Notas iniciais
Nem vou me prender às desculpas de quanto eu demorei e suas explicações. =w=' Em resumo, tudo o que vocês precisam saber é: Desculpa.

–Aquele idiota. Quem ele pensa que é para falar comigo assim? – Resmungava, batendo o pé no chão. Carregava sua mochila de qualquer maneira, enquanto vagava sem rumo pelo pequeno vilarejo. Onde já se viu! Sieghart nunca havia falado daquela maneira consigo, por que agora? – Se bem que ele já anda estranho há um tempo... – Pausou os passos, olhando para o grande portão do vilarejo. – Mas ainda assim isso não é motivo.

Suspirou. Estava indecisa se voltava e tentava a possibilidade de esmurrar o moreno ou se continuava seus passos. Mordeu o lábio inferior. Ir embora significava que possivelmente não veria mais Sieghart, além de ter que se virar sozinha a partir dali. Cerrou os punhos, sentindo o vento balançar sua trança malfeita.

–Ele não veio atrás de mim, por que eu deveria ir atrás dele? – Sussurrou, sentindo a garganta fechar em angústia. Respirou fundo e deu um passo a frente, forçando-se a continuar, foi quando ouviu seu nome ser gritado.

–Senhorita Elesis! – A ruiva virou-se, observando o canabanense aproximando-se. Nem mesmo tentou fingir um sorriso. – Senhorita Elesis, está tudo bem? – Perguntou assim que conseguiu se aproximar da garota. Ela deu de ombros, sem vontade de falar. Não era ele quem queria ver. – Sinto em me intrometer, mas não deu para não ouvir a discussão que teve com seu... – Limpou a garganta, buscando a expressão. – Companheiro de viagem.

–Ah. – Ela ergueu uma sobrancelha. – Ele é um babaca. Fiz bem em discutir com ele. – Mentiu, a garganta arranhava e sua faceta era tensa. Ronan percebeu. – Agora posso continuar sozinha para derrotar Cazeaje. Quem precisava da ajuda dele mesmo? – Só então a garota reparou nos outros quatro indivíduos que se aproximavam a passos lerdos.

–Derrotar Cazeaje sozinha? – A mais baixa dentre todo o grupo riu. – Você deveria trabalhar no ramo de humor, gracinha. – Lire deu-lhe um cutucão.

A ruiva girou os olhos. – Sozinha ou não, vou vingar meu pai. – Deu de ombros em seguida, depois usando sua mão esquerda para arrumar a alça em seu ombro. – Continuo não precisando dele.

A elfa então dignou a ruiva um simples sorriso. – Já que está tão decidida a derrotar Cazeaje, por que não se junta a nós? Pude ver que é uma guerreira. – Aponta para a espada embainhada na cintura da ruiva. Elesis por poucos momentos invejou o movimento delicado que a loira continha.

–Eu não sei se estou pronta par-...

–Nós somos a incrível Grand Chase, todos querem se juntar a nós. – A maga alfinetou. – Poucos têm a capacidade.

Elesis sorriu maldosa. – Não estou vendo nada de incrível aí, gracinha. – Girou a mão livre com desleixo. Jin soltou uma baixa risada, colocando a mão em frente aos lábios para conter a gargalhada. Arme franziu o cenho.

Lire suspirou. – Claro que terá um teste antes que possa ingressar em nosso grupo. – Comentou, como se aquela discussão não houvesse existido. – Afinal, não podemos andar por aí com uma garotinha.

Com uma garotinha. Imediatamente a voz dele veio à sua mente, criando um bolo em sua garganta. Seguir com eles significava que certamente nunca mais veria o moreno. Aliás, naquele momento já era possível que nunca mais viesse a vê-lo. Então engoliu em seco, sua garganta fazendo um ruído estranho, e forçou um sorriso prepotente, assim como aqueles que estava habituada a assistir.

–Pode mandar, eu faço qualquer coisa. – Manteve o tom de voz firme. Essa seria uma das muitas diferenças de viajem. Não seria ruivinha, garotinha, nem nada parecido. Seria Elesis. A espadachim Elesis! – Eu treinei com o melhor tutor que você pode imaginar. – Blefou, mantendo o sorriso de canto.

–Você por algum acaso treinou com uma lenda? Alguém que é melhor que qualquer um dos nossos tutores? – A maga perguntou ofensiva. – Você está se achando muito para uma mera desconhecida. – Elesis ergueu os ombros, em uma postura altiva. Por mais que se sentisse envergonhada por dizer que tinha treinado com um desconhecido por todo esse tempo, manteve-se centrada em seus pontos.

–Treinei com alguém que vai se tronar lenda por minha causa, protótipo de gosma roxa. – Resmungou. Lire interviu entre as duas no mesmo instante.

–Peço um pouco mais de respeito, senhorita Elesis. – A ruiva girou os olhos. – Por mais que entenda que você é uma civil e foi um dos nossos que começou, entenda o seu lugar também. – Arme mantinha o cenho franzido para a espadachim e Ronan tinha uma faceta preocupada.

–Sinto se sou ofensiva. Mas sempre me disseram que tenho um temperamento forte demais... – Para uma pequena ruivinha. Manteve-se calada e não terminou a frase. Lire sorriu mais tranquila.

–Acho que eu também exagerei. – A mais baixa resmungou de volta, cruzando os braços e formando um bico fofo em seus lábios. – Sinto muito novata.

Ronan limpou a garganta antes de continuar, um pequeno rubor subindo por suas faces. – De qualquer maneira, acredito que você terá que passar em um teste, antes de poder se juntar a nós.

–Tudo bem. Como eu disse, pode mandar. Qual será o t-...

A ruiva chegou à conclusão que talvez os deuses gostassem dela, mas só um pouquinho. O baque na construção atrás da guerreira fez-se ouvir por toda a vila e ela, junto à Grand Chase, virou-se para olhar. Por trás do muro erguia-se uma cabeça rochosa e dois grandes punhos, que se chocaram outra vez com a proteção, dessa vez por cima, e a trouxe abaixo em um só golpe.

–Um golem! – Elesis ainda ouviu alguém gritar e mordeu o lábio inferior. Não estava com medo, não era essa a palavra. A ruiva estava apreensiva. Sieghart já havia a mandado lutar com monstros de quase todos os portes e ela, depois de algum tempo, compreendeu que quando maior ele fosse, mais fácil era de derrubá-lo.

Mas seria a primeira vez que se envolveria com uma batalha sem o moreno para lhe dar suporte.

–Grand Chase, protejam os civis! – A ordem veio diretamente da loira, que largou sua bolsa pesada no chão e pegou seu arco e aljava, posicionando-se. Os garotos prontificaram-se soltando suas coisas no chão, bem como a maga, que já portava seu cetro. A espadachim não ficou muito para trás, deixando a alça de sua bolsa escorrer seu ombro e cair no chão, puxando sua espada.

Sieghart ergueu os olhos, procurando a fonte do barulho e encontrando as pessoas da vila em desespero. Várias delas já haviam passado por si e continuaram a correr, abrigando-se nas construções mais resistentes no outro ponto da cidade.

O urro de fúria veio depois, ressoando pelo caos proposto e o imortal pode senti-lo vibrar em sua caixa torácica. Precipitou-se para frente, tentado a voltar seus passos até a ruiva, mas parou seu próprio movimento.

Sim, Sieghart. Você não é mais responsável por ela. Os olhos pratas se perdiam na multidão, procurando os cabelos ruivos. Ela não veio atrás de você. E nem precisa da sua ajuda para tombar um mero monstrinho.

O moreno suspirou parado no mesmo lugar enquanto a população ainda corria para longe. Os mais velhos carregavam as crianças como podiam, tentando tirá-las do perigo. Os guerreiros faziam a proteção como podiam e abriam espaço para a Grand Chase intervir.

Soltou uma risada amarga e arrumou a mochila em seu ombro. – Você realmente cresceu nesse tempo, Elesis. – Murmurou e virou-se, começando a caminhar na mesma direção que a correria seguia. Tudo agora parecia mais silencioso, já que a grande parte já havia se abrigado.

“A novata!”

“Novata ou não, ela é uma civil! Protejam-na!”

Ele outra vez interrompeu seus passos e deu uma mirada para trás, observando o grupo de jovens e o ser disforme composto de rochas. Eu disse que ela não precisava de você.

–E você acha mesmo que àquela garota consegue ficar longe da confusão? – Resmungou para si mesmo.

Elesis sentia-se trêmula. Suas pernas pareciam feitas de gelatina. Provavelmente seria por culpa da ansiedade misturada com apreensão. Suspirou fundo e forçou-se para frente, iniciando uma corrida em direção ao golem. A fera urrava de maneira ensurdecedora e eram poucas as palavras que a ruiva conseguia distinguir.

–Tremam diante da fúria da Lady Cazeaje! – Seus punhos deslocavam-se para os lados, derrubando tudo o que alcançavam. – Tremam e encolham-se em sua insignificância, pois todos irão morrer!

Assim que os últimos civis tinham sido escoltados para longe do campo de batalha, Jin olhou para trás, girando os olhos. – A novata!

Lire manteve a expressão centrada enquanto ajudava Arme com os poucos feridos. Então se virou para trás, observando Elesis avançar em um ataque frontal. O que aquela ruiva tinha no lugar dos miolos? – Novata ou não, ela é uma civil! Protejam-na! – Ryan e Ronan se entreolharam e partiram em busca do escolta da guerreira e Jin manteve-se preparado para evitar ataques contra as duas outras mulheres.

Elesis dedicou um corte horizontal contra o abdômen da criatura, que segurou sua espada antes de tocá-lo, estraçalhando a arma. Ela soltou o que restou da espada e manteve-se atenta aos próximos movimentos do ser, quando ouviu a voz masculina atrás de si. – Novata suicida, sai da frente!

O punho no golem se chocou no chão e a garota esquivou-se dando uma cambalhota para a esquerda, Ryan pulou por cima do braço do golem e bateu seu machado no chão, em um ataque poderoso. – Terra Estilhaçada! – Os detritos foram lançados para o alto, causando dano, e logo depois o empurrando para trás, desequilibrando-o. Puxou seu machado e saiu do caminho, arrastando a ruiva junto, que só observava.

O próximo a se a aproximar foi o arcano, com seu gládio em punho, que observou a quase queda da besta e invocou sua magia, encravando sua arma na cratera recém-formada pelo ataque do elfo. – Golpe de Canaban!

Um grande círculo de magia se fez ao seu redor, jogando uma brilhante aura azul por todos os lados antes de centenas de espadas de luz subirem danificando o corpo rochoso. Ao mesmo tempo vieram as flechas rápidas e brilhantes da loira arqueira, quatro em sequência e depois mais cinco de uma vez só.

Ronan escapou para o lado, flanqueando o monstro entre ele e o druida, junto com a ruiva, e abrindo área para o golpe mágico. – Impacto Atordoante! – A eletricidade fluiu da maga até o Golem, erguendo uma alta cortina de fumaça e gerando um silêncio repleto de estática.

–Ganhamos? – A pergunta tímida veio do lutador, atraindo a atenção da líder, que desviou os olhos da poeira e observando o garoto próximo.

–Foi fácil demais. – Quem respondeu foi a ruiva, que olhava ao redor, passada sua extrema observação dos outros guerreiros, à procura de uma espada. Assim que encontrou uma, abaixou-se, armando-se outra vez. – Além do que, não ouvi nenhuma rocha se partindo.

Ryan assentiu. – A novata está certa. – Elesis sentiu ímpetos de corrigi-lo, mas manteve-se calada. – Não é hora de abaixar a guarda.

O chão tremeu, obrigando os jovens a tentar manter sua estabilidade, enquanto aos poucos a poeira descia e o golem novamente se preparava para o ataque. – Eu derrotarei todos vocês em nome da Lady Cazeaje! – Rugiu, virando-se para o único sozinho e preparando-se para atacar. O azulado ergueu a arma, procurando se defender de alguma maneira, Ryan correu em sua direção, enquanto a ruiva correu em direção do inimigo empunhando sua espada encontrada.

A espadachim pulou, girando a espada no ar e concentrando tudo o que aprendera para gerar o fogo. – Cratera Meteoro! – Três globos de fogo foram lançados contra o golem, que, novamente, desestabilizou e, antes de tombar para trás, mirou um último soco na ruiva que ainda estava no ar, mas antes de fazer qualquer coisa, uma esfera negra o puxou para trás, depois envolvendo todo o monstro em chamas negras ferozes e, assim, o desfazendo em pedaços.

Elesis tossiu, esfregando os olhos tentando tirar a poeira deles. Era óbvio demais a quem aquele golpe pertencia. Ainda assim, ela ficou parada esperando a poeira baixar e ter um mero vislumbre do moreno. Mas ele não estava lá.

O punhado de rochas desfeitas estava lá. A cúpula de raízes invocada pelo druida para proteger ele e o outro rapaz estava lá. As marcas no solo de um ataque devastador estavam lá. Mas Sieghart não estava.

Sentiu uma mão em seu ombro e, sem vontade e ainda na expectativa que o moreno surgisse de algum lugar, voltou seus olhos para quem lhe tocava. Jin exibia um sorriso sincero.

–Mandou bem Elesis. – Dois tapinhas em seu ombro. A ruiva chegou à conclusão que ele possivelmente não sabia como tratar uma garota. – Onde aprendeu aqueles movimentos?

–O golpe final foi realmente impressionante. – A maga completou. – As chamas negras e tudo mais. Não achei que tivesse todo esse poder dentro de você.

–Ainda bem que fui atrás de você né Ron. – O elfo riu. – Do contrário todas aquelas pedras flamejantes teriam caído em cima de você. – O azulado sorriu sem graça. Se aquilo tivesse realmente sido feito por quem foi, e ela tinha certeza que havia o dedo de Sieghart nessa bagunça, provavelmente ele estava esperando que o outro fosse esmagado.

Pigarreou antes de falar. – Bom, o ultimo golpe não fui eu quem fez.

Lire girou os olhos e riu, divertindo-se, enquanto puxava a ruiva para um abraço delicado. – Pode ser humilde o quanto quiser Elesis, mas bem vinda à Grand Chase!

Sieghart tossiu o resto de poeira dos pulmões antes de ajeitar a alça em seu ombro, ainda com a highlander em punho. Não é que você voltou por ela Sieghart? Que fofinho. O moreno resmungou desgostoso e deu o braço a torcer. – Vão ser só alguns dias, só para ter certeza que ela está em boas mãos... – Suspirou.

Quem estava tentando enganar? Ele precisava da ruiva. Do cheiro dela, do jeito cabeça quente de resolver as coisas, dos sorrisos não programados e das perguntas invasivas. Mas ela não precisa de você. A sua querida ruivinha está partindo com a Grand Chase, sem olhar para trás, não é?

Ele cerrou os punhos com força, enquanto uma sonora gargalhada soava em sua mente. Cada vez mais fraco, Sieghart.

Jin suspirou, largando a lenha sobre a pilha já formada ao lado da fogueira montada, mas não acesa. Em seguida sentou-se no chão, limpando o suor da testa. – Pronto, já fiz minha parte, agora quem vai acender a fogueira?

O grupo pequeno estava dividido em curtas, porém trabalhosas, tarefas. Elesis havia ajudado Lire à caçar peixes no riacho próximo e agora ambas estavam limpando suas presas, Arme já tinha pego água para cozinhar e beber e agora descansava suas curtas pernas. Ronan e Ryan estavam montando as barracas de todos enquanto o lutador recolhia lenha e montava a fogueira.

A novata ergueu os olhos para o ruivo jogado no chão e suspirou, deixando o resto dos peixes para a loira. – Eu a acendo para você Jin. – Comentou enquanto andava até a fogueira, se abaixando na frente dela e criando pequenas chamas com as mãos, ateando-as na madeira arrumada. – Pronto.

Jin sorriu. – Sabe Elesis, por mais que você esteja no grupo por mais de uma semana agora, ainda assim não nos contou quase nada ao seu respeito. – Ele ficou em silêncio um tempo, apenas a observando. Ronan se juntou a eles, ao redor da fogueira recém-acesa.

–É verdade senhorita Elesis. – Ele sorriu. – Não confia em nós o suficiente?

–Ei, quem mandou vocês pararem com suas tarefas? Seus preguiçosos... – Resmungou Ryan, ao longe, enrolando-se com uma das barracas. Arme riu.

–Não tem muita coisa interessante sobre mim, só isso. – A ruiva deu de ombros enquanto sentava-se. Em seguida soltou as faixas de couro que mantinham as grevas no lugar, depois esticando as pernas. – Não acredito que tem algo que vá interessar a vocês.

–Então me permita fazer as perguntas. – Lire sorriu, sentando-se ao seu lado e observando-a, agora, retirar os punhos da armadura. – De onde é?

–Sou de Canaban. – Pausou e depois deu de ombros, juntando os pedaços já retirados de sua armadura. – Mas vim para Ellia bem cedo por causa do... Da pessoa que meio que me “adotou”.

–Foi ele quem te treinou também? – O ruivo perguntou enquanto cutucava as madeiras incandescentes com um graveto, tentando ajeitá-las melhor. – Ensinou a fazer as chamas e tudo mais?

–Bem, foi.

–Deve ter sido realmente uma pessoa incrível. – A maga comentou, trazendo a panela com água e os peixes já fatiados. – Não é fácil ensinar alguém a produzir chamas com essa facilidade. Quer dizer, um não mago.

A ruiva concordou silenciosa, lembrando-se o quanto foi penoso aprender. – Mas você não comentou o nome dele em nenhum momento. – Ela virou-se para o arcano, observando-o. – Devo presumir que era seu “companheiro de viagem”?

Ela riu. – Esse mesmo. – Depois deu de ombros. – Ele pediu para que eu não comentasse o nome dele com outras pessoas, mas acho que agora já não faz mais diferença, estamos brigados mesmo. – Ronan sorriu, compadecido. – O nome dele é Sieghart.

Arme quase derrubou o que carregava, o canabanense arregalou os olhos. – Sieghart? “O” Sieghart? – Jin perguntou pasmo.

–... Como assim?

O azulado suspirou. – Nunca ouviu falar sobre a lenda do imortal Sieghart? O melhor guerreiro e gladiador de Canaban?

Ryan riu. – Que depois veio a se tornar o melhor gladiador de toda Vermécia, na verdade. – O elfo sentou-se na roda, interessado na conversa. – Várias lendas existem ao redor dele e por toda parte! É tão estranho você não conhecê-las.

Elesis ergueu os ombros, culpada. – Não faço a mínima ideia sobre o que vocês estão falando. Mas parece realmente ser uma pessoa grandiosa, duvido muito que seja o mesmo babaca arrogante que eu convivi longos cinco anos. Além do que, julgando que ele é imortal, presumo que não ia ter a carinha de bebe que o Sieghart que eu conheci tinha.

–Pela maneira de trata-lo poderia dizer que você está... – A elfa soltou um risinho, olhando para Arme que mantinha um sorriso traquina e concordava, silenciosamente.

–O que? – Ela ergueu uma sobrancelha.

Ronan riu. – Apaixonada. – Elesis corou, levando as mãos ao rosto, para esconder a vermelhidão.

–Parem com isso seus débeis. – Resmungou. – O ponto é que eu treinei com ele, só isso. Pronto, fim de papo. Como está a comida Arme?

–Não precisa ficar toda defensiva, novata. – Jin comentou em meio a gargalhadas. – Então vamos mudar de tópico, seus pais?

A ruiva desceu o olhar para o fogo. – Não conheci minha mãe. Mas meu pai era Elscud, o líder dos cavaleiros vermelhos.

–Por isso você disse que queria vinga-lo? – Lire perguntou. – Por ele ter perecido em batalha contra os invasores da Cazeaje?

–Como soube?

–Teve um grande evento em Canaban em homenagem àqueles que serviam na base da península de Ellia. – Ronan explicou, solícito. – Mas isso me fez pensar, você disse que ele era líder dos cavaleiros vermelhos, então porque você não entrou para a ordem vermelha?

–Era apenas uma criança. – Ela pausou por poucos momentos. – Estava confusa, abalada. E ver aquele guerreiro sorridente aos arredores do muro do reino me fez querer ter força de vontade para resolver as coisas com as minhas próprias mãos.

–Uma decisão difícil para uma pessoa tão nova. – Ele resmungou. – Mas ainda assim acredito que você tenha que voltar à Canaban e ingressar na ordem.

Ela estranhou. – Por que? – Ele mordeu o lábio inferior, pensando em uma maneira de não responder aquela pergunta. Ronan desconfiava da verdade. – Agora fale Erudon!

–Não posso. – Ele suspirou. – Normas canabanenses. Você, sendo filha de quem é e provavelmente sendo descendente de uma lenda, só pode saber a respeito disso através dos sábios de Canaban quando for aprovada como uma guerreira vermelha. – Explicou, ela ergueu uma sobrancelha. – Isso também explicaria a hipótese, mas, nesse caso, eu sugeriria você não procurar as respostas no reino.

–Que hipótese? – Ele suspirou, não podia responder “a hipótese de que a lenda Sieghart talvez tenha se aproximado sabendo ser seu antepassado e você, agora, estar apaixonada por ele”, por isso manteve-se em silêncio. Ela ergueu-se. – Você sabe alguma coisa. – Murmurou. – Assim como ele sabia. E, ainda assim, se recusava a me contar.

–Eu não posso Elesis. É uma tradição de centenas de anos. – Ele murmurou. – Não vou contra as normas do meu reino e aconselho a você, se ainda quer nutrir o que sente, não voltar lá por respostas.

–Então por que ele não me contou? – Ela gemeu entre dentes, em pura raiva.

–Provavelmente porque ele tinha um ótimo motivo e era Canabanense. – O Erudon respondeu, suspirando.

–Ótimo. Que ótimo. – Ela virou-se, embrenhando-se na mata a passos duros.

–Aonde vai, Elesis? – A loira perguntou, preocupada. Os outros se mantinham em silêncio.

–Tomar um banho e pensar. É tudo o que estou precisando. – Resmungou, continuando seus passos. Por que Ronan havia mudado de postura tão drasticamente quando a ouviu falar sobre a ordem vermelha? E que era descendente do líder? A ruiva chutou alguns gravetos, armando um bico nos lábios e cruzando os braços com raiva.

Sempre era assim. Desde sua época em Canaban fora assim. Enquanto todas as crianças sentavam-se ao redor dos contadores de historias, Elesis era tirada dos lugares. Quando chegava no meio dos contos, todos paravam de falar. E quando se atrevia a perguntar alguma coisa ao seu pai, todas as palavras de Elscud eram: você tem que ficar mais velha para saber a verdade, assim como foi comigo. E um sorriso pesaroso.

Parou à margem do rio e começou a despir-se de sua armadura, evitando olhar para a água e mantendo o cenho franzido. – É tão injusto. Todos ficam me escondendo as coisas sem motivo. – Resmungou, baixinho, livrando-se também das roupas e começando a soltar os cabelos presos por tanto tempo. Entrou na água, pouco se importando o contato gelado com a pele, e passou a lavar o corpo sujo de poeira e suor.

–Eu deveria tortura-los. Um a um. Até me contarem o que tanto escondem. – Murmurava, abrindo um sorriso. A ideia divertindo-lhe a mente. – A primeira coisa que faria seria desorganizar as coisas do Sieghart. E depois colocar algo bem nojento no prato de comida dele. –Riu, divertida. – Depois, quem sabe, eu não cortasse os cabelos do Ronan? Raspasse. Isso.

Depois de mais algumas curtas gargalhadas a ruiva suspirou. A Grand Chase era ótima, todos eram gentis e simpáticos. Até mesmo a maga que não tinha gostado de si à primeira vista se mostrou uma garotinha fofa e boa. Só então o sorriso sereno que brindava seu rosto se desfez. Ela sentia falta de Sieghart. Uma falta louca, incompreensível e doente. Tudo aquilo era agradável e confortável, mas não era o mesmo que viajar com ele.

–Você bem que podia voltar, né Sieg. –Sussurrou, terminando seu banho.

O moreno encostado na árvore, de costas para a ruiva nua, somente suspirou silencioso e depois murmurou para que ela não ouvisse. – Não preciso voltar, até parece que ia deixá-la ruivinha.


Notas finais
E então, gostaram do capítulo? Esse pelo menos foi grandinho =w=
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