeira vez na vida, com medo. Nunca antes tivera essa sensação. Ele estava com medo de não agradar a mulher deitada na cama.
A sua esposa.
As mulheres se jogavam aos seus pés desde que ele completara dezesseis anos e todas saiam satisfeitas e o procuravam depois atrás de mais.
Quando se aproximou da cama, Elisabeth o olhou assustada.
— Não tenha medo. Não vou lhe machucar.
Ela concordou com um aceno e voltou a encarar o teto. Sir Thomas se deitou por cima dela e a beijou, e quando seu sexo rígido encostou na pele de Elisabeth ela se sobressaltou.
— Elisabeth, não tenha medo. Apenas me beije. — A jovem engoliu em seco e ele se deu conta do que estava acontecendo. – Você nunca foi beijada antes?
— Não senhor.
Ele acariciou seu rosto e sorriu.
— Fecho os olhos e abra a boco levemente.
Quando ele a beijou introduzindo a língua levemente ela pegou o ritmo e o fez arfar de prazer e alegria por ter escolhido uma esposa que aprendia rápido.
Ele a penetrou devagar sentindo a virgindade de Elisabeth se esvair acompanhada dos gemidos da sua esposa.
— Elisabeth...
— Sim Sir?
Ele a beijou e sorriu
— Me chame de Thomas apenas.
Ela sorriu, arqueou o quadril e agarrou seus cabelos chegando ao ápice. Quando gritou o nome de Sir Thomas, ele perdeu o controle e se entregou a um novo nível de prazer.
Na manhã seguinte, Elisabeth acordou com o forte sol entrando pelas janelas. Ela soava um pouco e ao sentar-se na cama se deparou com duas mulheres a encarando
— Quem são vocês?
Foi a mais velha quem respondeu:
— Desculpe Milady, mas Sir Thomas nos mandou para preparar seu banho. Me chamo Clarke e esta é Fiory.
A jovem de olhos azuis profundos observava cada centímetro do rosto de Elisabeth.
— Onde esta meu marido?
Clarke a acompanhava para a grande tina e respondeu:
— Esta nos estábulos. Seu dote chegou esta manhã e ele foi ajudar os serviçais.
— Claro...
Após o banho, Clarke secou, escovou e trançou os cabelos de Elisabeth e Fiory a ajudou com o vestido.
— É um belo vestido. Thomas ama azul.
O estomago de Elisabeth ferveu e sua língua não se controlou.
— Por que chama meu marido pelo nome e não por Sir?
A jovem deixou claro a provocação na voz:
— Desculpe. Mas ele nunca se importou com isso.
— Agora as coisas são diferentes Fiory. Dirija-se a mim como Sir Thomas e a minha esposa como Milady. — Sir Thomas estava parado na porta com fúria no olhar. A jovem se curvou tremula com indignação no olhar e ao sair, destinou a Elisabeth a fúria de mil dragões. — Clarke, prepare o café para mim e minha esposa.
— Claro senhor.
Assim que Clarke saiu, ele fechou a porta e se encaminhou para a direção de Elisabeth beijando-lhe a testa.
— Dormiu bem?
— A quanto tempo ela esta aqui?
— Quem? Clarke? Ela é mais velha que a maioria da tapeçaria do castelo.
— E a outra?
— Desde que nasceu. Sua mãe era parteira e grande amiga da minha mãe. Quando a mãe de Fiory morreu, Clarke a criou sob as ordens da minha mãe.
— Qual é a relação de vocês?
— O que esta insinuando?
Ele a olhava de cima com a cara fechada, mas ela apenas devolveu-lhe o olhar com provocação.
— Gosta do meu vestido?
A confusão era evidente no rosto de Sir Thomas.
— Não entendo a pergunta
— Gosta ou não?
Ele deu um passo para traz e a mediu. Ela um belo vestido azul celeste, fechado até o pescoço e acentuando na cintura, mas não valorizava toda a beleza da esposa.
— É bonito
— Então deve agradecer a Fiory. Foi ela quem escolheu.
Ela começou a caminhar em direção a porta, mas Sir Thomas a agarrou pelo braço e a fez voltar.
— Mas o que...
Ela se calou ao ver que Sir Thomas rasgara-lhe o vestido de cima a baixo com apenas um movimento. Ele a pegou pela cintura, a colocou no colo e a deitou na cama, e antes que ela pudesse dizer algo, ele beijou seu sexo e afez gemer.
Quando ele se embebedou com o prazer da esposa, a beijou levemente e disse firme:
— O vestido era lindo, mas eu prefiro você assim.
Ela suspirou e sorriu:
— Creio que não seja de bom tom eu andar nua pelos corredores do castelo.
— Não...creio que não.
Ele se levantou e mexeu no baú que Elisabeth havia trazido, puxou um vestido verde musgo e a ajudou a vesti-lo.
O pano desenhava o corpo da esposa e destacava seus olhos verdes claros e os cachos vermelhos como fogo. O decote não era nem longo nem curto, mas deixava claro os seios perfeitos da esposa e ele teve vontade de arrancar a roupa dela novamente.
— Tenho fome.
Ele sorriu maliciosamente:
— Eu também
— Thomas.
Ele suspirou e soltou a trança da esposa cochichando em seu ouvido:
— O prefiro solto.
Ela sorriu satisfeita:
— Então assim ele ficará.
As duas semanas seguintes foram banhadas de carinho como todo começo de casamento. Sir Thomas sentia um prazer imenso em observar Elisabeth sendo banhada pelo sol quente em meio a grama verde. Ele que nunca gostara daquela estação, se via agradecendo silenciosamente a cada minuto pelos raios quentes e pelo calor interminável. Elisabeth parecia unir-se com o clima e se divertia com os banhos no rio e ate mesmo com as caretas que Sir Thomas fazia ao enxugar o suor de sua testa. O verão lhes trouxera sentimentos inusitados e a cada raiar do dia, um sonho novo parecia se formar.
Até que Elisabeth adoeceu.
Em meio a um piquenique ela se sentiu indisposta e desmaiou. Sir Thomas a levou embora apressado e amaldiçoou o maldito calor que fazia. Ele estava andando de um lado para o outro enquanto o doutor examinava Elisabeth acompanhado por Clarke, e quando a porta finalmente se abriu, Sir Thomas avançou quarto adentro.
Elisabeth estava encharcada de suor e repousava tão pálida quanto a lua.
— O que ela tem Doutor?
— Não há motivos para preocupação Sir Thomas. Milady Elisabeth goza de muita saúde e precisara apenas de repouso e carinho. Será importante para ela e o bebê.
Sir Thomas petrificou ao lado de Clarke.
— Bebê?
Clarke riu e concordou:
— Sim. O senhor será pai Sir Thomas.
Elisabeth se mexeu levemente na cama e Sir Thomas ajoelhou ao seu lado.
— Um filho...
A alegria de Sir Thomas foi anulada quando o medico pigarreou.
— Precisamos conversar Sir.
Relutante, Sir Thomas saiu do quarto e deixou Clarke cuidando da esposa.
— O que esta acontecendo?
— Sua esposa é jovem e como eu disse, goza de muita saúde.
— Mas?
— A primeira gravidez é sempre complicada e peço para que tenha paciência e carinho com Elisabeth. Conheço-a desde que era garotinha e a tenho com muito carinho.
— Entendo sua preocupação e lhe garanto que cuidado e carinho não faltarão.
Assim tudo se resolveu, Sir Thomas deitou-se ao lado da esposa e a observou dormir. Esse ato havia se tornado um hábito desde a lua de mel. Ela parecia uma ninfa dos bosques se banhando com a luz do sol.
Aquele havia sido o maior presente que a vida poderia dar a Sir Thomas. Uma bela esposa e agora, um filho.
Na manhã seguinte, Sir Thomas acordou junto com o primeiro raio de sol e preparou ele mesmo o maior banquete matinal que o castelo já havia presenciado. Clarke desceu ao lado de Elisabeth que estava tão radiante como nunca em um vestido rosa claro.
— Minha esposa.
— Meu marido. Como se sente com a novidade?
Ele acariciou seu rosto e sorriu.
— Poderia roubar o Sol e lhe entregar como presente. Tem noção de como me faz feliz? Que o verão dure um eternidade. Que os dias frios nunca cheguem. Que as árvores não percam a cor. Não preciso de outra estação, preciso apenas do verão do seu sorriso.
Ele a beijou e Elisabeth sentiu o amor emanando de seu corpo. Ali estava a felicidade, mas algo estava para acontecer e ela podia sentir em cada célula do seu corpo. Por mais feliz que estivesse, a sensação de perigo não a abandonava. Mas ela nada disse. Não queria estregar a alegria de Sir Thomas.
Porém, na ultima noite do verão perfeito, o castelo acordou com seus gritos.
A ultima coisa que Elisabeth se lembrava antes de desmaiar, eram os lençóis encharcados de sangue e do rosto de Sir Thomas moldado em desespero.
Fale com o autor