Notas iniciais
Desculpe a demora para postar. Espero que gostem!!

Tento esconder minha surpresa e vontade de querer atender o telefone para poder ouvir a voz da possível garota da foto, mas saio correndo até a cozinha para me conter. Kayo retorna do banheiro e atende o telefone, mas antes fala algo para mim — Vou atender lá fora — E saí da casa. Provável que seja algo íntimo e particular entre os dois. Talvez ela seja a namorada dele ou algo assim. De qualquer forma, devo esquecer essa foto da minha mente agora mesmo. Meus pensamentos emotivos necessitam ser exclusivos para Karine. Depois de algum tempo, Kayo retorna como se a ligação tivesse sido algo sem grande gravidade e pergunta se pode se sentar à mesa. Ele parecia mais educado do que o habitual, quero dizer, ele jamais demonstrou tanta educação assim antes, pelo menos não que eu tenha visto. Preparo um café e pego alguns biscoitos que estavam sobrando em uma tigela para comermos. Passamos o tempo conversando, sem que eu tocasse sobre o motivo dele ter saído de casa e mais ainda pela tal foto que eu vi. Esse último seria estranho de perguntar,pois não havia porque eu demonstrar interesse nessa foto para ele. Chega a hora do jantar e como não tem absolutamente nada na geladeira, vou até o mercado comprar alguma coisa pra comer, na verdade pro Kayo cozinhar, pois diz ele que aprendeu desde pequeno. Quando me preparo pra sair, vejo a pulseira que Annie me deu naquele dia, no qual eu mesmo a arrebentei e concertei. Parece que foi há tanto tempo atrás. Pego-a e ponho no meu pulso esquerdo e me despeço de Kayo. Chegando no mercado, avisto Annie chorando sentada na calçada em frente ao estacionamento. Me aproximo dela e ao perceber minha presença, esconde o rosto para enxugar as lágrimas
— O que está fazendo aqui sentada? — Pergunto. Ela olha para mim e esconde o rosto novamente com seu capuz e murmura
— Me deixa quieta aqui, snif! — Ela não parava de soluçar. Me sento do seu lado e a cutuco levemente para que me deixe abraça-lá. Ela mexe o corpo permitindo enquanto continuava chorando
— Me conta o que aconteceu
— Foi o Sawyer... Ele terminou comigo, snif
— Aconteceu. Uma pessoa melhor virá, pode ter certeza disso — Ela ergue a cabeça e me encara com o rosto inchado de tanto chorar e pergunta
— Alguém como você? — Fico sem reação e desvio o olhar. Ela foi tão direta que até me assustei. Agarra meu casaco bem forte e me puxa em sua direção me abraçando firmemente. Retribuo, enquanto acaricio seu cabelo carinhosamente. Nem havia percebido que ela já não estava mais chorando. Beijo seu cabelo e enfim respondo
—Desculpe, mas não posso começar nada com você — Ela suspira e murmura
— Eu não disse que queria isso. Você me entendeu errado
— É verdade. Me desculpe por isso — Ficamos daquele jeito por alguns segundos depois sugiro que nos levantássemos e que após as compras, poderia acompanhar Annie até sua casa ou no parque para conversarmos mais um pouco. Ela concorda e se solta dos meus braços. Confesso que não queria que ela se soltasse agora e me sinto mal por pensar nisso. Nos levantamos e pedi pra que ela me esperasse do lado de fora para que eu comprasse os ingredientes da janta e fomos até o parque. Chegando lá, pudemos ver o silêncio que pairava no local, devido ao horário que já não é propício para um passeio diante da violência nos dias atuais. Nos sentamos em um banquinho meio enferrujado e Annie inicia seu desabafo.
— Nesses últimos dias tenho ficado de cama com mais frequência. Esse tempo que fica alternando entre frio e calor está me matando! — Sorri enquanto encara minha expressão atenta e prossegue — Ele — Provavelmente se referindo ao namorado, quer dizer, o ex — Costumava sempre me visitar quando eu ficava doente até alguns dias atrás. Ele estava muito estranho! Não olhava nos meu olhos e não demonstrava firmeza em suas palavras quando conversávamos. Estava bastante preocupada com ele, mas foi aí que eu descobri — Seus olhos começam a lacrimejar — O celular dele estava cheia de mensagens amorosas com outras meninas, mas o pior nem era isso. Uma delas era uma garota que costumava praticar bullying comigo durante o fundamental — Ela tremia bastante e ponho minhas mãos sobre a sua para que ela se confortasse — Me pergunto como ele conseguiu o contato dela. Além disso, eles estavam marcando alguma coisa que havia meu nome envolvido. Não entendi muito bem, mas fui tirar satisfação com ele. Ignorou tudo que eu disse e falou com toda serenidade do mundo que estava com outra garota e terminou comigo — Ela termina de falar e continua chorando. Pra não ficar um silêncio ruim, eu sugiro:
— Porque não vem jantar na minha casa hoje? — Ela arregalou os olhos surpresa e pigarra
— É sério? Posso mesmo? — Balanço a cabeça afirmando e prossigo
— Não se preocupe. Quando ficar muito tarde eu lhe trago para sua casa. Tem um amigo meu lá que é um cara legal! Não vou te fazer mal nenhum, eu prometo! — Ela segura na manga do meu casaco e responde
— Eu confio em você! — Diz sorrindo. Pego as sacolas de compra e nos preparamos para ir até minha casa. Antes disso, ligo para Kayo mas ele não atendeu. Chegando lá, passo até a sala após retirar meus sapatos e ponho as sacolas na mesa. Em seguida, convido Annie para entrar
— Sinta-se a vontade! — Ela sorri tímida e responde
— Vou tentar — Nesse instante, surge Kayo gritando
— Ainda bem que você chegou! Não tem uma panela descente nessa casa não? — Por alguma razão desconhecida ele está usando o avental da minha mãe e uma touca. Quando ele vê Annie, olha para mim e pergunta
— Depois ainda querer falar de mim! Quem é ela?
— Vou fingi que não entendi! É a Annie, uma garota do meu colégio
— Prazer em conhecer você, Annie. Me chamo Kayo — Ela permanece tímida e responde apenas com um “Oi” e não diz mais nada. Por um momento me esquci que ela sempre fica afastada de todos do colégio. Pedi para que se acomodasse no sofá da sala, enquanto eu iria ajudar o Kayo à preparar o jantar, onde na verdade era apenas uma desculpa para poder esclarecer as coisas para ele. Enquanto Kayo preparava a comida, ele não parava de me encher de perguntas
— Porque você trouxe ela pra cá? Me explica isso!
— Ela estava chorando porque terminou com o namorado após descobri que ele a estava traindo.
— E você a convida pra jantar na sua casa?
— O que tem demais nisso? Não vejo maldades nenhuma
— Você pode até não ver, mas ela sim! Deixa sua inocência de lado um pouco
— A Annie não é esse tipo de garota. Somos amigos e só!
— Se você diz, eu acredito, mas tome cuidado e não venha dizer que eu não avisei!
— Fica tranquilo e termine logo essa janta — Brinco. Jantamos e falamos de coisas triviais. Aos poucos, Annie passava a participar da conversa e deixando a timidez de lado. O jeito espontâneo de Kayo deixava tudo mais relaxado. O tempo passou sem percebemos e já era quase dez da noite! Pergunto para Annie se seus pais não se preocupam e ela responde
— Eu esqueci o celular em casa. Por isso ninguém ligou me procurando. Acho melhor eu ir embora
— Nem pensar! Do jeito que estão as coisas, não é seguro alguém andar na rua à noite, ainda mais uma estudante — Kayo olha para mim como se tivesse me chamando para uma conversa particular. Aceno a cabeça e falo com Annie
— Me dê licença, por favor. Já volto! — Ela sorri concordando e responde
— Tudo bem! Eu espero! — Me dirigi até o meu quarto e pedi para que Kayo me seguisse. Chegando nele, me sento na cama e ele dispara
— Você não está pensando em deixar ela passar a noite aqui, está?
— Não posso deixar ela ir sozinha de noite!
— Se esse é a questão, vá com ela!
— Você é louco?! Eu não saio dessa casa nessa hora nem morto!
— Tu é muito medroso mesmo!
— Vá você então!
—Eu até concordo que é arriscado deixar ela ir embora nessa hora, mas não é assim que funciona, Roy!
— Eu aviso para meus pais!
— Do que isso adiantaria? Tem os pais dela também, que tenho certeza que não iriam concordar com isso e muito menos seus pais vão aceitar. Ainda tem a Karine!
— Meus pais irão entender, já os dela não tenho certeza. A Karine entenderia também
— Porque você simplesmente não liga para os pais dela virem busca-la? Será melhor para todo mundo!
— Menos para ela! Se seus pais realmente tivessem capacidade de consolar ela nesse momento, ela não estaria chorando no meio da rua
— Isso não faz nenhum sentido! Você não é nada dela. Para de querer pôr o problema dos outros acima do seu!
— Você realmente acha melhor ligar para os pais de--- Nesse momento ouço um barulho de carro vindo do lado de fora — Meu pai chegou! — Kayo se assusta e fomos correndo até a sala. Quando chegamos, meu pai me olha com frieza e ordena
— Ligue para os pais dela dizendo que ela irá dormir aqui hoje, pois estão realizando um trabalho escolar — Ele mira seus olhos no semblante de Kayo e conclui — É o que eu espero que esteja acontecendo aqui. Vou para meu escritório. Boa noite — E desaparece sem dar tempo de um de nós contrariar sua decisão. Fiz o que ele havia dito. A mãe de Annie ficou um bom tempo falando com ela pelo telefone até se convencer da história. Enquanto isso, arrumava o meu quarto para que ela pudesse dormir, ao mesmo tempo em que mudava para o do meu irmão, mas o odor de álcool era tão forte que desisto de limpa-lo para dormir ali. O jeito era migrar na sala mesmo, junto com Kayo. Dou uma visita rápida no meu quarto, onde estava Annie se preparando para dormir. Lhe emprestei minhas roupas antigas que serviriam de pijama para ela
— Olá! Precisa de alguma coisa? — Pergunto com parte do rosto invadindo o quarto e o resto recluso a entrar
— Não, obrigada. Já estou me preparando para dormir — Diz educadamente, pondo seu travesseiro na cama
— Oh, desculpe por atrapalhar! Já vou indo então
— Você não atrapalha. Pode ficar mais um pouco. Agradeça seu pai por mim depois — Diz sorrindo
— Se ele me ouvir, eu agradeço — Brinco. Ficamos calados por um tempo, quando pressinto que ela queria dizer algo, mas o som da porta se abrindo a impede. Era Kayo me chamando para terminar de arrumar a sala. Me despeço meio sem jeito de Annie e saio pela porta. Após arrumar tudo, durmo na minha cama improvisada e só acordo pela manhã. Me levanto com Kayo ainda dormindo no sofá. Me arrumo, tomo café e me preparo para ir ao colégio. Dou um toque na porta onde Annie dormia e ouço um leve grunhido vindo do outro lado. Não leva muito tempo e ela já está vestida para ir até sua casa se arrumar também, pois seu uniforme escolar estava lá. Saímos de casa e digo que irei na frente para não me atrasar
— Tudo bem! Nos vemos no colégio! — Responde sorridente. Sigo meu caminho até a estação de trem. Chegando no colégio, me encontro com Karine a minha espera sentada no banco do pátio. Ela sorri intensamente ao me ver e acabo fazendo o mesmo. Me sento ao seu lado e concedo um caloroso abraço
— Bom dia, Karine!
— Bom dia, amor! — As pessoas em nossa volta nos observam perplexos e tudo que consigo fazer é esconder meu rosto no ombro dela
— Podia ter me avisado que ia me chamar assim no meio do colégio — Digo ainda envergonhado. Ela sorri vermelha e responde
— Me desculpa, tá? É que eu sempre quis dizer isso. Desculpa!
— Não é para tanto...amor — Ela sorri e apoia a cabeça em meu ombro. O sinal toca e fomos cada um para sua sala de aula. Em nenhum momento comentamos sobre o beijo, mas sabíamos que ele significou muito para nós dois.
Quando chego na sala de aula, recebo uma mensagem de Kayo que dizia:

“ Obrigado por não me acordar hoje! Deixando isso de lado, vai rolar uma festinha daqui há duas semanas do meu colégio e nem me pergunte o motivo da festa, pois também não sei. Então, se estiver interessado leva a Karine também, joia? Até mais :0 “

Tem algo dentro de mim que diz que eu não devo ir para essa festa.

Notas finais
Obrigado por ler até aqui! Se possível, comentem com críticas e sugestões!