Se me dissessem que eu estaria em um site de fanfics e histórias originais, nove anos após narrar tantos eventos anti-climáticos e totalmente sem sentido em uma história fantasiosa sobre possíveis acontecimentos de Dragon Ball pós-Batalha dos Deuses, eu definitivamente não acreditaria; ainda não acredito que estou aqui. Ó site de fanfics que tanto agrega diversas histórias diariamente, constantemente carregado de ideias fantásticas, sendo algumas delas extremamente esquisitas, o que teria para me reservar dessa vez? E eu, pobre narrador, não obtive resposta do site... O site não se lembra de mim, as pessoas não se lembram de mim, e provavelmente nenhum dos que leram aquela história que eu narrei por míseros 17 capítulos, devem se lembrar da existência dela, ou sequer devem utilizar este site ainda, e talvez eu seja eternamente grato por não se lembrarem da minha existência. Nem mesmo é o "Nyah! Fanfiction", mas ainda assim, resolvi expôr meus demônios interiores a vocês. Após nove anos, eu volto tão solenemente falastrão, embriagado de ideias que parecem impressionantes sob minha perspectiva como narrador, mas que provavelmente cansarão os leitores facilmente; não me importo. Se tudo isso fosse empecilho para voltar com um português tão rebuscado e sem os problemas absurdos de escrita que eu cometi anteriormente, eu definitivamente não voltaria, e não é elitismo, mano. Eu posso digitar eloquentemente a desgraça que for nessa porra de site, mas nunca abandonarei o meu jeito pivete, espero eu.

— "De que merda este narrador está falando?" — você deve estar se perguntando! Te digo, meu amigo, nada é por acaso, e eu estou falando obviamente sobre mim, o completo fracasso que queria dar certo, mas que sempre falhou miseravelmente, e se vocês querem saber, o título deste capítulo já diz tudo. Como eu posso simplesmente voltar para contar uma história a vocês, que tinham tantos contextos narrativos relacionados a uma obra extremamente conhecida como "Dragon Ball", e até agora não ter falado sobre quase nada relacionável a isso? Você deve se perguntar bastante por quê "Dragon Ball" está sendo citado nesta história, ou talvez porquê isso acabaria influenciando diretamente com o que eu quero dizer, no fim das contas; também deve estar se perguntando se eu escrevi os porquês corretamente das duas últimas vezes, e se não estiver se perguntando isso, parabéns para mim, pois fiz você pensar na possibilidade de que eu esteja escrevendo errado, de novo (e provavelmente eu estou). Estou há dois parágrafos enrolando uma história que poderia se desenrolar, eu sou um péssimo narrador, e agradeço a você que ainda está lendo, pois você é realmente um guerreiro.

Seguinte: talvez eu não tenha evoluído tanto quanto deveria em 9 anos; será que isso serve para você também? Meu caro amigo, pense comigo, porque você está em um site tão grande, lendo sobre fanfics e uma história extremamente mal elaborada que nem serviu como produto de fanservice, quando você poderia estar lendo um "Memórias Postumas de Brás Cubas", e quando até um "Alice no País das Maravilhas" lhe convém mais do que isso aqui? Se você for adulto, eu sinto muito que esteja perdendo seu tempo neste site; eu também estou, e curiosamente não tenho nada contra ele, isso é só a síndrome de adultísmo falando mais alto do que minha racionalidade, mas se você for adolescente, ok, eu te entendo, porque sim. Preconceituoso demais? Talvez. Este narrador que vos fala, tem 22 anos no momento em que está escrevendo essa história, nada tão adulto, nada tão adolescente também, e de forma muito metódica, apesar de tanto enrolar, eu estou fazendo isso porque quero te trazer para o meu mundo, onde estou inquietantemente vivendo um processo de reorganização social e novos horizontes na minha vida, além do fato de que não, mesmo tenho 22 anos eu não sei usar os porquês; isso é difícil pra caralho, vai se foder língua portuguesa, era só usar UM porquê e tava tudo certo, tipo "why", mas eu não defendo o inglês também, língua vaga do caralho. Desculpem pelo meu desabafo repentino... Continuando: volta e meia eu me lembro do passado, da forma que narrei aquela história tão descompromissada, boba e rasa, sobre um universo tão extenso e simples como o de Dragon Ball, e por mais que eu tenha adquirido postura e intelectualidade maior com o passar dos anos, eu queria os meus 13 de volta... Muitas vezes.

— Não seja tão duro consigo, narrador! — disse Goku, em tom bem alto, invadindo meus pensamentos

— Sim, narrador, eu consigo ver o que você está dizendo, sabia? Não precisa continuar narrando, vem, vire um personagem da história.

— Tem certeza disso? Não sei se isso seria correto. — esse sou eu... O narrador... Eu sei, isso está meio estranho e confuso... Confesso que não esperava que tivesse um diálogo aqui.

— O seu problema é se preocupar demais com as coisas, eu, por exemplo, só penso em comer muito e lutar contra os caras mais fortes do universo, pois isso faz o meu sangue ferver; é incrível, o senhor deveria tentar!

— Mas Goku, além de não fazer sentido eu querer lutar contra alguém, quem vai contar essa história se eu assumir esse papel de guerreiro?

— Ah, é verdade, né?!

— Pois é!

— Eu não tinha pensado nisso! Hahahahaaa ( ^^) — ainda não acredito que permiti o uso de emoticons nessa linha de diálogo, isso nem faz sentido, mas tudo bem... Acho que nesse ponto, nada está fazendo sentido.

— Goku, Goku... Desde que eu era criança você era muito burro, mesmo assim sempre fui muito fã do seu personagem, da sua história e do seu anime. — ok, eu admito, deve ter ficado confuso voltar a narrar e aí eu resolvi falar "Goku" duas vezes pra exemplificar e identificar que sou eu.

— Tá aí o seu problema, cara! Para de se preocupar e se cobrar tanto! Para de tentar explicar cada coisinha que você escreve!

— Não tem como, Goku, eu sou o narrador...

— Certo, eu já entendi que você é o narrador, mas isso não significa que deva subestimar os seus leitores, muito menos a si mesmo.

— Você realmente ainda é o Goku falando?

— Sim! Quer dizer... Não exatamente. Eu sou a projeção que você precisa do Goku, agora. Olhe tudo o que você escreveu lá atrás, quando tinha apenas 13 anos. Você adivinhou que teríamos transformações com o cabelo azul, acertou na volta do Broly para a franquia, acertou que o Freeza retornaria com uma nova transformação... Você teve uma mente muito fértil aos 13 anos, e a diversão que viveu escrevendo aquilo, é o que importa.

— Não, eu não escrevi, eu narrei.

— Você narrou, você escreveu, você interpretou e você me deu vida de outra forma. Como pode dizer que não escreveu, se você mesmo foi quem fez a história? O Goku que você imaginou com 13 anos não é o mesmo Goku do Akira Toriyama, nem mesmo é o Goku que está falando agora... Eu sempre serei uma versão do seu eu atual, independentemente do lugar para onde você seguir. Sempre farei parte desse grande pedaço da sua infância.

— Mesmo que seja, eu não adivinhei nada disso, são só coisas meio lógicas, e outras nem tanto... Broly é um personagem popular, claro que alguma hora, acabariam trazendo o personagem de volta; o Deus Super Saiyajin é vermelho, óbvio que o próximo seria azul, é só uma cor que expressa o oposto da anterior, e o oposto em termos de nova transformação seria algo melhor e mais forte, pois daí vem a evolução.

— Brilhante, parabéns.

— Hum?

— Você acabou de provar o meu ponto, explicando detalhadamente o que te fez pensar nessa possibilidade, quando tinha 13 anos. Não é tão fácil de adivinhar assim que seria azul, ou melhor: isso ainda nem existia e você pensou em algo muito interessante para a ideia de evolução.

— Nunca tinha parado pra pensar por esse lado...

— E nem adiantaria, pois mesmo que eu fale tudo isso, seu complexo de inferioridade continuará te assombrando.

— É que crescer assusta e eu não me sinto preparado para encarar tudo isso, entende? É muita responsabilidade, muito trampo pra saber como me portar ou como localizar uma comunicação para alguém... Me sinto péssimo nesse quesito.

— Sei... Eu saí da sua cabeça depois de 9 anos... Ser visto como um cão de briga é muito mais legal do que um espectro intelectual, mas as coisas mudam e não seremos crianças pra sempre. Só precisa encarar quem você é ou quem você deveria estar sendo com essa idade.

"Seremos"... Era só mais uma conversa comigo mesmo; talvez eu fosse louco... Talvez eu seja louco. Criar espectros de seus super-heróis favoritos em sua própria mente, e abrir um leque de possibilidades onde você se imagina naquela situação, te leva a lugares impossíveis de serem descobertos ou sequer imaginados por qualquer um, navegando assim em horas lúdicas de confinamento mental, uma prisão interdimensional de ideias e subproduto de algo já existente, pra si mesmo, sem querer perceber e entender que essa "síndrome de Peter Pan" é sua ruína e que tudo o que fará com a ajuda dela, tornará seu caminho como adulto muito mais árduo. Inegável a grandiosidade de aproveitar constantemente suas paixões infanto-juvenis ou adolescentes, pois ambas em pés de igualdade fazem com que o ser humano seja fruto de uma possível não tão triste ferramenta do mercado metodologicamente capitalista. Viver é sofrer, quer você queira ou não, o tempo todo. Sofrer não é sinônimo de falta de qualidade; totalmente o contrário.

Sofrer é ter a certeza de que está vivendo, inexplicavelmente alcançando novos ares, conhecendo novas pessoas e suas filosofias de vida que as inspiram a prosseguir no dia a dia, e o mais importante: seus escapismos. Escape do que te transforma em um solitário miserável que explode de raiva pelo vizinho estar escutando uma música que gosta, em um som alto, ou pela conta de luz ter chegado mais cara desta vez. Viva a sua vida sempre tentando não se estressar. As mudanças vem e elas assustam, mas ainda há uma forma de sorrir com os seus pequenos momentos de Peter Pan, não exagerando, não se envenenando aprofundadamente numa areia movediça nostálgica de um tempo que não volta mais; tome cuidado. Se eu mudei, e as coisas também mudaram, retornar ao passado pode ser interessante, mas sempre de forma moderada, entendendo que: passado, portanto adeus, foi bom enquanto durou. Onevelion, no entanto, ainda não pode dar o seu último respiro, pois o mesmo tem, pela primeira vez, algumas histórias para contar, que realmente podem ser interessantes para as pessoas, e eu como narrador, tenho a obrigação de trazer a vocês. Não estou sendo prolíxo demais? Consegue compreender o que estou dizendo?!

— Já te disse para não subestimar o público e nem a si mesmo.

— Ok, ok, você tem razão... — pera, quem tá falando mesmo?

Notas finais
Originalmente publicado em Spirit Fanfic.