A Mestranda e o Bibliotecário
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Esta one é especial por dois motivos, o primeiro dele é o aniversário de uma amiga minha. PARABÉNS FRAN! Te desejo muita luz e felicidade na sua vida, saúde e força para você, que tenha muito desejos na sua vida e coragem para ir atrás de seus objetivos. E Sasuke, porque Sasuke é sempre muito bom! ahahahaha
E acho que você sabem que esse é o mês no aniversário do Sasuke, então achei que essa seria uma forma bacana de homenagear esse personagem que tanto amamos.
Boa Leitura!
O movimento era calmo, ainda faltava um pouco mais de dois meses para o final do período e aquelas mesas começarem a lotar de alunos desesperados por qualquer livro, pesquisa, citação que pudesse salvar suas notas nas provas e, então, não ficarem de dependência em nenhuma matéria. No corredor dos livros de arquitetura tentava organizar a ordem correta de autores, todos falando sobre estilo e história da arte nas construções, aquela não era muito a área de interesse de Sasuke, mas folheando uma página ou outra encontrou algumas coisas que despertasse o seu interesse, anotando no bloco de notas do seu celular, na já grande lista de livros para ler, que já era bem grande e ele ainda não havia eliminado nem sequer a metade.
Desde novo adorava ler, conhecer e descobrir, ganhara seu primeiro livro ainda muito menino, tão novo que nem sabia dizer quando, mas se lembrava que de alguma forma sempre adorou aquele mundo. As páginas, as letras gravadas em fontes e tamanhos diferentes eram um canto de sereia para seus olhos. Nos aniversários seu presente favorito era sempre um livro novo, no Natal, Dia das Crianças ou qualquer outra data, poderia ganhar um jogo, um boneco, porém o que se agarrava de verdade eram sempre o livros. Não fazia questão por tipo, por ser capa dura ou brochura, lia dos crimes de solução impossível, os dramas e romances de partir corações, à livros de química e física. Foi quando percebeu que seu encanto com as leituras vinham dos tesouros que guardavam, não importava gênero, sempre queria saber mais, conhecer mais, sua paixão era o conhecimento e os seus companheiros era a fonte perfeita para isso. O que foi um problema grande durante o final do Ensino Médio, gostava de tudo, e mesmo nas matérias com menor aptidão, sua memória ajudava muito, trazendo informações úteis quando mais precisava.
Até que, durante uma conversa com um professor de história durante seu último ano, decidiu ser bibliotecário, e ao final do ano letivo Sasuke prestou vestibular para biblioteconomia, um curso que descobriu ao mexer um pouco na internet, enquanto procurava informações sobre a carreira que tinha escolhido. Assim que o resultado saiu houve uns minutos parados antes de sair louco pela casa para mostrar para sua mãe. Quando contou sobre o trabalho que decidiu seus pais acharam sua escolha estranha e pouco promissora, pediram paciência e que se informasse o melhor sobre que se tratava, mas bastou uma explicação de seu irmão mais velho sobre as possibilidades de carreira que eles se conformaram, apoiando o filho na escolha.
Nos quatro anos que se seguiram na universidade teve a confirmação de que tinha feito a melhor escolha, não gostava de todas matérias, porém se encontrava no que exerceria, plenamente satisfeito. Até que no final uma vaga foi aberta para bibliotecário na maior universidade da cidade, prestou a prova ficando em primeiro lugar e sendo selecionado, agora como quase vinte três anos trabalhava um pouco menos de um ano entre as pilhas de ácaro e páginas antigas. E apesar da vida sem extravagâncias que levava, tinha o que considerava seu emprego ideal e uma enorme biblioteca disponível a seu favor.
Empurrou o carrinho agora vazio entre as prateleiras, passando o olho sobre as mesas para conferir que nenhum livro estava fora de lugar enquanto se dirigia para perto do balcão que dividia com a Chiyo, a senhorinha de gênio forte que a mais de quarenta anos trabalhava como bibliotecária do lugar. Deixou o carrinho encostado na parede, debaixo de uma placa de metal dizendo “Após o uso, deixe os livros aqui”, indo para sala de registros buscar o notebook, onde estava trabalhando em fazer um grande esquema de catalogação do arcevo da biblioteca, indo se sentar ao lado da sua colega de trabalho em uma banqueta alta de madeira. A sala de registros até que seria confortável, mas gostava de observar a movimentação de pessoas entrando e saindo no lugar.
Seus olhos estavam focados nos nomes que brilhavam na tela, a luminosidade incomodou seus olhos levando a tirar o óculos de aro fino que usava para apertar as pálpebras quando viu uma mulher de cabelos rosas entrando na biblioteca, eles caíam soltos e bem arrumados sobre os ombros indo até metade da blusa bege de um tom que se confundia com sua pele, ela cumprimentou Chiyo com um aceno e um sorriso antes de seguir para a área das mesas, sendo coberta pelas estante. Era a terceira vez que a via na biblioteca, e como todas as outras não pôde deixar de achar estranha a escolha da cor do cabelo, admirava a coragem, e presumia ser alguém de personalidade forte, ao mesmo tempo que a achara graciosa. Nas outras duas vezes a vira em rápidos momentos, pequena, com roupas simples e confortáveis, nada extremamente meigo, mas que nela, e no seu jeito rápido de andar, ficavam femininas. Essa era primeira vez que pode ver seu rosto, pequeno como a ela toda, mas de expressão forte, e olhando a cor dos olhos, um verde tão límpido e puro que dificilmente se encontrava chegou a conclusão que a cor dos cabelos fora escolhida para destacar os grandes olhos.
— Sasuke, esqueci que precisava falar com você. — Chiyo falou, trazendo a atenção toda para sí.
— O que foi, dona Chiyo? — perguntou enquanto automaticamente as mãos voaram para limpar o óculos na blusa.
— Essa sexta irei me internar no hospital para fazer uma pequena cirurgia, e ficarei um mês afastada. — os olhos negros se arregalaram com a notícia, já abrindo a boca para a uma rodada de perguntas, sendo interrompido pela mão que se ergueu — Não precisa fazer essa cara de espanto, é uma cirurgia simples de gente velha, ficarei fora durante um mês e nesse tempo a biblioteca é toda de sua responsabilidade, inclusive no turno da noite, então juízo.
— Não se preocupe, cuidarei de tudo certinho, pode ir despreocupada. — um sorriso gentil saiu dos lábios — Mas tem certeza que está tudo bem?
— Meu garoto, fora essa minha aposentadoria, que parece que nunca vou conseguir, tudo está na mais perfeita ordem. Já basta minha filha pra me enlouquece com essa preocupação, não preciso também de você Sasuke.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou.
Mais tarde, no fim do seu turno, pegava o material sobre a mesa colocando dentro de sua bolsa de couro quando saiu da sala aproximando-se do balcão para pegar seu notebook junto de alguns papéis que deixara ali enquanto trabalhava, viu novamente a cabeleireira rosa, dessa vez escorada no balcão de mármore enfrente a Chiyo, que mexia calmamente no computador antigo onde faziam o registro de entrada e saída de livros pegos.
— Este livro foi pego ontem, está emprestado.
— Oh, que merda.
A testa foi de encontro a pedra negra enquanto resmungava a reclamação, pelo canto de olho viu quando ela apoiou os braços cruzados em cima da superfície, deixando o queixo entrar em contato com a própria pele.
— É esta semana a sua cirurgia, não é? — surpreendeu-se com a intimidade que ela aparentava ter com a senhora que mantinha toda biblioteca em ordem à décadas.
— É, estarei de licença durante um mês, mas não se preocupe que a biblioteca vai abrir a noite normalmente, Sasuke ficará cuidando de minhas obrigações.
Ele levantou uma sobrancelha, achando graça da autoridade natural que a mulher exalava, até que o par de olhos verdes o encararam antes de um aceno junto de um sorriso breve vir em sua direção. Não conseguiu retribuir devidamente, concentrando-se em um rápido aceno antes de fechar sua bolsa e sair do lugar.
—×-
Ficar na biblioteca sem Chiyo foi mais complicado do que pensou. Pela manhã e parte da tarde não sentia nenhuma problema, o outro bibliotecário estava em serviço, então podia cumprir suas funções tranquilamente sabendo que Kakashi estava no balcão, fazendo o controle de entrada e saída dos livros ou pedindo a um estudante mais barulhento para fazer silêncio. Depois que o turno do homem acabava que as coisas se complicavam, todo seu trabalho no arquivo ficava parado, não podia deixar o balcão vazio, apesar de não ser exaustivo cobrir a função de Chiyo requeria atenção a todo momento, e não seria louco de descuidar do posto, a senhora ficaria sabendo na hora e do jeito que era daria uma bronca assim que voltasse à trabalhar. E por mais que hierarquicamente sua função estivesse acima da dela não se importava, a funcionária mais antiga do departamento era extremamente respeitada por qualquer um, e não seria ele a passar por cima da autoridade que naturalmente ela tinha sobre aquele lugar. Então o que restava era tentar agilizar o máximo possível o trabalho no arquivo pelo período da manhã, aproveitando o resto da tarde e da noite para dar andamento à sua lista de leituras.
Só na quarta ele voltou a vê-la na biblioteca, entrou mexendo no celular desviando das mesas sem levantar a cabeça, até se sentar em uma próxima às tomadas. Tirou o notebook da bolsa e um pequeno caderno, olhando para as pessoas nas mesas ao redor antes de se levantar e sumir por entre as estantes de livros. Nos poucos segundos que ficou a observando perguntou-se se só seria ele a achar que quando os longos fios estavam presos naquela traça, dando um ar lúdico a criatura de cabelos róseos, pareciam revelar vários tons na mesma cor. Vendo a jovem sumir do seu campo de visão concentrou-se mais uma vez na estante de livros de física a sua frente, perdendo alguns minutos olhando as lombadas até acha o mesmo número do papel que segurava na mão. Puxando o livro, andou distraído até o computador velho, olhando o carimbo na contra capa do livro onde constava a data do último empréstimo, digitava uma sequência de códigos para colocá-lo novamente no sistema e limpar a ficha do aluno que o havia pego quando um pequeno pigarro chamou sua atenção, seus olhos foram diretamente para a mulher abraçada a um livro há dois passos do balcão.
— É você que está cuidando dos empréstimos?
— Sim, sou eu. — respondeu calmo, finalizando o processo que fazia.
— Eu queria renovar este livro.
Ela se aproximou, entregando junto do livro o cartão de cadastro da biblioteca, e assim que olhou para a foto não pode deixar de levantar o rosto para comparar com a pessoa em sua frente. O cabelo era tão liso quanto agora, porém castanho claro, num repicado um pouco abaixo dos ombros, a pele um pouco bronzeada, porém eles estavam lá, grandes e redondos, o brilho límpido dos olhos verdes não mudara em nada no rosto delicado de Sakura Haruno.
— É, eu sei, estou muito diferente aí. — ela cruzou os braços, apoiando-se no mármore frio — Chiyo vive reclamando por usar uma foto do tempo que entrei na graduação.
— Até que não está tão diferente, — falou baixando os olhos para a foto 3x4 antes de encarar a mulher outra vez — é mais o cabelo, mas Chiyo está certa, este cartão precisa ser trocado. — sua mão foi para um pequeno bloco de notas, anotando informações no papel antes de entregá-lo com o livro e o cartão — Aqui está anotado os documentos que tem que trazer, em uma hora fica pronto.
— Obrigada, — ela respondeu em tom de desistência pegando os objetos estendidos — acho que essa semana faço isso…
— De nada.
Franzio o cenho ao vê-la dar meia volta depois de ter se afastado, andando sem jeito até sua frente de novo.
— Você tem alguma notícia da Chiyo? Tentei ligar para ela pra saber como foi a cirurgia, mas o celular só dava desligado.
— Falei com a filha dela no domingo, — respondeu enquanto cruzava os braços reencostando na cadeira. — disse que tudo tinha ocorrido bem e que ela já estava em casa.
— Que bom, — ela sorriu aliviada — obrigada, Sasuke.
— Não tem de quê, Sakura.
Seu rosto foi tomado pela surpresa, mas depois de olhar para baixo saiu rindo, balançando a cabeça negativamente, sentindo-se idiota por achar que em algum momento alguém que aparentava ser tão quieto como ele iria procurar saber qualquer coisa sobre alguém que só tinha visto uma vez. Sasuke não entendeu a sua reação e achou melhor não se prender a isso, voltando-se para o sistema da biblioteca, não tinha muitos conhecimentos sobre informática, mas aquele lugar precisava de um sistema novo e uma organização de livros completamente nova. Pegou o celular no bolso traseiro da calça, olhando a agenda em busca de um número.
“ Shikamaru, pode vir à biblioteca depois da sua aula? Preciso conversar sobre o novo sistema.”
No final Shikamaru só apareceu quando já era cerca de nove e meia, ele era professor da universidade e chefe do departamento de informatização, explicou os problemas que estava tendo com o antigo sistema e as inovações que queria trazer para o novo, como uma lista on-line do acervo da universidade e um sistema de reserva, passaram um longo tempo conversando avaliando as ideias que não percebeu o relógio andar, logo eram onze horas e sozinho Sasuke checava o lugar antes de fechar a biblioteca, passando despercebido pela mesa que antes era ocupada por um ponto rosa.
—x-
Conforme o mês foi passando, o movimento na biblioteca se intensificou. O desespero por notas em trabalhos que aliviasse o peso que as provas teriam, estava deixando os alunos loucos, os que sempre apareciam na biblioteca observaram entediados o aumento da frequência, acostumados com o ritual da vida universitária. Por outro lado Sasuke só tinha mais trabalho para fazer, mais gente para mandar calar a boca ou falar mais baixo, e menos tempo para o seu projeto de informatização da biblioteca, os jeitos que os livros era guardados só piorava tudo. Normalmente já era difícil achar algo naquele lugar, primeiro porque a biblioteca era enorme e tinha um acervo gigantesco, as estantes viviam abarrotadas e mesmo assim sempre chegavam livros novos, segundo porque, provavelmente, era usado o mesmo modo de organização desde quando Chiyo começara a trabalhar alí, e terceiro porque o aumento de alunos significava livros espalhados por vários lugares, colocados na ordem errada nas prateleiras ou em seções completamente diferentes, como agora que acabara de achar um livro de anatomia humana no meio dos de sistema da informação. Depois de passar meia hora procurando e finalmente consegui achar o livro de elétrica que uma professora do departamento de engenharia queria, achando-o em meio aos livros de artes, pôde se arrastar à sua cadeira atrás do balcão, xingando baixo os infelizes que faziam aquela bagunça com os livros.
—... fala sério, parece que é um bando de crianças do primário para fazerem isso, tão melhor deixar em cima da mesa do que misturar assim…
— Gosta de falar sozinho, Sasuke?
Tomou um susto quando olhou para trás vendo Sakura amarrar os cabelos em um daqueles coques desajeitados e bonitos que as mulheres costumam fazer, ela levantava umas das sobrancelhas divertindo-se com sua expressão constrangida.
— E-eu não estava falando sozinho. — resmungou envergonhado por ter sido pego em um momento de lamentação. — Só estava pensando alto.
— Claro, claro, você não é o tipo de pessoa maluca que sairia por aí falando sozinha. — imediatamente fez uma careta pela ironia carregada na voz, o que abriu um sorriso satisfeito no rosto feminino. — Vou deixar você trabalhar.
Ela deu dois tapinhas em seu ombro antes de seguir para uma mesa vazia, ficou parado vendo a mulher se afastar antes de seguir com suas obrigações, desde aquele dia conversava uma vez ou outra com Sakura. Na verdade eram limitados a um cumprimento e o “Tudo bom?” exigido pela educação, uma vez ou outra uma piadinha sobre suas falta de expressões faciais durante o trabalho ou um pedido pra dar uma olhada nas suas coisas enquanto saía para fazer um lanche rápido. Porém observava que ela parecia muito mais cansada que o normal, o cabelo um pouco bagunçado, e marcas escuras aparecendo debaixo dos olhos, sempre chegava por volta das quatro da tarde e saía quase no horário que a biblioteca fechava, quando não estava na mesa digitando freneticamente cheia de livros, podia ser vista perambulando em alguma parte esticando os braços. Dois dias atrás até a encontrara na extremidade oposta da entrada, um lugar vazio e cheio de livros empoeirados, que alguns alunos não conheciam de tão pouco que era utilizado, estava fazendo alguma espécie de alongamento para as pernas, o fato dela estar tentando tocar a ponta dos pés, meio que empinando a bunda deixou a situação ainda mais constrangedora, e sem saber o que falar.
— Sabe, é que eu estou aqui desde manhã, e ficar sentada no chão está matando a minha coluna, então achei que seria bom fazer um exercício pra esticar. — ela explicava, falando tão rápido que ele mal entendeu o que era dito, entretanto viu o material de estudo no chão.
— Por que está estudando no chão? — ele pegou a prancheta que carregava, anotando o nome de alguns livros que poderiam serem retirados das prateleiras por não estarem em condições de uso.
— Lá nas mesas está muito barulhento, aqui é silencioso e tem uma tomada, além que posso me divertir com a cara de desapontados de alguns casais.
— Cara de desapontados? — na mesma hora ele parou o que fazia olhando para ela sentar-se novamente no chão.
— Aqui é bem escondido, então os casais gostam de vim pra cá se pegar, chega a ser engraçado umas criaturas com mais de vinte anos ficando envergonhados por serem pegos se escondendo no corredor mais inóspito dessa biblioteca nos maiores amassos.
Ela tinha rido depois do comentário, e ele a acompanhou, sem se dar ao trabalho de fazer algum comentário para continuar a conversar, no minuto seguinte ela se afundou mais uma vez na bolha de estudos.
—x-
Foi uma surpresa para Sasuke encontrar Chiyo no dia seguinte na biblioteca, ficou feliz em vê-la bem após a cirurgia, recebeu o abraço rápido antes de ouvir uma bronca da senhora com uns alunos que estavam rindo mais alto que devido. Acabou que ele e Kakashi ficaram rindo, brincando sobre como ela não sabia viver sem repreender alguém.
— Eu não tenho culpa se vocês são dois molengas que não sabem pôr ordem em nada. — humor ácido fez falta no lugar, bastou uma troca breve de olhares entre ambos homens para um sorriso nascer em seus lábios.
— Mas o que faz aqui Chiyo? Sua volta era pra ser só na próxima semana. — perguntou Kakashi, vendo um sorriso presunçoso surgir nos lábios da senhorinha que colocou teatralmente as mãos na cintura antes de responder.
— Você está olhando para uma mulher aposentada Kakashi, finalmente poderei fazer minhas viagens.
— Que ótimo Chiyo, você merece seu descanso. — Sasuke falou, achando ótima a notícia.
— Descanso? Esta senhora irá para os bailes dançar a noite, Sasuke. Irá nos deixar por noites na gandaia.
— Irei mesmo Kakashi, e você deveria se meter menos na minha vida e levar mais a sua esposa para sair. — a resposta grossa vez o sorriso sumir do rosto do homem de cabelos grisalhos — Sasuke, o pessoal do administrativo me informou que eles estão a procura de alguém pra me substituir, mas por enquanto você terá que continuar me cobrindo.
— Chiyo, apareceu por aqui e não me avisa? — a voz de Sakura chamou atenção da senhora, que a recebeu de braços abertos. — Que cara desolada é essa, Sasuke?
— Ele acabou de saber que terá de trabalhar mais até acharem alguém para entrar na vaga de Chiyo.
— Finalmente saiu sua aposentadoria?
— Sim, e espero que você cuide desse lugar direito Sasuke. Francamente, trabalhei mais de quarenta anos aqui, e um moleque desse que fez faculdade de biblioteconomia, coisa que nem tinha no meu tempo, fica aí se preocupando por trabalhar um pouquinho mais.
Aquela não foi a notícia mais animadora, ainda passou longos minutos ouvindo piadinhas de Kakashi e Sakura, que se deram misteriosamente bem para rir da sua cara, além de uma longa lista de recomendações até que Chiyo resolvesse ir embora.
A noite, quando estava quase no seu horário de saída, viu Sakura coçando os olhos, uma marca vermelha do arame do caderno pintava sua bochecha, ela demorou alguns segundos piscando o olho antes de se mexer guardando o material, quando passou por ele, acenou preguiçosa desejando uma boa noite. E a mesma coisa se repetiu pelas outras próximas duas semanas, ela sempre cochilava acordando perto do fim do seu expediente, ou então estando tão concentrada que nem via os outros alunos saindo e acabava ficando até um pouco depois das onze, e ele sem jeito ficava alguns minutos com receio de atrapalhar algum raciocínio importante, esperando quando ela finalmente percebia e saía às pressas, pedindo desculpas e falando que deveria avisar ela, pois ele já estava trabalhando demais.
Foi numa sexta que ela dormiu e não acordou. O meio do ano estava chegando e com ele as temperaturas baixas do inverno, ainda assim ela sentou-se em baixo do ar condicionado, e devido a isso viu ela se encolhendo de frio. Já passava das dez da noite, e ela dormia agarrando os próprios braços envolvidos numa camiseta de manga comprida e fina, vendo a cena pegou o casaco que tinha deixado dentro do arquivo e a cobriu, vendo-a se aconchegar instantemente no calor que o tecido passava. Porém quando deu onze horas ela não acordou, e passando quinze minutos não houve nenhuma mudança, sabia que tinha que acordá-la, estava ficando tarde, já tinha arrumado toda bagunça remanescente de livros e apagado quase todas as luzes, mas quando viu o rosto marcado por cansaço e noites de insônia não conseguia a despertar do sono. Sentou numa cadeira na frente, olhando bem para o rosto adormecido tentando criar coragem para acordá-la, o que levou mais quinze minutos, até levar a mão ao seu ombro, balançando-a de leve enquanto sussurrava seu nome.
— Hey Sakura, acorde. Já está tarde.
Ela resmungou, apoiando o queixo na mesa antes de abrir os olhos verdes para ele, ela estava extremamente sonolenta piscando várias vezes como se quisesse acordar para realidade, ele sorriu, era impossível não a achar uma gata manhosa acordando de uma longa noite de sono. Sem dizer nada ela sentou-se com a postura ereta esfregando os olhos antes de notar o casaco que a protegia do frio, pegou a peça inalando o cheiro antes de olhar para Sasuke e sorrir.
— Seu perfume é realmente muito bom, e você é muito gentil, obrigada.
— Tem certeza que não quer ficar com ele? Pode me devolver amanhã. — ele respondeu, constrangido com o comentário sobre o seu perfume.
— Não precisa, estou com uma casaco na bolsa. — ela começou a guardar o material, tirando da bolsa um casaco de lã e uma jaqueta de couro. — Aliás que horas são?
— Agora são, — ele levantou o braço verificando no relógio — onze e trinta e cinco.
— Meu Deus, Sasuke! É muito tarde, por que não me acordou antes? — rápida ela terminou de jogar seus materiais dentro da bolsa, vestindo a blusa de lã e a jaqueta logo em seguida — Já passou muito do seu horário.
— Você está muito cansada ultimamente, fiquei com pena de te acordar. — ele respondeu, colocando o casaco para sair junto com a mulher, que andava apressada até a saída.
— É que tenho dormido pouco, a dissertação está acabando comigo.
Em silêncio seguiram até a entrada do prédio da universidade, mas só foi descer os degraus da entrada que Sakura viu um ônibus passando direto e fazendo a curva no final da rua.
— Merda, era o último ônibus pra minha casa! — ela bateu com a mão na própria testa, soltando um longo suspiro derrotado. — Agora vou ter que pedir um táxi.
— Você fica aqui até tarde e pega ônibus á essa hora da noite? Isso é perigoso Sakura. — ele falou, indo para o lado dela.
— Eu sei, mas meu carro foi pra oficina no início da semana, é só por uns dias até ele ficar pronto.
— Se você quiser posso te deixar em casa.
— Não, Sasuke. Você está sendo muito gentil, não quero abusar. Além do mais, acho que vou aproveitar para comer na cafeteria que tem aqui perto antes de ir pra casa.
— Eu estou com fome, podemos ir lá comer e depois te deixo em casa.
— Sasuke, é só olhar para você pra saber que também está cansado, não quero te incomodar. — ela tocou com a ponta do indicador na mancha roxa abaixo do olho dele, sorrindo compassiva.
— Não é incômodo, a não ser que eu vá te atrapalhar. — Sasuke murmurou, mexendo sem graça no cabelo escuro.
— Não, imagina, você não incomoda em nada. — as mãos mexiam freneticamente no ar, demonstrando o embaraçado pelo que ele tinha tido.
— Então vamos, meu carro está logo ali.
Ele saiu andando pelo estacionamento, sendo seguido por Sakura. Quando chegou perto destravou as portas escutando o barulho do alarme e automaticamente foi abrir a porta do carona, apontando para Sakura entrar no veículo. Ela olhou bem para o seu rosto, antes de sorrir fazendo uma pequena reverência, como uma dama da côrte inglesa do século XVIII, e ele acabou sorrindo, um sorriso de canto como sempre surgia quando Sakura tinha uma de seus momentos de irreverência.
— Sabe, estou realmente achando que você nasceu no século errado, ou então é um vampiro que se adaptou muito bem ao nosso tempo de tecnologias. — ela falou assim que ele entrou no carro, parando de colocar o cinto para encarar a face de Sakura virada para si.
— Por que está dizendo isso? — ele deu a partida no carro, ouvindo o ronco do motor.
— Você se comporta como um lorde inglês na maior parte do tempo, e ás vezes seu português é extremamente formal, o que é uma humilhação para qualquer professor que tive na minha vida.
— Desculpe-me, é que desde pequeno eu li muitos livros sobre o Sherlock Holmes ou as obras da Agatha Christie, isso quando não surrupiava algum romance que minha mãe tivesse, e acabou virando uma brincadeira minha com ela agir como os personagens. — involuntariamente ele sorriu, aberto fazendo com que as bochechas levantassem levando o óculos junto, — Adorava imitar o cavalheirismo europeu, e minha mãe adorava brincar comigo de ser uma dama da nobreza.
— Que lindinho, acho que até consigo te imaginar criança quando você sorri assim. — Sakura comentou distraída tirando o cinto, sem nem notar a coloração que tomava as bochechas de Sasuke — Vamos Lorde Uchiha, o croissant real nos espera.
Saíram do carro e atravessaram a rua correndo sentindo o vento gelado até se abrigarem no calor da cafeteira, Sasuke gostava daquele lugar, todo em madeira, luzes amarelas, mesas de acrílico pretas e algumas fotografias de lugares na França. Foram ao balcão e fizeram seus pedidos, sentando-se numa mesa no canto, com os sofás acolchoados.
— Seu carro vai demorar a ficar pronto? Não é bom você sair tão tarde da biblioteca, pode ter assaltada no ponto de ônibus.- Sakura apoio a mão no queixo, brincando com o porta guardanapos.
— Ou coisa pior. — ela sussurrou e ele só pode concordar com um aceno — Acho que amanhã ele está pronto, mas já estou acostumada, não é a primeira vez que ele me deixou na mão. Coisa de carro velho. — os ombros pequenos subiram e desceram, nesse momento um garçom veio com os seus pedidos.
— Já pensou em trocar o carro por um mais novo? — ela balançou afirmativamente, enquanto terminava de mastigar um pedaço do seu croissant.
— Já, mas não estou dando aulas regulares, só algumas particulares e a bolsa de mestrado não me permite isso, então vou ter que deixar pra depois.
— Você é mestranda? — recebeu outro aceno — Nossa, estava apostando que estava terminando a graduação.
— Por que?
— Você me parece ser muito nova.
— Obrigada, é ótimo saber que posso mentir minha idade. — ela riu, tomando um gole no café — Deve ser pelo cabelo, eu já tenho vinte e cinco anos.
— E seu mestrado é sobre o que?
— Está curioso hoje Sasuke. — ele parou de mastigar, analisando se havia uma repreensão no que ela dizia, mas ela continuou a falar como se fosse nada — Em literatura inglesa.
— Está gostando?
— Acho que só conseguirei responder isso depois de acabar a minha dissertação. — ela afastou o prato vazio, pegando um guardanapo para limpar os cantos da boca.
— Está tão difícil assim?
— Sim, ou melhor, não. — ele franziu o cenho diante a resposta confusa — Deixa eu explicar, minha dissertação estava ótima para mim, até que quando levei para minha orientadora descobri que teria que refazer toda minha pesquisa. A anta aqui achou que poderia fazer um ótimo trabalho usando somente o que eu lembrava dos PDF’s pirateados que li na época do Ensino Médio, que as traduções não são das melhores e algumas partes bem confusas, então quando minha orientadora leu o meu trabalho disse que estava bom, e as ideias bem trabalhadas, — ela arrumou a postura levantando o dedo no ar e pondo a mão na cintura antes de prosseguir com uma voz diferente — “ mas Sakura, esse texto não tem base, como sua orientadora sei que você sabe do que está falando, mas a bancada não. Eles vão ler isso e achar que é fruto da sua imaginação, não um tema trabalhado na literatura inglesa. Você precisa fundamentar seu texto.” — ela relaxou no banco, fechando os olhos ao apoiar a cabeça no encosto. — E agora eu estou tendo que ler todos os livros de novo, alguns em inglês, o que não é um problema, mas traduzir da melhor forma pra inserir no meu texto leva um certo tempo, que eu não tenho. Tem livros que não lembro a parte que me interessa e tenho que ler até achar um mísero capítulo. Em resumo, estou pagando por não ter feito um serviço descente desde o início.
— É qual o tema da sua dissertação?
— A racionalidade do amor feminino, baseada nas obras da Jane Austen.
— Se você quiser posso te emprestar alguns livros, tenho quase toda obra dela, e as traduções são ótimas, e sei quais são os melhores que estão na biblioteca. — ele pegou os óculos, abaixando o rosto para limpá-los enquanto falava — E sobre os trechos, é só me dizer de qual livro e sobre o que falavam, eu tenho memória fotografia, então se eu tiver lido vou saber aonde estava.
Quando ele levantou o rosto viu que Sakura olhava embasbacada, a boca aberta como se tivesse falando que sabia o segredo para encontrar o pote de ouro no final do arco íris.
— Você está falando sério?
— Sim, bem eu achei interessante o tema e não me incomodaria em ajudá-la. É só me passar uma lista com os livros que precisa.
— Oh Deus, tem certeza que você é humano, Sasuke? Porque estou realmente propensa em acreditar que você é um anjo enviado para me salvar. — ela falou, apoiando as mãos embaixo do queixo, numa pose admirada.
— Bom, da última vez que chequei não tinha asas nascendo nas minhas costas. — ele coçou o queixo, fazendo uma pose pensativa que arrancou um sorriso gostoso da mulher.
— Agora estou curiosa, por que biblioteconomia?
— Sempre gostei de ler qualquer coisa que via pela frente, era razoavelmente bom em todas as matérias e não sabia o que seguir, até que um professor me falou do curso. Mexia com livros, uma profissão tranquila e com excelentes concursos públicos que me dariam estabilidade financeira, ideal pra mim. E você?
— Nossa você é realmente muito prático. Odiava ler, até que quando estava no primeiro ano minha professora de inglês, que era de longe a matéria que eu mais gostava, passou um filme na sala, Razão e Sensibilidade. Adorei a história, pesquisei na internet e descobri que tinha um livro, e que a autora tinha outros trabalhos. E os próximos três anos da minha vida foram dedicados a leituras e notas ruins em qualquer matéria que envolvesse números.
— E pirataria de livros na internet. — ele sorriu de canto a provocando.
— Claro, livros são caros e eu uma pobre admiradora da arte literária.
Uma hora depois Sasuke deixava Sakura em frente do seu prédio, ela deu um beijo no seu rosto antes de sair agradecendo mais uma vez pela gentileza que ele lhe dava, e constrangido disse que não era nada. Na volta para sua casa fez uma constatação mental de tudo que descobrira sobre Sakura, ela era dois anos mais velha, queria se tornar professora universitária e era anormalmente apaixonada por romance investigativos. Ela tinha um senso de humor apurado e usava muito da ironia em suas observações, mas sabia fazer isso sem prepotência, ria com facilidade e ficava linda quando o fazia.
O próximo mês foram uma aventura para ambos, ela tinha entregado a lista na segunda feira, terça ele levou os livros e sempre que podia sentava-se do seu lado, nem que para ficar em silêncio lendo suas anotações e o seu trabalho, ele às vezes questionava algum ponto ou outro, sempre pedindo a permissão dela, ela ouvia os pontos que ele apresentava e mesmo que não concordasse conseguia extrair algo que pudesse usar para melhorar seu trabalho. A proximidade fez com que fossem mais vezes àquele café, a paixão que ela tinha pela literatura e a ânsia que ele tinha por conhecimento se tornou o imã perfeito entre ambos, passavam horas falando sobre livros e seus autores favoritos, indicando livros e comparando a lista de pendências no celular.
Sakura admirava a inteligência de Sasuke, e como ele conseguia falar desde astronomia à arte contemporânea, fazendo milhares de perguntas e ele surgindo magicamente com a resposta, nem que para poder vê-lo falar. E ele sabia ver como ela era uma boa ouvinte, do mesmo jeito que sabia fazer longos monólogos sobre aquilo que entendia, seus conhecimentos sobre história e política eram invejáveis, e a habilidade em explicar qualquer coisa dava a ele a certeza que seria uma excelente professora.
Quando menos esperaram, estavam debatendo sobre os sentido da vida por meio de mensagens durante a madrugada, contando histórias de faculdade e da infância, mostrando fotos antigas. Ela mandava vídeos engraçados que via na internet e ele revelou sua recaída por memes, ela defendia filmes de heróis ao ponto que ele se rendeu e assistiu alguns, para na outra semana ela lhe emprestar uma caixa cheia de HQ’s.
Conforme o fim do semestre se aproximou uma funcionária nova chegou para ficar na biblioteca, e ao invés de aproveitar a volta de sua jornada de oito horas de trabalho por dia, não conseguiu. Sakura estava ainda mais cansada com proximidade do dia que teria que levar sua dissertação para a bancada, tinha pego o hábito de pular algumas refeições e, preocupado, usava a desculpa de finalmente ter tempo para se dedicar em organizar de vez aquela biblioteca para lhe vigiar.
Porém, ele descobriu, no dia em que resolveu ir com uma camisa de malha e manga comprida vermelha e recebeu um elogio de Sakura sobre como ele estava bonito com aquela cor, que não era somente aquilo. Estava usando o perfume que ela gostara com uma maior frequência, só por saber que receberia um cheiro no pescoço quando ela lhe abraçasse, tirou algumas camisas do fundo do armário no dia que Sakura falou como acha que homens ficavam bonitos daquela forma, e comemorou internamente ao ouvir depois, que ele ficava extremamente charmoso daquele jeito, inclusive aumentou o tempo de suas caminhadas após ouvir uma conversa dela com uma amiga.
“- Não sou uma louca por músculos, acho estranho aqueles homens enormes, é intimidante e parece ser fruto de anabolizantes. Prefiro quando são mais naturais, — ela olha para a loira e sorri — Sasuke é assim, não é todo malhado, mas tem um porte que só aumenta a elegância dele.”
A verdade é que se encantou por tudo que envolvia Sakura, lia os livros que ela recomendou para descobrir mais dela, observava de longe o jeito de mexer o cabelo quando nervosa, como mordia os lábios mirando um ponto único na parede ou a bagunça que fazia de papéis. Não conseguia desviar sua atenção dos olhos verdes mesmo quando esses não estavam em si, e puxava assunto sobre qualquer coisa que ela gostasse só para ver o brilho que eles tomavam, ela era bonita, mas quando sorria sentia que estava olhando para uma ninfa grega, sua teimosia davam profundidade ao olhar, e seu cheiro, céus, conseguia senti-lo se fechasse os olhos antes de dormir. Estava inegavelmente, e maravilhosamente apaixonado por Sakura.
—x-
Estava guardando alguns livros quando viu Sakura entrar correndo na biblioteca, ela sorria os cabelos voando junto do lenço cinza que circulava o pescoço, sem dizer nada pulou abraçando com força seu pescoço, a força do impacto o jogou para trás, batendo as costas na estante. Automaticamente levo os braços a circularem a cintura dela, segurando o peso feminino contra o seu corpo.
— Sasuke, deu tudo certo! A bancada adorou a minha dissertação! — ela falou, rindo no seu pescoço — Eu nem acredito que finalmente acabou!
— Eu falei que você iria conseguir, não precisava ficar nervosa. Estou muito feliz por você!
— Eu nem sei como te agradecer. Você me ajudou tanto, Sasuke! Obrigada, obrigada, obrigada! — ela deu vários beijos no rosto dele, rindo completamente feliz, o que chamou a atenção de alguns curiosos.
— Sakura, você está fazendo barulho. — ele riu baixo da expressão envergonhada que ela fez enquanto escorregava para o chão, sem tirar as mãos dos seus ombros, ou ele de sua cintura.
— Desculpa, é que tá difícil me controlar. — ela olhou para porta, mordendo o lábio inferior antes de falar com ele — Tenho que ir, Tsunade tá me esperando para almoçar.
— Tudo bem. — ele respirou fundo, olhando para o lado antes de falar, tão corado como Sakura nunca vira — O que acha de sairmos mais tarde para jantar, para comemoramos?
Ele olhou para os olhos verdes, engolindo seco pela cara que Sakura fazia, lentamente ela aproximou o rosto do seu, os olhos se encarando enquanto os lábios se separavam, e sentiu o beijo simples que Sakura depositava nos seus. Fechou os olhos acariciando a boca dela lentamente, aproveitando cada sensação que o beijo trazia para o seu coração que batia galopante. Quando se afastaram sentiu-se o maior tolo por sua respiração descompassada e o frio que sentia contorcer seu estômago, mas ela estava tão bela daquele jeito que não se importaria em virar o maior dos idiotas só para ter aquela visão mais vezes.
— Isso seria um sim? — ele sussurrou, trazendo um sorriso para o canto dos seus lábios, quando a risada que adorava ouvir passou pelos lábios marcados com o beijo. — Bom, então posso ir te buscar às sete?
— Estarei te esperando, mas agora eu tenho que ir.
Demorou uns segundos até ela sair dos seus braços e ir andando para saída, mas antes de chegar na metade do caminho voltou, pressionando novamente seus lábios antes de sair correndo do lugar, deixando o jovem bibliotecário com o mais doce sorriso nos lábios.
E sua pele cândida é nuvem do Paraíso
Decorada na doçura do rosa prisma
Teus lábios, há os lábios, o botão da tua paixão
Minha doce ninfa, encanta-me como teu escravo
Faz de mim servo devoto ao teu altar
Aquece mi’alma, com marcas que me deixe lembrar
Da deusa, do anjo que habita minha vida
Que na mais preciosa esmeralda o caminho irei desvendar
E seja o manto de teu amor aonde irei repousar
Notas finais
Obrigada por lerem.
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