Notas iniciais
Eu sei que eu errei com vocês deixando de atualizar e coisa e tal. Eu não vou me demorar muito, então, se puderem, leiam.
Eu tenho tido SÉRIOS problemas de bloqueio criativo. Na verdade não é por conta da história (porque na verdade já sei como cada uma vai terminar), mas sim para dar continuação a elas.
É complicado porque aconteceram algumas coisas por aí que me incomodaram muito e... Bom, normalmente quando alguma coisa me incomoda, acaba atravessando bem no meio da minha inspiração.
Anyway, era para dar uma explicação à vocês o porquê da minha demora. Desculpem. Gostaria de dizer que isso não se repetirá, mas não posso ter certeza disso.
Quanto à quem acompanha Desirè, tentarei atualizar o mais cedo possível, mas está realmente difícil, porque quando consigo escrever alguma coisa, acho que ela ficou uma porcaria.
Bom, de qualquer maneira, vamos ao capítulo, espero que gostem o
Depois do curto tempo em completo silêncio, a sonora gargalhada fez a ruiva se arrepiar. A garotinha virou os olhos, procurando o moreno em busca de amparo, e o encontrou segurando o tórax e se matando de rir.
-Não, desculpe, pode repetir? – A diversão parecia genuína nos olhos pratas dele, Elesis não perdeu tempo e correu até o mais velho, segurando sua perna. – Faz meses que não rio tanto de uma piada.
-N-não é nenhuma piada! – O gerente gaguejou, o outro homem parou de rir e o fitou seriamente, fazendo-o estremecer. Não era todo dia que se tentava enfrentar o temido guerreiro imortal. – Você está sob custódia-...
-Aham, do exército de Cazeaje. – Interrompeu-o, só que dessa vez com a voz mais séria do que nunca. – Mas me responda: O exército se encontra aqui, nesse momento? Presumo que não. Hhm, então devo supor que é você quem irá me levar até o acampamento do exército?
O imortal deu um sorriso de canto e, sem pressa, andou até as coisas recém-adquiridas e já arrumadas, juntando-as para partir pouco se importando com a presença do outro homem. Assim, colocou a mochila com os suprimentos no ombro, pegou sua espada e se aproximou de Elesis, estendendo a mão para ela pegar.
-Devo considerar isso, inclusive, como um não preciso pagar a estadia, correto? – O gerente arregalou os olhos, só agora percebendo que estivera tão assustado que nem se dera ao trabalho de responder sua última pergunta. Ainda se surpreendia por estar respirando todo esse tempo.
Ele então voltou os olhos para a garotinha que acompanhava o guerreiro e vendo-a olhar para o imortal, preocupada, supôs que ela deveria ser algum tipo de pessoa importante para o guerreiro imponente. Então, sem pensar, a puxou pelo pulso, fazendo-a gemer de susto e dor, diante da brutalidade que fizera a ação.
Enfiou a mão no bolso da calça, mais rápido que pôde e sorriu maligno quando sentiu o frio do aço em contato com seus dedos. Puxou a lâmina e a colocou contra a bochecha da ruiva, mantendo-a firme em seu agarre e a ponta da lâmina cutucando sua pele.
Sieghart estreitou os olhos. – O que pensa que está fazendo, criança? – Os olhos pratas dele cravados sem dó na imagem do homem. A espada em seu punho respondeu ao seu ódio. – Largue-a agora.
O gerente respirou fundo, tentando manter a compostura. Ele estava assustado, a palma de sua mão suava descontroladamente e sua respiração estava curta e acelerada. Pela proximidade, Elesis pode reparar nisso.
-Você vai me acompanhar. – Ele tentava manter o sorriso. – Vai me acompanhar ou farei tanto mal a essa garotinha que sua própria culpa vai te matar, Sieghart. – Os lábios dele se esticaram ainda mais depois da sentença, agora sentindo um pouco de confiança lhe invadir.
Sieghart ia pensar em responder alguma coisa, mas não esperava pelo que viu. A ruiva, aproveitando-se da situação e do claro nervoso que o homem estava, ergueu seu braço livre e puxou a lâmina das mãos do homem, em seguida, girou seu corpo no próprio eixo e libertou-se do agarre da mão suja, em seguida, assim, ficando frente a frente com ele, empunhando a lâmina opaca e trincada com ambas as mãos.
Ela não faria isso se não soubesse que Sieghart estava ali, quer dizer, a arma tinha, no máximo, quinze centímetros, não era uma espada. Não sabia se defender com alguma coisa tão pequena. Mas não precisou de nem mesmo cinco segundos após seu afastamento repentino para que o moreno já estivesse a sua frente, segurando a gola da camisa do homem com uma das mãos e com a outra a highlander.
-Eu deveria te cortar inteiro agora, bastardo. – O timbre saiu rouco e baixo, assim um tanto ameaçador. – Mas não tenho tempo para isso. – Ele o soltou de uma só vez, o empurrando contra a parede da construção. Em seguida pegou novamente a sacola com os suprimentos, a colocando no ombro, e sem largar a espada, pegou também a ruiva com o braço livre e passou pelo gerente caído no chão.
Quando eles finalmente saíram da construção, Elesis pode entender o “não tenho tempo para isso”, a passos rápidos se aproximava uma frota de guerreiros com armaduras azuis completas e o moreno agilizou seus próprios em direção à mata.
-Sieg, eu estou realmente me sentindo como um saco de batatas. – A ruiva ainda reclamou baixinho, sendo carregada pelo moreno. Ele riu.
-Desculpa ruivinha, é por pouco tempo. – Ele sorriu, enquanto pulava alguns troncos caídos e avançava, sem parar, para a floresta.
-Quem eram aqueles? – Ela perguntou, claramente fazendo referência aos guerreiros que vira entrando na cidade.
-Guardas Amon. – Suspirou. – Provavelmente nunca viu um deles, não é? – Ela afirmou quieta, ele sorriu mais uma vez. – São os guerreiros de baixo nível de Cazeaje. Somam em quantidade, mas não em força.
-Você poderia derrotar todos eles. Quero dizer... – Ela corou, brevemente. – Você derrotou o dragão, poderia derrotar vários daqueles.
Ele ficou em silêncio por um bom tempo, apenas correndo para dentro da mata. Quando finalmente se viram em uma clareira obviamente longe da vila, ele se permitiu parar e soltar a ruiva com cuidado no chão, sentando-se logo em seguida. Suspirou.
-Estou ficando velho demais para essas coisas. – Deu outro longo suspiro e limpou algumas poucas gotas de suor de sua testa.
-Você não me respondeu. – Ela acentuou, ainda de pé na frente dele. Somente assim para ela se sentir mais alta.
-O que eu não respondi?
-Por que você não ficou e derrotou os guerreiros para libertar a vila?
-Você não perguntou isso, ruivinha. – Ele riu.
-Não com todas as letras, mas deu a entender. – Ela parecia brava, voltou o olhar para o caminho qual tinham vindo e subitamente, sentiu-se culpada. – Aquelas pessoas poderiam usar de sua ajuda.
O moreno suspirou. – Elas certamente não lutariam ao meu lado. E eu tinha uma coisa mais preciosa a proteger. – Ela nem lhe deu ouvidos.
-E outra coisa, por que você está sendo perseguido pelo exército de Cazeaje? – A ruiva começou a elevar o tom, o moreno suspirou. – Por que quando eu vi você perder para o dragão, você voltou bem? Por que suas feridas estão se curando tão rápido? Por que...
Ela então começou a chorar. O moreno apiedou-se e abriu os braços, para que ela viesse se aconchegar. Uma vez entre os braços do guerreiro, ele começou. – Minha história é realmente longa. Todas as suas perguntas eu posso responder com uma só frase, mas ainda é cedo demais para te falar o porquê.
-Eu não sou tão nova assim! Você pode me contar! Eu tenho oito anos e dez meses, sou uma moça responsável! – Ela exclamou.
-Ruivinha, — Começou ele, suspirando. – quando você aceitou viajar comigo, disse que seguiria tudo o que eu mandasse ou desmandasse. – Ele apontou, ela aquietou-se. – Estou dizendo que isso é assunto para outra hora, tudo bem?
-Você nunca vai me contar o porquê, não é?
-Eu prometo que quando chegar a hora, eu contarei, tudo bem? – Sorriu para a ruiva e ela apenas se ajeitou no colo dele, assentindo. – Agora eu estou muito curioso, onde aprendeu a fazer aquilo?
-Aquilo?
-O golpe. – Ele tentou lembra-la, a ruiva permaneceu o fitando, sem entender. Ele suspirou. O que Elesis tinha feito era o básico de combate com espadas que ele mesmo desenvolvera. Ela o executou com agilidade e com certeza de que acertaria, e ver uma garotinha de oito anos fazer o que ele demorou anos para criar o incomodou. – Quando você arrancou a lâmina das mãos dele.
-Ah! – Ela, então, riu. – Eu disse para você que sabia me defender! – E então se ergueu, colocando os punhos em frente ao corpo, dando pequenos saltinhos. – Aprendi com meu pai, é o básico para saber o combate de espadas da família.
Sieghart quase se bateu. – Ah é? – Perguntou, fingindo-se de desentendido.
-Segundo meu pai, foi um ancestral nosso que desenvolveu. Quando essa técnica é aplicada junto com o combate avançado de espadas, você se torna imbatível! Foi assim que o nosso ancestral se tornou uma lenda. – Ela sorriu, empolgada.
-Ancestral nosso... – Murmurou, batendo a mão em sua própria testa. Quais eram as possibilidades dele encontrar alguém de sua própria família assim? – Você por um acaso não lembra o nome desse ancestral, não é?
-Na verdade não. Papai me contou a história só uma vez, eu me lembro de muito pouco. – Ela corou encabulada. – De qualquer maneira, não é uma coisa que eu possa ficar ensinando por aí ou que você tenha que ouvir. É coisa de família! – Ele suspirou, em silêncio. Sentindo-se realmente depressivo. – O que houve?
Ele inspirou profundamente e se ergueu, dando dois leves tapinhas no topo da cabeça ruiva. – Uma última pergunta, quem era seu pai? – Ele perguntou, temendo a resposta. – Não responda o líder dos cavaleiros vermelhos. – Ele girou os olhos e ela inflou as bochechas em desagrado. – Qual era o nome dele?
-Elscud.
-
Nove anos atrás. Canaban. Era uma comemoração especial, hoje seriam avaliados todos os descendentes da família Sieghart, para ver quem seria o próximo no posto de líder nos cavaleiros vermelhos.
Era bem verdade que muitos clamavam ter o título da família Sieghart, afinal, ser descendente de uma lenda era, sem dúvidas, uma coisa a se gabar. Por isso era feito um torneio qual o vencedor poderia ostentar com certeza o título da família e assumir a posição de Líder dos Cavaleiros Vermelhos. Ostentar o sobrenome Sieghart.
Sieghart suspirou. Sempre que havia esses torneios gostava de comparecer, para ver como as futuras gerações honrariam o nome de sua família. Eram muitas as vezes que a linhagem principal não vencia, mas outras tantas vezes eram seus sucessores que permaneciam com o título em mãos por várias gerações. Mas, esse ano, tinha certas expectativas em um guerreiro específico. Correu os olhos pela multidão, tentando encontrar os cabelos ruivos dele, Elscud.
Encontrara com o ruivo em uma de suas peregrinações, ele não passava de um mero moleque de treze anos que tinha acabado de descobrir vir da linhagem direta da grande lenda. E qual foi a sua surpresa quando ele tentou ataca-lo por tentar difamar o nome de seu lendário ancestral.
Como ele fazia parte de sua própria linhagem, provavelmente os mais velhos tinham receado contar-lhe a verdade por muito tempo. Era sempre assim, somente quando seu sucessor direto tinha a responsabilidade de poder andar com uma espada vermelha – ou em outros termos, ser aceito nos cavaleiros vermelhos – é que lhe contavam de que linhagem eles vinham. E isso normalmente acarretava em uma viagem para tentar encontra-lo e a inscrição deles para tomar o poder do posto mais alto entre os cavaleiros.
Também era verdade que, como a família Sieghart tinha se originado do Clã Sieghart – quais todos os integrantes eram todos ruivos – sempre havia certa rejeição de sua imagem por qualquer pessoa, quando ele clamava ser o lendário guerreiro imortal. E Elscud não fora uma exceção. A grande verdade é que como sua mãe tinha cabelos negros – por não pertencer ao clã – ele foi o primeiro, e um dos únicos, a não ser ruivo por lá. Porém, quando foi facilmente derrotado, o ruivo acabou acatando a ideia de que aquele era mesmo o imortal e implorou por conhecimento e Sieghart não pode negar o ensinamento de um ou dois truques com a espada.
Passaram-se anos e quando ouviu sobre o torneio em busca do novo líder dos cavaleiros vermelhos, Sieghart quis visitar Canaban e ver se o moleque ruivo que ousara lhe enfrentar agora conseguiria o título para ostentar o sobrenome da família. Elscud Sieghart.
Quando chegou à cidade, a primeira coisa que soube é que ele havia casado e também que estava esperando uma filha. Sentiu-se subitamente orgulhoso. E permaneceu em Canaban até depois do torneio e as comemorações.
Não estava errado em ensinar àquele ruivo alguns truques; como o esperado ele venceu o torneio se tornando o Líder dos Cavaleiros Vermelhos. Mas isso era só outra história para o imortal.
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-Você ficou subitamente quieto. – A ruiva acentuou, apontando para o moreno. Ele continuou andando em direção ao oeste.
-Estava lembrando algumas coisas. – Ele suspirou. Ela é algo como minha neta... Separados por algumas gerações. Acusou-se, e eu ainda consegui a façanha de me apaixonar por ela. Suspirou.
-Que coisas? – Ela perguntou, deixando a cabeça ruiva levemente inclinada.
-Eu talvez, em algum momento, tenha conhecido seu pai. – E seu avô, e seu bisavô... Ele quase teve que se mandar calar mentalmente. – Bem rapidamente, na verdade. Seu nome não me é estranho.
-Claro que não! Ele era a mais importante celebridade de Canaban. – Ela sorriu. – Apesar de eu não saber nada muito importante da minha família, eu sei que foi por causa dela. Por isso é que eu tenho que encontra-lo! Querem fazer outro torneio e tirar o título do meu pai.
O moreno suspirou. Eles não estavam errados, na verdade, uma vez que o líder tenha abandonado seu posto ou desaparecido ou, ainda pior, sido morto, eles eram obrigados a continuar com as tradições. Deu uma pequena olhada por cima do ombro.
Ela não estava nem minimamente pronta para aceitar a responsabilidade de líder. Ela nem tinha conseguido conquistar a espada vermelha ainda. Mordeu o lábio inferior. Talvez não devesse tê-la levado embora de Canaban.
-‘Tá vendo? – Ela perguntou, tirando-o de seus devaneios. – Ficou quieto de novo.
-Desculpe. – Suspirou. – Realmente minha cabeça não está lá as mil maravilhas. – Novamente ficaram em silêncio por vários instantes, quando o moreno parou de andar repentinamente. – Bom, estamos a menos de um dia de viagem da base dos cavaleiros vermelhos. – Elesis sorriu. – Porém já está escurecendo, vamos acampar e comer alguma coisa, amanhã cedo continuamos, tudo bem?
Ela assentiu.
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Devido à falta de uma barraca acamparam ao relento, próximos à fogueira e usando a mochila como travesseiro. Não que o imortal se importasse, mas a garota acordou de cinco em cinco minutos por toda a noite, fazendo com que ambos dormissem mal.
Quando o primeiro raio de sol escapou por entre as folhagens, Sieghart quase gemeu de pura preguiça. Vendo que a garota dali a pouco acordaria, resolveu levantar-se na frente, andando até o riacho próximo para lavar o rosto. Quando se abaixou para lavar o rosto, o reflexo do céu chamou-lhe atenção.
Uma coluna alta de fumaça negra subia, manchando o azul do céu, apesar dela ainda ser expeça, não era recente. Talvez pelo fato de terem se aproximado quando anoitecia, não conseguiu reparar aquilo na noite anterior. Mas a fumaça lhe incomodou profundamente. Ela vinha de onde deveria estar o acampamento dos cavaleiros canabanenses, porém eles não seriam idiotas o suficiente para declarar sua posição assim. Ele achava que não, pelo menos.
Secou o rosto na manga da própria camisa, enquanto se erguia, ainda a olhar para a coluna de fumaça. Se todos os seus instintos estavam o mandando ficar longe da península de Ellia, agora eles faltavam pouco o mandar correr para longe dali enquanto ainda era tempo.
Inspirou de maneira apreensiva e retrocedeu seus passos, ainda temeroso, para acordar a criança. Assim que voltou ao acampamento percebeu que Elesis ainda dormia, provavelmente a noite deveria ter sido mais infernal para ela do que para ele. Abaixou-se calmamente ao seu lado e correu os dedos sobre os fios ruivos.
-Vamos ruivinha, hora de acordar. – Ela murmurou alguma coisa, ainda de olhos fechados. – Vamos lá, ainda temos que andar um bom caminho até a base dos cavaleiros vermelhos. – A menção aos cavaleiros a fez abrir os olhos, mas não levantar. – O que houve?
-Estou com sono... – Murmurou baixinho e ele suspirou. – Podemos dormir mais um pouco?
-Hhm, que tipo de guerreira é essa que só sabe dormir? – Ele sorriu de canto, enquanto apertava uma de suas bochechas com delicadeza. Ela sentou-se, emburrada.
-Vou ser muito melhor que você! Só estou com sono. – Resmungou outra vez e ele riu.
-Bom dia para você também ruivinha, vá lavar o rosto. – Acrescentou, voltando-se para mexer na mochila e depois reascender o fogo. – Vamos comer alguma coisa e começar a andar em direção à península.
-Por que é tão longe? – Ela grunhiu. – Achei que você tivesse dito que estávamos próximos, quando a gente ainda estava no barco.
Ele suspirou. – Estávamos próximos, mas não estamos seguindo pelas estradas, o que seria mais rápido, para não topar com os guerreiros amon.
-Achei que você tivesse dito que poderia derrota-los.
-Posso. – Ele deu de ombros, remexendo a lenha. – Mas para que me cansar se podemos seguir pelas trilhas da floresta?
-Qualquer um se perderia aqui dentro.
-Eu não me perdi, não é? – E sorriu. Ela virou o rosto, meio encabulada. – Não fique assim, eu conheço o caminho de antemão, só isso.
Ainda bufando, se ergueu sem proferir nenhuma outra palavra e andou até o riacho para fazer o que lhe foi dito. Em pouco menos do que alguns minutos, voltou correndo animada, pulando sobre o guerreiro, que a olhou sem entender. – Você realmente falou a verdade! Eu posso ver a fumaça daqui!
Ele sorriu o mais convincente que conseguiu. Se até mesmo uma criança consegue localizar o acampamento é porque tem alguma coisa errada. – Exatamente, agora coma para que possamos ir logo para lá.
-Até parece que você quer se livrar de mim. – Ela resmungou meio incomodada.
-Não é isso. – Ele pausou. – É só que... Ah, deixa pra lá. – Suspirou. Estava preocupado. Acendeu a fogueira e passou a fazer uma refeição rápida, preparou um pedaço de carne que seria dividido entre os dois e procurou pelo pão dentro da bolsa. – Quer que eu esquente seu pão, ruivinha? Talvez esteja amanhecido.
-Não, tudo bem. – Ela esticou as pernas e ficou o observando enquanto ele preparava a comida. Sieghart estava estranho desde a metade da tarde anterior, quando comentou com ele sobre as tradições de sua família. Será que ele sabia alguma coisa sobre ela?
Quer dizer, ninguém nunca comentava nada a respeito com ela. Na verdade, isso até mesmo incomodava bastante a ruiva. Na verdade, a única informação que recebeu – além da que ela tinha que ficar forte e aprender a lutar para entrar nos cavaleiros vermelhos – foi uma curta história que seu pai contou uma vez, sobre um guerreiro imortal e destemido, que poderia devastar planícies de inimigos e destruir montanhas com sua força de vontade.
E bom, era isso que a mantinha firme em pé, disposta a seguir em frente. Se existia alguém assim que era de sua família, ela iria ser melhor que ele! Ela queria ultrapassar todos os limites. Voltou os olhos para o guerreiro e a pequena ruga no meio de sua testa, sinal que estava pensativo. –Sieghart, você sabe alguma coisa sobre os cavaleiros vermelhos? – O moreno arregalou levemente os olhos, meio pego de surpresa.
-Como assim? Todos sabem alguma coisa sobre eles.
-... Alguma cosia especial sobre eles? – Ela murmurou, olhando firme dentro dos olhos pratas dele. – Não minta pra mim.
Ele suspirou. – Vamos comer ruivinha. – E estendeu a comida pronta, ignorando completamente o assunto. Elesis suspirou.
Sieghart sabia de alguma coisa que não queria contar para ela.
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Quando estabeleceram um bom ritmo de caminhada, já que o tornozelo de Elesis já estava bem melhor do ataque do troll, demoraram mais ou menos duas horas para alcançar a frente do acampamento.
Quem vinha na frente foi o moreno, que parou, instantaneamente diante da visão que teve. A ruiva, que vinha distraída, acabou dando um encontrão na perna dele, fazendo-a coçar o nariz, devido à batida. – Sieghart, por que você... – Ela não terminou a sentença.
A base estava completamente destruída. As cabanas haviam sido rasgadas e queimadas, a única coisa que produzia fumaça era um aglomerado de tecidos e papéis no centro do acampamento, o imortal pode notar um leve cheiro de corpos carbonizados também e se perguntou quem seria o capaz de queimar cadáveres por pura maldade.
O moreno respirou fundo e pegou a ruiva no colo, escondendo a cabeça dela em seu ombro. Ela não protestou. O imortal supôs que estava em choque.
Foram passos pesarosos em direção à entrada do acampamento, passou por cima de vários corpos sem vida e vários outros que só conseguia encontrar pedaços. Quem quer que tenha sido o general daquelas tropas, fez questão de acabar com cada alma viva naquele campo. Ele se obrigou a continuar, em busca de algum tipo de sobrevivente. Em busca de Elscud.
Não pode negar um pequeno aperto no coração em pensar que o ruivo que uma vez ousara o desafiar poderia estar morto no momento. Apertou ainda mais a ruiva em direção ao seu peito e, ao chegar próximo à tenda principal, onde o líder deveria permanecer, encontrou-a semicarbonizada e seus pertences interiores espalhados, como se alguém estivesse procurando por algo.
Engoliu em seco e entrou, procurando por qualquer traço de batalha, qualquer corpo. Qualquer pista. Não encontrou nada, além da espada vermelha de Elscud caída em um canto e partículas de magia dispostas no ar.
Supôs então, das duas uma: Ou Elscud havia sido tragado por uma fenda dimensional, ou seu inimigo saíra da fenda dimensional.
Apertou os lábios e voltou os olhos para a ruiva. Ela não havia falado uma palavra, não tinha se mexido ou até mesmo chorado. Permanecia quieta, com o rosto enterrado na junção de seu ombro e pescoço. – Vamos embora daqui, ruiva. – Murmurou quieto, sentindo sua garganta subitamente seca.
Ela ofegou e então começou a chorar baixinho. – Você promete que nunca vai me deixar?
Aquilo cortou o coração do imortal. Sieghart suspirou profundamente e decidiu, naquele instante, que ele mesmo criaria a ruiva. Ele iria a ensinar a lutar e contar sobre a família dela se ela quisesse. Ele estaria ao lado dela enquanto ela quisesse e ele pudesse. – Eu vou estar sempre ao seu lado, Elesis.
Ela continuou chorando baixinho. – Nada de Elesis, nada de crescer... Eu quero ser apenas a ruivinha. – E continuou chorando no colo do imortal, no meio daquele acampamento destruído e com cheiro de podridão e carne queimada.
-Eu estou aqui, ruivinha. Eu não vou te deixar, tudo bem? – Ela assentiu, quieta.
Notas finais
De qualquer maneira, desculpem a demora para a atualização. E, se puderem, gostaria de ouvir sinceramente o que acharam do capítulo e de como a história está se desenrolando :3
(Ah, e desculpem qualquer erro, esse eu admito que fiquei com preguiça de revisar *suspiro*)
Beijos, Teffy ~
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